sexta-feira, abril 22, 2022

Segredos do Apocalipse - Não Danifiqueis a terra, o mar, as árvores....

#Pública





"Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores, até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus". (Apocalipse, 7: 3)


Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores; aquele que estava mais próximo de Deus trazia uma nova ordem a ser cumprida: Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores; deveria ser dada uma nova oportunidade, talvez devesse ser visto outros ângulos da questão. Quem sabe assim outros não pudessem obter misericórdia?

Terra, mar e árvores significando que em nenhum nível deveriam ser julgados os Espíritos ainda, nem no plano coletivo, nem no individual; poderia ser considerado ainda um tempo de Graça.

Há momentos em que os eventos expiatórios acontecem, terremotos, maremotos, furacões, guerras, enfermidades, acidentes, entretanto há sempre Espíritos que escapam na última hora, têm ainda uma nova oportunidade...

Além do que já comentamos podemos daqui retirar importante consequência moral. Muitas vezes somos colocados em nossa vida em posições em que temos de fazer justiça, em que temos que avaliar e julgar; porém, precisamos refletir, se já possuímos "o selo do Deus vivo" com que o Evangelho nos marca através de sua vivência, devemos então exercer tal função de forma diferente, ser cristão é um diferencial, e jamais, mesmo tendo que exercer justiça, devemos dissociá-la da misericórdia; misericórdia quero, e não sacrifício1, é o que diz a Voz de Deus nas Escrituras e que deve ser gravada em nossos corações.


até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus; a "marca" de Deus, ou o "selo" de Deus é o distintivo que diz que a criatura já compreendeu o mecanismo da vida e já está a serviço do Criador. Ela é dada quando o Ser se ajusta ao Plano Operacional de Deus.

Quando a criatura já é detentora deste "selo" ela é naturalmente protegida de tudo que lhe poderia causar qualquer dano. Dizem os Espíritos que quando um momento provacional chega e encontra o Espírito a serviço de Deus, a Misericórdia adia a cobrança.

É que aquele que já implementou em si o novo modelo de vida onde a cooperação e o serviço passam a ser a tônica de suas ações, cria em si mecanismos de defesa onde a própria Lei o defende e protege.

No capítulo anterior, no décimo primeiro versículo, quando da abertura do quinto selo, foi dito aos mártires que são os que testemunham o Evangelho a ponto de entregarem sua vida a ele, que aguardassem um pouco mais até que se completasse o número de irmãos que iriam ser mortos como eles.

Sabendo que esta era uma morte para o mundo, para as coisas velhas, os Espíritos superiores envolvidos no processo sabiam que ainda haviam outros elementos que já estavam em condições de testemunharem e assim obter o "selo" de Deus e consequentemente se encaminharem para a Vida Abundante. É o que diz este versículo: até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus.

Na fronte significando que este será destacado pelo seu quadro mental capaz de gerar novas atitudes e novos sentimentos. Este será o sinal do Cristo na criatura.

1 Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos. (Oséias 6:6)


Texto Extraído do Livro: "Segredos do Apocalipse", cap 7


Disponível em: https://www.institutodesperance.com.br/






  

terça-feira, abril 12, 2022

O Mistério do Espírito da Verdade

#Pública







Muitos de nossos irmãos espíritas têm evitado falar, escrever ou dar qualquer opinião sobre a identidade do Espírito da Verdade. É compreensível, para não gerar polêmicas desnecessárias, todavia não podemos fazer disso um enigma.

Se perguntarmos a qualquer liderança evangélica ou católica sobre a identidade do Espírito Santo, eles se não desconversarem, vão dizer que isto faz parte do "Mistério da Santíssima Trindade".

Até aí tudo bem, todavia em Espiritismo não há mistério, portanto não podemos criar o "Mistério do Espírito da Verdade".

Não queremos dizer com isso que tudo já foi revelado pela Doutrina Espírita, esta por ser uma ciência é também evolucionista devido a sermos também Espíritos em evolução e não termos condições de tudo sabermos.


Recentemente li um livro que dizia que o Médium Chico Xavier acreditava ser identificado o Espírito da Verdade como João Batista, o Precursor. Não sei se este informe é verdadeiro, pois o autor do livro alterna entre comunicações confiáveis e outras não.

