sexta-feira, abril 24, 2020

Cartas [de Paulo] da Prisão - Colossenses

 

Primeiras considerações…

Colossos era uma cidade situada no oeste da Ásia menor, às margens do Rio Lico, distante de Éfeso aproximadamente uns duzentos quilômetros. Fora uma cidade importante no século V a.C. Depois perdeu sua importância diante do crescimento de Laodicéia, a 18 km, e Hierápolis.

Ao que tudo indica a Comunidade de Colossos não foi evangelizada por Paulo, este provavelmente nem a conheceu pessoalmente; Epafras deve ter sido seu fundador e era naturalmente a liderança maior desta região da qual faziam partes as comunidades de Hierápolis e Laodicéia.

Paulo escreve aos colossenses provavelmente de Roma no período de sua prisão nesta cidade, entre os anos de 61 e 63.

Epafras fizera uma vis

Colossos era uma cidade situada no oeste da Ásia menor, às margens do Rio Lico, distante de Éfeso aproximadamente uns duzentos quilômetros. Fora uma cidade importante no século V a.C. Depois perdeu sua importância diante do crescimento de Laodicéia, a 18 km, e Hierápolis.

Ao que tudo indica a Comunidade de Colossos não foi evangelizada por Paulo, este provavelmente nem a conheceu pessoalmente; Epafras deve ter sido seu fundador e era naturalmente a liderança maior desta região da qual faziam partes as comunidades de Hierápolis e Laodicéia.

Paulo escreve aos colossenses provavelmente de Roma no período de sua prisão nesta cidade, entre os anos de 61 e 63.

Epafras fizera uma visita a Paulo, ou talvez tenha sido também preso em Roma (Cf. Fm, 23), e lhe relatara questões desta comunidade que motivaram Paulo a escrever esta carta. As notícias eram em parte boas, porém havia entre os colossenses algumas lideranças negativas que trabalhando sutilmente contra a vivência pura do Evangelho proporcionavam aos cristãos da localidade o perigo da contaminação destes através de filosofias inadequadas à pratica cristã. Estas comunidades da região eram formadas por gentios convertidos ao cristianismo e tanto a presença dos judaizantes atrapalhavam o trabalho de Paulo, como também os costumes pagãos.

Paulo estava preso em Roma, porém por ser cidadão romano tinha sido a ele facultado certa liberdade. Ele morava em casa particular apesar da humilhante condição de ter que ser acompanhado por um soldado que vigiava todos os seus passos. (Atos, 28: 16)

Na realidade ele era ligado pelo braço direito, por uma corrente, ao braço esquerdo de um soldado que o vigiava. Paulo, entretanto, era obediente e de uma humildade impressionante, se alimentava do pão dos encarcerados e aproveitava toda oportunidade para levar o Evangelho aos presos e também aos guardas que o vigiavam. Jamais desanimava, e o trabalho das epístolas continuava. Por meio delas consolava e esclarecia fazendo o Cristo presente por suas palavras.

A realidade em Roma era de grande dificuldade para os cristãos, desde o ano de 58 que estes eram sacrificados nas arenas dos circos; o governo de Nero entre outras barbaridades tinham os cristãos como inimigos e os romanos mais ilustres não compreendiam de forma nenhuma a fraternidade vivida pelos seguidores de Jesus.

Paulo, todavia, sabia ser este momento necessário, seu modo sempre otimista em relação à importância da proposta reeducativa do Evangelho nos fazia ver que para o êxito indispensável dos seus esforços remissores, os discípulos [do Cristo] não poderão caminhar no mundo sem as marcas da cruz.6

É nesse clima de dificuldades, mas de profunda consciência do prazer de servir em nome do Cristo, que Paulo, o Arauto do Evangelho, nos escreve mais esta bela carta, um verdadeiro tratado de filosofia cristã.

 

ita a Paulo, ou talvez tenha sido também preso em Roma (Cf. Fm, 23), e lhe relatara questões desta comunidade que motivaram Paulo a escrever esta carta. As notícias eram em parte boas, porém havia entre os colossenses algumas lideranças negativas que trabalhando sutilmente contra a vivência pura do Evangelho proporcionavam aos cristãos da localidade o perigo da contaminação destes através de filosofias inadequadas à pratica cristã. Estas comunidades da região eram formadas por gentios convertidos ao cristianismo e tanto a presença dos judaizantes atrapalhavam o trabalho de Paulo, como também os costumes pagãos.

Paulo estava preso em Roma, porém por ser cidadão romano tinha sido a ele facultado certa liberdade. Ele morava em casa particular apesar da humilhante condição de ter que ser acompanhado por um soldado que vigiava todos os seus passos. (Atos, 28: 16)

Na realidade ele era ligado pelo braço direito, por uma corrente, ao braço esquerdo de um soldado que o vigiava. Paulo, entretanto, era obediente e de uma humildade impressionante, se alimentava do pão dos encarcerados e aproveitava toda oportunidade para levar o Evangelho aos presos e também aos guardas que o vigiavam. Jamais desanimava, e o trabalho das epístolas continuava. Por meio delas consolava e esclarecia fazendo o Cristo presente por suas palavras.

