sexta-feira, setembro 14, 2018

João, 5:2-10 - O Paralítico de Betesda


Ora, em Jerusalém há, próximo à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres. 3 Nestes jazia grande multidão de enfermos: cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas. 4 Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse. 5 E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. 6 E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? 7 O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. 8 Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda. 9 Logo, aquele homem ficou são, e tomou a sua cama, e partiu. E aquele dia era sábado.
Ora em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.


Ora em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas… - Recordando o que já dissemos em outro momento; Jerusalém era a capital dos judeus; cidade de grande importância, era onde situava-se o Templo de Salomão. Era o centro de toda movimentação religiosa.
Hoje, buscando o sentido espiritual do Evangelho, é importante entendermos o significado do termo Jerusalém no que diz respeito às nossas necessidades em matéria de conquistas definitivas do Espírito.
Assim temos, que Jerusalém é o centro de nossas cogitações espirituais. Todas as vezes que nos situamos próximos dos valores imperecíveis, ou de acordo com as Leis Universais, estamos em nossa Jerusalém particular. A Nova Jerusalém da mensagem apocalíptica, nada mais é do que a edificação em nós do Reino do Senhor, ou seja, o momento em que o Filho do homem não estiver mais fora, mas dentro de cada um de nós.
Ora em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas…; havia a porta das ovelhas como também muitas outras, isto mostra-nos que se geograficamente esta era a realidade da "Cidade Santa", no campo íntimo podemos dizer que o mesmo se dá; ou seja, muitas são as portas em que podemos adentrá-la.
Torna-se importante não confundirmos porta com caminho. Este é um só, o do Evangelho. Entretanto, muitos são os meios de chegarmos até ele. O próprio Centro Espírita é uma porta para a nossa Jerusalém íntima; e quantas não são as portas por onde podemos adentrá-lo? Só para lembrarmos podemos dizer que temos a porta escola; a porta hospital; a porta caridade; e muitas outras de acordo as necessidades.
João, o mais rico em espiritualidade entre os evangelistas, nos diz que, em Jerusalém há… a porta das ovelhas.
A ovelha é um símbolo, de grande importância, do sacrifício cristão. Se a docilidade, a resignação, a paciência e a compreensão, são virtudes a serem conquistadas pelos discípulos do Nazareno de todas as épocas, nela encontramos todas estas qualidades. Todos os animais ao serem sacrificados reagem de forma negativa e até violenta, a ovelha aceita com tranquilidade e simplesmente chora em silêncio. O próprio Jesus foi o "Cordeiro" que Se deixou imolar.
Em Jerusalém há a porta das ovelhas, isto define que as nossas conquistas espirituais passam pela prática de todas as virtudes que este dócil animal representa; e podemos afirmar que esta não é uma simples porta, mas uma das mais significativas.
… um tanque, chamado em hebreu Betesda… - O tanque ou piscina, como em algumas traduções, era um reservatório destinado ao banho.
Havia uma crença na época, de que a água daquele tanque tinha poderes curativos; por isto, muitos enfermos iam ali buscar o alívio para suas dores.
A cura se dava pela imersão do enfermo na água. Esta é realmente muito utilizada como tratamento a várias doenças; já que devido à simplicidade de sua composição química, pode ser manipulada pela espiritualidade sem maiores dificuldades.
Tem também este líquido Divino, uma simbologia interessante no que diz respeito à cura; porque sendo a enfermidade uma sujidade do Espírito, tem ela o poder de lavá-lo, tirando-lhe as impurezas. Não é à toa que no livro "Nosso Lar", do Espírito André Luiz, temos a informação de que todos temos no tanque da vida uma roupa suja para lavar, referindo-se o orientador às nossas próprias imperfeições e compromissos mais imediatos.
Outra simbologia importante tem a água referindo-se ao processo reencarnatório. Jesus em Seu famoso diálogo com Nicodemus, afirmava que aquele que não nascesse de novo, não poderia ver o Reino de Deus, isto é, purificar-se. Dizendo ainda que, era preciso nascer da água e do espírito.
Se nascer do espírito podemos entender como renovar-se em valores relativos à espiritualidade do Ser, nascer da água nos fala mais propriamente da reencarnação, como meio de atingir este fim. Havia uma crença entre os judeus de que a vida vinha da água; o próprio Livro Sagrado nos diz em seus primeiros movimentos que no princípio, o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
Além disto é fato conhecido de todos, que o nosso aparelho físico contém mais de setenta por cento de água em sua composição, e que ao reencarnarmos, todos viemos em uma bolsa envolvidos no líquido amniótico, que nada mais é do que água.
Betesda, que era o nome deste tanque, significa "casa de misericórdia", e podemos afirmar que nada expressa mais a Misericórdia do Criador do que a própria oportunidade reencarnatória, porque além de permitir a correção do que fizemos de errado, possibilita também que através deste processo nos curemos de todas as enfermidades, que na realidade são do Espírito e não do corpo.
…o qual tem cinco alpendres. – O alpendre era uma construção ao estilo da época, que além de proteger os que ali estavam, permitiam um relacionamento entre eles.
Seguindo o curso que estamos dando ao nosso estudo, podemos compará-los aos cinco sentidos, que durante o período de encarnação do Espírito, permite o contato com as criaturas e o mundo em si.
Importante salientar que este bom uso dos sentidos, gerando um relacionamento satisfatório, é prudente ao Espírito mesmo antes de encarnar, visto que muitas vezes, é através dele que o interessado consegue abono para efetivar o processo libertador.

Nestes jazia uma grande multidão de enfermos; cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento das águas.

Nestes jazia uma grande multidão de enfermos… - Nestes, ou seja, no processo reencarnatório; jazia, isto é estava, ou ainda estão, numa posição não muito confortável; grande multidão de enfermos.
Grande multidão, porque são muitos, e de todas as espécies; de enfermos, ou ainda, de necessitados.
A encarnação do Espírito tem por principal objetivo a evolução deste. Acontece que, devido aos erros cometidos durante as oportunidades de volta à carne, a criatura se manifesta enferma em seu psiquismo, gerando com isso, a somatização destas moléstias, e, consequentemente, um processo expiatório, onde aquele que adoeceu no mundo, tem de nele buscar sua cura. Desta forma, o mundo físico, em planetas atrasados como o nosso, torna-se um gigantesco hospital, jazendo nestes uma grande multidão de enfermos.
…cegos, mancos e ressicados… - Na realidade entre os que se acham necessitados do processo palingenésico – os "filhos de mulher" referenciado pelo próprio Cristo -, acham-se enfermos de todas as modalidades, não só os aqui citados. Entretanto, cegos, mancos e ressicados, representam bem a totalidade de nossas deficiências.
Cegos são os de imperfeita visão espiritual, os que não têm bem desenvolvida a virtude da compreensão. Não enxergando bem, não veem os acontecimentos como eles se dão, deturpando muitas vezes os fatos, gerando males cada vez maiores.
Mancos são os que caminham com dificuldade. Possuem muitas vezes as duas pernas, mas não se equilibram bem nelas. Representam aqueles que não têm bem harmonizados as questões do sentimento e da razão. Ora erram pela excessiva predominância de um, ora de outro.
Ressicados são os secos de sentimento, os sem amor. Por serem excessivamente egoístas, agem somente de acordo com o interesse próprio, em prejuízo dos demais. Desta forma também têm dificuldades de se movimentarem, não tendo assim, bom trânsito entre as criaturas.
…esperando o movimento das águas. – Como já dissemos anteriormente, todos os males têm na reencarnação do Espírito seu melhor remédio.
Deste modo, temos no movimento das águas – processo reencarnatório -, o alívio de que necessitamos. Por sermos ainda bastante imperfeitos, estamos escravizados aos nossos próprios erros, não sendo assim, senhores dos acontecimentos.
O Evangelho é claro: esperando …, ou seja, temos de aguardar pelo instante propício, e pela Misericórdia do Criador, trabalhando em nós a virtude da paciência. Portanto, se estamos tendo a oportunidade agora, não a desprezemos, pois não sabemos quando será novamente o momento oportuno, ou quando a teremos de novo.

Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água, e o primeiro que ali descia, depois do movimento de água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.

Porquanto um anjo descia… - O anjo é um Espírito que já conquistou um determinado padrão evolutivo. Em vista disso, suas ações são caracterizadas pela liberdade, e pela consciência do que faz.
O verbo "descer" expressa uma ação feita de cima para baixo. Não de uma forma impositiva, mas demonstrando uma atitude comum entre os mais evoluídos. Ou seja, a criatura deixa seu patamar de conquistas superiores já realizadas, em favor de um auxílio àqueles que por acharem-se em condições inferiores necessitam desta ajuda.
A evolução é assim, seu sentido é para cima, mas em sua mecânica temos que descer atendendo àqueles que estão abaixo, para que possamos alcançar níveis mais altos.
…em certo tempo ao tanque, e agitava a água… - Em certo tempo, porque em se tratando de ação feita por Espíritos mais evoluídos, tudo é programado, tem sempre a hora certa.
Esta ação do anjo descendo ao tanque, e agitando a água, representa bem a atitude dos guias espirituais organizando a reencarnação, auxiliando seus tutelados a conseguirem condições adequadas, visando as conquistas necessárias no plano físico; objetivando assim, escaladas a planos superiores; pois estes – os guias ou anjos da guarda – estudam minuciosamente cada caso, oferecendo o que há de melhor a seus protegidos.
…e o primeiro que ali descia… - Esta expressão define uma condição para receber o auxílio. Era preciso descer, ou seja, reencarnar. O verbo "descer" é mais uma vez bem empregado; pois a ação é mesmo de descida, visto que o plano espiritual é o de origem, o de condições melhores. Nascer, segundo os próprios Espíritos, é muito mais difícil e pior do que "morrer".
O advérbio primeiro, em matéria de reencarnação, não define que só este será o beneficiado, e sim nos adverte para a necessidade de esforço e de seleção; pois do mesmo modo que para chegar em primeiro no mundo é preciso passar por uma batalha e esforçar-se, no que se refere à reencarnação também é necessário o sacrifício e a renúncia de determinados valores.
…depois do movimento de água… - Depois do movimento de água, é findo o processo reencarnatório. É quando este já tiver cumprido o seu papel e não for mais necessário. Primeiro o trabalho, depois o salário. Aliás, como diz uma canção popular, "só fecha o seu livro quem já aprendeu…"
…sarava de qualquer enfermidade que tivesse. – Confirmação do que já dissemos; a reencarnação é remédio para qualquer enfermidade. Qualquer, aqui, designa todas; e sobre a enfermidade fica claro, todas podem e serão curadas, não havendo nas palavras de Jesus nada que abone o sofrimento eterno, pois este tendo origem em uma causa, cessa assim que se extinga o fato gerador.

E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.

E estava ali um homem… - Havia ali muitos enfermos, Jesus não curou a todos, mas na multidão destaca um. O texto evangélico não informa a quanto tempo ele aguardava, nem como tinha chegado àquele local, simplesmente diz: E estava ali um homem…
Muitas vezes, nós que também podemos auxiliar, visto que há muitos mais necessitados que nós mesmos, encontramos com um homem ou com outro, que merecendo atenção de nossa parte, não é apercebido. Em outros instantes, temos até o impulso de algo fazer, mas diante daquele que sem dúvida é instrumento de nosso progresso, insistimos em questionar: de onde veio? Por quê? Para onde? Será mesmo merecedor? Será que estamos agindo com prudência? E não nos deixando envolver na "compaixão samaritana", passamos de largo, e, criticando levitas e sacerdotes, fazendo uso de filosofias e ciências, simplesmente esquecemos, que estava ali um homem…
…que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.Trinta e oito anos não são trinta e oito dias, mas tempo de longo sofrimento.
A enfermidade não é eterna, teve início e terá fim. Para aquele homem, iniciara a trinta e oito anos, este era o tempo que estava afastado das Leis Universais.
Em nossa faixa de evolução não fazemos ideia das coisas se não as sentirmos na própria pele. Assim, só valorizamos o alimento em períodos de fome; o companheirismo na solidão; a saúde, na doença.
Não temos como avaliar quais necessidades teve aquele paralítico; entretanto, durante aquele longo período de enfermidade, estamos certo de que, passando por dificuldades soube refletir, valorizar o bem, trabalhar seu sentimento, se preparar para um futuro melhor. …se achava enfermo, porém, estava pronto para a cura.

…e Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: queres ficar são?


E Jesus, vendo este… - Jesus não viu apenas este, Seus olhos têm longo alcance; assim, viu a todos; entretanto, percebeu que este, era o que estava mais preparado para receber o que Ele tinha para dar. Era em quem a Vida já tinha trabalhado melhor os recursos divinos.
…deitado… - Apesar de já ver nele possibilidades, o Sublime Terapeuta detecta a causa de tanto sofrer: sua posição. Estava deitado, isto é, ocioso.
A Providência nos supre com os recursos de que necessitamos, porém, se não fazemos bom uso do que recebemos, criamos em nós verdadeira paralisia espiritual, e como tudo que não produz, também deterioramos.
A oportunidade desperdiçada trará portanto, a dificuldade restauradora, o silêncio reflexivo, a escassez necessária.
Só assim, necessitando do que já tivemos, aprenderemos, para o dia em que, certamente, de novo formos fartos.
…e sabendo que estava neste estado havia muito tempo… - Aquele que é maior sabe perfeitamente o que se passa com o menor. Deste modo, Jesus sabia através de um simples olhar, o que ia no íntimo de cada um, ou ainda, o de que ele realmente necessitava. Assim, vendo aquele homem deitado, tinha perfeito conhecimento de suas dores, e por quanto tempo estava naquele estado.
Da mesma forma acontece conosco, não adianta nos fazermos de cordeiros, quando na realidade ainda possuímos um lobo dentro de nós. Jesus, representado pelos nossos guias e mentores espirituais, sabe o de que necessitamos, e atende-nos do melhor modo visando nosso progresso. Portanto, ao invés de nosso habitual inconformismo, melhor seria demonstrarmos esforço em melhorarmo-nos, pois se o Senhor sabe nosso real estado, também saberá perceber nossas disposições em progredir.
Hoje, já mais conscientes também da nossa situação, é importante inquirir desde quando nos achamos nela; porém, mais urgente se faz perguntar-nos: até quando exigiremos daqueles que nos assistem espiritualmente, a paciência cristã?
É bom lembrar, que a vida é dinâmica, e tudo evolui, e que se não acompanharmos esta mecânica, estagnando-nos por muito tempo, grandes dificuldades virão, pois conforme nos afirma Aquele que conhece o princípio e o fim, toda a planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada.
…disse-lhe: queres ficar são? – Importante observar a pergunta feita por Jesus ao necessitado. O Mestre não lhe inquiriu sobre o seu passado, sobre sua posição social, nem muito menos sobre os erros que teria cometido, e que possivelmente dera origem àquele mau. Disse-lhe simplesmente, queres ficar são?
Isso mostra Sua objetividade em atendê-lo, e a Imensa Misericórdia de que se fazia portador.
Outro fator que deve ser notado, é que o Senhor coloca nas mãos do enfermo sua própria cura. Queres ficar são? Diz Ele, ensinando-nos que nossa felicidade, ou vitória sobre os momentos difíceis, depende de nós mesmos, a partir do modo em que conjugarmos o verbo querer.
A saúde é resultado do que fizermos; e a nossa ação será sempre direcionada pelo desejo, que se alimentado pela Boa Vontade de nos encaminharmos segundo a segurança cristã, trará benefícios plenos.
Portanto, a pergunta pode ser feira por qualquer um, até mesmo pelo Cristo, mas a resposta é individual, cabe a cada um de nós.

