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sábado, outubro 23, 2021

O Cavalo Branco do Apocalipse


Vi então o céu aberto: eis que apareceu um cavalo branco, cujo montador se chama "Fiel" e "Verdadeiro" ele julga e combate com justiça. (Apocalipse, 19: 11)

Como temos dito este décimo nono capítulo é muito significativo para este momento em que estamos vivendo. Ele narra eventos que estão ocorrendo e ainda vão se dar neste instante que é o fechamento de um ciclo de evolução planetária.
São ocorrências que têm o objetivo de preparar o orbe e a humanidade de um modo geral para o Advento do Messias que é popularmente conhecido no meio cristão como a Segunda Vinda de Jesus.
É preciso compreender que este advento significa o momento em que os ensinamentos de Jesus serão coletivamente vivenciados, em que o Sermão do Monte será a constituição única do planeta. Como dizia nosso saudoso amigo Honório Abreu, a volta de Jesus não será física no sentido de Ele encarnar, será operacional.
Ele mesmo, Jesus, foi sutil, porém claro:

Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.1 ( grifo nosso)

Portanto, a segunda vinda de Jesus, como é chamada, não é um evento que se dará em um dia, “será um processo gradual composto de várias fazes”2
Com segurança afirmamos que este processo já está acontecendo, a cada dia que passa ele se abre ainda mais para nossa percepção.
Vi então o céu aberto; momento claro de relacionamento entre o mundo físico e o espiritual, sendo este um dos principais objetos do estudo da doutrina espírita.
Esta expressão céu aberto indica um momento de uma comunicação mais ampla dos Espíritos com os encarnados e isso inicia nos meados do século XIX com os eventos que, estudados por Kardec, deram origem à Codificação Espírita.
...eis que apareceu um cavalo branco; este “aparecimento” não se deu ao acaso, a humanidade foi preparada para este momento. Revolução industrial, iluminismo, avanço da ciência, tudo isto e muito mais foram acontecimentos carinhosamente preparado pela Espiritualidade superior sob a direção do Cristo, para que no momento ideal pudesse aparecer.
Um cavalo branco; o cavalo é um instrumento de transporte, de trabalho. Nele temos força. Era um animal militar. Temos aí o símbolo de uma ação militar.
Todavia, esta ação militar sugerida não se trata de uma guerra armada conforme conhecemos, mas de uma luta, guerra mesmo, importante, contra a impiedade e todas as forças do mal. Trata-se de um combate espiritual.

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé3

Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.4

Podemos ver neste cavalo como instrumento deste combate espiritual, o médium espírita evangelizado que transporta o Cristo com a força da verdade.
Nosso querido Chico Xavier, que é um destes, dizia não ser cavalo; mas em sua humildade sincera, apenas um burrico, sugerindo que o cavalo era Kardec.
Muitos espíritas podem ver aí uma contradição, pois Kardec não era médium. É preciso corrigir este entendimento. Não era médium ativo no sentido no sentido de receber comunicações em reuniões mediúnicas, entretanto foi um médium sensacional na organização e codificação da doutrina dos espíritos, trabalhando amplamente com os recursos da intuição que também é mediunidade.
Só assim, pôde formatar a Terceira Revelação.
Portanto, com toda segurança podemos ver no símbolo do cavalo branco a figura do codificador do espiritismo.
Branco sugerindo pureza, união, paz e muitas outras virtudes conquistadas nos milênios de experiências reencarnatórias.
Podemos ainda como sutileza trabalhar com o seu nome de registro: Hipolyte.
Hipo é um elemento de formação de palavras que exprime a ideia de cavalo, Do grego híppos, «cavalo».
Lite é um elemento de formação pospositivo, de origem grega e carácter nominal, que exprime a ideia de pedra e ocorre em nomes de minerais (picrolite).5
Portanto temos “cavalo” e “pedra”. Pedra é um dos símbolos da própria revelação:

Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...”6

...cujo montador se chama "Fiel" e "Verdadeiro"; dissemos, o “cavalo” é o instrumento, ele transporta. O autor do Apocalipse nos ajuda falando sobre o quê este cavalo transporta e aqui podemos dizer também, como pergunta, quem?
Fiel e verdadeiro é o nome do cavaleiro. Lembremos, qual era o nome do guia espiritual de Kardec? Verdade era o nome que ele se dava por conhecer. Concluímos assim, que este “montador” era o Espírito de Verdade, que na direção de todos os trabalhos, era o próprio Cristo, que tinha como maiores instrumentos, a fidelidade, a obediência e o amor, verdade por excelência, a Deus acima de todas as coisas. Portanto, fiel e verdadeiro.
...ele julga e combate com justiça. No antigo Testamento justiça era viver de acordo com a Torah. A Torah era Palavra de Deus e obedecê-la era tido como justiça.
O Papa Bento XVI diz que “O Sermão da Montanha” é a Torah de Jesus, ou Torah do Messias.7
É uma ideia que este combate e justiça aqui tenha por base "O Sermão da Montanha" de Jesus, que é a síntese de toda a Mensagem Cristã.
O combate já dissemos, é espiritual. A justiça de Jesus, por ser um Cristo, um Espírito em comunhão perfeita e indescritível com Deus, que é amor, está por assim dizer absorvida pelo amor que é maior.
Temos deste modo, conforme expressa a Codificação Espírita, a Lei de Justiça, Amor e Caridade como Lei única.
Daí depreendemos que este “julgamento” não é como o de um juiz de nosso plano que sentencia uma pena. Podemos entender este “julgamento” como uma seleção em que os ajustados ao sentimento de bondade serão promovidos a mundos felizes, e os recalcitrantes no mal condenados a novo ciclo expiatório em mundos mais afins com seu estado de maldade.
Aí temos a Lei completa aplicada: Justiça, Amor e Caridade.

Extraído do Livro: Segredos do Apocalipse (a publicar)


1João 14: 23
2Champlin 6º Vol. Pág. 624
32 Timóteo, 4: 7
4Efésios, 6: 12
5Consulta feita no Site: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa, em 16/07/2019
6Mateus, 16: 18
7Jesus de Nazaré, cap 4 Ed. Planeta SP 2007

quarta-feira, abril 08, 2026

Capítulo 6 do Apocalipse: Abertura dos Selos e os Cavaleiros da Consciência



Uma leitura espiritual, prática e reeducativa

Introdução
O sexto capítulo do Apocalipse é um dos mais enigmáticos e simbólicos da revelação joanina. Nele, o Cordeiro começa a abrir os selos do livro entregue por Deus, e cada abertura desencadeia uma visão que revela aspectos profundos da condição humana e da trajetória espiritual da humanidade.
Mais do que anunciar catástrofes externas, o capítulo nos mostra que cada selo é um convite à transformação interior. Os cavaleiros, as crises e os clamores não são apenas imagens apocalípticas, mas símbolos de processos que atravessam nossa vida pessoal e coletiva.
1. O Primeiro Selo: O Cavalo Branco
  • Visão: cavaleiro com arco e coroa, saindo vitorioso.
  • Simbologia bíblica: o branco é cor da pureza e da vitória espiritual. O arco simboliza a direção, e a coroa, a conquista.
  • Aplicação prática: representa a vitória da fé autêntica sobre a ignorância. No século XXI, é o chamado para que a espiritualidade seja vivida como testemunho e não como imposição.
  • Reeducação espírita: vencer o ego e alinhar-se à Lei de Deus, lembrando que a verdadeira vitória é interior.
Nota de transição: O cavalo branco, símbolo da vitória espiritual, reaparecerá mais adiante no Apocalipse, no capítulo XIX, com um sentido ainda mais profundo, ligado ao advento da revelação espírita e à missão de Allan Kardec. Aqui, porém, ele nos convida a refletir sobre a conquista interior que antecede qualquer manifestação coletiva.
2. O Segundo Selo: O Cavalo Vermelho
  • Visão: cavaleiro com poder de tirar a paz da terra.
  • Simbologia bíblica: o vermelho é cor da guerra e da violência.
  • Aplicação prática: guerras modernas não são apenas bélicas, mas também emocionais e sociais — intolerância, ódio, polarização.
  • Reeducação espírita: cultivar paz interior, reconciliação e diálogo. O cavalo vermelho nos lembra que a paz começa dentro de nós.
3. O Terceiro Selo: O Cavalo Preto
  • Visão: cavaleiro com uma balança.
  • Simbologia bíblica: a balança representa justiça, mas também escassez e desigualdade.
  • Aplicação prática: fome material e espiritual. Muitos têm abundância de bens, mas carecem de sentido e valores.
  • Reeducação espírita: aprender a partilhar e buscar justiça social e espiritual. O cavalo preto denuncia a necessidade de equilíbrio entre matéria e espírito.
4. O Quarto Selo: O Cavalo Amarelo
  • Visão: cavaleiro chamado Morte, seguido pelo Hades.
  • Simbologia bíblica: o amarelo pálido simboliza decadência e finitude.
  • Aplicação prática: a morte nos lembra da transitoriedade da vida e da urgência de viver com propósito.
  • Reeducação espírita: compreender a morte como transformação, não fim. O espiritismo nos mostra que a vida continua e que cada desencarne é passagem para novas etapas evolutivas.
5. O Quinto Selo: As Almas sob o Altar
  • Visão: mártires clamando por justiça.
  • Simbologia bíblica: o altar é lugar de sacrifício e entrega.
  • Aplicação prática: hoje, mártires são aqueles que sofrem por manter valores éticos e espirituais em meio a um mundo materialista.
  • Reeducação espírita: suportar provas com confiança em Deus, sem perder a esperança. O quinto selo nos ensina que o testemunho da fé é força transformadora.
6. O Sexto Selo: O Abalo Cósmico
  • Visão: terremoto, sol negro, lua como sangue, estrelas caindo.
  • Simbologia bíblica: imagens de crise e transformação universal.
  • Aplicação prática: o mundo atual vive "terremotos" sociais, ambientais e espirituais. São sinais de que precisamos mudar.
  • Reeducação espírita: enxergar crises como oportunidades de renovação e despertar da consciência. O sexto selo nos mostra que a dor coletiva pode ser porta de evolução.
Conclusão: O Chamado dos Selos
O capítulo 6 do Apocalipse não é apenas uma narrativa de catástrofes, mas um mapa espiritual da humanidade. Cada selo aberto revela uma etapa da jornada:
  • O cavalo branco: vitória espiritual.
  • O cavalo vermelho: superação da violência.
  • O cavalo preto: justiça e partilha.
  • O cavalo amarelo: consciência da morte.
  • As almas sob o altar: perseverança na fé.
  • O abalo cósmico: transformação coletiva.
Este artigo é baseado no capítulo 6 do livro Segredos do Apocalipse, em que exploramos o simbolismo de todo Apocalipse sob uma visão reeducativa. O Apocalipse não descreve apenas o futuro da humanidade, mas o caminho interior de cada discípulo: abrir os selos da consciência e seguir o Cordeiro.
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quinta-feira, janeiro 27, 2022

