Dando continuidade ao nosso estudo anterior, que você pode conferir clicando neste link: Parte 1 - A Simbologia da Água em João, Seguimos agora com a continuação.
O Tanque de Betesda: A Água e a Vontade
“Queres ficar são?": Da Expectativa Externa à Ação Pessoal (Jo, 5:1-9)
Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.
E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? (Joao, 5: 4 e 6)
Neste relato, encontramos uma multidão de enfermos à espera do movimento das águas por um anjo. Segundo a narrativa evangélica, Jesus aproxima-se de um homem que estava enfermo havia trinta e oito anos e lhe faz uma pergunta desconcertante: “Queres ficar são?” (v. 6).
- A Água Estagnada (A Dependência do Fenômeno): O tanque de Betesda representa as religiões de fórmulas externas e a busca por curas mágicas. O enfermo tipifica a alma paralisada que deposita no "anjo" (no externo, no acaso ou no outro) a responsabilidade pela sua própria melhora.
- O "Movimento" Verdadeiro: Jesus ignora o ritual do tanque. Ele não espera a água mover-se; Ele move a vontade do homem. Ao dizer "Levanta-te, toma a tua cama, e anda" (v. 8), o Mestre revela que a verdadeira "água curativa" é a mobilização da vontade em harmonia com as Leis Universais.
- Sentido Espírita e Magnético (Kardec): Como explica Allan Kardec em A Gênese, a cura aqui é um fenômeno de magnetismo espiritual. Jesus, como Espírito Puro, irradia seu fluido vital sobre o enfermo, mas a cura só se consolida porque o 'comando' do Mestre encontrou a resposta ativa do enfermo. É a cooperação necessária entre o magnetismo do Cristo e a adesão da vontade do paciente.
- O Sentido Reeducativo (Emmanuel):
Emmanuel, em suas lições sobre este trecho, destaca que muitos de nós somos "paralíticos espirituais" à beira de tanques de esperança, aguardando que o céu faça por nós o que nos cabe fazer. A pergunta de Jesus — "Queres ficar são?" — é o convite à autorresponsabilidade.
O Fim das Justificativas:
Diferente da Samaritana, que pediu a água, o homem de Betesda apresentou desculpas ("Senhor, não tenho homem algum..." - v. 7). Jesus ensina que, para a água da vida jorrar, é preciso abandonar a muleta das justificativas e assumir o "andar" na direção do bem.
Diferente da Samaritana, que pediu a água, o homem de Betesda apresentou desculpas ("Senhor, não tenho homem algum..." - v. 7). Jesus ensina que, para a água da vida jorrar, é preciso abandonar a muleta das justificativas e assumir o "andar" na direção do bem.
Jesus Caminhando sobre as Águas: O Domínio do Espírito
"Sou eu, não temais": A Mente sobre a Matéria (Jo 6:16-21)
Neste sinal, a água aparece em sua expressão mais desafiadora: o mar revolto pela tempestade. Jesus não apenas acalma o vento (como nos Sinóticos), mas caminha sobre o elemento líquido, revelando sua natureza de Espírito Puro e sua total autoridade sobre a matéria.
- O Mar e o Caos: As águas agitadas simbolizam as turbulências da vida humana, as paixões desordenadas e o medo do desconhecido. Os discípulos, no barco (a instituição ou a própria vida física), sentem-se à mercê das forças da natureza.
- O Domínio Fluídico: Conforme dissemos anteriormente, Jesus demonstra o que Allan Kardec explica em A Gênese: o Espírito Superior possui tamanha autoridade sobre os fluidos e a matéria que pode modificar suas propriedades. Caminhar sobre as águas é a prova viva de que a vontade espiritual, em se tratando de um Espírito Messiânico, está acima das leis pesadas da matéria densa.
- O Sentido Reeducativo (Emmanuel): Em muitas de suas mensagens, Emmanuel destaca que Jesus caminha sobre as "ondas das dificuldades" para nos mostrar que o segredo da paz não é a ausência da tempestade, mas a presença do Cristo no comando da mente. O convite é para que deixemos de olhar para o abismo (o medo) e fixemos o olhar na Luz (a fé).
O Triunfo sobre o Medo:
- Jesus ensina que, para quem despertou a "fonte íntima" (Cap. 4) e assumiu a "autorresponsabilidade" (Cap. 5), os desafios externos deixam de ser ameaças para se tornarem degraus de aprendizado. O medo é o resíduo da nossa imaturidade espiritual; a confiança é o fruto do nosso domínio sobre nós mesmos.
Jesus não caminhou sobre as águas para exibir poder, mas para socorrer os discípulos que estavam em aflição. É o Poder a serviço do Amor.
O Sacrifício no Calvário: A Doação Total
Sangue e Água: O Ápice da Entrega Espiritual (Jo 19:31-37)
Contudo, um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água...(Jo, 19: 34)
No encerramento da jornada terrena de Jesus, o evangelista João registra um detalhe físico de profunda repercussão espiritual. No momento em que a lança atinge o lado do Mestre, a efusão de sangue e água sela a missão de Cristo encarnado que se entregou inteiramente à humanidade.
- O Sangue (A Vida e a Luta): Representa o sacrifício da matéria, a vida oferecida em testemunho de fidelidade a Deus. É a prova do "Jesus Humano", que viveu as dores e limitações da carne até o último suspiro.
- A Água (A Pureza e o Espírito): Simboliza a limpeza definitiva e a vida espiritual que jorra do Cristo mesmo após a morte do corpo. Sob a ótica espírita, essa água representa a pureza de um Espírito de Luz que, ao ser "ferido" pelo mundo, responde apenas com a doação de si mesmo.
- Reflexo da Vida Comum (Emmanuel): Em Caminho, Verdade e Vida, Emmanuel nos recorda que o Cristo não guardou nada para si. Do Seu lado aberto, jorrou o recurso para a lavagem das nossas ilusões. A "água" do Calvário é o convite final à abnegação: a verdadeira vida só jorra quando aprendemos a nos doar sem reservas.
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