segunda-feira, novembro 28, 2011

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus (continuação...)


Maria e João. O Trabalho da Mãe Após o Desencarne do Filho
Segundo a narrativa de João já citada neste estudo, após o momento da crucificação de Jesus, o Discípulo Amado, acolheu a mãe do Mestre em sua casa1.
A literatura espírita confirma este acontecimento, porém diz que tal acolhimento não se deu imediatamente, mas algum tempo depois.
Quem nos dá a notícia é o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade do cândido Chico Xavier2.
Segundo este autor espiritual, após a morte de seu filho Maria foi morar na Bataneia onde tinha alguns parentes próximos, na realidade familiares de José.
Em Jerusalém o clima não estava bom, cristãos e judeus viviam em luta. Mesmo entre os próprios seguidores de Jesus haviam dissensões inadequadas; a Mãe de nosso Senhor precisava de um pouco de paz para se recuperar dos momentos dolorosos do calvário.
Passado algum tempo, João, que nunca esquecera das observações de Jesus no momento da crucificação, aparece na Bataneia oferecendo à Mãe que aprendera a amar, o refugio amoroso de sua proteção3.
Conta o apóstolo, que havia se instalado em Éfeso, Cidade da Lídia, na costa ocidental da Ásia Menor, onde as ideias cristãs ganhavam terreno entre as almas devotadas e sinceras.
O filho de Zebedeu vinha buscá-la, andariam ambos na mesma associação de interesses espirituais. Seria seu filho desvelado…
A demora em buscar a Mãe Santíssima se dera devido ao fato dele não ter ainda uma casa, mesmo que simples, para acomodá-la. Tendo agora resolvido esta questão graças à generosidade de um cristão que lhe doara uma casinha onde poderiam morar, viera rapidamente buscá-la, iniciariam uma nova era de amor, na comunidade universal.
Maria aceitou a oferta e se instalou junto de seu novo filho em Éfeso, e, além de cultivar as lembranças de Jesus, iniciaram importante trabalho de evangelização na região. Ela atendia em sua própria casa aos necessitados que lá iam em busca de consolo e até mesmo de cura de algumas enfermidades; ele por sua vez cuidava mais especificamente do esclarecimento evangélico comentando sobre os ensinamentos recebidos de Jesus.
Narra Emmanuel4, que Paulo de Tarso visitou Maria nesta casinha singela e que ficou impressionado com a sua humildade. Desejou receber dela informações sobre Jesus de tal modo que pudesse escrever um Evangelho contando a história do Mestre e ampliar seus ensinamentos.
Paulo não pôde realizar este desejo, entretanto, encarregou a seu amigo de confiança, Lucas, a tarefa de realizar o projeto de escrever um Evangelho com as informações fornecidas pela mãe de Jesus.
Conta-nos ainda Emmanuel que na despedida de Paulo, em Éfeso, antes de seu martírio em Jerusalém, Ela também, mesmo que em idade avançada, compareceu para levar uma palavra de amor5 a este desbravador de corações em favor do Evangelho.
O trabalho em Éfeso cresce em grandes proporções o que obriga João a se ausentar repetidas vezes da residência humilde deixando Maria muitas vezes só no atendimento dos necessitados, ela já bem idosa não se cansa e trabalha ininterruptamente em favor dos infelizes apascentando as ovelhas de Seu filho amado.
É Humberto de Campos6 quem nos informa que em seus momentos finais no corpo cansado, fisicamente estava só, mas que o próprio Jesus veio buscá-la. Ela ao reconhecê-lo, com imensa alegria fez menção em ajoelhar-se aos seus pés, ele a impediu, e por sua vez foi quem ajoelhou nomeando-a conforme a vontade de Deus, Rainha dos anjos no Reino do Eterno.
1 Cf. João, 19: 27
2 Boa Nova, cap. 30
3 Ibidem
4 Paulo e Estevão, cap. 7
5 Ibidem
6 Boa Nova, cap. 30

quarta-feira, novembro 16, 2011

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus (continuação)


