quinta-feira, janeiro 27, 2022

Segredos do Apocalipse - O Primeiro Selo

#Pública





 


Neste primeiro verso do sexto capítulo de Apocalipse, temos expressões já citadas nos capítulos anteriores; que em cada ponto de nosso livro elas foram comentadas.

O verbo "ver" –vi - no princípio do versículo dá a ideia de que o médium viu vagamente o Cordeiro, em contraposição, ouviu como o estrondo dum trovão o convite do primeiro dos quatro Seres vivos.

Já comentamos sobre as diferenças entre o "ver" e o "ouvir" e o seu significado em termos de amadurecimento espiritual; a mensagem aqui é a mesma, ele teve uma maior sensibilização em relação ao som do que à imagem. O que nos diz de sua relação mais íntima com a faixa dos seres ainda em evolução do que com as do próprio Cristo.

O Cordeiro inicia a abertura dos selos - Ele abriu o primeiro dos sete selos -.

O selo representa o lacre, é algo que nos dá a ideia de um conteúdo fechado. Eles não permitem o acesso a determinadas faixas da evolução. O esquecimento proporcionado pelo estado reencarnatório pode ser um tipo de selo. A proibição dos benfeitores espirituais de visitarmos algumas regiões no Mundo Espiritual mais ligadas às trevas pode ser outro, e assim por diante. O Evangelho tem seus conteúdos selados que vão sendo abertos na medida de nosso progresso espiritual.

Lembramos que só Ele, o Cordeiro, tinha condições de abri-los, conforme dito anteriormente, devido ao seu testemunho, à sua morte, o que podemos ver como símbolo de seu processo evolutivo através das reencarnações. Reencarnações que no caso do Messias-Jesus se deu em outros orbes do Universo de Deus em tempos desconhecidos para nós, orbes que provavelmente nem mais existam do ponto de vista físico como compreendemos.

Toda vez que um Espírito encarna é como se ele morresse. Ao completar sua evolução possível ele se acha em condição de desvendar segredos maiores em relação a Deus e o encaminhamento evolutivo dos povos. É o que está contido nesta abertura dos selos, que num sentido geral e amplo em nosso orbe só o Cristo tem.

Vem! É o chamado para que o médium aprofunde sua visão. É um chamado individual. Já dissemos, quando não somos sensibilizados pelo encaminhamento natural dos fatos, somos "chamados" de forma mais contundente para realizarmos as tarefas programadas para nossa individualidade. Trata-se daquelas situações em que não encontramos forma de sairmos delas. São às vezes encarnações compulsórias num processo expiatório, outras, são missões, mesmo que singelas, que temos que desempenhar diante de pessoas e lugares em que estamos até mesmo sem compreender o porquê.

O Mundo Espiritual superior tem os seus, e vários, recursos para dizer a cada um de nós: vem! O que nos importa é "vir" devidamente ajustado com estes planos superiores e com a Vontade Soberana de Deus.




Vi então aparecer um cavalo branco; aqui iniciam as controvérsias. Há estudiosos que veem neste cavalo o símbolo do próprio Messias, outros, o do ser opositor que é o anticristo.

Todavia a maioria e é com quem concordamos vê nele a figura do Bem, de implantação do Evangelho.

O cavalo era usado na antiguidade nas atividades de guerra, daí serem visto estes cavalos do Apocalipse como símbolo de guerras e tragédias, dores e sofrimentos. Mas não foi o próprio Jesus que disse ter vindo trazer "guerra"? O que importa, deste modo, é entender que tipo de guerra traria um Ser messiânico.

Portanto, devemos ver neste símbolo, o do cavalo, um instrumento através do qual os eventos acontecem. Cada um trazendo na sua cor a característica da mensagem de que é portador.

O branco, como já foi comentado, traz em sua simbologia a paz, a vitória, a unidade. Guerra e paz são assim símbolos do próprio Cristo, daí vermos neste cavalo a representação da mensagem superior que sempre veio ao mundo através de missionários diversos desde a China milenária com Fo Hi e alguns ainda anteriores a ele, passando por Lao Tsé, Confúcio, Buda, Sócrates, seguindo através de Francisco de Assis, Kardec, entre outros, sempre veiculando a ideia crística.

Caibar Schutel em sua Interpretação Sintética do Apocalipse, viu de modo mais claro a presença de Allan Kardec neste símbolo do cavalo branco. A princípio pode parecer mais uma interpretação pessoal valorizando sua própria escola filosófica e religiosa, entretanto existem pontos a serem analisados que nos dizem claramente desta possibilidade simbólica caracterizar mesmo a Doutrina Espírita. Todavia, como este símbolo vai retornar no capítulo dezenove, onde será ampliado, deixaremos para lá os comentários a respeito.

