quinta-feira, novembro 23, 2023

O Sermão Profético de Jesus - O Sol Escurecerá...






E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. (Mateus, 24: 29 e 30)



E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. 

E, logo depois… - Esta expressão define para nós que em se tratando de acontecimentos dentro do andamento natural da Lei, tudo tem a sua a hora, existe uma sequência a ser cumprida sem ferir a ordem geral que tudo rege. 

…da aflição daqueles dias… - Daqueles dias exprime, como temos dito, estes momentos de transição necessários a passarmos de uma fase a outra. São dias difíceis tanto no particular quanto no geral. Se existem obstáculos a serem vencidos pela individualidade, o mesmo podemos dizer da coletividade; originando, deste modo, guerras, calamidades e doenças generalizadas que tanto nos incomodam. 

Entretanto, se tais situações são geradoras da aflição predita por Jesus, muito maior é a que sentimos no campo íntimo, por já possuirmos o discernimento espiritual sem todavia, alterarmos nossa conduta para melhor como se faz necessário; é o que poderíamos chamar de angústia gerada pelo "complexo de Moisés", que é aquele sentimento de ver a "Terra Prometida", sem no entanto poder adentrá-la. Ou seja, nós muitas vezes sabemos o que fazer, sem entretanto realizarmos deste modo; temos o sentimento do Reino, sem, todavia, lá nos situarmos como posição conquistada. Esta dualidade em que nos situamos, nos causa profundo desconforto, sendo deste modo, a causa desta angustia das nações de que nos fala Lucas, porque qual a origem do todo, senão o que vai na intimidade das partes? 

… o sol escurecerá… - O sol, como elemento mantenedor de nosso sistema planetário, podemos entendê-lo como a própria Luz Divina. Então, como compreender que ele escurecerá, se a Luz vinda de Deus não se apaga nunca? 

É que devemos entender a vinda do Filho do homem como o momento da ressurreição[1] da própria criatura, e não podemos esquecer que a esta antecede a crucificação. O escurecimento do sol, é justamente este instante de martírio íntimo, em que nem mesmo o auxílio espiritual parece nos socorrer, é aquele momento em que procuramos ajuda num amigo, e ele não se encontra, procuramos por uma página consoladora e mensagem que cai é outra completamente diferente do que estamos querendo; nos alertando assim, para a necessidade de vencermos aquele momento com recursos próprios. O amparo do Alto existe, mas é como se houvesse um hiato, para que possa ser avaliado as nossas possibilidades. Foi para nos ensinar que este momento seria necessário, que Ele o Maior entre todos os educadores, disse: 

Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?[2] 

…e a lua não dará a sua luz… - A lua não tem luz própria, a luminosidade que ela manifesta é originária do sol, assim, podemos simbolizá-la, como aqueles valores que possuímos ainda não devidamente acolhidos em nossa intimidade como conquista definitiva; deste modo, para que eles se manifestem é necessário um contato maior com o grupo que nos apoia ou com a nossa Consciência Profunda; quando falta a luminosidade do sol íntimo, a nossa lua, também não dará a sua luz. É o momento da fé vacilante, é como se faltasse aquele piso que nos dá a devida segurança. 

…e as estrelas cairão do céu… - As estrelas são justamente aqueles recursos que falamos anteriormente, com os quais temos de contar nestes instantes aflitivos, é a luz própria, ou dizendo de outro modo, as virtudes conquistadas. Num primeiro momento podemos pensar que elas também falharão, pois fala-nos o Senhor que elas cairão do céu. Mas é questão de interpretação, elas cairão do céu, quer dizer que naquele momento, elas não vão iluminar a coletividade, vão atender é às nossas necessidades mais íntimas; estrelas serão sempre estrelas, não há perda ou retrocesso na Economia da Vida. A queda das estrelas do céu, quer justamente dizer que elas vão sair do plano simplesmente contemplativo, para o operacional, será a dinamização dos recursos que já possuímos, no sentido de construirmos a própria segurança. 

…e as potências dos céus serão abaladas. – Se tudo isto se dará no campo íntimo, haverá logicamente, e como dissemos em outra parte, um reflexo no coletivo. As potências dos céus são justamente aqueles Espíritos encarnados ou desencarnados já afinados com os valores espirituais, e que trabalham na Seara do Cristo para a implantação do Evangelho no coração das criaturas; ou ainda, representam a própria Mensagem do Eterno que sempre esteve presente no seio de todos os povos. Quando Jesus diz que elas serão abaladas, não fala de um abalo em si mesma, pois o que é de Deus, não sofre oscilações; fala-nos de um abalo de fora para dentro, o que é natural, de uma descrença que pode acontecer, de uma supremacia dos valores do mundo sobre os valores do Cristo. É o que deixa-nos nas entrelinhas a mensagem da morte de Jesus; por dois dias a terra, representando o poder transitório ficou em cima do Cristo – são os dois milênios de domínio das trevas -; para no terceiro dia – terceiro milênio – haver a Ressurreição, e as Potências do Céus, que representam a Verdade de Deus, ficarem acima da terra, ou, reinarem na Terra como um planeta Governado e Dirigido pelo Cristo de Deus. 

Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. 

Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem… - Após estes momentos de dores e de angústias, onde todos serão testados, tanto individual como coletivamente, informa-nos o Senhor que, então, isto é, como consequência do amadurecimento gerado por estes acontecimentos, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. Esta é uma manifestação da misericórdia divina, e do andamento natural da Lei; quando finda o tempo necessário ao aprendizado, inicia uma nova fase, baseada nos valores conquistados. 

O sinal do Filho do homem aparecerá no céu, ou seja, através de nossa vinculação com um estado de espírito superior. O Cristo existiu desde sempre em nós, e também em todas as manifestações do nosso orbe…  

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.[3] 

Entretanto, devido à nossa sintonia inferior não O percebemos… 

…estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu.[4] 

Ele aparecerá no céu. Este é um prenúncio de que está a terminar nossos ciclos de resgate, pois conforme nos diz Jesus segundo as anotações de Lucas, está próxima a nossa redenção.[5] Ou segundo os dizeres do converso de Damasco: 

Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus… 

…na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.[6] 

…e todas as tribos da terra se lamentarão… - As nações e os povos antigos eram subdivididos em tribos. O uso desta expressão aqui significa que todos se lamentarão; a mais intima das células da sociedade se lastimará diante do grande acontecimento que será o reencontro com o Filho do homem. Este lamento se dá, porque por mais que realizemos em favor do progresso espiritual, a Misericórdia do Criador é ainda maior, e veremos neste encontro conosco mesmo, que poderíamos ter feito mais. Tal situação é muito comum de se dar no regresso do Espírito ao plano espiritual após uma oportunidade reencarnatória. No momento em que ele se vê diante de si, e de suas realizações, o primeiro sentimento que tem, é o de que perdeu oportunidades; sendo que alguns ainda afirmam que nem mesmo o maior dos fracassos no plano da matéria é mais doloroso do que a vergonha que se sente por ter, em vários momentos, se estacionado, ou simplesmente deixar de ter feito o Bem. 

Se isto se dá no final de uma simples etapa encarnatória diante da grandeza da Vida Espiritual, o que não se dará no final de um ciclo maior, em que o Espírito muitas vezes se vê diante da oportunidade de uma promoção a um Mundo mais elevado em matéria de espiritualidade? 

…e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu… - A nuvem é o cenário normal da manifestação dos Espíritos representantes de Deus ou do Filho do homem, conforme vemos em Daniel, no Apocalipse, e em outros livros tanto do Velho como do Novo Testamento: 

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.[7] 

Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém![8] 

Disse, pois, o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque eu apareço na nuvem sobre o propiciatório.[9] 

Esse vir sobre as nuvens, quer justamente dizer-nos do caráter espiritual que terá esta manifestação, virá do Alto, em uma, e de uma vibração elevada, superior a tudo o que conhecemos neste mundo transitório. Este momento de Unificação Plena com o Criador é Único, Deus é espírito, e só espiritualmente podemos compreendê-Lo. 

…com poder e grande glória. – Ter poder é ter possibilidade, autorização, força, para realizar algo. Nada dá mais poder do que a Autoridade conquistada pela vivência do que se conhece, a glória é justamente esta conquista. 

A Lei Divina é o regulamento que tudo dirige, tanto no micro quanto no macrocosmo; tanto no mundo físico, quanto no espiritual. Estar em acordo com esta Regulamentação, é estar Uno com o Pai, é ter em si o Verdadeiro Poder, o único que realmente dá segurança e força para qualquer realização. 

Quando deste modo, realizamos em nós a edificação estruturada na Verdade Universal, adquirimos este Poder, e a Glória será tão grande que nada será capaz de impedir a nossa total e definitiva vitória sobre o mundo e todas as suas imperfeições. 

Não é outro o sentido das Palavras Daquele que assim tendo feito, pôde declarar-Se com a Suprema Autoridade, ser o Pão da Vida: 

E, naquele dia, nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.[10] 



[1] Adotamos aqui a idéia de ressurreição como ressurgir para a Vida, e não como ressurreição de corpos, que segundo algumas crenças se dará no dia do juízo final. 