Maria: Mãe de Toda Humanidade
Uma passagem do Evangelho que nos traz significativos pontos para reflexão é a da crucificação de Jesus, mais especificamente segundo a narrativa de João que cita a presença da mãe de nosso Senhor no evento que marcou os momentos finais Dele na carne.
Segundo o redator do quarto Evangelho:
Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!” E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa.1
Já de início vemos na narrativa algo que serve para nós do sexo masculino nos envergonharmos diante da situação. Jesus teve mais próximo de si doze discípulos homens. Se descontarmos Judas Iscariotes que se afastou do grupo no final para entregar a Jesus, ainda restaram onze. E de todos estes seus amigos apenas João esteve presente no momento de sua crucificação. Ao contrário, muitas mulheres, também suas seguidoras, se fizeram presente no instante final, prestando solidariedade e sofrendo junto.
Depreendemos daí, e notamos isto no dia a dia, mesmo hoje, que a mulher é muito mais corajosa do que o homem. Há exceções, todavia, no geral, elas enfrentam certos momentos de tensão com maior superioridade espiritual do que nós.
Cremos, sem querer fechar a questão sobre o assunto, e principalmente aqui no caso da crucificação, que o que deu coragem a estas fieis seguidoras de Jesus, foi o sentimento de amor que já possuíam como virtude conquistada, sentimento este que na maioria das vezes têm elas mais do que nós do sexo masculino.
Segundo a observação de alguns estudiosos, o oposto de amor não é ódio, e sim medo, pois o temor é paralisante, estático, enquanto amor é movimento, dinamismo.
Não temos dúvida de que foi o sentimento nobre que já possuíam que deu coragem àquelas mulheres, os homens, mais afeitos ao raciocínio pensaram mais no perigo que corriam e afastaram-se.
Temos aprendido a ver que entre os doze da intimidade de Jesus, João, o filho de Zebedeu, era o que tinha mais destacado o sentimento de amor. Não é outro o motivo de ser ele conhecido como o discípulo amado. Neste caso não havia nenhum privilégio, apenas cumprimento da Lei, a cada um segundo as suas obras, aquele que mais ama é mais amado.
Assim, foi também o sentimento de amor mais desenvolvido que deu coragem a este discípulo e que o fez estar entre as mulheres nos momentos finais do Mestre entre nós fisicamente.
O mais significativo, entretanto, nesta passagem, é o ensinamento transmitido por Jesus ao dizer a sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” e depois a João: “Eis a tua mãe!”
Mulher; o uso desta forma de tratar é comum na narrativa de João2 e sugere que Jesus nos fala de algo que vai além da piedade filial, o que ele ensina é a adoção de um amor capaz de fortalecer os laços da família universal, não deve haver mais uma distinção que leve em conta os familiares de sangue, mas uma união de todos os filhos de Deus.
Maria surge então como uma “nova Eva”. Esta é segundo os textos do Antigo Testamento a mãe de todos os viventes3, Maria seria a mãe de toda a humanidade convertida a Cristo.
Do mesmo modo que Paulo refere-se a Cristo como o segundo Adão, ou o último Adão4, Maria seria a segunda Eva. Se a primeira induziu a humanidade à queda por meio da influência negativa da serpente, a segunda nos leva à redenção atendendo um convite também mediúnico, o que o anjo fez para que acolhesse Jesus como filho.
No primeiro caso temos uma mediunidade desequilibrada, no segundo santificada pela fidelidade a Deus; no primeiro a indução à desobediência, no segundo a submissão a um programa do Alto.
Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!5
Maria seria, assim, uma Eva sublimada.
Há um outro texto no Gênesis que faz uma relação entre Eva e Maria que nos ajudará a desenvolver nosso raciocínio. Trata-se do momento em que Deus, na linguagem simbólica da literatura hebraica, adverte a Serpente:
Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.6
Algumas traduções falam “entre a tua semente [da Serpente] e a sua semente” [da mulher], entretanto o termo hebraico usado para semente é masculino. Como semente neste caso tem o significado de descendência, em português pode-se usar a forma masculina seu descendente.
A Serpente é símbolo do mal, as religiões viram-no como o “Diabo”, o Maligno. A descendência da Serpente é assim toda sorte de erros cometidos pelo homem, fruto da transgressão inicial induzida por ela mesma, a Serpente.
Através desta transgressão foi rompida a Aliança do homem com seu Criador. Numa abordagem que não vamos aprofundar aqui por não ser o objetivo principal deste estudo, a Serpente representa os Espíritos desencarnados ainda arraigados no mal e que procuram distanciar o homem do Bem. Ela age por influência espiritual. No plano físico quem primeiro captou sua influência negativa foi Eva induzindo Adão à queda.
Quem restabelecerá o elo de ligação do homem com Deus, que trará a ele a redenção é Jesus, o descendente de Maria.
Assim, vemos Maria como o resgate de Eva, se através desta veio a queda, Maria nos proporciona através de sua maternidade a oportunidade da salvação.
Neste sentido é que fazendo uma relação com o texto de Paulo aos coríntios, onde ele propõe Jesus como o segundo Adão, propusemos Maria como a “segunda Eva”. (continua...)
1 João, 19: 25 a 27
2 Cf. João, 2: 4
3 Gênesis, 3: 20
4 1 Coríntios, 15: 45 a 47
5 Lucas, 1: 38
6 Gênesis, 3: 15

quarta-feira, outubro 19, 2011

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus (continuação)


