segunda-feira, abril 30, 2012

Mediunidade e Evangelho - I Coríntios, 12: 2


Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.
Esta carta que Paulo escreveu aos habitantes de Corinto tinha por finalidade chamar a atenção destes para pontos doutrinários que estavam dividindo a comunidade cristã, e também para instruí-los a respeito de problemas morais e de conduta social.
Gentio é o nome com que era designado todas as nações afora a nação judaica. Os Coríntios eram considerados gentios, pois habitantes da Grécia cultuavam ídolos do paganismo.
Paulo fundara ali uma igreja por volta do ano 52 E. C.; estes, seguidores da doutrina do Cristo, não eram considerados mais por ele como gentios, pois a partir de então eram cristãos.
Neste versículo do capítulo 12 o apóstolo lembra que eles já tinham sido gentios, cultores de vários ídolos, e ídolos mudos, a quem prestavam devoção e eram guiados. Porém, agora a história era outra, a partir do conhecimento do Evangelho deveriam mudar o ângulo de visão, primando todos por uma moral mais elevada e menos escravizante.
Nos dias de hoje, nós espíritas, passamos pelas mesmas dificuldades. Já fomos cultores de vários ídolos e religiões, cuidamos mais da forma do que do conteúdo, das atitudes de aparência do que das que efetivamente nos transformam em seres melhores.
Temos de trabalhar pela verdadeira conversão moral de nós mesmos, todavia sem desprezar aqueles que estagiam em degraus outros da evolução, pois em verdade, povo escolhido são todos os filhos de Deus em quem a Lei do Eterno opera tornando-os perfeitos e libertos.
Trazemos tendências sim de todos os estados por que passamos, mas temos no “gabinete da vontade” a mola indutora de transformação para dias melhores e mais espiritualizados.
Já fomos isto e aquilo, já fomos muito mais do que tudo isso, porém hoje somos espíritas, e temos, conforme orientação do Codificador o dever de realizarmos todos os esforços em favor de uma transformação moral concreta e objetiva.

segunda-feira, abril 23, 2012

Mediunidade e Evangelho - 1 Coríntios, cap 12




Nas próximas semanas nos propomos a fazer um estudo do 12 ºcapítulo da  Carta aos Coríntios, e assim tecermos comentários sobre Mediunidade e Evangelho estudando versículo por versículo esta carta até o verso 18.


1 Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. 2 Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. 3 Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema! E ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo. 4 Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. 5 E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6 E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7 Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil. 8 Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; 9 e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; 10 e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas. 11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. 12 Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. 13 Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. 14 Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. 15 Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? 16 E, se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; não será por isso do corpo? 17 Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18 Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.
Dons espirituais é o mesmo que dons do Espírito, isto é, qualidade natural deste.
O apóstolo dos gentios foi sem dúvida o maior divulgador das verdades contidas na Boa Nova deixada por Jesus, sendo que historiadores modernos afirmam que sem ele não haveria cristianismo.
Por ser sabedor da necessidade de todos os discípulos do Senhor, de todas as eras, deixar de lado a ignorância, ele assim inicia o décimo segundo capítulo desta importantíssima epístola aos coríntios:
Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.
A ignorância é um dos sentimentos que mais prejudicam o Espírito em sua caminhada evolucional, poderíamos dizer que ela é, sem dúvida nenhuma, o germe de todas as imperfeições. Se no princípio da evolução ela é natural, como nos afirmam os Espíritos superiores na questão 115 de O Livro dos Espíritos, com o desenvolver das possibilidades da criatura ela se torna entrave ao crescimento de todas possibilidades humanas.
O Espírito foi criado por Deus de Sua própria Substância, o que o fez imortal. Deste modo podemos dizer que Deus deixou Sua marca impressa na criatura, ou que permaneceu nela através da Consciência que situa em sua profundidade. É a Imanência Divina.
Se tivesse plena consciência deste fato o Espírito erraria muito menos realizando sua evolução sem passar pela fieira do mal como nos alertam as Entidades Redatoras da Doutrina Espírita.1
Ela, a ignorância, é a conselheira do orgulho, este algoz que escraviza o Ser nas armadilhas do personalismo, pois o orgulhoso nada mais é do que alguém que julgando-se superior e sábio fecha as portas para o recebimento de novas revelações, o que o libertaria da imperfeições com uma dose maior de conforto e segurança.
Se desejarmos seguir nossa caminhada rumo à perfeição com menores contrariedades e sujeitos a menos dores, estejamos atentos ao que diz o apóstolo:
Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.
No que diz respeito às possibilidades mediúnicas que todos possuímos a afirmativa do filho de Tarso é também de grande valia. Muitos são os espíritas que adentram as portas das Casas Espíritas já desejando ingressar no serviço mediúnico como se, simplesmente este anseio bastasse para a realização de um bom trabalho em favor dos semelhantes dos dois planos da vida.
Para que possamos ser médiuns dentro da concepção kardequiana é preciso estudo, e muito estudo, além das conquistas morais que distinguem os postulantes ao serviço cristão.
As reuniões de estudo são, além disso, de imensa utilidade para os médiuns de manifestações inteligentes, para aqueles, sobretudo, que seriamente desejam aperfeiçoar-se e que a elas não comparecerem dominados por tola presunção de infalibilidade.2
Assim, o iluminado codificador resume, concordando com Paulo, a nossa necessidade de cada vez mais aprendermos para melhor servirmos distanciados do orgulho, da presunção ou de qualquer sentimento inferior que nos afaste do objetivo pleno de sermos úteis em qualquer tarefa a realizar.
1 O Livro dos Espíritos, questão 120.
2 O Livro dos Médiuns item 329

segunda-feira, abril 16, 2012

Paulo, Perspectiva Espírita - Morrer Uma Só Vez - Bibliografia


Para encerrar este breve estudo não poderíamos deixar de comentar o versículo mais usado pelos cristãos tradicionais para combater a Reencarnação que é um princípio fundamental do Espiritismo a expressar uma Lei Universal.