[2] Mateus, 27: 46 

[3] João, 1: 3 

[4] João, 1: 10 

[5] Conforme Lucas, 21: 28 

[6] Romanos, 8: 19 e 21 

[7] Daniel, 7: 13 

[8] Apocalipse, 1: 7 

[9] Levítico, 16: 2 

[10] João, 16: 23 


Texto extraído do Livro O Sermão Profético

Disponível em:

Instituto Desperance

Amazon Cláudio Fajardo



Apocalipse - Mitos e Verdades com Haroldo Dutra Dias

 



 

segunda-feira, novembro 13, 2023

Bíblia Espírita

                                                                               
 
 
 
 

Em nossos estudos temos falado que a Bíblia é o livro mais importante que já foi editado em todos os tempos.

Recentemente fomos arguidos se achamos que a Bíblia é mais importante do que a Codificação Espírita. Ao que respondemos com muita consciência, que não, pelo simples motivo de que, em nosso entendimento, a Codificação Espírita faz parte da Bíblia.

Como assim? Podem perguntar alguns…

Para responder esta questão temos de lançar mão de alguns dados históricos a respeito da formação da Bíblia.

Não pretendemos aqui fazer nenhum estudo aprofundado sobre o assunto, apenas registrar algumas informações para que possamos melhor responder a esta questão.

 

Bíblia

 

Os textos da Bíblia surgiram ao longo de vários séculos, em lugares e tempos diferentes, através de diversos autores. O livro de Hebreus, confirma isto. (Hb, 1: 1)

Os relatos mais antigos datam entre 1500 e 1200 a.C através de registros que habitualmente eram orais.

Podemos dizer mesmo que os primeiros escritos surgiram durante o exílio da Babilônia e depois dele pelos judeus remanescentes em Judá, que uniram tradições orais e litúrgicas formando assim os primeiros manuscritos.

Entretanto, mesmo estes textos não mostravam a Bíblia como ela é hoje. Alguns estudiosos afirmam que a configuração do que chamamos de Antigo Testamento só se deu após o ano 70 d.C..

Este livro que chamamos Antigo Testamento, era conhecido como Bíblia Hebraica ou Judaica.

 

Entre o III e o I século a.C quando os judeus estavam sobre o domínio dos Ptolomeus, para atender ao desejo e à necessidade dos helenistas a Bíblia Hebraica foi traduzida para o grego originando assim, o que conhecemos hoje como Septuaginta ou Bíblia dos LXX.

É preciso considerar que esta não foi apenas uma tradução, mas a Septuaginta fez várias alterações na Bíblia Hebraica, entre elas a mudança de títulos de vários livros, a ordem dos mesmos, inclusive incluindo livros que originariamente foram escritos em grego e que não estavam na versão hebraica. Além de que alguns rabinos apontavam erro em várias expressões traduzidas. Todavia, as comunidades cristas dos primeiros séculos aceitaram naturalmente a Bíblia grega e fizeram dela sua Escritura, talvez porque os autores do Novo Testamento ao citarem o Antigo Testamento usam-na quase sempre o que demonstra que Jesus e seus apóstolos a usavam para suas reflexões como Escritura confiável.

Assim, mais tarde, quando a tradição cristã agregou à Escritura antiga a sua Escritura, ou seja, o Novo Testamento ao Antigo Testamento, ela usou a Septuaginta e a ela acrescentou os livros canônicos do Novo Testamento criando assim a Bíblia Cristã, formada pelo Antigo e Novo Testamento.

 

No século XVI, com o movimento reformista que deu origem à reforma protestante, os cristãos reformistas aboliram de sua Bíblia os livros do Antigo Testamento que não faziam parte da Bíblia Hebraica, dando assim origem a outra Bíblia Cristã que seria adotada por todas escolas protestantes, com sessenta e seis livros, ou seja, sete a menos que a Bíblia Cristã de origem católica.

 

Concluindo o que dissemos até agora vimos então que temos assim, pelo menos quatro Escrituras oficiais, formando deste modo, quatro Bíblias diferentes, isto é, a Bíblia Hebraica, a Bíblia Grega, A Bíblia Cristã Católica e a Bíblia Cristã Protestante, isto sem falar da Bíblia Samaritana, dos Targuns aramaicos entre outras que são menos conhecidas do público leigo.

 

 

Doutrina Espírita

No Século XIX, quando do Advento do Espiritismo, os Espíritos mostraram a Kardec que a Revelação Espírita não era uma revelação que fazia da Doutrina Espírita apenas mais uma religião ou filosofia. E sim que fazia parte de um projeto de Deus de três revelações que estavam interligadas entre si.

Se as Revelações (as três) eram de Deus, elas teriam que ser uniformes e sem contradições, pois Deus é imutável e a verdade não pode estar em coisas que se contradizem.

Santo Agostinho, o bispo de Hipona, disse: "O Novo Testamento está oculto no Antigo e o Antigo está revelado no Novo". Do mesmo modo podemos afirmar sem nenhuma dúvida que a Doutrina Espírita está oculta no Antigo e no Novo Testamento, e que ambos estão revelados na Doutrina Espírita.