O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.

O enfermo respondeu-lhe… - Enfermos somos todos nós que, habitando neste vale de sombras, temos imensas mazelas a sanar.
A uma pergunta ou a uma expectativa, sempre respondemos, independente de por quem é feita. Mas se numa ação mostramos um ponto que ainda podemos atingir, é na reação, ou melhor dizendo, na resposta, que demonstramos quem realmente somos.
Deste modo, ao sermos advertidos pela Vida com determinados chamamentos, lembremos que é ao Cristo que estamos respondendo, pois Ele é nosso Protetor e Amigo, é quem realmente cuida de tudo para que tenhamos sucesso em todas as nossas aspirações maiores.
…Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque… - Questões importantes devem ser por nós levantadas nesta resposta, fazendo um paralelo com a nossa situação atual.
Quantas vezes em nosso cotidiano, já possibilitados de algo fazer, ficamos simplesmente aguardando que o outro, ou um homem algum, venha por nós realizar, quando esta atitude cabe é a nós mesmos? Em outras situações, não muito diferentes, se não queremos que o semelhante tudo faça, aguardamos pelo menos que ele tome a iniciativa, para se for do nosso agrado, darmos continuidade. Ou ainda, em quantas ocasiões não responsabilizamos quem quer que seja pelos nossos fracassos, dizendo que se ele não agisse de tal forma nós não estaríamos passando por isso ou aquilo?
Lembremos sempre que o cristão tem por diferencial agir de acordo com o Bem e pelo Bem, e que se algo nos acontece, é da Lei que a causa foi gerada por nós mesmos, apesar de que momentaneamente possa não transparecer.
Outro fator que não podemos deixar de considerar, é quanto ao processo reencarnatório. Sabemos que reencarnar é uma necessidade devido às nossas complicações espirituais. Em contra partida sabemos também, que este não é um processo aleatório, e que dependa exclusivamente de nós mesmos; há interesses globais a serem atendidos.
Portanto, o mínimo que nos cabe fazer, é cultivar amizade e confiança entre aqueles com quem convivemos, pois podemos precisar deles para tomarmos um novo corpo; porque na condição de interventores, ou mesmo de pais ou irmãos, quem quererá abonar ou sacrificar-se por uma pessoa intransigente, intolerante e que ao invés de auxiliar, dificulta sempre as coisas? Não podemos esquecer, que tudo na vida, inclusive o companheirismo, deve ser cultivado.
Caso não realizemos de uma forma positiva, estaremos sempre na condição daquele enfermo, que diante da oportunidade da sua vida, disse:
Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque…
… mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. – Outra situação que muito nos atrapalha é a questão da indecisão.
A vida, em se tratando das conquistas individuais, não é uma competição; pois o que temos de realizar cabe só a nós mesmos, e cada um tem o seu espaço e as suas necessidades.
Porém, do mesmo modo que em relação às conquistas materiais, no que se refere às do Espírito, temos de nos esforçar, perseverar, e acima de tudo ter decisão, porque uma oportunidade perdida, é sempre algo que se esvai, e que pode ser indício de muitas dores.
A tentativa daquele enfermo de justificar sua ociosidade, não pode se repetir conosco. Ele apesar de já trabalhado pelo sofrimento, ainda se mostrava indeciso, necessitado de despertamento.
De nossa parte é bom deixarmos a Boa Nova ressoar na acústica de nossa alma, a fim de que o Cristo interno se exteriorize em atitudes renovadas e produtivas, lembrando sempre a alerta do Senhor à igreja de Laodicéia:
Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente: oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te ei da minha boca.


Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma a tua cama, e anda.


Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma a tua cama, e anda. – A orientação de Jesus é clara. Aquele homem estava enfermo havia trinta e oito anos, por se posicionar de maneira indevida diante da vida, O Mestre então lhe pergunta: queres ficar são? Ao que ele responde se desculpando, mostrando suas dificuldades.
Suas razões são até certo ponto lógicas e justas, mas isto se levarmos em consideração os valores do mundo. Entretanto, saúde não é conquista mundana, e sua aquisição é proporcional às virtudes conquistadas no que diz respeito aos bens do Reino. É então que o Divino Médico lhe propõe: esquece o mal, desvincule-se da retaguarda, saia da ociosidade, do comodismo; levanta-te… As dificuldades são reais, porém não desanime. Dificuldade não é empecilho, antes de tudo é oportunidade de exercitarmos nossa capacidade de resolvê-la. Só aquele que vence os obstáculos está realmente preparado e amadurecido para seguir adiante. Portanto, não só levante, mas também toma a tua cama, carregue a sua cruz, vença as intempéries. E anda, pois só tomando direção contrária aos erros, resgataremo-nos para a Vida, para a saúde, para a felicidade. Andar é caminhar, seguir adiante, para frente; é dinamizar toda a capacidade e recursos que dispomos, com um só objetivo: nos reintegrarmos na Vida Plena.


Logo aquele homem ficou são; e tomou a sua cama, e partiu. E aquele dia era Sábado.