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo… (Hebreus, 9: 27)

Este é mais um texto do Evangelho onde a leitura apressada e condicionada pode nos levar ao erro.
Nosso autor aqui em nenhuma hipótese está tratando do tema da possibilidade ou não da reencarnação.
A Carta aos Hebreus é toda escrita para mostrar a superioridade de Jesus-Cristo em relação a Moisés e o quanto o Evangelho, significando a Terra Prometida, é superior à Lei antiga.
Neste ponto o autor de Hebreus está fazendo uma comparação dizendo que pela Lei antiga o Sumo Sacerdote tem de, uma vez por ano, fazer um sacrifício de purificação, enquanto pela Nova Aliança, a do Evangelho, se seguirmos o exemplo do Cristo nos libertaremos de vez da necessidade dos ciclos dos renascimentos como instrumento de purificação. Por meio do Cristo vivenciado temos acesso direto a Deus e a Seu Reino.
A Reencarnação é uma Lei Universal fundamentada na justiça; realmente, se transcendermos a justiça humana pela implementação do Cristo em nós, não teremos mais de reencarnar, pois só reencarnam os Espíritos que ainda não atingiram plenamente a Perfeição Cristã. Todavia enquanto isto não acontece necessário se faz nascer de novo1.
O conceito bíblico de morte nada tem a ver com a cessação da vida física, ou com o desencarne conforme à morte nos referimos.
Como exemplo disto podemos citar Adão que simbolicamente representa a humanidade afastada de Deus pela desobediência às Leis do Criador.
Foi dito a Adão que se comesse da árvore da ciência do bem e do mal ele morreria. Ele desobedeceu e comeu, e o que aconteceu? Fisicamente não morreu, continuou a viver, muitos anos por sinal, e teve até vários filhos.
O próprio Paulo vai expressar este conceito em Romanos ao dizer:

porque o salário do pecado é a morte2

Ou seja, morte significa estar afastado de Deus pelo pecado.
Outros exemplos bíblicos podemos dar.
Jesus ao conversar com um doutor da lei segundo as anotações de Lucas, diz assim:

Respondeste bem; faze isso e viverás.3

Ora se aquele homem estava vivo, por que dizer faze isso e viverás?
Porque não era de vida física que Jesus falava, mas de Vida Eterna, definindo assim o que é vida no conceito das Escrituras.
Em Levítico, 18: 5 temos:

Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; cumprindo-os, o homem viverá por eles. Eu sou o SENHOR.

Em Provérbios, 4: 4:

então, ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive.

Muitos outros exemplos podemos dar, mas achamos desnecessário, dizendo apenas que o mesmo Paulo na mesma carta aos Hebreus diz ser o diabo, que simbolicamente representa oposição a Cristo que é Vida, o detentor do império da morte.
Concluindo temos:

Morte = pecado = desobediência às Leis de Deus.

Citamos Paulo novamente para dizer que segundo suas observações, por meio de Adão entrou o pecado no mundo e assim a morte. (Romanos, 5: 12)
Deste modo a morte entrou no mundo através da opção do Espírito por evoluir passando pela fieira do mal.4 Que simbolicamente representa a Queda do Espírito.
Sob este aspecto o Espírito só morreu uma vez, quando adotou o mal como experiência evolutiva afastando-se assim de Deus. A partir daí vem o juízo que é a faculdade de avaliar.
Quando o Espírito morreu (entrou em queda) como proposta divina de recomposição ele entra no ciclo das mortes e dos renascimentos, encarna e desencarna, e após cada etapa vem a avaliação. Assim vai se recompondo até a redenção final que é sua volta à Vida Eterna.
O que Paulo quer dizer é que o Espírito que morreu uma só vez, quando da queda, por meio do Cristo voltará à Vida e não morrerá jamais.
O que ele mesmo confirma em outro texto:

Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.5
Se você gostou deste texto clique aqui e leia outro sobre o mesmo assunto

Referências Bibliográficas:
A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Ed. Paulinas, 1992.
BibleWorks For Windows, Versão 7.0.012g. BibleWorks, 2006.
Dicionário Bíblico Strong . Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
HOUAISS, Antônio. Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa, versão 1.0. Editora Objetiva, 2001.
KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984.
. O Céu e o Inferno. Rio de Janeiro: FEB, 1944.
. O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980.
WRIGHT, N.T., Tradução de Joshuah de Bragança Soares. Paulo Novas Perspectivas. São Paulo: Loyola, 2009.
XAVIER, Francisco C., / Emmanuel (Espírito). A Caminho da Luz, 10ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980.
XAVIER, Francisco C./ Emmanuel (Espírito). Paulo e Estevão, 41ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
XAVIER, Francisco C./ Waldo Vieira/André Luiz (Espírito). Evolução em Dois Mundos, 13a Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.