A realidade em Roma era de grande dificuldade para os cristãos, desde o ano de 58 que estes eram sacrificados nas arenas dos circos; o governo de Nero entre outras barbaridades tinham os cristãos como inimigos e os romanos mais ilustres não compreendiam de forma nenhuma a fraternidade vivida pelos seguidores de Jesus.

Paulo, todavia, sabia ser este momento necessário, seu modo sempre otimista em relação à importância da proposta reeducativa do Evangelho nos fazia ver que para o êxito indispensável dos seus esforços remissores, os discípulos [do Cristo] não poderão caminhar no mundo sem as marcas da cruz.1

É nesse clima de dificuldades, mas de profunda consciência do prazer de servir em nome do Cristo, que Paulo, o Arauto do Evangelho, nos escreve mais esta bela carta, um verdadeiro tratado de filosofia cristã.

 

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo…

A saudação inicial de Paulo aos irmãos de Colossos é a habitual deste apóstolo em outras cartas.1

Ele é perfeitamente consciente de sua missão e de quem lhe dá autoridade, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus.

Aqui é importante lembrarmos o livro de Atos na narrativa da conversão de Saulo. Ananias, um discípulo de Jesus recebe a visita do Senhor, em visão, e estes conversam a respeito de Saulo quando Jesus diz:

Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel.2

Sobre a expressão apóstolo já dissemos em outro momento:

A palavra apóstolo refere-se a um título de origem judaica, quer dizer enviado, do grego apostoloi que traduz o hebraico shelihims.

No texto evangélico refere-se aos doze (Mateus, 10: 2), ou em sentido mais amplo a todos missionários do Evangelho. Paulo se enquadra perfeitamente na condição de apóstolo.3

Emmanuel elucida mais a respeito:

O apóstolo é o educador por excelência. Nele residem a improvisação de trabalho e o sacrifício de si mesmo para que a mente dos discípulos se transforme e se ilumine, rumo à esfera superior.

Os apóstolos, porém, são os condutores do Espírito.4

Deste modo, nossos orientadores Espirituais nos mostram que ser apóstolo do Cristo é ser instrumento de auto-iluminação e de educação de almas.

Não nos deixemos, deste modo, abater pela necessidade de lutas incessantes e com as aparentes derrotas, pois se é pela Vontade de Deus que operamos, ou seja, se é Ele que nos dá autoridade, nada poderá nos abalar se estivermos em perfeita conexão com os Seus Propósitos.

Timóteo é um dos mais fiéis discípulos de Paulo, este o conheceu em Listra. Paulo tem por Timóteo mais do que uma consideração de amigo, é um filho pelos laços do coração:

A Timóteo meu verdadeiro filho na fé…5

É provavelmente Timóteo o redator desta carta, não esqueçamos que Paulo não escreveu diretamente a maioria de suas epístolas, ela as ditava para um discípulo que anotava suas considerações, apenas, às vezes, nas despedidas punha sua própria letra.

É importante notar que Paulo quase nunca está só em suas dificuldades, além do amparo do Alto, Jesus o cercava de amigos fiéis que principalmente nos momentos difíceis como este em que estava preso, o apoiavam auxiliando no Serviço do Evangelho.

São os Consoladores que encarnados ou desencarnados nos amparam conforme promessa do Senhor de nunca nos abandonar, porém para percebermos a presença destes irmãos queridos de tanta importância para o nosso equilíbrio emocional é necessário estejamos ajustados ao sentimento do Bem.

 
 
 

1 Cf. Romanos, 1:1; Efésios, 1: 1; ! Coríntios, 1: 1 e 2, entre outras.

2 Atos, 9: 15

3 O Evangelho de Paulo, cap. 1

4 Fonte Viva, cap. 57

5 1 Timóteo, 1: 2

6 Paulo e Estevão, pág. 633

 

Leia o Ebook completo em: 
 
https://drive.google.com/open?id=0B4pIwiXXUMSmemJtazg1NVk3NVNBQmlSVHJ5dnJQZThENXZn