…cujo montador tinha um arco. O montador é a mensagem propriamente dita trazida pelo instrumento que é o cavalo. Aqui sim podemos ver a ideia do Cristo e do Evangelho.

Em hebraico a palavra rabi que quer dizer mestre, pode ser traduzida também por "arqueiro". Por sua vez, torah que é ensino, instrução, tem em sua raiz etimológica a palavra yara que quer dizer "lançar flechas".

Não foi o arco também definido como o símbolo da Aliança?

Eis que estabeleço minha aliança convosco e com os vossos descendentes depois de vós, e com todos os seres animados que estão convosco: aves, animais, todas as feras, tudo o que saiu da arca convosco, todos os animais da terra. Estabeleço minha aliança convosco: tudo o que existe não será mais destruído pelas águas do dilúvio; não haverá mais dilúvio para devastar a terra. Disse Deus: Eis o sinal da aliança que instituo entre mim e vós e todos os seres vivos que estão convosco, para todas as gerações futuras: porei meu arco na nuvem e ele se tornará um sinal da aliança entre mim e a terra..1

Portanto, o arco lembra a comunhão com Deus. Cristo participa dela, nós também poderemos participar a partir de nossa vivência evangélica e da entrega total de nossa vida, como Ele fez, para servir ao Criador. Lembramos neste passo da mensagem de Paulo, o apóstolo, dada a Kardec incluída em O Livro dos Espíritos:

Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a Justiça, o Amor e a Ciência…2

Deram-lhe uma coroa; a coroa é o símbolo da vitória, a outorga de um poder. Muitos têm dificuldade de ver Jesus nesta situação, pois dizem: "ele saiu derrotado, a sua foi uma coroa de espinhos".

Aí é que está o grande erro. Jesus é e foi mesmo àquela época o grande vencedor. Ele jamais quis demonstrar poder e soberania em relação às coisas do mundo; muito ao contrário Ele mesmo afirmou: eu venci o mundo.

Esta é a vitória que Ele veio ensinar a todos nós, vencermos as imperfeições, os chamamentos do mundo e as propostas de transitoriedade deste. Trata-se da vitória do Espírito.

Sua coroa de espinhos é loucura para os homens, como nos informa o apóstolo, entretanto é insígnia da Vitória Real e que deu a Ele e dará a qualquer um de nós a Coroa do Espírito através do completar de um ciclo evolucional que abra as portas do Céu e de uma Espiritualidade profunda para todos nós.

Deste modo, é fácil de compreender que Ele partiu para esferas sublimes de perfeição como vencedor e para vencer ainda, o que nos diz que esta vitória ilimitada que nos projeta a uma vida imorredoura, que era só Dele será também nossa e pertinente a este mundo que estamos construindo e que iremos transformar a partir da prática de Seus ensinamentos, em mundo regenerado e superior dentro do andamento da evolução.




Extraído do Livro "Segredos do Apocalipse" disponível em:


https://www.institutodesperance.com.br






1 Gênesis, 9: 9 a 13

2 (KARDEC, O Livro dos Espíritos. 50ª ed. 1980); Q. 1009




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terça-feira, janeiro 04, 2022

Segredos do Apocalipse - Lançamento






Já está disponível no Site do Instituto D'Esperance:  https://bityli.com/SegredosdoApocalipse
o livro "Segredos do Apocalipse" (livro impresso), conforme cartaz abaixo:





Se quiserem ter conhecimento do livro no Site da Amazon:  vocês podem ler um capítulo gratuitamente.



Depois disso, tive uma visão: havia uma porta aberta no céu, e a primeira voz, que ouvira falar-me como trombeta, disse: sobe até aqui, para que eu te mostre as coisas que devem acontecer depois destas. (Apocalipse, 4: 1)

Depois disso, tive uma visão; o que foi narrado anteriormente pelo evangelista já era fruto de uma visão, do exercício medianímico. Assim, a expressão depois disso nos faz compreender que após aquelas anteriores houve um aprofundamento do que ele enxergava em sentido espiritual. Sua mediunidade aguçava cada vez mais.

As primeiras cenas, que deram origem às cartas dirigidas às igrejas, situavam, apesar de sua espiritualidade, num plano mais imediato, aqui há um desdobramento mais amplo e regiões espirituais ainda mais elevadas serão o cenário deste quarto capítulo.