1 Cf. João, 3: 3
2 Romanos, 6: 23
3 Lucas, 10: 28
4 Cf.(KARDEC 1980), Q. 120
5 I Coríntios, 15: 22

segunda-feira, abril 09, 2012

Paulo Perspectiva Espírita - Justificação pela fé


Este é outro tema de grande importância na teologia paulina e que não pode ficar de fora se pretendemos comentar o pensamento de Paulo sob a perspectiva espírita.
Sobre justificação pela fé já foram escritos vários livros, verdadeiros tratados teológicos. O tema é tão importante que Lutero baseia a Reforma Protestante na questão de como se alcança esta justificação.
Não pretendemos fechar questão sobre o assunto e nem achamos que temos condições de debater o assunto com a profundidade necessária, entretanto é preciso realizar alguns comentários dentro de nosso objetivo que é estudar o Evangelho à luz da Doutrina Espírita mantendo sempre o enfoque reeducativo.
A primeira vez que Paulo trata o assunto é na Carta aos Gálatas sendo que em Romanos ele irá aprofundar a questão.
Vamos tomar por base a citação de Gálatas:
Sabendo, entretanto, que o homem não se justifica pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei, porque pelas obras da Lei ninguém será justificado. (Gálatas, 3: 16)
Como temos feito até então, e para manter a simplicidade de nosso estudo faz-se necessário conceituar o que seja justificação, obras da Lei, e fé.
Justificação deve ser compreendida no contexto judaico como o ato de ser feito ou considerado justo. Quem irá justificar o homem é Deus. (Romanos, 3: 30).
Compreender isto é fundamental, pois ser considerado justo é estar em comunhão com Deus, é manter a Aliança com o Criador. Deus é Santo, sem pecados, desta forma para estar em comunhão com Ele é preciso estar no estado de santidade, sem afastar-se de Sua Lei.
E como se consegue isto? Pelas obras? Não, Paulo é claro: pela fé em Cristo-Jesus.
Neste passo é importante conceituar nossa segunda expressão: obras da Lei.
Lei é a tradução da palavra grega nomos que é usada também para traduzir Torah. Todavia aqui obras da Lei não significa as obras da Torah em seu sentido espiritual de ensinamento que transforma. Seriam as obras do legalismo judaico, da observação dos preceitos puramente religiosos, como a circuncisão, a observação do sábado, da abstinência de carne suína, dos rituais de purificação, etc.
Nos dias de hoje seria observar mais os preceitos que todas religiões têm do que a observância da transformação moral, ou de autoiluminação, por exemplo.
Sendo assim Paulo combate todo tipo de discriminação ou exclusão em favor de uma manutenção do estado de harmonia entre criatura e Criador.
Essencial desta forma compreender o significado bíblico de seja no Novo Testamento ou no Antigo onde fé é emunah.
Tanto o grego pistis, quanto o hebraico emunah expressam fidelidade, confiança. Não se trata de uma crença meramente intelectual, mas de um estado de obediência, de comprometimento. Trata-se de uma fé operacional.
Todo o enfraquecimento de compreensão do que seja fé em nosso vocabulário se deu pelo motivo de que não existe em português um verbo que expresse o ato de ter fé em seu sentido bíblico. Em português o verbo encontrado que mais se aproximou foi “crer”, entretanto, este verbo não expressa a totalidade do que é ter fé. Crer é apenas um componente do ato de ter fé, e talvez um dos menores.
Outro ponto que tem sido destacado pelos eruditos modernos e que têm ampla lógica e concordância com o Espiritismo que tem Jesus não por ídolo ou mito, mas como Modelo, é que Paulo talvez pensasse ao dizer fé em Cristo-Jesus, não só o ato de ser fiel a Jesus, mas à atitude de ter a fidelidade de Cristo. Assim, não seria simplesmente ter fé em Cristo-Jesus, mas ter a fé de Cristo-Jesus, a mesma que O levou a ser plenamente fiel ao Pai e aos Seus desígnios.
Foi por esta fidelidade que Ele, Jesus, o Autor e Consumador da fé, trocou a alegria que lhe estava proposta pela cruz da ignomínia1 e assim ensinar que o caminho da justificação passa pelo testemunho de sacrificar-se em favor da evangelização dos outros como forma de glorificar ao Pai e assim estar presente Nele sendo declarado Justo.

1 Cf. Hebreus, 12: 2

quarta-feira, abril 04, 2012

Ressurreição e Reencarnação

"E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação." (João, 5: 29)
"Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna."(Gálatas, 6: 8)


Ao iniciarmos o estudo destes versículos faz-se preciso como introdução fazermos algumas considerações.
Conforme nos informa Kardec a reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição1. Porém, como ele próprio coloca, as idéias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo.2
Isso acontecia não só com os judeus, mas também com outros povos que criam na proposta palingenésica.
Só com o advento da Doutrina Espírita a idéia da reencarnação ganhou um estudo mais completo e que pôde elucidar alguns pontos até então obscuros. Não foi Kardec quem inventou nem quem descobriu a reencarnação, ela existe desde o princípio dos tempos, porém, ele com lógica e bom senso, e assessorado pelos Espíritos superiores, deu uma fundamentação científica ao assunto.
Outro ponto que precisa ser considerado é que nem todos os judeus criam na teoria das vidas sucessivas. O judaísmo ao tempo de Jesus não era uma religião sem rupturas, um bloco concreto e unificado, no judaísmo do I século de nossa era havia muitos subgrupos entre os judeus cada qual com suas características próprias.
Os fariseus tinham uma idéia sobre a reencarnação; é ela também fundamental para a crença da corrente hassídica.3
Todavia, quando Jesus se referia à ressurreição não era de reencarnação que ele estava dizendo.

…mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro e a ressurreição dos mortos nem hão de casar, nem ser dados em casamento; porque já não podem mais morrer, pois são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.4
Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.5

Analisemos o texto proposto:

“E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” (João, 5: 29)

E os que… - Define que todos que procederem da forma indicada terão como consequência colheita de acordo com a semeadura. É a Lei de Causa e Efeito.
Depois há uma relação:

Fazer o bem - ressurreição da vida
Fazer o mal - ressurreição da condenação

"Sair para ressurreição da vida é dinamizar a capacidade nossa de, na medida em que nos entrosarmos num processo de maior ajuste às Leis que nos governam, sairmos da necessidade de ressurgir no plano reencarnatório nas linhas das provas e expiações. É quando entramos numa linha de cooperação com as forças superiores da vida dentro de uma linha missionária. Perdemos peso de inferioridade e ganhamos em espiritualidade." (Honório Abreu)
O que isto significa?
É quando vencemos aquele último inimigo citado por Paulo, a morte [do pecado], e aí entramos na vida eterna.
A expressão vida eterna no Evangelho não fala de nossa vida biológica que temos e não vemos perder mais, mas de uma vida de qualidade, qualidade esta obtida através da aplicabilidade do Evangelho. É a vida abundante; nesse momento cessa o ciclo reencarnatório.
É aí que entra o segundo versículo proposto para o estudo:

…mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna. (Gálatas, 6: 8)

Portanto, ressurreição da vida, conforme esta análise é não mais precisar reencarnar é adquirir qualidade para entrar no mundo vindouro:

…mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro e a ressurreição dos mortos nem hão de casar, nem ser dados em casamento; porque já não podem mais morrer…6

Ressurreição da condenação, dentro deste contexto, é justamente viver sob o impacto da Lei em seu aspecto justiça. Aí é que entra a reencarnação.
Não que reencarnar seja uma condenação como pensaram os gnósticos. Reencarnar é uma benção divina, porém não deixa de ter seu lado condenatório, pois aquele que reencarna dentro do processo natural da evolução está imerso no ambiente das provas e das expiações.

Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção…

Dentre os conceitos de corrupção está o ato, processo ou efeito de corromper. Deterioração, decomposição física, orgânica de algo; putrefação.7
Não é a isso que estamos sujeitos no plano em que vivemos? Morte sob vários aspectos?
Desejamos sair deste plano de acontecimentos de sucessivas perdas e ganhos, de vida e morte?
Adotemos então a proposta do Evangelho.
Jesus veio justamente instaurar em nós a era do Espírito, tudo que aconteceu anteriormente era relativo ao homem-biológico…

…eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.8

Queridos amigos, esta é apenas uma interpretação do texto, muitas outras, e até melhores do que esta, certamente haverá.

…sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.9

Primeiro estudo proposto

O tema da ressurreição era um tema polêmico no tempo de Jesus.
Os fariseus tinham-na como certa, os saduceus não a aceitavam.
Conforme colocação de Kardec:

A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As idéias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. (Evangelho Segundo o. Espiritismo, cap. 4 item 4)

Josefo, em Guerra dos Judeus, II.8.14 conforme citação de Champlin, nos diz que:

"Os fariseus criam na imortalidade da alma, que haveria de reencarnar-se. Isso poderia envolver uma série de reencarnações (doutrina essa muito comum naquela época, que evidentemente também era defendida pelos essênios.), mas também incluía a idéia de que a alma haveria de animar o corpo ressurrecto. Criam fortemente na sorte ou determinismo, no universo, bem como na existência dos espíritos. (O Novo Testamento, Interpretado Versículo a Versículo. Nota a Marcos, 3: 6)

Se os fariseus mantinham um ponto de vista que cria na ressurreição literal, os saduceus rejeitavam essa idéia, juntamente com outras doutrinas que envolvem o sobrenatural, como a existência e a sobrevivência da alma e a existência dos espíritos. (Ib. Nota a Mateus, 22: 23)

Diante este contexto, e aplicando ao Evangelho os ensinamentos da doutrina espírita, como podemos compreender os versículos evangélicos abaixo?

E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação. (João, 5: 29)

Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna. (Gálatas, 6: 8)
1 Evangelho Segundo o. Espiritismo, cap. 4 item 4
2 Idem
3 Cf. SEVERINO, Celestino. Analisando as Traduções Bíblicas, 2ª Ed. Pág. 145.
4 Lucas, 20: 35 e 36.
5 João, 11: 25
6 Lucas, 20: 35 e 36
7 Dicionário Houaiss
8 João, 10: 10
9 2 Pedro, 1: 20

segunda-feira, abril 02, 2012

Paulo Perspectiva Espírita - Jesus é o Criador?


porque por ele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis… (Colossenses, 1: 16)
Este versículo é outro desafio de solução complexa. Nós o comentamos mais detalhadamente em nosso livro Cartas da Prisão, aqui fazemos apenas um breve resumo do que dissemos lá.
Temos nele Jesus como criador de todas as coisas, o que é atributo de Deus. Já dissemos anteriormente, só Deus é Criador no sentido de transformar a essência em existência. Os Espíritos não criam, eles fazem, ou cocriam a partir de uma substância já criada por Deus.
O sentido do verbo grego aqui usado ktizo é tornar habitável; povoar, um lugar, região, ilha; fundar uma cidade, colônia, estado. Significando também “criar” porém no sentido de formar, modelar, i.e., mudar ou transformar completamente.
É o que dissemos, criar algo a partir de algo já existente.
Voltamos àquele tema de Deus ter Espíritos que exercendo ação sobre a matéria constroem os mundos.
os Espíritos são uma das potências da natureza e os instrumentos de que Deus se serve para execução de seus desígnios providenciais.1
O Espírito André Luiz através da psicografia de Francisco Cândido Xavier complementa dizendo:
[na] substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, os grandes Devas da teologia hindu ou os Arcanjos da interpretação de variados templos religiosos, extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade, em serviço de Cocriação em plano maior, de conformidade com os desígnios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes orientadores da Criação Excelsa.
Essas Inteligências Gloriosas tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas, quais moradias que perduram por milênios e milênios, mas que se desgastam e se transformam, por fim, de vez que o Espírito Criado pode formar ou cocriar, mas só Deus é o Criador de Toda a Eternidade.2
Jesus é assim, um destes Espíritos – agentes dedicados de Deus - que se capacitaram a ser Cocriadores em plano maior; segundo orientação de Emmanuel pertence à Comunidade de Espíritos Puros, é responsável pelo governo de coletividades planetárias3.
Portanto, neste sentido é que Ele fez todas as coisas neste nosso planeta Terra. Paulo não tinha àquele tempo a ideia de Universo como temos hoje, por isso ele usa a expressão todas as coisas se referindo ao nosso orbe. Era o máximo que a mentalidade da época alcançava.
Então Jesus é sim, segundo orientação dos Espíritos, “criador” do nosso planeta; por ele, isto é, por meio dele, foram criadas todas as coisas.
1 (KARDEC 1980), Q. 87
2 (XAVIER F. C. / Waldo Vieira / A. Luiz (Espírito), 1993)Cap. 1, 1ª Parte
3 XAVIER, Francisco C., / Emmanuel (Espírito). A Caminho da Luz, 10ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980., Cap. 1

sexta-feira, março 30, 2012

Reencarnação na Bíblia


Temos muitas passagens na Bíblia que sugerem a reencarnação.
Em João, 3: 3, Jesus diz:
“Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”

Haroldo Dutra Dias, tradutor do Novo Testamento, diz que o verbo grego quer dizer “gerado”;'”se alguém não for gerado de novo...·” O sentido sentido é de “ser parido”.
Não há assim, nenhuma menção ao batismo nesta passagem, e Nicodemos entendeu o que Jesus queria dizer, pois pergunta como pode entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe. Se a ideia fosse a do batismo ele não faria esta pergunta.
Em Mateus, 17: 12 e 13 o tema se faz mais claro.
Jesus diz:
 “ Elias já veio” 

e o evangelista completa:
“Então os discípulos entenderam que se referia a João Batista.”

Portanto João Batista é Elias, foi Jesus quem disse, e se é Elias é Elias reencarnado. Confronte esta passagem com Mateus, 11: 14 e Lucas, 1: 17. Não fica nenhuma dúvida.

