segunda-feira, março 19, 2012

Paulo de Tarso Perspectiva Espírita (Continuação)


Dando sequencia ao nosso estudo continuamos:

Providência – trata-se da solicitude do Criador em relação à Sua criação; o cuidado e o acompanhamento que Ele tem com ela. Kardec desenvolverá o tema no Livro A Gênese1, no capítulo II a partir do item 20.
Podemos ver aqui uma prefiguração do Deus-Pai do qual falou Jesus, de um Deus que segundo entendemos  zela incessantemente em favor de seus filhos, os assiste em todos os momentos2.
Mas é a tua Providência, ó Pai, que o pilota, pois abriste um caminho até no mar e uma rota segura entre as ondas.3
Deste-me a vida e o amor, e a tua solicitude me guardou.4
No desenvolvimento do tema, aprofundando os conceitos de Criação e Providência surge um outro de fundamental importância para compreendermos Paulo em sua cultura judaica, trata-se do que podemos compreender por Aliança.
Deus criou o homem e o cercou de tudo que ele precisava, e mais, o colocou num Jardim de delícias (Éden).
Entretanto, fez com ele um pacto, uma aliança:
De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.5
O homem não conseguiu manter sua fidelidade e desobedeceu, surge deste modo a experiência do mal e a necessidade do homem se recompor.
O erro na criação não é de Deus, mas do homem, entretanto o Criador providencia recursos para que o homem corrija sua rota.
Assim, Deus renova sua aliança com Adão, e o mesmo vai fazer com Abraão, com Isaac, com Jacó, com Moisés…
Cada vez que o ser humano falha seu destino é reconfigurado para que atinja o objetivo de recompor-se diante de Deus com toda assistência Deste.
Vemos aí uma manifestação clara da Providência Divina auxiliando o homem em seu reerguimento espiritual, o que vai acontecer segundo Paulo, a partir de uma nova criação em Cristo. Ele viu Jesus como o redentor do erro de Adão. Ele era a manifestação plena da justiça de Deus, através de Jesus Deus confirma sua Fidelidade à Aliança.
Juízo – este é um tema que está presente em toda literatura bíblica, Deus é Santo, Nele não há mácula, nenhum tipo de impureza. A Justiça de Deus é manifestação plena de Seu caráter, assim, ele recompensa o bem e pune o mal. Haverá um juízo final, que é o momento de prestação de contas em que o homem diante de Deus será ou não justificado, isto é, reconhecido como justo.
Se for bem sucedido no julgamento terá vida, se não, morte. No Espiritismo a obra básica que aprofunda sobre este assunto é O Céu e o Inferno6.
Estes são temas sempre presentes em Paulo o que nos mostra ser ele fiel ao judaísmo. Voltamos a repetir, Paulo não rompeu com o judaísmo, o que ele percebeu era que Jesus era o objetivo da Torah (Romanos, 10: 4), o cumprimento da Promessa.
Tendo visto estas questões fundamentais que situam Paulo dentro do contexto judaico, faz-se necessário citarmos que o cristianismo, principalmente a partir do quarto século de nossa era, modificou alguns conceitos, baseados numa forma errônea de ler Paulo e que agora precisamos reconsiderar.
Assim, Jesus foi tido como Criador, e se é Criador, entendeu-se que Jesus é Deus, ou seja, Deus que encarnou.
Lembramos de Kardec quando na questão 59 de O Livro dos Espíritos ao comentar sobre algumas considerações bíblicas sobre a criação afirma:
Dever-se-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la.
Assim, se nos propomos realizar uma nova interpretação dos textos de Paulo à luz da Doutrina Espírita, precisamos conhecer e estudar os princípios fundamentais do Espiritismo.