quarta-feira, dezembro 04, 2019

Sabedoria de Tiago, O Irmão do Senhor


Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão; saudações. (tiago,1: 1)
O autor desta carta se revela logo no primeiro versículo, é Tiago.
Mas quem seria esse Tiago? Não pode ser o irmão de João, o filho de Zebedeu, pois este desencarnou antes desta carta ser escrita. É então Tiago menor, o filho de Alfeu (Mt, 10: 3), irmão de Judas (Jd, 1: 1)?
Paulo diz que é o irmão do Senhor (Gl, 1: 19), e lhe chama de "coluna da igreja" (Gl, 2: 9); ao que tudo indica sua mãe chamava Maria (Mt, 27: 56) e era parenta da mãe de Jesus, talvez irmã. Provavelmente esteja aí o motivo de Paulo dizer que era o irmão do Senhor, é que àquele tempo os primos de primeiro grau eram tratados como irmãos.
Para Emmanuel (cf. livro Paulo e Estevão), era Tiago filho de Alfeu, e irmão de Levi. Para Humberto de Campos sua mãe chamava Cleofas, seu Pai era mesmo Alfeu e era irmão de Levi e de Tadeu.1
Ainda segundo alguns estudiosos este Tiago seria um terceiro Tiago, irmão de Jesus (cf. Mt, 13: 55) e que só teria se convertido ao cristianismo depois do episódio da ressurreição, teria desde então assumido a liderança do movimento junto com Pedro e João. Josefo, historiador judeu do Século I, afirma ser Tiago, irmão de Jesus e que foi martirizado no ano 62 a. C..
Há ainda outra dificuldade para estabelecer o autor desta carta, é que ela foi escrita em um grego elegante e rico em vocabulário, o que não era comum em um galileu.
Seja lá como for Orígenes cita esta epístola como escritura inspirada.
Para a nossa análise onde o que mais importa é conteúdo reeducativo do texto, cabe o destaque de que Tiago se denominava servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
O Evangelho de Jesus nos mostra a todo instante que o objetivo do Cristo era educar o Espírito em trânsito na Terra a fim de que ele se ajustasse à necessidade de maior espiritualidade.
O meio para que isto se efetivasse como conquista do Ser imortal, é que este estivesse em conexão com as inteligências do Alto e buscasse no seu dia a dia aplicar o aprendido em seu campo de ação com aqueles que lhe fossem próximos.
Amar e servir estes os verbos que mais deveriam ser praticados pelos seguidores do Messias.
Ao se qualificar como servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, Tiago mostra que compreendeu a lição e no decorrer do texto tanto quanto no da vida daquele que Emmanuel diz ser o irmão de Levi, vamos ver que ele tinha autoridade para assim dizer.
Dois mil anos se passaram, nós demos muitas voltas em nossa trajetória evolutiva na busca daquilo que denominamos felicidade. Hoje compreendemos que ela está mais em dar do que em receber, mais em servir do que em ser servido, mais em amar do que ser amado; porém, será que com a mesma naturalidade do companheiro de Simão Pedro podemos nos qualificar de servos de Deus e do Senhor Jesus Cristo?
Concluindo este primeiro versículo o autor mostra que dirige este texto às doze tribos da dispersão.
Dispersão vem do grego diáspora, que designava os judeus emigrados da palestina. As doze tribos eram a totalidade do povo judeu.
Na carta Tiago usa esta expressão talvez se dirigindo aos judeus-cristãos espalhados pelo mundo Greco-romano, ou ainda, a todos os cristãos de um modo geral.
Analisando o número doze em seu sentido de completude, e a profundidade do conteúdo desta epístola, podemos com segurança dizer que ela foi conservada sob a orientação dos Espíritos Superiores no cânone neo-testamentário, endereçada a todos nós cristãos de todas as eras que buscamos o nosso aperfeiçoamento moral em busca de nos tornarmos homens de Bem sob a égide do Cristo de Deus.
Meus irmãos, tendo por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações… (tiago, 1: 2)
Meus irmãos; mostra o carinho com os seguidores do Evangelho, nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros2, havia ensinado o Mestre, necessário era que todos fossem tratados com muito afeto.
Irmão é palavra comum na boca de muitos cristãos ao se referirem aos confrades, porém, tão poucos dizem assim usando esta expressão em seu verdadeiro sentido segundo a entendia Jesus.
Uma das dificuldades que os estudiosos desta carta tiveram foi estabelecer a data em que ela foi escrita. Para uns, hoje menos comuns, ela foi escrita entre os anos 45 e 50 de nossa era. Seria assim um dos primeiros escritos do Novo Testamento. Para outros, data a carta do final da vida do apóstolo.
Nós não temos autoridade para opinar sobre o assunto, porém vemos neste texto um amadurecimento tal de seu autor que é pouco provável a primeira hipótese, ou seja, a da data mais antiga.
O texto da epístola em muitos momentos é muito parecido com o da mensagem do Sermão do Monte, mostra um Tiago burilado pelas provações, provações estas que trabalharam nele a paciência como veremos mais adiante.
Neste versículo mesmo que ora comentamos, ele usa do artifício usado por Jesus, que é o de impactar com um pensamento estranho para os homens de sua época, e até mesmo para os de nossa era.
Tendo por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações; este não é um pensamento facilmente aceito, quem pode ter alegria por ser submetido a múltiplas provações?
No entanto, o Espírito maduro, o cristão autêntico, sabe que aqui não viemos a passeio, mas para promover nossas possibilidades espirituais, e que estas só desabrocham através de muita luta e esforços consideráveis.
Portanto, se o objetivo é o crescimento espiritual, a promoção moral, e esta condição só é alcançada após múltiplas provações, este acontecimento é motivo de grande alegria; raciocínio puro e lógico, digno do bom senso kardequiano.
Aliás, esta é a mesma mensagem que encontramos em outros evangelistas:
Na vossa paciência, possuí a vossa alma.3
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.4
e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.5
Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.6
2 João, 13: 35
3 Lucas, 21: 19
4 Romanos, 5: 3 e 4
5 Apocalipse, 2: 3
6 Apocalipse, 14: 12

quinta-feira, setembro 05, 2019

O Cavalo Branco do Apocalipse


Vi então o céu aberto: eis que apareceu um cavalo branco, cujo montador se chama "Fiel" e "Verdadeiro" ele julga e combate com justiça. (Apocalipse, 19: 11)

