quarta-feira, maio 18, 2022

No Princípio




No princípio criou Deus os céus e a terra. (Gênesis, 1: 1)


O Evangelho tanto quanto o Antigo Testamento devem ser estudados em seu aspecto reeducativo. É bom lembrarmos que a evangelização é pessoal, não se evangeliza a massa; a massa é o nosso instrumento de crescimento e a oportunidade de lançarmos a semente do Evangelho.

Quando estudamos evolução devemos levar em consideração que a evolução que deve ser estudada é a que promove o progresso moral do Ser, esta é a proposta de Jesus.

Para que o Espírito evolua, ele deve estar associado à matéria. A matéria é o instrumento que o espírito usa para a evolução.1

Esta evolução é feita em dois sentidos: descendente e ascendente.

O espírito mergulha na matéria, evolução descendente.

O espírito emerge da matéria, evolução ascendente.

Segundo os espíritos, na questão 621 de O Livro dos Espíritos, a Lei de Deus está gravada na consciência, Lei que foi esquecida. Segundo entendemos este esquecimento se deu na evolução descendente. Na ascendente buscamos lembrar o que foi esquecido. "quis Deus que ela lhes fosse lembrada."2.

Na descida as qualidades são potencializadas e na subida evolutiva, dinamizadas.

O berço da evolução é o campo físico. Ela acontece nos dois planos, físico e espiritual, entretanto, em nosso estágio atual não há como prescindir da matéria para realizarmos a evolução.

Já no primeiro versículo deste capítulo do Gênesis temos esta realidade:

Céus e terra representando:

  • Matéria e espírito

  • Informação e transformação

  • Intelecto e moral

  • Periferia e aprofundamento.

Notamos que segundo a ordem do relato bíblico temos céus e terra, sugerindo que os céus, o plano do espírito puro, veio antes, a terra como expressão do que é material só acontece depois. Em seu primeiro momento – se é que podemos assim dizer – Deus que é Espírito, cria espiritualmente, fora das dimensões tempo e espaço. Tempo e espaço só surgem com a formação do Universo material.

Através da evolução descendente surge a matéria, o espírito que neste momento perde a sua consciência irá readquiri-la pelo processo da evolução ascendente.

Temos aqui o símbolo da "queda do espírito". Antes, no paraíso de Deus, ele vive em espírito, depois ele cai na matéria e precisa, pelo esforço de recomposição – no suor do teu rosto comerás o teu pão3 - a ele voltar. É o que as religiões denominaram "salvação", ou "redenção".

Só se salva ou se redime o que se perdeu.

É neste sentido que devemos entender a palavra "religião", no de religar; religar a criatura ao Criador. Aqui temos o que é verdadeiramente religião, não confundirmos com as organizações religiosas criadas pelos homens.

A história da Bíblia é esta, a de salvação do Espírito. Ela inicia com a criação, depois temos a queda, na sequência as incessantes lutas do homem buscando Deus, e no final – no Apocalipse – a Jerusalém Libertada, que é justamente o símbolo da salvação do Espírito, da volta para Casa, para a Unidade Divina.

Em Adão temos o símbolo do rompimento da a Aliança feita com Deus, através de Jesus temos a retomada da Aliança, por isso Paulo com a autoridade que lhe era peculiar pôde dizer ser Jesus o último Adão.4

No Princípio; a expressão no princípio, em hebraico, beréshit, nos fala de uma origem; alguns analistas têm visto este princípio desvinculado de qualquer ideia de tempo, seria assim atemporal. Deus é eterno e incriado, deste modo a criação seria eterna, algo que jamais começou. Todavia podemos também entender este princípio como um momento escolhido no tempo para iniciar um relato. Dizemos assim, pois desta forma fica mais fácil a compreensão de algo que transcende o nosso entendimento: a origem de tudo.

Assim, temos o princípio de acordo com o estado evolutivo individual de cada um. Para uns a vida começa com o nascimento físico, outros aceitam com facilidade a preexistência da alma. Entre estes últimos há os que creem que a vida inteligente só acontece a partir do reino animal ou hominal, entretanto há aqueles que já veem o princípio inteligente no mineral, ou até mesmo antes deste.

