terça-feira, setembro 08, 2020

Reuniões de Honório Abreu - Gênesis à Luz da Doutrina Espírita

 

Honório Onofre de Abreu

 
 
 
 
 

Honório Onofre de Abreu nasceu em Belo Horizonte no dia 12 de junho de 1930. Filho de Joaquim Honório de Abreu e Ana Maria Abreu, recebeu de seu pai, que descobrira no Espiritismo o roteiro de iluminação pessoal, o incentivo que o tornaria ardoroso pesquisador da Verdade e abnegado divulgador do Cristianismo Redivivo.

Após ingressar no Banco do Brasil, onde exerceu funções relevantes, casou-se em 22 de julho de 1953 com Nilza Ferreira de Abreu, com quem teve as filhas Denise e Eliane. Ao lado da esposa, de alguns de seus irmãos e de amigos que à sua família se associaram na empreitada de luz, como Leão Zállio e José Damasceno Sobral, ajudou a fundar o Grupo Espírita Emmanuel, no bairro Carlos Prates, em Belo Horizonte, em 1º de novembro de 1957.

Sob a irradiação do benfeitor eleito por patrono do novo núcleo, dedicaram-se aos estudos doutrinários e evangélicos, tanto quanto às atividades caritativas que constituem âncora de equilíbrio e inspiração à vivência real do amor. Com o passar do tempo, Honório aposentou-se no Banco do Brasil e, apesar de ter recebido diversas ofertas profissionais, passou a dda edicar o período de sua aposentadoria à divulgação e ao Movimento Espírita.

Nele, o tempo reacendeu o ideal sublimante da evangelização profunda. Às claridades da Terceira Revelação, destacou-se pela segurança e sabedoria no trato com os princípios espíritas, utilizando-os, como poucos, para extrair do Evangelho, quanto do Velho Testamento, o espírito que vivifica. Dedicou-se, também, com infinito carinho, à evangelização infanto-juvenil, viajando por muitos anos, em tarefa de divulgação e formação de trabalhadores por todo o País.

Reconhecido pela imensa comunidade que, ao longo de tantas décadas, dele recebeu verdadeira iniciação para compreender a Mensagem de Jesus em sua essencialidade, fez-se autoridade inquestionável para os assuntos mais complexos da Doutrina Espírita, do Antigo Testamento e, principalmente, da Boa Nova de Jesus. Notabilizou-se, também, pelos estudos sistematizados sobre o tema Evolução, merecendo destaque os anos dedicados, no Grupo Emmanuel, aos sábados pela manhã, para exploração dos versículos do livro Apocalipse, de João - material devidamente gravado e já transcrito, para oportuno usufruto da Comunidade Espírita.

O fruto sazonado de suas experiências doutrinário-evangélicas igualmente redundou na formação da obra Luz imperecível, publicada pela União Espírita Mineira. A convite da Federação Espírita Brasileira, coordenou com inspiração e zelo duas apostilas do Estudo Aprofundado de Doutrina Espírita (EADE), aspecto religioso, que vêm se tornando instrumento eficiente de estudo criterioso e dinâmico de inúmeras passagens do Novo Testamento.

Conhecido no Brasil e no Exterior como homem probo, sábio e dedicado, testemunhou, seja em família, na profissão, na vida social ou na Seara Espírita, sua honradez, sua liderança pacifista, aglutinadora, inspirada. Atuou por muitos anos como Diretor para Assuntos de Unificação da União Espírita Mineira, até que, a convite do presidente do Conselho Deliberativo da UEM, à época Dr. Bady Elias Curi, e por unanimidade de votos, foi eleito presidente da Federativa, em dezembro de 2002, cargo que honrou e exerceu com admirável integridade moral até o dia de sua desencarnação.

Sua administração foi marcada por profundo discernimento doutrinário e prudência administrativa e caridosa, permitindo ao Movimento Organizado uma gama de realizações fecundas e abençoadas, de valorização do Espiritismo sério, com Allan Kardec e Jesus Cristo. Preparou com denodo e puro idealismo, junto às comissões de trabalho, o IV Congresso Espírita Mineiro, que foi realizado entre 3 e 6 de abril de 2008, em comemoração ao Centenário da União Espírita Mineira.

Mesmo acometido pelo câncer no corpo físico, Honório enfrentou o período relativamente extenso de enfermidade com coragem e resignação, realizando palestras, fazendo planos, administrando e participando de eventos espíritas, como orador e como Presidente. Em 24 de setembro de 2007, foi internado no Hospital Biocor, na Capital Mineira, onde, após um mês, submeteu-se a intervenção cirúrgica devido a complicações do quadro orgânico.