Entretanto, esta informação tem alguma lógica, apesar de o próprio Médium Xavier ter recebido através do Espírito André Luiz um livro (Missionários da Luz) em que o Mentor Alexandre afirma ser o próprio Jesus o "Espírito da Verdade".

Dito isto podem nos perguntar, mas então onde está a lógica de ser João Batista o Espírito da Verdade, e por que Chico Xavier acreditava nisto?

Deixemos isto para o final, vamos analisar sobre a possibilidade de João ser o Espírito da Verdade.



Na passagem do da Transfiguração de Jesus (Mateus cap. 17) podemos extrair vários ensinamentos, entre eles a informação dita pelo próprio Senhor de que João Batista era a reencarnação do profeta Elias.

Mas, há mais, conforme depreendemos dos versículos abaixo:


E os discípulos lhe perguntaram: "Então, por que os escribas ensinam que é preciso que Elias venha primeiro?" Ao que Jesus lhes respondeu: "Elias, com certeza, vem e restaurará todas as coisas. Eu, todavia, vos afirmo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram e fizeram com ele tudo quanto desejaram. Da mesma forma, o Filho do homem irá sofrer nas mãos deles". Os discípulos entenderam, então, que era a respeito de João Batista que Ele havia falado. (Grifos meus) (Mateus, 17: 10 a 13


Veja que o Mestre nos dá duas importantes revelações:


Elias, com certeza, vem e restaurará todas as coisas.


Elias já veio, mas eles não o reconheceram


O Evangelista disse que os discípulos entenderam que Ele falara de João Batista. Ou seja, Elias veio reencarnado como João. Todavia disse também, "Elias com certeza vem e restaurará todas as coisas"

Esta parte diz de um acontecimento futuro, ele já havia vindo, mas ainda havia de vir. E diz mais, ele (Elias, ou João) "restaurará todas as coisas."

E esta, não é uma das missões do Espiritismo que tem por mentor o Espírito da Verdade?

Vejamos o que diz Jesus conforme narrado pelo evangelista João:


Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. (João, 14: 26)

E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. (João, 16: 8)
Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. (João, 16: 13)


Ou seja, reviver a mensagem original do Evangelho é uma das missões da revelação do Espírito da Verdade. Assim, "Ele restaurará todas as coisas"


Como dissemos, nosso interesse não é causar polêmica, nem estamos afirmando que esta é a identidade deste valoroso Espírito, todavia, existe esta possibilidade.

Vejamos ainda como curiosidade uma mensagem do Espírito Humberto de Campos também psicografada por nosso querido Chico. Mensagem esta, diga-se de passagem, bem sugestiva, e que consta do Livro "Boa Nova" e relata um encontro de Maria (mãe de Jesus) com Isabel (mãe de João Batista) observando de longe um diálogo entre Jesus e João:


Quem poderia saber qual a conversação solitária que se travara entre ambos? [entre Jesus e João, quando crianças] – diz o autor espiritual -
Distanciados no tempo, devemos presumir que fosse, na Terra, a primeira
combinação entre o amor e a verdade
, para a conquista do mundo (Boa Nova, cap. 2) (Grifos nossos)



E sobre a possibilidade de ser o próprio Senhor o Espírito da Verdade como nos informa o orientador de André Luiz, Alexandre, o que podemos dizer?

Nós particularmente pensamos, e isso é uma opinião pessoal, que o Espírito da Verdade não é uma reunião de Espíritos Superiores, apesar de saber que o verdadeiro Espírito da Verdade, não só pode ter como é certo que tenha, uma Legião de Espíritos Superiores a serviço do bem e da implantação do Evangelho no coração das criaturas.

Deste modo acreditamos ser o Espírito da Verdade uma "pessoa" se é que assim podemos nos exprimir.

Quanto a ser Jesus, é plenamente possível, porque se não for Ele, é certo que, em última instância é Ele quem dirige todos os eventos espirituais do Orbe designado que foi, por sua incomparável evolução, pelo Pai, Criador de todas as coisas. E conforme ele mesmo afirmou:


Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida... (João, 14: 6)


Jesus, por já ter-se integrado na Unidade Divina é não só a Verdade Maior, como o Espírito mais Santo que existe em nosso Orbe, desta forma não é contradição dizer ser ele o Espírito da Verdade. Entretanto, Ele pode ter também designado outro Espírito para exercer esta missão. Como fez na mensagem do Apocalipse em que Ele designou, segundo o evangelista, um Anjo para expressar a mensagem reveladora.

 Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe concedeu para mostrar a seus servos os acontecimentos que em breve devem se realizar, e que Ele, por intermédio do seu anjo, expressou ao seu servo João, (Apocalipse, 1: 1)

quarta-feira, abril 06, 2022

Segredos do Apocalipse - Anjos nos Quatro Cantos da Terra

#interna


Depois disso, vi quatro Anjos, postados nos quatro cantos da terra, segurando os quatro ventos da terra, para que o vento não soprasse

sobre a terra, sobre o mar ou sobre alguma árvore.(Apocalipse, 7: 1)


Depois disso, vi quatro Anjos, postados nos quatro cantos da terra; depois disto; mais do que um artifício literário para nos dizer de um novo assunto temos uma expressão que nos diz de uma nova visão do médium, de um aprofundamento de sua percepção.

Muito tem sido comentado pelos estudiosos sobre estes quatro anjos se eles seriam anjos bons ou maus, já que o próximo versículo nos diz que eles estavam encarregados de fazer mal à terra e ao mar.

Não nos preocupamos com isto em nossos comentários, vemos a ocorrência significando mais um momento que diz respeito a cada um de nós nestes instantes decisivos de nosso processo evolucional.

Este sétimo capítulo tem sido visto como um momento de pausa entre o sexto e o sétimo selo. O vemos como um instante de misericórdia entre dois momentos provacionais.

Literalmente anjo quer dizer mensageiro, e tendo uma compreensão mais profunda da vida mesmo aqueles que nos trazem momentos de maiores aflições podem ser considerados mensageiros de Deus visto nada acontecer ao acaso e tudo concorrer para o nosso aperfeiçoamento espiritual.

Os quatro cantos da terra dão a entender a totalidade do ambiente em que vivemos; pode-se ver aqui todo o planeta em seus ambientes físico e espiritual, uma vez que mesmo os Espíritos desencarnados ainda ligados ao Orbe aqui estão por possuírem algum vínculo com nossa casa planetária e necessitarem dela neste momento significativo de evolução. Este Apocalipse é revelação para os Espíritos encarnados e desencarnados.

Deste modo, estes anjos postados um em cada canto dão a entender que estavam encarregados de alguma tarefa e tudo leva a crer ser uma tarefa de juízo e provacional para os Espíritos de um modo geral, pois eles estavam segurando os quatro ventos da terra, para que o vento não soprasse sobre a terra, sobre o mar ou sobre alguma árvore.

Apesar de podermos interpretar estes ventos como causadores de alguns conflitos externos ou dissabores, temos na maioria das vezes os ventos como atuação da Misericórdia de Deus, eles distribuem e canalizam recursos mantenedores da vida, a mesma palavra que é traduzida por vento significa também Espírito e foi com um sopro nas narinas que o Criador deu ao homem um hálito de vida.

Deste modo, podemos entender por segurar os quatro ventos da terra, um tempo sem misericórdia onde a justiça atue com maior rigor; por isso dizemos que podemos ver a atuação destes anjos simbolizando momentos de juízo, e um juízo aprofundado, pois seguravam o vento para que não soprasse sobre a terra que como comentamos pode significar o ambiente físico e também o espiritual, sobre o mar que pode representar mais especificamente a vida física e suas intempéries e sobre alguma árvore significando a individualidade, ou seja, cada um de nós no contexto de sua própria vida.


Vi também outro Anjo que subia do Oriente com o selo do Deus vivo. Esse gritou em alta voz aos quatro Anjos que haviam sido

encarregados de fazer mal à terra e ao mar... (Apocalipse, 7: 2)


Vi também outro Anjo que subia do Oriente com o selo do Deus vivo. O médium vê um outro Anjo que subia do Oriente, literalmente "do lado da nascente do Sol".

Este Anjo tinha uma percepção mais abrangente da situação. Enquanto os quatro primeiros tinham tarefas específicas no que diz respeito à justiça, à lei, este trazia um recado mais direto do próprio Criador. Tanto é assim, que muitos comentaristas deste texto viram nele o próprio Cristo, o que não fica claro em nenhum ponto.