Como temos dito este décimo nono capítulo é muito significativo para este momento em que estamos vivendo. Ele narra eventos que estão ocorrendo e ainda vão se dar neste instante que é o fechamento de um ciclo de evolução planetária.
São ocorrências que têm o objetivo de preparar o orbe e a humanidade de um modo geral para o Advento do Messias que é popularmente conhecido no meio cristão como a Segunda Vinda de Jesus.
É preciso compreender que este advento significa o momento em que os ensinamentos de Jesus serão coletivamente vivenciados, em que o Sermão do Monte será a constituição única do planeta. Como dizia nosso saudoso amigo Honório Abreu, a volta de Jesus não será física no sentido de Ele encarnar, será operacional.
Ele mesmo, Jesus, foi sutil, porém claro:

Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.1 ( grifo nosso)

Portanto, a segunda vinda de Jesus, como é chamada, não é um evento que se dará em um dia, “será um processo gradual composto de várias fazes”2
Com segurança afirmamos que este processo já está acontecendo, a cada dia que passa ele se abre ainda mais para nossa percepção.
Vi então o céu aberto; momento claro de relacionamento entre o mundo físico e o espiritual, sendo este um dos principais objetos do estudo da doutrina espírita.
Esta expressão céu aberto indica um momento de uma comunicação mais ampla dos Espíritos com os encarnados e isso inicia nos meados do século XIX com os eventos que, estudados por Kardec, deram origem à Codificação Espírita.
...eis que apareceu um cavalo branco; este “aparecimento” não se deu ao acaso, a humanidade foi preparada para este momento. Revolução industrial, iluminismo, avanço da ciência, tudo isto e muito mais foram acontecimentos carinhosamente preparado pela Espiritualidade superior sob a direção do Cristo, para que no momento ideal pudesse aparecer.
Um cavalo branco; o cavalo é um instrumento de transporte, de trabalho. Nele temos força. Era um animal militar. Temos aí o símbolo de uma ação militar.
Todavia, esta ação militar sugerida não se trata de uma guerra armada conforme conhecemos, mas de uma luta, guerra mesmo, importante, contra a impiedade e todas as forças do mal. Trata-se de um combate espiritual.

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé3

Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.4

Podemos ver neste cavalo como instrumento deste combate espiritual, o médium espírita evangelizado que transporta o Cristo com a força da verdade.
Nosso querido Chico Xavier, que é um destes, dizia não ser cavalo; mas em sua humildade sincera, apenas um burrico, sugerindo que o cavalo era Kardec.
Muitos espíritas podem ver aí uma contradição, pois Kardec não era médium. É preciso corrigir este entendimento. Não era médium ativo no sentido no sentido de receber comunicações em reuniões mediúnicas, entretanto foi um médium sensacional na organização e codificação da doutrina dos espíritos, trabalhando amplamente com os recursos da intuição que também é mediunidade.
Só assim, pôde formatar a Terceira Revelação.
Portanto, com toda segurança podemos ver no símbolo do cavalo branco a figura do codificador do espiritismo.
Branco sugerindo pureza, união, paz e muitas outras virtudes conquistadas nos milênios de experiências reencarnatórias.
Podemos ainda como sutileza trabalhar com o seu nome de registro: Hipolyte.
Hipo é um elemento de formação de palavras que exprime a ideia de cavalo, Do grego híppos, «cavalo».
Lite é um elemento de formação pospositivo, de origem grega e carácter nominal, que exprime a ideia de pedra e ocorre em nomes de minerais (picrolite).5
Portanto temos “cavalo” e “pedra”. Pedra é um dos símbolos da própria revelação:

Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...”6

...cujo montador se chama "Fiel" e "Verdadeiro"; dissemos, o “cavalo” é o instrumento, ele transporta. O autor do Apocalipse nos ajuda falando sobre o quê este cavalo transporta e aqui podemos dizer também, como pergunta, quem?
Fiel e verdadeiro é o nome do cavaleiro. Lembremos, qual era o nome do guia espiritual de Kardec? Verdade era o nome que ele se dava por conhecer. Concluímos assim, que este “montador” era o Espírito de Verdade, que na direção de todos os trabalhos, era o próprio Cristo, que tinha como maiores instrumentos, a fidelidade, a obediência e o amor, verdade por excelência, a Deus acima de todas as coisas. Portanto, fiel e verdadeiro.
...ele julga e combate com justiça. No antigo Testamento justiça era viver de acordo com a Torah. A Torah era Palavra de Deus e obedecê-la era tido como justiça.
O Papa Bento XVI diz que “O Sermão da Montanha” é a Torah de Jesus, ou Torah do Messias.7
É uma ideia que este combate e justiça aqui tenha por base "O Sermão da Montanha" de Jesus, que é a síntese de toda a Mensagem Cristã.
O combate já dissemos, é espiritual. A justiça de Jesus, por ser um Cristo, um Espírito em comunhão perfeita e indescritível com Deus, que é amor, está por assim dizer absorvida pelo amor que é maior.
Temos deste modo, conforme expressa a Codificação Espírita, a Lei de Justiça, Amor e Caridade como Lei única.
Daí depreendemos que este “julgamento” não é como o de um juiz de nosso plano que sentencia uma pena. Podemos entender este “julgamento” como uma seleção em que os ajustados ao sentimento de bondade serão promovidos a mundos felizes, e os recalcitrantes no mal condenados a novo ciclo expiatório em mundos mais afins com seu estado de maldade.
Aí temos a Lei completa aplicada: Justiça, Amor e Caridade.

Extraído do Livro: Segredos do Apocalipse (a publicar)


1João 14: 23
2Champlin 6º Vol. Pág. 624
32 Timóteo, 4: 7
4Efésios, 6: 12
5Consulta feita no Site: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa, em 16/07/2019
6Mateus, 16: 18
7Jesus de Nazaré, cap 4 Ed. Planeta SP 2007

sexta-feira, julho 19, 2019

Lendo os Salmos à Luz do Novo Testamento e da Doutrina Espírita

 Salmo 22: O Salmo que Jesus Orou 

Leia aqui Salmo 22: 1 a 6

Este é um Salmo mais que especial. É um dos mais citados e utilizados pela tradição cristã.  Os relatos da paixão de Cristo se inspiram nele.
Esteve como oração na boca do próprio Jesus. É sem dúvida um Salmo de profecia messiânica e mais; ao nos dizer da humanidade do Messias fala dEle como modelo. Neste passo nos identificamos e passamos à condição do Orante,
Devido a especialidade do Salmo, iremos comentá-lo mais detalhadamente.
Podemos ver nele dois lances distintos:
Súplica: Versículos de 1 a 22
Louvor  e agradecimentos futuros como esperança de libertação: Versículos 23 a 31
Importa-nos ainda destacar a urgência do salmista devido ao seu grande sofrimento, e sua atitude nobre: não pede punição para aqueles que o fazem sofrer e nem relaciona o sofrimento a nenhuma culpa ou transgressão que tenha cometido.
Neste ponto temos importante aprendizado principalmente para nós  espíritas: nem todo sofrimento  é expiação pode ser apenas uma prova aperfeiçoando o Espírito. Talvez esteja aqui a compreensão do sofrimento de Jó. Não se trata de retribuição, nem mesmo de causa e efeito, talvez oportunidade de crescimento espiritual.
O primeiro versículo foi repetido como oração por Jesus:
Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste (Salmo 22:1)
É preciso ver as diferenças dele na boca de Jesus e na nossa quando oramos.
Jesus é o Guia e o Modelo para toda humanidade (cf. O Livro dos Espíritos, Questão 625)
Ele não precisava passar por nada que passou, se assim o fez, foi por amor e para ensinar-nos o "caminho" para Deus. Pode até mesmo se identificar com o "caminho"  por ter feito ele com excelência; assim, adquiriu autoridade.
Desta forma ao orar este verso participando de nossa humanidade Ele carinhosamente nos ensina dizendo que vamos passar por momentos de tão grande dificuldade que sentiremos como se Deus tivesse nos abandonado. Estes momentos são aqueles em que ninguém pode nos ajudar, temos de passá-los em solidão.
Existem circunstâncias em nossa vida que somos só nós quem temos que resolver. Neste instante temos não o abandono de Deus, mas Ele fica oculto, os amigos espirituais se afastam não por negligência, mas para nos deixar testemunhar. É este instante que está em foco no verso, é uma realidade pela qual temos de passar; em Jesus é ensinamento, é Ele educando nosso Espírito imortal.
Em nossa boca a oração não deve ser protesto, mas  clamor confiante.
 O Segundo versículo quebra a sequência de outros Salmos. Normalmente aquele que ora clama e o Senhor responde.
Aqui Ele não responde, nem à noite o salmista tem descanso.
Como comentamos trata-se daquele momento provacional por qual todos passamos, momento de grande significação, em que o Criador e os Espíritos Consoladores nos observam de "longe".
Muitas vezes, neste instante, buscamos o conselho de um amigo e não o encontramos, outro, e também não; buscamos nos socorrer com uma página de um livro edificante e a mensagem sorteada é completamente distante da nossa necessidade. Faz parte, nas horas definidoras de nossa evolução temos de decidir a sós, escolher o caminho e nos mantermos nele, é a opção de cada um.
"Deus é Santo", habita em nossos louvores (vers. 3), que são nossas atitudes em obediência a Ele. Só assim, em santidade, que é a realização do projeto Dele para nossa vida, habitaremos em Seu santuário e Ele em nós, em nosso coração.
Nossos pais (vers 4) representam aqueles que nos antecederam na doutrina do Cristo. Podemos vê-los na revelação primeira do Antigo Testamento, na segunda do Novo Testamento, ou na terceira, a dos Espíritos consoladores.
No quarto e quinto versículos a expressão de confiança se repete por três vezes. Já dissemos alhures que no contexto do Antigo Testamento confiar é testemunhar Deus e entregar a Ele a vida e as atitudes.
No Novo Testamento esta confiança e fidelidade é tratada como "fé", que é o ato de estar comprometido com o amor de Cristo.
Nossos pais serviram de exemplo e foram salvos, e nós, que exemplo estamos deixando para os nossos filhos?
O vocábulo "vermes" (Vers. 6) é usado outras vezes na Escritura em outros contextos, aqui ele tem uma conotação social.
Sabemos que somos quase nada diante de nossa destinação futura, porém, quando assumimos uma vida buscando espiritualidade, somos vistos por aqueles que nos rodeiam como um "bichinho esquisito", eles ainda presos à retaguarda não compreendem a transformação que está operando em nós, não somos mais vistos como "homens" comuns.
(continuará na próxima postagem)