Nobre irmão e abnegado servidor do Cristo na Seara do Consolador, Honório Onofre de Abreu desencarnou, no referido Hospital, às 11 horas da manhã de 13 de novembro de 2007, em razão de uma parada cardíaca, que o libertou definitivamente do jugo carnal. Desencarnou Presidente da União Espírita Mineira e Presidente do Conselho Administrativo do Hospital Espírita André Luiz.

Seu corpo físico foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério da Paz, em Belo Horizonte. Os espíritas mineiros e os confrades do Brasil e do exterior que o conheceram ficaram bastante consternados, pois, certamente, Honório deixara uma lacuna no nosso meio, mas permanece como inspiração a todos a agirem como ele, dando tudo o que possuía para unir e pacificar, exemplificar e redimir.

Fonte:   Jornal "O Espírita Mineiro". (Extraído do Site https://www.uemmg.org.br/biografias/honorio-onofre-de-abreu em 08/09/2020 )


Disponibilizamos Áudios das Reuniões de nosso Querido Sr. Honório, reuniões estas realizadas no Grupo Emmanuel de Belo Horizonte, nas manhãs de Sábado com o tema "Evolução", analisando o "Gênesis" à Luz da Doutrina Espírita.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


























































 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, julho 21, 2020

Seja Feliz - Este é um Projeto de Deus Para Você

Diante da Cólera

"Vai, pois, povo meu, entra nos teus aposentos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te por um pouco de tempo até que a cólera tenha passado." (Isaías, 26: 20)

Um dos grandes segredos para que mantenhamos o equilíbrio e possamos alcançar a paz e a harmonia está no gerenciamento correto de nossas emoções.

Somos os construtores do nosso destino, e assim, de bom ou de mau, o que nos ocorre foi semeado por nós mesmos, tendo na base de todo foco de tensão uma administração indevida de nossos anseios, e, consequentemente, dos pensamentos e ações.

Só podemos controlar o resultado de um sentimento se ele não for exteriorizado, pois a partir de então perdemos o domínio por entrar em ação forças que independem de nossa vontade. Resulta daí a importância que temos de dar à máxima: "vigiai e orai".

Assim, se algo nos aborrece, se alguém nos irrita, ou se temos qualquer emoção em desequilíbrio, lembremos que somos nós quem comanda a reação; e se a carne é por vezes fraca, o espírito é sempre forte e é ele quem dirige as ações podendo muito bem ser controlada a emotividade e assim ajustado o comportamento à ordem natural.

Em momentos onde os transtornos imperam lembremos do poder "mágico" da oração e aquietemos em Deus o nosso coração. Jamais, se buscarmos com consciência, fé e amadurecimento, o auxílio do Eterno, ele faltará com Sua presença, a nos aquietar.

O aconselhamento do Profeta é sábio, e toda sabedoria deve ser praticada já, por tratar-se da Ciência de Deus: entra nos teus aposentos e fecha as tuas portas sobre ti, ou seja, vivencie propostas de autoconhecimento, e reflita se na origem do aborrecimento não estivemos nós a lançar a primeira pedra. Esconde-te …, isto é, deixemos de lado fatores ligados ao personalismo, pois é essa a chaga dos tempos atuais a desencadear tantas enfermidades, basta um pouco de tempo de sintonia Superior para que possamos alcançar momentos indizíveis de paz e equilíbrio.

Quando tiver passado a cólera, que nada mais é do que uma superestimação de si mesmo, estaremos mais preparados para avaliar e agir; porquanto, com os pés no chão e o coração voltado ao Alto, aí sim poderemos nos manifestar, porque só quando nossas ações forem alicerçadas em sentimentos que encontrem sonoridade em Deus, teremos a convicção de não arrependermos diante das consequências que virão, com toda certeza.