Todavia o texto nos diz que ele tinha o selo do Deus vivo que nós podemos entender como sendo uma marca de Deus na criatura. Lembrando que a expressão Deus vivo era uma expressão judaica para diferenciar o Deus de sua crença em relação aos deuses pagãos que seriam ídolos mortos. Hoje O entendemos não como o Deus apenas de nossa compreensão limitada, mas Deus dos Universos, dono de um Amor tão grande que é capaz de dar a Sua própria vida a toda Criação, de salvar a todas as criaturas.

É como se estivéssemos na hora do momento de aferição e este outro Anjo viesse com uma ordem de Deus para prorrogar um pouco o prazo a fim de que mais alguns Espíritos pudessem se aproveitar destes últimos instantes para adquirirem este selo que os marcaria como servos do Senhor.

Seria assim, mais uma oportunidade da Misericórdia em favor dos filhos de Deus que são a razão da própria criação divina conhecida.

Aprendemos desta forma que Deus quer a salvação de todos os Espíritos e que Ele tudo fará para auxiliar todos em seus processos de recomposição consciencial; Ele renovará sempre as oportunidades. Não esqueçamos que Ele é Pai e tem um amor não mensurável por todos Seus filhos. Tudo é feito concorrendo para que estes se salvem. O pior que pode acontecer nestes momentos de transição, que é o degredo dos filhos rebeldes para Orbes mais atrasados para novamente iniciarem o processo em condições mais difíceis, só acontece em último caso, quando todas as etapas de oportunidades são inaproveitadas.

Esse gritou em alta voz; como uma ordem a ser cumprida. Era Lei, esta voz representava o Pensamento e a Vontade superior de Deus.

O "grito" aqui nos fala do impacto de como o médium percebeu a situação. Às vezes esta voz nos chega bem baixinho, na acústica de nossa alma, mas o impacto é tão grande que funciona como um grito, um verdadeiro estrondo em nossa consciência.

aos quatro Anjos; que eram aqueles que naquele momento estavam encarregados de cumprir uma tarefa em nome de Deus no que diz respeito à justiça.

que haviam sido encarregados de fazer mal à terra e ao mar...; aqui, como já comentamos, não é que estes anjos fossem maus e estivessem delegados a fazerem mal; mas a tarefa que lhes cabia era dolorosa para os elementos em juízo, eles tinham que fazer justiça e quando temos a consciência comprometida com o erro a justiça dói, e num primeiro momento ela parece que é má.

Sobre terra e mar já comentamos, representa a vida nos planos, espiritual e físico, os Espíritos desencarnados e os encarnados.



(Extraído do Livro Segredos do Apocalipse)


Disponível na Livraria Espírita de sua preferência ou https://www.institutodesperance.com.br/







quarta-feira, março 16, 2022

Carta aos Hebreus - Menor que os Anjos (Continuação)

Vemos, todavia, a Jesus, que foi feito, por um pouco, menor que os anjos, por causa dos sofrimentos da morte, coroado de honra e de glória. É que pela graça de Deus ele provou a morte em favor de todos os homens. (Hebreus, 2: 9)

Vemos; este verbo quer dizer perceber com os olhos, com o órgão da visão. O autor lembra-nos assim, apesar dele mesmo não ter visto a Jesus, que Ele era um personagem histórico, que existiu, que não era mera invenção. Há uma mensagem espiritual da Cruz a partir de um fato que aconteceu de verdade.

Todavia, a Jesus; o personagem em questão, aquele que o autor mostra a seus leitores ser a encarnação do Messias.

Ele foi visto, se não pelo autor da carta, mesmo que alguns de seus leitores também não tenham avistado com Ele, por muitos presentes nesta época e estes podiam testemunhar.

que foi feito, por um pouco, menor que os anjos; este trecho fala da encarnação do Cristo. Ele foi feito, por um pouco, menor que os anjos.

Os judeus leitores deste tratado não tinham a ideia sobre anjos que nós espíritas temos hoje. Os anjos eram para eles seres espirituais que pertenciam à corte de Deus, eram mensageiros Deste. Não tinham, entretanto, a oportunidade da encarnação, eram seres especiais.

Eles estavam acima do homem; nosso autor está constantemente dizendo que o Messias estava acima dos anjos, aqui ele explica a humanidade do Messias, que Ele, mesmo sendo superior aos anjos, fizera-se por um pouco de tempo, menor do que estes, isto, é encarnou-se.