As igrejas representam nós mesmos em vários ângulos de nosso desempenho cristão; ora virtuosos, ora portadores de vícios que precisam ser superados.

…havia uma porta aberta no céu; define a superioridade do trabalho. Era fruto de uma concessão da Misericórdia para que nos fosse descortinado novas revelações e situações espirituais, ou tratava-se de conquista moral que permitia esta incursão. A porta do céu não nos abre à toa, ou é merecimento devido a algo já realizado, ou oportunidade de trabalho e assim, de elevação.

…e a primeira voz, que ouvira falar-me como trombeta; referência à voz citada no primeiro capítulo no décimo versículo. Pode se tratar do próprio Cristo ou de um Anjo enviado por Ele para revelar-nos. De qualquer modo é um Espírito de nível muito elevado pertencente à falange do Espírito de Verdade.

Ao nível de nossa consciência a primeira voz pode representar um chamamento da justiça, enquanto que esta que nos abre as portas do Céu, a do amor. Só o plano operacional do Evangelho nos prepara para uma Espiritualidade mais profunda.

…disse: sobe até aqui; Aquele que emitia a voz estava num plano mais elevado e convida o apóstolo a subir até onde ele se achava, até aqui.

Era a visão do judaísmo um Céu dividido em níveis1 definindo gradações cada vez mais espiritualizadas.

Confirma nosso comentário desta voz sugerir o convite do amor, só ele nos faz subir cada vez mais na escala do espírito.

Há uma necessidade de o médium elevar-se espiritualmente para que através de uma ampla conexão com o Alto possa trazer maiores revelações. A mesma proposta se adéqua à nossa necessidade no dia a dia, pois nos fazendo medianeiros da utilidade atingimos mais rapidamente nosso objetivo de recomposição consciencial e ajuste aos desígnios do Pai.

É preciso compreender, todavia, que toda subida requer esforço, disciplina e perseverança. Se o Céu é a meta e o limite que nos liberta, só através destas virtudes chegaremos lá, virtudes que devem ser buscadas e vividas dia a dia e não de vez em quando e só nos ambientes de nossas afinidades.

…para que eu te mostre as coisas que devem acontecer depois destas. Eu te mostre, isto é, o Cristo, a Consciência Superior. Só ajustado a Ele ampliamos nossos olhos que veem para além do trivial.

Todos somos desejosos de grandes revelações, inclusive as que nos projetam no futuro num domínio sobre o tempo. Por aqui aprendemos ser isto possível, isto é, saber as coisas que devem acontecer depois destas, todavia isto tem um preço:

…elevação espiritual, evolução, evangelização…, educação para o serviço em nome de Deus.

Entretanto, esta expressão que devem acontecer deve ser melhor compreendida pois aqui está em parte uma importante revelação desta Apocalipse.

O verbo "dever" aqui traduzido do grego dei, tem o sentido de estar preso a uma lei, a uma necessidade provocada pelas circunstâncias. Sugere uma obrigação moral, um constrangimento por determinação divina.

Portanto, é uma Lei que está por trás, assim ela vai se cumprir. Todavia a sua manifestação pode variar de acordo com o comportamento daquele ou "daqueles" envolvidos na questão.

É importante compreender isto, pois as profecias, mesmo as melhores, vindas por meio de Espíritos elevados não têm um caráter determinístico. Elas funcionam mais como alerta dizendo, "se nada for mudado isto deve acontecer, entretanto, se a conduta mudar poderá ser modificado o efeito".

Em síntese, a Lei se cumpre, a forma dela cumprir pode ser alterada de acordo com nossa postura diante da vida.

Fui imediatamente movido pelo Espírito: eis que havia um trono no céu, e no trono, Alguém sentado… (Apocalipse, 4: 2)

Fui imediatamente movido pelo Espírito; a ideia clara é o de um "arrebatamento" espiritual. Trata-se da mediunidade trabalhada de modo ainda mais elevado que a visão, pois o Espírito se vê transportado a estas regiões sublimes.

Só aquele que está preparado pode realizar tal trabalho, é preciso ter forjado esta condição no serviço da autoeducação. Não podemos adentrar no "paraíso" senão desvinculado de tudo que é transitório.

O Apocalipse nos convida a cada vez mais a uma vida espiritual, só através dela ingressaremos nestas regiões inefáveis.

…eis que havia um trono no céu; o Céu confirmando o ambiente em que estava, pura Espiritualidade.