Segredos do Apocalipse - O Primeiro Selo

#Pública





 


Neste primeiro verso do sexto capítulo de Apocalipse, temos expressões já citadas nos capítulos anteriores; que em cada ponto de nosso livro elas foram comentadas.

O verbo "ver" –vi - no princípio do versículo dá a ideia de que o médium viu vagamente o Cordeiro, em contraposição, ouviu como o estrondo dum trovão o convite do primeiro dos quatro Seres vivos.

Já comentamos sobre as diferenças entre o "ver" e o "ouvir" e o seu significado em termos de amadurecimento espiritual; a mensagem aqui é a mesma, ele teve uma maior sensibilização em relação ao som do que à imagem. O que nos diz de sua relação mais íntima com a faixa dos seres ainda em evolução do que com as do próprio Cristo.

O Cordeiro inicia a abertura dos selos - Ele abriu o primeiro dos sete selos -.

O selo representa o lacre, é algo que nos dá a ideia de um conteúdo fechado. Eles não permitem o acesso a determinadas faixas da evolução. O esquecimento proporcionado pelo estado reencarnatório pode ser um tipo de selo. A proibição dos benfeitores espirituais de visitarmos algumas regiões no Mundo Espiritual mais ligadas às trevas pode ser outro, e assim por diante. O Evangelho tem seus conteúdos selados que vão sendo abertos na medida de nosso progresso espiritual.

Lembramos que só Ele, o Cordeiro, tinha condições de abri-los, conforme dito anteriormente, devido ao seu testemunho, à sua morte, o que podemos ver como símbolo de seu processo evolutivo através das reencarnações. Reencarnações que no caso do Messias-Jesus se deu em outros orbes do Universo de Deus em tempos desconhecidos para nós, orbes que provavelmente nem mais existam do ponto de vista físico como compreendemos.

Toda vez que um Espírito encarna é como se ele morresse. Ao completar sua evolução possível ele se acha em condição de desvendar segredos maiores em relação a Deus e o encaminhamento evolutivo dos povos. É o que está contido nesta abertura dos selos, que num sentido geral e amplo em nosso orbe só o Cristo tem.