É usada aqui a mesma palavra do sétimo versículo, brachus, que lá tem o sentido de "pouco" conforme no Salmo citado, expressando este assumir uma posição inferior aos anjos. Aqui o autor que era profundo conhecedor do grego, do significado de cada expressão, joga com as palavras usando-a em sentido duplo, ele se fez "um pouco" menor que os anjos, mas por um pouco de tempo; quando terminasse a encarnação ele assumiria novamente sua posição nas esferas espirituais superiores.

Este processo encarnatório de um Messias não é de fácil execução, pois trata-se de submeter um Espírito que já não pertence à raça humana, que já possui um perispírito em condições para nós inimagináveis, com uma psicologia inabordável por nossa mente, ou seja, um Construtor de Mundos, um Co-criador em Plano Maior, a um processo ajustado às leis de nosso mundo físico.

Alguns Espíritos chegam a dizer que a adaptação deste Espírito para encarnar-se demorou milênios. Não podemos confirmar tal afirmativa, mas também não temos como desmenti-la. É algo que está cima de nossa compreensão, mas ela tem a sua lógica.

Também não é objetivo deste trabalho explicar o processo encarnatório de Jesus, até mesmo porque não temos condições para tal, se isto citamos, é para lembrar a nossos leitores o quanto este Espírito de evolução para nós ainda indescritível teve de se submeter para realizar o projeto de Deus, o quanto ele teve de obedecer, de fazer-se pequeno.

Visto por este ângulo notamos que a mensagem poética da manjedoura ainda é bastante pequena e simples para nos dizer da enorme humildade deste Grande Espírito.

Ele pode, com autoridade, submeter, porque submeteu-se a Deus, ao seu plano, por amor, espontaneamente, assim exemplificando o quanto podemos e devemos fazer se estivermos ajustados ao Criador.

Diante de tal realidade, pode-se perguntar, mas será que seria mesmo necessária esta encarnação, não teria como fazer diferente?

É uma grande presunção de nossa parte fazer esta pergunta, pelo simples fato de que não cabe a nós, pobres criaturas humanas, pedir satisfação a Deus de Suas atitudes. Concluímos assim, que se fosse possível fazer de outro modo o Criador teria feito.

Mas como ele é Misericórdia, permite melhores explicações, é o que vamos tentar fazer comentando a continuidade do versículo.

por causa dos sofrimentos da morte; esta é em parte, parte da resposta à nossa pergunta. Mas aqui é preciso analisar por dois aspectos, pois o texto é tão rico que nos permite várias abordagens.

Jesus foi coroado de honra e glória por causa do sucesso de sua missão realizada em perfeição com os Desígnios do Pai, isto não resta dúvida, e pode ser visto isto neste verso.

Entretanto, queremos ir além, justificar a encarnação por causa dos sofrimentos da morte.

Deus tem um projeto para a recomposição da raça humana que caiu no erro afastando-se assim da Unidade Divina. Trata-se de um projeto longo que vem sendo realizado minuciosamente através dos milênios de nossa evolução.

Em determinado momento, quando a humanidade atinge certo grau de amadurecimento Ele envia Seu Filho Amado para a realização mais importante de todo o projeto, ensinar aos homens que só através do amor e ajustado ao Pai esta recomposição se faria e concluiríamos o processo de volta ao Criador.

Os pedagogos de nosso mundo já concluíram que o exemplo não é um modo de educar, mas é o único eficiente. Como este processo de recomposição trata-se de um processo reeducativo, só pelo exemplo os filhos de Adão poderiam aprender e apreender os verdadeiros ensinamentos que os levariam à libertação final. Por ser sabedor de tudo isso, o Pai permite e envia à encarnação Seu Filho já Cristo.

É preciso aqui compreender que a morte de Jesus não foi só a acontecida no dia do Calvário, ela foi a própria encarnação do Espírito Puro. Ao sair de Seu Reino de Pura Espiritualidade e tomar um corpo de carne, isto para um Espírito de seu nível já é a morte, viver diante de tanta imperfeição já significa morrer. Jesus não conheceu o pecado quando da sua encarnação, mas participar da vida dos pecadores foi sua maior provação.