Nossos irmãos católicos e protestantes têm a Bíblia como livro inspirado e de autoria espiritual do Espírito Santo. Na Bíblia Espírito Santo e Espírito de Verdade são expressões sinônimas, e todos os espíritas sabem que a autoria espiritual da Codificação Espírita é o Espírito de Verdade, ou seja, o mesmo autor espiritual da Bíblia.

Podemos assim considerar que a Doutrina Espírita como 3a Revelação tem como obras básicas cinco livros: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e a Gênese.

A 1ª Revelação, atribuída pelos Espíritos a Moisés, tem também cinco livros básicos: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Se analisarmos bem esta também é a configuração da 2ª Revelação. São quatro Evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João, e temos o Apocalipse como a quinta obra básica, pois o Apocalipse também é Evangelho já que ele termina com a "Boa Notícia" da Nova Jerusalém e a Volta de Jesus através do Novo Céu e da Nova Terra como transformação moral da humanidade da Terra.

Portanto, coincidência ou não, e nós particularmente achamos que não é coincidência, a 1a Revelação inicia-se com "Gênesis" e a última, a 3a, termina com "A Gênese". E se analisarmos que o conteúdo moral delas é o mesmo vamos perceber que a identidade de Seu Autor espiritual é a mesma.

Como síntese do que temos dito até então, podemos afirmar que se o judaísmo mais tradicional tem na Bíblia Hebraica sua Escritura, se o Judaísmo Helenista tem na Septuaginta a sua Bíblia, e se há uma Bíblia Cristã Católica, e uma Bíblia Cristã Protestante, por que não pode haver também uma Bíblia Espírita como Escritura confiável da Doutrina Espírita? Nós também somos cristãos e temos o mesmo ideal de redenção através da vivência evangélica. Se a Bíblia tradicional é considerada por nossos irmãos, como Palavra de Deus, o mesmo podemos dizer, assim, de nossa Bíblia, que tem nos livros de Moisés e nas outras complementares do Antigo Testamento o 1º Testamento; nos Evangelhos e nas outras obras complementares do Novo Testamento, o 2º Testamento; e na Codificação Espírita e nas obras complementares de Kardec e de Francisco Cândido Xavier o 3º Testamento.

Espero assim ter respondido à questão a nós dirigida conforme narramos no início deste texto.

 

 
 

quarta-feira, novembro 08, 2023

Sermão Profético - a Segunda Vinda de Jesus

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Como falamos anteriormente a parousia - palavra grega que quer dizer presença – significando a 2ª vinda de Jesus se dará no fim, que neste verso representa o fim de um ciclo evolutivo, 

A doutrina espírita nos mostra que será o fim do ciclo de provas e expiações para a entrada num novo ciclo, o do mundo regenerado. 

Portanto, quando falamos em 2ª vinda de Jesus estamos falando do Mundo Regenerado. Sigamos com nossos comentários: 

 

 

 

E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim. (Mateus, 24: 14)

E este evangelho do Reino… - A palavra Evangelho vem do grego euangélion, que quer dizer boa nova, ou boa notícia. Ao dizer, este evangelho do Reino, Jesus falava da Doutrina que Ele ensinava; portanto, do mesmo modo que não podemos confundir o mapa com o território, ou a partitura com a música, não podemos entender por Evangelho, o livro, e sim o conteúdo do livro, ou ainda, a essência da mensagem. Esta mensagem é a do Amor Universal, não importa vestido de qual religião está, em qual tradução ou língua. 

Toda vez que referirmos a uma moral coerente com a mensagem do Sermão do Monte, é deste Evangelho do Reino que estamos falando. 

…será pregado em todo o mundo… - Será pregado ou proclamado a todas as pessoas, isto é, Jesus será reconhecido por todos e a Sua missão será finalmente entendida. Hoje, apenas uma parcela da humanidade conhece Jesus, mas haverá um momento em que todos O terão como Guia e Modelo. 

No plano íntimo isto se dará quando definitivamente acolhermos em nosso interior, como verdade, a mansa e revolucionária Notícia trazida pelo Meigo Rabi da Galileia. Aí, todo o nosso mundo íntimo estará renovado, e como consequência, o exterior também modificará, e para melhor. 

… em testemunho a todas as gentes…- Aqui, Jesus dá-nos a forma correta de divulgar o Seu Evangelho: em testemunho a todas as gentes, ou seja, testemunhando o que se prega, vivenciando a mensagem libertadora, simplesmente sendo coerente. E para que ele seja "pregado em todo o mundo", a vivência tem de ser com todas as gentes, sem acepção de pessoas, de credos ou de cor. Não é só, sermos cristãos com aqueles que comungam nossos ideais não, é principalmente praticar a caridade com os que nos são desafetos, com os que pensam diferente, com aqueles que de nós mais exigem. 

Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?[1] 

…e então virá o fim. – Todos os acontecimentos estão dentro da Ordem Natural, sendo assim, tudo tem o seu tempo; começo, meio e fim. O fim só vem quando é chegado a hora, ou, depois do começo e do meio. 

Anteriormente analisamos a expressão fim do mundo, conforme anotado pelo evangelista no versículo três deste capítulo, como sendo fim de um tempo, ou de um ciclo. Este tempo só chegará ao seu final quando já tiver cumprido o seu papel diante da vida, tudo acontece desta forma. Ora, o objetivo da Vida é nos impulsionar para adiante; despertar de nosso interior, o espiritual que lá existe. Ao dizer que o fim se dará quando o Evangelho for pregado em todo o mundo, Jesus quer justamente dizer, que só quando estivermos amadurecidos o suficiente, e vivenciando plenamente Seus Ensinamentos, é que seremos promovidos a uma nova etapa, então virá o fim, não do mundo, mas do nosso mundo ainda egoísta, mesquinho e pessoal. 

 

Texto extraído do Livro O Sermão Profético

Disponível em: 

https://www.institutodesperance.com.br/ ou 

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Lembremos as palavras de Emmanuel: A maior Caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua própria divulgação.


[1] Mateus, 5: 46 

segunda-feira, outubro 30, 2023

Sermão Profético - Necessidade de Iluminação Interior




Nesta semana fizemos uma pausa no estudo do Sermão Profético de Jesus, para analisar um versículo da Carta aos Hebreus de grande atualidade.
Nestes dias desafiadores é comum tomarmos partido e julgarmos os eventos sem termos conhecimento perfeito de como  os eventos se deram.
O autor de Hebreus lembra de nossa necessidade de iluminação interior. E o próprio Cristo orienta: Não julgueis... (Mateus, 7: 1)


Lembrai-vos, contudo, dos vossos primórdios: apenas havíeis sido iluminados, suportastes um combate doloroso.  (Hebreus, 10: 32)


Após alertar os seus leitores sobre o perigo da apostasia, o evangelista volta a estimulá-los com base no comportamento anterior deles mesmos. 

Lembrai-vos, contudo, dos vossos primórdios; ou seja, quando dos momentos iniciais da conversão. Trata-se do primeiro amor conforme expressão usada pelo autor espiritual do Apocalipse (Ap., 2: 4). 

 Já aqui o autor mostra como é importante manter acesa a chama da fé, o que ele vai aprofundar no próximo capítulo. 

Esta conduta inicial – primeiras obras – é importante e deve ser mantida para que não haja nenhum tipo de queda (Ap., 2: 5) 

...apenas havíeis sido iluminados; os pais da igreja viram aqui uma menção ao batismo. A nosso ver esta não era a ideia do autor. A conversão, a transformação interior levada a efeito quando o cristão se autoilumina com a presença de Deus e de Seu Cristo em suas atitudes é de fato o que entendemos da expressão haveis sido iluminados. 

[Cristo] era a luz verdadeira que ilumina todo homem.[1] 

Ser iluminado é assim, ter Cristo dentro.  (Grifei)

...suportastes um combate doloroso.   O próximo versículo vai falar mais detalhadamente sobre este combate.  Todavia, já aqui podemos entender como a luta autoeducativa travada por aquele que quer se iluminar interiormente. 

No tempo de Jesus para que houvesse luz era preciso haver a queima do azeite. Do mesmo modo em nosso processo reeducativo é preciso que sejamos consumidos para haver a produção da luz verdadeira que vem de Deus. 

Este combate é doloroso por se tratar da queima de nosso interesse pessoal e de tudo que cultivamos em nossas diversas reencarnações quando visávamos apenas o cultivo de interesses imediatistas e bem-estar próprio.



Se você gostou deste estudo, provavelmente gostará de nossos livros disponíveis em:

 
 

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terça-feira, outubro 24, 2023

Sermão Profético de Jesus - Mateus 24, 7 a 13




Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. 

Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 

Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. 

Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão. 

E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. 

E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará. 

Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. (Mateus, 24: 7 a 13)



Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. 

Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino … - Nação é um agrupamento humano, mais ou menos numeroso, cujos membros, geralmente fixados num território, são ligados por laços históricos, culturais, econômicos ou lingüísticos. Reino é uma monarquia governada por um rei, regente, rainha etc.[1] 

Trazendo para o campo íntimo, podemos colocar nação como representando nossos sentimentos mais sedimentados, e reino como os valores passageiros que cultivamos. Os reinos são normalmente mais suscetíveis de mudança, basta cair um rei para que, muitas vezes a monarquia fique comprometida, entretanto a nação continua sendo a mesma. 

