quinta-feira, setembro 24, 2026

O Logos Se Fez Carne




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"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." (João 1:1) "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós." (João 1:14)


O apóstolo João nos recorda que, antes mesmo da criação narrada em Gênesis, já existia o Logos — princípio divino, eterno, habitante das esferas superiores, mediador da obra de Deus. Não é o Criador absoluto, mas a expressão da Lei que sustenta o universo.
O Logos é divino, mas não se confunde com o Pai. É a ponte entre o Criador e a criatura, a razão que organiza o cosmos, a Palavra que dá vida, a consciência que se encarna para revelar o caminho.
Em Kardec, vemos o Espírito de Verdade — missão coletiva presidida por Cristo — conduzindo a humanidade ao progresso. Em Ubaldi, o Logos é a Lei imanente que habita no Sistema e atua no Antissistema para reconduzir-nos à harmonia. Em Pastorino, é a consciência divina que se fez carne para educar e dignificar a vida humana.
Se o Logos se fez carne, é para que compreendamos que a carne não é obstáculo, mas instrumento da evolução. Se o Logos habita nas esferas superiores, é para que entendamos que nossa meta é retornar à ordem divina. Se o Logos é mediador, é para que aprendamos a ser também mediadores da graça, instrumentos da Lei no mundo.
  • Na vida diária: Transformar cada ato em reflexo da verdade e do amor.
  • Na dor e na prova: Reconhecer a pedagogia divina que nos educa e reconduz.
  • Na convivência: Ser presença de luz, como o Logos é luz que ilumina a todos.
Cristo, o Logos encarnado, é a presença ativa de Deus em nossa história. Ele nos mostra que o divino pode ser vivido no humano, e que o humano pode retornar ao divino.
Como sintetiza Pietro Ubaldi em seu livro Cristo, sua obra só encontra sentido quando cada um de nós busca vivenciar essa realidade em sua própria vida.
Vivamos, pois, o Logos em nós: na palavra que consola, no gesto que edifica, na fé que ilumina. Assim, o Verbo que se fez carne encontrará morada em nosso coração e dará sentido eterno à nossa caminhada.

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quarta-feira, setembro 23, 2026

