sexta-feira, julho 03, 2015

Estudo do Livro Gênesis (Continuação) - Haja Luz (Gn, 1: 3)

E disse Deus: Haja luz; e houve luz. (Gn, 1: 3)
O Princípio espiritual já vinha sendo trabalhado por milênios para que pudesse absorver a luz através da vida. A luz começa, assim, a refletir sobre a organização planetária. Os Co-Criadores estão trabalhando no andamento da evolução…
E disse Deus; este dizer de Deus representa a Sua Vontade Soberana, é o que conhecemos como sendo a Lei de Deus.
É preciso compreender esta vontade superior em cada evento universal e a ela ajustar-se. Deus é Perfeição e Misericórdia, Sua Vontade é assim a realização de tudo o que Ele É. Assim, se estivermos realizando-a nos manteremos no estado de equilíbrio, de paz, de saúde e felicidade.
A dor, a angústia, ou qualquer estado de negatividade é justamente o rompimento com este estado pleno de harmonia.
Mais à frente vamos estudar sobre o surgimento do mal e da desarmonia através do símbolo da “queda do Espírito”. Maria, a mãe de Jesus, que representa o elemento gerador da volta do Espírito a este estado de Ordem assim se expressou:
Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra1.
Esta é a verdadeira senha para a felicidade, para o estado integral de realização de si mesmo. Só a partir deste estado de obediência consciente nos faremos virgens, imaculados, propiciando assim que o “Filho do homem” nasça em nós.
Haja Luz. Podemos dizer que este é, pelo menos cronologicamente, o primeiro mandamento de Deus. Nele está contido o amor a Deus e ao próximo. Trata-se da realização de toda positividade, do plano operacional do Criador.
Fora do tempo, quando da criação primária, representava a manutenção da Ordem e do Equilíbrio, o viver na Harmonia Celestial.
Com o surgimento da matéria, do tempo e do espaço, há um desmoronamento de dimensões, de perda de valores espirituais que se condensam surgindo uma nova realidade.
A consciência é esquecida…2 perde-se a autonomia, passa a vigorar o determinismo das faixas iniciais da evolução.
A partir daí surge a necessidade evolutiva que nada mais é do que realização de potenciais latentes, reconstrução da Ordem original, volta ao Bem através da espiritualização. Sobe-se ganhando consciência, diminui o império do determinismo na medida do progresso do Ser, surge o livre arbítrio nas faixas hominais…
Quando Jesus, o Revelador de Deus, diz: brilhe a vossa luz3, ele sintetiza de forma magistral todo este processo evolutivo. É vossa luz porque é a de cada um, que se apagou, e que resplandecerá na realização da Lei de Deus na medida da conscientização individual através das boas obras que glorificarão o Pai pela consumação de Sua Vontade.
Tudo isso é obra dos milênios, trata-se da realização do mandamento, é o e houve luz”. É passado, porque no Campo Mental do Criador já aconteceu, para nós representa o futuro, a reconstrução do Elo Perdido com Ele.

1 Lucas, 1: 38
2 KARDEC, 1980, questão 621 item a)
3 Mateus, 5: 16

terça-feira, junho 23, 2015

Estudo do livro Gênesis (continuação) E a Terra era sem forma e vazia...