Além de muitos outros textos temos a reencarnação expressa em Ezequiel, 37: 1 a 14:

1A mão de Iahweh veio sobre mim e me conduziu para fora pelo espírito de Iahweh e me pousou no meio de um vale que estava cheio de ossos. 2E aí fez com que eu me movesse em torno deles de todos os lados. Os ossos eram abundantes na superfície do vale e estavam muito secos. 3Ele me disse: "Filho do homem, porventura tornarão a viver estes ossos?" Ao que respondi: "Senhor Iahweh, tu o sabes". 4Então me disse: "Profetiza a respeito destes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra de Iahweh. 5Assim fala o Senhor Iahweh a estes ossos: Eis que vou fazer com que sejais penetrados pelo espírito e vivereis. 6Cobrir-vos-ei de tendões, farei com que sejais cobertos de carne e vos revestirei de pele. Porei em vós o meu espírito e vivereis. Então sabereis que eu sou Iahweh". 7Profetizei, de acordo com a ordem que recebi. Enquanto eu profetizava, houve um ruído e depois um tremor e os ossos se aproximaram uns dos outros. 8Vi então que estavam cobertos de tendões, estavam cobertos de carne e revestidos de pele por cima, mas não havia espírito neles. 9Então me disse: "Profetiza ao espírito, profetiza, filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Iahweh: Espírito, vem dos quatro ventos e sopra sobre estes ossos para que vivam". 10Profetizei de acordo com o que ele me ordenou, o espírito penetrou-os e eles viveram, firmando-se sobre os seus pés como um imenso exército. 11Então ele me disse: Filho do homem, estes ossos representam toda a casa de Israel, que está a dizer: "Os nossos ossos estão secos, a nossa esperança está desfeita. Para nós está tudo acabado". 12Pois bem, profetiza e dize-lhe: Assim diz o Senhor Iahweh: Eis que vou abrir os vossos túmulos e vos farei subir dos vossos túmulos, ó meu povo, e vos reconduzirei para a terra de Israel. 13Então sabereis que eu sou Iahweh, quando eu abrir os vossos túmulos e vos fizer subir de dentro deles, ó meu povo. 14Porei o meu espírito dentro de vós e haveis de reviver: eu vos reporei em vossa terra e sabereis que eu, Iahweh, falei e hei de fazer, oráculo de Iahweh. (Grifos nosso)

Muitos interpretam este texto como se ele falasse da ressurreição, mas vejam que ele fala em reviver e repor na vossa terra, e a reessureição é no Reino de Deus ou no Céu. Se é viver e repor na terra é reencarnação.
Cf. Isaías, 26: 19:
19Os teus mortos tornarão a viver, os teus cadáveres ressurgirão. Despertai e cantai, vós os que habitais o pó, porque o teu orvalho será um orvalho luminoso, e a terra dará à luz sombras.

Mesmo caso, não é ressurreição, vejam: a terra dará à luz sombras...
Se é na terra é reencarnação.

segunda-feira, março 26, 2012

Paulo Numa Perspectiva Espírita - Jesus é Deus?


Continuando nossos estudos afirmávamos da necessidade do conhecimento dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita como forma de auxiliar no entendimento da teologia paulina.

Temas como Deus, Jesus (Cristo), Espírito, Perispírito, Evolução, Mediunidade, Imortalidade da Alma, Livre Arbítrio, entre outros, são essenciais para verdadeiramente entendermos o que quis dizer ao mundo este Bandeirante do Evangelho.
Só para termos uma breve ideia da importância dos conhecimentos destes princípios doutrinários para o melhor entendimento da proposta paulina vamos destacar neste momento apenas três destes princípios: Deus, Espírito e Jesus.

Deus
Para a doutrina espírita, o entendimento de Deus é como na Bíblia em seus primeiros movimentos, Deus é o Criador do Universo.
Na primeira questão de O Livro dos Espíritos temos: Deus é a Inteligência Suprema e Causa Primária de todas as coisas.
Deus é Espírito, é imaterial, onipotente, onipresente, onisciente, imanente e transcendente. Segundo os Espíritos Ele não atua diretamente na matéria1, para isto tem agentes dedicados que O auxiliam.

Espírito
O Espírito é o princípio inteligente do Universo2, os Espíritos são os seres inteligentes da criação3.
Eles estão em constante evolução, o que fazem através das diversas reencarnações. Quando atingem o cume da escala evolutiva, tornam-se Espíritos Perfeitos, Espíritos Puros, Cristos4...

Jesus
Jesus é para a doutrina espírita um Espírito criado, não é Criador, é criatura.
Porém é um Espírito especial, não porque tenha sido criado de forma diferente dos demais, mas porque se fez especial. Percorreu toda escala evolutiva em mundos que já nem existem mais, e tornou-se Perfeito, um Espírito Puro. É assim, um Cristo. Daí, Jesus-Cristo, onde Cristo não é sobrenome, mas condição espiritual, estado evolutivo.
Podemos assim dizer que ele é um dos Agentes Dedicados5 que auxiliam Deus na governança de Sua criação.
Ele não é Criador, é Construtor; é conforme orientação do Espírito André Luiz, um Co-criador em Plano Maior.6
Para o nosso planeta, Jesus é o Construtor dele, é o Mentor Espiritual; os Espíritos o definem como Governador Espiritual da Terra.
Não compreendendo tudo isto e sentindo a Sua superioridade muitos pensam ser Jesus o próprio Deus Criador. Só o Espiritismo através das revelações dos Espíritos Superiores pôde elucidar esta questão, e assim nos dar mais uma ferramenta para compreendermos Paulo, e porque não dizer todo o Evangelho, que é a Boa Nova de Deus.
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Dito isto faz-se necessário buscar Alguns textos de Paulo e os interpretarmos dentro desta nova ótica proposta. Lembrando que por ser o Evangelho a Mensagem do Cristo trazida aos homens através da inspiração do Espírito de Verdade, outras interpretações além das aqui propostas poderão haver sem contradição. Neste passo não vamos nos preocupar com as minúcias, mas com o que achamos mais importante para o objetivo deste estudo.

Jesus é Deus?
agora, nestes dias que são os últimos, [Deus] falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos. É ele o resplendor de sua glória e a expressão de seu ser; sustenta o universo com o poder de sua palavra… (Hebreus, 1: 2 e 3)1