Observa, pois, os mandamentos, os estatutos e as normas que eu hoje te ordeno cumprir. Se ouvirdes estas normas e as puserdes em prática, o Senhor teu Deus também, manterá a Aliança (…) ele te amará,Nao Costa te abençoará, e te multiplicará… (Deuteronômio, 7: 11 a 13)

Extraído do Livro: Seja Feliz - Este é Um Projeto de Deus para Você. Disponível em:

segunda-feira, julho 13, 2020

Seja Feliz - Este é Um Projeto de Deus Para Você

Providência
"…mas é a tua Providência, ó Pai, que o pilota, pois abriste um caminho até no mar e uma rota segura entre as ondas." (Sabedoria, 14: 3)
Em muitos momentos de nossa vida nos assalta um sentimento pessimista que nos paralisa, impedindo-nos assim, de seguir o curso normal de nossa existência.
São às vezes, segundo o nosso ponto de vista, excessos de contrariedades que somando vão nos enfraquecendo e diminuindo, desta feita, nossa possibilidade de reação; fazem-nos, por um momento, seres derrotados.
Tal estado é também uma enfermidade, que se não controlada a tempo pode agravar inclusive expressando em nosso organismo físico trazendo complicações ainda maiores.
O que fazer então diante deste fato que é real e muitas vezes vivenciado com dores só imagináveis para quem o sente?
Em primeiro lugar temos de compreender que tudo na vida obedece a uma Lei diretora que tudo coordena no Universo. Essa Lei que nada mais é do que a Vontade de Deus, tem um caráter didático, ou seja, ensinar a criatura a conquistar os valores essenciais da vida. Por isso, não pode ela trazer um sofrimento excessivo que o ser não tenha condições de suportar.
Aqui temos a primeira conclusão, quando a dor é demais, que não dá mais para aguentar, é sinal que ela está no fim, e para que ela cumpra o seu papel que é de restabelecer o equilíbrio da criatura, é bom que persistamos até o fim sem desanimar. Só o amor tem o poder de desativar a dor transformando-a em alegria, através de uma compreensão superior.
Assim, é urgente que enxerguemos em tudo uma manifestação da Providência, que é sempre a sabedoria de Deus a nos guiar pelo caminho mais econômico à felicidade. E se no passado, ela pôde abrir um caminho até no mar, para aqueles que se mantiveram ajustados à vontade do Pai fazendo-se submissos a Ele, o que não poderá fazer por nós também se do mesmo modo procedermos?
Os exemplos desta verdade não são difíceis de serem vistos. Quantos não são os seres em condições inferiores à nossa, que conseguem vencer e atingir seus objetivos mostrando a todos ser possível?
Deste modo, diante das dores e das angústias por que passamos na vida, não desanimemos. A Vontade de Deus atua sempre em nosso favor, e se ela é a Vontade Dele, que tudo sabe, e tudo provê, até mesmo ao lírio do campo que enfeita tendo em sua base a lama e o brejo, por que esqueceria de nós que somos filhos diletos de Seu bondoso coração?
Não esqueçamos…
E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva. (Isaías 4:6)
Extraído do Livro "Seja Feliz - Este é um projeto de Deus para você" disponível em:
https://www.amazon.com.br/s?k=CLAUDIO+FAJARDO&__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&ref=nb_sb_noss