E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E a terra era sem forma e vazia; este é o modo em que o redator bíblico se manifestou, para ele a terra era informe, isto é, sem forma.
Quando alguém compra um terreno e planeja ali a construção de sua casa, em seu campo mental a casa já está pronta, ele consegue visualizar tudo, e até transitar mentalmente entre os cômodos. Ao chegar um desconhecido ele tenta mostrar a casa para este que não consegue visualizar nada, para este o terreno está vazio e sem forma.
Para o Deus o tempo não passa, o tempo é; Ele é anterior ao tempo. No Campo Mental do Criador tudo sempre existiu e de forma organizada.
Nada é vazio. “O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.”1
O “gérmen primitivo”2 de tudo sempre existiu em estado latente,eles ficam aguardando o momento propício para se desenvolverem3.
Para o homem existe o antes e o depois ele tem de construir e construir-se, o princípio é vazio e sem forma cabe a cada um dar a sua forma preenchendo o vazio. Esta é a oportunidade de trabalho, e a partir daí, de sua própria edificação.
e havia trevas sobre a face do abismo; a luz irradia pelo infinito. Deus é luz, Deus é amor; deste modo a luz é anterior a tudo. Porém em nosso universo material e devido aos nossos sentidos adaptados a este universo a luz expressa-se nas trevas. É preciso a treva para que ela reflita. A luz precisa de seu oposto para manifestar-se. Do mesmo modo é a relação entre bem e mal.
Na criação de nosso orbe a treva sobre a face do abismo expressa o caos inicial quando os elementos ainda estavam em confusão.4 Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar.
Na intimidade do Espírito se dá do mesmo modo, antes da revelação crística em nós reina as trevas, após a absorção da Luz, que representa o entendimento da Revelação, apaga-se a noite do desequilíbrio que gera a desarmonia.
havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
Passam-se milhares de anos… desde a terra sem forma e vazia [o princípio de formação planetária , momento em que os técnicos espirituais sob a coordenação do governador planetário iniciam a construção do orbe físico], até o princípio da vida orgânica com o surgimento do protoplasma.
OS PRIMEIROS HABITANTES DA TERRA
Dizíamos que uma camada de matéria gelatinosa envolvera o orbe terreno em seus mais íntimos contornos. Essa matéria, amorfa e viscosa, era o celeiro sagrado das sementes da vida. O protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo terrestre, e, se essa matéria, sem forma definida, cobria a crosta solidificada do planeta, em breve a condensação da massa dava origem ao surgimento do núcleo, iniciando-se as primeiras manifestações dos seres vivos.
Os primeiros habitantes da Terra, no plano material, são as células albuminóides, as amebas e todas as organizações unicelulares, isoladas e livres, que se multiplicam prodigiosamente na temperatura tépida dos oceanos.
Com o escoar incessante do tempo, esses seres primordiais se movem ao longo das águas, onde encontram o oxigênio necessário ao entretenimento da vida, elemento que a terra firme não possuía ainda em proporções de manter a existência animal, antes das grandes vegetações; esses seres rudimentares somente revelam um sentido - o do tato, que deu origem a todos os outros, em função de aperfeiçoamento dos organismos superiores.5
Este momento representa a reunião dos elementos que refletem o pensamento de Deus no plano aplicativo (dinâmico), e as unidades psíquicas que já se ajustam ao desenvolvimento natural do orbe neste estágio em que se encontra a evolução.
Os espíritos superiores estão presentes porque há trabalho.
O campo dinâmico do psiquismo desde o psiquismo do homem até uma bactéria estão amplamente conjugados.
Nosso próprio organismo é um ótimo exemplo, existem nele unidades psíquicas que iniciam no processo evolutivo, tudo sob a orientação do Espírito já em fase superior de evolução.
O espírito de Deus se movia é a representação do plano operacional.
Se moviam (dualidade), saindo de um lugar e indo para outro. O plano da caridade através do trabalho é dual.
Face das águas; são os elementos receptores do espírito de Deus. Importância do campo mental na estruturação das realizações, do preparo da “face das águas” para que o espírito de Deus produza algo positivo.
Face do abismo; tipos de elementos que ficam estagnados, como se fosse a unidade psíquica vinculada ao mineral.
Face das águas – movimento dinâmico.
Abismo –profundidade que acolhe os elementos embrionários. (germe)
Temos no abismo dois tipos de elementos:
  • Em evolução normal.
  • Em queda das faixas superiores.
    • O erro, ou o pecado dentro da concepção das religiões, é o mesmo que a queda das áreas superiores do psiquismo para as profundidades do abismo, da consciência para a inconsciência.
1 KARDEC, 1980,questão 36
2 Idem, Ibidem, questão 46
3 Id., ib., questão 44
4 Id.,ib., questão 43
5 (XAVIER F. C. / Emmanuel (Espírito), 1980), cap. II