Vem! É o chamado para que o médium aprofunde sua visão. É um chamado individual. Já dissemos, quando não somos sensibilizados pelo encaminhamento natural dos fatos, somos "chamados" de forma mais contundente para realizarmos as tarefas programadas para nossa individualidade. Trata-se daquelas situações em que não encontramos forma de sairmos delas. São às vezes encarnações compulsórias num processo expiatório, outras, são missões, mesmo que singelas, que temos que desempenhar diante de pessoas e lugares em que estamos até mesmo sem compreender o porquê.

O Mundo Espiritual superior tem os seus, e vários, recursos para dizer a cada um de nós: vem! O que nos importa é "vir" devidamente ajustado com estes planos superiores e com a Vontade Soberana de Deus.




Vi então aparecer um cavalo branco; aqui iniciam as controvérsias. Há estudiosos que veem neste cavalo o símbolo do próprio Messias, outros, o do ser opositor que é o anticristo.

Todavia a maioria e é com quem concordamos vê nele a figura do Bem, de implantação do Evangelho.

O cavalo era usado na antiguidade nas atividades de guerra, daí serem visto estes cavalos do Apocalipse como símbolo de guerras e tragédias, dores e sofrimentos. Mas não foi o próprio Jesus que disse ter vindo trazer "guerra"? O que importa, deste modo, é entender que tipo de guerra traria um Ser messiânico.

Portanto, devemos ver neste símbolo, o do cavalo, um instrumento através do qual os eventos acontecem. Cada um trazendo na sua cor a característica da mensagem de que é portador.

O branco, como já foi comentado, traz em sua simbologia a paz, a vitória, a unidade. Guerra e paz são assim símbolos do próprio Cristo, daí vermos neste cavalo a representação da mensagem superior que sempre veio ao mundo através de missionários diversos desde a China milenária com Fo Hi e alguns ainda anteriores a ele, passando por Lao Tsé, Confúcio, Buda, Sócrates, seguindo através de Francisco de Assis, Kardec, entre outros, sempre veiculando a ideia crística.

Caibar Schutel em sua Interpretação Sintética do Apocalipse, viu de modo mais claro a presença de Allan Kardec neste símbolo do cavalo branco. A princípio pode parecer mais uma interpretação pessoal valorizando sua própria escola filosófica e religiosa, entretanto existem pontos a serem analisados que nos dizem claramente desta possibilidade simbólica caracterizar mesmo a Doutrina Espírita. Todavia, como este símbolo vai retornar no capítulo dezenove, onde será ampliado, deixaremos para lá os comentários a respeito.

cujo montador tinha um arco. O montador é a mensagem propriamente dita trazida pelo instrumento que é o cavalo. Aqui sim podemos ver a ideia do Cristo e do Evangelho.

Em hebraico a palavra rabi que quer dizer mestre, pode ser traduzida também por "arqueiro". Por sua vez, torah que é ensino, instrução, tem em sua raiz etimológica a palavra yara que quer dizer "lançar flechas".

Não foi o arco também definido como o símbolo da Aliança?

Eis que estabeleço minha aliança convosco e com os vossos descendentes depois de vós, e com todos os seres animados que estão convosco: aves, animais, todas as feras, tudo o que saiu da arca convosco, todos os animais da terra. Estabeleço minha aliança convosco: tudo o que existe não será mais destruído pelas águas do dilúvio; não haverá mais dilúvio para devastar a terra. Disse Deus: Eis o sinal da aliança que instituo entre mim e vós e todos os seres vivos que estão convosco, para todas as gerações futuras: porei meu arco na nuvem e ele se tornará um sinal da aliança entre mim e a terra..1

Portanto, o arco lembra a comunhão com Deus. Cristo participa dela, nós também poderemos participar a partir de nossa vivência evangélica e da entrega total de nossa vida, como Ele fez, para servir ao Criador. Lembramos neste passo da mensagem de Paulo, o apóstolo, dada a Kardec incluída em O Livro dos Espíritos:

Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a Justiça, o Amor e a Ciência…2

Deram-lhe uma coroa; a coroa é o símbolo da vitória, a outorga de um poder. Muitos têm dificuldade de ver Jesus nesta situação, pois dizem: "ele saiu derrotado, a sua foi uma coroa de espinhos".

Aí é que está o grande erro. Jesus é e foi mesmo àquela época o grande vencedor. Ele jamais quis demonstrar poder e soberania em relação às coisas do mundo; muito ao contrário Ele mesmo afirmou: eu venci o mundo.