sexta-feira, junho 26, 2020

Maria de Nazaré, Paulo de Tarso; Mulher e Homem em Cristo

Maria de Nazaré: A Educadora de Jesus
Ao escrever o seu Evangelho, Mateus compreendeu a inspiração que lhe vinha do Alto, de que um espírito virginal tinha sido escolhido para vir a ser mãe do Mestre. Um espírito virginal é aquele que, através de sucessivas e incontáveis reencarnações, torna-se isento das máculas da matéria – (Eliseu Rigonatti, O Evangelho dos Humildes)
(…) Esta interpretação dá uma razão de ser toda natural ao dogma da Imaculada Conceição, do qual o ceticismo tanto tem zombado. Esse dogma estabelece que a mãe do Cristo não estava manchada pelo pecado original; como pode ser isto? É muito simples: Deus enviou um Espírito puro, não pertencente à raça culpada e exilada, para se encarnar sobre a Terra e nela cumprir essa augusta missão; do mesmo modo que, de tempos em tempos, envia Espíritos superiores para nela se encarnarem, para darem um impulso ao progresso e apressar o seu adiantamento. Esses Espíritos são, sobre a Terra, como o venerável pastor que vai moralizar os condenados em sua prisão, e mostrar-lhes o caminho da salvação. (Allan Kardec, Ensaio Sobre a Interpretação da Doutrina dos Anjos Decaídos, Revista Espírita, Janeiro de 1862)
I Parte
Quem foi Maria?
Falar de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, não é fácil devido a falta de informações que temos dela, e entre as que temos poucas são confiáveis, isentas e imparciais do ponto de vista religioso.
Estão no Novo Testamento, apesar de raros, os melhores esclarecimentos que temos da Mãe de nosso Senhor Jesus.
Nós, os espíritas, ainda temos o privilégio de termos algumas anotações vindas do Plano Espiritual que nos ajudam a esclarecer sobre a grande evolução e a missão deste nobre Espírito.
Não temos informação de como foi sua infância, nem de sua adolescência; a tradição cristã nos informa que Maria era filha de Joaquim e Ana. Seus pais eram judeus e pelo que podemos depreender dos textos do Evangelho formavam uma família simples e praticantes fiéis de seus princípios religiosos.
Provavelmente nasceu entre os anos 18 e 20 a.C., e como era habitual àquele tempo, deve ter casado por volta de seus 14 anos, às vezes até antes.
Os historiadores do cristianismo apontam como data provável do nascimento de Jesus o ano 6 a.C., o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier define o ano 5 a. C. como sendo o correto para a vinda do Cristo à carne1. O casamento de Maria deve ter acontecido de seis meses a um ano do nascimento de seu primogênito.
Outra questão que não temos como certa é se Maria teve ou não outros filhos além de Jesus. O Evangelho não é totalmente claro a respeito; Mateus fala que Jesus teve irmãos e irmãs, e até dá o nome de seus irmãos2. Entretanto, em hebraico ou em aramaico, os primos também eram chamados de irmãos.
Muitos estudiosos contestam esta questão de os supostos irmãos de Jesus serem seus primos. Afirmam estes que é uma realidade que o termo hebraico designava tanto irmão quanto primo, porém ressaltam que o Evangelho foi escrito em grego, e no grego temos duas palavras distintas, adelphos, para irmão, e anepsios que é literalmente primo. Portanto, insistem, se os autores do Novo Testamento, que à época sabiam se eram primos ou realmente irmãos, quisessem falar em primos, usariam anepsios e não adelphos3.
Outro argumento a favor de serem irmãos é que na maioria das vezes em que eles são citados no Evangelho estão acompanhados de
Falar de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, não é fácil devido a falta de informações que temos dela, e entre as que temos poucas são confiáveis, isentas e imparciais do ponto de vista religioso.
Estão no Novo Testamento, apesar de raros, os melhores esclarecimentos que temos da Mãe de nosso Senhor Jesus.
Nós, os espíritas, ainda temos o privilégio de termos algumas anotações vindas do Plano Espiritual que nos ajudam a esclarecer sobre a grande evolução e a missão deste nobre Espírito.
Não temos informação de como foi sua infância, nem de sua adolescência; a tradição cristã nos informa que Maria era filha de Joaquim e Ana. Seus pais eram judeus e pelo que podemos depreender dos textos do Evangelho formavam uma família simples e praticantes fiéis de seus princípios religiosos.
Provavelmente nasceu entre os anos 18 e 20 a.C., e como era habitual àquele tempo, deve ter casado por volta de seus 14 anos, às vezes até antes.
Os historiadores do cristianismo apontam como data provável do nascimento de Jesus o ano 6 a.C., o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier define o ano 5 a. C. como sendo o correto para a vinda do Cristo à carne1. O casamento de Maria deve ter acontecido de seis meses a um ano do nascimento de seu primogênito.
Outra questão que não temos como certa é se Maria teve ou não outros filhos além de Jesus. O Evangelho não é totalmente claro a respeito; Mateus fala que Jesus teve irmãos e irmãs, e até dá o nome de seus irmãos2. Entretanto, em hebraico ou em aramaico, os primos também eram chamados de irmãos.
Muitos estudiosos contestam esta questão de os supostos irmãos de Jesus serem seus primos. Afirmam estes que é uma realidade que o termo hebraico designava tanto irmão quanto primo, porém ressaltam que o Evangelho foi escrito em grego, e no grego temos duas palavras distintas, adelphos, para irmão, e anepsios que é literalmente primo. Portanto, insistem, se os autores do Novo Testamento, que à época sabiam se eram primos ou realmente irmãos, quisessem falar em primos, usariam anepsios e não adelphos3.
Outro argumento a favor de serem irmãos é que na maioria das vezes em que eles são citados no Evangelho estão acompanhados de Maria; por que, perguntam, eles estariam sempre acompanhados da tia? Entretanto, há argumentos fortes também, por parte daqueles que defendem que Maria e José não tiveram outros filhos, como o fato de Jesus ter, no momento da crucificação entregado Maria – sua mãe - a João, o discípulo amado, para que este tomasse conta dela a partir de então. Se formassem uma família numerosa, com vários outros filhos, não seria natural que estes cuidassem de Maria?
Há uma terceira hipótese, menos comentada e menos provável, a de que José ao casar com Maria já teria outros filhos de casamento anterior, e estes é que seriam os irmãos de Jesus.
Como este não é o objetivo principal deste estudo, não vamos mais nos ocupar com este tema. No judaísmo era comum o casal ter muitos filhos, era uma benção de Deus, o que faz crer a alguns que José e Maria seriam pais de uma prole maior; todavia, não há esta necessidade, a família de Jesus era sem dúvida uma família especial, e poderia, portanto, ser diferente das demais sem nenhum desmerecimento para eles.
O certo, é que Maria era um Espírito de altíssima evolução, um dos mais puros que encarnou neste Orbe governado espiritualmente por Seu Filho Jesus.
Maria; por que, perguntam, eles estariam sempre acompanhados da tia? Entretanto, há argumentos fortes também, por parte daqueles que defendem que Maria e José não tiveram outros filhos, como o fato de Jesus ter, no momento da crucificação entregado Maria – sua mãe - a João, o discípulo amado, para que este tomasse conta dela a partir de então. Se formassem uma família numerosa, com vários outros filhos, não seria natural que estes cuidassem de Maria?
Há uma terceira hipótese, menos comentada e menos provável, a de que José ao casar com Maria já teria outros filhos de casamento anterior, e estes é que seriam os irmãos de Jesus.
Como este não é o objetivo principal deste estudo, não vamos mais nos ocupar com este tema. No judaísmo era comum o casal ter muitos filhos, era uma benção de Deus, o que faz crer a alguns que José e Maria seriam pais de uma prole maior; todavia, não há esta necessidade, a família de Jesus era sem dúvida uma família especial, e poderia, portanto, ser diferente das demais sem nenhum desmerecimento para eles.
O certo, é que Maria era um Espírito de altíssima evolução, um dos mais puros que encarnou neste Orbe governado espiritualmente por Seu Filho Jesus.
1 XAVIER, Francisco C. / Humberto de Campos. Crônicas de Além Túmulo, cap. 15, Rio de Janeiro, FEB, 1937.
2 Cf. Mateus, 12: 46 e Mateus, 13: 55 e 56. Ver também Marcos, 6: 3
3 Existem controvérsias. Segundo PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho Vol. 8. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1967, Pg. 197, a palavra adelphos "irmão", referia-se também a "primos", e ainda cita vários autores profanos como Heródoto, Thucidides, etc. onde isto acontecia.
Extraído do E Book: Maria de Nazaré, Paulo de Tarso; Mulher e Homem em Cristo, disponível em:

