segunda-feira, abril 26, 2021

Parousia - A Segunda Vinda de Cristo

                                                                                             
 
 

Parousia é uma palavra grega antiga que significa presença, chegada ou visita oficial1. Em termos religiosos habitualmente se refere à volta de Jesus no fim dos tempos, para o Juízo Final.

Este é um dos temas mais constantes da Escrituras Bíblicas; inclusive encontramos referências a este evento, também no Antigo Testamento que foi escrito antes da primeira vinda de Jesus.

Desta forma, nós espíritas que temos o Antigo Testamento como obra da Primeira Revelação e o Novo como obra da Segunda, não podemos deixar avaliar o que as Escrituras querem dizer se as interpretarmos à luz da Doutrina Espírita, que temos como Terceira Revelação.

Deste modo, pretendemos comentar alguns textos dos autores bíblicos que tratam do assunto.

Em Mateus, nas anotações do Sermão Profético temos:

Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo.
Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.
E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. (Mateus, 24: 1 a 3)

Como podemos ver, a expectativa da segunda vinda de Jesus iria demarcar o fim de um ciclo. Fim do Mundo aqui não era o que podemos entender hoje como fim do mundo, ou seja, a destruição de tudo. Tratava-se, como dissemos, do fim de um ciclo, como fica claro em outras traduções:

E qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos" (NVI)
Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. (ARA)

Portanto, compreendemos que a expressão se refere ao fim de um mundo de sofrimento e dores que seria marcado pelo restabelecimento do Reino de Israel em que o Rei seria o Messias. Dentro da classificação dos mundos conforme ensina a doutrina espírita, seria o fim do Mundo de Provas e Expiações e a entrada no Mundo de Regeneração, o que os Judeus chama de Mundo Vindouro ou Era Messiânica.

Espiritualmente falando, podemos entender Israel como símbolo de toda humanidade (Emmanuel). De modo mais restrito, seriam aqueles que fazem sua evolução de forma consciente, em oposição a gentios que seriam os que evoluem pelos impactos da vida.

Assim, reestabelecimento do Reino de Israel seria exatamente o que escrevemos acima, seria um Reino regido pelo Evangelho de Jesus, portanto, Ele, o Messias, como Rei.

O texto mais antigo do Novo Testamento que trata deste assunto é a Primeira Carta aos Tessalonicenses, assunto que o autor comenta também na segunda carta dirigida aos cristãos de Tessalônica, sendo este o segundo texto do Novo Testamento que trata do assunto.

Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.
Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.
Consolem-se uns aos outros com estas palavras.
(I Tessalonicenses, 4: 16 a 18)

Não pretendemos nestes comentários fazer um estudo minucioso do Evangelho, como habitualmente fazemos, mas apenas comentar os textos no que diz respeito ao tema abordado que é o da Parousia, ou segunda vinda do Cristo.

Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.

Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus; o texto é simbólico. A expressão dada a ordem demonstra que se trata de um evento que depende de uma autorização do Alto. Voz de arcanjo, ou seja, de um Espírito Superior. Ressoar da trombeta de Deus, definindo que a ordem vem do próprio Criador, isto é, os Espíritos envolvidos estão diretamente ligados a Deus e ao Cristo.

Para que este evento se dê é necessário o amadurecimento da humanidade planetária. Isto ocorrendo a própria Lei de Deus que rege os Universos proporciona o acontecimento. Os Espíritos superiores apenas administrarão os eventos como servidores que são do Criador.

...o próprio Senhor descerá dos céus; em uma leitura apressada podemos entender como sendo o próprio Jesus a descer. Isto pode acontecer. Jesus é um Messias Divino e o Governador espiritual do Orbe, assim, quando ele quiser e as condições favorecerem Ele pode vir, entretanto não é necessário. Esta "descida dos céus" podemos compreender como a Descida dos Ideais Superiores, que se dá, como já comentamos, pelo amadurecimento espiritual da humanidade, e pela manifestação de Espíritos superiores que trabalham e estão ajustados ao próprio Cristo.

No Advento da Doutrina Espírita estes Espíritos superiores manifestaram em grande escala trazendo estes ideais de que falamos.

...e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. A doutrina da ressurreição é de origem judaica, mais especificamente dos fariseus. Paulo de Tarso antes de ser cristão já era defensor desta ideia, pois pertencia ao farisaísmo. Após converter-se ao Cristo fortaleceu-se nesta crença, pois teve a prova através do encontro com Jesus na estrada de Damasco.

Esta doutrina é diferente da doutrina da reencarnação, porém, as duas são plenamente conciliáveis.

A reencarnação como o próprio nome sugere é a volta do Espírito em outro corpo físico. Já a ressurreição dentro da ideia comum dá a entender a volta do Espírito, mas no mesmo corpo.

O espiritismo não aceita a ideia da volta do Espírito no mesmo corpo, mas nem por isso rechaça a ideia da ressurreição.

