sábado, janeiro 06, 2024

Sobre as Traduções do Evangelho

#Pública



Antes de entrarmos no tema principal deste estudo, é importante tecermos alguns comentários que a princípio podem parecer desnecessários para o desenvolvimento deste, mas não é. Gostaríamos de conceituarmos duas expressões que iremos utilizar, para que fique mais fácil a compreensão de nossas ideias.
A obra de Pietro Ubaldi tem em alguns pontos desafiado a comunidade espírita de tal modo, que enquanto alguns espíritas ilustres, estudiosos da codificação kardequiana a apoiam, outros, não menos importantes, também estudiosos da literatura básica do espiritismo, a rejeitam, vendo nela importantes contradições doutrinárias.
Nós temos a nossa opinião a respeito, no entanto, aqui não nos manifestaremos visto não ser do interesse deste estudo, e também por que o que quer que seja que tenhamos a comentar não passará de opinião pessoal, e opinião pessoal tem sempre importância relativa.
Queremos apenas nos apropriar dos conceitos de dois termos usados por Ubaldi objetivando melhor nos expressar. São eles Sistema e Antissistema.
Por Sistema entendemos o Universo original criado por Deus no primeiro instante; o Universo espiritual onde inexiste a matéria e vige exclusivamente a Unidade Divina que se expressa através da Lei Amor. Poderíamos como sinônimo de Sistema falar em Reino de Deus ou dos Céus, conforme o dizer de Jesus, ou ainda Mundo Espiritual como fala a codificação espírita.
Ao optarmos por usar Sistema ao invés dos outros termos aqui citados, é porque com o decorrer dos tempos estas expressões perderam seu significado original. Quando falamos em céu, a primeira coisa que comumente vem no pensamento da maioria das pessoas é a ociosidade, ou ainda, anjos privilegiados que vivem em imensa monotonia. Já Mundo Espiritual, expressão usada pela comunidade espírita, também pode ser confundida com "colônias espirituais" como Nosso Lar, Alvorada Nova, Novos Horizontes, entre outras tão comuns em nossa literatura sobre o mundo invisível.
Não é este também o conceito que queremos usar, pois nas colônias espirituais também existe matéria, mesmo que em diferentes dimensões, e por Sistema entendemos, como já dissemos, o Universo Imaterial inicialmente criado por Deus antes de ser criada a matéria e tudo que veio com o aparecimento desta.
Antissistema é justamente o oposto de Sistema, é o Universo físico propriamente dito. Nele está presente com intensidade a dualidade, as contradições e os paradoxos inerentes à existência material. É o mundo em que vivemos.
Não temos na atualidade devido à nossa pouca evolução espiritual, condições de compreender o Sistema; sua realidade nos escapa pois situa-se em dimensões muito superiores àquela que conseguimos alcançar. Porém, não é por isso que vamos dizer que ele inexiste.
Feito este breve esclarecimento, podemos então entrar no tema de nosso estudo.
Muito temos sido questionados sobre as traduções do Evangelho. Por várias vezes nos perguntam sobre qual a melhor tradução dos textos canônicos, qual a que espelha de forma mais fiel o texto original.
Esta resposta é bem complexa, e nós não nos achamos em condições de respondê-la, pois apesar de nosso constantes estudos e pesquisas no campo do Evangelho, não somos conhecedores em profundidade nem do grego, que é o idioma original em que os evangelhos atuais foram escritos, nem muito menos do hebraico e do aramaico, em que foram vividos.
Deste modo, para que estes que nos questionam não ficassem sem resposta, fomos buscar em nosso orientador Emmanuel a resposta para esta questão.
No Livro o Consolador é feita a mesma pergunta para este iluminado Espírito, como citamos:

 

Pergunta 321 – Qual a edição dos Evangelhos que melhor traduz a fonte original? 


Ao que Emmanuel com a sabedoria que lhe é peculiar inicia respondendo: 


A grafia original dos Evangelhos já representa em si mesma, a própria tradução do ensino de Jesus considerando-se que essa tarefa foi delegada aos seus apóstolos...

 