Logo aquele homem ficou são… - O Evangelho se completa e se explica momento a momento. O evangelista não fala explicitamente que aquele homem se levantou, mas diz em outras palavras a mesma coisa: logo aquele homem ficou são.
Esta afirmativa vem confirmar a nossa anterior interpretação quando afirmamos que a causa da enfermidade era a própria ociosidade em que se achava aquele homem.
Conforme dizemos alhures segundo colocação do Espírito Joseph, saúde é a perfeita conexão entre a criatura e o seu Criador. Sendo Este, dinamismo constante – o meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também -, se quisermos estar integrados Nele, é imperioso que também estejamos nos movimentando em favor do Bem.
O fato se deu deste modo: Jesus percebendo a causa, disse ao enfermo: levanta-te… E ele influenciado pelo magnetismo superior do Divino Terapeuta, levantou e logo, isto é imediatamente, ficou são. Em outras palavras, curou-se daquele mal.
…e tomou a sua cama… - Curar-se não significa estar com saúde. Pode simplesmente ser um alívio temporário, que se não devidamente cuidado, venha a se tornar problema num instante próximo.
Uma das grandes dificuldades da medicina atual, é que geralmente ela trata da doença, quando na realidade deveria tratar é do "doente". O ser humano não é simplesmente um aglomerado de células, mas um ser complexo onde Espírito, perispírito, corpo, meio ambiente, experiências pregressas e muitas outras coisas interagem, criando necessidades e soluções numa só direção: o progresso do Espírito.
Portanto, ao levantar, isto é, decidir pela movimentação, é necessário dar uma direção segura à caminhada; e assim, tomar a sua cama. Sua, porque é a de cada um, necessidade individual; e desta forma não só curar-se, mas também manter seu estado de saúde. A cama é a dificuldade, é o compromisso particular, inadiável.
…e partiu… - Isto é, saiu deixando para trás as lamentações, as dificuldades que o impediam caminhar e foi, segundo orientação do próprio Jesus, buscar uma nova vida, baseado em princípios diferentes daqueles que conhecia anteriormente.
O mesmo acontece conosco toda vez que, reconhecendo um erro, ou determinadas vinculações ligadas à retaguarda, e que atrasam o nosso processo evolutivo, desligamos delas, interessando-nos por construir um homem novo, partindo-nos assim para vencer o velho que ainda existe em nós.
E aquele dia era Sábado.Dia ou momento em que completamos um determinado ciclo em matéria de evolução. Não é ociosidade, mas a paz de termos cumprido um dever, qualificando-nos para realizações futuras. Paz esta que normalmente vem após uma "Sexta-feira" de crucificação de valores que até então eram considerados importantes, mas que hoje sabemos prejudiciais à efetivação do homem do Reino.


(Retirado do livro: "Jesus Terapeuta". Instituto d'Esperance)

sexta-feira, abril 20, 2018

O Inferno Eterno não é Para Sempre


Certa vez perguntei a um Pastor protestante o porquê dele acreditar que a punição do Inferno seria eterna.

Ele me respondeu prontamente:


- "Porque a Bíblia afirma que é."


Nós Espíritas não acreditamos que exista um Inferno eterno, as penas não são para sempre. Isto quer dizer que a Bíblia errou? Ou nós não acreditamos na Bíblia?

Nem uma coisa nem outra. Allan Kardec, na questão 59 de O Livro dos Espíritos, comentando outro texto das Escrituras, já afirmava:


"a Bíblia não é um erro, erraram os homens em interpretá-la".


Nesta questão do Inferno ou do Fogo Eterno, podemos dizer a mesma coisa: "...erraram os homens em interpretá-la"


A língua original da Bíblia é o hebraico; mesmo o Novo Testamento que foi originariamente escrito em grego, foi vivido na palestina, por isso a língua original dos acontecimentos é o hebraico ou o aramaico. O Novo Testamento em grego é uma tradução dos acontecimentos reais.

A palavra hebraica que foi traduzida por "eterno" ou "eternamente", é "olam".

Acontece que na língua original bíblica do tempo de Jesus ou mesmo do tempo do Antigo Testamento olam, ou "eterno" não significa "para sempre" como nós entendemos hoje no ocidente.

"Eterno" era sempre relativo a um certo tempo, que poderia durar muito dependendo do caso, mas não para sempre.


No Salmo 23:6 temos:


"...habitarei na casa do Senhor por longos dias" (Grifo Nosso)


Ou seja, não é para sempre, mas por "longos dias". Algumas Bíblias traduzem como "para sempre" o que não é a mesma coisa, mas podemos dizer que o tradutor não foi fiel ao contexto, mas colocou um pensamento seu, o que não deveria acontecer com as traduções.


Existem muitos outros textos da Bíblia que poderíamos citar para confirmar o que estamos dizendo; escolhemos mais um que reflete bem esta diferença do hebraico antigo com o nosso idioma de hoje.


Em Isaías, 32: 14 e 15, temos:


"14 Porque o palácio será abandonado, a cidade populosa ficará deserta; e o outeiro e a torre da guarda servirão de cavernas para sempre, para alegria dos asnos monteses, e para pasto dos rebanhos;15 até que se derrame sobre nós o espírito lá do alto, e o deserto se torne em campo fértil, e o campo fértil seja reputado por um bosque."


Grifamos a expressão "para sempre" e "até que" para explicarmos melhor.


Veja que o texto de Isaías diz de um evento que se daria para sempre..., até que... acontecesse um outro evento que mudaria os acontecimentos.


Ora, como uma evento pode ser para sempre, até que? Em nosso idioma não dá para entender, mas no hebraico antigo era plenamente compreensível. Mesmo o para sempre era relativo a um tempo, e não eternamente.


Também no Novo Testamento, escrito em grego, vamos encontrar exemplos dentro deste contexto:

Em Filemon, 15, Paulo escreve a Filemon sobre Onésimo:


"Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre"

Ora, não era ideia de Paulo que Onésimo fosse de Filemon "eternamente", mas enquanto vivesse, ou seja, dentro de um tempo limitado, mesmo que durasse muito.


Desta forma, podemos compreender que quando Jesus se referia a um "fogo eterno", ou um "fogo que queimaria para sempre", não estava dizendo de um tormento eterno como nós entendemos hoje, trata-se de uma punição que pode durar muito, mas não eternamente.


Se assim não fosse um dos atributos de Deus que é o "Amor" ficaria comprometido, e isto é que não pode, reduzir ou negar qualquer dos atributos de nosso Pai Eterno.


Ademais, se o Inferno fosse Eterno, o próprio Jesus teria dado ensinamento errado, o que também é inadmissível. Pois o que alimenta o Inferno é o mal, e se o Inferno fosse eterno, o mal também teria que ser, e Jesus foi claro:


Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. (Mateus, 15: 13)


O mal não foi plantado por Deus, portanto será arrancado (extirpado) um dia, não existirá pela eternidade. Desta forma, sem o mal, o Inferno também não existirá pela eternidade, lhe faltará alimentação.

terça-feira, janeiro 02, 2018

Tiago, Irmão de Jesus?


Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão; saudações.

Meus irmãos, tendo por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações... (Tiago, 1: 1 e 2)

Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão; saudações.

O autor desta carta se revela logo no primeiro versículo, é Tiago.

Mas quem seria esse Tiago? Não pode ser o irmão de João, o filho de Zebedeu, pois este desencarnou antes desta carta ser escrita. É então Tiago menor, o filho de Alfeu (Mt, 10: 3), irmão de Judas (Jd, 1: 1)?

Paulo diz que é o irmão do Senhor (Gl, 1: 19), e lhe chama de "coluna da igreja" (Gl, 2: 9); ao que tudo indica sua mãe chamava Maria (Mt, 27: 56) e era parenta da mãe de Jesus, talvez irmã. Provavelmente esteja aí o motivo de Paulo dizer que era o irmão do Senhor, é que àquele tempo os primos de primeiro grau eram tratados como irmãos.