Entre o Evangelho e a Evolução do Espírito

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Em uma época marcada pela busca de sentido, cresce o interesse por obras que apresentem respostas capazes de unir razão, espiritualidade e transformação moral. Nesse contexto, esta coleção de livros convida o leitor ao estudo, à reflexão e ao autoconhecimento, oferecendo uma visão espírita dos ensinamentos cristãos e da jornada evolutiva da alma humana.
Minha trajetória de estudos espíritas teve início em 1980. Dois anos depois, passei a integrar o Grupo Espírita Emmanuel, em Belo Horizonte, experiência que contribuiu decisivamente para minha formação doutrinária e para o aprofundamento do estudo das obras de Allan Kardec e dos ensinamentos do Cristo. Ao longo de décadas, dediquei-me ao estudo minucioso do Evangelho, examinando versículo por versículo, contexto por contexto, buscando compreender não apenas o sentido literal dos textos, mas sobretudo seu conteúdo espiritual e suas implicações para a transformação moral do ser humano. Dessa caminhada de pesquisa, reflexão e vivência espírita nasceram os livros apresentados nesta página, dedicados à análise das Escrituras, à evolução espiritual e à aplicação prática dos ensinamentos de Jesus na vida cotidiana.
Mais do que transmitir conhecimento, essas obras buscam estimular a transformação interior, valorizando a responsabilidade individual, o amor ao próximo e a compreensão das leis divinas como instrumentos de crescimento e renovação espiritual.
Haja Luz: De Adão a Noé - Traços da Evolução do Espírito
Entre as obras apresentadas nesta página, Haja Luz: De Adão a Noé - Traços da Evolução do Espírito ocupa um lugar especial.
A obra propõe uma releitura espiritual dos relatos mais antigos da tradição bíblica, examinando personagens e acontecimentos desde Adão até Noé sob a ótica da evolução da consciência.
O livro conduz o leitor a uma reflexão sobre os primeiros passos da humanidade em sua caminhada moral, mostrando que as narrativas do Gênesis encerram valiosos ensinamentos sobre o desenvolvimento do Espírito através do tempo. Em vez de uma leitura puramente histórica, a obra privilegia o simbolismo e a dimensão educativa contida nesses registros milenares.
O Testamento de Jesus: O Novo Mandamento
Se Haja Luz volta o olhar para as origens da humanidade e da consciência espiritual, O Testamento de Jesus conduz o leitor ao núcleo da mensagem cristã,  para analisar o mandamento do amor como fundamento da renovação humana. O livro convida o leitor a compreender que o verdadeiro legado de Jesus não se limita a crenças ou rituais, mas encontra expressão na vivência prática da fraternidade, da misericórdia e do serviço ao próximo. 
Jesus Terapeuta
Um dos títulos mais conhecidos de nossa autoria, Jesus Terapeuta apresenta o Cristo como educador e terapeuta da alma. A obra demonstra como os ensinamentos evangélicos podem contribuir para a superação de conflitos emocionais, auxiliando o indivíduo na conquista do equilíbrio interior e da paz espiritual. 
O Sermão do Monte
Neste estudo, o leitor encontra uma análise aprofundada das bem-aventuranças e dos princípios éticos apresentados por Jesus. O livro revela a permanente atualidade do Sermão do Monte como roteiro de aperfeiçoamento moral e espiritual.
Segredos do Apocalipse
Ao abordar um dos textos mais desafiadores da Bíblia, oferecemos uma interpretação simbólica, espiritual e reeducativa do Apocalipse, destacando suas mensagens de esperança, renovação e progresso da humanidade.  
Trata-se de uma análise que procura revelar o Apocalipse por dentro, explorando significados frequentemente despercebidos em leituras superficiais.
Cartas da Prisão
A série Cartas da Prisão examina o legado espiritual do apóstolo Paulo. O Volume 1 dedica-se aos Colossenses, enquanto o Volume 2 explora a Epístola aos Efésios, aprofundando a compreensão dos ensinamentos paulinos sob uma perspectiva espírita. Aguarde o volume 3 dedicado à Carta aos Filipenses e Filemon.
Um convite ao estudo e à transformação
O estudo espiritual adquire um valor ainda maior quando não se limita à aquisição de conhecimentos, mas se converte em instrumento de reflexão e renovação interior. Foi com esse propósito que nasceram as obras reunidas nesta página: oferecer ao leitor uma oportunidade de aprofundar-se na mensagem do Evangelho, na história espiritual da humanidade e nos desafios que acompanham a evolução do espírito ao longo dos séculos.
Cada livro representa o resultado de uma jornada de estudo, pesquisa e reflexão sobre temas fundamentais da experiência humana. Das narrativas do Gênesis aos ensinamentos de Jesus, das epístolas de Paulo às revelações simbólicas do Apocalipse, o objetivo é sempre o mesmo: buscar, à luz da visão espírita, uma compreensão mais ampla do sentido da existência e das leis que regem o progresso espiritual.
Para aqueles que desejam conhecer mais profundamente a mensagem do Cristo, compreender a lógica da evolução da alma ou encontrar novas perspectivas para os desafios da vida, estas obras são um convite ao estudo, ao autoconhecimento e à transformação moral. Afinal, toda verdadeira aprendizagem espiritual encontra sua finalidade maior não apenas em iluminar a inteligência, mas em aperfeiçoar o coração.
Conheça a página do autor na Amazon e descubra suas obras:
"Toda leitura que ilumina a consciência transforma-se em um passo a mais na caminhada do Espírito em direção à luz."
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Que a mensagem do Evangelho continue inspirando corações, ampliando consciências e iluminando caminhos.
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quinta-feira, setembro 17, 2026

A Trindade Ubaldiana: Substância, Essência e Movimento

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Introdução

Na obra de Pietro Ubaldi, especialmente em A Grande Síntese, a realidade universal é explicada por meio de uma reinterpretação profunda e científica da Trindade tradicional. Ubaldi supera a visão antropomórfica de um Deus dividido em três pessoas e apresenta a Trindade como três aspectos indissociáveis da mesma Realidade Suprema. Esse modelo monista resolve o dualismo histórico entre espírito e matéria, integrando-os em uma única equação evolutiva.