Como Maria encarava sua missão?
Seria a mãe de Jesus totalmente consciente de seu papel diante da vida?
Não há como saber ao certo esta resposta, tudo o que dissermos a respeito não passará de opinião e dedução pessoal a partir de alguns textos.
Maria era um Espírito de grande evolução, voltamos a dizer, e sabemos pela orientação da Codificação Espírita, que quanto mais o Espírito é evoluído mais tem consciência de sua tarefa. Assim, deduzimos que a consciência de Maria a respeito de sua missão era acima da média, porém não total. Todo Espírito ao encarnar perde parte de sua lucidez, de acordo com o estágio em que se encontra.
Apesar de Maria ser um Espírito com uma tarefa especial, e como dissemos, de alta hierarquia, esta perda se deu com ela também.
Depreendemos, assim, que ela tinha uma grande intuição, tanto de seu papel, quanto do de Jesus, e o texto do Evangelho nos mostra que ela foi informada a respeito, porém, não na totalidade dos acontecimentos.
Humberto de Campos, na obra citada, e no mesmo diálogo de Maria com Isabel, relata a fala da mãe de Jesus:
(…) constantemente, ando a cismar, em relação ao seu destino.
Apesar de todos os valores da crença murmurou Isabel, convicta —, nós, as mães, temos sempre o espírito abalado por injustificáveis receios.
Se Maria fosse plenamente consciente não teria esta cisma nem seria abalada por estes receios.
Mostra-nos ainda o mesmo autor espiritual em outra página, que a mãe de nosso Senhor ao saber de sua prisão, confiou em Deus, todavia, empreendeu esforços e orou ao Pai na esperança de que o pior não acontecesse e Jesus fosse solto. Quando seu filho foi entregue a Herodes, chegou a pensar:
Naturalmente, Deus modificaria os acontecimentos, tocando a alma de Ântipas.1
E mesmo quando já parecia consumado o assassinato, ao vê-lo vergado ao peso da cruz, lembra-se de Abraão quando este conduzira o filho ao sacrifício, e da ação de Deus salvando-o, e pensa:
Certamente o Deus compassivo escutava-lhe as súplicas e reservava-lhe [a Jesus] júbilo igual.2
Só depois, ao ver o filho morto, foi que recordou a visita do anjo no momento da anunciação. Devem ter passado em sua mente, com a rapidez de um relâmpago, todas as cenas de sua existência; rememorando percebeu o quanto sua vida e a do filho estavam ligadas numa missão maior em nome de Deus, ela sofria, mas os desígnios do Alto se cumpriram, a treva havia sido iludida, vencera a luz, suas preces foram ouvidas, não segundo seus anseios de mãe e sim de acordo com os planos divinos3. E em sua mente lembrou também de suas próprias palavras anteriormente ditas: Eis aqui a serva do Senhor4


1 Lázaro Redivivo, cap. 2
2 Idem, ibidem.
3 id., ib.
4 Lucas, 1: 38

terça-feira, outubro 11, 2011

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus (continuação...)


Como foi a educação de Jesus?
Este é um tema que buscaremos desenvolver melhor na segunda parte deste estudo, porém aqui gostaríamos de fazer reverência a outro personagem de grande importância neste processo: José, o pai de Jesus.
É comum no meio cristão evidenciar a evolução de Maria, o que é certo, entretanto, desconsiderar a de seu marido, o que não é correto.
Se Maria teve uma grande contribuição no processo de educação1 de Jesus, o mesmo podemos dizer em relação a José, pois temos a certeza, sem querer fazer qualquer comparação, de ser ele um Espírito, também, de grande evolução.
Queremos citar neste momento apenas uma referência de Emmanuel, este guia nosso para todas as horas, a respeito deste respeitável personagem da Galileia. Reflitamos sobre as próximas palavras citadas neste estudo:
É preciso, porém, observar que, a par de beneficiários ingratos, de ouvintes indiferentes, de perseguidores cruéis e de discípulos vacilantes, houve um homem integral que atendeu a Jesus, hipotecando-lhe o coração sem mácula e a consciência pura.
José da Galileia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às análises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições.
Já pensaste no cristianismo sem ele?
Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem.2
O Espírito Humberto de Campos, através da mediunidade de Chico Xavier3, nos relata da preocupação dos pais de Jesus com a sua educação. Eles tinham a intuição de sua missão e a ciência de parte de suas necessidades, por isso preocupavam-se em preparar o menino para o cumprimento dos desígnios superiores.
Narra-nos este Espírito importante diálogo entre Maria e sua prima Isabel, do qual citamos pequeno trecho, a respeito do tema do preparo dos filhos para o cumprimento dos propósitos do Pai:
Ainda há alguns dias, estivemos em Jerusalém, nas comemorações costumeira, e a facilidade de argumentação com que Jesus elucidava os problemas, que lhe eram apresentados pelos orientadores do templo, nos deixou a todos receosos e perplexos. Sua ciência não pode ser deste mundo: vem de Deus, que certamente se manifesta por seus lábios amigos da pureza. Notando-lhe as respostas, Eleazar chamou a José, em particular, e o advertiu de que o menino parece haver nascido para a perdição de muitos poderosos em Israel.
Com a prima a lhe escutar atentamente a palavra, Maria prosseguiu, de olhos úmidos, após ligeira pausa:
Ciente desse aviso, procurei Eleazar, a fim de interceder por Jesus, junto de suas valiosas relações com as autoridades do templo. Pensei na sua infância desprotegida e receio pelo seu futuro. Eleazar prometeu interessar-se pela sua sorte; todavia, de regresso a Nazaré, experimentei singular multiplicação dos meus temores.
Conversei com José, mais detidamente, acerca do pequeno, preocupada com o seu preparo conveniente para a vida!... Entretanto, no dia que se seguiu às nossas íntimas confabulações, Jesus se aproximou de mim, pela manhã, e me interpelou: “Mãe, que queres tu de mim? Acaso não tenho testemunhado a minha comunhão com o Pai que está no Céu!
Altamente surpreendida com a sua pergunta, respondi-lhe, hesitante: Tenho cuidado por ti, meu filho! Reconheço que necessitas de um preparo melhor para a vida... Mas, como se estivesse em pleno conhecimento do que se passava em meu íntimo, ponderou ele: “Mãe, toda preparação útil e generosa no mundo é preciosa; entretanto, eu já estou com Deus. Meu Pai, porém, deseja de nós toda a exemplificação que seja boa e eu escolherei, desse modo, a escola melhor. No mesmo dia, embora soubesse das belas promessas que os doutores do templo fizeram na sua presença a seu respeito, Jesus aproximou-se de José e lhe pediu, com humildade, o admitisse em seus trabalhos. Desde então, como se nos quisesse ensinar que a melhor escola para Deus é a do lar e a do esforço próprio concluiu a palavra materna com singeleza —, ele aperfeiçoa as madeiras da oficina, empunha o martelo e a enxó, enchendo a casa de ânimo, com a sua doce alegria! (Os grifos são nossos)
Percebemos neste singelo diálogo o cuidado dos pais de Jesus com sua educação. Ele por sua vez tinha a perfeita consciência do que era o mais importante: eu escolherei, desse modo, a escola melhor.
Como nos comportaríamos na mesma situação? Se tivéssemos um filho deste nível tentaríamos impor as nossas ideias ou saberíamos reconhecer sua superioridade não atrapalhando o seu desenvolvimento?
1 Temos usado esta expressão por não encontrar no momento outra melhor, todavia não sabemos se é certo falar em educação em relação a Jesus, que era um Espírito Puro mesmo encarnado, e que segundo Emmanuel não sofreu as restrições comuns a qualquer um de nós ao tomar um corpo de carne.
2 Levantar e Seguir, cap. 6
3 Boa Nova, cap. 2