Paulo define o ambiente como indizível, todavia, os autores apocalípticos buscam descrevê-lo fazendo analogias com o conhecido.

João não faz diferente, como em Isaías no sexto capítulo, ou Ezequiel no primeiro, busca algum tipo de referência para nos fazer compreender o ambiente especialíssimo da Casa Espiritual de Deus.

O trono define o ponto ainda mais nobre, o Altar Celeste.

Podemos ainda compreender que o trono é a exteriorização do Pensamento Divino. Todo o Universo é assim, Trono de Deus, o que dá a tudo existente um caráter de uniformidade. Quando algo tem assim, um aspecto divergente do que seja Divino, é sinal que o que está alimentando esta construção não é o campo mental de Deus e sim de Espíritos temporariamente desajustados aos Desígnios Superiores; o que dá um caráter de temporalidade a tudo que se opõe ao Amor Universal.

Destarte, compreendemos que nem o mal, nem as regiões abismais, onde imperam trevas exteriores, são criações divinas, daí não poderem ser eternas e sim temporais de acordo com a necessidade daqueles que a elas estão vinculados.

…e no trono, Alguém sentado…; posição que expressa a superioridade Daquele que tem ampla autoridade.

Ezequiel O define como um "ser com aparência humana", um "Adão Primordial". João diz de alguém o que de certa forma ainda humaniza, porém não há como ser diferente. Nós só alcançamos compreensão a partir do que conhecemos.

Os próprios Espíritos Codificadores sentiram grande dificuldade em ter de nos trazer ensinamentos superiores com o vocabulário que temos. Existe na espiritualidade "coisas" que não há como fazer analogia. Imaginemos, deste modo, um ambiente Celestial, muito mais difícil é retratá-lo. Só pelo pensamento podemos fazer uma ideia da Natureza Íntima de Deus ou compreender o Espírito dissociado de matéria2.

Assim, chegamos a uma conclusão, toda vez que tentamos compreender Deus, O humanizamos, e isto não é bom. Deus não é uma pessoa, por maior que ela seja.

Daí a necessidade de muitos fazerem de Jesus, Deus. Devemos entender o Cristo não como o próprio Criador, mas como o caminho operacional de chegarmos até Ele. Não há outra forma de adentrarmos na intimidade do Senhor Supremo.



1 II Coríntios, 12: 2 a 4

2 Cf. (KARDEC, O Livro dos Espíritos. 50ª ed. 1980), Questões 12 e 26.


terça-feira, dezembro 21, 2021

Segredos do Apocalipse - Os Sete Castiçais de Ouro


12 E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro;

E virei-me para ver quem falava comigo; foi dito anteriormente que a voz se fez ouvir detrás do médium; comentamos sobre isto, que trata-se da manifestação do Cristo em nossa vida no sentido inverso ao que é proposto pelo mundo.

João, como servo do Senhor, vivia uma vida voltada para as questões do Evangelho, seus interesses eram espirituais; mas aqui temos de ver a simbologia. Ele como elemento encarnado representa a humanidade que vive uma vida na ilusão do que pode ser visto pelos olhos.

Ao "virar-se", ele demonstra interesse, ele volta a frente para ver quem falava com ele.

Ele ouvia, para ouvir não era preciso virar, portanto, não bastava apenas ouvir a mensagem, era preciso ver de quem ela partia, verificar qual a sua origem, o que nos sugere discernimento.

O Apocalipse nos ensina a discernir, o próprio autor encarnado deste texto já nos dissera:

Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus1

Portanto, era preciso ver quem falava, de quem era aquela voz tão significativa; e ainda hoje ver quem fala. Se a mensagem vem da Esfera do Cristo, estejamos atentos, vivenciá-la é questão de bom senso, obra do homem prudente.

E a misericórdia divina é pródiga em nossa vida, se manifesta através das palavras de um pai, de um amigo, de um livro edificante, de um líder religioso…

Aprendamos com a Revelação, é preciso "virar-se" para quem tem para nós propostas reeducativas.

E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e virando-me, atitude obediente à consciência esclarecida.

Faz-se preciso não só conhecer a verdade, mas obedecê-la. Quantas vezes mesmo sabendo em nossa vida qual o melhor caminho seguimos por outro?

O Apocalipse é altamente simbólico, desvendar estes símbolos é o desafio de todos os que se propõem a estudar esta revelação. De nossa parte não temos a pretensão de compreender todos, pois não há em nós condições para tal. Retirar do texto uma proposta edificante para nossa vida, ou seja, aplicar a mensagem em nosso dia a dia é o objetivo maior. Mas para isso é preciso ir trabalhando estes símbolos e ver neles o que eles podem nos acrescentar em matéria de transformação moral.