sexta-feira, abril 24, 2020

Cartas [de Paulo] da Prisão - Colossenses

 

Primeiras considerações…

Colossos era uma cidade situada no oeste da Ásia menor, às margens do Rio Lico, distante de Éfeso aproximadamente uns duzentos quilômetros. Fora uma cidade importante no século V a.C. Depois perdeu sua importância diante do crescimento de Laodicéia, a 18 km, e Hierápolis.

Ao que tudo indica a Comunidade de Colossos não foi evangelizada por Paulo, este provavelmente nem a conheceu pessoalmente; Epafras deve ter sido seu fundador e era naturalmente a liderança maior desta região da qual faziam partes as comunidades de Hierápolis e Laodicéia.

Paulo escreve aos colossenses provavelmente de Roma no período de sua prisão nesta cidade, entre os anos de 61 e 63.

Epafras fizera uma vis

Colossos era uma cidade situada no oeste da Ásia menor, às margens do Rio Lico, distante de Éfeso aproximadamente uns duzentos quilômetros. Fora uma cidade importante no século V a.C. Depois perdeu sua importância diante do crescimento de Laodicéia, a 18 km, e Hierápolis.

Ao que tudo indica a Comunidade de Colossos não foi evangelizada por Paulo, este provavelmente nem a conheceu pessoalmente; Epafras deve ter sido seu fundador e era naturalmente a liderança maior desta região da qual faziam partes as comunidades de Hierápolis e Laodicéia.

Paulo escreve aos colossenses provavelmente de Roma no período de sua prisão nesta cidade, entre os anos de 61 e 63.