quinta-feira, julho 04, 2019

Salmo 18 - Breves Considerações

 
 

Este é um Salmo longo. A Bíblia hebraica coloca como seu título "cântico de Louvor a Deus". Trata-se de um hino em que o autor dá graças pelas muitas bênçãos recebidas.

Para compreendermos o contexto histórico é importante ler o capítulo 22 do Segundo Livro de Samuel, que é outra versão do Salmo com pequenas variações.

Davi foge de Saul e de seus inimigos, e o Senhor o livra de todos; assim, ele, o autor do Salmo, conta a todos os benefícios recebidos.

É mais uma oração em que o autor além de expor as graças recebidas coloca sua confiança no Senhor, sua retidão nos procedimentos, e por isto, a ação de Deus livra-o de seus inimigos.

Os personagens são os mesmos de outros Salmos: o orante, Deus e os inimigos. Entretanto, o Salmo diz algumas coisas que merecem ser destacadas.

Ele inicia falando diretamente com Deus expressando um amor profundo, visceral.

Rapidamente ele alterna e começa a narrar colocando Deus na 3ª pessoa, mais à frente (vers. 25) ele volta à 2ª pessoa contando ao Senhor o que Ele próprio fez, como se Ele não soubesse.

Notamos aí uma necessidade que é também nossa, a de falar a Deus em nossas preces o que Ele já sabe. Na verdade, aprendemos com isto que a necessidade é nossa de ouvir o que dizemos como forma de fixar em nós a virtude ou a gratidão, através do que reafirmamos.

Outra questão a se destacar no Salmo confirmando o entendimento espírita, é o cenário da ação, o plano operacional de Deus em três níveis.

 
  • Plano espiritual superior (céu)
  • Plano físico (Terra)
  • Plano espiritual inferior (inferno)

A ação daquele que ora tem de ser em seu nível de ação, horizontal, na Terra. O mundo espiritual inferior age - inimigos - invadindo o mundo físico e a intimidade de cada um; eles – os inimigos – não conseguem atingir Deus, assim tentam violá-lo através daqueles que têm débito por serem transgressores da Lei maior (os encarnados). Para alcancem a proteção do Alto, os situados no mundo físico têm de verticalizar seus sentimentos através de suas atitudes na horizontalidade (plano operacional)

 

"Recompensou-me o Senhor conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.

Porque guardei os caminhos do Senhor,...

... e não rejeitei os seus estatutos." (Salmo,18: 20 a 22)

 

Este é o ponto principal que devemos entender do Salmo, não podemos lutar sozinhos contra os inimigos, sejam eles encarnados, desencarnados, ou seja nossos próprios sentimentos inferiores, precisamos de ajuda do Alto, mas para tal temos de atuar "em baixo". Deus age, a vitória é certa, mas é imperioso nossa colaboração na batalha humana.