A partir do quarto capítulo estes símbolos vão aumentar e exigir mais de nossa capacidade interpretativa, aqui, é apenas uma prefiguração do que vai acontecer mais adiante.

Sobre os sete castiçais de ouro, o próprio texto, no último versículo deste capítulo, nos esclarece: "são as sete igrejas"

Vamos comentar mais no desenvolvimento do texto, mas podemos ver neste castiçal, que é um suporte onde se coloca uma vela com o objetivo de iluminar, não apenas as igrejas; sim, toda comunidade que se reúne em torno de um princípio moral é um castiçal, todavia, nós também temos, individualmente, de sermos um castiçal através do qual a luz divina possa se irradiar.

Não é pretensão nenhuma de nossa parte dizer desta forma. O objetivo da luz é encerrar com a treva, e qual de nós diante de uma grande escuridão ainda não se serviu de um simples palito de fósforo para iluminar em volta? Portanto, qualquer um de nós tem esta prerrogativa. Não são palavras do próprio mestre que resplandecêssemos a nossa luz diante dos homens?2

O Evangelho por si só tem esta missão, iluminar as almas. Se o Antigo Testamento é uma grande trombeta a anunciar a existência de Deus e de Sua Lei, o Novo é a voz suave e doce que diz da necessidade de através do combustível da fé operacionalizada fazermos luz em favor de todos.

13 …e, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés de uma veste comprida e cingido pelo peito com um cinto de ouro.

…e, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem; num plano mais coletivo vimos que os sete castiçais representam as igrejas, o sete pode dar a ideia que é a totalidade delas. Entendamos por igreja não a instituição religiosa em si, mas qualquer comunidade reunida a serviço do Cristo, independente de a que escola esteja ligada. Trata-se de um grupamento que, no plano físico, possa fazer manifestar o Pensamento Divino.

Importa ver que são sete igrejas onde não há destaque de nenhuma, todas têm o seu papel e devem ser respeitadas igualmente; o mais importante é que todas sejam fontes irradiadoras de luz.

A expressão seguinte, um semelhante ao Filho do homem, nos remete ao Cristo.

Filho do homem foi um dos títulos que Jesus usou para si mesmo. Etimologicamente, no contexto hebraico, esta palavra quer dizer simplesmente "ser humano", ou "homem". Todavia, em se referindo a Jesus, esta expressão tem um sentido diverso, ela quer dizer de um Ser que ultrapassa a condição humana; um Messias é o melhor entendimento.

O texto deixa uma dúvida, pois o médium relata que viu um semelhante, e não o próprio Filho do homem. Todavia a alusão é clara, evoca o Cristo.

Como dissemos, a linguagem apocalíptica é altamente simbólica, temos que ir aos poucos desvendando estes símbolos. O que mais importa aqui é que os castiçais, fontes irradiadoras de luz, estão sofrendo, por sua vez, irradiação direta do Messias, estão a Ele conectados, estão em plena harmonia. Harmonia esta que é de tal forma que o Cristo está no meio deles, é um deles.

Talvez esteja aí o segredo da expressão "semelhante ao Filho do homem". É que num plano mais elevado de irradiação, não é o título que mais importa, mas estar na mesma frequência, na Alta Frequência de Deus. Pois como nos orienta o Espírito São Luis em mensagem publicada na Revista Espírita em fevereiro de 18683, não devemos dar importância se aqui é à personalidade de Jesus de Nazaré que esta expressão se refere, o que importa é que este Espírito está animado do mesmo pensamento superior.

Se quisermos, individualmente, ou coletivamente [nossa comunidade cristã], estarmos cumprindo bem o nosso papel irradiador de luz, produzindo valores de ordens reeducativas, é preciso estarmos na frequência do Cristo, esta é a essência do versículo.

…vestido até aos pés de uma veste comprida; vamos ter a partir daqui e nos próximos versículos citações a respeito de algumas funções messiânicas, têm elas suporte na literatura veterotestamentária.

A veste comprida define a sua função sacerdotal, referindo-se a uma ampla conexão com Deus.

…cingido pelo peito com um cinto de ouro. O cinto de ouro nos diz da realeza do Messias, o ouro era um metal nobre, o cinto de ouro era uma das insígnias dos reis. Porém vemos que aqui não se trata de um poder temporal apenas, pois o cinto cingido pelo peito diz de uma realeza fundamentada também pelo sentimento, que por estar associado à razão dá plena autoridade, uma capacidade de refletir com maior fidelidade o sentimento divino.