Os Três Aspectos da Trindade

1. A Substância (O Pai)

A Substância representa o fundamento último e a causa primária de tudo o que existe.[1]
  • Conceito: É o Ser em si, estático, imanente e absoluto[2].
  • Papel no Cosmos: Não é a matéria que vemos com os olhos, mas sim a base invisível, espiritual e inteligente que dá origem e sustenta todas as coisas. É como se fosse o “alicerce” do universo: aquilo que está por trás das formas e fenômenos, garantindo que tudo exista e se mantenha.
  • Equivalência: Na teologia tradicional, corresponde à figura do Pai, a origem incriada de toda a criação. No Espiritismo é Deus, a Inteligência Suprema Causa primária de todas as coisas (LE Q. 1). Assim como uma casa precisa de um terreno firme para se manter de pé, toda a criação repousa sobre essa realidade imaterial e eterna, que dá origem e estabilidade ao universo.

2. A Essência (O Filho)

A Essência é a ideia, o pensamento e a consciência divina que projeta a criação.
  • Conceito: Representa a inteligência organizadora, a verdade e o arquétipo perfeito.
  •  Papel no Cosmos: É o modelo idealizado do universo, a verdade em potencial que se manifestará na criação.
  •  Equivalência: Corresponde ao Filho ou ao Logos joanino — o Verbo divino pelo qual todas as coisas foram feitas. No Espiritismo, podemos compreendê-la como o plano operacional do Pai, manifestado de forma perfeita em Jesus, que a Doutrina Espírita aponta como o guia e modelo para a humanidade (LE Q. 625).
Essa mesma Essência também se revela na ação dos “espíritos cocriadores em plano maior”, descritos por André Luiz[3], que colaboram na execução da obra divina, aplicando os arquétipos do pensamento supremo na organização dos mundos.

3. O Movimento (O Espírito Santo)

O Movimento é o princípio dinâmico, realizador e transformador que executa o plano divino no cosmos.[4]
  • Conceito: É a ação viva que retira a Essência do estado potencial, projetando-a de forma concreta no tempo e no espaço.
  • Papel no Cosmos: Manifesta-se como a própria Lei de Evolução, aquele magnetismo espiritual que impulsiona a matéria a se sutilizar e retornar ao espírito.
  • Equivalência: Corresponde ao Espírito Santo, a inteligência imanente que permeia, sustenta e dinamiza toda a criação. Assim como o Espírito Santo é, na teologia, a presença viva que anima e transforma, no Espiritismo essa função se expressa na Lei de Evolução, que impulsiona todos os seres rumo à perfeição. Podemos também compreendê-lo como a Lei de Progresso (LE Q. 776) em plena atividade, ou ainda como o Fluido Cósmico Universal em seu aspecto dinâmico, atuando como o veículo da vontade divina que impulsiona a criação rumo à perfeição. Aqui reconhecemos igualmente a ação dos Espíritos em perfeita comunhão com Deus e com o Cristo, que, como cocriadores em plano maior, colaboram na execução da obra divina e na condução da evolução universal.

