sexta-feira, julho 19, 2019

Lendo os Salmos à Luz do Novo Testamento e da Doutrina Espírita

 Salmo 22: O Salmo que Jesus Orou 

Leia aqui Salmo 22: 1 a 6

Este é um Salmo mais que especial. É um dos mais citados e utilizados pela tradição cristã.  Os relatos da paixão de Cristo se inspiram nele.
Esteve como oração na boca do próprio Jesus. É sem dúvida um Salmo de profecia messiânica e mais; ao nos dizer da humanidade do Messias fala dEle como modelo. Neste passo nos identificamos e passamos à condição do Orante,
Devido a especialidade do Salmo, iremos comentá-lo mais detalhadamente.
Podemos ver nele dois lances distintos:
Súplica: Versículos de 1 a 22
Louvor  e agradecimentos futuros como esperança de libertação: Versículos 23 a 31
Importa-nos ainda destacar a urgência do salmista devido ao seu grande sofrimento, e sua atitude nobre: não pede punição para aqueles que o fazem sofrer e nem relaciona o sofrimento a nenhuma culpa ou transgressão que tenha cometido.
Neste ponto temos importante aprendizado principalmente para nós  espíritas: nem todo sofrimento  é expiação pode ser apenas uma prova aperfeiçoando o Espírito. Talvez esteja aqui a compreensão do sofrimento de Jó. Não se trata de retribuição, nem mesmo de causa e efeito, talvez oportunidade de crescimento espiritual.
O primeiro versículo foi repetido como oração por Jesus:
Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste (Salmo 22:1)
É preciso ver as diferenças dele na boca de Jesus e na nossa quando oramos.
Jesus é o Guia e o Modelo para toda humanidade (cf. O Livro dos Espíritos, Questão 625)
Ele não precisava passar por nada que passou, se assim o fez, foi por amor e para ensinar-nos o "caminho" para Deus. Pode até mesmo se identificar com o "caminho"  por ter feito ele com excelência; assim, adquiriu autoridade.
Desta forma ao orar este verso participando de nossa humanidade Ele carinhosamente nos ensina dizendo que vamos passar por momentos de tão grande dificuldade que sentiremos como se Deus tivesse nos abandonado. Estes momentos são aqueles em que ninguém pode nos ajudar, temos de passá-los em solidão.
Existem circunstâncias em nossa vida que somos só nós quem temos que resolver. Neste instante temos não o abandono de Deus, mas Ele fica oculto, os amigos espirituais se afastam não por negligência, mas para nos deixar testemunhar. É este instante que está em foco no verso, é uma realidade pela qual temos de passar; em Jesus é ensinamento, é Ele educando nosso Espírito imortal.
Em nossa boca a oração não deve ser protesto, mas  clamor confiante.
 O Segundo versículo quebra a sequência de outros Salmos. Normalmente aquele que ora clama e o Senhor responde.
Aqui Ele não responde, nem à noite o salmista tem descanso.
Como comentamos trata-se daquele momento provacional por qual todos passamos, momento de grande significação, em que o Criador e os Espíritos Consoladores nos observam de "longe".
Muitas vezes, neste instante, buscamos o conselho de um amigo e não o encontramos, outro, e também não; buscamos nos socorrer com uma página de um livro edificante e a mensagem sorteada é completamente distante da nossa necessidade. Faz parte, nas horas definidoras de nossa evolução temos de decidir a sós, escolher o caminho e nos mantermos nele, é a opção de cada um.
"Deus é Santo", habita em nossos louvores (vers. 3), que são nossas atitudes em obediência a Ele. Só assim, em santidade, que é a realização do projeto Dele para nossa vida, habitaremos em Seu santuário e Ele em nós, em nosso coração.
Nossos pais (vers 4) representam aqueles que nos antecederam na doutrina do Cristo. Podemos vê-los na revelação primeira do Antigo Testamento, na segunda do Novo Testamento, ou na terceira, a dos Espíritos consoladores.
No quarto e quinto versículos a expressão de confiança se repete por três vezes. Já dissemos alhures que no contexto do Antigo Testamento confiar é testemunhar Deus e entregar a Ele a vida e as atitudes.
No Novo Testamento esta confiança e fidelidade é tratada como "fé", que é o ato de estar comprometido com o amor de Cristo.
Nossos pais serviram de exemplo e foram salvos, e nós, que exemplo estamos deixando para os nossos filhos?
O vocábulo "vermes" (Vers. 6) é usado outras vezes na Escritura em outros contextos, aqui ele tem uma conotação social.
Sabemos que somos quase nada diante de nossa destinação futura, porém, quando assumimos uma vida buscando espiritualidade, somos vistos por aqueles que nos rodeiam como um "bichinho esquisito", eles ainda presos à retaguarda não compreendem a transformação que está operando em nós, não somos mais vistos como "homens" comuns.
(continuará na próxima postagem)