Esta resposta só neste início, pois ela continua no livro citado, já é bem significativa...
O Evangelho é, ao nosso ver, a Carta Magna do Sistema. Jesus é um Espírito do Sistema e é segundo o dizer do próprio Emmanuel e de outros Espíritos superiores que nos orientam, o responsável espiritual pelo planeta Terra desde suas origens há alguns bilhões de anos atrás.
A Mensagem Crística do Evangelho está, deste modo, em uma dimensão muito acima do que podemos alcançar em matéria de entendimento, por isso dizemos que Jesus teve que adequar esta mensagem para nós Espíritos do Antissistema.
Jesus foi, portanto, o primeiro tradutor do Evangelho, pois decodificou para nós o que não compreenderíamos sem Sua superior adequação. (grifamos, pois consideramos que o Evangelho é em última instância, de Deus)
Assim, o Evangelho que temos é o máximo que cada um de nós pode compreender da revelação definitiva do Céu de acordo com o estado evolutivo individual de cada um. Por isso existem tantas interpretações, tantas filosofias, tantas religiões, todas baseadas no mesmo Texto Sagrado.
A segunda tradução dos Evangelhos foi feita pelos próprios evangelistas, como nos lembra Emmanuel, visto que Jesus mesmo nada escreveu.
Deste modo, mesmo o os textos originais do Evangelho em seu idioma original já eram uma tradução. É como se hoje após uma palestra de um orador qualquer, fôssemos transcrever sua palestra para o papel; por mais fiéis que fôssemos não conseguiríamos retratar exatamente o que foi dito pelo orador.
Quanto às versões atuais a questão se torna ainda mais complexa. Vejamos...
Jesus, ao que temos aprendido, em suas relações comuns com o povo, falava em aramaico, o que nos leva a crer que ele pensava em aramaico. Quando ele ia comentar as escrituras nas sinagogas o idioma usado era o hebraico, pois a leitura das escrituras só podia ser feita em hebraico. Se, portanto, ele quisesse se comunicar com o povo a respeito da Torá, tinha que ler em hebraico e já traduzir para o aramaico.
À exceção dos primeiros manuscritos de Mateus, escritos em aramaico, os Evangelhos que chegaram para nós, mesmo o de Mateus, foram escritos em grego; ou seja, os evangelistas tiveram que, já na origem traduzir os pensamentos e palavras de Jesus para outro idioma, neste caso o grego.
Àquele tempo não existia a imprensa mecânica, nem, muito menos, a editoração eletrônica, e para que os evangelistas dessem a conhecer a sua obra, não bastava dar um comando no computador para que fossem impressas milhares de cópias idênticas, todas no mesmo formato.
As reproduções tinham de ser feitas manualmente, por copistas nem sempre preparados para tal mister. Os textos eram escritos com palavras sem acentuação gráfica, sem pontuações, e até mesmo sem separação entre elas, o que dificultava em muito o ato de reproduzir cópias, aumentando bastante a chance de erro.
Imaginemos o que poderia acontecer, e o que aconteceu, quando um copista enganava-se no ato de copiar às vezes excluindo uma ou outra palavra, e esta cópia viesse a servir de matriz para inúmeras outras…
Acontecia ainda que alguns estudiosos dos manuscritos realizavam "notas explicativas" ou "notas laterais" nos manuscritos, o que hoje conhecemos como notas de pé de página. Muitas destas notas foram incorporadas ao texto como se fizessem parte dos manuscritos originais.
As reproduções aconteceram assim por séculos, até o surgimento da imprensa.
Mais tardes os textos vieram a ser traduzidos para o latim, e depois para o alemão, francês, inglês, português etc.
Sem contar os erros ocasionais, ou os interesses de teologias diversas, cada idioma tem as suas características e as suas figuras de linguagem. Deste modo, perguntamos, pode haver uma tradução perfeita dos livros do Evangelho? E o que é mais importante, há como interpretar seus ensinamentos de forma literal?
A princípio muitos podem desanimar dos estudos do Evangelho e dizerem que estamos tirando a autoridade dos textos atuais, mas não estamos.
Continuemos lembrando Emmanuel em sua resposta à questão inicial: 


Importa observar que os Evangelhos são roteiro das almas, e é com a visão espiritual que devem ser lidos… 


Acontece que o Evangelho é uma revelação divina, e Deus para fazer chegar até nós suas Leis, tem prepostos perfeitos, Espíritos dedicados encarregados de inspirar os homens nos momentos certos as realizações certas.
Apesar do respeito e admiração que temos a outros reveladores como Moisés, Buda, Lao Tse, entre outros, particularmente achamos que o Evangelho é de todas a mais importante revelação, deste modo, Os Espíritos evangelistas não faltariam, como não faltaram, no auxílio para que o essencial da Mensagem Superior de Jesus não sofresse qualquer perda.
E para que entendamos e nos apropriemos desta Sua Superioridade, basta nos aproximarmos dele "com intenção sincera de aprender
[1]", aumentando nossa vibração e sintonia com as correntes mentais superiores, para assim alcançarmos cada vez mais a compreensão das lições que dizem respeito ao Reino de Deus ou ao Sistema original para o qual fomos criados.
Assim, continuemos ouvindo Emmanuel: 


Sendo razoável estimarmos, em todas as circunstâncias, os esforços sinceros, seja qual for o meio onde se desdobram, apenas considerarmos que, em todas as traduções dos ensinamentos do Mestre Divino, se torna imprescindível separar da letra o espírito.  

 

Referência Bibliográficas: 

Xavier, Francisco Cândido pelo Espírito Emmanuel. O Consolador, 1941, FEB, Questão 321 


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[1] O Consolador, questão 321 

quarta-feira, dezembro 27, 2023

O Sermão Profético de Jesus - Parábola das Dez Virgens (Final)

#interna




E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta! E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir (Mateus, 25: 10 A 13)



E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. 