A morte no sentido bíblico é consequência do desvio dos Desígnios de Deus, o que as religiões denominaram pecado. Morrer, deste modo, não é deixar o mundo físico, ou seja, desencarnar, morrer é muito mais encarnar, pois deixa-se o plano de origem, que é o espiritual e vem-se para o mundo material que não é adequado ao Espírito.

Portanto, é por causa da morte e dos sofrimentos desta, que o Espírito Jesus veio até nós, se fazendo um pouco menor que os anjos, por um pouco de tempo, para nos resgatar dela, parar nos trazer a Vida em Abundância1, Vida esta que ele já adquirira através de Seu processo evolucional.

Isso não poderia ter sido feito só do Mundo Espiritual, era preciso que Ele se fizesse semelhante à humanidade e pela provação, que significa "participar em", testemunhasse ser possível a vivência do amor neste plano tão distante do ideal.

coroado de honra e de glória. Trata-se do coroamento de um processo. Como Jesus atendeu ao chamado do Pai, veio, realizou o melhor e finalizou o processo não deixando nada por completar, ele foi coroado de honra e glória. Por quem? Quem o corou? O Pai, Deus o Coroou.

O mundo O coroou com uma coroa de espinhos, com a humilhação, com o escárnio, mas Ele mostrou-nos ter vencido o mundo, não foi para a glória efêmera que Ele veio, mas para cumprir uma missão do Pai, uma missão espiritual que o mundo não compreendeu e ainda não compreende.

Deste modo, estejamos atentos a que tipo de honra e glória estamos buscando. A do mundo, ou a de Deus? A segunda, que é a do Cristo, tem um gosto amargo de fel, mas traz-nos a paz da consciência que é a definitiva glória do Espírito como sinal de coroamento do Bem realizado; a primeira, que é a mais valorizada em nosso estado atual, traz-nos imensa satisfação, alegria e prazer. Porém lembremos, na maioria das vezes é alegria fugaz, transitória, pois alegria em função da tristeza de outros. Parafraseemos o apóstolo Paulo, "a coroa do mundo é loucura para Deus, a coroa de Deus é loucura para o mundo, mas poder para o Espírito imortal".

É que pela graça de Deus ele provou a morte em favor de todos os homens. Graça, esta palavra tem sido interpretada como significando "favor", "graciosidade", algo gratuito, como um favor divino.

No Novo Testamento, em especial nos escritos de Paulo é preciso vê-la com o sentido de "amor". O pensamento do apóstolo dos gentios de que a salvação vem pela graça e pela fé, tem sido muito mal interpretado se entendermos isto como sendo um favor de Deus pelo ato de crer. Salvação pela graça e pela fé em Paulo deve ser entendida como salvação pelo "amor e pela fidelidade", ou pelo amor e pela verdade o que na cultura hebraica tinha o mesmo sentido.

Como em João, 1: 17, em que nos é revelado que a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ou como em Êxodo, 34: 6, na definição que Deus dá a Moisés de si mesmo:

Deus de compaixão e de piedade, lento para cólera e cheio de amor e fidelidade (em algumas versões "verdade").

Portanto, como Kardec nos orientou em O Evangelho Segundo o Espiritismo, a graça é a força que Deus faculta ao homem de boa vontade para se expungir do mal e praticar o bem.2 Trata-se de um dom de Deus sim, mas que só se recebe através do esforço de realizar a transformação moral.

Portanto, o versículo quer dizer, que é pelo amor de Deus que o levou a testemunhá-Lo, é que ele provou, isto é, sentiu o sabor, experimentou a morte.

Como já comentamos não se trata só da morte e do sofrimento no dia da Cruz, mas da morte de todo processo encarnatório. E por que Jesus fez isso? Em favor de todos os homens, isto é, de toda humanidade. E aqui é preciso ver cristãos e não cristãos, Ele por amor veio para resgatar a todos, principalmente, e é o que Ele afirma, aqueles que estavam mais distantes de Deus pela transgressão da Lei.

E isto nos traz a seguinte lição, não devemos ver aqui o simples fato de alguém que sofre por outro, mas o exemplo do que devemos fazer como testemunho do Novo Mandamento3, que é aquele com o qual selaremos a nossa amizade ao Cristo4.

Não há outra alternativa para a nossa libertação a não ser a do amor, a de dar a própria vida em favor do semelhante, a de provar a morte pelos filhos de Deus.