Epafras fizera uma visita a Paulo, ou talvez tenha sido também preso em Roma (Cf. Fm, 23), e lhe relatara questões desta comunidade que motivaram Paulo a escrever esta carta. As notícias eram em parte boas, porém havia entre os colossenses algumas lideranças negativas que trabalhando sutilmente contra a vivência pura do Evangelho proporcionavam aos cristãos da localidade o perigo da contaminação destes através de filosofias inadequadas à pratica cristã. Estas comunidades da região eram formadas por gentios convertidos ao cristianismo e tanto a presença dos judaizantes atrapalhavam o trabalho de Paulo, como também os costumes pagãos.

Paulo estava preso em Roma, porém por ser cidadão romano tinha sido a ele facultado certa liberdade. Ele morava em casa particular apesar da humilhante condição de ter que ser acompanhado por um soldado que vigiava todos os seus passos. (Atos, 28: 16)

Na realidade ele era ligado pelo braço direito, por uma corrente, ao braço esquerdo de um soldado que o vigiava. Paulo, entretanto, era obediente e de uma humildade impressionante, se alimentava do pão dos encarcerados e aproveitava toda oportunidade para levar o Evangelho aos presos e também aos guardas que o vigiavam. Jamais desanimava, e o trabalho das epístolas continuava. Por meio delas consolava e esclarecia fazendo o Cristo presente por suas palavras.

A realidade em Roma era de grande dificuldade para os cristãos, desde o ano de 58 que estes eram sacrificados nas arenas dos circos; o governo de Nero entre outras barbaridades tinham os cristãos como inimigos e os romanos mais ilustres não compreendiam de forma nenhuma a fraternidade vivida pelos seguidores de Jesus.

Paulo, todavia, sabia ser este momento necessário, seu modo sempre otimista em relação à importância da proposta reeducativa do Evangelho nos fazia ver que para o êxito indispensável dos seus esforços remissores, os discípulos [do Cristo] não poderão caminhar no mundo sem as marcas da cruz.6

É nesse clima de dificuldades, mas de profunda consciência do prazer de servir em nome do Cristo, que Paulo, o Arauto do Evangelho, nos escreve mais esta bela carta, um verdadeiro tratado de filosofia cristã.

 

ita a Paulo, ou talvez tenha sido também preso em Roma (Cf. Fm, 23), e lhe relatara questões desta comunidade que motivaram Paulo a escrever esta carta. As notícias eram em parte boas, porém havia entre os colossenses algumas lideranças negativas que trabalhando sutilmente contra a vivência pura do Evangelho proporcionavam aos cristãos da localidade o perigo da contaminação destes através de filosofias inadequadas à pratica cristã. Estas comunidades da região eram formadas por gentios convertidos ao cristianismo e tanto a presença dos judaizantes atrapalhavam o trabalho de Paulo, como também os costumes pagãos.

Paulo estava preso em Roma, porém por ser cidadão romano tinha sido a ele facultado certa liberdade. Ele morava em casa particular apesar da humilhante condição de ter que ser acompanhado por um soldado que vigiava todos os seus passos. (Atos, 28: 16)

Na realidade ele era ligado pelo braço direito, por uma corrente, ao braço esquerdo de um soldado que o vigiava. Paulo, entretanto, era obediente e de uma humildade impressionante, se alimentava do pão dos encarcerados e aproveitava toda oportunidade para levar o Evangelho aos presos e também aos guardas que o vigiavam. Jamais desanimava, e o trabalho das epístolas continuava. Por meio delas consolava e esclarecia fazendo o Cristo presente por suas palavras.

A realidade em Roma era de grande dificuldade para os cristãos, desde o ano de 58 que estes eram sacrificados nas arenas dos circos; o governo de Nero entre outras barbaridades tinham os cristãos como inimigos e os romanos mais ilustres não compreendiam de forma nenhuma a fraternidade vivida pelos seguidores de Jesus.

Paulo, todavia, sabia ser este momento necessário, seu modo sempre otimista em relação à importância da proposta reeducativa do Evangelho nos fazia ver que para o êxito indispensável dos seus esforços remissores, os discípulos [do Cristo] não poderão caminhar no mundo sem as marcas da cruz.1

É nesse clima de dificuldades, mas de profunda consciência do prazer de servir em nome do Cristo, que Paulo, o Arauto do Evangelho, nos escreve mais esta bela carta, um verdadeiro tratado de filosofia cristã.

 

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo…

A saudação inicial de Paulo aos irmãos de Colossos é a habitual deste apóstolo em outras cartas.1

Ele é perfeitamente consciente de sua missão e de quem lhe dá autoridade, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus.