No Evangelho é falado de ressurreição do último dia, e isto é plenamente conciliável com a ideia da reencarnação. O Espírito reencarna, entre outros motivos, para realizar uma evolução mais ampla. Quando ele atinge o fim dos ciclos palingenésicos e não tem mais a necessidade de reencarnar, ele torna-se um Espírito redimido. Podemos dizer assim, que ele teve uma ressurreição espiritual. É o que entendemos por ressurreição do último dia, ou seja, é a volta do Espírito ao seu estado natural que é o de pureza, sem máculas.

Deste modo entendemos a expressão dita pelo apóstolo, pois estes, os Espíritos redimidos, são os mortos em Cristo. "Morte" aqui representando a morte para o mundo, para os interesses concernentes às questões materiais.

Em um plano temporal podemos dizer que ressuscitaram primeiro, pois se redimiram de todo mal.

Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.

Depois nós, os que estivermos vivos... se os "mortos em Cristo" são os redimidos, os que não precisam mais encarnar no Orbe, os vivos neste contexto entendemos como os que de alguma forma ainda estão ligados às necessidades da vida material, estejam eles encarnados ou não.

O apóstolo diz que depois, nós, ou seja, os que nos achamos nesta condição, seremos do mesmo modo ressurretos. Importante aqui compreender que estes "vivos" devem estar ajustados ao Cristo através de Seu Evangelho operacional para que isto se dê.

...seremos arrebatados com eles nas nuvens... Na Bíblia o termo nuvens é muitas vezes utilizado para falar da presença ou da manifestação de Deus.

Então o Senhor apareceu na tenda, na coluna de nuvem; e a coluna de nuvem estava sobre a porta da tenda. (Deuteronômio, 31: 15)

E a nuvem do Senhor ia sobre eles de dia, quando partiam do arraial. (Números, 10: 34)

Na coluna de nuvem lhes falava; eles guardaram os seus testemunhos, e os estatutos que lhes dera. (Salmos, 99: 7)

E o Senhor desceu numa nuvem e se pôs ali junto a ele; e ele proclamou o nome do Senhor. (Êxodo, 34: 5)

Podemos assim, ver nesta expressão um símbolo para a região superior no Mundo Espiritual em que se encontram os Espíritos que realizaram sua redenção.

Desta feita, seremos arrebatados com eles nas nuvens, sendo "eles" os já "mortos em Cristo". O texto diz-nos da inserção destes últimos, "os vivos" que vivem em Cristo, neste Mundo Espiritual Superior.

...para o encontro com o Senhor nos ares. O Senhor, que em nosso planeta, é Jesus, o Cristo de nosso Orbe, reina neste mundo superior simbolizado pelas expressões "nuvens" e nos "ares". E o arrebatamento destes Espíritos superiores para o Seu Reino se dá de forma natural como aplicação da Lei de Deus. "ares" aqui representando um mundo que é espiritual e superior em oposição ao nosso que é material.

E assim estaremos com o Senhor para sempre. Os que atingem esta condição não a perdem mais, adquiriram a Vida em abundância a que se referiu Jesus segundo as anotações de João.

"Estar com o Senhor" não é ser participante de um mundo ocioso, muito pelo contrário é estar a Serviço de Deus para sempre, sem as adversidades do mundo material por isto mesmo inconstante.

Segundo compreendemos, a segundo vinda de Jesus não será como a primeira, ou seja, física; mas sim operacional, isto é, se dará em cada um através da aplicação daquilo que Jesus ensinou.
Deste modo, Sua volta será a implantação do Reino de Deus na Terra e para que isto se dê, é preciso que a Constituição do Reino seja respeitada e vivida pelos habitantes do planeta. Constituição esta que está claramente expressa no Evangelho, tendo sua síntese no Sermão do Monte.

Segundo este entendimento Espíritos como Paulo de Tarso, Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá, Chico Xavier, entre muitos outros já estão experimentando a Parousia e esta de modo coletivo se dará quando no final do ciclo de provas e expiações, os Espíritos rebeldes que não se ajustaram ao plano de Deus forem exilados para outros mundos inferiores e os que implementaram o Evangelho em si tornarem-se Cidadãos do Reino.

Ouçamos portanto, mais uma vez o apóstolo dos gentios: Consolem-se uns aos outros com essas palavras. Pois só de nós depende estar ou não entre os "escolhidos" quando chegar o momento de manifestar a Nova Jerusalém como consumação deste maravilhoso projeto de Deus.

Jesus respondeu: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e o meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. (João, 14: 23)


1Wikipédia acessado em 14 de Abril de 2021

terça-feira, março 30, 2021

Bíblia Espírita

                                                                               
 
 
 
 

Em nossos estudos temos falado que a Bíblia é o livro mais importante que já foi editado em todos os tempos.

Recentemente fomos arguidos se achamos que a Bíblia é mais importante do que a Codificação Espírita. Ao que respondemos com muita consciência, que não, pelo simples motivo de que, em nosso entendimento, a Codificação Espírita faz parte da Bíblia.

Como assim? Podem perguntar alguns…

Para responder esta questão temos de lançar mão de alguns dados históricos a respeito da formação da Bíblia.