quinta-feira, outubro 06, 2011

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus (continuação)

Magnificat


Em se tratando de um estudo sobre Maria, o Magnificat, merece um capítulo à parte, é um dos mais belos textos de todo Novo Testamento, só Lucas entre os evangelistas, e numa entrevista pessoal com a mulher de José, teria a capacidade de registrar para a posteridade tão belo poema, e que prova tudo o que dissemos anteriormente, a espiritualidade inteligente e equilibrada desta que sem a menor dúvida é a nossa Senhora.

Imagino a beleza da cena, aquela que é a mãe de todos os que sofrem, can-tando este lindo poema para o médico amigo de Paulo. Ela deve ter dito de cor, pois o sabia de coração, e ele, que à época não tinha gravador de voz, deve ter tido dificuldade para anotar, pois deve ter se emocionado ao extremo, talvez ela tenha repetido para ele várias vezes:

Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador, porque olhou para a humilde posição de sua serva.

Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem aventurada, pois o Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor.

Seu nome é santo e sua misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que o temem.

Agiu com a força de seu braço. Dispersou os homens de coração orgulhoso.

Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou.

Cumulou de bens a famintos e despediu ricos de mãos vazias.

Socorreu Israel, seu servo, lembrado de sua misericórdia – conforme prometera a nossos pais – em favor de Abraão e de sua descendência para sempre!

Não pretendemos neste momento estudar minuciosamente estes versos, mas não podemos deixar de destacar a cultura espiritual de Maria.

Ela abre o texto falando de sua comunhão com Deus de uma forma que só Jesus falará mais tarde. Coloca-se em sua digna posição de serva e assim se faz grande, engrandecendo o Senhor através de sua vivência em harmonia com Ele.

Ela faz uma síntese do Antigo Testamento, mostrando seu perfeito conheci-mento de toda Escritura.

Sintetiza também a religião das boas obras e a Lei de Deus que alimenta a-quele que se faz dependente Dele, e despede os que se acham ricos e que têm as mãos ociosas.

Dissemos no parágrafo anterior que ela faz uma síntese magistral do Antigo Testamento. O Magnificat tem dez versículos, nestes, ela faz quinze citações do Antigo Testamento os harmonizando com profunda sabedoria.

Só quem conhecia e bem as Escrituras, e tinha uma espiritualidade superior poderia construir esta oração. A seguir vamos destacar cada versículo e as cita-ções a que se referem no texto da Bíblia Hebraica.

46. Minha alma engrandece o Senhor,

O meu coração exulta ao SENHOR (I Samuel, 2: 1)

47. E meu espírito exulta em Deus em meu Salvador,

Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, (Isaías, 61: 10)

Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação. (Habacuc, 3: 18)

48. Porque olhou para a humilde posição de sua serva. Sim! Doravante as ge-rações todas me chamarão de bem aventurada,

SENHOR dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha. (I Samuel, 1: 11)

Então disse Lia: Para minha ventura; porque as filhas me terão por bem-aventurada; e chamou-lhe Aser. (Genesis 30:13)

49. Pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. Seu nome é santo

Redenção enviou ao seu povo; ordenou a sua aliança para sempre; santo e tremendo é o seu nome. (Salmo, 111:9)

50. E sua misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que o temem.

Mas a misericórdia do SENHOR é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos; (Salmo, 103: 17)

51. Agiu com a força de seu braço. Dispersou os homens de coração orgulhoso.

Tu quebraste a Raabe como se fora ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte. (Salmo, 89:10)

52. Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou.

Aos sacerdotes, leva-os despojados do seu cargo e aos poderosos transtorna. (Jó, 12: 19)

53. Cumulou de bens a famintos e despediu ricos de mãos vazias.

Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta. (Salmo, 107: 9)

54. Socorreu Israel, seu servo, lembrado de sua misericórdia

Porém tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi descendência de Abraão, meu a-migo; tu a quem tomei desde os fins da terra, e te chamei dentre os seus mais excelentes, e te disse: Tu és o meu servo, a ti escolhi e nunca te rejeitei. (Isaías 41:8-9 8)

Lembrou-se da sua benignidade e da sua verdade para com a casa de Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus. (Salmo, 98:3)

55. – conforme prometera a nossos pais – em favor de Abraão e de sua des-cendência para sempre!