E, tendo elas ido comprá-lo… - Uma das grandes dificuldades que temos em nosso momento evolutivo atual é a falta de planejamento e previsão, ou ainda, de coerência. 

Do mesmo modo que aquelas virgens sabiam da importância do azeite para acenderem suas lâmpadas, nós, hoje, sabemos da necessidade de cultivarmos os valores do espírito, por serem estes imperecíveis, e os quais não vamos perder; e ainda, são aqueles que necessitaremos para a conquista da segurança diante da imortalidade. 

Todavia, como elas não se preveniram com o estoque de combustível suficiente, nós também temos tido problemas com a conquista das qualidades libertadoras. Jesus já nos definira: homens de pequena fé. 

Assim, deixamos tudo para última hora, só quando nos é exigido é que preocupamos em dar o que poderíamos com muito mais tranqüilidade termos doado de modo natural, só quando vem a carência é que lembramos dos dias em que tendo em abastança desperdiçamos. 

Todas as manifestações da Vida são planejadas pela administração do Todo Sábio, portanto… 

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: 

há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou…[1] 

Só tendo algo podemos dispor dele na hora em que necessitarmos, a própria economia do mundo nos alerta a respeito. Então, é preciso ter o azeite, não o possuindo necessário se faz sair para comprar, atitude esta que exige uma ação, porém é preciso que a tenhamos no momento oportuno, pois passando o tempo de plantio, é hora de arrancar o que se plantou, e se não houvermos feito devidamente, o que acontecerá? 

…chegou o esposo… - Todos nós atingiremos a meta da evolução que é a perfeição possível de ser conquistada. Para isso etapas terão de ser vencidas, etapas estas com princípio, meio e fim. Em todas elas haverá um ponto culminante. A chegada do esposo define o ápice daquele instante, o momento mais importante, mas, que para que tal se dê é imperioso o preparo, o amadurecimento das questões essenciais. 

Se, entretanto, quando o momento mais importante chegar estivermos cuidando de outras coisas que não do que é primordial, será imprudência, pois não poderemos efetivamente aproveitar o instante. 

O bom senso diz que o encontro com o esposo é o principal instante para a noiva, deste modo, ela para isso se prepara, para que naquele momento possa estar completamente integrada na situação. Porém, se na ocasião ela tiver saído em busca de algo, mesmo em se tratando de algo essencial, a oportunidade passará, e o encontro adiado. 

…e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas… - É a consumação do que já analisamos anteriormente. Aquelas que estavam preparadas, isto é, que souberam aproveitar o momento oportuno de realização, puderam efetivar o encontro tão aguardado. 

Em nosso dia a dia, este preparo é feito a todo instante, o tempo seguinte é conseqüência do tempo presente, é preciso saber da colheita no momento do plantio, e em matéria de Vida Essencial será pedido o que for importante para ela. Sendo que esta economia funciona de modo diverso do que estamos habituados, pois, para no Mundo da Verdade termos, é preciso dar; para vivermos, morrermos para o que é transitório; para sermos o maior, o menor nos fazermos. 

…e fechou-se a porta. – O fechar da porta define o fim daquela fase, quem se preparou pôde entrar, quem não, não teve a mesma condição. É necessário ter passado por todas as etapas. 

Na vida do espírito, as conquistas são por efetivos merecimentos, não há privilégio, só tendo se capacitado pode-se usufruir dela. 

No tempo adequado fecha-se a porta, e se não for possível entrar, só em outro momento, só em outra oportunidade haverá nova chance. 

E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta! 

E, depois… - O advérbio depois significa posteriormente, em seguida. Aqui expressa uma oportunidade perdida. Tudo tem o seu momento, se deixarmos passar da hora há sempre uma perda, perda esta que pode ser difícil de reparar. 

O momento presente é sempre a circunstancia adequada, a nós pertence, no sentido de que nele temos toda liberdade de atuar; deixar para depois pode ser atitude perigosa, não sabemos como iremos estar, em quais situações nos encontraremos. Quando há perda de oportunidade é provável que as dificuldades sejam aumentadas, deste modo, é preciso atuar com tranqüilidade, com segurança, e com dinamismo hoje, só assim teremos a certeza de termos feito o melhor. 

… chegaram também as outras virgens… - Chegar também significa que outros já chegaram, e na frente. Em matéria de atingir uma meta evolutiva, teoricamente não há problema, pois evoluir não é apostar corrida, onde só há um vencedor; a atitude de chegar já é positiva, não sendo, deste modo, necessário ser o primeiro. 

Ocorre porém que, se outros já chegaram e em nossa frente, se as circunstâncias foram as mesmas para todos, é sinal de que nos descuidamos, e um descuido trás sempre conseqüências, e neste caso, não são as mesmas positivas. 

Assim, temos que todos iremos chegar, se atrasarmos algumas vezes, as portas podem ser fechadas, e um fechar de portas pode ser visto como um abrir novas circunstâncias, nem sempre favoráveis. No Reino do Senhor não é contado tempo, para Deus, o passado e o futuro são o presente[2], entretanto, se perdemos há perda é nossa, a Vida não contabiliza para ela os prejuízos, estes ficam para cada um de nós de acordo com a opção individual. 

…dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta! - Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus[3] já nos alertara o próprio Jesus, definindo que não é a postura à posteriori que vai nos fazer alcançar o objetivo, mas sim o que fizermos no plano das causas é que irá determinar os efeitos. 

Raros são, como já dissemos, aqueles que têm a virtude de agir pensando deste modo, a grande maioria diz Senhor, senhor, numa atitude de lamentação, buscando a Misericórdia, sem ter feito a sua parte. 

Abre-nos a porta é o pedido desesperado de uma nova oportunidade, só quem já passou por um momento de perda sabe que isto significa, principalmente quando o sucesso estava tão próximo, dentro da ordem natural das coisas. 

Todavia, se esta é uma situação que gera dores e lamentações, nem por isso é menos importante para a história evolutiva da criatura; já que, se devidamente compreendida, a reflexão sobre nossos erros projetam-nos num próximo instante a conquistas imperecíveis no plano das realizações superiores. 

E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. 

E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. – Esta é a resposta do Cristo interno quando temos uma atitude em dissonância com a Lei natural. Convivemos num plano de dualidade, onde o amor e o ódio, o bem e o mal, o certo e o errado, convivem juntos trazendo a seu tempo, alegrias e tristezas, saúde e doenças, paz e conflitos. 

O Eu Divino, semente do Incriado em nós, não conhece o desajuste, ou nada que não seja harmonia, toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada[4], disse-nos o Senhor; definindo que só o que é gerado pelo amor permanecerá. 

Assim, quando o noivo diz não conhecer aquelas que atrasaram para o encontro, quer com isto dizer, que só aquele que está em condições, aquele que tem em si só o que foi plantado pelo Pai, estará sintonizado com o seu Ser Superior, e assim capacitado para o Encontro Final. 

Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte,[5] diz-nos o apóstolo ensinando-nos como atingir este momento. 

…eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância[6], é Jesus convidando-nos à vivência de Sua doutrina como fator essencial de promoção espiritual. 

…faze isso e viverás.[7]  

Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir. 

Vigiai, pois… - Esta é uma expressão sempre presente no Evangelho, e já comentada por nós.[8] 

Jesus narra esta e outras parábolas neste Sermão, a fim de que todos pudessem compreendê-Lo com mais clareza. É sua excelente didática mais uma vez presente. 

Ele anteriormente disse aos discípulos o que se daria, e como se prevenir, e ao narrar a parábola, desce aos detalhes, ensina nas minúcias, faz ver aqueles que de outro modo não perceberam. 

…porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir. – Também já comentado, conforme citação anterior, com a diferença de aqui, por estar detalhando, Ele diz que nem o dia nem a hora serão sabidos, quando anteriormente Ele falara só no dia. É mais uma vez Jesus mostrando a nossa ainda incapacidade de compreendermos a Vida nas minúcias. 

Ora Ele se refere ao Filho do Homem, ora ao Senhor[9], mostrando-nos que ambos são a representação da nossa consciência renovada, que quando Cristificada[10] pela vivência evangélica, definirá o momento desta volta tão aguardada. 

Texto extraído do Livro:

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[1] Eclesiastes, 3: 1 e 2 

[2] Alan Kardec em A Gênese 

[3] Mateus, 7: 21 

[4] Mateus, 15: 13 

[5] I Coríntios 15:26 

[6] João, 10: 10 

[7] Lucas, 10: 28 

[8] Ver comentário do versículo 42 do capítulo 24 de Mateus, feito anteriormente no capítulo 4 deste estudo. 

[9] Conforme Mateus, 24: 42 

[10] Aqui preferimos usar a palavra Cristificada ao invés de cristianizada, por ter sido esta última muitas vezes usada significando uma cristianização sem a presença do Cristo como modelo de conduta. 

domingo, dezembro 17, 2023

O Sermão Profético de Jesus - Parábola das Dez Virgens 2ª Parte

#Pública




                    E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram. 

Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! 

Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. 

E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. 

Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. (Mateus, 25: 5 a 9)




E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram. 


E, tardando o esposo… - Sobre o esposo já falamos.[1] O encontro com ele significa aquele momento de encontro da criatura com o seu Cristo interno, aquele momento de libertação do Ser pelo conhecimento da Verdade. 

Só que o tempo em que se dará este momento só a Deus é dado conhecer, e ele – o encontro – poderá tardar, ou seja, não se dará enquanto houver em nós resquícios de uma personalidade dissociada da Suprema Lei. É imperioso, portanto, estarmos atentos, integrados por completo na plena dinâmica da Vida, que é Amor na sua mais pura expressão. 

…tosquenejaram todas e adormeceram. – Tosquenejar é o mesmo que cochilar. Esta atitude aqui não deve ser entendida como um ato de invigilância, mas como aquele envolvimento natural com os afazeres cotidianos, com o próprio cansaço ainda existente, pois o Senhor não condenou-as por isto, visto que todas cochilaram e adormeceram

Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! 