Não pretendemos aqui fazer nenhum estudo aprofundado sobre o assunto, apenas registrar algumas informações para que possamos melhor responder a esta questão.

 

Bíblia

 

Os textos da Bíblia surgiram ao longo de vários séculos, em lugares e tempos diferentes, através de diversos autores. O livro de Hebreus, confirma isto. (Hb, 1: 1)

Os relatos mais antigos datam entre 1500 e 1200 a.C através de registros que habitualmente eram orais.

Podemos dizer mesmo que os primeiros escritos surgiram durante o exílio da Babilônia e depois dele pelos judeus remanescentes em Judá, que uniram tradições orais e litúrgicas formando assim os primeiros manuscritos.

Entretanto, mesmo estes textos não mostravam a Bíblia como ela é hoje. Alguns estudiosos afirmam que a configuração do que chamamos de Antigo Testamento só se deu após o ano 70 d.C..

Este livro que chamamos Antigo Testamento, era conhecido como Bíblia Hebraica ou Judaica.

 

Entre o III e o I século a.C quando os judeus estavam sobre o domínio dos Ptolomeus, para atender ao desejo e à necessidade dos helenistas a Bíblia Hebraica foi traduzida para o grego originando assim, o que conhecemos hoje como Septuaginta ou Bíblia dos LXX.

É preciso considerar que esta não foi apenas uma tradução, mas a Septuaginta fez várias alterações na Bíblia Hebraica, entre elas a mudança de títulos de vários livros, a ordem dos mesmos, inclusive incluindo livros que originariamente foram escritos em grego e que não estavam na versão hebraica. Além de que alguns rabinos apontavam erro em várias expressões traduzidas. Todavia, as comunidades cristas dos primeiros séculos aceitaram naturalmente a Bíblia grega e fizeram dela sua Escritura, talvez porque os autores do Novo Testamento ao citarem o Antigo Testamento usam-na quase sempre o que demonstra que Jesus e seus apóstolos a usavam para suas reflexões como Escritura confiável.

Assim, mais tarde, quando a tradição cristã agregou à Escritura antiga a sua Escritura, ou seja, o Novo Testamento ao Antigo Testamento, ela usou a Septuaginta e a ela acrescentou os livros canônicos do Novo Testamento criando assim a Bíblia Cristã, formada pelo Antigo e Novo Testamento.

 

No século XVI, com o movimento reformista que deu origem à reforma protestante, os cristãos reformistas aboliram de sua Bíblia os livros do Antigo Testamento que não faziam parte da Bíblia Hebraica, dando assim origem a outra Bíblia Cristã que seria adotada por todas escolas protestantes, com sessenta e seis livros, ou seja, sete a menos que a Bíblia Cristã de origem católica.

 

Concluindo o que dissemos até agora vimos então que temos assim, pelo menos quatro Escrituras oficiais, formando deste modo, quatro Bíblias diferentes, isto é, a Bíblia Hebraica, a Bíblia Grega, A Bíblia Cristã Católica e a Bíblia Cristã Protestante, isto sem falar da Bíblia Samaritana, dos Targuns aramaicos entre outras que são menos conhecidas do público leigo.

 

 

Doutrina Espírita

No Século XIX, quando do Advento do Espiritismo, os Espíritos mostraram a Kardec que a Revelação Espírita não era uma revelação que fazia da Doutrina Espírita apenas mais uma religião ou filosofia. E sim que fazia parte de um projeto de Deus de três revelações que estavam interligadas entre si.

Se as Revelações (as três) eram de Deus, elas teriam que ser uniformes e sem contradições, pois Deus é imutável e a verdade não pode estar em coisas que se contradizem.

Santo Agostinho, o bispo de Hipona, disse: "O Novo Testamento está oculto no Antigo e o Antigo está revelado no Novo". Do mesmo modo podemos afirmar sem nenhuma dúvida que a Doutrina Espírita está oculta no Antigo e no Novo Testamento, e que ambos estão revelados na Doutrina Espírita.

Nossos irmãos católicos e protestantes têm a Bíblia como livro inspirado e de autoria espiritual do Espírito Santo. Na Bíblia Espírito Santo e Espírito de Verdade são expressões sinônimas, e todos os espíritas sabem que a autoria espiritual da Codificação Espírita é o Espírito de Verdade, ou seja, o mesmo autor espiritual da Bíblia.

Podemos assim considerar que a Doutrina Espírita como 3a Revelação tem como obras básicas cinco livros: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e a Gênese.

A 1ª Revelação, atribuída pelos Espíritos a Moisés, tem também cinco livros básicos: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Se analisarmos bem esta também é a configuração da 2ª Revelação. São quatro Evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João, e temos o Apocalipse como a quinta obra básica, pois o Apocalipse também é Evangelho já que ele termina com a "Boa Notícia" da Nova Jerusalém e a Volta de Jesus através do Novo Céu e da Nova Terra como transformação moral da humanidade da Terra.