1 I João, 4: 1

2 Cf. Mateus, 5: 16

3 (KARDEC, Os Messias do Espiritismo Fevereiro de 1868)





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quarta-feira, dezembro 08, 2021

Maria de Nazaré, Paulo de Tarso: Mulher e Homem em Cristo

@claudiofajardoautor



Este livro é dividido em três partes distintas;

Na primeira, os textos de Paulo que dizem respeito à posição da mulher e do homem em Cristo.
Ao contrário do que habitualmente fazemos não nos preocupamos em fazer uma análise pormenorizada dos versículos (estudo miudinho do Evangelho), mas apenas de trechos que  nos auxiliam no esclarecimento destes pontos polêmicos que têm desafiado os estudiosos de todos os tempos.
É preciso tirar o espírito da letra, pois conforme orientação do próprio apóstolo, a letra mata, e o Espírito vivifica. Realizando desta forma, nada mais fazemos do que tentar corrigir o que a nosso ver é uma injustiça, tachar o venerável discípulo de Gamaliel  de machista.

Na segunda parte, com o título de "Maria a Educadora de Jesus" realizamos um breve estudo sobre o Puríssimo Espírito Maria de Nazaré.
 Falar de Maria, a mãe de Jesus, não é fácil devido a falta de informações que temos dela, e entre as que temos poucas são confiáveis, isentas e imparciais do ponto de vista religioso.
Estão no Novo Testamento, apesar de raros, os melhores esclarecimentos que temos da Mãe de nosso Senhor Jesus.
Nós, os espíritas, ainda temos o privilégio de termos algumas anotações vindas do Plano Espiritual que nos ajudam a esclarecer sobre a grande evolução e a missão deste nobre Espírito.
Não temos informação de como foi sua infância, nem de sua adolescência; a tradição cristã nos informa que Maria era filha de Joaquim e Ana. Seus pais eram judeus e pelo que podemos depreender dos textos do Evangelho formavam uma família simples e praticantes fieis de seus princípios religiosos.
Provavelmente nasceu entre os anos 18 e 20 a.C., e como era habitual àquele tempo, deve ter casado por volta de seus 14 anos, às vezes até antes.
Os historiadores do cristianismo apontam como data provável do nascimento de Jesus o ano 6 a.C., o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier define o ano 5 a. C. como sendo o correto para a vinda do Cristo à carne3. O casamento de Maria deve ter acontecido de seis meses a um ano do nascimento de seu primogênito.

Na terceira e última parte do livro fizemos um estudo "miudinho" da "Carta aos Tessalonicenses "
Por volta do ano 50 de nossa era, já em franca atividade apostólica, Paulo, o fiel amigo dos gentios, se vê diante da seguinte dificuldade: a expansão das comunidades por ele fundadas crescia e com o crescimento surgiam dificuldades para o bom andamento da divulgação do Evangelho. Sua presença era sempre solicitada entre os novos seguidores do Cristo, e ele já não dava conta de atender à solicitação de todos como gostaria.
Após uma sentida oração percebeu-se envolvido pela presença espiritual do próprio Jesus que buscando tranquilizá-lo inspira-o a mudar a forma de assistência aos queridos seguidores.
Conforme anotações de Emmanuel, o Senhor o orienta com brandura:

"Poderás resolver o problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome… (…) doravante Estevão permanecerá mais aconchegado a ti transmitindo-te meus pensamentos, e o trabalho de evangelização poderá ampliar-se em benefício dos sofrimentos e das necessidades do mundo." (do livro Paulo e Estevão)

Deste modo, o Apóstolo convidou Timóteo e Silas, aqui chamado de Silvano, para juntos redigirem a primeira de suas importantes epístolas.
Paulo escreve esta sua primeira epístola em Corinto, por volta do ano 50 ou 51 de nossa era. Esta carta tem importância histórica, pois provavelmente é o primeiro documento escrito do Novo Testamento.

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terça-feira, novembro 23, 2021

Segredos do Apocalipse - Dia do Senhor






Eu fui arrebatado em espírito; podemos ver aí a atuação mediúnica. João foi arrebatado, isto é, foi projetado a uma situação, a um lugar, na dimensão espiritual.