Para Emmanuel (cf. livro Paulo e Estevão), era Tiago filho de Alfeu, e irmão de Levi. Para Humberto de Campos sua mãe chamava Cleofas, seu Pai era mesmo Alfeu e era irmão de Levi e de Tadeu.2

Ainda segundo alguns estudiosos este Tiago seria um terceiro Tiago, irmão de Jesus (cf. Mt, 13: 55) e que só teria se convertido ao cristianismo depois do episódio da ressurreição, teria desde então assumido a liderança do movimento junto com Pedro e João. Josefo, historiador judeu do Século I, afirma ser Tiago, irmão de Jesus e que foi martirizado no ano 62 a. C..

Há ainda outra dificuldade para estabelecer o autor desta carta, é que ela foi escrita em um grego elegante e rico em vocabulário, o que não era comum em um galileu.

Seja lá como for Orígenes cita esta epístola como escritura inspirada.

Para a nossa análise onde o que mais importa é conteúdo reeducativo do texto, cabe o destaque de que Tiago se denominava servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo.

O Evangelho de Jesus nos mostra a todo instante que o objetivo do Cristo era educar o Espírito em trânsito na Terra a fim de que ele se ajustasse à necessidade de maior espiritualidade.

O meio para que isto se efetivasse como conquista do Ser imortal, é que este estivesse em conexão com as inteligências do Alto e buscasse no seu dia a dia aplicar o aprendido em seu campo de ação com aqueles que lhe fossem próximos.

Amar e servir estes os verbos que mais deveriam ser praticados pelos seguidores do Messias.

Ao se qualificar como servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, Tiago mostra que compreendeu a lição e no decorrer do texto tanto quanto no da vida daquele que Emmanuel diz ser o irmão de Levi, vamos ver que ele tinha autoridade para assim dizer.

Dois mil anos se passaram, nós demos muitas voltas em nossa trajetória evolutiva na busca daquilo que denominamos felicidade. Hoje compreendemos que ela está mais em dar do que em receber, mais em servir do que em ser servido, mais em amar do que ser amado; porém, será que com a mesma naturalidade do companheiro de Simão Pedro podemos nos qualificar de servos de Deus e do Senhor Jesus Cristo?

Concluindo este primeiro versículo o autor mostra que dirige este texto às doze tribos da dispersão.

Dispersão vem do grego diáspora, que designava os judeus emigrados da palestina. As doze tribos eram a totalidade do povo judeu.

Na carta Tiago usa esta expressão talvez se dirigindo aos judeus-cristãos espalhados pelo mundo Greco-romano, ou ainda, a todos os cristãos de um modo geral.

Analisando o número doze em seu sentido de completude, e a profundidade do conteúdo desta epístola, podemos com segurança dizer que ela foi conservada sob a orientação dos Espíritos Superiores no cânone neotestamentário, endereçada a todos nós cristãos de todas as eras que buscamos o nosso aperfeiçoamento moral em busca de nos tornarmos homens de Bem sob a égide do Cristo de Deus.

Meus irmãos, tendo por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações…

Meus irmãos; mostra o carinho com os seguidores do Evangelho, nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros3, havia ensinado o Mestre, necessário era que todos fossem tratados com muito afeto.

Irmão é palavra comum na boca de muitos cristãos ao se referirem aos confrades, porém, tão poucos dizem assim usando esta expressão em seu verdadeiro sentido segundo a entendia Jesus.

Uma das dificuldades que os estudiosos desta carta tiveram foi estabelecer a data em que ela foi escrita. Para uns, hoje menos comuns, ela foi escrita entre os anos 45 e 50 de nossa era. Seria assim um dos primeiros escritos do Novo Testamento. Para outros, data a carta do final da vida do apóstolo.

Nós não temos autoridade para opinar sobre o assunto, porém vemos neste texto um amadurecimento tal de seu autor que é pouco provável a primeira hipótese, ou seja, a da data mais antiga.

O texto da epístola em muitos momentos é muito parecido com o da mensagem do Sermão do Monte, mostra um Tiago burilado pelas provações, provações estas que trabalharam nele a paciência como veremos mais adiante.

Neste versículo mesmo que ora comentamos, ele usa do artifício usado por Jesus, que é o de impactar com um pensamento estranho para os homens de sua época, e até mesmo para os de nossa era.

Tendo por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações; este não é um pensamento facilmente aceito, quem pode ter alegria por ser submetido a múltiplas provações?

No entanto, o Espírito maduro, o cristão autêntico, sabe que aqui não viemos a passeio, mas para promover nossas possibilidades espirituais, e que estas só desabrocham através de muita luta e esforços consideráveis.

Portanto, se o objetivo é o crescimento espiritual, a promoção moral, e esta condição só é alcançada após múltiplas provações, este acontecimento é motivo de grande alegria; raciocínio puro e lógico, digno do bom senso kardequiano.

Aliás, esta é a mesma mensagem que encontramos em outros evangelistas:

Na vossa paciência, possuí a vossa alma.4

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.5

e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.6

Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.7



2 Boa Nova, cap. 5

3 João, 13: 35

4 Lucas, 21: 19

5 Romanos, 5: 3 e 4

6 Apocalipse, 2: 3

7 Apocalipse, 14: 12

quinta-feira, dezembro 14, 2017

No Princípio #Gênesis - 1º Dia





3 E disse Deus: Haja luz; e houve luz. 4 E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. 5 E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
O Princípio espiritual já vinha sendo trabalhado por milênios para que pudesse absorver a luz através da vida. A luz começa, assim, a refletir sobre a organização planetária. Os Co-Criadores estão trabalhando no andamento da evolução…
E disse Deus; este dizer de Deus representa a Sua Vontade Soberana, é o que conhecemos como sendo a Lei de Deus.
É preciso compreender esta vontade superior em cada evento universal e a ela ajustar-se. Deus é Perfeição e Misericórdia, Sua Vontade é assim a realização de tudo o que Ele É. Assim, se estivermos realizando-a nos manteremos no estado de equilíbrio, de paz, de saúde e felicidade.
A dor, a angústia, ou qualquer estado de negatividade é justamente o rompimento com este estado pleno de harmonia.
Mais à frente vamos estudar sobre o surgimento do mal e da desarmonia através do símbolo da "queda do Espírito". Maria, a mãe de Jesus, que representa o elemento gerador da volta do Espírito a este estado de Ordem assim se expressou:
Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra1.
Esta é a verdadeira senha para a felicidade, para o estado integral de realização de si mesmo. Só a partir deste estado de obediência consciente nos faremos virgens, imaculados, propiciando assim que o "Filho do homem" nasça em nós.
Haja Luz. Podemos dizer que este é, pelo menos cronologicamente, o primeiro mandamento de Deus. Nele está contido o amor a Deus e ao próximo. Trata-se da realização de toda positividade, do plano operacional do Criador.
Fora do tempo, quando da criação primária, representava a manutenção da Ordem e do Equilíbrio, o viver na Harmonia Celestial. [Éden]
Com o surgimento da matéria, do tempo e do espaço, há um desmoronamento de dimensões, de perda de valores espirituais que se condensam surgindo uma nova realidade.
A consciência é esquecida…2 perde-se a autonomia, passa a vigorar o determinismo das faixas iniciais da evolução.
A partir daí surge a necessidade evolutiva que nada mais é do que realização de potenciais latentes, reconstrução da Ordem original, volta ao Bem através da espiritualização. Sobe-se ganhando consciência, diminui o império do determinismo na medida do progresso do Ser, surge o livre arbítrio nas faixas hominais…,