Portanto, coincidência ou não, e nós particularmente achamos que não é coincidência, a 1a Revelação inicia-se com "Gênesis" e a última, a 3a, termina com "A Gênese". E se analisarmos que o conteúdo moral delas é o mesmo vamos perceber que a identidade de Seu Autor espiritual é a mesma.

Como síntese do que temos dito até então, podemos afirmar que se o judaísmo mais tradicional tem na Bíblia Hebraica sua Escritura, se o Judaísmo Helenista tem na Septuaginta a sua Bíblia, e se há uma Bíblia Cristã Católica, e uma Bíblia Cristã Protestante, por que não pode haver também uma Bíblia Espírita como Escritura confiável da Doutrina Espírita? Nós também somos cristãos e temos o mesmo ideal de redenção através da vivência evangélica. Se a Bíblia tradicional é considerada por nossos irmãos, como Palavra de Deus, o mesmo podemos dizer, assim, de nossa Bíblia, que tem nos livros de Moisés e nas outras complementares do Antigo Testamento o 1º Testamento; nos Evangelhos e nas outras obras complementares do Novo Testamento, o 2º Testamento; e na Codificação Espírita e nas obras complementares de Kardec e de Francisco Cândido Xavier o 3º Testamento.

Espero assim ter respondido à questão a nós dirigida conforme narramos no início deste texto.

 

 
 

quarta-feira, fevereiro 03, 2021

Evangelho Por Emmanuel - Lembrança Fraternal aos Enfermos

                                                                              
 
 

Queres o restabelecimento da saúde do corpo e isso é justo. Mas, atende ao que te lembra um amigo que já se vestiu de vários corpos e compreendeu, depois de longas lutas, a necessidade da saúde espiritual.

A tarefa humana já representa, por si, uma oportunidade de reerguimento aos espíritos enfermos. Lembra-te, pois, de que tua alma está doente e precisa curar-se sob os cuidados de Jesus, o nosso Grande Médico.

Nunca pensaste que o Evangelho é uma receita geral para a humanidade sofredora?

É muito importante combater as moléstias do corpo; mas, ninguém conseguirá eliminar  efeitos quando as causas permanecem. Usa os remédios humanos, porém, inclina-te para Jesus e renova-te, espiritualmente, nas lições de Seu amor. Recorda que Lázaro, não obstante voltar do sepulcro, em sua carne, pela poderosa influência do Cristo, teve de entregar seu corpo ao túmulo, mais tarde. O Mestre chamava-o a novo ensejo de iluminação da alma imperecível, mas não ao absurdo privilégio da carne imutável.

Não somos as células orgânicas que se agrupam, a nosso serviço, quando necessitamos da experiência terrestre. Somos espíritos imortais e esses microorganismos são naturalmente intoxicados, quando os viciamos ou aviltamos, em nossa condição de rebeldia ou de inferioridade.

Os estados mórbidos são reflexos ou resultantes de nossa vibrações mais íntimas. Não trates as doenças com pavor e desequilíbrio das emoções. Cada uma tem sua linguagem silenciosa e se faz acompanhar de finalidades especiais.

A hepatite, a indigestão, a gastralgia, o resfriado, são ótimos avisos contra o abuso e a indiferença. Por que preferes bebidas excitantes, quando sabes que a água é a boa companheira, que lava os piores detritos humanos? Por que o excesso dos frios no verão e a demasia de calor nos tempos de inverno? Acaso ignoras que o equilíbrio é filho da sobriedade? O próprio irracional tem uma lição de simples impulso, satisfazendo-se com a sombra das árvores na secura do estio e com a bênção do sol nas manhãs hibernais. Pela tua inconformação e indisciplina, desordenas o fígado, estragas os órgãos respiratórios, aborreces o estômago. Observamos, assim, que essas doenças-avisos se verificam por causas de ordem moral. Quando as advertências não prevalecem, surgem as úlceras, as congestões, as nefrites, os reumatismos, as obstruções, as enxaquecas. Por não se conformar o homem, com os desígnios do Pai que criou as leis da natureza  como regulamentos naturais para sua casa terrestre, submete as células que o servem ao desregramento, velha causa de nossas ruínas.

E que dizermos da sífilis e do alcoolismo procurados além do próprio abuso?

Entretanto, no capítulo das enfermidades que buscam a criatura, necessitamos considerar que cada uma tem sua função justa e definida.

As moléstias dificilmente curáveis, como a tuberculose, a lepra, a cegueira, a paralisia, a loucura, o câncer, são escoadouros das imperfeições. A epidemia é uma provação coletiva, sem que essa afirmativa, no entanto, dispense o homem do esforço para o saneamento e higiene de sua habitação. Há dores íntimas, ocultas ao público, que são aguilhões salvadores para a existência inteira. As enfermidades oriundas dos acidentes imprevistos são resgates justos. Os aleijões são parte integrante das tabelas expiatórias. A moléstia hereditária assinala a luta merecida.

Vemos, portanto, que a doença, quando não seja a advertência das células queixosas do tirânico senhor que as domina, é a mensageira amiga convidando a meditações necessárias.