terça-feira, julho 16, 2019

O Cavalo Branco do Apocalipse


Vi então o céu aberto: eis que apareceu um cavalo branco, cujo montador se chama "Fiel" e "Verdadeiro" ele julga e combate com justiça. (Apocalipse, 19: 11)

Como temos dito este décimo nono capítulo é muito significativo para este momento em que estamos vivendo. Ele narra eventos que estão ocorrendo e ainda vão se dar neste instante que é o fechamento de um ciclo de evolução planetária.
São ocorrências que têm o objetivo de preparar o orbe e a humanidade de um modo geral para o Advento do Messias que é popularmente conhecido no meio cristão como a Segunda Vinda de Jesus.
É preciso compreender que este advento significa o momento em que os ensinamentos de Jesus serão coletivamente vivenciados, em que o Sermão do Monte será a constituição única do planeta. Como dizia nosso saudoso amigo Honório Abreu, a volta de Jesus não será física no sentido de Ele encarnar, será operacional.
Ele mesmo, Jesus, foi sutil, porém claro:

Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.1 ( grifo nosso)

Portanto, a segunda vinda de Jesus, como é chamada, não é um evento que se dará em um dia, “será um processo gradual composto de várias fazes”2
Com segurança afirmamos que este processo já está acontecendo, a cada dia que passa ele se abre ainda mais para nossa percepção.
Vi então o céu aberto; momento claro de relacionamento entre o mundo físico e o espiritual, sendo este um dos principais objetos do estudo da doutrina espírita.
Esta expressão céu aberto indica um momento de uma comunicação mais ampla dos Espíritos com os encarnados e isso inicia nos meados do século XIX com os eventos que, estudados por Kardec, deram origem à Codificação Espírita.
...eis que apareceu um cavalo branco; este “aparecimento” não se deu ao acaso, a humanidade foi preparada para este momento. Revolução industrial, iluminismo, avanço da ciência, tudo isto e muito mais foram acontecimentos carinhosamente preparado pela Espiritualidade superior sob a direção do Cristo, para que no momento ideal pudesse aparecer.
Um cavalo branco; o cavalo é um instrumento de transporte, de trabalho. Nele temos força. Era um animal militar. Temos aí o símbolo de uma ação militar.
Todavia, esta ação militar sugerida não se trata de uma guerra armada conforme conhecemos, mas de uma luta, guerra mesmo, importante, contra a impiedade e todas as forças do mal. Trata-se de um combate espiritual.

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé3

Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.4

Podemos ver neste cavalo como instrumento deste combate espiritual, o médium espírita evangelizado que transporta o Cristo com a força da verdade.
Nosso querido Chico Xavier, que é um destes, dizia não ser cavalo; mas em sua humildade sincera, apenas um burrico, sugerindo que o cavalo era Kardec.
Muitos espíritas podem ver aí uma contradição, pois Kardec não era médium. É preciso corrigir este entendimento. Não era médium ativo no sentido no sentido de receber comunicações em reuniões mediúnicas, entretanto foi um médium sensacional na organização e codificação da doutrina dos espíritos, trabalhando amplamente com os recursos da intuição que também é mediunidade.
Só assim, pôde formatar a Terceira Revelação.
Portanto, com toda segurança podemos ver no símbolo do cavalo branco a figura do codificador do espiritismo.
Branco sugerindo pureza, união, paz e muitas outras virtudes conquistadas nos milênios de experiências reencarnatórias.
Podemos ainda como sutileza trabalhar com o seu nome de registro: Hipolyte.
Hipo é um elemento de formação de palavras que exprime a ideia de cavalo, Do grego híppos, «cavalo».
Lite é um elemento de formação pospositivo, de origem grega e carácter nominal, que exprime a ideia de pedra e ocorre em nomes de minerais (picrolite).5
Portanto temos “cavalo” e “pedra”. Pedra é um dos símbolos da própria revelação:

Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...”6

...cujo montador se chama "Fiel" e "Verdadeiro"; dissemos, o “cavalo” é o instrumento, ele transporta. O autor do Apocalipse nos ajuda falando sobre o quê este cavalo transporta e aqui podemos dizer também, como pergunta, quem?
Fiel e verdadeiro é o nome do cavaleiro. Lembremos, qual era o nome do guia espiritual de Kardec? Verdade era o nome que ele se dava por conhecer. Concluímos assim, que este “montador” era o Espírito de Verdade, que na direção de todos os trabalhos, era o próprio Cristo, que tinha como maiores instrumentos, a fidelidade, a obediência e o amor, verdade por excelência, a Deus acima de todas as coisas. Portanto, fiel e verdadeiro.
...ele julga e combate com justiça. No antigo Testamento justiça era viver de acordo com a Torah. A Torah era Palavra de Deus e obedecê-la era tido como justiça.
O Papa Bento XVI diz que “O Sermão da Montanha” é a Torah de Jesus, ou Torah do Messias.7
É uma ideia que este combate e justiça aqui tenha por base "O Sermão da Montanha" de Jesus, que é a síntese de toda a Mensagem Cristã.
O combate já dissemos, é espiritual. A justiça de Jesus, por ser um Cristo, um Espírito em comunhão perfeita e indescritível com Deus, que é amor, está por assim dizer absorvida pelo amor que é maior.
Temos deste modo, conforme expressa a Codificação Espírita, a Lei de Justiça, Amor e Caridade como Lei única.
Daí depreendemos que este “julgamento” não é como o de um juiz de nosso plano que sentencia uma pena. Podemos entender este “julgamento” como uma seleção em que os ajustados ao sentimento de bondade serão promovidos a mundos felizes, e os recalcitrantes no mal condenados a novo ciclo expiatório em mundos mais afins com seu estado de maldade.
Aí temos a Lei completa aplicada: Justiça, Amor e Caridade.

Extraído do Livro: Segredos do Apocalipse (a publicar)


1João 14: 23
2Champlin 6º Vol. Pág. 624
32 Timóteo, 4: 7
4Efésios, 6: 12
5Consulta feita no Site: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa, em 16/07/2019
6Mateus, 16: 18
7Jesus de Nazaré, cap 4 Ed. Planeta SP 2007

quinta-feira, julho 04, 2019

Salmo 18 - Breves Considerações

 
 

Este é um Salmo longo. A Bíblia hebraica coloca como seu título "cântico de Louvor a Deus". Trata-se de um hino em que o autor dá graças pelas muitas bênçãos recebidas.

Para compreendermos o contexto histórico é importante ler o capítulo 22 do Segundo Livro de Samuel, que é outra versão do Salmo com pequenas variações.

Davi foge de Saul e de seus inimigos, e o Senhor o livra de todos; assim, ele, o autor do Salmo, conta a todos os benefícios recebidos.

É mais uma oração em que o autor além de expor as graças recebidas coloca sua confiança no Senhor, sua retidão nos procedimentos, e por isto, a ação de Deus livra-o de seus inimigos.

Os personagens são os mesmos de outros Salmos: o orante, Deus e os inimigos. Entretanto, o Salmo diz algumas coisas que merecem ser destacadas.

Ele inicia falando diretamente com Deus expressando um amor profundo, visceral.

Rapidamente ele alterna e começa a narrar colocando Deus na 3ª pessoa, mais à frente (vers. 25) ele volta à 2ª pessoa contando ao Senhor o que Ele próprio fez, como se Ele não soubesse.

Notamos aí uma necessidade que é também nossa, a de falar a Deus em nossas preces o que Ele já sabe. Na verdade, aprendemos com isto que a necessidade é nossa de ouvir o que dizemos como forma de fixar em nós a virtude ou a gratidão, através do que reafirmamos.

Outra questão a se destacar no Salmo confirmando o entendimento espírita, é o cenário da ação, o plano operacional de Deus em três níveis.