É o que abordaremos no próximo estudo...
1 KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984.
2 Não vamos encontrar em nenhum texto esta ideia de Deus-mãe, esta é apenas uma figura de linguagem a fim de melhor compreendermos a Providência Divina.
3 Sabedoria, 14: 3
4 Jó, 10: 12
5 Gênesis, 2: 16 e 17
6 KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Rio de Janeiro: FEB, 1944

segunda-feira, março 12, 2012

Paulo de Tarso: Uma Perspectiva Espírita


Para entendermos a teologia de Paulo numa perspectiva espírita é preciso termos alguns cuidados na interpretação dos textos deste valioso apóstolo.
Em primeiro lugar faz-se necessário nos descondicionarmos da visão de aproximadamente dois mil anos que o cristianismo organizado nos trouxe, onde os ensinamentos de Jesus foram interpretados de forma incorreta.
Dizemos desta forma, pois devido à sua imaturidade espiritual o homem nestes dois milênios posteriores à vinda de Jesus não conseguiu compreender alguns pontos da Mensagem do Evangelho criando doutrinas que divergem da essência do que o Senhor nos trouxe, formando, assim, na humanidade, um psiquismo difícil de ser alijado da nossa intimidade, psiquismo este que tem nos levado a enganos e dificultado a compreensão da maior mensagem que Deus deu à humanidade.
Como segunda necessidade para melhor entender Paulo é preciso compreendê-lo dentro de suas três realidades, ou seja, devemos inseri-lo em seus três mundos.
  • Ele era cidadão romano (cf. Atos, 22: 25, 27 e 29)
  • Tinha se formado numa cultura grega e era profundo conhecedor deste idioma, de sua literatura e filosofia. Nascido em Tarso, uma cidade que tinha uma das maiores universidades da época; teve segundo Emmanuel1 convívio com mestres da escola de Atenas e de Alexandria.
  • Era Judeu, fariseu, criado aos pés de Gamaliel2.
Portanto, Paulo não é autor de nenhuma teologia antissemita, não tem Jesus como Deus, e nem prega um Deus trino o que seria inadmissível para o judaísmo em que foi formado. Ele não rompeu com o judaísmo, a elite judaica é que não o compreendendo não o aceitou, como também, anteriormente, não aceitara Jesus.
O que o apóstolo dos gentios percebeu e por isso não foi compreendido por muitos é que Jesus era o Messias falado nas Escrituras hebraicas, que era maior do que Moisés e do que todos os profetas; que Ele era a continuidade da Torah, Ele a completava, era o objetivo dela; o Seu Evangelho era a Terra Prometida a seus ancestrais. Para Paulo Jesus não era rival de Moisés e nem vice-versa, Moisés era servidor de Jesus e tinha seu valor, como Jesus era de Deus.
A teologia paulina é eminentemente judaica, Jesus é o cumprimento da Promessa, é a semente de Abraão3.
*****
O Bispo anglicano Nicholas Thomas Wright, em seu livro “Paulo – Novas Perspectivas”4, define a estrutura do monoteísmo judaico fundamentada em três conceitos importantes. São eles o de criação, providência, e juízo.
Segundo este considerado autor, em Paulo também veremos a mesma temática expressa em toda sua teologia.
Interessante observarmos, quando nosso desejo é fazermos um releitura de Paulo sob uma ótica espírita, que na Doutrina codificada por Kardec também teremos os mesmos assuntos nos desafiando por toda obra.
Criação – tendo entendido que existe uma criação, o judaísmo teve o bom senso de perceber que esta não se fez ao acaso, mas que era obra de um criador. Vemos aqui a presença daquela orientação dada a Kardec pelos Espíritos codificadores:
Não há efeito sem causa. E neste axioma podemos encontrar a prova da existência de Deus, o Criador. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.5
Assim, temos, se há uma criação, tem-se então um criador, que neste caso é Deus, o Criador dos céus e da terra.6
Guardemos, portanto, esta informação, no Judaísmo de Paulo Deus é o Criador do Universo e de todas as coisas.
Os céus contam a glória de Deus,
E o firmamento proclama as obras de suas mãos.
O dia entrega a mensagem a outro dia,
E a noite a faz conhecer a outra noite.
Não há termos, não há palavras,
Nenhuma voz que deles se ouça;
E por toda a terra sua linha aparece
E até aos confins do mundo a sua linguagem.
Ali pôs uma tenda para o sol,
E ele sai, qual esposo da alcova,
Como alegre herói, percorrendo o caminho.7

(No próximo texto trabalhremos os conceitos de "providẽncia" e "juízo")


1 XAVIER, Francisco C./ Emmanuel (Espírito). Paulo e Estevão, 41ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Pág. 84
2 Atos, 22: 3 e 26: 4 e 5
3 Cf. Gênesis, 13: 15 e Gálatas, 3: 16
4 WRIGHT, N.T.; Tradução de Joshuah de Bragança Soares. Paulo Novas Perspectivas. São Paulo: Loyola, 2009.
5 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980. Q. 4
6 Gênesis, 1: 1
7 Salmo, 19: 1 a 6

segunda-feira, março 05, 2012

Evangelho Miudinho: Ainda sobre o Sermão Profético de Jesus


E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. (Mateus, 24: 29 a 31)