Mas, à meia-noite… - Se dividirmos o ciclo do dia em dois, teremos dia e noite como as duas fases complementares. Se o dia é marcado pela claridade, pela oportunidade de realizações, a noite representa justamente o oposto, é a treva, o momento de maiores dificuldades. 

Era meia noite, isto é, o ponto mais central desta fase, é aquele momento em que mais profundas são as dificuldades. 

…ouviu-se um clamor… - Um clamor significa um grito, um brado. As virgens estavam adormecidas, provavelmente naquele sono bem profundo. Só um grito poderia acordá-las, e isto era preciso, pois era chegado o grande momento. 

É comum o mesmo acontecer conosco, quantas vezes não nos preparamos para determinado acontecimento, e quando chega a hora perdemos aquela oportunidade tão aguardada? Fazer uma avaliação correta das situações por que passamos é uma necessidade, e assim priorizarmos o que for mais importante. 

…Aí vem o esposo! – Interessante esta colocação neste momento, aí vem o esposo, sempre de surpresa, em um momento inesperado. 

Era de se supor que por ser o encontro justamente com seu Eu superior, um momento único, de Integração, tal se sucederia no ápice do dia, no instante de maior claridade, entretanto, o que se dá é justamente o oposto, o esposo chega no momento em que a treva se faz mais atuante. Por que assim será? 

Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.[2]   

É neste instante, de maiores dificuldades, que se faz necessário a Luz íntima, a qualidade moral que diferencia, o trabalho incessante. Portanto, é no momento em que o aperto se dá que temos de mostrar nossas reais possibilidades, quem realmente somos; quem neste instante estiver preparado realizará sua ascese, sua efetiva integração no Seio do Criador. 

Saí-lhe… – Saí-lhe expressa justamente este necessário dinamismo. Tudo na vida é movimento, ação, trabalho; deste modo, estar integrado nela é também ser assim, útil, realizador, atuante. 

…buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.[3] 

…ao encontro! - …à comunhão, à integração. É o objetivo pleno da vida, a perfeição. Esta não virá gratuitamente, é preciso esforço, tempo, e busca incessante. 

Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.[4] 

Assim não são mais dois, mas uma só carne.[5] 

Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. 

Então, todas aquelas virgens se levantaram… - Todas aquelas, ou seja, as que estavam envolvidas no processo. Eram aquelas que estavam já em condições de passar pela situação, as que, de certa forma seriam aferidas. 

A evolução se faz por etapas, após o fechamento de uma, abre-se outra, oportunizando-nos o ensejo de novas conquistas. Se este é um acontecimento natural, pois é a mesma a Lei que rege tanto os pequenos como os grandes acontecimentos da vida, o momento culminante de cada fase é sempre significativo para que se atinja o objetivo que é passar para o próximo; assim, este é aquele instante em que devemos realizar os maiores esforços, e que nos será mais exigido, pois teremos de utilizar todos os recursos adquiridos na caminhada. 

Aquelas virgens se prepararam, cada uma a seu modo, para aquela hora, portanto, todas elas se levantaram, era preciso vencer a inércia do cochilo anterior, pois chegara o momento, o noivo estava próximo. 

…e prepararam as suas lâmpadas. – Aquele era um momento de escuridão, era o instante mais escuro da noite, deste modo, era preciso usar as lâmpadas, eram elas o instrumento mais importante para aquela ocasião. 

Nossa vida cotidiana é marcada por vários momentos destes em que nos é exigido uma posição, ou às vezes uma decisão rápida. Para que tenhamos êxito no empreendimento é preciso que estejamos capacitados, é aquele instante em que um insight, uma intuição resolve a questão. Entretanto, diferentemente do que parece esta luz que surge inesperadamente, não é uma concessão gratuita nem prêmio merecido, trata-se na maioria das vezes de um amadurecimento que aconteceu pouco a pouco, de uma forma quase imperceptível e que atinge o ápice manifestando-se naquele instante. 

É, portanto, uma conquista individual, como expressa o pronome usado antes da palavra lâmpadas: suas, ou seja, de cada uma. 

E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. 

E as loucas disseram às prudentes… – O relacionamento entre as criaturas é importantíssimo para o aperfeiçoamento individual. É através dele que nos burilamos, realizamos novas amizades, e nos capacitamos para a vivência da máxima cristã do "amai-vos uns aos outros". Somos influenciados, e influenciamos do mesmo modo. 

Dizer e ouvir são assim, duas práticas constantes em nosso cotidiano; e se é dever daquele que se propõe a realizar seu progresso em bases evangélicas, vigiar com respeito ao que se diz, não menos importante é selecionar o que se ouve. 

Há loucos e prudentes em todos os ambientes e nos diversos graus evolutivos, é preciso desta feita, termos cuidado com o que nos dizem os primeiros, pois, por termos ainda em nossa intimidade muito de insensatez, corremos perigo de, por sintonia desajustarmo-nos da mesma forma. 