 
  • Plano espiritual superior (céu)
  • Plano físico (Terra)
  • Plano espiritual inferior (inferno)

A ação daquele que ora tem de ser em seu nível de ação, horizontal, na Terra. O mundo espiritual inferior age - inimigos - invadindo o mundo físico e a intimidade de cada um; eles – os inimigos – não conseguem atingir Deus, assim tentam violá-lo através daqueles que têm débito por serem transgressores da Lei maior (os encarnados). Para alcancem a proteção do Alto, os situados no mundo físico têm de verticalizar seus sentimentos através de suas atitudes na horizontalidade (plano operacional)

 

"Recompensou-me o Senhor conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.

Porque guardei os caminhos do Senhor,...

... e não rejeitei os seus estatutos." (Salmo,18: 20 a 22)

 

Este é o ponto principal que devemos entender do Salmo, não podemos lutar sozinhos contra os inimigos, sejam eles encarnados, desencarnados, ou seja nossos próprios sentimentos inferiores, precisamos de ajuda do Alto, mas para tal temos de atuar "em baixo". Deus age, a vitória é certa, mas é imperioso nossa colaboração na batalha humana.

 

"Tu deste grande vitória a teu rei, foste leal com teu ungido, com Davi [que somos cada um de nós] e sua descendência para sempre (Salmo, 18: 50)

 

 

Leia aqui o Salmo 18:

segunda-feira, julho 01, 2019

Princípio do Evangelho de Jesus Cristo

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O Evangelho de Marcos é tido pelos estudiosos como o primeiro Evangelho narrativo. Antes, tínhamos apenas alguns manuscritos dos apóstolos,não formando nenhum dos livros como hoje os conhecemos.
Já no primeiro versículo o autor diz:

"Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus"

Princípio; temos aqui uma ressonância do Gênesis (Gn, 1: 1); também Oseias inicia do mesmo modo (Os, 1: 2)
Com isso é provável que o evangelista quisesse dizer do início de uma "nova ordem"  que começa com Jesus.
Uma nova criação?
Não temos dúvida que com o Nazareno temos uma Nova Revelação.
A segunda palavra é Evangelho.
Evangelho tem sido traduzido como "Boa Nova", "Boa Notícia". está correto, mas vai mais além.
O imperador romano era tratado como divindade, senhor do mundo, e também salvador. Suas mensagens eram chamadas de evangelho. O que vinha dele era evangelho.
Assim, Marcos usa esta palavra para designar a "notícia" do Reinado de Deus. Evangelho para a ser a Mensagem de Deus para a humanidade, Ele é O Senhor do Universo, o Redentor. (Cf. Jó, 19: 25).
Isaías, ou o autor do segundo Isaías, um profeta messiânico, usa o termo do mesmo modo:

Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus.(Isaías, 40: 9)

Concluindo o versículo Marcos diz de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ou seja, apresenta Jesus cm um título messiânico: Filho de Deus. Ele é assim, o Messias é quem traz com Ele o Reinado de Deus.
Desta forma, compreendemos o centro da mensagem de Marcos é "o  Reino de Deus está próximo". e Ele coloca estas palavras na boca do próprio Jesus. (cf. Mc, 1: 15)
Na sequência Jesus diz aos primeiros discípulos:

Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens.(Marcos, 1: 17)

Fica claro, se Jesus como Messias é quem traz com Ele o Reinado de Deus, nossa missão como cristãos, isto é, semelhantes a Ele, não é menor.
Pescar homens, convertendo seus corações ao Reino de Bondade temo que ser a meta de cada um de nós.
O autor finaliza deste modo seu livro:

Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos, 16: 15) 

Citamos ainda Isaías:
 
Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!  (Isaías, 52: 7

Queridos irmãos, tenhamos vigilância, é aí que inicia o perigo.

Veja o que diz o escritor católico Alfred Loisy sobre o tema:  Jesus anunciou o Reino e o que veio foi a igreja. (Citado pelo Papa Bento XVI)
Ao que o próprio Joseph Ratzinger comenta em seu livro Jesus de Nazaré:

Nesta palavra pode ver-se uma ironia, mas também uma tristeza.

Para encerrarmos ficamos com o que disse Léon Denis como alerta para todos nós:

O Espiritismo será o que fizermos dele.