O Fluxo Evolutivo: Do Sistema ao Antissistema

A Trindade ubaldiana opera em um ciclo contínuo de descida e subida espiritual:
  • Involução (A Queda): A Essência, por meio do Movimento, condensa-se e projeta-se na periferia da criação, gerando o Antissistema (o universo da matéria, do espaço e do tempo fragmentados).
  • Evolução (O Retorno): O Movimento atua como um magnetismo espiritual (a Lei de Evolução), impulsionando a matéria a se espiritualizar, organizando o caos e reconduzindo todas as criaturas de volta ao Sistema (a harmonia pura da Substância).
No dia a dia, podemos compreender essa mecânica cósmica por meio de exemplos práticos. Recebemos do Alto a orientação (a Essência) e operamos embaixo (no Movimento), ou seja, em favor daqueles que são mais necessitados. É pelo exercício no plano aplicativo que adquirimos a virtude, transformando o aprendizado em realização. Ao final desse processo, retornamos à nossa condição inicial, mas não ao mesmo ponto: subimos como em uma espiral, alcançando uma nova dimensão de consciência e completando o ciclo de involução e evolução.
Podemos observar um exemplo clássico dessa dinâmica no Evangelho. Para ver Jesus, Zaqueu precisou subir no sicômoro. No entanto, o Mestre lhe diz: “Desce...”. Zaqueu precisou passar pela "involução" (descer da árvore para o plano da matéria e do dever), onde operou sua transformação distribuindo seus bens e corrigindo seus erros. Foi essa ação prática que permitiu a Jesus habitar em sua casa íntima. Ao retornar à condição primeira por meio da recomposição consciencial, Zaqueu completou a sua "evolução", alcançando a sua própria salvação.

Conclusão

A compreensão da trindade ubaldiana, fundamentada no trinômio Substância-Essência-Movimento, oferece uma síntese poderosa e acolhedora entre ciência, filosofia e religião. Esse modelo nos demonstra que o universo está longe de ser um aglomerado de matéria cega; ele é um organismo vivo, consciente e profundamente pedagógico. Nesse contexto, o Antissistema não deve ser visto apenas como uma queda, mas como uma necessidade pedagógica da evolução, um campo de experiências indispensável para o amadurecimento do espírito. Cada engrenagem cósmica atua com um propósito amoroso. Quando compreendemos que o plano operacional do Pai (a Essência) se realiza na ação viva do mundo (o Movimento), percebemos que as nossas próprias lutas diárias fazem parte de um magnetismo espiritual maior. Assim como Zaqueu, que precisou descer para operar sua transformação antes de alcançar a salvação, cada um de nós cumpre sua própria jornada em espiral. Como recordou Francisco de Assis a Pietro Ubaldi: “Descer, auxiliando, para subir com a exaltação do Senhor.”[5] O movimento perpétuo da criação cumpre, afinal, uma finalidade sagrada: guiar a evolução constante de todas as almas de volta à unidade e ao aconchego do Criador.

Consequência Moral

A Trindade ubaldiana nos ensina que não há evolução sem responsabilidade. Se a Substância é o fundamento, a Essência o projeto e o Movimento a ação, então cada criatura é chamada a participar conscientemente desse fluxo. A moral que se extrai é clara: descer para servir, subir para se transformar. O amor torna-se lei universal, e a caridade, o caminho seguro da ascensão. Assim, o Antissistema não é castigo, mas oportunidade pedagógica para que aprendamos a amar, reparar e crescer.

Aplicação Prática

No cotidiano, essa visão se traduz em atitudes simples e concretas:
  • Serviço ao próximo: cada gesto de auxílio é um movimento que transforma a Essência em realidade viva.
  • Autotransformação: ao corrigir nossos erros e cultivar virtudes, participamos da obra divina.
  • Vivência do Evangelho: como Zaqueu, somos convidados a descer ao plano da prática, distribuindo bens, tempo e afeto, para que Cristo habite em nossa intimidade.
  • Comunhão com os cocriadores: ao alinhar nossa vontade com a de Deus, tornamo-nos colaboradores conscientes da evolução universal.
  Referências Bibliográficas
UBALDI, Pietro. A Grande Síntese. São Paulo: FUNDAPU, 2021.
UBALDI, Pietro. Deus e o Universo. São Paulo: FUNDAPU, 2020.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Federação Espírita Brasileira (FEB), 2019.
KARDEC, Allan. A Gênese: Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: FEB, 2019.
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (psicografia de André Luiz). Evolução em Dois Mundos. Brasília: FEB, 2019.
TAVARES, Clóvis. Trinta Anos com Chico Xavier. São Paulo: IDE, 2015.
 