Avaliemos portanto o que ouvimos, e relacionemos com o que já conhecemos em matéria de espiritualidade, pois só passando tudo pelo crivo da razão, da lógica, e do bom senso, estaremos capacitados a sermos contados entre os prudentes. 

…Dai-nos do vosso azeite… - Como analisamos anteriormente, o azeite era o combustível, que sendo queimado, permitia que a lâmpada ficasse acesa. No campo íntimo da criatura é a virtude que possibilita a nossa conexão com o Criador. 

Se teoricamente, no plano exterior, podemos fornecer uns, azeite para os outros, o mesmo não podemos afirmar quanto aos valores cultivados pelo Espírito, que são individuais e intransferíveis. 

O comodismo é, nos dias atuais, até mesmo algo cultural, queremos muitas vezes nos esforçar pouco e progredir muito. Deste modo, habituamos a colocar sempre a culpa no outro, e a achar que ele pode sempre realizar por nós. Assim, nossa porção ainda leviana pede: dai-nos do vosso azeite, isto é, faças por mim, resolva meu problema, alivie-me da dor. 

…porque as nossas lâmpadas se apagam. – Se a falta do combustível faz com que a lâmpada se apague, a falta da virtude nos separa dos propósitos superiores definidos pelo Cristo no resplandeça a vossa luz.  

Ocorre porém, nos dias atuais, que mesmo havendo a energia que possibilite a luz em nossas casas, podemos ficar no escuro se não nos dispusermos a realizar a atitude simples de acender o interruptor; é o que acontece quando detentores do verbo fácil e do entendimento amplo das questões evangélicas, não atuamos coerente com o que sabemos; ou seja, temos a energia divina em nosso aparelho vocal, mas não conseguimos operacionalizá-la através das mãos dedicadas ao serviço em favor do semelhante. 

Assim, enquanto a Vida nos concede, por misericórdia, a luz do dia, não sentimos falta, todavia, quando a noite vem, por não termos cultivado nossas possibilidades de iluminá-la também nos preocupamos, pois do mesmo modo, também as nossas lâmpadas se apagam. 

Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. 

Mas as prudentes responderam, dizendo… - As prudentes, que se caracterizam por agir dentro da faixa de segurança, têm na sua resposta, material que nos permite meditar buscando valioso aprendizado. 

Como temos respondido aos chamamentos que a Vida nos tem proporcionado? Não devemos esquecer que se na ação mostramos quem somos, na reação, isto é na resposta, definimos com maior precisão ainda, em que faixa de evolução nos situamos. 

Somos prudentes todas as vezes que desativamos na resposta, os componentes geradores da discórdia e da desunião, pois a criatura realmente preocupada com seu progresso espiritual, sabe que é na atitude tomada, muito antes que na palavra proferida, que dizemos realmente a que viemos. 

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.[1] 

…Não seja caso que nos falte a nós e a vós… - Não, ou seja, de modo algum; o azeite poderia não bastar para nós e vós outras. Esta resposta analisada rapidamente poderia sugerir uma ação egoísta, entretanto, se ponderarmos mais um pouco, vamos ver que não é bem assim. 

Mesmo no plano exterior não podemos deixar de atender ao nosso abastecimento, visando auxiliar o outro, é do próprio Evangelho que um cego não pode guiar outro, assim, não podemos desatender nossas primeiras necessidades para servirmos a quem quer que seja, pois o nosso compromisso primário é conosco mesmo; o que não quer dizer que tenhamos que ser egocêntricos, a situação é claramente outra. 

Aprofundando a compreensão, buscando o sentido espiritual da parábola, aí é que não há esta possibilidade mesmo, pois como dissemos alhures os valores espirituais são inalienáveis. 

Deste modo, se quisermos que a nossa luz não se apague, tratemos de realizar em nós as possibilidades de mantê-la acesa, ou como diz o próprio texto em estudo: ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. 

…ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. – Chegado a este ponto da análise está claro que temos que trabalhar em nós o fogo que mantém acesa a chama da evolução. Como realizar isto? Cultivando o que nos faz ser um Homem de Bem. E como? 

A palavra prudente responde: ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. 

Então há como comprar a virtude? Sim, há, porém a moeda é que é outra, não a que comercializamos habitualmente em nosso mundo. 

Se o verbo vender é usado comumente ligado aos valores pecuniários, podemos entendê-lo também, como o ato de não conceder gratuitamente. Portanto, se em termos de espiritualidade o dinheiro não é objeto de valor dominante, o esforço realizado para vencer uma imperfeição, pode muito bem ser o instrumento de valor usado para comprar o recurso que necessitamos para manter em nós a Luminosidade Imanente. 

Ide, antes, aos que o vendem… Esta expressão nos fala daqueles que exigindo de nós, ajudam-nos a conseguir tal benefício; se muitas vezes temo-los à conta de inimigos ou adversários, são em verdade grandes auxiliares em nosso processo evolucional, sendo deste modo, dignos do carinho pedido pelo Mestre para que tenhamos por eles. 