Assim, tenhamos atenção...

sexta-feira, março 29, 2019

O Evangelho de Paulo - Prefácio


O autor deste livro, — Cláudio Fajardo — é desses pesquisadores incansáveis do evangelho, que tanto contribuem para aumentar o nosso conhecimento. Agora, traz-nos este O Evangelho de Paulo
comentando a Carta aos Gálatas, no que faz excelente obra.
Esta Carta foi o primeiro documento escrito do evangelho, em torno do ano 48; aquela De Tiago veio logo após. Precedeu os evangelhos narrativos. O que havia no ano 48 eram fragmentos de
Jo, Mc e Mt, as perícopes [passagens] um dia colecionadas nos lecionários [leituras] e hoje incorporadas aos evangelhos narrativos.
Os gálatas eram um remanescente de povo celta habitando a fronteira moderna entre Turquia e Síria, ao redor da cidade de Edessa. O primeiro povo a ser amplamente evangelizado; o rei
Abgar conheceu Jesus pessoalmente, parece, e se preocupou em divulgar a Boa Nova entre eles; assim diz a tradição.
Ali Paulo anunciou o evangelho da liberdade. Diz aqui o autor da presente obra, "a liberdade está na essência da Criação".
O Eterno age por amor, quer dizer, com liberdade. O judaísmo daquele tempo queria "obrigar" ao amor, pela lei. A normativa legal dizia, devemos amar ao próximo ainda que isso contrarie o nosso interesse. Mas era sempre uma obrigação, um constranger.
Em hebraico, a palavra mandamento é Mitzvah, quer dizer solidariedade. Literalmente, "repartir o pão". Este o espírito da lei mosaica. Mesmo no famoso "olho por olho", o mandamento diz assim, "se dois homens brigam, e por isso uma mulher grávida aborta, então olho por olho, dente por dente, vida por vida". Moisés não consagrou a vingança e sim a radicalidade do amor.
Paulo de Tarso alertou desde sempre, baseado em sua experiência pessoal, que o amor constrangido leva a desvios. Podemos dizer, em paradoxo, que ele condenou Estêvão à morte por amor; porque o interesse de muitos deve sobrepujar o de um só. Em prol do grupo, devemos renegar o nosso bem-estar. E no caso, na sua óptica, tratava-se de defender a comunidade contra aquilo que ele, Paulo, definia como um grave erro doutrinal, o ensino de Jesus.
Contudo, o juiz implacável reconheceu mais tarde que ninguém pode ser obrigado a amar e, se isto acontece, pode dar lugar a desvios ainda maiores do que aqueles que pretendemos combater, por exemplo, embora baseada na misericórdia para a grávida, ela não podia perdoar seus atacantes no mandamento do "olho por olho" quer dizer que acabava sofrendo duas vezes, pela luta e pela pena infligida aos homens.
O Fajardo entendeu com rara felicidade, Paulo queria o amor pelo consentimento da razão e sobretudo, do coração. Traduziu Mitzvah pelo grego Charis, quer dizer, "alegria", fazendo o moderno conceito de caridade.
Sobre Paulo em si, pouco sabemos, apesar disso é a mais conhecida das figuras da Antiguidade. Nasceu em Tarso mod. Turquia e circulava nas altas rodas do mundo grecorromano. Cursou a universidade grega e a judaica, inteirou-se dos dois mundos; aprendeu com Gamaliel, sucessor de Hilel, aquele que disse, "a misericórdia resume a lei inteira".