Desejas a cura; é natural; mas precisas tratar-te  a ti mesmo pra que possas remediar ao teu corpo. Nos pensamentos ansiosos, recorre ao exemplo de Jesus. Não nos consta que o Mestre estivesse algum dia de cama; todavia, sabemos que ele esteve na cruz. Obedece, pois a Deus e não te rebeles contra os aguilhões. Socorre-te do médico do mundo ou de teu irmão do plano espiritual, mas não exijas milagres, que esses benfeitores da Terra e do céu não podem fazer. Só Deus te pode dar acréscimo de misericórdia, quando te esforçares por compreendê-lo.

Não deixes de atender às necessidades de teus órgãos materiais que constituem a tua vestimenta no mundo; mas, lembra-te do problema fundamental que é a posse da saúde para a vida eterna. Cumpre teus deveres, repara como te alimentas, busca prever antes de remediar e, pelas muitas experiências dolorosas que já vivi no mundo terrestre, recorda comigo aquelas sábias palavras do Senhor ao paralítico de Jerusalém: "Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior."

Emmanuel

(Mensagem psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, extraída do "Reformador" de Setembro de 1941)

 
 

sexta-feira, janeiro 08, 2021

Evangelho com Emmanuel

Livro da Esperança — Emmanuel

"O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é espírito." — JESUS (João, 3.6)

 

"Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói." — (Cap. IV, 18)

 

 Atingindo o Plano Espiritual, depois da morte, sentimentos indefiníveis nos senhoreiam o coração.

 Nos recessos do espírito, rebentam mágoas e júbilos, poemas de ventura e gritos de aflição, cânticos de louvor pontilhados de fel e brados de esperanças que se calam, de súbito, no gelo do sofrimento…

 Rimos e choramos, livres e presos, triunfantes e derrotados, felizes e desditosos…

 Bênçãos de alegria, que nos clareiam pequeninas vitórias alcançadas, desaparecem, de pronto, no fundo tenebroso das quedas que nos marcaram a vida.

 Suspiramos pela ascensão sublime, sedentos de comunhão com as entidades heroicas que nos induzem aos galardões fulgentes dos cimos, todavia, trazemos o desencanto das aves cativas e mutiladas.

 Ao invés de asas, carregamos grilhões, na penosa condição de almas doentes…

 Na concha da saudade, ouvimos as melodias que irrompem das vanguardas de luz, entretecidas na glória dos bem-aventurados, no entanto, austeras admoestações nos chegam da Terra pelo sem-fio da consciência…

 Nas faixas do mundo somos requisitados pelas obrigações não cumpridas.

 Erros e deserções clamam, dentro de nós, pedindo reparos justos…

 Longe das Esferas superiores que ainda não merecemos e distanciados das regiões positivamente inferiores em que nossas modestas aquisições evolutivas encontraram início, concede-nos, então, a Providência Divina, o refúgio do lar, entre as sombras da Terra e as rutilâncias do Céu, por instituto de tratamento, em que se nos efetive a necessária restauração.

 É assim que reencarnados em nova armadura física, reencontramos perseguidores e adversários, credores e cúmplices do pretérito, na forma de parentes e companheiros para o resgate de velhas contas.

 Nesse cadinho esfervilhante de responsabilidades e inquietações, afetos renovados nos chamam ao reconforto, enquanto que aversões redivivas nos pedem esquecimentos…

 À vista disso, no mundo, por mais atormentado nos seja o ninho familiar, abracemos nele a escola bendita do reajuste, onde temporariamente exercemos o ofício da redenção.  Conquanto crucificados em suplícios anônimos, atados a postes de sacrifício ou semi-asfixiados no pranto desconhecido das grandes humilhações, saibamos sustentar-lhe a estrutura moral, entendendo e servindo, mesmo à custa de lágrimas,  porque é no lar, esteja ele dependurado na crista de arranha-céus, ou na choça tosca de zinco, que as leis da vida nos oferecem as ferramentas de amor e da dor para a construção e reconstrução do próprio destino, entregando-nos de berço em berço, ao carinho de Deus que verte inefável pelo colo das mães.

 

Emmanuel

 

 

terça-feira, novembro 24, 2020

A Ascendência do Evangelho

 
 

Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

 

Emmanuel — O próprio

 

DOUTRINANDO A FÉ

 

A ascendência do Evangelho

 
 

 

1 Nenhuma expressão fornece imagem mais justa do poder d'Aquele a quem todos os Espíritos da Terra rendem culto do que a de João, no seu Evangelho — "No princípio era o Verbo…" ( † )

Jesus, cuja perfeição se perde na noite imperscrutável das eras, personificando a sabedoria e o amor, tem orientado todo o desenvolvimento da humanidade terrena, enviando os seus iluminados mensageiros, em todos os tempos, aos agrupamentos humanos e, assim como presidiu à formação do orbe, dirigindo, como Divino Inspirador, a quantos colaboraram na tarefa da elaboração geológica do planeta e da disseminação da vida em todos os laboratórios da Natureza, desde que o homem conquistou a racionalidade, vem-lhe fornecendo a ideia da sua divina origem, o tesouro das concepções de Deus e da imortalidade do Espírito, revelando-lhe, em cada época, aquilo que a sua compreensão pode abranger.