Esta é a vitória que Ele veio ensinar a todos nós, vencermos as imperfeições, os chamamentos do mundo e as propostas de transitoriedade deste. Trata-se da vitória do Espírito.

Sua coroa de espinhos é loucura para os homens, como nos informa o apóstolo, entretanto é insígnia da Vitória Real e que deu a Ele e dará a qualquer um de nós a Coroa do Espírito através do completar de um ciclo evolucional que abra as portas do Céu e de uma Espiritualidade profunda para todos nós.

Deste modo, é fácil de compreender que Ele partiu para esferas sublimes de perfeição como vencedor e para vencer ainda, o que nos diz que esta vitória ilimitada que nos projeta a uma vida imorredoura, que era só Dele será também nossa e pertinente a este mundo que estamos construindo e que iremos transformar a partir da prática de Seus ensinamentos, em mundo regenerado e superior dentro do andamento da evolução.




Extraído do Livro "Segredos do Apocalipse" disponível em:


https://www.institutodesperance.com.br






1 Gênesis, 9: 9 a 13

2 (KARDEC, O Livro dos Espíritos. 50ª ed. 1980); Q. 1009




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segunda-feira, julho 29, 2024

Evolução e Evangelho

#Pública





...para aperfeiçoar os santos em vista do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo, até que alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo. (Efésios, 4: 12 e 13)
 
Evangelho
A palavra grega Euangelion no grego clássico indicava a "gorjeta" que era dada a quem trazia uma boa notícia. Mais tarde passou a significar uma "boa-nova", segundo a exata etimologia do termo. Falava-se de "evangelho", nas cidades gregas, quando ecoava a notícia de uma vitória militar, quando os arautos noticiavam o nascimento de um rei ou de um imperador. Ao termo estava unida a ideia de festa com cânticos, luzes e cerimônias festivas. Era, em suma, o anúncio da alegria, porque continha uma certeza de bem-estar, de paz e salvação.[i]
No império romano a boa notícia era referente ao imperador: uma nova conquista, um novo imperador, ou mesmo a sua presença em determinada cidade.
Na Bíblia, na Septuaginta, o vocábulo aparece no Segundo Livro de Samuel, 4: 10. No contexto um emissário traz a notícia da morte de Saul, achando que seria uma boa notícia para Davi pensando que este lhe daria uma recompensa:
Aquele que me relatou estar Saul morto, ainda que era como um trazendo boas novas para mim, apanhei-o e matei-o em Ziclague, aquele a quem eu devia, como ele pensava, ter dado uma recompensa por suas notícias.[ii]
No Novo Testamento a literatura denominada Evangelho foi inaugurada por João Marcos quando deu título à sua narrativa biográfica de Jesus. Entretanto, foi Paulo de Tarso quem pela primeira vez usou esta palavra em se referindo a Jesus, pois a Carta aos Tessalonicenses, aos Gálatas, aos Romanos, entre outras, são anteriores ao livro de Marcos. Todavia, quem primeiro usou este vocábulo referindo-se à Mensagem do Reino de Deus foi o próprio Jesus. (Cf. Lucas, 4: 18 e 43)
Para Paulo, o Evangelho era o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê[iii]. No Espiritismo salvação designa o fim dos ciclos provacionais e expiatórios, a libertação das reencarnações em corpos físicos. Para ele, Paulo, o verdadeiro Evangelho era a essência da mensagem de Jesus.
Nele também vós, tendo ouvido a Palavra da verdade -— o evangelho da vossa salvação -— e nela tendo crido, fostes selados pelo Espírito da promessa, o Espírito Santo.[iv]
O espiritismo em concordância com o apóstolo dos gentios nos afirma que Jesus é o nosso Guia e Modelo[v], ou seja, é através de seus ensinamentos contidos no Evangelho que atingiremos nossa meta, a desvinculação dos mundos físicos e o retorno à Casa do Pai. Não esqueçamos que Espírito Santo e Espírito de Verdade são expressões sinônimas nos falando do Paráclito (Consolador)[vi].
Assim, entendemos Jesus como nosso Salvador, pois como Ele já percorreu o Caminho, pode nos ensinar como nos encaminharmos com excelência. Daí a importância de estudarmos e praticarmos as lições de Seu Evangelho.