De que princípio fala o texto, da origem do universo material? Das dimensões tempo e espaço? Ou simplesmente da fundação de nosso Orbe? Como dissemos, cabe a cada um analisar de acordo com a sua possibilidade evolutiva.

Os rabinos observam que a primeira letra do alfabeto hebraico é o "aleph". Esta simbolizaria Deus em sua Unidade; "beth", a segunda, a inicial de beréshit representaria assim, a dualidade. Portanto, beréshit (princípio), seria a entrada do universo na dualidade, a criação do mundo corpóreo.

Criou; ou criava segundo algumas traduções. Em hebraico "bara", verbo que só é utilizado tendo Deus por sujeito. Representa assim ação criadora divina que é diferente da ação produtora do Espírito. Deus cria a partir do que não existe, o Espírito só produz a partir do que já tem existência.

Deus; no texto original temos o nome Elohîms para designar o Deus que hoje conhecemos. Deus é único, singular, absoluto; porém Elohîms é plural. Segundo Chouraqui5, nas línguas semíticas, Elohîms é o termo genérico para designar o conjunto de divindades. Seriam assim, dentro da terminologia espírita, os Espíritos Puros, aqueles que segundo André Luiz realizam uma Co-Criação em plano maior. Relata-nos este autor espiritual:

Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível…

(…)Essas Inteligências Gloriosas tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas…6

Emmanuel também nos esclarece a respeito:

Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.7

Estas anotações estão em pleno acordo com o que nos ensinam os Espíritos na Codificação; em O Livro dos Espíritos encontramos:

Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.8

Portanto, quem constrói e formam os mundos físicos e materiais são os Espíritos destacados pelo Senhor Supremo para esta função, e Elohîms, Cristo, Logos, na verdade são nomes que expressam esses "agentes dedicados" que servem a Deus desde o princípio dos tempos.

Assim podemos compreender melhor estas primeiras informações do Gênesis como sendo a expressão de formação de mundos materiais, o nosso orbe por exemplo. Já existe "tempo", deste modo, é correto dizer no princípio. Deus é aqui a representação dos Espíritos Puros, Co-Criadores em plano maior, Elohîms.

Os céus e a terra; céus, no plural representa o infinito. Terra no singular, o finito.

Quando os cientistas estudam uma provável data para o surgimento do Universo (aproximadamente uns 15 bilhões de anos), falam do Universo físico. O Big Bang foi uma grande explosão a partir da qual surge o Universo, porém, é preciso perceber que alguma coisa explodiu, o quê? Não sabemos, porém era algo que já existia. A cada percepção de princípio da ciência, descobriremos que algo já existia antes, pois a ciência trata do relativo enquanto Deus é o Absoluto. Pode-se descobrir Deus através da ciência, porém, sua intimidade transcendental não é objeto de pesquisa desta.

Nossa visão de infinito é sempre relativa. Existem teorias sobre o infinito, mas não sabemos o que é.

Entramos no terreno da fé. Fé pode significar algo que não conhecemos mas que deduzimos.

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem.9

(…) porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos10

Portanto, Deus Cria, nós co-criamos.

Céus representa também a primeira criação. Mesmo nós que co-criamos iniciamos qualquer ação produtiva nos céus, isto é, no campo mental.

A terra representa assim o campo operacional; é onde executamos os projetos elaborados nos momentos de idealizações.


Se você gostou deste texto deve gostar dos livros da Série Estudando o Evangelho, disponível em:


https://www.institutodesperance.com.br




1 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 22, 50ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980

2 Kardec, 1980, Questão 621. a)

3 Gênesis, 3: 19

4 Cf. 1 Coríntios, 15: 45

5 CHOURAQUI, 1995, pág.31

6 XAVIER Francisco C./ Waldo Viera / André Luiz (Espírito) Evolução em Dois Mundos, Cap. 1 1ª Parte, 13ª Ed. Rio de janeiro, FEB, 1993,

7 XAVIER, Francisco C. / Emmanuel. A Caminho da Luz, 10a ed., Rio de Janeiro, FEB, 1980.

8 KARDEC, 1980, Questão 536, letra b

9 Hebreus, 11: 1

10 1 Coríntios, 13: 9




Siga-nos também no:

 @claudiofajardoautor
Blogger: www.espiritismoeevangelho.blogspot.com
"...amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo." (O Espírito de Verdade, ESE Cap. VI)

quinta-feira, maio 12, 2022

Os Sete Anjos e as sete Trombetas

#interna





Os sete Anjos munidos com as sete trombetas se prepararam então para tocar. (Apocalipse, 8: 6)

Neste versículo é importante relembrar que os Anjos são enviados de Deus, são Espíritos de grande evolução, por isso representam o Poder Divino, eles são portadores de uma mensagem vinda diretamente do Criador.