Em tempos remotos, quando os homens, fisicamente, pouco dissemelhavam dos antropopitecos, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até que, transcorridos os anos, no labirinto dos séculos, vieram entre as populações do orbe os primeiros organizadores do pensamento religioso que, de acordo com a mentalidade geral, não conseguiram escapar das concepções de ferocidade que caracterizavam aqueles seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. Começaram aí os primeiros sacrifícios de sangue aos ídolos de cada facção, crueldades mais longínquas que as praticadas nos tempos de Baal, das quais tendes notícia pela História.

 

As tradições religiosas

 

2 Vamos encontrar, historicamente, as concepções mais remotas da organização religiosa na civilização chinesa, nas tradições da Índia védica e bramânica de onde também se irradiaram as primeiras lições do Budismo, no antigo Egito, com os mistérios do culto dos mortos, na civilização resplandecente dos faraós, na Grécia com os ensinamentos órficos e com a simbologia mitológica, existindo já grandes mestres, isolados intelectualmente das massas, a quem ofereciam os seus ensinos exóticos, conservando o seu saber de iniciados no círculo restrito daqueles que os poderiam compreender devidamente.

 

Os missionários do Cristo

 

3 Fo-Hi, os compiladores dos Vedas, Confúcio, Hermes, Pitágoras, Gautama, os seguidores dos mestres da antiguidade, todos foram mensageiros de sabedoria que, encarnando em ambientes diversos, trouxeram ao mundo a ideia de Deus e das leis morais a que os homens se devem submeter para a obtenção de todos os primores da evolução espiritual. Todos foram mensageiros daquele que era o Verbo do Princípio, emissários da sua doutrina de amor. Em afinidade com as características da civilização e do costumes de cada povo, cada um deles foi portador de uma expressão do "amai-vos uns aos outros". Compelidos, em razão do obscurantismo dos tempos, a revestir seus pensamentos com os véus misteriosos dos símbolos, como os que se conheciam dentro dos rigores iniciáticos, foram os missionários do Cristo, preparadores dos seus gloriosos caminhos.

 

A lei moisaica

 

4 A lei moisaica foi a precursora direta do Evangelho de Jesus. O protegido de Termutis, depois de se beneficiar com a cultura que o Egito lhe podia prodigalizar, foi inspirado a reunir todos os elementos úteis à sua grandiosa missão, vulgarizando o monoteísmo e estabelecendo o Decálogo, sob a inspiração divina, cujas determinações são até hoje a edificação basilar da Religião da Justiça e do Direito, se bem que as doutrinas antigas já tivessem arraigado a crença de Deus único, sendo o politeísmo apenas uma questão simbológica, apta a satisfazer à mentalidade geral.

A legislação de Moisés está cheia de lendas e de crueldades compatíveis com a época, mas, escoimada de todos os comentários fabulosos a seu respeito, a sua figura é, de fato, a de um homem extraordinário, revestido dos mais elevados poderes espirituais. Foi o primeiro a tornar acessíveis às massas populares os ensinamentos somente conseguidos à custa de longa e penosa iniciação, com a síntese luminosa de grandes verdades.

 

Jesus

 

5 Com o nascimento de Jesus, há como que uma comunhão direta do Céu com a Terra. Estranhas e admiráveis revelações perfumam as almas e o Enviado oferece aos seres humanos toda a grandeza do seu amor, da sua sabedoria e da sua misericórdia.

Aos corações abre-se nova torrente de esperanças e a Humanidade, na Manjedoura, no Tabor e no Calvário, sente as manifestações da vida celeste, sublime em sua gloriosa espiritualidade.

Com o tesouro dos seus exemplos e das suas palavras, deixa o Mestre entre os homens a sua boa-nova. O Evangelho do Cristo é o transunto de todas as filosofias que procuram aprimorar o Espírito, norteando-lhe a vida e as aspirações.

Jesus foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade infinita.

 

O Evangelho e o futuro

 

6 Raças e povos ainda existem, que o desconhecem, porém não ignoram a lei de amor da sua doutrina, porque todos os homens receberam, nas mais remotas plagas do orbe, as irradiações do seu Espírito misericordioso, através das palavras inspiradas dos seus mensageiros.

O Evangelho do Divino Mestre ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das trevas. A má-fé, a ignorância, a simonia, o império da força conspirarão contra ele, mas tempo virá em que a sua ascendência será reconhecida. Nos dias de flagelo e de provações coletivas, é para a sua luz eterna que a Humanidade se voltará, tomada de esperança. Então, novamente se ouvirão as palavras benditas do Sermão da Montanha e, através das planícies, dos montes e dos vales, o homem conhecerá o caminho, verdade e a vida.

 

Emmanuel

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.
 