E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.
E, logo depois… - Esta expressão define para nós que em se tratando de acontecimentos dentro do andamento natural da Lei, tudo tem a sua a hora, existe uma seqüência a ser cumprida sem ferir a ordem geral que tudo rege.
da aflição daqueles dias… - Daqueles dias exprime, como temos dito, estes momentos de transição necessários a passarmos de uma fase a outra. São dias difíceis tanto no particular quanto no geral. Se existem obstáculos a serem vencidos pela individualidade, o mesmo podemos dizer da coletividade; originando, deste modo, guerras, calamidades e doenças generalizadas que tanto nos incomodam.
Entretanto, se tais situações são geradoras da aflição predita por Jesus, muito maior é a que sentimos no campo íntimo, por já possuirmos o discernimento espiritual sem todavia, alterarmos nossa conduta para melhor como se faz necessário; é o que poderíamos chamar de angústia gerada pelo “complexo de Moisés”, que é aquele sentimento de ver a “Terra Prometida”, sem no entanto poder adentrá-la. Ou seja, nós muitas vezes sabemos o que fazer, sem entretanto realizarmos deste modo; temos o sentimento do Reino, sem, todavia, lá nos situarmos como posição conquistada. Esta dualidade em que nos situamos, nos causa profundo desconforto, sendo deste modo, a causa desta angustia das nações de que nos fala Lucas, porque qual a origem do todo, senão o que vai na intimidade das partes?
o sol escurecerá… - O sol, como elemento mantenedor de nosso sistema planetário, podemos entendê-lo como a própria Luz Divina. Então, como compreender que ele escurecerá, se a Luz vinda de Deus não se apaga nunca?
É que devemos entender a vinda do Filho do homem como o momento da ressurreição1 da própria criatura, e não podemos esquecer que a esta antecede a crucificação. O escurecimento do sol, é justamente este instante de martírio íntimo, em que nem mesmo o auxílio espiritual parece nos socorrer, é aquele momento em que procuramos ajuda num amigo, e ele não se encontra, procuramos por uma página consoladora e mensagem que cai é outra completamente diferente do que estamos querendo; nos alertando assim, para a necessidade de vencermos aquele momento com recursos próprios. O amparo do Alto existe, mas é como se houvesse um hiato, para que possa ser avaliado as nossas possibilidades. Foi para nos ensinar que este momento seria necessário, que Ele o Maior entre todos os educadores, disse:
Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?2
e a lua não dará a sua luz… - A lua não tem luz própria, a luminosidade que ela manifesta é originária do sol, assim, podemos simbolizá-la, como aqueles valores que possuímos ainda não devidamente acolhidos em nossa intimidade como conquista definitiva; deste modo, para que eles se manifestem é necessário um contato maior com o grupo que nos apoia ou com a nossa Consciência Profunda; quando falta a luminosidade do sol íntimo, a nossa lua, também não dará a sua luz. É o momento da fé vacilante, é como se faltasse aquele piso que nos dá a devida segurança.
e as estrelas cairão do céu… - As estrelas são justamente aqueles recursos que falamos anteriormente, com os quais temos de contar nestes instantes aflitivos, é a luz própria, ou dizendo de outro modo, as virtudes conquistadas. Num primeiro momento podemos pensar que elas também falharão, pois fala-nos o Senhor que elas cairão do céu. Mas é questão de interpretação, elas cairão do céu, quer dizer que naquele momento, elas não vão iluminar a coletividade, vão atender é às nossas necessidades mais íntimas; estrelas serão sempre estrelas, não há perda ou retrocesso na Economia da Vida. A queda das estrelas do céu, quer justamente dizer que elas vão sair do plano simplesmente contemplativo, para o operacional, será a dinamização dos recursos que já possuímos, no sentido de construirmos a própria segurança.