Depreendemos assim, que na ocorrência há uma determinação superior, uma Providência gerenciando os fatos e que estes têm um propósito no encaminhamento dos acontecimentos gerais que virão. Como dizia nosso querido e saudoso companheiro Leão Zálio, a circunstância é a vontade do Criador em favor da criatura, e nós não estamos à mercê delas de uma forma desordenada, tudo tem a sua razão de ser dentro de um plano mais amplo, e o gestor de tudo neste nosso planeta é o Cristo e em última instância o próprio Deus.

Aprendemos assim, que estas trombetas, que têm uma importância considerável em toda literatura judaica, e em especial neste livro que encerra os registros da Nova Aliança, vão nos trazer grandes revelações e para isso é necessário que haja preparo, nada acontece ao acaso, sem um planejamento superior. Se desejamos ser também portadores de revelação, instrumentos de Deus através de nossas realizações, nos preparemos, não esqueçamos que cada minuto é importante para a economia universal e para as conquistas que temos que realizar; cada ocorrência por mínima que seja é instrutiva e traz em si informações que se bem aproveitadas muito podem nos ajudar, não desprezemos as pequenas coisas, eles estão ajudando a construir em nós o psiquismo do Ser Renovado, da Nova Criatura portadora da Mensagem de Deus onde quer que nos manifestemos.

É preciso que estejamos preparados para tocarsempre em nome de Deus e de Seu Cristo.

E o primeiro tocou... Caiu então sobre a terra granizo e fogo, misturados com sangue: uma terça parte da terra se queimou, um terço das árvores se queimou e toda vegetação verde se queimou.(Apocalipse, 8: 7)

E o primeiro tocou...; trata-se do primeiro de uma série, uma série de "sete", não podemos perder isto de vista, que são sete ciclos reveladores que acontecerão e que no livro serão descritos nos próximos capítulos.

Caiu então sobre a terra granizo e fogo, misturados com sangue; a princípio uma manifestação terrível, vejamos só: granizo que são pedras de gelo, trazem muitas vezes, destruição. Fogo é um elemento incendiário, oposto ao gelo que é formado a partir da água, entretanto não é menos destruidor; e sangue que pode ser símbolo de dor, de desastres e até mesmo de morte, é sempre visto com um grande pavor. Temos uma chuva em que estes três elementos estão misturados.

Percebamos as expressões. Tudo isto caiu sobre a terra, "terra" esta que podemos considerar como sendo o terreno íntimo onde são germinadas as sementes de nossos sentimentos. Portanto, como temos dito, todas estas ocorrências têm um sentido plenamente reeducativo para o Espírito.

Nas anotações de Mateus, no terceiro capítulo, nos é dito sobre o batismo de João:

Eu vos batizo com a água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu (…). Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.1

O que temos aqui neste texto do Apocalipse é um desdobramento das palavras de João, o Batista, uma profecia ocorrendo.

O granizo é a água que representa para nós a justiça. A destruição que ele traz não é para extinção, mas como o Codificador nos orienta quando analisa a Lei de Destruição, para transformação. Construímos algo errado em nossa vida? Isto precisa ser destruído, ou melhor, transformado. O batismo de João era para o arrependimento, o "arrependei-vos" dito por ele é uma trombeta que soa na acústica de nossa alma. Arrependimento para conversão, conversão que é transformação mental, do homem interior; um novo padrão de vida é o desejado.

O Batista disse que "aquele que vem", que é o Cristo, nos batizaria com o fogo… é a mesma palavra que temos aqui. É o batismo do processo evolucional consciente quando adotamos a mensagem do Evangelho em nossa vida.

O fogo tem um sentido eficaz de purificação, no antigo Testamento ele simboliza a intervenção de Deus purificando as consciências.