1 Cf. João, 10: 10

2 (KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed. 1991), Introdução.

3 Cf. João, 13: 34

4 João, 15: 14





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 @claudiofajardoautor
"...amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo." (O Espírito de Verdade, ESE Cap. VI)

quarta-feira, março 09, 2022

Carta aos Hebreus - Menor Que os Anjos

#interna





Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste (Hebreus, 2: 7)

Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos; continua a citação do Salmo 8, onde originalmente este verso fala do homem.

No hebraico original do Salmo temos a palavra me`at que quer dizer "pouco", "pequenez", "um pouco". Quando o texto foi traduzido para o grego na versão dos LXX, a palavra usada foi brachus que tem o sentido de "pouco", mas também de "por um pouco" significando um curto período de tempo, um momento.

No texto que estamos comentando o autor cita através da versão grega e a versão que usamos traduziu com o sentido de "por um pouco".

Talvez tenha sido intencional esta citação grega por parte do autor de Hebreus, para, como rotineiramente o faz, jogar com as palavras para melhor fazer compreender o que quer dizer. Vamos perceber melhor a sutileza da colocação quando no verso 9 ele usa a mesma palavra e a referência é claramente ao Cristo.

Assim, preparando nossa mente para o que verdadeiramente ele quer dizer, ele, que conhecia o sentido exato do Salmo, cita dizendo que o homem, e aqui podemos entender o Espírito, foi feito através de seu processo evolucional, menor que os anjos, pois como já comentamos, os anjos são os Espíritos já em um nível superior de evolução.

O homem, que é o Espírito encarnado, é inferior aos anjos, mas tem, como diz a Bíblia, o domínio sobre os outros seres da criação:


E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.1


No contexto do Salmo esta é a glória e a honra com que o coroaste [o homem], dizendo do estado superior da humanidade em relação aos outros seres criados.

Como dissemos o autor de Hebreus prepara o terreno para o que vai dizer nos versos 9 e 10 que é onde vai ficar mais claro o sentido espiritual que ele deseja dar ao texto. Numa linguagem bem judaica podemos dizer que ele faz uma ótima midrash.

Deste modo, devemos entender que ainda somos Espíritos inferiores aos anjos, somos em verdade, bem atrasados quanto ao fator espiritual, mas já fomos coroados com a glória e a honra do estado de humanidade o que nos dá o dever de dominar não só os seres inferiores da criação, mas também os sentimentos inferiores que cultivamos em nossa milenaridade.

Meditemos sobre isto…

e todas as coisas colocaste debaixo dos seus pés. Se Deus lhe submeteu todas as coisas, nada deixou que lhe ficasse insubmisso. Agora, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso. (Hebreus, 2: 8)

e todas as coisas colocaste debaixo dos seus pés. É ainda a citação do mesmo Salmo, do domínio do homem sobre todas as coisas. Debaixo dos seus pés.

Nosso missivista, que neste ponto parece mais um tratadista, começa a deixar claro aqui o sentido espiritual que quer dar ao texto para o melhor entendimento de seus leitores.

Muitos têm analisado este versículo como se ele, como no Salmo original, dissesse a respeito só do homem. Entretanto, particularmente achamos que o Homem, isto é Jesus, já é aqui referido também como extensão do entendimento.

O homem comum, biológico, tem todas as coisas materiais e mesmo os seres inferiores sobre o seu domínio, debaixo dos seus pés.

O Homem-Cristo, o Homem Espiritual, tem todas as coisas, também as espirituais, até mesmo o mundo vindouro, como no quinto versículo, debaixo dos seus pés, simplesmente porque, Ele, o Homem Espiritual, já tem a si mesmo debaixo dos seus pés, já conseguiu dominar e vencer suas próprias imperfeições equilibrando emoções e sentimentos.

Este foi o objetivo claro de Jesus, que foi dito segundo os evangelistas, de vários modos, transformar o homem biológico em Homem Espiritual.

Pois o filho do homem veio buscar e salvar o que está perdido.2

eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.3


Se Deus lhe submeteu; é importante trabalharmos o significado da palavra hupotasso (submeter):


"Obedecer, estar sujeito, um termo militar grego que significa "organizar [divisões de tropa] numa forma militar sob o comando de um líder". Em uso não militar, era "uma atitude voluntária de ceder, cooperar, assumir responsabilidade, e levar um carga"4.