A parentela de Paulo caracteriza-se no Talmude, Berakot e outros livros: eram comerciantes. Eram chefes de sacerdotes, cargo equivalente a «primeiro ministro». Descritos como cultos e abastados, alta classe média. Escribas da escola hilelita. Comerciavam azeitonas. Estavam em Jerusalém na fome de 48 com remota origem na Caldeia. Eram sadoquitas. Da tribo de Benjamim. Eram «grandes», quer dizer «anciãos», quer dizer, senadores. Escribas prestigiados. Fariseus em sua maioria. Viviam «Kasher», i.e., respeitando os procedimentos de pureza, quer dizer, judeus ultradevotos. De alta casta. Eram juristas. Isso, no romance Paulo e Estêvão, aparece no início, na conversa entre Paulo e [seu parente] Sadoque, o mais bem documentado familiar.
Paulo era skenopoios, fazia tendas, quer dizer os Tabernáculos. Tinha sinagoga em Jerusalém (Talmude Meguila). Era escriba.
Era jurista. Descendia de Mardoqueu o herói do livro de Ester, num ramo colateral da Casa de Davi (mas esta era da tribo de Judá no seu ramo principal). Os chefes de sacerdotes eram «dotados de
prestígio e autoridade» e legislavam em direito civil e «recebem cartas do estrangeiro» como corregedores dos sacerdotes e dos outros tribunais [palavras da época].
Agora, com Vs. O Evangelho de Paulo.consorcio
consorcio"Espíritas, amai: o primeiro dever. Educai-vos, e educai: o segundo mandamento. No amor que vos anuncio encontrareis tudo o de que precisais para a vida de além-túmulo, a mais importante.
De que tipo de amor falo aqui? Aquele amor vivido com desinteresse, abnegação e renúncia. O amor da pessoa que, sem se renegar a si mesma, abdica de si a favor dos outros."
"Não é preciso diminuir-se ou rebaixar-se para viver a renúncia. E' preciso apenas pensar no futuro que vos espera mais além.
Muitos temem amar assim, pensam que vão perder, desentendem-se da palavra caridade. Mas não há como distinguir entre o bom interesse pessoal e o bem de todos. Aquele que pensa verdadeiramente em si mesmo, pensará nos outros acima de tudo sem dúvida; pois não é possível mesmo ser feliz sozinho.
Por isso, ainda uma vez, amai. Amai sem medo. Amai a todos sem distinção, sem preconceito. Nunca temais abnegar. Amar os outros é amar a si. E o amor, meus queridos, enche o universo de estrelas, nas montanhas estende a relva como um tapete. Faz levantarem-se as ondas do mar. Deus sobretudo ama!
O amor é esperançoso. E' cheio de bondade, misericórdia, paz. O amor não se exaspera. Confia apesar de tudo, e sempre espera. Mas o amor não é sem energia, não é pusilânime nem fraco.
Covardia seria ódio, e desejamos amar. O amor é o ponto certo entre a delicadeza e a valentia. E' a pureza da fé. A esperança em ação. Tende a certeza, quem busca amar nunca se engana.
E educai. Educai a vós mesmos. Desaprendido, ninguém é livre. A ignorância acorrenta. Sacudí os grilhões da treva, pelo estudo perseverante. Estudai tudo, a ciência do mundo, os seus saberes. Nunca receeis a descrença por motivo de estudo algum.
Recebestes do Alto uma doutrina consoladora, semente bendita que precisa do conhecimento para tornar-se árvore frondosa. O Apóstolo vos diz, ...eia! Fortalecei os joelhos vacilantes, erguei-vos,
de pé! Tende Jesus Cristo por vós, sede fiéis! Do além-túmulo, vozes vos clamam, mãos vos afagam, esperai! Orai! Amai-vos uns aos outros e instruí-vos, não há outro mandamento"