 

"Tu deste grande vitória a teu rei, foste leal com teu ungido, com Davi [que somos cada um de nós] e sua descendência para sempre (Salmo, 18: 50)

 

 

Leia aqui o Salmo 18:

segunda-feira, julho 01, 2019

Princípio do Evangelho de Jesus Cristo

Resultado de imagem para princípio do evangelho de Jesus cristo



O Evangelho de Marcos é tido pelos estudiosos como o primeiro Evangelho narrativo. Antes, tínhamos apenas alguns manuscritos dos apóstolos,não formando nenhum dos livros como hoje os conhecemos.
Já no primeiro versículo o autor diz:

"Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus"

Princípio; temos aqui uma ressonância do Gênesis (Gn, 1: 1); também Oseias inicia do mesmo modo (Os, 1: 2)
Com isso é provável que o evangelista quisesse dizer do início de uma "nova ordem"  que começa com Jesus.
Uma nova criação?
Não temos dúvida que com o Nazareno temos uma Nova Revelação.
A segunda palavra é Evangelho.
Evangelho tem sido traduzido como "Boa Nova", "Boa Notícia". está correto, mas vai mais além.
O imperador romano era tratado como divindade, senhor do mundo, e também salvador. Suas mensagens eram chamadas de evangelho. O que vinha dele era evangelho.
Assim, Marcos usa esta palavra para designar a "notícia" do Reinado de Deus. Evangelho para a ser a Mensagem de Deus para a humanidade, Ele é O Senhor do Universo, o Redentor. (Cf. Jó, 19: 25).
Isaías, ou o autor do segundo Isaías, um profeta messiânico, usa o termo do mesmo modo:

Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus.(Isaías, 40: 9)

Concluindo o versículo Marcos diz de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ou seja, apresenta Jesus cm um título messiânico: Filho de Deus. Ele é assim, o Messias é quem traz com Ele o Reinado de Deus.
Desta forma, compreendemos o centro da mensagem de Marcos é "o  Reino de Deus está próximo". e Ele coloca estas palavras na boca do próprio Jesus. (cf. Mc, 1: 15)
Na sequência Jesus diz aos primeiros discípulos:

Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens.(Marcos, 1: 17)

Fica claro, se Jesus como Messias é quem traz com Ele o Reinado de Deus, nossa missão como cristãos, isto é, semelhantes a Ele, não é menor.
Pescar homens, convertendo seus corações ao Reino de Bondade temo que ser a meta de cada um de nós.
O autor finaliza deste modo seu livro:

Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos, 16: 15) 

Citamos ainda Isaías:
 
Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!  (Isaías, 52: 7

Queridos irmãos, tenhamos vigilância, é aí que inicia o perigo.

Veja o que diz o escritor católico Alfred Loisy sobre o tema:  Jesus anunciou o Reino e o que veio foi a igreja. (Citado pelo Papa Bento XVI)
Ao que o próprio Joseph Ratzinger comenta em seu livro Jesus de Nazaré:

Nesta palavra pode ver-se uma ironia, mas também uma tristeza.

Para encerrarmos ficamos com o que disse Léon Denis como alerta para todos nós:

O Espiritismo será o que fizermos dele.

Assim, tenhamos atenção...