E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gênesis 12:3)

Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre. (Genesis 13:15)

E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz. (Genesis 22:18)

É importante imaginar como foi a cena em que tal evento ocorreu.

Narra-nos Lucas que após Maria receber o aviso através do anjo, a respeito de sua concepção, que diga-se de passagem era um aviso mediúnico, e não fica nenhuma dúvida quanto a isso, ela se dirigiu a uma cidade de Judá para fazer uma visita a sua prima Isabel.

Esta cidade foi identificada segundo uma tradição do século V como sendo Ain Karim, e situava-se a aproximadamente 6 Km de Jerusalém.

A viagem de Nazaré a Ain Karim, segundo alguns autores, se fazia em qua-tro ou cinco dias. Como? Provavelmente no lombo de um animal. Era, portanto, uma viagem através de uma estrada ruim, cansativa, principalmente para quem estava nas primeiras semanas de gravidez. Maria devia ter a esta época algo em torno de 14 anos. Ela deve ter chegado à casa de sua prima, extenuada.

Diz o Evangelista que ao entrar na casa de Zacarias, saudou Isabel ; Isabel, ou-viu a saudação e exclamou o que no futuro viria a ser uma conhecida prece: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre! . E após ouvir a prima Maria profere o belíssimo poema-oração a que estamos nos referindo. Ou seja, ela teve a capacidade de fazer a genial síntese, o poema magnífico, em uma condição de extremo cansaço, em condições físicas precárias, mesmo assim ela se manifestou em profunda harmonia espiritual.

Nós quando estamos cansados perdemos a criatividade e até mesmo a capa-cidade de pensar com inteligência, queremos repor as energias e só depois rea-lizar algo que exija um trabalho mais elaborado.

Voltemos à nossa questão inicial, era Maria culta ou iletrada? Não sabemos, porém, podemos com certeza dizer: “era sábia”, e uma sabedoria de profunda significação espiritual.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus (continuação)


Maria era culta ou iletrada?
Esta é outra questão que não é fácil de ser respondida.
Nos dias de hoje dizemos que uma pessoa é culta se ela tem o hábito de ler e estudar, se tem muita informação intelectual. Entretanto, no que diz respeito ao primeiro século de nossa era o julgamento não pode ser feito desta forma.
Neste século, o marcado pelo nascimento de Jesus, grande era o percentual de analfabetismo. Quase não havia livros para serem lidos, e era caríssima a produção de um, desta forma, não era qualquer pessoa que tinha acesso a livros, sendo assim, poucos sabiam ler, e muito menos ainda os que tinham o hábito de estudar como fazemos hoje.
Porém, não podemos dizer por isso que eram mal informados os habitantes da Palestina a esta época. O processo de aprendizado é que era diferente, o que tínhamos era uma cultura oral, as cartas de Paulo eram lidas na comunidade cristã através de uma leitura coletiva, muitos apenas ouviam o que este valoroso apóstolo escreveu.
Tal hábito fazia com que a memória destes que se dedicavam ao estudo das escrituras fosse de grande capacidade, pois era preciso saber os textos de cor já que nem sempre era possível lê-los.
Portanto, saber ler não era pré-requisito para se ter cultura. Além disso, em se tratando de uma mulher na palestina no tempo de Jesus, eram bem poucas as chances de que a ela fosse dada a oportunidade de saber ler.
Assim, do ponto de vista de percentuais, grande é a chance de Maria não ter sido alfabetizada, o que não estamos querendo dizer com isso, que não tenha sido. Apenas dizemos de probabilidades.
O que é certo, e podemos dizer com total segurança, é que a mãe de Nosso Senhor tinha grande cultura, e muito mais ainda, uma cultura espiritual, uma espiritualidade inteligente.
Muitos chegam a dizer que Maria teria sido educada no Templo, que era não só boa leitora, como também, boa redatora. É possível, porém, não certo. Não estamos querendo trabalhar com hipóteses.
No tempo de Maria, o judaísmo não era simplesmente uma religião, era uma cultura. Entre os hebreus não se podia escolher a que religião seguir, simplesmente eram judeus. Não havia shoppings, cinemas, teatros, ou outras diversões quaisquer, o que havia era uma sinagoga, e que todos frequentavam, a sinagoga era a vida das pessoas. Nazaré era uma pequena cidade, a sinagoga deveria ser próximo de tudo, e era ali onde eles aprendiam e praticavam seus princípios de moral elevada.
Como dissemos Maria era um Espírito elevado e sem comprometimentos no campo expiatório, por isso aprendia fácil, com certeza memorizava bem, e vivenciava o que aprendia, não era culta dentro de nosso padrão atual, era sábia.
Por que podemos dizer isso com certeza? O Evangelho nos dá mostra disso a toda hora, e além do mais, Maria foi a educadora do maior Sábio de todos os tempos, e só isso bastaria para dizer que ela foi entre todas a melhor educadora.

terça-feira, setembro 06, 2011

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus (Continuação)