Comprai-o para vós, isto é, esforçai-vos para adquirir para vós, ou seja, conquistá-lo para a individualidade; e só sendo um, completo, nos candidataremos ao encontro integral representado pelo esposo da parábola. ,


Texto extraído do Livro O Sermão Profético

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[1] Ver análise do 1o versículo deste mesmo capítulo. 

[2] João, 5: 17 

[3] Mateus, 7: 7 

[4] Mateus, 24: 13 

[5] Mateus, 19: 6 

segunda-feira, dezembro 04, 2023

O Sermão Profético de Jesus - Parábola das Dez Virgens 1ª Parte






A Parábola das Dez Virgens 

Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. 

E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. 

As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. 

Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. 

E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram. 

Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! 

Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. 

E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. 

Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. 

E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. 

E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta! 

E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. 

Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir.[1] 

Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. 

Então, o reino dos céus… - O Reino dos Céus é o Reino de Deus; a harmonia, o equilíbrio, a saúde perfeita que vige na intimidade daquele que já vivencia as Leis do Criador em toda plenitude; é um estado de alma superior. 

Jesus veio até nós com o objetivo maior de nos indicar o caminho para o Pai, ensinando-nos a estabelecer este Reino em nós mesmos, a partir das nossas ações embasadas na moral superior do Evangelho. 

Desde o princípio dos tempos temos tido dificuldades de compreender a realidade deste Reino, pois, apesar de termos vindo de Deus, ainda não O vivenciamos por experiência própria, tendo sido mais fácil compreender quando a nós é falado dos estados inferiores de sintonia, pois a estes estamos mais acostumados em nossa experiência milenar. 

Devido a esta incompreensão é que o Excelente Mestre várias vezes se refere ao Reino dos Céus procurando compará-lo com algo conhecido, visando assim simplificar seu entendimento, nos aproximando dele com naturalidade. Pois conforme Ele mesmo nos alertou: 

… o Reino de Deus está entre vós[2]

…será semelhante a dez virgens… - A palavra virgem no contexto da época designa moça que ainda não casou. Podemos entendê-la dentro de nosso estudo atual como sem pecado, pura. 

Ora, como já dissemos, para estar neste estado de espírito caracterizado como Reino dos Céus, é necessário que estejamos ajustados à Lei do Eterno, isto é, sem pecado; ou ainda, que nos façamos virgens.  

Entretanto, se esta é uma das necessidades, não é a única, como veremos mais adiante. 

…que, tomando as suas lâmpadas… - Lâmpada é o aparelho destinado a iluminar; não é a luz em si, mas o instrumento através do qual ela se manifesta. 

Se entendermos a Luz como a Manifestação Divina, fácil é nos entender, em um determinado momento, como sendo lâmpadas pelas quais Ele pode se manifestar. Porém, se na Parábola nos identificamos com as virgens, as lâmpadas são os instrumentos com que operamos para que o Divino se exteriorize através de nós. É importante notar a importância do pronome aqui usado: suas. Designando, a de cada um, o particular. 

 

…saíram ao encontro do esposo. – O esposo sendo aquele que teoricamente nos completa, que trás a felicidade, é aqui, aquilo que falta par nos fazer integral, uno com a Lei. Este momento do encontro com o esposo, é aquele que deixamos de atuar na dualidade para retornarmos à Unidade do Reino; é o silêncio de que nos falavam os cristão gnósticos, ou a união das polaridades; o perfeito equilíbrio entre a razão e o sentimento. 

Quando fizerdes do dois um e quando fizerdes o interior como o exterior, o exterior como o interior, o acima como o embaixo e quando fizerdes do macho e da fêmea uma só coisa, de forma que o macho não seja mais macho nem a fêmea seja mais fêmea, e quando formardes olhos em lugar de um olho, uma mão em lugar de uma mão, um pé em lugar de um pé e uma imagem em lugar de uma imagem, então, entrareis (no Reino).[3] 

E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. 

E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. - O número dez, que é o número de virgens constante nesta parábola, segundo a conceituação cabalística, é o número de todos os conhecimentos humanos. Significa conhecimento amplo, total, porém humano. 

Se não fosse a atuação da Misericórdia do Criador, ao utilizarmos nosso livre arbítrio, com base em nosso saber puramente humano, teríamos 50% de chance de acertar e 50% de errar, sendo provável que deste modo, não houvesse evolução, pois erraríamos e acertaríamos na mesma proporção. Entretanto, a Lei, que é Misericórdia, sempre nos impulsiona para frente; apesar das idas e vindas, o saldo é sempre positivo, pois só nos é permitido errar até determinado ponto em que não há comprometimento da evolução. 

Somos assim, seres com grande alternância entre o bem e o mal, o bonito e o feio, a prudência e a loucura. 

Esta divisão de cinco prudentes e cinco loucas, ou néscias, é a representação da possibilidade humana de erros e acertos na mesma proporção, ou a dissociação da unidade na dualidade, onde cada unidade é metade de outra unidade mais completa. 