Leia o texto completo no Blog Gênesis



1 Lucas, 1: 38
2 KARDEC, 1980, questão 621 item a)



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quinta-feira, dezembro 07, 2017

A Vinda Do Senhor e a Ressurreição - Breves Comentários

13 Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.
14 Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele.
15 Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.
16 Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.
17 Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
18 Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.
1 Tessalonicenses 4:13-18



Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.
A partir deste versículo o apóstolo muda o tema abordado na carta. É que como dissemos, havia entre os cristãos da época uma crença na parusia do Cristo, e provavelmente, Timóteo noticiava que alguns crentes de Tessalônica estavam preocupados com seus parentes já desencarnados; pois segundo acreditavam, estes seriam prejudicados por não estarem entre os vivos quando da volta do Senhor.
Existia também um outro problema, é que muitos pagãos criam na extinção da consciência após a morte, e estas crenças estavam dificultando o entendimento de alguns iniciantes cristãos da comunidade a respeito da Boa Nova.
Paulo, portanto, esclarece, não quero porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, isto é, dos já desencarnados. Para Paulo o estado da alma após o desenlace é de perfeita consciência, e é o que ele quer que seus neófitos compreendam, pois assim não ficarão tristes, como os demais, que não têm esperança, por em nada crer.
A imortalidade é um tema sempre recorrente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Os próprios fariseus, dos quais Paulo faz questão de mostrar que teve sua origem, tinham a ressurreição como ponto de fé. Os textos sagrados só têm razão de ser devido a realidade da imortalidade, pois se tudo se extinguisse com a morte, não haveria consequência moral, nem ética a ser vivida por ninguém.
Quando é dito que o Espiritismo é a doutrina consoladora a que Jesus se referiu segundo as anotações de João, é porque ele mostra com clareza, com lógica, de uma forma sistematizada, a verdade das crenças até então incompreendidas, da imortalidade da alma e da reencarnação. Pois os judeus, que eram os mais espiritualizados da época, tinham uma noção confusa e indefinida a respeito do assunto, fazendo uma falsa ideia da vida após a morte.
A continuidade da vida era para Paulo um fato concreto que alimentava sua fé, pois segundo a narrativa de Marcos, Jesus tudo declarava em particular aos seus discípulos1, e lógico que Paulo tendo convivido com aqueles que testemunharam estas confidências, estes por sua vez, revelaram tanto a Paulo como a outros seguidores desta época, o conteúdo destas importantes revelações.
Era necessário deste modo, multiplicar a esperança através da divulgação do Evangelho da alegria, e o doutor de Tarso, por fidelidade, tinha a proposta de extinguir a ignorância espiritual dos adeptos do Nazareno, fazendo florescer em cada um a esperança através da certeza da vida imortal; a incredulidade é uma das maiores tristezas que pode visitar o homem comum, justamente por negar a este a compreensão de sua origem e do fim maravilhoso da vida.
Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele.
Puro raciocínio lógico expresso pelo converso de Damasco. Se Jesus morreu e ressuscitou, isto é, morreu e não se extinguiu, o mesmo se dará a todos nós que somos seus irmãos e filhos do mesmo Pai, segundo seus próprios ensinamentos.
Sendo Deus a expressão máxima de Justiça, não pode haver privilégio na criação; deste modo, se há um simples ser que continue a viver após o trespasse físico, o mesmo se dará com todos os outros, simples questão de bom senso.
Quanto ao destino dos seres neste continuum da vida, podemos tomar um outro ensinamento de Jesus para justificar a teoria contrária à extinção da vida e a das penas eternas. Qual dentre vós é o homem, disse Ele em Seu Imortal Sermão, que pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?2
Portanto, diante deste sensacional ensinamento, como justificar a teoria das penas eternas, ou da infelicidade futura das almas, ou da extinção da consciência depois da morte?
Mesmo que de forma inconsciente, o maior entre todos os pedidos que faz o ser humano a Deus, mesmo os materialistas, é o de que não seja extinta a vida, portanto, porque Deus não atenderia este pedido comum, tão insistentemente feito por toda Humanidade? Negar esta possibilidade é negar a própria existência do Criador, ou o seu atributo essencial que é a Misericórdia.
Com esta certeza da vida plena, Paulo ensinava aos seus discípulos, todos os que em Jesus dormem, ou seja, os que mesmo desencarnados têm Jesus por Senhor, Deus os tornará a trazer com ele, seja pelas vias da reencarnação seja pela própria presença do Senhor com eles como desencarnados trabalhadores no plano em que se encontram. O mesmo se dará com aqueles que dormem sem a presença de Jesus em suas vidas. Deus através de Sua Lei os fará também retornar, só que do modo como se encontram, isto é, sem o Cristo a orientá-los; serão estes guiados pela Lei, no plano da inconsciência, que os fará sofrer no fluxo e refluxo da existência até que adquiram o conhecimento da verdade que os libertará conforme ensinamento do Cristo quando esteve fisicamente entre nós.
Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça.3
Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.
Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor; a autoridade de Paulo estava em que ele ensinava de conformidade com o que lhe era revelado por Jesus. Esta revelação podia vir através dos manuscritos de Levi, a que os primeiros cristãos tiveram acesso, pelo testemunho daqueles que com o Mestre estiveram pessoalmente, ou pela via da mediunidade, já que esta era uma prática comum entre os primeiros discípulos do Senhor. As próprias epístolas eram, como já dissemos, inspiradas por Jesus através de Estevão.
Esta mesma autoridade se ampliava na medida em que Paulo não só recebia e transmitia os ensinamentos pela palavra, mas principalmente pelo exemplo de sua conduta sempre coerente com o Evangelho.
Este texto serve assim de reflexão para todos nós os que hoje nos predispomos a divulgar a mensagem pura do Manso Galileu; temos sido fiéis ao Evangelho? Temos interpretado as lições despidos do interesse pessoal? Como tem sido a nossa conduta diante daqueles a quem mais temos que testemunhar nossa adesão às propostas renovadoras do Cristo?
A vinda do Senhor como já dissemos não será material, mas espiritual; e isso dizemos baseado nas palavras do próprio Paulo, que por sua vez se inspirava em Jesus. Após um texto genial e esclarecedor que deve ser lido por todos e que está contido no capítulo 15 da primeira epístola aos Coríntios, conclui o apostolo:
O mesmo se dará com a ressurreição dos mortos [que segundo ele se dará na vinda do Senhor], semeado corpo corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo psíquico, ressuscita espiritual.4
E continua:
Digo-vos irmão: a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus…5
Em João temos o próprio Jesus ensinando:
Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.6
Portanto, e não estamos inventando, pois usamos as próprias palavras contidas no Novo Testamento, a ressurreição definitiva, que é a máxima realização da criatura que retornará ao Criador, se dará espiritualmente, e esta será, para cada um, no seu momento próprio, o Dia do Senhor, ou dentro da terminologia da época, a "parusia do Cristo".
Neste momento não haverá privilégios, não será o fato de estar desencarnado (os que dormem) ou encarnado (os que ficarem vivos) que indicará quem receberá primeiro a Glória do Senhor, até porque, primeiro e depois são expressões relativas, que dizem respeito à cronologia deste mundo, no Reino do Pai, já foram superadas as dimensões tempo e espaço.
Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro…
Como dissemos nos comentários relativos ao versículo anterior, as expressões primeiro, depois, primeiro dia, dia segundo, entre outras contidas nos textos bíblicos, têm sentido relativo e devem ser interpretadas em espírito, dentro da lógica, do bom senso, e da razão.
É preciso saber que Paulo como os demais evangelistas estavam realizando um trabalho de educar almas que não tinham a mínima noção de espiritualidade. Ou eram religiosos ortodoxos mais ligados ao plano exterior, ou pagãos ainda no início de suas projeções espirituais.
Portanto Paulo tinha que adequar a mensagem do Evangelho de tal forma que todos compreendessem. Afinal, seu objetivo era universalizar a mensagem do Cristo tirando-a das paredes do templo e dos dogmas que tanto a descaracterizava.
Como analisamos anteriormente, Paulo tinha por meta que seus leitores compreendessem, que com relação ao novo advento do Senhor, não era o fato de estar ou não encarnado que daria ao homem maior ou menor facilidade diante deste evento, mas sim a postura íntima em relação às verdades trazidas por Jesus e sua fiel adesão a estas.
Quanto à manifestação do Senhor neste dia de redenção, era característica da literatura da época a utilização de símbolos como nuvens, trombetas, vozes etc.; tanto textos mais antigos como os livros Êxodo, Deuteronômio, entre outros, quanto alguns do Novo Testamento, usam e abusam destas simbologias que sempre reforçam a manifestação espiritual das entidades celestes (os Espíritos) nestes momentos de glória.
O mais importante neste verso é a colocação do redator da carta com relação aos que morrerem em Cristo, significando a desativação em nós das necessidades e desejos ligados às questões materiais. Pois morrer em Cristo é justamente a desvinculação do mundo através do viver nele sem ser dele, ou seja, sem paixão e apego. Jesus com muita propriedade disse ter vencido o mundo, e não no mundo como é desejo dominante na maioria da Humanidade, e em outra oportunidade nos alertou que o Seu Reino não era deste mundo, se referindo ao imperativo de nos espiritualizarmos para atingirmos a meta da felicidade.
depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.
Estes versículos que encerram o capítulo quarto desta carta não sugerem muitos outros comentários, pelo menos a nós diante do que já expusemos anteriormente, sem cairmos em repetições que julgamos desnecessárias neste momento.
Importa-nos, portanto, analisar algumas expressões.
…a encontrar o Senhor nos ares; expressando justamente que este encontro se dará fora do plano comum da matéria, ou seja, será um encontro espiritual. Neste ponto repetimos, pois a terminologia usada vem reforçar nossa conclusão pelo caráter espiritual do advento.
…e assim estaremos sempre com o Senhor; nos mostrando que depois da morte gerada pela ilusão do que é transitório retornaremos ao plano original e estaremos com o Senhor para sempre. Deste modo, tudo o que passamos anteriormente como sacrifício para atingirmos este desiderato, mesmo que seja num período de milênios, fica minimizado, pois a felicidade será eterna, isto é, para sempre, numa dimensão em que o tempo jamais passará pois a conquista existirá na intimidade de todos os que tiverem vencido o último inimigo; a morte.7
…consolai-vos uns aos outros com estas palavras; é mais uma vez a preocupação de um Espírito superior com a tranquilidade e a paz de todas as criaturas; preocupação de que as suas palavras possam gerar somente o bem e a alegria.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.8