Neste momento predito pelo Cristo como final de ciclo, analisando o campo íntimo, vamos observar - mesmo entre aqueles sentimentos que já cultivamos a mais tempo e que julgamos estarem em um bom patamar em termos morais -, uma tendência a um conflito, como dissemos anteriormente, pois a evolução é infinita, e a cada nova conquista, nossa consciência realiza uma aferição própria selecionando o que devemos continuar cultivando, e o que devemos mudar. Nestes dias haverá guerras, rumores de guerras, lutas entre nações e reinos no plano exterior, mas tudo isso como conseqüência destas lutas interiores; aliás, são estas que importam serem analisadas, pois resolvendo as inquietudes íntimas, tudo o mais será devidamente administrado e compreendido. Esta mensagem é a mesma que está contida no dizer do Mestre: 

Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.[2] 

A espada aqui dizendo-nos não do instrumento cortante que fere o próximo, mas daquele que nos leva à luta contra nossas próprias imperfeições. 

…e haverá fomes, e pestes…– Fome significa carência de alimento, miséria, falta do necessário; peste é doença contagiosa, epidemia. Ambas significam para o Espírito momentos de grandes dificuldades, de dores, de testes sem os quais ele não pode passar de uma etapa evolutiva a outra. Por isto são características destes dias de transição. 

Tanto a fome, quanto a peste têm sua gênese na imperfeição moral, pois se não houvesse o desequilíbrio gerado por ela, não haveria a necessidade do resgate e dos ajustes provocados pelos momentos de calamidades. É a ira no dia da ira de que nos fala Paulo: 

Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus[3] 

Ou de outra forma, a Lei de Deus nos dando a oportunidade do encontro com as nossas próprias obras. 

Nestes dias de grandes aferições reconheceremos que o grande alimento de que temos necessidade é aquele dito pelo Mestre no capítulo 4 do Evangelho de João: 

Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra[4]. 

É deste que temos grande fome, e por causa disto estamos sujeitos a pestes de todas as espécies. 

…e terremotos, em vários lugares. – Se o tremor de terra no plano exterior é algo que nos atormenta pelas consequências advindas dele, no plano íntimo é ainda pior. A falta de segurança gerada pelo afastamento do Ser das Leis Divinas é algo que aterroriza o Espírito onde quer que ele esteja, em vários lugares… Pois o Deus presente quer manifestar-se, e impossibilitado pelas ações contrárias ao bem, gera na consciência uma angústia só superada, quando restabelecida a paz do dever cumprido, ou da volta aos caminhos do Senhor.  

…mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu (…) este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.[5] 

Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 

Mas todas essas coisas… - Todas essas coisas são as situações enfrentadas pela criatura no plano de sua evolução, haverão de acontecer estas narradas por Jesus, e muitas outras; só aquele que passa pela situação é que sabe a dor e a alegria de ser o que é. 

…são o princípio das dores. – Segundo o Professor Pastorino a tradução correta é o princípio das dores do parto[6], não simplesmente dores. Segundo ele, o termo grego arché ôdinôn exprime uma dor que tem, como resultado, um evento feliz, um avanço, uma criação física ou mental. 

Desta forma, a interpretação que estamos fazendo, está coerente com o dizer de Jesus; ou seja, as lutas necessárias que marcam este momento de transição, sejam no plano íntimo ou exterior, são motivos de alegria, pois, como a dor do parto, é prenúncio de um nascimento; do novo homem em bases renovadas por uma moral superior. 

Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. 

Então... - Como consequência. A transformação de uns, gera, por inveja ou incompreensão, a insatisfação de outros. 

…vos hão de entregar para serdes atormentados… - O Ser menos evoluído não consegue por sua natureza, e pelo seu grau de entendimento, saber o que move aquele que é mais espiritualizado a agir, buscando valores, que para ele são incompreensíveis; desta forma, não entendendo condena. Julga que, aquele que age diferente de si, e também da maioria, é um alienado, e chega a taxá-lo até mesmo de deficiente mental. E quando este, mais espiritualizado, consegue atrair a atenção de outros, fazendo-os ver a realidade da vida, ele sente-se ameaçado, e como, por ter lutado pelo poder transitório, o conseguiu, usa-o para fazer sofrer aquele que lhe opõe; atormenta-o, jogando contra ele toda a multidão, que por achar-se também em condição inferior, do mesmo modo não o entende, fazendo-o desta forma, passar por momentos de dor e sofrimento. 

…e matar-vos-ão… - Buscarão eliminá-lo. Como para eles só o que é físico importa, tentarão de toda forma sacrificá-lo fisicamente. Assim agindo, pensam ficar livre da incômoda posição; não sabem que a Lei é justiça, mais cedo ou mais tarde estarão defronte da mesma necessidade, só que aumentada; e também desconhecem, que extirpando o físico, fortalecem o espiritual; o que vai por vias indevidas, volta ainda mais soberano. 