sexta-feira, junho 19, 2015

Estudo do Livro Gênesis


No princípio criou Deus os céus e a terra (Gn, 1: 1)
O Evangelho tanto quanto o Antigo Testamento devem ser estudados em seu aspecto reeducacional. É bom lembrarmos que a evangelização é pessoal, não se evangeliza a massa; a massa é o nosso instrumento de crescimento e a oportunidade de lançarmos a semente do Evangelho.
Quando estudamos evolução devemos levar em consideração que a evolução que deve ser estudada é a que promove o progresso moral do Ser, esta é a proposta de Jesus.
Para que o Espírito evolua, ele deve estar associado à matéria. A matéria é o instrumento que o espírito usa para a evolução.1
Esta evolução é feita em dois sentidos: descendente e ascendente.
O espírito mergulha na matéria evolução descendente.
O espírito emerge da matéria evolução ascendente.
Segundo os espíritos, na questão 621 de O Livro dos Espíritos, a Lei de Deus está gravada na consciência, Lei que foi esquecida. Segundo entendemos este esquecimento se deu na evolução descendente. Na ascendente buscamos lembrar o que foi esquecido. “quis Deus que ela lhes fosse lembrada.”2.
Na descida as qualidades são potencializadas e na subida evolutiva, dinamizadas.
O berço da evolução é o campo físico. Ela acontece nos dois planos, físico e espiritual, entretanto, em nosso estágio atual não há como prescindir da matéria para realizarmos a evolução.
Já no primeiro versículo deste capítulo do Gênesis temos esta realidade:
Céus e terra representando:
  • Matéria e espírito
  • Informação e transformação
  • Intelecto e moral
  • Periferia e aprofundamento.
Notamos que segundo a ordem do relato bíblico temos céus e terra, sugerindo que os céus, o plano do espírito puro, veio antes, a terra como expressão do que é material só acontece depois. Em seu primeiro momento – se é que podemos assim dizer – Deus que é Espírito, cria espiritualmente, fora das dimensões tempo e espaço. Tempo e espaço só surgem com a formação do Universo material.
Através da evolução descendente surge a matéria, o espírito que neste momento perde a sua consciência irá readquiri-la pelo processo da evolução ascendente.
Temos aqui o símbolo da “queda do espírito”. Antes, no paraíso de Deus, ele vive em espírito, depois ele cai na matéria e precisa, pelo esforço de recomposição – no suor do teu rosto comerás o teu pão3 - a ele voltar. É o que as religiões denominaram “salvação”, ou “redenção”.
Só se salva ou se redime o que se perdeu.
É neste sentido que devemos entender a palavra “religião”, no de religar; religar a criatura ao Criador. Aqui temos o que é verdadeiramente religião, não confundirmos com as organizações religiosas criadas pelos homens.
A história da Bíblia é esta, a de salvação do Espírito. Ela inicia com a criação, depois temos a queda, na sequência as incessantes lutas do homem buscando Deus, e no final – no Apocalipse – a Jerusalém Libertada, que é justamente o símbolo da salvação do Espírito, da volta para Casa, para a Unidade Divina.
Em Adão temos o símbolo do rompimento da a Aliança feita com Deus, através de Jesus temos a retomada da Aliança, por isso Paulo com a autoridade que lhe era peculiar pôde dizer ser Jesus o último Adão.4
No princípio criou Deus os céus e a terra.
No Princípio; a expressão no princípio, em hebraico, beréshit, nos fala de uma origem; alguns analistas têm visto este princípio desvinculado de qualquer ideia de tempo, seria assim atemporal. Deus é eterno e incriado, deste modo a criação seria eterna, algo que jamais começou. Todavia podemos também entender este princípio como um momento escolhido no tempo para iniciar um relato. Dizemos assim, pois desta forma fica mais fácil a compreensão de algo que transcende o nosso entendimento: a origem de tudo.
Assim, temos o princípio de acordo com o estado evolutivo individual de cada um. Para uns a vida começa com o nascimento físico, outros aceitam com facilidade a preexistência da alma. Entre estes últimos há os que creem que a vida inteligente só acontece a partir do reino animal ou hominal, entretanto há aqueles que já veem o princípio inteligente no mineral, ou até mesmo antes deste.