A prudência é assim, o antípodas da loucura. O Prudente é aquele que age com moderação, buscando evitar tudo o que acredita ser fonte de erro ou dano.[4] 

Jesus já nos alertara no Sermão do Monte que esta é uma virtude característica do cidadão do Reino, e que sua vivência está diretamente ligada à prática do que Ele ensinou. 

Portanto, ser prudente é estar em comunhão com Deus através da vivência de Suas Leis, é atuar dentro das possibilidades de cada um, pois a Lei só pede que a vivencie de acordo com o que se conhece dela. 

Muitos podem questionar se só aquele que tem Jesus como guia é candidato a esta qualidade moral, se assim for, como fica aquela grande parcela da Humanidade que ainda não O reconhece como tal? 

Torna-se importante lembrar, e o próprio Jesus já nos afirmava, que a doutrina que Ele trazia não era Dele e sim do Pai que O enviara; portanto, qualquer que for o Mensageiro de Deus, no ocidente ou no oriente, tem o poder de religar o homem a seu Criador, apesar de particularmente crermos que entre todos, Jesus foi o maior, o que mais perfeitamente representou o Eterno entre nós, é o Plenipotenciário Divino.

Louco é o que age contrário à razão ou ao bom senso; é o insensato. 

Jesus diz que este é o que escuta a Palavra, porém não age de acordo com ela. 

Havia, portanto, cinco prudentes, e cinco loucas. E nós, ora somos sensatos, ora néscios. 

Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e, muitas vezes, na água…[5] 


As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. 

As loucas … - As loucas representam a nossa postura de invigilância, é o momento em que verbalizamos uma coisa e fazemos outra; sabemos que o espiritual é o mais importante, todavia, priorizamos o material; a dificuldade, que temos devido à oportunidade malbaratada, entendemos como solução de muitas questões, entretanto, quando ela chega, maldizemos tudo, até mesmo a atuação do Criador. 

…tomando as suas lâmpadas… - O Verbo "tomar", no gerúndio, tomando, diz-nos da necessidade de agirmos, isto é, de nos ajustarmos ao dinamismo da Vida. 

Suas lâmpadas, como já dissemos, é a lâmpada de cada um, ou seja, o recurso que cada qual têm de manifestar em si a Luz que tem por fonte a própria Divindade. 

…não levaram azeite consigo. – A lâmpada por si mesma é neutra, ela pode ficar acesa ou apagada, depende de a acendermos ou não. O mesmo pode se dar com as nossas possibilidades individuais, podemos usá-las desenvolvendo-as, ou desprezá-las atrofiando-as. 

O azeite era o combustível que proporcionava à lâmpada ficar acesa. Esta, que era também chamada de lanterna ou archote, era uma vasilha que produzia um clarão através da queima de um líquido inflamável que no caso era o azeite

Deste modo, o azeite sugere tudo aquilo que, de uma forma ou de outra, possibilita que a nossa luz íntima brilhe acima de todas as coisas. 

Se a paciência é a lâmpada que permite iluminar aquele que nos ofende, a compreensão é o azeite que a alimenta. 

Se o recurso material bem usado clareia aquele que carece, o desprendimento é o óleo que o possibilita. 

Estas, a que este versículo se refere, eram loucas, pois não levaram azeite consigo, isto é, em si. 

Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. 

Mas as prudentes… - A conjunção mas, designando uma posição antagônica ao desenvolvimento anterior, pois estas eram prudentes, agiam evitando o erro, atuavam de acordo com as suas possibilidades. 

Lembram aqueles instantes em que já conseguimos ser coerentes com a ciência que esposamos. Estes momentos já existem em nós, é preciso desenvolve-los. 

…levaram azeite em suas vasilhas… - O azeite existe para todos, a Vida nos proporciona todos os recursos de que necessitamos, cabe a nós capacitarmos a recebê-los aumentando as nossas vasilhas, isto é, trabalhando as virtudes que funcionarão como o estoque de combustível que, queimando a si próprio permite se ilumine os outros. 

…com as suas lâmpadas. – A lâmpada para funcionar tem que ter o combustível que alimente a chama. Se para a lâmpada moderna o mecanismo é outro, é também necessário que esteja ligada a uma fonte de energia. Do mesmo modo, para que brilhe a luz íntima da criatura exaltada pelo Cristo no belíssimo Sermão do Monte, necessário se faz a vinculação desta com a Energia Suprema, que outra não é que a Vontade Soberana do Criador; assim, se quisermos ser como aquelas que se fizeram prudentes, associemo-nos ao Justo Poder pela aceitação e pelo cumprimento de Seus Sábios Desígnios.


Texto extraído do livro O Sermão Profético

Diponível em:



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[1] Mateus, 25: 1 a 13 

[2] Lucas, 17: 21 

[3] Evangelho de Tomé, Logion 22 

[4] Dicionário Aurélio 

[5] Mateus, 17: 15