…e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. – Aquele que age visando as questões espirituais – por causa do meu nome -, pratica a Sabedoria, opõe-se aos valores do mundo. Assim, é por ele odiado, isto é, por todas as gentes. É que agir em nome do Cristo, é viver como ele viveu, ou seja, amando acima de todos os limites, não valorizando em nada, o que é transitório. Em um tempo que só a riqueza dava poder, Ele disse:  

Bem-aventurados os pobres…  

Bem-aventurados vós, que agora tendes fome… 

Bem-aventurados vós, que agora chorais…[7] 

Se hoje, com toda a evolução das leis sociais, sair em defesa dos menos favorecidos gera problemas, imagina o que não aconteceu há dois mil anos? 

Por isso Ele foi taxativo: 

Sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. 

E isto aconteceu antes, aconteceu àquele tempo, e acontece hoje, nestes dias em que chamamos, final dos tempos. 

Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão. 

Nesse tempo…- É quando estas coisas acontecerem, é um tempo demarcado, exato: nesse. 

Se no plano exterior elas aconteceram numa determinada época, e ainda acontecem, no plano íntimo vige em cada um de acordo com seu momento evolucional. Porém, serão sempre marcadas por dificuldades que visam, não simplesmente trazer sofrimento, mas testar cada um despertando a potência espiritual latente. É o aguilhão promovendo o progresso em bases espirituais. 

…muitos serão escandalizados… - Muitos é indefinido, não se sabe quantos, mas não serão poucos, muitos é em grande número. Serão escandalizados, isto é, ofendidos, melindrados, ou ainda, ridicularizados. É que nestes momentos, tudo vem à tona: 

Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.[8] 

Serão escandalizados porque têm ainda algo a resgatar. Para que possamos passar de uma fase a outra, é preciso quitar o que ficou para trás; só nos é dado mais crédito, se liquidarmos com as antigas dívidas. Este é o ensinamento simbólico da virgem que deu à luz o Cristo; para que o Filho do Homem possa nascer em nós, é preciso nos fazer virgens, isto é, sem pecado. 

…e trair-se-ão uns aos outros… - A traição é uma deslealdade praticada onde existe confiança, é uma quebra de contrato, um débito gerado de difícil quitação. Muitas vezes por um momento de invigilância, ou por um interesse obsessivo, geramos dores que serão resgatadas somente no desenvolver dos séculos, às custas de sofrimentos ainda maiores. 

Como o instante – este predito por Jesus - é de definição, muitas amizades também serão testadas. Será o momento em que as falsidades aparecerão, e que muitos, para não perderem sua posição privilegiada no "mundo das coisas", lutarão contra seus próprios aliados, visando salvar o que julga ser seu. Assim, trair-se-ão uns aos outros, lutarão entre si; o pai estará dividido contra o filho, e o filho, contra o pai, a mãe, contra a filha, e a filha, contra a mãe, a sogra, contra sua nora, e a nora, contra sua sogra.[9] 

…e uns aos outros se aborrecerão. – Não será um aborrecimento unilateral, pois os interesses sendo contrários todos se sentirão incomodados. Do mesmo modo que o que está em atraso importuna o que vai adiante, este também perturba aquele. 

Daí a necessidade da seleção, dos olhos de ver, pois todos os nossos sofrimentos foram gerados por nosso próprio proceder, e o aborrecimento que julgamos injusto, se analisarmos bem, tem sua razão de ser. O que é bom para nós hoje, terá de ser também amanhã, caso contrário, é melhor buscarmos outra situação. 

E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. 

E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. – Mais uma vez Jesus nos convida à vigilância. Em versículo anterior, ele já nos dissera que muitos viriam em Seu nome dizendo ser o próprio Cristo, e que estes enganariam a muitos. Aqui ele nos alerta contra os falsos profetas, o que parece ser a mesma coisa, não é. No primeiro caso, aqueles que assim agem, demonstram uma certa imaturidade, pois tentam se passar pelo próprio Cristo, sendo desta forma mais fácil reconhecermos o engano, mas mesmo assim Jesus disse que enganariam a muitos. Aqui, a questão é mais sutil, estes se dizem profetas, podem na realidade fazer-se de mensageiros do Senhor, dizendo que pregam a mesma doutrina, tentando deste modo arrebanhar as massas. Só que Jesus diz ser estes, falsos profetas, e que também enganarão a muitos. Deste modo, tenhamos cautela, antes de nos vincularmos a qualquer pessoa, seita, ou nova filosofia; lembremos que importa-nos analisar não só as palavras daqueles que se dizem enviados, mas principalmente seus atos. Se em qualquer atitude contrariarem a Mensagem do Monte, ou os virmos agindo em interesse próprio, contra o bem geral, lembremos do alerta do Mestre: 

Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos.[10] 

E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará. 