Deus não submete ninguém a nada, pois Deus é amor, e amor não constrange.

Assim, devemos entender esta expressão como uma atuação da Lei de Deus gerenciando a criação divina, colocando uns sujeitos a outros de acordo com o uso individual do livre arbítrio, sabendo que, sob o aspecto espiritual a liderança é exercida por aqueles em melhores condições morais, ou seja, aqueles melhores ajustados à própria Lei de Deus.

Deste modo, o homem, como ser mais evoluído do planeta, apesar de suas imperfeições, tem sujeito a si seres inferiores na escala evolutiva. Jesus, o Homem, espiritualmente, devido a sua imensa evolução espiritual, dominava todas as situações em que se envolvia, sujeitava dores, enfermidades, Espíritos, e por isso realizava maravilhas ainda não compreendidas pelo homem comum. Espiritualmente, Ele, o Cristo, lidera, em nome do Pai, muito mais, pois foi delegado a Ele nosso próprio orbe para que Ele gerenciasse sua evolução até que os Espíritos a Ele entregues se redimissem e voltassem para a Unidade Divina.

Assim, a Lei que é perfeita, e devido a grande evolução do Espírito Jesus, nada deixou que lhe ficasse insubmisso. Ele é maior então, que todos os principados e potestades, que os anjos, estando tudo a Ele sujeito, até mesmo a natureza que sofre influência dos Espíritos comandados por Sua Força Moral.

Entretanto, diz ainda, o texto em análise: agora, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso.

Com referência ao homem é fácil explicar o porquê de ainda não ter tudo sobre sua sujeição, é que suas próprias imperfeições morais ainda não lhe dão esta total prerrogativa. Ele, devido a sua ação ainda imperfeita, causa desajustes no meio em que vive de tal forma que a própria Lei age corrigindo estes desajustes, originando daí as dores, as tragédias naturais, e tudo que for preciso para levar a humanidade à perfeição.

Mas, e em relação a Cristo, o Espírito Puro já plenamente Integrado ao Pai, porque tal sujeição ainda não se dá?

Em primeiro lugar porque Ele como a maior expressão do amor de Deus que conseguimos alcançar, também não constrange ninguém a estar sob o seu jugo suave; os Espíritos têm a liberdade de a Ele e ao Bem se insurgirem, cabendo a cada um a consequência do que fizer.

É como se tivéssemos ao nosso pé amarrado um elástico imenso, com uma elasticidade muito grande, porém, limitada, preso do outro lado a Deus. Temos a liberdade de Dele se afastar o quanto quisermos, e ficarmos por lá no bate e rebate da vida, escravizados aos impactos. Haverá um momento, no entanto, que, chegamos ao fim da elasticidade e o Centro Universal que é Deus passa a nos atrair de volta a Ele, a fim de alcançarmos a glória para a qual fomos criados.

Quando tal se der com todos os Espíritos vinculados à governança de Jesus, poderemos dizer que tudo e todas as coisas lhe estarão submissas numa imensa harmonia celestial.

Poderá ser dito que isto se demorará muitos milênios a acontecer, até que todos estejam espontaneamente sob a direção do Messias Jesus, e assim, a Jerusalém Celestial do Apocalipse ficará adiada por muito tempo, o que não parece ser uma realidade.


Sim, esta adesão de todos os Espíritos à Mensagem da Cruz ainda levará algum tempo muito longo, cremos; entretanto, a Sabedoria Universal, tem seus meios, através de um processo de imigração e emigração de Espíritos aos mundos vários existentes em nosso Universo para sanear nosso orbe e assim implantar esta Jerusalém em nossa Terra num tempo mais ou menos próximo, mesmo que falte a presença de alguns Espíritos ainda em evolução em outros ambientes planetários. Quando de sua definitiva redenção voltarão estes Espíritos um à sua casa de origem, integrando-se assim à harmonia planetária.

Mas este é outro assunto e não é o tema primordial de nosso atual estudo, deixaremos para outra oportunidade uma abordagem mais completa sobre o assunto.


1 Gênesis, 1: 26

2 Lucas, 19: 10

3 João, 10: 10

4 Dicionário Bíblico Strong . Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.





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