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[1] O termo “substância” é empregado por Pietro Ubaldi em sentido filosófico e metafísico, não material. Trata-se de uma tentativa de nomear o Absoluto, o Ser imaterial e incriado, diante da limitação de nosso vocabulário humano.
[2] O termo “estático” em Ubaldi não deve ser entendido como imobilidade física, mas como a condição eterna e imutável do Ser absoluto. É o fundamento que sustenta o dinamismo da criação.
[3] Evolução em Dois Mundos, 1ª parte, Cap 1
[4] O termo “dinâmico” não deve ser entendido apenas como deslocamento físico ou movimento mecânico. Em Ubaldi, significa a força viva e inteligente que põe em ação os arquétipos da Essência, realizando-os na criação. É o impulso espiritual que transforma potencial em realidade, conduzindo o universo em direção à perfeição.
[5] Essa frase foi transmitida por Francisco de Assis a Pietro Ubaldi em 17 de agosto de 1951, em Pedro Leopoldo (MG), através da mediunidade de Chico Xavier, durante o primeiro encontro entre os dois. A mensagem reforçava a necessidade de perseverança, humildade e amor, confirmando espiritualmente a missão de Ubaldi no Brasil.

quarta-feira, setembro 09, 2026

Lançamento: Cartas da Prisão - Colossenses Um estudo miudinho do Evangelho para os dias de hoje

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É com grande alegria que compartilho o lançamento do meu novo e-book:

Cartas da Prisão - Colossenses

Este é o primeiro volume da série Cartas da Prisão, dedicada ao estudo das epístolas escritas pelo apóstolo Paulo durante seu período de cativeiro.
Colossenses abre esta coleção com um estudo miudinho do Evangelho, versículo por versículo, revelando a riqueza espiritual da mensagem paulina à luz da Doutrina Espírita.

📖 Aguarde os próximos lançamentos da série:

✨ Cartas da Prisão - Efésios
✨ Cartas da Prisão - Filipenses e Filemom
Novos convites ao aprofundamento do Evangelho e ao encontro com o Cristo Vivo através das inspiradas cartas do apóstolo dos gentios.
Ao longo de quase 235 páginas, proponho uma jornada de reflexão e aprendizado por meio de um estudo miudinho da Carta aos Colossenses, examinando versículo por versículo seus ensinamentos espirituais, suas orientações morais e sua profunda atualidade à luz da Doutrina Espírita.

Paulo estava preso. Sua mensagem, não.

As limitações físicas impostas pelas grades não impediram Paulo de transmitir ao mundo uma mensagem de esperança, coragem, fé e renovação.
Séculos depois, suas palavras continuam inspirando milhões de pessoas que buscam compreender melhor o Evangelho e encontrar respostas para os desafios da vida.
Ao estudar Colossenses, percebemos que a mensagem do Cristo permanece viva, convidando-nos à transformação interior, à prática do amor e ao aperfeiçoamento espiritual.

O que o leitor encontrará nesta obra?

  • Estudo detalhado versículo por versículo da Epístola aos Colossenses;
  • Reflexões à luz da Doutrina Espírita;
  • Aplicações práticas para a vida cotidiana;
  • Temas relacionados à renovação moral e espiritual;
  • Um convite ao encontro com o Cristo Vivo.

Um convite à reflexão

Mais do que um livro de estudo, esta obra nasce do desejo de incentivar a leitura cuidadosa e reflexiva do Evangelho, permitindo que cada ensinamento seja meditado e aplicado na vivência diária.
Espero que este trabalho possa oferecer esclarecimento, consolo e inspiração a todos aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre a mensagem cristã.

Onde adquirir

📚 O e-book já está disponível na Amazon Kindle. Antes de adquiri-lo, você poderá ler gratuitamente algumas páginas de amostra e conhecer a proposta deste estudo miudinho do Evangelho.
Acesse também pelo QR Code
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Que a mensagem de Paulo continue iluminando nossos caminhos e nos inspirando a transformar cada desafio em oportunidade de crescimento espiritual.
Se você considera valiosa a mensagem do Evangelho à luz da Doutrina Espírita, peço sua ajuda na divulgação desta obra.
Compartilhe este lançamento em suas redes sociais, especialmente no Facebook e no Instagram, para que mais pessoas possam ter contato com os ensinamentos consoladores do Cristo e com a mensagem inspiradora de Paulo aos Colossenses.
"O Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação." (Emmanuel - Estude e Viva Cap, 40)
 
Para o conhecimento de outros livros de nossa autoria, acesse:



quinta-feira, setembro 03, 2026

Façamos o Homem: À Imagem e Semelhança


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26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gênesis, 1: 26 e 27)



E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.