De que princípio fala o texto, da origem do universo material? Das dimensões tempo e espaço? Ou simplesmente da fundação de nosso Orbe? Como dissemos, cabe a cada um analisar de acordo com a sua possibilidade evolutiva.
Os rabinos observam que a primeira letra do alfabeto hebraico é o “aleph”. Esta simbolizaria Deus em sua Unidade; “beth”, a segunda, a inicial de beréshit representaria assim, a dualidade. Portanto, beréshit (princípio), seria a entrada do universo na dualidade, a criação do mundo corpóreo.
Criou; ou criava segundo algumas traduções. Em hebraico “bara”, verbo que só é utilizado tendo Deus por sujeito. Representa assim ação criadora divina que é diferente da ação produtora do Espírito. Deus cria a partir do que não existe, o Espírito só produz a partir do que já tem existência.
Deus; no texto original temos o nome Elohîms para designar o Deus que hoje conhecemos. Deus é único, singular, absoluto; porém Elohîms é plural. Segundo Chouraqui5, nas línguas semíticas, Elohîms é o termo genérico para designar o conjunto de divindades. Seriam assim, dentro da terminologia espírita, os Espíritos Puros, aqueles que segundo André Luiz realizam uma Co-Criação em plano maior. Relata-nos este autor espiritual:
Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível…
(…)Essas Inteligências Gloriosas tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas…6
Emmanuel também nos esclarece a respeito:
Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.7
Estas anotações estão em pleno acordo com o que nos ensinam os Espíritos na Codificação; em O Livro dos Espíritos encontramos:
Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.8
Portanto, quem constrói e formam os mundos físicos e materiais são os Espíritos destacados pelo Senhor Supremo para esta função, e Elohîms, Cristo, Logos, na verdade são nomes que expressam esses “agentes dedicados” que servem a Deus desde o princípio dos tempos.
Assim podemos compreender melhor estas primeiras informações do Gênesis como sendo a expressão de formação de mundos materiais, o nosso orbe por exemplo. Já existe “tempo”, deste modo, é correto dizer no princípio. Deus é aqui a representação dos Espíritos Puros, Co-Criadores em plano maior, Elohîms.
Os céus e a terra; céus, no plural representa o infinito. Terra no singular, o finito.
Quando os cientistas estudam uma provável data para o surgimento do Universo (aproximadamente uns 15 bilhões de anos), falam do Universo físico. O Big Bang foi uma grande explosão a partir da qual surge o Universo, porém, é preciso perceber que alguma coisa explodiu, o quê? Não sabemos, porém era algo que já existia. A cada percepção de princípio da ciência, descobriremos que algo já existia antes, pois a ciência trata do relativo enquanto Deus é o Absoluto. Pode-se descobrir Deus através da ciência, porém, sua intimidade transcendental não é objeto de pesquisa desta.
Nossa visão de infinito é sempre relativa. Existem teorias sobre o infinito, mas não sabemos o que é.
Entramos no terreno da fé. Fé pode significar algo que não conhecemos mas que deduzimos.
Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.9
(…) porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos10
Portanto, Deus Cria, nós co-criamos.
Céus representa também a primeira criação. Mesmo nós que co-criamos iniciamos qualquer ação produtiva nos céus, isto é, no campo mental.
A terra representa assim o campo operacional; é onde executamos os projetos elaborados nos momentos de idealizações.
1 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 22, 50ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980
2 Kardec, 1980, Questão 621. a)
3 Gênesis, 3: 19
4 Cf. 1 Coríntios, 15: 45
5 CHOURAQUI, 1995, pág.31
6 XAVIER Francisco C./ Waldo Viera / André Luiz (Espírito) Evolução em Dois Mundos, Cap. 1 1ª Parte, 13ª Ed. Rio de janeiro, FEB, 1993,
7 XAVIER, Francisco C. / Emmanuel. A Caminho da Luz, 10a ed., Rio de Janeiro, FEB, 1980.
8 KARDEC, 1980, Questão 536, letra b
9 Hebreus, 11: 1
10 1 Coríntios, 13: 9