Temos um texto no Eclesiástico que nos ajuda na compreensão:

pois o ouro se prova no fogo, e os eleitos, no cadinho da humilhação.2

Granizo e fogo misturados com sangue, é como se tudo estivesse junto no mesmo processo. Na simbologia do batismo de João temos o Espírito Santo, que é o Espírito redimido pela purificação realizada na vida em seus encaminhamentos ao testemunho. Portanto este batismo é processo antes mesmo de resultado, é através do processo que chegamos lá. Comparamos assim, este batismo do Espírito Santo com o sangue deste texto revelador.

Como dissemos, se muitos vêm o sangue como pavor, sangue também é vida. O próprio Jesus simbolizou a Nova Aliança com o sangue, o Seu sangue que seria derramado em favor de muitos. Trata-se do plano aplicativo do Evangelho, é o operacional do dia a dia, o exemplo vivo de Jesus circulando em nós através de nossas atitudes renovadas.

Portanto, nesta primeira trombeta o que temos é um batismo do Espírito promovendo nele novos lances em favor de sua evolução.

Não esqueçamos, mesmo aqueles que estão provisoriamente no mal, todos são filhos de Deus, estes acontecimentos escatológicos jamais vêm para perda destes ou de quem quer que seja, mas para cumprir um papel transformador de suas almas objetivando a salvação plena. Pois se um pai humano que tem um amor imperfeito sempre perdoa seu filho amado, e quer estar junto dele para sempre, o que não podemos dizer de Deus, que é Pleno em todas as Perfeições, em relação aos Seus filhos, mesmo os ainda pecadores?

uma terça parte da terra se queimou, um terço das árvores se queimou e toda vegetação verde se queimou. Quando estudamos a gênese mosaica a partir do primeiro livro do Antigo Testamento vamos ver que a primeira produção da terra foi a vegetação verde, "ervas que deem semente"3.

Assim, nos colocando no centro da revelação, e como objetivo maior de nossos estudos buscando o aperfeiçoamento do Ser perfectível que somos, vamos ver que esta terra somos nós mesmos e que esta vegetação verde são nossas criações mentais, que como sementes produzirão árvores, frutos, novas sementes, e assim por diante.

Esta queima de terça parte da terra e das árvores, representam a queima de nossas construções no terreno das ilusões e da transitoriedade. São aqueles componentes de natureza inferior que criamos baseados na mentalidade antiga que é aquela que nos faz o centro do Universo. Estas criações devem ser destruídas por esta chuva de granizo misturada com fogo e sangue para que o novo possa ser estabelecido em nós e a partir daí gerenciarmos melhor nossa evolução.

Notemos que só uma terça parte será destruída, não tudo, por quê? Porque não podemos destruir o nosso ser por inteiro, isso seria voltar a estados anteriores e inferiores de nossa evolução o que não é possível já que o Espírito não retrograda. Não há como mexer no nosso subconsciente, deste faz parte aquilo que já vivenciamos; é o passado, criações já realizadas. Deste modo só podemos interferir no presente que são nossas construções atuais, é no plano das realizações do hoje que temos que realizar a queima, daí nossas provas e expiações, nossos desafios no campo do testemunho.

Mas pode-se perguntar, o texto diz que toda vegetação verde se queimou; é que esta vegetação simbolizando nossas primeiras criações, representam nosso plano mental, nossa forma de agir, nossos interesses e anseios, trata-se de nossa participação dinâmica na criação, e isto tudo tem que ser transformado na base. A Nova Criatura tem que realizar completamente diferente da antiga, seus interesses e anseios devem ser outros, nossas criações na negatividade devem ser mesmo purificadas, queimadas. Só assim, preservando as lições anteriores, mantendo o foco e os objetivos superiores que são determinísticos em Deus, mas mudando nossa vida hoje, criaremos a nova mentalidade que é a base do Ser renovado que devemos ser segundo a Vontade de Deus através do plano aplicativo do Cristo.

1 Mateus, 3: 11

2 Eclesiástico, 2: 5

3 Gênesis, 1: 11 e 12


   Extraído do  Livro "Segredos do Apocalipse" disponível em :




quinta-feira, maio 05, 2022

Segredos Do Apocalipse - Os Cento e Quarenta e Quatro Mil (quem são?)