Como dissemos no início deste texto para compreendermos Paulo e a essência de sua mensagem é preciso nos descondicionarmos em relação às interpretações das escrituras que até então fizemos levando em conta as teologias cristãs tradicionais. Dentro da ótica antiga, a primeira ideia que vem ao lermos estes versículos é que Jesus é Deus. Porém não é o que pensava o autor de Hebreus. Além de ser inconcebível para um judeu como ele o pensamento de que Deus pudesse encarnar, a tradição judaica nunca disse ser o Messias igual a Deus.
Temos no texto em epígrafe a afirmativa do apóstolo de que Jesus é Filho. Como sabemos, Deus é Pai, portanto, não é a mesma coisa. Entretanto a teologia cristã posterior disse que o Filho faz parte da Trindade e que seria uma pessoa de Deus. Teríamos assim, Deus Pai, Deus Filho, e Deus Espírito Santo.
Não é objetivo deste estudo, devido a sua singeleza, aprofundar-se nestas questões teológicas, mas temos, entretanto, de manifestarmo-nos de alguma forma.
A teoria do Deus trino e da trindade não tem claramente um respaldo bíblico, pode-se ver a mesma expressa nas entrelinhas de alguns textos, entretanto trata-se de opinião pessoal e liberdade de interpretação daqueles detentores desta forma de pensar.
Temos nestes versículos a afirmação do autor sagrado de que Jesus fez os séculos. Num primeiro instante podemos pensar que Jesus fez o “tempo” já que séculos expressa uma noção de tempo. Como o Criador do tempo é Deus, supõe-se através de uma leitura rápida que Jesus é Deus.
Todavia o que o texto expressa que é Deus quem fez por meio do Filho, o que é diferente. Outra questão a ser compreendida é que a expressão grega aion também pode ser vista como uma tradução de uma expressão idiomática hebraica que dizer mundo, universo.
Assim, o autor de Hebreus quer dizer que Jesus fez o mundo. Dentro da teologia tradicional caímos na mesma dificuldade, pois quem criou o mundo foi Deus.
É aqui que a doutrina espírita entra fazendo a diferença. Mundo ou Universo aqui expressam os Universos físicos, isto é materiais. O mesmo se dá com séculos que é uma medida de tempo. Só existe tempo quando falamos de dimensões materiais.
Como vimos anteriormente Deus não opera diretamente na matéria, isto ele faz por meio dos Espíritos, e no caso da construção dos Universos Ele faz por meio dos Espíritos Puros que são os Cristos ou os Messias.
Assim, o autor de Hebreus inspirado pelo Espírito de Verdade está correto e coerente com o ensino que os Espíritos nos deram a partir da Codificação Kardequiana. Deus por intermédio de Jesus que é um Cristo fez o mundo em que vivemos que é o planeta Terra
Na sequência do versículo ele ainda diz que Jesus é a expressão de seu ser, isto é a expressão de Deus.
Está corretíssimo; Jesus é a expressão exata de Deus, a expressa imagem Dele. Como sabemos os Espíritos Puros já se reintegraram na Unidade Divina2. Todavia é preciso convir, a expressão de uma coisa não é a coisa em si por mais perfeita que ela seja. Uma imagem de uma pessoa num espelho é a cópia fiel desta, porém não é a pessoa, o mesmo podemos dizer de uma poema, ele pode expressar com perfeição um evento, mas não se trata do próprio; o mapa não é o território, e assim por diante.
Jesus é a expressão exata de Deus, daí ser confundido com Ele, porém não é a Divindade por excelência.

1 Aqui é preciso considerar que os eruditos modernos não têm Paulo como autor da carta aos Hebreus. Neste texto não vamos entrar nesta questão, vamos apenas considerar, como Emmanuel através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, que foi Paulo quem escreveu esta valiosa carta.
2 Cf. (KARDEC 1980), Q. 1009
 
1 (KARDEC, O Livro dos Espíritos. 50ª ed. 1980). Q. 536 item b
2 Idem, Q. 23
3 Id. Ib., Q. 76
4 Do grego Christos que significa “ungido”. Tanto os reis quanto os sacerdotes eram investidos de sua autoridade numa cerimônia com óleo de oliva. Deste modo Cristo é aquele que recebe a autoridade diretamente de Deus, e neste caso é autoridade moral e espiritual que só é dada àquele que chegou ao cume da escala evolucional.
5 (KARDEC 1980), Q. 536 item b
6 XAVIER, Francisco C./ Waldo Vieira/André Luiz (Espírito). Evolução em Dois Mundos, 13a Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.

sexta-feira, março 23, 2012

Moisés Proibiu a Comunicação com os Mortos?

Dizem que Moisés proibiu a comunicação dos vivos com os mortos.
Esta é a maior prova que de que este intercâmbio é possível e existe, pois como pode alguém proibir uma coisa que não é possível e que não existe? Se não existe, por que proibir?
Moisés só proibiu pois em seu tempo havia exploração indevida da faculdade mediúnica, como hoje muitas vezes isto ainda acontece. O que ele queria coibir era o mau uso da faculdade mediúnica, e isto Kardec também fez, vejam o capítulo XXVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Acompanhem o texto abaixo e vejam se Moisés era contra a comunicação com os ditos mortos:
Números, 11: 26 a 30:

"Porém, no arraial, ficaram dois homens; um se chamava Eldade, e o outro, Medade. Repousou sobre eles o Espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda; e profetizavam no arraial.
Então, correu um moço, e o anunciou a Moisés, e disse: Eldade e Medade profetizam no arraial.
Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus escolhidos, respondeu e disse: Moisés, meu senhor, proíbe-lho.
Porém Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Tomara todo o povo do SENHOR fosse profeta, que o SENHOR lhes desse o seu Espírito!
Depois, Moisés se recolheu ao arraial, ele e os anciãos de Israel."
Por este texto vocês acham que Moisés era contra  o bom uso da mediunidade?
Vejam Isaías, 8: 19 e 20:

19Se vos disserem: "Ide consultar os espíritos e os adivinhos, cochichadores e balbuciadores", não consultará o povo os seus deuses, e os mortos a favor dos vivos? 20À instrução e ao testemunho! Se eles não falarem de acordo com esta palavra, certamente não nascerá para eles a aurora.
Ou seja, em favor dos vivos pode-se consultar os Espíritos para instrução, porém se eles não falarem adequadamente isto é que deve ser avaliado.
Avaliem ainda o texto abaixo e tirem suas conclusões:
O Papa João Paulo II, perante mais de 20.000 pessoas na Basílica de São Pedro, em 2 de Novembro de 1983, disse :
"O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo".
Isso foi fartamente publicado nos jornais Italianos da época, mas hoje, poucas pessoas se lembram.
REPORTAGEM DA TV GLOBO
Observem bem, ao final da Transmissão, quando a Repórter Ilze Scamparini da TV Globo faz duas perguntas ao Padre Gino Concetti, um dos Teólogos mais competentes do Vaticano:
Ilze Scamparini : "Existe Comunicação entre os Vivos e os Mortos ?"
Gino Concetti : "Eu creio que sim. Eu acredito e me baseio num fundamento teológico que é o seguinte : Todos nós formamos em Cristo, um Corpo místico, no qual Cristo é o Soberano. De Cristo emanam muitas graças, muitos dons, e se estamos todos unidos, formamos uma comunhão. E onde há comunhão, existe também comunicação."
Ilze Scamparini : "O que o Senhor pensa do Espiritismo ?"
Gino Concetti : "O Espiritismo existe. Há sinais na Bíblia, na Sagrada Escritura, no Antigo Testamento. Mas, não é do modo fácil como as pessoas acreditam. Nós não podemos chamar o Espírito de Michelangelo ou de Raphael. Mas como existem provas nas Sagradas Escrituras, não se pode negar que existe essa possibilidade de comunicação".
REPORTAGEM SOBRE O VATICANO - COMUNICAÇÃO COM O MUNDO ESPIRITUAL
AUTORIDADES CATÓLICAS FALAM COM ESPÍRITOS - 1
Representantes do Vaticano admitem comunicação com os Espíritos !
O Padre Gino Concetti (1), fala do "Mais Além" de uma nova maneira. O Padre é irmão da Ordem dos Franciscanos Menores, um dos teólogos mais competentes do Vaticano. É comentarista do «L'Osservatore Romano», o diário oficial do Vaticano.
A intervenção do padre Concetti, é muito importante, porque, aqui se veem as novas tendências da Igreja a respeito do paranormal, sobre o qual, até agora, as autoridades eclesiásticas haviam formulado opiniões diferentes. Sustenta ele que, para a Igreja Católica, os contatos com o "Mais Além" são possíveis, e aquele que dialoga com o mundo dos defuntos não comete pecado se o faz sob inspiração da fé.
Vejamos pois, alguns extractos da entrevista, do Padre Gino Concetti ( P.G.C ) publicada no Jornal Ansa, em Itália, em Novembro de 1996 :
P.G.C. - «Segundo o catecismo moderno, Deus permite aos nossos caros defuntos, que vivem na dimensão ultraterrestre, enviar mensagens para nos guiar em certos momentos de nossa vida. Após as novas descobertas no domínio da psicologia sobre o paranormal a Igreja decidiu não mais proibir as experiências do diálogo com os trespassados, na condição de que elas sejam levadas com uma finalidade séria, religiosa, científica.»
P - Segundo a doutrina católica, como se produzem os contatos?
P.G.C - «As mensagens podem chegar-nos, não através das palavras e dos sons, quer dizer, pelos meios normais dos seres humanos, mas através de sinais diversos; por exemplo, pelos sonhos, que às vezes são premonitórios, ou através de impulsos espirituais que penetram em nosso espírito. Impulsos que se podem transformar em visões e em conceitos.»
P - Todos podem ter essas percepções?
P.G.C - «Aqueles que captam mais frequentemente esses fenômenos são as pessoas sensitivas, isto é, pessoas que têm uma sensibilidade superior em relação a esses sinais ultraterrestres. Eu refiro-me aos clarividentes e aos médiuns. Mas as pessoas normais podem ter algumas percepções extraordinárias, um sinal estranho, uma iluminação repentina. Ao contrário das pessoas sensitivas podem raramente conseguir interpretar o que se passa com elas no seu foro íntimo.»
P - Para interpretar esses fenômenos a Igreja permite-lhes recorrer aos chamados sensitivos e aos médiuns?
P.G.C - «Sim, a Igreja permite recorrer a essas pessoas particulares, mas com uma grande prudência e em certas condições. Os sensitivos aos quais se pode pedir assistência, devem ser pessoas que levam as suas experiências, mesmo aquelas com técnicas modernas, inspiradas na fé. Se essas últimas forem padres é ainda melhor. A Igreja interdita todos os contactos dos fiéis com aqueles que se comunicam com o Mais Além, praticando a idolatria, a evocação dos mortos, a necromancia, a superstição e o esoterismo; todas as práticas ocultas que incitem à negação de Deus e dos sacramentos»
P - Com que motivações um fiel pode encetar um diálogo com os trespassados ?
P.G.C - «É necessário não se aproximar muito do diálogo com os defuntos, a não ser nas situações de grande necessidade. Alguém que perdeu em circunstâncias trágicas, seu pai ou sua mãe, ou então seu filho, ou ainda seu marido e não se resigna com a ideia do seu desaparecimento, ter um contato com a alma do caro defunto pode aliviar-lhe o espírito perturbado por esse drama. Pode-se igualmente endereçar aos defuntos se se tem necessidade de resolver um grave problema de vida. Nossos antepassados, em geral, ajudam-nos e nunca nos enviarão mensagens nem contra nós mesmos nem contra Deus.»
P - Que atitudes convém evitar durante contatos mediúnicos?
P.G.C - «Não se pode brincar com as almas dos trespassados. Não se pode evocá-las por motivos fúteis, para obter por exemplo um nº do Loto. Convém também ter um grande discernimento a respeito dos sinais do Mais Além e não muito enfatizá-los. Arriscar-se-ia a cair na mais suspeita e excessiva credulidade. Antes de mais nada não se pode abordar o fenômeno da mediunidade sem a força da fé.»
Texto retirado do Jornal: O Popular - Goiânia
Há anos radicada na Europa, a psicóloga goiana Terezinha Rey divulga a aprovação, pela Igreja Católica, da comunicação com os mortos através de médiuns ! Oficialmente a Igreja Romana nunca admitiu o contato com os mortos, como prega a Doutrina Espírita. Nem mesmo a atividade de médiuns e paranormais, até há bem pouco tempo, era levada em consideração, pelos religiosos.
Essa opinião mudou. Através do jornal L'Osservatore Romano, órgão oficial da Igreja com sede em Roma, em edição de novembro de 1996, o padre Gino Concetti concedeu uma entrevista, depois reproduzida em outros periódicos, como os italianos : Gente e La Stampa e o mexicano : El Universal, revelando os novos conceitos católicos em relação às mensagens ditadas pelos espíritos depois da morte carnal. Padre Gino Concetti, irmão da Ordem dos Franciscanos Menores, considerado um dos mais competentes teólogos do Vaticano, admite ser possível dialogar com os desencarnados. Segundo ele, o catecismo moderno ensina que "Deus permite àqueles que vivem na dimensão ultraterrestre enviar mensagens para nos guiar em determinados momentos da vida.
Após as novas descobertas no domínio da psicologia sobre o paranormal, a Igreja decidiu não mais proibir as experiências do diálogo com os trespassados, desde que elas sejam feitas com finalidades religiosas e científicas e com muita seriedade".
A medida ditada pela nova cartilha da Igreja Católica deixou eufórica Terezinha Rey, psicóloga e ex-professora goiana, que reside há mais de 40 anos na Suíça. Ela é tradutora e divulgadora do texto do padre Gino Concetti. De férias em Goiânia, faz a divulgação desse material. Terezinha diz que as novas opiniões dos católicos a respeito da Doutrina pregada por Allan Kardec é uma questão da evolução natural das coisas. "Tenho um grande respeito pela Igreja Católica e creio ser oportuna esta revisão de suas opiniões sobre o Espiritismo", afirma ela.
Terezinha considera importantes as pregações do Padre italiano porque tiram a culpa dos católicos por procurar os espíritas em busca de contatos com seus entes queridos. "Conheço padres na Europa que são médiuns", revela a professora, citando como exemplo o padre Biondi, capelão dos jornalistas de Paris. Fundadora do Instituto Pestalozzi, Terezinha Rey foi para a Suíça em 1957 para fazer um doutorado em psicologia. Lá conheceu o renomado professor Andre Rey, um dos criadores da psicologia clínica, e acabou ficando em Genebra, onde também foi aluna da professora Helene Antipoff, educadora de grande prestígio no mundo inteiro.