 
Evolução
No espiritismo a teoria da evolução está atrelada à ciência. Ela é feita em dois planos, no físico e no espiritual. Evoluem os seres, os planetas, os órgãos, as ideias etc. Todo Universo evolui.
Como isto se dá?
Nos primórdios da vida temos:
  • Geleia cósmica.
  • Mônada (princípio inteligente).
  • Ação dos trabalhadores espirituais.
  • A rede filamentosa do protoplasma.
  • Séculos de atividade silenciosa[vii]
Já não dissemos que tudo em a natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, e individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito."[viii]
Para o princípio inteligente se transformar em Espírito é preciso percorrer longa jornada evolutiva nos reinos inferiores da Natureza, em ambos os planos da vida, até obter condições para a humanização, transformando-se em um ser dotado de razão e de livre-arbítrio[ix].
... para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do sílex denuncia algum primor de técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos.[x]
Em O Livro dos Espíritos, as Entidades Codificadoras ainda nos informam:
A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período de humanização começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isto, entretanto, não constitui regra absoluta, pois pode suceder que um Espírito, desde o seu início, esteja apto a viver na Terra. Não é frequente o caso, constitui antes uma exceção.[xi]
Entretanto é preciso considerar que a humanização é apenas o início da evolução consciente, o Espírito deverá a partir daí conquistar os valores superiores da alma, só assim conseguirá atingir seu objetivo de se tornar Santo através de sua redenção.
Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito[xii].
Evolução e Evangelho
A partir do já comentado podemos fazer uma relação entre Evolução e Evangelho. A Evolução nos leva ao Evangelho ou é o Evangelho que nos leva à Evolução?
A segunda afirmativa não é totalmente verdadeira, pois a Evolução é uma Lei, ela existe desde a criação dos Universos físicos; o que ela faz é, despertando a potencialidade divina que há em nós, nos preparar para a assimilação do Evangelho. Podemos com segurança afirmar que o que o Evangelho faz é qualificar a Evolução, ou seja dar qualidade a esta. Antes da assimilação do Evangelho a Evolução é feita pelos impactos, a partir da conversão ao Evangelho ela é feita de forma consciente, com menores dores, e efetivamente mais rápida.
O princípio inteligente traz em si o modelo de sua perfeição, excelência e superioridade.
Já nos primeiros movimentos do livro Genesis, atribuído a Moisés, já vemos indícios desta Lei, o "Haja Luz[xiii]" é um mandamento divino para toda criação. Jesus confirma tal assertiva num momento mais adiante:
Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens...[xiv]
Portanto, Evangelho e Evolução estão associados desde o princípio.
Sendo o escopo do Espírito a Perfeição Moral e sendo nós espíritas conscientes disto, concluímos ser dever de todo espírita o estudo, a meditação e a vivência dos ensinamentos do Evangelho que em última instância é de Deus.
Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações.[xv]
Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará.[xvi]
Ademais, os Espíritos nos informam na questão 621a de O Livro dos Espíritos que nós homens, esquecemos e desprezamos a Lei de Deus, e que Deus quis que ela nos fosse lembrada. O Evangelho é o maior código moral ensinado aos homens para praticar devidamente a Lei de Deus. Desprezá-lo é também, no mínimo, desprezar a encarnação de um Messias Divino que demorou séculos ou milênios para ser programada e efetivada como objetivo de nos revelar esta Lei tão necessária à nossa recomposição consciencial.


 


[i] Dicionário de filosofia: acessado pelo site https://sites.google.com/view/sbgdicionariodefilosofia/evangelho em 15/07/2024
[ii] 2 Samuel, 4: 10 (Septuaginta traduzida para o português por José Cassais)
[iii] Romanos, 1: 16
[iv] Efésios, 1: 13
[v] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980. Q. 625
[vi] Cf. João, 14: 17 a 26
[vii] Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita Programa Filosofia e Ciência Espíritas Roteiro 18, acessado pelo site: https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2013/05/Roteiro-18-Evolucao.pdf em 16/07/2024
[viii] O Livro dos Espíritos, questão 607a
[ix] Idem
[x] XAVIER, Francisco C./ Waldo Vieira/André Luiz (Espírito). Evolução em Dois Mundos, 13a Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993, Primeira Parte, cap. III
[xi] O Livros dos Espíritos, questão 607b
[xii] Mateus, 5: 48
[xiii] Gênesis, 1: 3
[xiv] Idem, 5: 16
[xv] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991.
 cap XVII
[xvi] João, 8: 32

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Disponíveis também em:
 
 Se você perdeu áudios dos estudos do Honório Abreu sobre o Gênesis, acesse o  link ao lado Espiritismo e Evangelho/Honório Abreu   

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