Acontece o mesmo com muitos médiuns, seja numa reunião mediúnica ou mesmo fora dela. É o que comumente se chama de "desdobramento"; alguns estudiosos não espíritas têm nominado como "projeção da consciência". Este vai ser o modo de ação do médium revelador do Apocalipse, ele se desdobra, vê, e narra o que foi a ele mostrado.


Fora do campo mediúnico, e mesmo até nesta área de atuação, podemos ver aí, neste arrebatamento, a necessidade de nos desvincularmos das situações corriqueiras, dos interesses em que estamos imersos, se quisermos receber uma revelação espiritual de maior alcance. Entendendo assim, também, a necessidade de nos projetarmos além dos interesses puramente transitórios para efetivarmos nossa evolução espiritual.

João se capacitou a receber o Apocalipse no final de sua vida física. Alguns fatores colaboraram para isto. Seu amadurecimento espiritual pelo trabalho incessante na área do Evangelho e no atendimento aos necessitados; os sofrimentos naturais por que passou fortaleceram-no espiritualmente, deram a ele embasamento moral; sua fraqueza física, seja pela idade, seja pelos sacrifícios que teve de fazer, se desvinculando do comodismo e do imediatismo humano, também o auxiliaram neste processo de desligamento do mundo da ilusão para uma efetiva penetração no mundo da realidade.


São lições valiosas para todos nós que almejamos uma maior projeção na vida espiritual. Os desafios, as dores, os limites, e as contrariedades, são situações de bastante incômodo, mas na realidade realizam importante tarefa em nossa contabilidade íntima, nos preparam para estarmos em melhor forma no dia do Senhor.


No dia do Senhor; historicamente os estudiosos cristãos situam este dia como sendo o domingo, o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição de Jesus. Dia este que à maneira judaica de contar iniciava no sábado à noite. Porém, os cristãos sabatistas entendem que este dia do Senhor se refere ao sábado.


No Judaísmo era o "dia de IHWH", o dia do julgamento. Podemos ver aí o Yom Kippur. Talvez seja isto que o Apóstolo quisesse dizer, o dia do Yom Kippur


No entendimento dos primeiros cristãos era o dia da volta de Jesus. Irineu, escritor cristão do segundo século, menciona uma tradição da igreja de que o Messias retornaria durante a Páscoa, e que o dia do Senhor não se refere ao domingo, mas ao primeiro dia da Páscoa1.

No campo íntimo é aquele momento de ajuste ao Plano do Criador, é nossa assimilação e adequação ao pensamento superior. Dissemos anteriormente, é entrar no "tempo de Deus".

Neste instante é que nos é outorgada a capacidade da revelação, que literalmente é "tirar o véu"; desvendar algo desconhecido, uma nova realidade, por exemplo.


…e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta; a trombeta, "shophar", era um instrumento feito habitualmente de chifre de carneiro ou de boi; vamos ter também trombetas de prata que serviam só aos sacerdotes. Emitiam um som muito forte capaz de fazer a criatura despertar.

Aqui o que importa é a intensidade do som ouvido e que tinha justamente este objetivo despertar o médium para o que era visto. É bom lembrarmos que muitas vezes vemos algo, mas não nos despertamos para a realidade; quando a audição é sensibilizada este despertamento se faz mais fácil.


É habitual para nos falar do despertamento espiritual a expressão, "tocar a acústica da alma".

A codificação espírita que é uma grande revelação espiritual foi antecedida por pancadas que, através de barulhos estranhos, despertaram a população para novos fatos de grande poder revelador.

Esta trombeta representa para nós a possibilidade deste despertamento que soa como um grito em nossa consciência chamando-nos a uma nova realidade.


Neste passo é importante percebermos que ele não ouviu um som de trombeta, mas uma grande voz, a trombeta é usada só como comparação para expressar a intensidade com que a voz lhe falava.


No plano em que vivemos a voz tem um poder mais objetivo de comunicação, o que define que ele ouviu num plano mais concreto, a voz dizia algo que ele compreendia. A revelação só tem objetivo se ela se adequar ao plano mental daqueles que vão recebê-la, se não for assim, não haverá entendimento e ela perde a função.


Como era uma revelação vinda da Esfera de Deus e de Seu Cristo, ela não era falha, era adequada, vinha através de uma grande voz que o revelador ouviu detrás, e não de frente. Por quê?


Detrás é no lado oposto à nossa frente. Sendo a frente o sinalizador de nossos interesses, pois é para onde estamos voltados, a Mensagem do Cristo vem detrás, pois vem contrariando os interesses comuns do mundo, vem numa dimensão a que não estamos habituados. Por isso o som como que de uma trombeta, para despertar a criatura e ela voltar-se com determinação dando a frente para o Cristo e as costas para o mundo.