A Gravidez Virginal
Outro tema polêmico e complexo é o da gravidez de Maria que alguns creem ter acontecido sem contato sexual entre ela e José, seu marido.
Dissemos ser complexo, porque tudo o que dissermos a respeito não passa de opinião pessoal, já que não temos condições de provar nem a tese da gravidez virginal nem a da gravidez comum.
Mesmo o Espiritismo não elucida o tema, não há informações confiáveis a respeito. Para um assunto de tal complexidade teríamos que retomar o Controle Universal do Ensino dos Espíritos1, o que foi por nós abandonado há muito tempo.
As melhores informações que temos tanto sobre Jesus, quanto sobre Maria, são as narradas nos Evangelhos. E o que dizem eles a respeito?
Marcos e João não comentam nada a respeito, Mateus e Lucas são claros: Maria e José não tiveram contato sexual antes da concepção de Jesus.
As igrejas cristãs ligadas ao catolicismo e à reforma protestante defendem a literalidade dos Evangelhos. Dentro do Espiritismo, que tem por norma uma investigação mais segura dentro de padrões científicos, as opiniões são divididas, uns creem como os cristãos tradicionais, outros não aceitam a gravidez virginal.
Dizem os defensores desta última hipótese que as narrativas dos Evangelhos a respeito do nascimento de Jesus são expressões de um simbolismo profundo, e que nada têm de históricas.
Pode ser, aliás, todo o Evangelho tem um conteúdo simbólico de grande profundidade, entretanto, cremos, que o simbolismo do Novo Testamento – a não ser no caso da parábolas - tem por princípio eventos reais, e não acontecimentos imaginados. Jesus escolhia momentos, lugares, personagens, didaticamente perfeitos para seus ensinamentos, mas antes de buscarmos o conteúdo espiritual de suas lições, é preciso compreendermo-las em seu sentido literal, histórico e cultural, só a partir daí devemos buscar seu sentido espiritual.
Não estamos com este argumento defendendo a gravidez sem contato sexual, como dissemos, o tema é complexo e deverá ser melhor analisado no futuro.
Estes que defendem a gravidez natural de Maria e um relacionamento sexual dela com seu marido antes da fecundação de Jesus, partem do princípio de que se assim não fosse estaria sendo ferida uma Lei Universal, e Espíritos Superiores jamais derrogam uma lei qualquer que seja, antes, cumprem-na com fidelidade.
Têm razão, porém, será que uma gravidez sem contato sexual fere alguma Lei Natural? Não temos hoje vários exemplos de gravidez gerada em laboratório?
Estamos tentando fazer uma análise espírita do tema, e deste ponto de vista, a ciência do Mundo Espiritual mesmo no tempo de Jesus era muito superior à nossa atual do mundo em que vivemos, e se esta pode algo fazer, aquela podia com muito mais facilidade. Assim, uma fecundação espiritual para Jesus, não é algo que fere nenhum princípio de ciência segundo cremos. Voltamos a repetir, não estamos com isto dizendo que assim se deu, só estamos analisando possibilidades.
De onde surgiu esta ideia de uma gravidez virginal?
Na literatura pagã há muitos casos de nascimentos virginais, alguns heróis dos clássicos gregos e romanos eram semideuses, há também na Bíblia Hebraica nascimentos sob a intervenção divina.
No caso de Jesus a ideia surge num texto de Isaías. Segundo a narrativa do livro deste profeta temos:
Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.2
Porém, a palavra hebraica usada por Isaías que traduzida deu virgem é almah que significa literalmente mulher jovem em idade para casar ou recém casada. Quando se traduziu a Bíblia Hebraica para o grego, na versão da Septuaginta, almah foi traduzida por parthenos. “Parthenos” quer dizer tanto uma moça jovem, quanto uma mulher que nunca teve relação sexual com homem, é como no português falado no Brasil a palavra “moça”, que tem tanto o sentido de uma mulher jovem, como a que ainda não teve relações sexuais.
Assim, no texto original de Isaías, não é passado esta ideia de virgindade, mas que uma jovem geraria o Messias.
Portanto, a dúvida continuará e só com o nosso amadurecimento espiritual, o que se dará em paralelo ao desenvolvimento moral, teremos melhores condições de analisar o fato.
O que importa para nós é que Maria era virgem no sentido de fidelidade a Deus, os antigos profetas várias vezes se referem Israel como um “prostituta” por terem sido infiéis à aliança feita com Deus. Virgem é o oposto de prostituta, é justamente ser fiel à Divindade.
Neste sentido Maria de Magdala ao ser desligada de seus obsessores e se converter ao Cristo, tornou-se uma grande virgem do Novo Testamento, e nós se quisermos também gerar em nós o “Filho do homem”, ou o homem novo, teremos que, do mesmo modo nos tornarmos virgens.