Façamos o homem…; através do encaminhamento da evolução o homem já vem sendo preparado em todos os movimentos.
É chegado o momento culminante em que a consciência adormecida se acha em condições de ser desperta na faixa hominal.
O Princípio Inteligente que culmina no Espírito começa a se preparar para gerenciar seus próprios sentimentos.
A expressão façamos o homem tem desafiado os religiosos de todas as épocas, pois se Deus é único, por que aqui o uso do verbo no plural?
Os padres da igreja viram nesta expressão a insinuação da Trindade; os conhecimentos revelados pelos Espíritos e que formam a doutrina espírita nos apontam para outra interpretação.
Dizem os Espíritos que Deus não atua diretamente sobre a matéria, que para tal Ele tem agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.[1]
Deduzimos daí que Deus Cria, mas quem faz são os Espíritos, são eles que operam em nome do Criador. Já comentamos sobre isto quando analisamos a palavra Elohims que é um dos nomes de Deus nas Escrituras e que é plural.[2]
Assim, aqui, o verbo façamos refere-se aos Espíritos colaboradores de Deus que o auxiliam em seu processo de Criação. André Luiz denominou estes Espíritos de Cocriadores em plano maior.[3]
O próprio livro Gênesis nos autoriza esta interpretação quando em seu terceiro capítulo encontramos os seguintes registros:
Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal[4] (Grifo nosso)
… à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; neste ponto com a ajuda da doutrina espírita podemos compreender melhor este verso.
O homem não podia ser criado à semelhança de Deus. Semelhante significa que é da mesma espécie, da mesma qualidade, natureza ou forma.[5] O homem foi feito à semelhança dos Espíritos superiores, eram da mesma natureza e origem destes que também eram Criação Divina.
Quanto à imagem, o homem pode ser considerado tanto uma imagem de Deus como dos Espíritos Cocriadores.
Imagem significa um reflexo, uma reprodução invertida de um ser ou objeto[6]. Uma imagem está sempre em uma dimensão menor. Uma sombra de um objeto é a imagem do objeto, e não o objeto em si.
Há um texto de um místico mulçumano do século XIII que comentando a criação do homem diz assim:
“Tudo é reflexo de Deus, e a réplica se assemelha à pessoa: se os cinco dedos se abrem, a sombra se abre também, se o homem se inclina, também a sombra se inclina (…) Nem todos os atributos de Allah se manifestam nesta sombra, mas apenas parcialmente.”[7]
Desta forma podemos compreender que este versículo diz que o homem foi feito à imagem e semelhança dos Espíritos superiores.
…e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.  Deus vem expressando Sua Soberana Vontade em todos os dias da criação; entretanto, neste passo ele fala de seu desejo para o homem mais especificamente.
Que ele exerça domínio sobre o reino animal foi bem compreendido pois a ele foi dado além dos cinco sentidos, inteligência, razão, a até mesmo a possibilidade mediúnica.
Portanto, podemos ver aqui um pouco mais e aprofundar nosso entendimento em relação à Vontade do Criador.
Se passamos por todas estas experiências evolutivas, se construímos nosso psiquismo estagiando em todos os reinos da criação, é natural que ainda tenhamos em nossa intimidade o instinto destas feras e que se não nos fizermos vigilantes haja uma eclosão destes sentimentos em nossas manifestações do dia a dia.
Analisando desta forma podemos entender que o Criador sugeria neste instante que o homem, de posse dos recursos já conquistados, e por nós enumerados, trabalhasse por dominar seus instintos pregressos, e que se foram úteis por um tempo, agora diante da possibilidade de um sentimento mais nobre, que o ligaria a seu objetivo final de espiritualidade, não teria mais fim.
Kardec com sua compreensão superior e seu magistral poder de síntese conclui assim ser objetivo da encarnação do Espírito a sua evolução, e na mesma noúres do redator bíblico afirma:
Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.[8]