(Um Espírito Amigo, pelo médium M. em dezembro de 2004, recebido no Centro Cultural pela Paz Allan Kardec).

Paulo Dias
Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2011

(Extraído do Livro "O Evangelho de Paulo" Lançamento Disponível em: www.institutodesperance.com.br)

quinta-feira, fevereiro 28, 2019

O Evangelho de Paulo

 
 
CRISTO NOS REMIU DA MALDIÇÃO DA LEI TORNANDO-SE MALDIÇÃO POR NÓS, PORQUE ESTÁ ESCRITO: "MAL-
DITO TODO AQUELE QUE É SUSPENSO NO MADEIRO".

Paulo faz uma analogia entre a crucificação de Jesus e o texto do Deuteronômio, 21: 23, que diz que o homem culpado suspenso no madeiro será um maldito de Deus.
O apóstolo faz-nos ver que Jesus, o Cristo, o Governador espiritual do planeta, se sujeitou à lei para nos livrar da maldição, que bem compreendida é o afastamento do Ser do Criador.
Jesus veio até nós através do processo da encarnação, se submeteu a todas as necessidades oriundas deste; mesmo sendo o Justo por Excelência deixou-se ser amaldiçoado pelos homens, tudo isso para nos remir do pecado. É o que diz Paulo; todavia entendamos corretamente o que significa nos remir.
Jesus não veio realizar por nenhum de nós, pois nem ele nem Espírito nenhum pode derrogar a Lei que não permite transferência de responsabilidades. O que nós desfizemos, cada um de nós terá que refazer de acordo com a sua responsabilidade, é da Lei que assim seja. O que Jesus fez foi ensinar-nos o caminho para melhor realizarmos cumprindo
assim o objetivo da Vida. Ele, como Espírito que já havia reconstruído este canal com o Pai podia, por experiência própria já vivida, ensinar-nos como atingir este ideal. Assim podemos melhor compreender, Cristo nos remiu da maldição da lei tornando-se maldição por nós.
Nós somos imortais do ponto de vista de que a imortalidade da alma é uma realidade, todavia só vamos atingir a condição de imortais no sentido de não mais morrermos, o dia que nos tornarmos espíritos redimidos pela nossa integração na Lei de Deus; pois quando este estado atingirmos não mais necessitaremos nos submetermos à lei da reencarnação que nos leva a nascer, morrer, sentir dor, contrariedades, etc., como mecanismo de depuração da alma.
Jesus ensinando-nos este caminho mostrou-nos a necessidade de cada um submeter-se à lei, tomar a sua cruz, ser amaldiçoado, e assim se erguer espiritualmente no madeiro pertinente a cada um de nós.

ASSIM, É QUE, POR MEIO DE CRISTO JESUS, DEVIAM OS GENTIOS TER PARTE NA BENÇÃO DE ABRAÃO, PARA QUE RECEBÊSSEMOS PELA FÉ O ESPÍRITO PROMETIDO.

A benção de Abraão está narrada no livro Gênesis:

E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. (...) e em ti serão benditas todas as famílias da terra. 14
 
E depois:
Gênesis, 12: 2 e 3

Então, o levou fora e disse: Olha, agora, para os céus e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua semente. E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça. Como vemos a promessa do Senhor a Abraão dizia respeito a toda humanidade: em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Todavia o povo hebreu tomou-a só para si e achava-se o povo eleito, enquanto que os outros, os gentios, não participavam da benção.
Paulo que era de origem farisaica também tinha pensado do mesmo modo, porém, a partir de sua conversão em Damasco, quando conheceu o Cristo, compreendeu claramente este erro de interpretação, pois entendeu o que Jesus dissera quando afirmou não ter vindo derrogar a Torá, mas ampliar o seu entendimento.
Deste modo, conclui ele de forma magistral este parte da carta mostrando-nos que a Doutrina do Evangelho por ser Universal incluía na benção também os gentios, do mesmo modo que todos os povos futuros que viessem aderir à proposta de renovação pelo espírito.
Hoje a Doutrina Espírita nos ajuda a compreender este Universalismo do Cristo quando nos mostra que Jesus é o responsável diante de Deus por toda a comunidade do planeta Terra; assim, todos os enviados do bem, mesmo os líderes de outras religiões ainda não cristãs são em verdade emissários do Cristo planetário para a implantação do Reino de Deus na Terra. Desta forma, concluímos com Paulo que de uma forma ou de outra, toda a Humanidade do planeta é Cristã, pois é
dirigida pela mesma noúre  que vem de Deus através do Cristo Jesus.
Assim, lembremos do ensinamento final de Jesus em seus últimos momentos fisicamente entre nós:

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (João, 13: 35)
 
E encerremos de vez com todo tipo preconceito religioso.
 
(Extraído do Livro "O Evangelho de Paulo" Lançamento Disponível em: www.institutodesperance.com.br)

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

O Evangelho de Paulo


ADMIRO-ME QUE TÃO DEPRESSA ABANDONEIS AQUELE QUE VOS CHAMOU PELA GRAÇA DE CRISTO, E PASSEIS A OUTRO EVANGELHO. NÃO QUE HAJA OUTRO, MAS HÁ ALGUNS QUE VOS ESTÃO PERTURBANDO E QUERENDO CORROMPER O EVANGELHO DE CRISTO. (GÁLATAS, 1: 6 e 7)