e as potências dos céus serão abaladas. – Se tudo isto se dará no campo íntimo, haverá logicamente, e como dissemos em outra parte, um reflexo no coletivo. As potências dos céus são justamente aqueles Espíritos encarnados ou desencarnados já afinados com os valores espirituais, e que trabalham na Seara do Cristo para a implantação do Evangelho no coração das criaturas; ou ainda, representam a própria Mensagem do Eterno que sempre esteve presente no seio de todos os povos. Quando Jesus diz que elas serão abaladas, não fala de um abalo em si mesma, pois o que é de Deus, não sofre oscilações; fala-nos de um abalo de fora para dentro, o que é natural, de uma descrença que pode acontecer, de uma supremacia dos valores do mundo sobre os valores do Cristo. É o que deixa-nos nas entrelinhas a mensagem da morte de Jesus; por dois dias a terra, representando o poder transitório ficou em cima do Cristo – são os dois milênios de domínio das trevas -; para no terceiro dia – terceiro milênio – haver a Ressurreição, e as Potências do Céus, que representam a Verdade de Deus, ficarem acima da terra, ou, reinarem na Terra como um planeta Governado e Dirigido pelo Cristo de Deus.
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem… - Após estes momentos de dores e de angústias, onde todos serão testados, tanto individual como coletivamente, informa-nos o Senhor que, então, isto é, como conseqüência do amadurecimento gerado por estes acontecimentos, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. Esta é uma manifestação da misericórdia divina, e do andamento natural da Lei; quando finda o tempo necessário ao aprendizado, inicia uma nova fase, baseada nos valores conquistados.
O sinal do Filho do homem aparecerá no céu, ou seja, através de nossa vinculação com um estado de espírito superior. O Cristo existiu desde sempre em nós, e também em todas as manifestações do nosso orbe…
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.3
Entretanto, devido à nossa sintonia inferior não O percebemos…
estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu.4
Ele aparecerá no céu. Este é um prenúncio de que está a terminar nossos ciclos de resgate, pois conforme nos diz Jesus segundo as anotações de Lucas, está próxima a nossa redenção.5 Ou segundo os dizeres do converso de Damasco:
Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus…
na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.6
e todas as tribos da terra se lamentarão… - As nações e os povos antigos eram subdivididos em tribos. O uso desta expressão aqui significa que todos se lamentarão; a mais intima das células da sociedade se lastimará diante do grande acontecimento que será o reencontro com o Filho do homem. Este lamento se dá, porque por mais que realizemos em favor do progresso espiritual, a Misericórdia do Criador é ainda maior, e veremos neste encontro conosco mesmo, que poderíamos ter feito mais. Tal situação é muito comum de se dar no regresso do Espírito ao plano espiritual após uma oportunidade reencarnatória. No momento em que ele se vê diante de si, e de suas realizações, o primeiro sentimento que tem, é o de que perdeu oportunidades; sendo que alguns ainda afirmam que nem mesmo o maior dos fracassos no plano da matéria é mais doloroso do que a vergonha que se sente por ter, em vários momentos, se estacionado, ou simplesmente deixar de ter feito o Bem.
Se isto se dá no final de uma simples etapa encarnatória diante da grandeza da Vida Espiritual, o que não se dará no final de um ciclo maior, em que o Espírito muitas vezes se vê diante da oportunidade de uma promoção a um Mundo mais elevado em matéria de espiritualidade?
e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu… - A nuvem é o cenário normal da manifestação dos Espíritos representantes de Deus ou do Filho do homem, conforme vemos em Daniel, no Apocalipse, e em outros livros tanto do Velho como do Novo Testamento:
Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.7
Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém!8
Disse, pois, o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque eu apareço na nuvem sobre o propiciatório.9
Esse vir sobre as nuvens, quer justamente dizer-nos do caráter espiritual que terá esta manifestação, virá do Alto, em uma, e de uma vibração elevada, superior a tudo o que conhecemos neste mundo transitório. Este momento de Unificação Plena com o Criador é Único, Deus é espírito, e só espiritualmente podemos compreendê-Lo.