E, por se multiplicar a iniquidade… - Iniquidade é uma ação contrária à equidade, ou à justiça. 

Mesmo antes de Jesus, já nos ensinava o belo livro Eclesiástico: 

Quando um homem é feliz, mesmo aquele que o odeia é seu amigo; na sua adversidade até o amigo desaparece.[11] 

Nos momentos de dificuldade que marcam estes "finais de tempos", a grande maioria das criaturas, por ainda não estarem familiarizadas com a vivência evangélica, tendem a defender somente os próprios interesses, desta forma, quando se veem privados de algo que valorizam, ou em alguma situação embaraçosa, esquecem as noções de justiça, e agem buscando impor-se pela força ou pelo poder de que dispõem. Tal atitude faz crescer a maldade, principalmente porque aqueles que detêm a autoridade, e que deveriam dar o exemplo de procedimento moral, são os primeiros a agirem de forma inequívoca, fazendo assim, como afirma o próprio Mestre, multiplicar a iniqüidade. 

Assim, temos hoje na humanidade: 

A corrupção dominando corações tanto em cima, quanto em baixo; 

A má distribuição de renda, fruto do amor não praticado, alimentando a violência e cerceando o processo educativo; 

A pobreza e a fome caracterizando o nosso orbe, como ainda bastante atrasado. 

…o amor de muitos se esfriará. – Tais acontecimentos criarão, entre aqueles que ainda não estão amadurecidos, ou entre aqueles que se iniciam no caminho do bem, um mal-estar que os levará a, em nome da justiça – que ainda não é a verdadeira – a agirem do mesmo modo; ou seja, a esquecerem o amor evangélico que ensina que em qualquer situação deve-se esquecer o mal e fazer somente o bem. 

Por isso, Jesus afirma que o amor de muitos se esfriará, mas é preciso que levemos em conta, que tal só acontece com aqueles que ainda não possuem o amor verdadeiro que tudo releva. 

A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho… 

A caridade jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá.[12] 

Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. 

Mas… – A conjunção, mas, aqui expressa uma oposição ao que estava sendo dito. Haverá um esfriamento do amor de muitos, mas…; isto é, todavia…  

Mostrando-nos, desta forma, que sempre há uma maneira de nos comportarmos positivamente; que se seguirmos o Evangelho, sempre nos daremos bem. Aliás, o que distingue o seguidor do Cristo das outras criaturas, é justamente o amor que ele manifesta mesmo quando atacado, ou, quando a situação não lhe é favorável de modo algum. 

…aquele…– Não será qualquer um, mas aquele que agir do modo proposto. 

…a cada um segundo as suas obras.[13] É a particularidade do processo evolutivo. 

…que perseverar até ao fim será salvo.  – Perseverar é manter-se firme e constante, persistir. Jesus aqui se refere àqueles que, mesmo sofrendo a iniqüidade, mantêm-se no Bem, na vivência evangélica. É imperioso perseverar, porém nas boas atitudes. 

Persistir, prosseguir, até quando? Até quando devo ser injustiçado e me manter equilibrado? 

Jesus é taxativo: até ao fim; isto é, até vencermos a dificuldade que ainda impera em nossa intimidade. Não podemos esquecer, que se algo ainda nos incomoda, se ainda nos sentimos injustiçados, é porque, de uma forma ou de outra ainda nos achamos vinculados ao problema. Quando vencemos a situação, ela não mais nos perturba. 

Será salvo, isto é, se libertará. Será salvo, porque superou a dificuldade, porque trocou o mal pelo bem, porque mudando de atitude, fez-se merecedor de algo melhor. 

Não há magia no desenvolvimento da vida, muito menos imparcialidade ou protecionismo, se alguém consegue algo, é porque fez jus; se, se libertou é porque venceu a etapa proposta. 

A partir desta compreensão, Jesus deixa de ser o salvador passando a ser o que indica o caminho, por já tê-lo percorrido; na realidade, será salvo aquele que perseverar até o fim, ou seja, a própria criatura, cristianizando-se, é que se salva. 

Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.[14] 

(Extraído do livro: "O Sermão Profético" )

 
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[1] Dicionário Aurélio. 

[2] Mateus, 10: 34 

[3] Romanos, 2: 5 

[4] João, 4: 34 

[5] Lucas, 3: 16 

[6] Sabedoria do Evangelho, Vol. 7, pág. 95 

[7] Lucas, 6: 20 e 21 

[8] Lucas, 12:2   

[9] Lucas, 12:53   

[10] Marcos, 13: 22 

[11] Eclesiástico, 12: 9 

[12] I Coríntios, 13: 4 e 8 

[13] Mateus, 16: 27 

[14] Romanos, 12: 21