 
 

sexta-feira, setembro 25, 2020

Honório Onofrre Abreu - Reuniões Apocalipse

 







"Nós, durante todo esse período, temos trabalhado os valores do Antigo Testamento, de modo muito especial, o conteúdo da Gênesis, ou do Livro Gênesis de Moisés. E já de algum tempo, como nós comentamos na reunião passada, nós temos tido o ensejo de fazer algumas voltinhas pelos territórios do Apocalipse, em razão do próprio conteúdo do Velho Testamento. Nós já chegamos até a comentar que o último livro da Bíblia, praticamente representa, não apenas a culminância de um relato na extensão de toda essa obra, mas apresenta uma conexão muito estreita com os recursos, com os registros do Velho Testamento. Inclusive, a gente observa que os primeiros movimentos do Livro Gênesis de Moisés, estão todos eles referenciados no final do Apocalipse, nos últimos capítulos. É como se as nossas transgressões, as nossas indiferenças relativamente a adesão, a orientação dos Espíritos amigos, pelas revelações em decorrência da nossa indisposição com os recursos do espírito, é como se nós abandonássemos as linha básicas traçadas no campo orientador e tivéssemos que passar por todo esse movimento constante do volume da Bíblia, para podermos chegar a aquele ponto que o Apocalipse tem se destinado para a nossa compreensão, nesse particular.

Então, nós vamos hoje, como nós combinamos na semana anterior, ainda dentro do parâmetro evolução, porque a característica da reunião é evolução, trabalharmos alguns pontos do Apocalipse. É bom frisar, que dentro da nova proposta que nós estamos tentando abordar, nós vamos ter verdadeiros desafios. Nós não vamos aqui, na nossa atividade, levantar uma preocupação interpretava fechada, de todos os elementos que se encontram aqui dentro do Apocalipse, nós vamos sim, tentar pinçar determinados elementos, que possam nos ajudar. É evidente que essa proposta, ela apresenta no aspecto objetivo, sociológico, muitos quadros que representam denominadores das necessidades da humanidade, como também pontos de referência levantados pelo próprio mecanismo da evolução. Isso é que nós não podemos esquecer.

Vamos encontrar também no Apocalipse os mesmos padrões reeducacionais, mas vamos encontrar quadros, imagens, figuras, que têm um aspecto bastante desafiador na interpretação e queremos, desde já, lembrar para vocês, que nós estamos matriculados aqui num estudo conjunto, tentando tirar o melhor! Não vamos preocupar com conclusões desafiadoras ou conclusões, vamos dizer, no seu sentido amplo, retumbante. Interpreta-se no Grupo Emmanuel o Apocalipse, isso é meio até pretensioso. Mas é bom lembrar nesse inicio, também, que está chegando um momento para nós, que temos trabalhado com tanto carinho a mensagem da Terceira Revelação, na Doutrina Espírita, que o Apocalipse não é apenas uma soma de sombras ameaçando as nossas cabeças não.

O Apocalipse é sim, mensagem que define o mesmo processo educacional e evolutivo; definindo ao lado do chamamento, para a nossa integração no bem e no amor, na adoção da verdade como componente de libertação, é também, uma soma muito grande de sugestões à nossa vida pessoal. Ainda que dentro dos acontecimentos que estão aí circulando, dento das apreensões vigentes na atualidade de um mundo em transição, nas portas do século XXI ou do terceiro milênio, ainda que tudo que se fala aí acontecesse, o espírito na sua imortalidade continuaria, para sequenciar a sua evolução! Porque em momento algum o mecanismo evolutivo vai ter cerceado as suas manifestações.

Então vamos ter tranquilidade, vamos tentar fazer levantamento assim, sem aquela preocupação de ficar versículo a versículo, versículo a versículo, embora vamos pegar assim por grupos e tentar encontrar caminhos. Se não encontramos numa reunião nós tentamos encontrar na outra, se não encontrar na outra, na próxima reencarnação nós vamos encontrar."

 
Honório Abreu (extraído do início da primeira reunião)
 


Estamos divulgando os áudios das Reuniões do Apocalipse com o Sr. Honório. Os áudios têm excelente conteúdo, mas é preciso ter um pouco de paciência pois foram gravados ainda em fita cassete e depois feita a conversão. Deste modo a qualidade não está das melhores. Mas com boa vontade dá para ouvir com fone de ouvido e aproveitar os excelentes ensinamentos.

Acesse aqui:






terça-feira, setembro 08, 2020

Reuniões de Honório Abreu - Gênesis à Luz da Doutrina Esírita

 

Honório Onofre de Abreu

 
 
 
 
 

Honório Onofre de Abreu nasceu em Belo Horizonte no dia 12 de junho de 1930. Filho de Joaquim Honório de Abreu e Ana Maria Abreu, recebeu de seu pai, que descobrira no Espiritismo o roteiro de iluminação pessoal, o incentivo que o tornaria ardoroso pesquisador da Verdade e abnegado divulgador do Cristianismo Redivivo.