com poder e grande glória. – Ter poder é ter possibilidade, autorização, força, para realizar algo. Nada dá mais poder do que a Autoridade conquistada pela vivência do que se conhece, a glória é justamente esta conquista.
A Lei Divina é o regulamento que tudo dirige, tanto no micro quanto no macrocosmo; tanto no mundo físico, quanto no espiritual. Estar em acordo com esta Regulamentação, é estar Uno com o Pai, é ter em si o Verdadeiro Poder, o único que realmente dá segurança e força para qualquer realização.
Quando deste modo, realizamos em nós a edificação estruturada na Verdade Universal, adquirimos este Poder, e a Glória será tão grande que nada será capaz de impedir a nossa total e definitiva vitória sobre o mundo e todas as suas imperfeições.
Não é outro o sentido das Palavras Daquele que assim tendo feito, pôde declarar-Se com a Suprema Autoridade, ser o Pão da Vida:
E, naquele dia, nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.10
E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.
E ele enviará os seus anjos… - A vinda do Filho do homem permitirá o aparecimento de seus anjos. No plano exterior, estes anjos representam aqueles Espíritos que estão junto com Jesus trabalhando para a implantação do Evangelho como norma a ser vivida. Hoje eles estão por aí se manifestando seja de uma forma ostensiva ou apenas intuitiva nos templos ligados a todas as religiões.
No plano íntimo podemos entender estes anjos como aqueles valores que já conquistamos ajustados à moral cósmica. São eles que nos permitirão realizar o encontro com o Cristo interno, e é este encontro que possibilitará que eles possam se manifestar de uma forma mais visível.
com rijo clamor de trombeta… - Como se dará o aparecimento destes anjos? Informa-nos o texto evangélico que, com rijo clamor de trombeta.
Rijo é robusto, vigoroso, forte. Clamor é ação ou efeito de clamar, um grito de queixa. O Clamor normalmente sai de dentro, com força, alto, dando a entender que esta manifestação não será apagada, mas visível a todos. A trombeta por sua vez é um instrumento de sopro, uma espécie de corneta, seu som é alto e estridente, o que vem confirmar o que dissemos anteriormente, de ser esta manifestação algo que se destaca.
Ora, tanto a manifestação dos Espíritos tem sido hoje, algo que não se consegue esconder, como as virtudes já conquistadas por um homem, também são mostradas a todos; mesmo sendo humildes aqueles que as possuem, não há quem não veja aquele que age com o verdadeiro amor em seu coração.
Várias são, como vemos, a forma do Criador despertar as criaturas para as necessidades preeminentes; o toque da trombeta referencia justamente este insight que se dá no momento oportuno, seja no silêncio de Deus, ou no grito de um necessitado.
os quais ajuntarão os seus escolhidos… - Este ajuntamento se dá justamente por causa da Lei de afinidade. Se hoje, no plano físico em que nos movimentamos, a Lei que rege é a da necessidade através do reajuste que se faz imprescindível, quando esta fase terminar, viveremos de acordo com o plano eleito em nossos corações e com aqueles que se afinizarem com o mesmo. Será aquele momento de separação do joio do trigo.
Sobre os escolhidos, dissemos anteriormente que se trata daqueles que já elegeram a Moral como norma de conduta de forma consciente. Assim, eles serão automaticamente unidos pelo seu ideal superior. Isto já ocorre no plano espiritual, onde vivemos de acordo com o que cultivamos, e com aqueles que comungam a mesma faixa de interesses.
desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. – A expressão quatro ventos se refere à totalidade do plano físico; e, de uma à outra extremidade dos céus à completude do plano espiritual. Pois o número quatro representa justamente o todo em se tratando do mundo em que vivemos. São os quatros pontos cardeais a delimitar o que vemos, as quatro estações definindo o tempo de um ano completo. Assim falando o Senhor, mostra-nos a amplitude da manifestação do Filho do homem, que é o Deus em nós, e que no momento oportuno será revelado a todos.