1 STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento, 1ª Ed. Belo Horizonte: Editora Atos, 2007. Pág. 865


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sexta-feira, novembro 12, 2021

Jesus Terapeuta





E PERGUNTOU-LHE JESUS, DIZENDO: "QUAL É O TEU NOME?" E ELE DISSE: "LEGIÃO"; PORQUE TINHAM ENTRADO NELE MUITOS DEMÔNIOS.

E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome?..
. — A abordagem terapêutica é preocupação, não só dos seguidores de Hipócrates, mas também de todos nós, trabalhadores de boa vontade, interessados no bem-estar alheio.
Por isso, a todo momento, devemos aprender com o divino Mensageiro das Ciências
Médicas, buscando analisar todas as Suas atitudes.
Após repreendê-lo inicialmente, como a demonstrá-lo a autoridade de que era portador, Jesus pergunta ao espírito qual o seu nome, dando-lhe oportunidade de se identificar, mostrando ao Senhor sua posição espiritual. É que, no "plano da verdade", não somos reconhecidos pelo substantivo que nos nomeia, e sim através da vibração determinada pelas aspirações esposadas e pelo que realizamos. Ao fazer esse questionamento, o Sublime Terapeuta sabia que o enfermo espiritual se retrataria — como realmente fez — por inteiro.
Outro ensinamento a observar na atitude do Cristo é a consideração do enfermo como criatura divina. É muito comum, mesmo entre nós espíritas, considerar todos esses infelizes desencarnados simplesmente como obsessores, perseguidores, malfeitores, etc., esquecendo que todos somos filhos de Deus. O desequilibrado de hoje é simplesmente alguém que ferimos ontem que ainda não encontrou o caminho. Dessa forma, ao interessar pela criatura, perguntando-lhe o nome, demonstrando carinho para com ela valorizamo-la, colocando-a em posição receptiva para melhor apreender o que temos a lhe observar.
Outro fator importante a considerar é o poder do amor neutralizando todo tipo de sentimento inferior. Em qualquer ambiente, mesmo num clima de intolerância, de agressão, quando surge alguém com esse excelso sentimento, a mudança no clima se faz visível.
Imaginemos portanto, qual a repercussão no imo da alma de quem quer que seja, se Ele, o
Amor feito visível, vem a perguntar: "qual é o teu nome?"
E ele disse: "Legião"; porque tinham entrado nele muitos demônios. — Legião
é um corpo ou divisão do antigo exército romano, constituído de infantaria e cavalaria.
Figuradamente, podemos entender também como multidão de pessoas, ou de seres . Ao manifestar-se desse modo, o obsessor de Gadara revela, como já dissemos, que esse processo obsessivo não é dos mais simples, pois são muitos os espíritos envolvidos no caso.

A sentença porque tinham entrado neles muitos demônios, como já relatado , não expressa bem o modo como transcorre o processo. O evangelista, ao narrar dessa maneira, não retratou as palavras do obsessor, mas interpretou o que este disse, conforme os conhecimentos da  época. A frase se acha melhor colocada segundo a narrativa de Marcos: "Legião é o meu nome, porque somos muitos;" ou seja, muitos são os que vampirizam o infeliz encarnado.
O importante a observarmos nesta análise não é o processo obsessivo em si, pelo motivo
de que este não é um estudo especializado no assunto, mas não podemos deixar de alertar para
a necessidade de todos nós, principalmente os que nos dizemos cristãos, estarmos atenciosos quanto à vigilância, pois a obsessão, por mais grave que seja, inicia de forma simples e sutil, vindo, com o tempo, se não saneada, a se agravar a tal ponto que passamos a ser dirigidos pelas entidades desequilibradas.
Outra interpretação que podemos fazer do texto evangélico é que, devido à somatória das viciações adquiridas com o nosso mal proceder, durante as experiências reencarnatórias, já não é mais o nosso "eu divino" que nos dirige, e sim a legião formada pelas nossas tendências e hábitos infelizes; cabendo, dessa forma, fortalecermos o Cristo interior, para que este de posse de suas plenas condições, possa expulsar de nosso íntimo todos os males — demônios — gerados pela imperfeição moral.

(Extraído do Livro Jesus Terapeuta, agora também disponível em Ebook, disponível no Google Livros: https://bityli.com/lBwynf)

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