Aqui é importante lembrarmos o livro de Atos na narrativa da conversão de Saulo. Ananias, um discípulo de Jesus recebe a visita do Senhor, em visão, e estes conversam a respeito de Saulo quando Jesus diz:

Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel.2

Sobre a expressão apóstolo já dissemos em outro momento:

A palavra apóstolo refere-se a um título de origem judaica, quer dizer enviado, do grego apostoloi que traduz o hebraico shelihims.

No texto evangélico refere-se aos doze (Mateus, 10: 2), ou em sentido mais amplo a todos missionários do Evangelho. Paulo se enquadra perfeitamente na condição de apóstolo.3

Emmanuel elucida mais a respeito:

O apóstolo é o educador por excelência. Nele residem a improvisação de trabalho e o sacrifício de si mesmo para que a mente dos discípulos se transforme e se ilumine, rumo à esfera superior.

Os apóstolos, porém, são os condutores do Espírito.4

Deste modo, nossos orientadores Espirituais nos mostram que ser apóstolo do Cristo é ser instrumento de auto-iluminação e de educação de almas.

Não nos deixemos, deste modo, abater pela necessidade de lutas incessantes e com as aparentes derrotas, pois se é pela Vontade de Deus que operamos, ou seja, se é Ele que nos dá autoridade, nada poderá nos abalar se estivermos em perfeita conexão com os Seus Propósitos.

Timóteo é um dos mais fiéis discípulos de Paulo, este o conheceu em Listra. Paulo tem por Timóteo mais do que uma consideração de amigo, é um filho pelos laços do coração:

A Timóteo meu verdadeiro filho na fé…5

É provavelmente Timóteo o redator desta carta, não esqueçamos que Paulo não escreveu diretamente a maioria de suas epístolas, ela as ditava para um discípulo que anotava suas considerações, apenas, às vezes, nas despedidas punha sua própria letra.

É importante notar que Paulo quase nunca está só em suas dificuldades, além do amparo do Alto, Jesus o cercava de amigos fiéis que principalmente nos momentos difíceis como este em que estava preso, o apoiavam auxiliando no Serviço do Evangelho.

São os Consoladores que encarnados ou desencarnados nos amparam conforme promessa do Senhor de nunca nos abandonar, porém para percebermos a presença destes irmãos queridos de tanta importância para o nosso equilíbrio emocional é necessário estejamos ajustados ao sentimento do Bem.

 
 
 

1 Cf. Romanos, 1:1; Efésios, 1: 1; ! Coríntios, 1: 1 e 2, entre outras.

2 Atos, 9: 15

3 O Evangelho de Paulo, cap. 1

4 Fonte Viva, cap. 57

5 1 Timóteo, 1: 2

6 Paulo e Estevão, pág. 633

 

Leia o Ebook completo em: 
 
https://drive.google.com/open?id=0B4pIwiXXUMSmemJtazg1NVk3NVNBQmlSVHJ5dnJQZThENXZn