(Extraído do livro O Sermão Profético)
 
1 Adotamos aqui a idéia de ressurreição como ressurgir para a Vida, e não como ressurreição de corpos, que segundo algumas crenças se dará no dia do juízo final.
2 Mateus, 27: 46
3 João, 1: 3
4 João, 1: 10
5 Conforme Lucas, 21: 28
6 Romanos, 8: 19 e 21
7 Daniel, 7: 13
8 Apocalipse, 1: 7
9 Levítico, 16: 2
10 João, 16: 23

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

O Sermão Profético - Prefácio




O Sermão Profético de Jesus é um hino de vigilância espiritual diante das transformações morais ocorridas no indivíduo e na sociedade, anunciando terremotos íntimos, ventanias sociais, intempéries no ambiente familiar e inundações na consciência obliterante. O Sermão Profético do amigo e respeitado escritor espírita Cláudio Fajardo elucida muitos pontos até então obnubilados a respeito dessa temática do Evangelho sob a ótica exitosa da Doutrina Espírita. Enquanto o Sermão da Montanha traça uma Constituição Espiritual Imutável acerca da evolução do Espírito em nosso orbe, o Sermão Profético preconiza todas as reações contrárias, advindas do materialismo exacerbado.
Este livro é fruto de reflexões profundas vinculadas à necessidade de cada um refletir sobre seus pensamentos e ações à luz do Evangelho sob as bases da Doutrina Espírita, organizadas por Allan Kardec.
A cada século os ensinos de Jesus renovam a esperança e a fé para uma vida melhor; a imagem do Cristo, em sua mansuetude, parece mais nítida sob a ótica consciencial da história da Humanidade.
Quando o materialismo parece engendrar, vitorioso, a figura do Meigo Rabi da Galileia ressurge na intimidade da consciência ultrajada ou no recôndito dos sentimentos invariavelmente cansados dos mesmos enganos.
O Evangelho de Jesus é eterno e atual. Constitui um roteiro seguro para o viajor da evolução em busca de respostas e de soluções para os seus conflitos contumazes.
O Sermão Profético é um aviso e um clamor, uma esperança e uma consolação, a ação medicamentosa para a redenção de todos os espíritos.
É chegada a hora da força irresistível do amor ser reconhecida por todos. O autoperdão e a indulgência incondicional são os primeiros passos para uma perfeita compreensão acerca do “amai os vossos inimigos”.
O Sermão Profético de Jesus mostra-nos um sistema que se inicia com o amor e termina com um destino inevitável de iluminação espiritual.
O Amor conduz à boa vontade.
A boa vontade é a usina geradora da humildade.
A humildade nos ensina aprender. Aprender a aprender, aprender a fazer e aprender a ser.
O aprendizado constante viabiliza o conhecimento. O orgulho é a primeira consequência quando se estaciona no caminho do aprendizado.
O conhecimento é a experimentação da verdade adquirida com as próprias ou com as experiências do próximo.
É conhecendo, portanto, que se compreende.
Compreendendo desenvolve-se o princípio da Justiça que é o bom senso.
O bom senso eleva a ação segundo a capacidade de pesquisar que consiste em observar, registrar, analisar e comparar para depois decidir.
Uma sábia decisão produz uma consciência plena do que se quer.
Quem sabe o que quer sabe planejar.
Quem planeja estabelece uma disciplina.
A disciplina é a fonte geradora do controle.
O controle gera o poder, que consiste em saber influenciar.
O poder é o estágio final para se alcançar o objetivo determinado por um sistema iniciado com amor.
Que o amigo leitor sinta a influência sublime de Jesus nesta obra de referência. Que o seu pesquisador e escritor, o nobre irmão Cláudio Fajardo receba do Maior dos Profetas de todos os tempos o quinhão abençoado da luz e da fortaleza interior em seu Sermão Profético da Imortalidade.



Emídio Silva Falcão Brasileiro.
Goiânia 17 de Maio de 2006.














quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Maria a Educadora de Jesus - Texto Final e Bibliografia


Brilhe a vossa luz…, vós sois a luz do mundo…

Já dissemos alhures que, conforme nosso entendimento, a maior missão de Jesus foi a de educar nossos Espíritos e Ele foi sem dúvida o maior educador de todos os tempos.
Ele nos lembrou que somos também filhos de Deus e que o Pai ao nos criar o fez a partir Dele mesmo o que quer dizer que todos somos deuses ou possuímos em nós o Reino do Altíssimo.
Trabalhar estes valores e despertar este potencial divino era o seu objetivo, isto é o que devemos entender por educar o Espírito e para tal Ele tinha autoridade.