#Pública


                                                                                                                                                                                                                        


Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel.

(Apocalipse, 7: 4)


Podemos ver este "outro anjo" também simbolizando a própria Lei Maior da Vida, pois ele era o encarregado de marcar as criaturas com o distintivo que as caracterizariam como "servos de Deus". Pois sabemos, esta marca ou "selo", é dada ao Espírito naturalmente quando ele adere ao Plano Operacional do Criador, não sendo ninguém encarregado de ficar selando uns e outros.

O número dos que tinham sido marcados: cento e quarenta e quatro mil. Este é claramente um número simbólico. Não significa literalmente que apenas esta quantidade de Espíritos serão reconhecidos como pertencentes à Seara do Senhor.

Tem dado muito trabalho para os estudiosos deste texto descobrirem quem são estes marcados, sendo que algumas seitas garantem que são só os seus seguidores os pertencentes a este número de salvos.

Nada há mais pretensioso e ridículo do que isto, como se Deus estivesse limitado às paredes de um determinado templo ou crença religiosa. Por melhor que esta fosse isto não seria possível.

Apenas em nosso Orbe existem aproximadamente vinte quatro bilhões de Seres em evolução1 conforme nos orientam os Espíritos superiores; seria muito pouco se só cento e quarenta e quatro mil se salvassem seguindo adiante rumo a Deus. Se assim fosse, teríamos em Deus um Pai bastante infeliz por ter perdido a maioria de Seus filhos.

Sendo assim, voltamos a dizer, trata-se de um número simbólico que se refere mais a qualidade do que a quantidade. Cento e quarenta e quatro é um número pertencente à equação do "doze". Este por sua vez é um número que expressa universalismo. São doze as tribos de Israel e isto tem grande significação, do mesmo modo doze os apóstolos de Jesus, doze os meses do ano. Centro e quarenta e quatro é doze vezes doze o que amplia ainda mais este conceito de totalidade e universalidade.

O que este número quer dizer é que todos, ao seu tempo, que pertencem ao Israel de Deus que é toda humanidade, se salvarão, te todas as tribos de Israel virão Espíritos para o Reino do Pai Eterno que é Amor.


Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?2


Portanto, o único evento determinístico da evolução é o aperfeiçoamento dos Espíritos, todos chegarão à perfeição mais cedo ou mais tarde, com maior ou menor sofrimento, isto é questão de cada um, como cada um escolher e levar a sua vida.

Deus criou o Céu que é o Mundo Espiritual Superior onde não existe matéria e nenhuma de suas contaminações, e todos chegarão lá, esta é a Vontade do Criador e Sua Vontade é Lei.

Todavia isto não impede que neste momento significativo de nosso planeta muitos Espíritos rebeldes não se ajustem ao caminho do Bem e ainda tenham que passar por sofrimentos que lhes parecerão eternos. Entretanto, a palavra "eterno" que quer dizer o que não teve princípio e nem fim só pode ser aplicada a Deus. Assim, nenhum sofrimento será eterno, mesmo que muito longo ele terá fim um dia quando aquele que sofre reconhecer a grandeza do Criador e os objetivos da vida e assim se converter do mau para o bom caminho que é o de Deus apontado por Jesus Seu Cristo.


1 Estes são números apenas de nosso planeta entre os encarnados e desencarnados. Pensemos que no Universo existem inumeráveis planetas como o nosso, espalhados por bilhões de Sóis e Galáxias. Deus não é Deus só do planeta Terra, mas de Universos…

2 Esequiel, 33: 11


  

Siga-nos também no:

 @claudiofajardoautor


sexta-feira, abril 22, 2022

Segredos do Apocalipse - Não Danifiqueis a terra, o mar, as árvores....

#Pública





"Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores, até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus". (Apocalipse, 7: 3)


Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores; aquele que estava mais próximo de Deus trazia uma nova ordem a ser cumprida: Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores; deveria ser dada uma nova oportunidade, talvez devesse ser visto outros ângulos da questão. Quem sabe assim outros não pudessem obter misericórdia?