quarta-feira, dezembro 04, 2019

Sabedoria de Tiago, O Irmão do Senhor


Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão; saudações. (tiago,1: 1)
O autor desta carta se revela logo no primeiro versículo, é Tiago.
Mas quem seria esse Tiago? Não pode ser o irmão de João, o filho de Zebedeu, pois este desencarnou antes desta carta ser escrita. É então Tiago menor, o filho de Alfeu (Mt, 10: 3), irmão de Judas (Jd, 1: 1)?
Paulo diz que é o irmão do Senhor (Gl, 1: 19), e lhe chama de "coluna da igreja" (Gl, 2: 9); ao que tudo indica sua mãe chamava Maria (Mt, 27: 56) e era parenta da mãe de Jesus, talvez irmã. Provavelmente esteja aí o motivo de Paulo dizer que era o irmão do Senhor, é que àquele tempo os primos de primeiro grau eram tratados como irmãos.
Para Emmanuel (cf. livro Paulo e Estevão), era Tiago filho de Alfeu, e irmão de Levi. Para Humberto de Campos sua mãe chamava Cleofas, seu Pai era mesmo Alfeu e era irmão de Levi e de Tadeu.1
Ainda segundo alguns estudiosos este Tiago seria um terceiro Tiago, irmão de Jesus (cf. Mt, 13: 55) e que só teria se convertido ao cristianismo depois do episódio da ressurreição, teria desde então assumido a liderança do movimento junto com Pedro e João. Josefo, historiador judeu do Século I, afirma ser Tiago, irmão de Jesus e que foi martirizado no ano 62 a. C..
Há ainda outra dificuldade para estabelecer o autor desta carta, é que ela foi escrita em um grego elegante e rico em vocabulário, o que não era comum em um galileu.
Seja lá como for Orígenes cita esta epístola como escritura inspirada.
Para a nossa análise onde o que mais importa é conteúdo reeducativo do texto, cabe o destaque de que Tiago se denominava servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
O Evangelho de Jesus nos mostra a todo instante que o objetivo do Cristo era educar o Espírito em trânsito na Terra a fim de que ele se ajustasse à necessidade de maior espiritualidade.
O meio para que isto se efetivasse como conquista do Ser imortal, é que este estivesse em conexão com as inteligências do Alto e buscasse no seu dia a dia aplicar o aprendido em seu campo de ação com aqueles que lhe fossem próximos.
Amar e servir estes os verbos que mais deveriam ser praticados pelos seguidores do Messias.
Ao se qualificar como servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, Tiago mostra que compreendeu a lição e no decorrer do texto tanto quanto no da vida daquele que Emmanuel diz ser o irmão de Levi, vamos ver que ele tinha autoridade para assim dizer.
Dois mil anos se passaram, nós demos muitas voltas em nossa trajetória evolutiva na busca daquilo que denominamos felicidade. Hoje compreendemos que ela está mais em dar do que em receber, mais em servir do que em ser servido, mais em amar do que ser amado; porém, será que com a mesma naturalidade do companheiro de Simão Pedro podemos nos qualificar de servos de Deus e do Senhor Jesus Cristo?
Concluindo este primeiro versículo o autor mostra que dirige este texto às doze tribos da dispersão.
Dispersão vem do grego diáspora, que designava os judeus emigrados da palestina. As doze tribos eram a totalidade do povo judeu.
Na carta Tiago usa esta expressão talvez se dirigindo aos judeus-cristãos espalhados pelo mundo Greco-romano, ou ainda, a todos os cristãos de um modo geral.
Analisando o número doze em seu sentido de completude, e a profundidade do conteúdo desta epístola, podemos com segurança dizer que ela foi conservada sob a orientação dos Espíritos Superiores no cânone neo-testamentário, endereçada a todos nós cristãos de todas as eras que buscamos o nosso aperfeiçoamento moral em busca de nos tornarmos homens de Bem sob a égide do Cristo de Deus.
Meus irmãos, tendo por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações… (tiago, 1: 2)
Meus irmãos; mostra o carinho com os seguidores do Evangelho, nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros2, havia ensinado o Mestre, necessário era que todos fossem tratados com muito afeto.
Irmão é palavra comum na boca de muitos cristãos ao se referirem aos confrades, porém, tão poucos dizem assim usando esta expressão em seu verdadeiro sentido segundo a entendia Jesus.
Uma das dificuldades que os estudiosos desta carta tiveram foi estabelecer a data em que ela foi escrita. Para uns, hoje menos comuns, ela foi escrita entre os anos 45 e 50 de nossa era. Seria assim um dos primeiros escritos do Novo Testamento. Para outros, data a carta do final da vida do apóstolo.
Nós não temos autoridade para opinar sobre o assunto, porém vemos neste texto um amadurecimento tal de seu autor que é pouco provável a primeira hipótese, ou seja, a da data mais antiga.
O texto da epístola em muitos momentos é muito parecido com o da mensagem do Sermão do Monte, mostra um Tiago burilado pelas provações, provações estas que trabalharam nele a paciência como veremos mais adiante.
Neste versículo mesmo que ora comentamos, ele usa do artifício usado por Jesus, que é o de impactar com um pensamento estranho para os homens de sua época, e até mesmo para os de nossa era.
Tendo por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações; este não é um pensamento facilmente aceito, quem pode ter alegria por ser submetido a múltiplas provações?
No entanto, o Espírito maduro, o cristão autêntico, sabe que aqui não viemos a passeio, mas para promover nossas possibilidades espirituais, e que estas só desabrocham através de muita luta e esforços consideráveis.
Portanto, se o objetivo é o crescimento espiritual, a promoção moral, e esta condição só é alcançada após múltiplas provações, este acontecimento é motivo de grande alegria; raciocínio puro e lógico, digno do bom senso kardequiano.
Aliás, esta é a mesma mensagem que encontramos em outros evangelistas:
Na vossa paciência, possuí a vossa alma.3
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.4
e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.5
Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.6


1 Boa Nova, cap. 5
2 João, 13: 35
3 Lucas, 21: 19
4 Romanos, 5: 3 e 4
5 Apocalipse, 2: 3
6 Apocalipse, 14: 12