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; importante notar a coerência do redator bíblico, quando inspirado usou o verbo no plural, “façamos”, que como dissemos é atributo dos Espíritos, dizendo ser o homem a “imagem e semelhança” destes. Neste momento em que se refere a Deus, no singular, usa o verbo criar, em hebraico bara, que é um verbo que só tem Deus como sujeito, e não mais diz sobre a “semelhança”, mas que à imagem de Deus o criou.
Já dissemos em nossos comentários anteriores, a imagem reflete o objeto, porém numa dimensão menos expressiva. O homem foi feito à imagem de Deus, entretanto, não semelhante a Ele. O Espírito criado foi feito da mesma Substância do Criador, todavia não possui os mesmos recursos, um é Criador incriado, o outro, criatura.
Não dá para avançar mais por nos faltar vocabulário, o Absoluto não pode ser apreendido pelo relativo, é o que conseguimos expor no momento.
Mesmo assim, podemos caminhar um pouco mais deduzindo daí importante consequência moral. O Espírito criado à imagem de Deus, como dissemos, não tem, na totalidade, os mesmos recursos de Seu Criador, mas tem um potencial ainda não imaginado por seres de nossa faixa evolutiva, de realização positiva. Basta ver que os a Ele mais dedicados e afeiçoados, conseguem formar mundos e gerenciar sua evolução. Não por outro motivo que Jesus nos ensinou:
Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas (…)[9]
Assim, se quisermos aumentar a nossa capacidade de realização, de bem-estar, e de equilíbrio, basta nos ajustarmos à Vontade de Deus, o que significa uma adesão à proposta transformadora do Evangelho. Não é milagre o que fazem os que assim procedem, eles simplesmente trabalham em si ampliando potenciais, construindo na intimidade o Reino que os capacitarão a tudo realizar, desde que em nome do Senhor.
…homem e mulher os criou. Podemos ver neste versículo que aquela história do homem (masculino) ter sido criado antes da mulher, e que esta veio da costela dele, por isso o homem deve dominar a mulher, não está de acordo com o que nos informa o texto bíblico.
Sim, no capítulo segundo deste mesmo livro Gênesis temos esta afirmativa, da criação do homem primeiro e depois a mulher, mas quando chegar lá vamos ver que outra deve ser a interpretação.
Este capítulo primeiro, nos traz com lógica e bom senso que o “humano” em hebraico Adam surgiu na Terra por um processo evolutivo, e que esta humanidade era composta de homens e mulheres, ou de machos e fêmeas.
Jesus confirma esta interpretação quando questionado sobre a questão do divórcio:
Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez?[10]
Podemos ainda aprofundar um pouco mais e depreender destas colocações que o Espírito já em sua origem possui qualidades intrínsecas definidas de sua sexualidade, sendo assim positivo ou opositivo, masculino ou feminino desde o princípio. O que não impede, como sabemos, que na faixa humana, eles possam reencarnar ora como homem, ora como mulher.
André Luiz nos informa mais a respeito:
Todas as nossas referências a semelhantes peças do trabalho biológico, nos reinos da Natureza, objetivam simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios.
A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.
E o instinto sexual, por isso mesmo, traduzindo amor em expansão no tempo, vem das profundezas, para nós ainda inabordáveis, da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multi­milenária da evolução, ao modo de núcleos e eletrões na tessitura dos átomos, ou dos sóis e dos mundos nos sistemas macrocósmicos da Imensidade.[11]
E em outro capítulo amplia:
Os princípios espirituais, nos primórdios da organização planetária, traziam, na constituição que lhes era própria, a condição que poderemos nomear por “teor de força”, expressando qualidades predominantes ativas ou passivas. E entendendo-se que a evolução é sempre sustentada pelas Inteligências Superiores, em movimentação ascendente, desde as primeiras horas da reprodução sexuada começou, sob a direção delas, a formação dos órgãos masculinos e femininos que culminaram morfologicamente nas províncias genésicas do homem e da mulher da atualidade.[12]
Texto Extraído do E-book: Haja Luz de Adão a Noé Traços da Evolução do Espírito disponível em:
 