Texto extraído do E-Book:  Paulo, Mulher e Homem em Cristo, que você encontra completo em:



1 Ver Marcos, 4: 34
2 Mateus, 7: 9 a 11
3 Marcos, 4:23
4 1 Coríntios, 15: 42 a 44
5 Ibidem, 50
6 João, 14: 23
7 Cf. 1 Coríntios, 15: 26
8 Mateus, 5:9

sexta-feira, novembro 24, 2017

Vitória Final




"…e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome…" (Apocalipse, 15: 2)
A felicidade é uma questão de posicionamento íntimo da criatura. O Criador fez a todos de igual forma, dando a cada um a mesma oportunidade.
Vivemos em um mundo marcado por uma dualidade presente, onde os valores materiais e espirituais se alternam, sendo que os primeiros têm a primazia, e aqueles que aprenderam a manipulá-los com segurança saem na frente como vencedores.
A luta é comum a todos não dando trégua a ninguém, e os mais aptos dentro da economia deste modelo reinante dominam sistematicamente fazendo dos perdedores seus constantes servos.
Estes valores do mundo são representados pela besta conforme citado no texto em epígrafe, sendo o objetivo do espírito em trânsito para o Reino Divino vencer este momento ajustando-se às Leis Superiores assim alcançando a harmonia interior.
Por isso afirmamos no início desta página ser a felicidade uma opção feita pela criatura pois só a ela cabe a tomada de decisão no sentido deste equilíbrio almejado.
O autor do Apocalipse qualifica de vitoriosos da besta estes que, conscientes deste momento conseguem fazer-se superiores a esta realidade transitória entrando assim na harmonia universal. Notemos que estes, mesmo após terem vencidos a primeira etapa, ainda têm de cumprir outras fases, pois fizeram-se vencedores também da imagem, do sinal e do número do nome daquela que a séculos vem subjugando-nos a seu capricho.
A imagem representa para nós a sua vibração e o constante apelo da retaguarda para que voltemos à posição anterior. É comum àquele que toma uma decisão de mudança de um comportamento negativo, ser assediado pelos cultores do passado visando uma volta aos estados anteriores. Vencer estas dificuldades é o primeiro passo a ser tomado com vistas à desvinculação deste processo de ilusão.
O sinal são as consequências já materializadas do comportamento anterior. Quando optamos por uma nova vida, nem por isso aquilo que fizemos de negativo deixa de existir, assim é preciso encarar os efeitos de nossas criações anteriores e desativá-las de seu aspecto negativo, criando novas oportunidades de sinal contrário. Deus, através da Vida, que é Sua manifestação constante, não perdoa nem condena, simplesmente dá novas oportunidades de refazer o que não feito devidamente.
Finalmente é preciso ser também um vencedor do número do seu nome. E aqui podemos asseverar que é a vitória final por fixar naquele que passou por todas as etapas os novos valores do Ser renovado e por isso harmonizado consigo mesmo.
Número expressa uma ideia matemática, de uma equação a ser resolvida. Aquele que consegue equacionar conscientemente a estratégia a ser tomada com vistas a vencer sua próprias dificuldades, num plano de autoconhecimento, e assim vencer as atrações sistemáticas daquele estado qualificado como da besta, é porque já adequou-se ao plano operacional do Criador, e por isso digno da mais pura e legítima felicidade, por estar em perfeita conexão com o Eterno.
Meditemos sobre isto, e façamo-nos merecedores, pois a orientação das várias as escolas religiosas é a mesma:

a ti, Senhor, pertence a graça, pois a cada um retribuis segundo as suas obras. (Salmos 62:12)


Extraído do E Book: “Seja Feliz” Disponível em:


 

terça-feira, outubro 31, 2017

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus


Quem foi Maria?