1 Cf. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, item II
2 Isaías, 7: 14

terça-feira, agosto 30, 2011

Maria de Nazaré: A Educadora de Jesus



Parte I
Quem foi Maria?
Falar de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, não é fácil devido a falta de informações que temos dela, e entre as que temos poucas são confiáveis, isentas e imparciais do ponto de vista religioso.
Estão no Novo Testamento, apesar de raros, os melhores esclarecimentos que temos da mãe de nosso Senhor Jesus.
Nós, os espíritas, ainda temos o privilégio de termos algumas anotações vindas do Plano Espiritual que nos ajudam a esclarecer sobre a grande evolução e a missão deste nobre Espírito.
Não temos informação de como foi sua infância, nem de sua adolescência; a tradição crista nos informa que Maria era filha de Joaquim e Ana. Seus pais eram judeus e pelo que podemos depreender dos textos do Evangelho formavam uma família simples e praticantes fieis de seus princípios religiosos.
Provavelmente nasceu entre os anos 18 e 20 a.C., e como era habitual àquele tempo, deve ter casado por volta de seus 14 anos.
Os historiadores do cristianismo apontam como data provável do nascimento de Jesus o ano 6 a.C., o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier define o ano 5 a. C. como sendo o correto para a vinda do Cristo à carne. O casamento de Maria deve ter acontecido de seis meses a um ano do nascimento de seu primogênito.
Outra questão que não temos como certa é se Maria teve ou não outros filhos além de Jesus. O Evangelho não é totalmente claro a respeito; Mateus fala que ele teve irmãos e irmãs, e até dá o nome de seus irmãos1. Entretanto, em hebraico ou em aramaico, os primos também eram chamados de irmãos.
Muitos estudiosos contestam esta questão de os supostos irmãos de Jesus serem seus primos. Afirmam estes que era uma realidade que o termo hebraico designava tanto irmão quanto primo, porém ressaltam que o Evangelho foi escrito em grego, e no grego temos duas palavras distintas, adelphos, para irmão, e anepsios que é literalmente primo. Portanto, insistem, se os autores do Novo Testamento, que à época sabiam se eram primos ou realmente irmãos, quisessem falar em primos, usariam anepsios e não adelphos.
Outro argumento a favor de serem irmãos é que na maioria das vezes em que eles são citados no Evangelho estão acompanhados de Maria; por que, perguntam, eles estariam sempre acompanhados da tia?
Há uma terceira hipótese, menos comentada e menos provável, a de que José ao casar com Maria já teria outros filhos de casamento anterior, e estes é que seriam os irmãos de Jesus.
Como este não é o objetivo principal deste estudo, não vamos mais nos ocupar com este tema. No judaísmo era comum o casal ter muitos filhos, era uma benção de Deus, o que faz crer a alguns que José e Maria seriam pais de uma prole maior; todavia, não há esta necessidade, a família de Jesus era sem dúvida uma família especial, e poderia, portanto, ser diferente das demais sem nenhum desmerecimento para eles.
O certo, é que Maria era um Espírito de altíssima evolução, um dos mais puros que encarnou neste Orbe governado espiritualmente por Seu Filho Jesus.

Continua...
1 Cf. Mateus, 12: 46 e Mateus, 13: 55 e 56. Ver também Marcos, 6: 3

quarta-feira, agosto 03, 2011

Muitas Moradas na Casa do Pai


Na casa de meu Pai há muitas moradas, se assim não fosse eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar. (João, 14: 2)
Na casa de meu Pai há muitas moradas… – A casa do Pai é todo o Universo. As várias moradas são as infinitas possibilidades evolutivas em que se encontram todos os seres criados. Assim, há mundos onde a perfeição é estado natural, como há outros dando os primeiros passos na escala evolucional. Na casa do Pai há muitas moradas.
Quando Jesus diz meu Pai, Ele nos fala do Pai no Seu modo superior de entender. Como Ele, Jesus, tem maior alcance de compreensão, pode ver muito mais do que qualquer um de nós a infinidade dessas moradas, pois o que é maior pode mais do que o menor. É esta visão plena que Ele quer dar a Seus discípulos; como estes – ou nós mesmos – não têm a possibilidade de compreendê-Lo totalmente, Ele faz uma adequação chamando Deus de Pai e todos esses estados em que se pode encontrar um espírito de moradas.
Desse modo, Ele fala dos bilhões e bilhões de estrelas existentes no Cosmos, como dos vários planos extrafísicos de nosso pequenino globo, como também do estado íntimo em que cada um de nós se encontra. É o micro e o macro se fazendo um.
porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como também alguns dos vossos poetas disseram…1
se assim não fosse eu vos teria dito… – A missão maior de Jesus é a de educar. Ele é o Mestre por excelência, o Educador maior da humanidade.
Deste modo, Ele não pode, de maneira nenhuma, divulgar algo falso ou usar a palavra para ensinar inverdades. Se assim não fosse eu vos teria dito…, ou seja, “Eu tenho um compromisso com a verdade, e se fosse de outro modo é disto que eu estaria vos falando”.
Assim, é preciso compreender que Jesus jamais deixou de atender às expectativas daqueles que creem ou creram Nele no que diz respeito às revelações. Se ainda não vemos em Suas palavras toda a Verdade Universal, é porque nem sempre as compreendemos como deveríamos, isto é, falta-nos a envergadura espiritual para entendê-Lo em espírito e verdade. O próprio Kardec já dizia:
Se o Cristo não pôde desenvolver o seu ensino de maneira completa, é porque faltavam aos homens conhecimentos que eles só poderiam adquirir com o tempo, e sem os quais não o compreenderiam; há muitas coisas que teriam parecido absurdas no estado dos conhecimentos de então. Completar o seu ensino deve entender-se no sentido de explicar e desenvolver, não no de ajuntar-lhe verdades novas, porque tudo nele se encontra em estado de gérmen, faltando-lhe só a chave para se apreender o sentido das palavras.2 (Grifo nosso.)
Portanto, a lei da evolução, conforme ensinam os espíritos na Codificação Espírita em harmonia com o que ensinou Jesus em seu Evangelho, é um desdobramento da Lei Maior da Vida, se assim não fosse Ele nos teria dito.
pois vou preparar-vos um lugar. – Este dizer do Senhor é daqueles que, por terem sido mal compreendidos, gerou a ilusão de um Reino localizado geograficamente em algum lugar no espaço. É preciso aprofundar o ensinamento, tirar o sentido espiritual das palavras do Mestre. A verdade, na maioria das vezes, está no que não se vê.
Neste plano em que vivemos, onde existe uma desarmonia aparente, há lugares em que existe paz; outros em que vige a guerra; uns onde predomina o ódio; outros o amor. Assim, na atualidade de nosso entendimento, é possível situar o “Céu” em algum lugar do espaço, do mesmo modo que existem mundos felizes e outros infelizes. Porém, a conquista definitiva do “Céu” é conquista íntima, e cada um de nós a realizará por si mesmo. Quando tal conquista estiver efetivada em nós mesmos, onde quer que estejamos ela estará conosco. Para muitos, a Terra é um vale de sombras, para Jesus ela foi sempre um ambiente de Harmonia com o Criador, pois Ele está num estado maior de espiritualidade sempre equilibrado com a Verdade Universal.
Dizendo deste modo, pois vou preparar-vos um lugar, Jesus nos fala da importância de ir, deixando Seus discípulos no mundo, para que eles, fazendo uso do que aprenderam, pudessem por si mesmos conquistar efetivamente o Reino pela vivência do Evangelho. O Rabi nos fala de um lugar, e não de “o lugar”, confirmando o que dissemos que não existe um local fixo denominado Reino dos Céus, mas que, em qualquer lugar onde estejamos, se estivermos em conexão com as Leis Imutáveis, estaremos no lugar preparado que sempre foi nosso desde o princípio dos tempos.