Após ingressar no Banco do Brasil, onde exerceu funções relevantes, casou-se em 22 de julho de 1953 com Nilza Ferreira de Abreu, com quem teve as filhas Denise e Eliane. Ao lado da esposa, de alguns de seus irmãos e de amigos que à sua família se associaram na empreitada de luz, como Leão Zállio e José Damasceno Sobral, ajudou a fundar o Grupo Espírita Emmanuel, no bairro Carlos Prates, em Belo Horizonte, em 1º de novembro de 1957.

Sob a irradiação do benfeitor eleito por patrono do novo núcleo, dedicaram-se aos estudos doutrinários e evangélicos, tanto quanto às atividades caritativas que constituem âncora de equilíbrio e inspiração à vivência real do amor. Com o passar do tempo, Honório aposentou-se no Banco do Brasil e, apesar de ter recebido diversas ofertas profissionais, passou a dda edicar o período de sua aposentadoria à divulgação e ao Movimento Espírita.

Nele, o tempo reacendeu o ideal sublimante da evangelização profunda. Às claridades da Terceira Revelação, destacou-se pela segurança e sabedoria no trato com os princípios espíritas, utilizando-os, como poucos, para extrair do Evangelho, quanto do Velho Testamento, o espírito que vivifica. Dedicou-se, também, com infinito carinho, à evangelização infanto-juvenil, viajando por muitos anos, em tarefa de divulgação e formação de trabalhadores por todo o País.

Reconhecido pela imensa comunidade que, ao longo de tantas décadas, dele recebeu verdadeira iniciação para compreender a Mensagem de Jesus em sua essencialidade, fez-se autoridade inquestionável para os assuntos mais complexos da Doutrina Espírita, do Antigo Testamento e, principalmente, da Boa Nova de Jesus. Notabilizou-se, também, pelos estudos sistematizados sobre o tema Evolução, merecendo destaque os anos dedicados, no Grupo Emmanuel, aos sábados pela manhã, para exploração dos versículos do livro Apocalipse, de João - material devidamente gravado e já transcrito, para oportuno usufruto da Comunidade Espírita.

O fruto sazonado de suas experiências doutrinário-evangélicas igualmente redundou na formação da obra Luz imperecível, publicada pela União Espírita Mineira. A convite da Federação Espírita Brasileira, coordenou com inspiração e zelo duas apostilas do Estudo Aprofundado de Doutrina Espírita (EADE), aspecto religioso, que vêm se tornando instrumento eficiente de estudo criterioso e dinâmico de inúmeras passagens do Novo Testamento.

Conhecido no Brasil e no Exterior como homem probo, sábio e dedicado, testemunhou, seja em família, na profissão, na vida social ou na Seara Espírita, sua honradez, sua liderança pacifista, aglutinadora, inspirada. Atuou por muitos anos como Diretor para Assuntos de Unificação da União Espírita Mineira, até que, a convite do presidente do Conselho Deliberativo da UEM, à época Dr. Bady Elias Curi, e por unanimidade de votos, foi eleito presidente da Federativa, em dezembro de 2002, cargo que honrou e exerceu com admirável integridade moral até o dia de sua desencarnação.

Sua administração foi marcada por profundo discernimento doutrinário e prudência administrativa e caridosa, permitindo ao Movimento Organizado uma gama de realizações fecundas e abençoadas, de valorização do Espiritismo sério, com Allan Kardec e Jesus Cristo. Preparou com denodo e puro idealismo, junto às comissões de trabalho, o IV Congresso Espírita Mineiro, que foi realizado entre 3 e 6 de abril de 2008, em comemoração ao Centenário da União Espírita Mineira.

Mesmo acometido pelo câncer no corpo físico, Honório enfrentou o período relativamente extenso de enfermidade com coragem e resignação, realizando palestras, fazendo planos, administrando e participando de eventos espíritas, como orador e como Presidente. Em 24 de setembro de 2007, foi internado no Hospital Biocor, na Capital Mineira, onde, após um mês, submeteu-se a intervenção cirúrgica devido a complicações do quadro orgânico.

Nobre irmão e abnegado servidor do Cristo na Seara do Consolador, Honório Onofre de Abreu desencarnou, no referido Hospital, às 11 horas da manhã de 13 de novembro de 2007, em razão de uma parada cardíaca, que o libertou definitivamente do jugo carnal. Desencarnou Presidente da União Espírita Mineira e Presidente do Conselho Administrativo do Hospital Espírita André Luiz.

Seu corpo físico foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério da Paz, em Belo Horizonte. Os espíritas mineiros e os confrades do Brasil e do exterior que o conheceram ficaram bastante consternados, pois, certamente, Honório deixara uma lacuna no nosso meio, mas permanece como inspiração a todos a agirem como ele, dando tudo o que possuía para unir e pacificar, exemplificar e redimir.

Fonte:   Jornal "O Espírita Mineiro". (Extraído do Site https://www.uemmg.org.br/biografias/honorio-onofre-de-abreu em 08/09/2020 )


Disponibilizamos Áudios das Reuniões de nosso Querido Sr. Honório, reuniões estas realizadas no Grupo Emmanuel de Belo Horizonte, nas manhãs de Sábado com o tema "Evolução", analisando o "Gênesis" à Luz da Doutrina Espírita.