 
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[1] (KARDEC 1980), Q. 536 b)
[2] Sugerimos aos leitores voltarem ao nosso comentário de Gênesis, 1: 1 no início deste livro.
[3] Cf. (XAVIER / André Luiz [Espírito], 1993), cap. 1
[4] Gênesis, 3: 22
[5] HOUAISS, Antônio. Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa, versão 1.0, ed. Objetiva, 2001
[6] Idem, ibidem.
[7] Extraído de (CHOURAQUI 1995), pg. 48
[8] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed., Rio de Janeiro, FEB, 1991. Cap. XVII Item 4
[9] João, 14: 12
[10] Mateus, 19: 4
[11] (XAVIER/Waldo Vieira/André Luiz [Espírito] 1993), 1ª parte, cap. 18
[12] Idem, ibidem, 2ª parte, cap. 32

quinta-feira, agosto 27, 2026

O Verdadeiro Sentido do Amor no Evangelho de João



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Na pergunta 886 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questiona: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?”
Os Espíritos respondem: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”
Essa definição nos conduz ao núcleo da mensagem de Jesus: o amor.

O Mandamento do Amor

No Evangelho de João, Jesus afirma:
  • “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei…” (João 13:34-35)
  • “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” (João 15:12-13)
  • “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” (João 14:15)
  • “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama…” (João 14:21)
Assim aprendemos que o amor sintetiza toda a mensagem do Evangelho.

A Tradição Apostólica

Conforme registrado por São Jerônimo no século IV, o apóstolo João passou seus últimos anos em Éfeso cercado por grande fragilidade física, sendo carregado nos braços de seus discípulos para as assembleias cristãs. Devido à falta de fôlego, suas pregações resumiam-se à exortação: “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”. O relato aponta que a comunidade, entediada com a repetição, questionou o apóstolo se ele não tinha novos ensinamentos. João respondeu que o amor mútuo era o mandamento supremo de Cristo e que sua prática integral tornava qualquer outra doutrina secundária. Essa narrativa consolidou João como o "Apóstolo do Amor" na teologia patrística.1

A Pergunta

Neste contexto, como fez Kardec, gostaríamos de perguntar: “Qual o verdadeiro sentido da palavra amor, como a entendia Jesus?”

O Diálogo com Pedro

Em João 21:15-17, Jesus restaura Pedro após suas negações:
  • “Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? … Apascenta os meus cordeiros.” (V.15)
  • “Simão, filho de Jonas, amas-me? … Apascenta as minhas ovelhas.” (V. 16)
  • “Simão, filho de Jonas, amas-me? … Apascenta as minhas ovelhas.” (V.17)
No grego, Jesus usa ἀγαπάω (agapáō), amor divino e incondicional. 
Pedro responde com φιλέω (philéō), amor de amizade, humano e limitado. (Cf. João, 21: 15 a 17)
Na terceira vez, Jesus também usa philéō, mostrando misericórdia: aceita Pedro como ele é, mas o chama a crescer.

O Verdadeiro Sentido do Amor Como Entendia Jesus

A resposta de Jesus à nossa pergunta é compreendida na resposta que dá a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas.”
Ou seja, já que Pedro o ama, deve "apascentar suas ovelhas".
O amor, como Jesus o entendia, é serviço desinteressado aos semelhantes. 
Todos — cordeiros e ovelhas — pertencem a Ele, aqueles que o Pai lhe confiou para a definitiva redenção (Cf. João 17:6,9). São os chamados por nosso querido Chico Xavier de "Filhos do Calvário"
O amor, segundo Jesus, não é apenas sentimento ou palavra. É ação concreta de cuidado, serviço e entrega.
É o mandamento novo, a síntese do Evangelho e a chave da verdadeira caridade. Porque quem ama, serve — e quem serve, ilumina o mundo com a luz do próprio Cristo.
Não esqueçamos o alerta de Kardec, "Fora da Caridade não há salvação" (O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap. XV)
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Nota

  1. JERÔNIMO, São. Comentário à Epístola aos Gálatas, Livro III, Capítulo 6, versículo 10