1 Atos, 17:28.
2 A Gênese, cap. I, item 28.

sexta-feira, maio 27, 2011

Deus Se Revela Por Meio do Cristo


Hebreus, 1: 1 a 3
Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos. É ele o resplendor de sua glória e a expressão do seu ser; .1

A Epístola aos Hebreus é um dos documentos mais fecundos de todo Novo Testamento, apesar disto nenhum deles é tão problemático no que diz respeito a analise sobre sua autoria, sobre quando foi escrito, onde e para quem. Isto para citar somente algumas das dificuldades que encontram os estudiosos desta valiosa carta.
Sobre o seu autor deste os tempos dos Pais da Igreja têm-se duvidas sobre quem seria, a ponto de, segundo Euzébio, Orígenes ter dito que só Deus sabe quem escreveu esta epístola. Outros dizem que o autor de Hebreus é como Melquisedeque, sem pai, sem mãe, e sem genealogia, tudo isto para confirmar o estado de indefinição sobre quem a teria escrito.
É quase unanimidade entre aqueles que se têm ocupado com a análise deste texto que ele não é de Paulo.
Os que defendem esta ideia têm argumentos muito sólidos. Falam de um estilo e uma linguagem completamente diferente das epístolas anteriores do apóstolo dos gentios, de um grego muito superior ao comumente usado pelo autor de Romanos, Gálatas, Coríntios, entre outras. Isto para citar apenas algumas dificuldades em se estabelecer o autor que uns pensam ser Barnabé, Lucas, Apolo, Prisca, Áquila ou outro de uma lista ainda maior.
Quanto ao lugar em que foi escrita a dificuldade em localizá-lo não é menor. O mais comum é aceitar Roma, todavia há-se a hipótese de Jerusalém e até mesmo Alexandria. A data da redação mais aceita é entre os anos 60 e 70 de nossa era, entretanto alguns eruditos pensam que pode ir até o ano 90 a possibilidade de sua origem.
Até mesmo quanto aos destinatários os estudiosos têm dúvidas apesar do título Aos Hebreus. É que este título não fazia parte do documento original.
Muitos outros pontos poderiam ser analisados a respeito desta carta como literatura, entretanto este não é nosso objetivo, que sempre é o de saber o que verdadeiramente este texto pode nos ajudar em nosso aperfeiçoamento moral, de como podemos aplicar seus ensinamentos em nossa vida diária atingindo assim o objetivo de nossa encarnação.
Só para findar estes breves comentários, e isso não pode deixar de ser dito e levado em conta para nós que interpretamos o Evangelho pela ótica Kardequiana, Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, no Livro Paulo e Estevão2, dá-nos importantes informações sobre os temas que comentamos. Segundo este autor espiritual, Hebreus foi escrita por Paulo, e diz mais, foi talvez a única toda escrita por Ele de próprio punho, que ele foi visto muitas vezes escrevendo em lágrimas. E que foi dirigida aos seus irmãos de raça e que foi grafada enquanto estava preso em Roma entre os anos 61 e 63.
Diz sim, que ela tinha um estilo singular e ideias grandiosas e incomuns, mas era mesmo de autoria do grande apóstolo converso às portas de Damasco.
Sendo assim, na continuidade de nossos estudos vamos considerar que Paulo é o autor de Hebreus, independente de ser esta ou não a realidade aceita pelos eruditos modernos. Não desconsideramos suas razões, mas se assim fazemos é porque se ninguém sabe qual é a realidade preferimos seguir o lúcido e bem informado guia de Chico Xavier e por considerar que se ele foi o Espírito destacado pelo próprio Espírito de Verdade para ser o responsável pela orientação da obra deste valioso médium encarregado de evangelizar o Brasil e consequentemente o mundo pelas diretrizes do Cristianismo Redivivo, achamos que ele tem autoridade sobre este assunto e sobre qualquer outro de natureza evangélico-moral.

(Leia o texto Completono Site Espiritismo e Evangelho )