sexta-feira, março 08, 2013

Suportando com Paciência a Provação

Tiago, 1: 12


Bem aventurado o homem que suporta com paciência a provação! Porque, uma vez provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam.
Bem Aventurado é sinônimo de feliz. E conforme já dissemos em outro momento:
a felicidade promovida pelo Cristo, não é a felicidade que conhecemos, fugaz, momentânea, porque embasada em valores temporários. A felicidade a que se refere o Evangelho é definitiva, porque é conquistada pelos valores do Espírito.1
O homem; não está nominado porque é qualquer um que proceder conforme a orientação do evangelista.
O verbo suportar diz respeito ao resistir às provações. Por si só não há grandes virtudes em suportar, pois mostra que ainda estamos vinculados à faixa da justiça, só suportamos porque não há outro modo, suportamos como consequência de uma ação menos feliz anterior, e que é impositivo da Lei sofrer as consequências.
Normalmente aquele que suporta, que tolera, ainda acha que o outro está errado, que ele está certo, portanto ele suporta o outro achando-se superior.
A virtude conforme a narrativa do apóstolo está em suportar com paciência, pois aí há uma ação construtiva no bem, há um ensinamento velado que é transmitido a todos mostrando a faixa espiritual que vibra aquele que pratica esta ação pacificadora, pois suportar com paciência é o mesmo que compreender seja a própria provação ou as pessoas por meio das quais ela vem.
Compreender é no mínimo enxergar o outro, saber de suas necessidades, saber qual a sua capacidade e agir com proveito em favor do crescimento tanto do outro quanto de si mesmo. E compreender a provação é saber avaliar a sua necessidade e desativar os pontos que geram sofrimento contribuindo assim para a manutenção da harmonia.
Provação; no grego é peirasmos, uma palavra que pode ser traduzida tanto por provação quanto por tentação.
Em português há diferenças. Provação é o ato ou efeito de provar; prova, teste. É uma situação aflitiva ou de sofrimento que põe à prova a força moral. Tentação é o impulso para a prática de alguma coisa censurável ou não recomendável; desejo veemente ou violento2.


Leia o texto completo em: http://espiritismoeevangelho.webnode.com/carta-de-tiago-do-irm%c3%a3o-do-senhor-para-todos-os-crist%c3%a3os/tiago-1-12/

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Carta de Tiago, 1: 3 a 5

 pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à paciência; mas é preciso que a paciência produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência.

Este versículo traça o projeto de evolução desejado.
Àquele tempo ele falava para judeus convertidos ao Cristo. Ninguém mais do que o povo judeu sabia o valor das provações. Este foi um povo que sofreu; e os que tiveram a compreensão de Jesus como sendo o Messias que libertava pela transformação moral, foram os que aproveitaram as provações na edificação de sua fé. Assim, a expressão pois sabeis…, é bastante coerente no texto.
Nós temos aprendido isto também à custa de muitas dores. O Evangelho traz para nós a possibilidade de participar deste sabeis, minorando os nossos sofrimentos. Cabe a cada um de nós “não recalcitrar contra os aguilhões”.
Como dissemos, este versículo traz para nós o projeto de evolução desejado. É que o Alto quer para nós a vitória espiritual, assim, nos envia Espíritos, que como Tiago, pela instrução encurta-nos o caminho evolutivo adiantando-nos o progresso.
A vossa fé, bem provada, leva à paciência; a fé já foi dito, é força que nasce com a própria alma, certeza instintiva na Sabedoria de Deus…1 Podemos dizer que a fé é a lembrança da presença de Deus em nós. Ela existe em todas as criaturas, porém, é desperta através da evolução, e cada um a tem num determinado grau de acordo com suas conquistas individuais.


Leia o texto completo em : http://espiritismoeevangelho.webnode.com/carta-de-tiago-do-irm%c3%a3o-do-senhor-para-todos-os-crist%c3%a3os/tiago-1-3-a-5/