sexta-feira, março 29, 2019

O Evangelho de Paulo - Prefácio


O autor deste livro, — Cláudio Fajardo — é desses pesquisadores incansáveis do evangelho, que tanto contribuem para aumentar o nosso conhecimento. Agora, traz-nos este O Evangelho de Paulo
comentando a Carta aos Gálatas, no que faz excelente obra.
Esta Carta foi o primeiro documento escrito do evangelho, em torno do ano 48; aquela De Tiago veio logo após. Precedeu os evangelhos narrativos. O que havia no ano 48 eram fragmentos de
Jo, Mc e Mt, as perícopes [passagens] um dia colecionadas nos lecionários [leituras] e hoje incorporadas aos evangelhos narrativos.
Os gálatas eram um remanescente de povo celta habitando a fronteira moderna entre Turquia e Síria, ao redor da cidade de Edessa. O primeiro povo a ser amplamente evangelizado; o rei
Abgar conheceu Jesus pessoalmente, parece, e se preocupou em divulgar a Boa Nova entre eles; assim diz a tradição.
Ali Paulo anunciou o evangelho da liberdade. Diz aqui o autor da presente obra, "a liberdade está na essência da Criação".
O Eterno age por amor, quer dizer, com liberdade. O judaísmo daquele tempo queria "obrigar" ao amor, pela lei. A normativa legal dizia, devemos amar ao próximo ainda que isso contrarie o nosso interesse. Mas era sempre uma obrigação, um constranger.
Em hebraico, a palavra mandamento é Mitzvah, quer dizer solidariedade. Literalmente, "repartir o pão". Este o espírito da lei mosaica. Mesmo no famoso "olho por olho", o mandamento diz assim, "se dois homens brigam, e por isso uma mulher grávida aborta, então olho por olho, dente por dente, vida por vida". Moisés não consagrou a vingança e sim a radicalidade do amor.
Paulo de Tarso alertou desde sempre, baseado em sua experiência pessoal, que o amor constrangido leva a desvios. Podemos dizer, em paradoxo, que ele condenou Estêvão à morte por amor; porque o interesse de muitos deve sobrepujar o de um só. Em prol do grupo, devemos renegar o nosso bem-estar. E no caso, na sua óptica, tratava-se de defender a comunidade contra aquilo que ele, Paulo, definia como um grave erro doutrinal, o ensino de Jesus.
Contudo, o juiz implacável reconheceu mais tarde que ninguém pode ser obrigado a amar e, se isto acontece, pode dar lugar a desvios ainda maiores do que aqueles que pretendemos combater, por exemplo, embora baseada na misericórdia para a grávida, ela não podia perdoar seus atacantes no mandamento do "olho por olho" quer dizer que acabava sofrendo duas vezes, pela luta e pela pena infligida aos homens.
O Fajardo entendeu com rara felicidade, Paulo queria o amor pelo consentimento da razão e sobretudo, do coração. Traduziu Mitzvah pelo grego Charis, quer dizer, "alegria", fazendo o moderno conceito de caridade.
Sobre Paulo em si, pouco sabemos, apesar disso é a mais conhecida das figuras da Antiguidade. Nasceu em Tarso mod. Turquia e circulava nas altas rodas do mundo grecorromano. Cursou a universidade grega e a judaica, inteirou-se dos dois mundos; aprendeu com Gamaliel, sucessor de Hilel, aquele que disse, "a misericórdia resume a lei inteira".
A parentela de Paulo caracteriza-se no Talmude, Berakot e outros livros: eram comerciantes. Eram chefes de sacerdotes, cargo equivalente a «primeiro ministro». Descritos como cultos e abastados, alta classe média. Escribas da escola hilelita. Comerciavam azeitonas. Estavam em Jerusalém na fome de 48 com remota origem na Caldeia. Eram sadoquitas. Da tribo de Benjamim. Eram «grandes», quer dizer «anciãos», quer dizer, senadores. Escribas prestigiados. Fariseus em sua maioria. Viviam «Kasher», i.e., respeitando os procedimentos de pureza, quer dizer, judeus ultradevotos. De alta casta. Eram juristas. Isso, no romance Paulo e Estêvão, aparece no início, na conversa entre Paulo e [seu parente] Sadoque, o mais bem documentado familiar.
Paulo era skenopoios, fazia tendas, quer dizer os Tabernáculos. Tinha sinagoga em Jerusalém (Talmude Meguila). Era escriba.
Era jurista. Descendia de Mardoqueu o herói do livro de Ester, num ramo colateral da Casa de Davi (mas esta era da tribo de Judá no seu ramo principal). Os chefes de sacerdotes eram «dotados de
prestígio e autoridade» e legislavam em direito civil e «recebem cartas do estrangeiro» como corregedores dos sacerdotes e dos outros tribunais [palavras da época].
Agora, com Vs. O Evangelho de Paulo.consorcio
consorcio"Espíritas, amai: o primeiro dever. Educai-vos, e educai: o segundo mandamento. No amor que vos anuncio encontrareis tudo o de que precisais para a vida de além-túmulo, a mais importante.
De que tipo de amor falo aqui? Aquele amor vivido com desinteresse, abnegação e renúncia. O amor da pessoa que, sem se renegar a si mesma, abdica de si a favor dos outros."
"Não é preciso diminuir-se ou rebaixar-se para viver a renúncia. E' preciso apenas pensar no futuro que vos espera mais além.
Muitos temem amar assim, pensam que vão perder, desentendem-se da palavra caridade. Mas não há como distinguir entre o bom interesse pessoal e o bem de todos. Aquele que pensa verdadeiramente em si mesmo, pensará nos outros acima de tudo sem dúvida; pois não é possível mesmo ser feliz sozinho.
Por isso, ainda uma vez, amai. Amai sem medo. Amai a todos sem distinção, sem preconceito. Nunca temais abnegar. Amar os outros é amar a si. E o amor, meus queridos, enche o universo de estrelas, nas montanhas estende a relva como um tapete. Faz levantarem-se as ondas do mar. Deus sobretudo ama!
O amor é esperançoso. E' cheio de bondade, misericórdia, paz. O amor não se exaspera. Confia apesar de tudo, e sempre espera. Mas o amor não é sem energia, não é pusilânime nem fraco.
Covardia seria ódio, e desejamos amar. O amor é o ponto certo entre a delicadeza e a valentia. E' a pureza da fé. A esperança em ação. Tende a certeza, quem busca amar nunca se engana.
E educai. Educai a vós mesmos. Desaprendido, ninguém é livre. A ignorância acorrenta. Sacudí os grilhões da treva, pelo estudo perseverante. Estudai tudo, a ciência do mundo, os seus saberes. Nunca receeis a descrença por motivo de estudo algum.
Recebestes do Alto uma doutrina consoladora, semente bendita que precisa do conhecimento para tornar-se árvore frondosa. O Apóstolo vos diz, ...eia! Fortalecei os joelhos vacilantes, erguei-vos,
de pé! Tende Jesus Cristo por vós, sede fiéis! Do além-túmulo, vozes vos clamam, mãos vos afagam, esperai! Orai! Amai-vos uns aos outros e instruí-vos, não há outro mandamento"

(Um Espírito Amigo, pelo médium M. em dezembro de 2004, recebido no Centro Cultural pela Paz Allan Kardec).

Paulo Dias
Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2011

(Extraído do Livro "O Evangelho de Paulo" Lançamento Disponível em: www.institutodesperance.com.br)