Terra, mar e árvores significando que em nenhum nível deveriam ser julgados os Espíritos ainda, nem no plano coletivo, nem no individual; poderia ser considerado ainda um tempo de Graça.

Há momentos em que os eventos expiatórios acontecem, terremotos, maremotos, furacões, guerras, enfermidades, acidentes, entretanto há sempre Espíritos que escapam na última hora, têm ainda uma nova oportunidade...

Além do que já comentamos podemos daqui retirar importante consequência moral. Muitas vezes somos colocados em nossa vida em posições em que temos de fazer justiça, em que temos que avaliar e julgar; porém, precisamos refletir, se já possuímos "o selo do Deus vivo" com que o Evangelho nos marca através de sua vivência, devemos então exercer tal função de forma diferente, ser cristão é um diferencial, e jamais, mesmo tendo que exercer justiça, devemos dissociá-la da misericórdia; misericórdia quero, e não sacrifício1, é o que diz a Voz de Deus nas Escrituras e que deve ser gravada em nossos corações.


até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus; a "marca" de Deus, ou o "selo" de Deus é o distintivo que diz que a criatura já compreendeu o mecanismo da vida e já está a serviço do Criador. Ela é dada quando o Ser se ajusta ao Plano Operacional de Deus.

Quando a criatura já é detentora deste "selo" ela é naturalmente protegida de tudo que lhe poderia causar qualquer dano. Dizem os Espíritos que quando um momento provacional chega e encontra o Espírito a serviço de Deus, a Misericórdia adia a cobrança.

É que aquele que já implementou em si o novo modelo de vida onde a cooperação e o serviço passam a ser a tônica de suas ações, cria em si mecanismos de defesa onde a própria Lei o defende e protege.

No capítulo anterior, no décimo primeiro versículo, quando da abertura do quinto selo, foi dito aos mártires que são os que testemunham o Evangelho a ponto de entregarem sua vida a ele, que aguardassem um pouco mais até que se completasse o número de irmãos que iriam ser mortos como eles.

Sabendo que esta era uma morte para o mundo, para as coisas velhas, os Espíritos superiores envolvidos no processo sabiam que ainda haviam outros elementos que já estavam em condições de testemunharem e assim obter o "selo" de Deus e consequentemente se encaminharem para a Vida Abundante. É o que diz este versículo: até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus.

Na fronte significando que este será destacado pelo seu quadro mental capaz de gerar novas atitudes e novos sentimentos. Este será o sinal do Cristo na criatura.

1 Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos. (Oséias 6:6)


Texto Extraído do Livro: "Segredos do Apocalipse", cap 7


Disponível em: https://www.institutodesperance.com.br/






  

terça-feira, abril 12, 2022

O Mistério do Espírito da Verdade

#Pública







Muitos de nossos irmãos espíritas têm evitado falar, escrever ou dar qualquer opinião sobre a identidade do Espírito da Verdade. É compreensível, para não gerar polêmicas desnecessárias, todavia não podemos fazer disso um enigma.

Se perguntarmos a qualquer liderança evangélica ou católica sobre a identidade do Espírito Santo, eles se não desconversarem, vão dizer que isto faz parte do "Mistério da Santíssima Trindade".

Até aí tudo bem, todavia em Espiritismo não há mistério, portanto não podemos criar o "Mistério do Espírito da Verdade".

Não queremos dizer com isso que tudo já foi revelado pela Doutrina Espírita, esta por ser uma ciência é também evolucionista devido a sermos também Espíritos em evolução e não termos condições de tudo sabermos.


Recentemente li um livro que dizia que o Médium Chico Xavier acreditava ser identificado o Espírito da Verdade como João Batista, o Precursor. Não sei se este informe é verdadeiro, pois o autor do livro alterna entre comunicações confiáveis e outras não.

Entretanto, esta informação tem alguma lógica, apesar de o próprio Médium Xavier ter recebido através do Espírito André Luiz um livro (Missionários da Luz) em que o Mentor Alexandre afirma ser o próprio Jesus o "Espírito da Verdade".

Dito isto podem nos perguntar, mas então onde está a lógica de ser João Batista o Espírito da Verdade, e por que Chico Xavier acreditava nisto?

Deixemos isto para o final, vamos analisar sobre a possibilidade de João ser o Espírito da Verdade.