terça-feira, dezembro 18, 2012

Carta de Tiago - Do irmão do Senhor Para Todos os CristãosCristãos

Capítulo, 1: 1 e 2
Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão; saudações.
O autor desta carta se revela logo no primeiro versículo, é Tiago.
Mas quem seria esse Tiago? Não pode ser o irmão de João, o filho de Zebedeu, pois este desencarnou antes desta carta ser escrita. É então Tiago menor, o filho de Alfeu (Mt, 10: 3), irmão de Judas (Jd, 1: 1)?
Paulo diz que é o irmão do Senhor (Gl, 1: 19), e lhe chama de “coluna da igreja” (Gl, 2: 9); ao que tudo indica sua mãe chamava Maria (Mt, 27: 56) e era parenta da mãe de Jesus, talvez irmã. Provavelmente esteja aí o motivo de Paulo dizer que era o irmão do Senhor, é que àquele tempo os primos de primeiro grau eram tratados como irmãos.
Para Emmanuel (cf. livro Paulo e Estevão), era Tiago filho de Alfeu, e irmão de Levi. Para Humberto de Campos sua mãe chamava Cleofas, seu Pai era mesmo Alfeu e era irmão de Levi e de Tadeu.1
Ainda segundo alguns estudiosos este Tiago seria um terceiro Tiago, irmão de Jesus (cf. Mt, 13: 55) e que só teria se convertido ao cristianismo depois do episódio da ressurreição, teria desde então assumido a liderança do movimento junto com Pedro e João. Josefo, historiador judeu do Século I, afirma ser Tiago, irmão de Jesus e que foi martirizado no ano 62 a. C..
Há ainda outra dificuldade para estabelecer o autor desta carta, é que ela foi escrita em um grego elegante e rico em vocabulário, o que não era comum em um galileu.
Seja lá como for Orígenes cita esta epístola como escritura inspirada.
Para a nossa análise onde o que mais importa é conteúdo reeducativo do texto, cabe o destaque de que Tiago se denominava servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
O Evangelho de Jesus nos mostra a todo instante que o objetivo do Cristo era educar o Espírito em trânsito na Terra a fim de que ele se ajustasse à necessidade de maior espiritualidade.
O meio para que isto se efetivasse como conquista do Ser imortal, é que este estivesse em conexão com as inteligências do Alto e buscasse no seu dia a dia aplicar o aprendido em seu campo de ação com aqueles que lhe fossem próximos.
Amar e servir estes os verbos que mais deveriam ser praticados pelos seguidores do Messias.
Ao se qualificar como servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, Tiago mostra que compreendeu a lição e no decorrer do texto tanto quanto no da vida daquele que Emmanuel diz ser o irmão de Levi, vamos ver que ele tinha autoridade para assim dizer.
Dois mil anos se passaram...


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segunda-feira, setembro 03, 2012

Mediunidade e Evangelho - A Obra é de Deus (1 Coríntios, 12: 17 e 18)


Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
Toda unidade coletiva é formada das partes. Os universos são compostos de sóis e planetas; países, de estados e municípios; famílias, de homens e mulheres; órgãos, de tecidos e células.
Todas as partes têm sua função específica, e importância no contexto, para que um organismo funcione perfeitamente, todas elas têm de estar devidamente ajustadas ao objetivo maior.
No ser humano este ajuste é representado pela máxima cristã “amai ao próximo como a si mesmo”, significando a perfeita harmonia entre a Lei de Conservação e a de Amor e Caridade.
Assim, da mesma forma que os sentidos voltados ao equilíbrio orgânico têm que se harmonizarem concorrendo para um funcionamento adequado do vaso físico, no homem integral, os fatores físico, espiritual, emocional e ambiental, têm de estar também equilibrados; o mesmo acontecendo na comunidade voltada para um objetivo comum – o movimento espírita por exemplo – onde as partes constituintes desta, no caso, os seres humanos que a compõem, devem estar também conjugados e voltados para o bem comum e o interesse geral da obra.
Pois se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
Para que o Espírito realize sua evolução e consequentemente o “retorno ao Criador”, ele é projetado na matéria dentro de uma hierarquia universal, e conjugando liberdade e obediência caminha para a perfeição, tudo isso sob orientação superior e atendendo a um plano maior da Criação.
Cada um deles como [Deus] quis. Por mais que exteriorizemos nossos recursos potencializados, por maior que seja nosso ajuste aos desígnios universais, jamais poderemos, como nos alertou o Cristo de Deus, acrescentar um côvado à nossa estatura. Tudo está disposto consoante a Vontade do Pai, Ele é o Incriado e o Inatingível, Ele colocou os membros no corpo como quis, e a nós cabe, atendendo aos impositivos da Lei, realizar o melhor que nos cabe dentro de nossa faixa de ação própria.
Tudo isso o façamos com alegria e não gemendo, porque isso não nos seria útil.1
Assim, antes de semear a insatisfação e a discórdia em qualquer movimento voltado para o Bem e ao serviço ao semelhante, analisemos qual é o interesse comum, qual a nossa tarefa dentro do plano mais amplo, sintamos que Deus, através do Cristo, está sempre na direção e que tudo tem a sua razão de ser, pois segundo o excelente conselho do mestre de Paulo:
se esta obra é de homens, se desfará, mas, se é de Deus não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.2
1 Hebreus, 13: 17
2 Atos, 5: 38 e 39