Como já comentamos, certo dia, Paulo recebeu a visita de alguns seguidores seus da Galácia, que comentavam que alguns elementos ligados ao judaísmo de Jerusalém, apesar de já convertidos à nova doutrina, vindos da parte de Tiago, estavam na nova comunidade dos gálatas,desenvolvendo uma oposição a Paulo, dizendo que o Evangelho ensinado por este não era o verdadeiro Evangelho do Cristo; o de Paulo era incompleto e não abordava a necessidade dos cristãos de adotar a lei mosaica.
Paulo surpreso e entristecido lembra aos neófitos da Galácia como foi que eles aceitaram bem os ensinamentos do Cristo que receberam por ele, e que se sentia admirado como que de uma hora para outra pudessem eles mudar de opinião a respeito não só dele, Paulo, mas o que era pior, a respeito dos ensinamentos evangélicos. Tinham eles sido chamados por Deus.
Aqui cabe ressaltar que a palavra Evangelho não se refere ao conjunto de livros que hoje conhecemos por este nome, neste tempo eles ainda não existiam na forma conhecida. Havia apenas os manuscritos aramaicos de Levi (Mateus), e provavelmente só as duas cartas aos Tessalonicenses escritas por Paulo.
Então, como entender aqui a palavra Evangelho?
É importante lembrarmos que tanto o que conhecemos por Novo Testamento, quanto por Antigo Testamento, antes de existirem em sua forma escrita existiram de forma oral; portanto, Evangelho aqui representa os ensinamentos de Jesus que foram disseminados entre os judeus,e a partir daquele momento também aos gentios, por seus seguidores mais próximos, entre eles Paulo, que como vimos tinha recebido sua missão diretamente de Jesus.
Os gálatas tinham aceitado rapidamente a essência da mensagem cristã que lhes fora ensinada por Paulo, então, por que agora estavam voltando atrás?
Não existe outro Evangelho, dizia o apóstolo, compreendia ele que a mensagem do Cristo era única e essencialmente espiritual, tudo o que fosse exigência da forma a manter necessidades de aparência, era exclusivamente de origem humana. Paulo foi sem dúvida alguma, entre os discípulos da primeira hora, um dos que melhor compreendeu a profundidade da mensagem do Meigo Rabi Nazareno.
Ele mostra que estes elementos na realidade estavam querendo desvirtuar a mensagem e corromper o Evangelho, seja por ignorância, ou pelo que for. Era preciso que os discípulos da Galácia praticassem a lição do vigiai estando atentos para o discernimento necessário.
Hoje a coisa se dá do mesmo modo, estejamos, portanto, atentos.
Há no meio espírita, mesmo com toda a gama de conhecimento que esta doutrina nos felicita, elementos que querem desvirtuar a mensagem cristã do Espiritismo como Kardec entendia que fosse; e querem até mesmo, alguns, dissociar a Doutrina do Evangelho.
Não esqueçamos a verdadeira posição do Codificador, quando em O Livro dos Médiuns nos afirma claramente que o verdadeiro espírita é o espírita cristão, por ser cristã a essência da mensagem espírita.
Emmanuel vai mais além; segundo este iluminado Espírito, espiritismo sem Evangelho é nau sem rumo, é pura expressão fenomênica sem a verticalização necessária que nos conduz ao objetivo maior de iluminação própria.
Podemos ainda transcender mais dizendo que, do mesmo modo que o ensino oral antecede a lição escrita, o Espírito é anterior à matéria e as conquistas daquele devem ser prioritárias em relação às desta.
Quando desejamos avançar sob a ótica de espiritualidade a retaguarda que ainda grita em nós tenta de toda forma perturbar corrompendo nosso estado de alma superior. É o homem velho, que no texto está representado pelos judaizantes, que não conseguindo mais deter o avanço do que é espiritual busca diminuir nossas conquistas e subverter nossos valores essenciais. Há necessidade nestes momentos de vigilância e oração, pois se até em nossa intimidade temos estas dificuldades, o que não poderemos então dizer no que diz respeito às pessoas com
quem convivemos?
Não nos enganemos, só há um Evangelho, o do Bem, e é a este que devemos seguir.


Extraído do Livro "O Evangelho de Paulo" de Cláudio Fajardo. (LANÇAMENTO)