Na passagem do da Transfiguração de Jesus (Mateus cap. 17) podemos extrair vários ensinamentos, entre eles a informação dita pelo próprio Senhor de que João Batista era a reencarnação do profeta Elias.

Mas, há mais, conforme depreendemos dos versículos abaixo:


E os discípulos lhe perguntaram: "Então, por que os escribas ensinam que é preciso que Elias venha primeiro?" Ao que Jesus lhes respondeu: "Elias, com certeza, vem e restaurará todas as coisas. Eu, todavia, vos afirmo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram e fizeram com ele tudo quanto desejaram. Da mesma forma, o Filho do homem irá sofrer nas mãos deles". Os discípulos entenderam, então, que era a respeito de João Batista que Ele havia falado. (Grifos meus) (Mateus, 17: 10 a 13


Veja que o Mestre nos dá duas importantes revelações:


Elias, com certeza, vem e restaurará todas as coisas.


Elias já veio, mas eles não o reconheceram


O Evangelista disse que os discípulos entenderam que Ele falara de João Batista. Ou seja, Elias veio reencarnado como João. Todavia disse também, "Elias com certeza vem e restaurará todas as coisas"

Esta parte diz de um acontecimento futuro, ele já havia vindo, mas ainda havia de vir. E diz mais, ele (Elias, ou João) "restaurará todas as coisas."

E esta, não é uma das missões do Espiritismo que tem por mentor o Espírito da Verdade?

Vejamos o que diz Jesus conforme narrado pelo evangelista João:


Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. (João, 14: 26)

E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. (João, 16: 8)
Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. (João, 16: 13)


Ou seja, reviver a mensagem original do Evangelho é uma das missões da revelação do Espírito da Verdade. Assim, "Ele restaurará todas as coisas"


Como dissemos, nosso interesse não é causar polêmica, nem estamos afirmando que esta é a identidade deste valoroso Espírito, todavia, existe esta possibilidade.

Vejamos ainda como curiosidade uma mensagem do Espírito Humberto de Campos também psicografada por nosso querido Chico. Mensagem esta, diga-se de passagem, bem sugestiva, e que consta do Livro "Boa Nova" e relata um encontro de Maria (mãe de Jesus) com Isabel (mãe de João Batista) observando de longe um diálogo entre Jesus e João:


Quem poderia saber qual a conversação solitária que se travara entre ambos? [entre Jesus e João, quando crianças] – diz o autor espiritual -
Distanciados no tempo, devemos presumir que fosse, na Terra, a primeira
combinação entre o amor e a verdade
, para a conquista do mundo (Boa Nova, cap. 2) (Grifos nossos)



E sobre a possibilidade de ser o próprio Senhor o Espírito da Verdade como nos informa o orientador de André Luiz, Alexandre, o que podemos dizer?

Nós particularmente pensamos, e isso é uma opinião pessoal, que o Espírito da Verdade não é uma reunião de Espíritos Superiores, apesar de saber que o verdadeiro Espírito da Verdade, não só pode ter como é certo que tenha, uma Legião de Espíritos Superiores a serviço do bem e da implantação do Evangelho no coração das criaturas.

Deste modo acreditamos ser o Espírito da Verdade uma "pessoa" se é que assim podemos nos exprimir.

Quanto a ser Jesus, é plenamente possível, porque se não for Ele, é certo que, em última instância é Ele quem dirige todos os eventos espirituais do Orbe designado que foi, por sua incomparável evolução, pelo Pai, Criador de todas as coisas. E conforme ele mesmo afirmou:


Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida... (João, 14: 6)


Jesus, por já ter-se integrado na Unidade Divina é não só a Verdade Maior, como o Espírito mais Santo que existe em nosso Orbe, desta forma não é contradição dizer ser ele o Espírito da Verdade. Entretanto, Ele pode ter também designado outro Espírito para exercer esta missão. Como fez na mensagem do Apocalipse em que Ele designou, segundo o evangelista, um Anjo para expressar a mensagem reveladora.

 Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe concedeu para mostrar a seus servos os acontecimentos que em breve devem se realizar, e que Ele, por intermédio do seu anjo, expressou ao seu servo João, (Apocalipse, 1: 1)