Nota:
(1)  CONCETTI, Gino. Padre Gino Concetti: teólogo franciscano e comentarista do L’Osservatore Romano. Roma: L’Osservatore Romano, 1996. Entrevista concedida ao jornal Ansa em novembro de 1996, reproduzida em periódicos como La Stampa (Itália) e El Universal (México). O padre Gino Concetti (1924–2005) foi um dos mais influentes teólogos franciscanos do Vaticano, redator do diário oficial da Santa Sé e colaborador da Rádio Vaticano. Ficou conhecido por suas reflexões sobre moral e espiritualidade e por afirmar que, segundo o catecismo moderno, Deus pode permitir que os defuntos enviem mensagens aos vivos, abrindo espaço para debates sobre a relação entre fé católica e fenômenos espirituais.

Texto extraído do site: http://www.igrejacatolicacarismatica.org.br/artigos99.htm em 20/03/2012

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segunda-feira, março 19, 2012

Paulo de Tarso Perspectiva Espírita (Continuação)


Dando sequencia ao nosso estudo continuamos:

Providência – trata-se da solicitude do Criador em relação à Sua criação; o cuidado e o acompanhamento que Ele tem com ela. Kardec desenvolverá o tema no Livro A Gênese1, no capítulo II a partir do item 20.
Podemos ver aqui uma prefiguração do Deus-Pai do qual falou Jesus, de um Deus que segundo entendemos  zela incessantemente em favor de seus filhos, os assiste em todos os momentos2.
Mas é a tua Providência, ó Pai, que o pilota, pois abriste um caminho até no mar e uma rota segura entre as ondas.3
Deste-me a vida e o amor, e a tua solicitude me guardou.4
No desenvolvimento do tema, aprofundando os conceitos de Criação e Providência surge um outro de fundamental importância para compreendermos Paulo em sua cultura judaica, trata-se do que podemos compreender por Aliança.
Deus criou o homem e o cercou de tudo que ele precisava, e mais, o colocou num Jardim de delícias (Éden).
Entretanto, fez com ele um pacto, uma aliança:
De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.5
O homem não conseguiu manter sua fidelidade e desobedeceu, surge deste modo a experiência do mal e a necessidade do homem se recompor.
O erro na criação não é de Deus, mas do homem, entretanto o Criador providencia recursos para que o homem corrija sua rota.
Assim, Deus renova sua aliança com Adão, e o mesmo vai fazer com Abraão, com Isaac, com Jacó, com Moisés…
Cada vez que o ser humano falha seu destino é reconfigurado para que atinja o objetivo de recompor-se diante de Deus com toda assistência Deste.
Vemos aí uma manifestação clara da Providência Divina auxiliando o homem em seu reerguimento espiritual, o que vai acontecer segundo Paulo, a partir de uma nova criação em Cristo. Ele viu Jesus como o redentor do erro de Adão. Ele era a manifestação plena da justiça de Deus, através de Jesus Deus confirma sua Fidelidade à Aliança.
Juízo – este é um tema que está presente em toda literatura bíblica, Deus é Santo, Nele não há mácula, nenhum tipo de impureza. A Justiça de Deus é manifestação plena de Seu caráter, assim, ele recompensa o bem e pune o mal. Haverá um juízo final, que é o momento de prestação de contas em que o homem diante de Deus será ou não justificado, isto é, reconhecido como justo.
Se for bem sucedido no julgamento terá vida, se não, morte. No Espiritismo a obra básica que aprofunda sobre este assunto é O Céu e o Inferno6.
Estes são temas sempre presentes em Paulo o que nos mostra ser ele fiel ao judaísmo. Voltamos a repetir, Paulo não rompeu com o judaísmo, o que ele percebeu era que Jesus era o objetivo da Torah (Romanos, 10: 4), o cumprimento da Promessa.
Tendo visto estas questões fundamentais que situam Paulo dentro do contexto judaico, faz-se necessário citarmos que o cristianismo, principalmente a partir do quarto século de nossa era, modificou alguns conceitos, baseados numa forma errônea de ler Paulo e que agora precisamos reconsiderar.
Assim, Jesus foi tido como Criador, e se é Criador, entendeu-se que Jesus é Deus, ou seja, Deus que encarnou.
Lembramos de Kardec quando na questão 59 de O Livro dos Espíritos ao comentar sobre algumas considerações bíblicas sobre a criação afirma:
Dever-se-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la.
Assim, se nos propomos realizar uma nova interpretação dos textos de Paulo à luz da Doutrina Espírita, precisamos conhecer e estudar os princípios fundamentais do Espiritismo.

É o que abordaremos no próximo estudo...
1 KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984.
2 Não vamos encontrar em nenhum texto esta ideia de Deus-mãe, esta é apenas uma figura de linguagem a fim de melhor compreendermos a Providência Divina.
3 Sabedoria, 14: 3
4 Jó, 10: 12
5 Gênesis, 2: 16 e 17
6 KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Rio de Janeiro: FEB, 1944