Falar de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, não é fácil devido a falta de informações que temos dela, e entre as que temos poucas são confiáveis, isentas e imparciais do ponto de vista religioso.

Estão no Novo Testamento, apesar de raros, os melhores esclarecimentos que temos da Mãe de nosso Senhor Jesus.

Nós, os espíritas, ainda temos o privilégio de termos algumas anotações vindas do Plano Espiritual que nos ajudam a esclarecer sobre a grande evolução e a missão deste nobre Espírito.

Não temos informação de como foi sua infância, nem de sua adolescência; a tradição cristã nos informa que Maria era filha de Joaquim e Ana. Seus pais eram judeus e pelo que podemos depreender dos textos do Evangelho formavam uma família simples e praticantes fieis de seus princípios religiosos.

Provavelmente nasceu entre os anos 18 e 20 a.C., e como era habitual àquele tempo, deve ter casado por volta de seus 14 anos, às vezes até antes.

Os historiadores do cristianismo apontam como data provável do nascimento de Jesus o ano 6 a.C., o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier define o ano 5 a. C. como sendo o correto para a vinda do Cristo à carne1. O casamento de Maria deve ter acontecido de seis meses a um ano do nascimento de seu primogênito.

Outra questão que não temos como certa é se Maria teve ou não outros filhos além de Jesus. O Evangelho não é totalmente claro a respeito; Mateus fala que Jesus teve irmãos e irmãs, e até dá o nome de seus irmãos2. Entretanto, em hebraico ou em aramaico, os primos também eram chamados de irmãos.

Muitos estudiosos contestam esta questão de os supostos irmãos de Jesus serem seus primos. Afirmam estes que é uma realidade que o termo hebraico designava tanto irmão quanto primo, porém ressaltam que o Evangelho foi escrito em grego, e no grego temos duas palavras distintas, adelphos, para irmão, e anepsios que é literalmente primo. Portanto, insistem, se os autores do Novo Testamento, que à época sabiam se eram primos ou realmente irmãos, quisessem falar em primos, usariam anepsios e não adelphos3.

Outro argumento a favor de serem irmãos é que na maioria das vezes em que eles são citados no Evangelho estão acompanhados de Maria; por que, perguntam, eles estariam sempre acompanhados da tia? Entretanto, há argumentos fortes também, por parte daqueles que defendem que Maria e José não tiveram outros filhos, como o fato de Jesus ter, no momento da crucificação entregado Maria – sua mãe - a João, o discípulo amado, para que este tomasse conta dela a partir de então. Se formassem uma família numerosa, com vários outros filhos, não seria natural que estes cuidassem de Maria?

Há uma terceira hipótese, menos comentada e menos provável, a de que José ao casar com Maria já teria outros filhos de casamento anterior, e estes é que seriam os irmãos de Jesus.

Como este não é o objetivo principal deste estudo, não vamos mais nos ocupar com este tema. No judaísmo era comum o casal ter muitos filhos, era uma bênção de Deus, o que faz crer a alguns que José e Maria seriam pais de uma prole maior; todavia, não há esta necessidade, a família de Jesus era sem dúvida uma família especial, e poderia, portanto, ser diferente das demais sem nenhum desmerecimento para eles.

O certo, é que Maria era um Espírito de altíssima evolução, um dos mais puros que encarnou neste Orbe governado espiritualmente por Seu Filho Jesus.


Maria era culta ou iletrada?

Esta é outra questão que não é fácil de ser respondida.

Nos dias de hoje dizemos que uma pessoa é culta se ela tem o hábito de ler e estudar, se tem muita informação intelectual. Entretanto, no que diz respeito ao primeiro século de nossa era o julgamento não pode ser feito desta forma.

Neste século, o marcado pela vinda física de Jesus, grande era o percentual de analfabetismo. Quase não haviam livros para serem lidos, e era caríssima a produção de um, desta forma, não era qualquer pessoa que tinha acesso a livros, sendo assim, poucos sabiam ler, e muito menos ainda os que tinham o hábito de estudar como fazemos hoje.

Porém, não podemos dizer por isso que eram mal informados os habitantes da Palestina daquela época. O processo de aprendizado era diferente, o que tínhamos era uma cultura oral; as cartas de Paulo eram lidas na comunidade cristã através de uma leitura coletiva, muitos apenas ouviam o que este valoroso apóstolo escreveu.

Tal hábito fazia com que a memória destes que se dedicavam ao estudo das escrituras fosse de grande capacidade, pois era preciso saber os textos de cor já que nem sempre era possível lê-los.

Portanto, saber ler não era pré-requisito para se ter cultura. Além disso, em se tratando de uma mulher na palestina no tempo de Jesus, eram bem poucas as chances de que a ela fosse dada a oportunidade de saber ler.

Assim, do ponto de vista de percentuais, grande é a chance de Maria não ter sido alfabetizada, o que não estamos querendo dizer com isso, que não tenha sido. Apenas dizemos de probabilidades.

O que é certo, e podemos dizer com total segurança, é que a Mãe de Nosso Senhor tinha grande cultura, e muito mais ainda, uma cultura espiritual, uma espiritualidade inteligente.

Muitos chegam a dizer que Maria teria sido educada no Templo, que era não só boa leitora, como também, boa redatora. É possível, porém, não certo. Não estamos querendo trabalhar com hipóteses.

No tempo de Maria, o judaísmo não era simplesmente uma religião, era uma cultura. Entre os hebreus não se podia escolher a que religião seguir, simplesmente eram judeus. Não havia shoppings, cinemas, teatros, ou outras diversões quaisquer, o que havia era uma sinagoga, e que todos frequentavam, a sinagoga era a vida das pessoas. Nazaré era uma pequena cidade, a sinagoga deveria ser próximo de tudo, e era ali onde eles aprendiam e praticavam seus princípios de moral elevada.

Como dissemos Maria era um Espírito elevado e sem comprometimentos no campo expiatório, por isso aprendia fácil, com certeza memorizava bem, e vivenciava o que aprendia, não era culta dentro de nosso padrão atual, era sábia.

Por que podemos dizer isso com certeza? O Evangelho nos dá mostra disso a toda hora, e além do mais, Maria foi a educadora do maior Sábio de todos os tempos, e só isso bastaria para dizer que ela foi entre todas a melhor educadora.


Texto extraído do E-Book Paulo, Mulher e Homem em Cristo, que você encontra completo em:


https://www.amazon.com.br/Paulo-Mulher-Homem-Cristo-Evangelho-ebook/dp/B075RW5GFK




1 XAVIER, Francisco C. / Humberto de Campos. Crônicas de Além Túmulo, cap. 15, Rio de Janeiro, FEB, 1937.

2 Cf. Mateus, 12: 46 e Mateus, 13: 55 e 56. Ver também Marcos, 6: 3

3 Existem controvérsias. Segundo PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho Vol. 8. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1967, Pg. 197, a palavra adelphos "irmão", referia-se também a "primos", e ainda cita vários autores profanos como Heródoto, Thucidides, etc. onde isto acontecia.