É-me dado todo o poder no céu e na terra.1
Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.2

E sintetizando todo este processo nos afirmou:

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens…3
Vós sois a luz do mundo…4

Este mecanismo de despertamento destes valores se dá pela transformação moral o que em outras palavras podemos dizer autoiluminação, e o seu exercício deve ser diante dos homens através do serviço prestado a estes. Se no início ainda não fazemos por amor, devemos pelo menos, disciplinadamente, tornar-nos úteis.
Maria, que era um Espírito santificado através de suas existências milenares que provavelmente aconteceram em outro orbe, sabia de tudo isto e com grande consciência fez-se serva do Senhor. E para cumprir seu excelente papel de educadora daquele que seria o Mestre por excelência, desde criança deve ter auxiliado seu filho no despertamento desta necessidade, a de servir à humanidade sem dela nada esperar.
Servir sem ser servido, amar sem ser amado, devem ter sido o conteúdo das primeiras histórias contadas pela Mãe Santíssima a seu menino.
Muitos podem nos perguntar, como podemos saber que Maria contava histórias a seu filho? O Evangelho nada fala a este respeito.
É mais uma conclusão a que chegamos analisando Jesus. Ele foi o maior contador de histórias que temos notícia, ele era excelente observador de todas as coisas, das situações, da natureza. É lógico que ele tinha registrado em si mesmo todas as virtudes, entretanto, não é menos lógico que sua mãe despertava nele desde criança estes valores através de uma educação apropriada ao que ele iria necessitar no futuro. Não foi à toa que ela é que foi a agraciada com esta nobre missão.
Entre todos o Espíritos que já estiveram fisicamente em nosso orbe Jesus foi o que mais serviu, ensinando-nos a assim fazer com alegria. Ele teve o exemplo em sua própria casa, Maria se declarou serva do Senhor e nos primeiros movimentos do Magnificat disse:

Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador, porque olhou para a humilde posição de sua serva.5

A visão de Jesus sobre Deus é ampla, Maria não O encarcerou na realidade de sua cultura: minha alma engrandece o Senhor. Ou seja, ela vê Nele muito mais do que a sua religião ensinava… Para a Mãe de Jesus, Deus não estava preso às paredes de um templo, nem operava em favor das criaturas de uma religião apenas, Ele era o Senhor Universal. Ela se alegrava em servir a Deus em sacrificar-se em Seu nome: meu espírito exulta em Deus, isto é comungava com Ele em plena harmonia, integrando-se Nele, realizando a Sua vontade, isto era o mais importante e a fonte de sua alimentação espiritual.
Paulo de Tarso deve ter se maravilhado com esta visão da Mãe de nosso Senhor, não foi por outro motivo que desejou escrever um Evangelho a partir de sua ótica, expressando todo seu sentimento. E na impossibilidade de assim fazer, delegou a seu amigo de maior confiança, Lucas, de deixar registrado para todos nós aquele que seria referenciado por muitos como sendo “O Evangelho de Maria”.
A nossa espiritualidade não é autêntica, nós oramos e estudamos, procuramos fazer o Bem, mas tudo com hora marcada, só entre os afins, em nosso círculo de fé. No dia a dia, na vida comum, somos muito diferentes do que pregamos em nossas casas espíritas ou nos templos a que nos afeiçoamos. Maria engrandecia o Senhor, se alegrava da presença Dele em sua vida, ela estava sempre em comunhão com o Divino.
Quem vive assim, como Maria, automaticamente está educando seus filhos ou seus alunos, educar é ser coerente com o que se prega. Só podemos levar alguém para o caminho de Deus se nós estivermos nele.
Maria servia a Deus, mas servia com tal integridade, que podemos compreender que transcendia ao simples ato de servir. Maria vivia Deus.

Bibliografia
A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Ed. Paulinas, 1992.
BibleWorks For Windows, Versão 7.0.012g. BibleWorks, 2006.
CURY, Augusto. Maria, a Maior Educadora da História. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007.
KARDEC, Allan. “Ensaio Sobre a Interpretação da Doutrina dos Anjos Decaídos.” Revista Espírita, 1862: Janeiro.
---------- O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991.
---------- O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980.
PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho Vol. 8. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1967.
PEREIRA, Yvone do Amaral. Memórias de um Suicida. Rio de Janeiro: FEB, 1955.
ROGONATTI, Eliseu. O Evangelho dos Humildes. 14ª ed., São Paulo, Pensamento, 2001
XAVIER, Francisco C./André Luiz. Ação e Reação. 6ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978.
XAVIER, Francisco C./Emmanuel (Espírito). Levantar e Seguir. São Bernardo do Campo: GEEM, 1992.
----------O Consolador, 16ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.
----------Paulo e Estevão, 41ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
XAVIER, Francisco C./Espíritos diversos. Momentos de Ouro. São Bernardo do Campo: GEEM, 1977.
XAVIER, Francisco C./Humberto de Campos (Espírito). Crônicas de Além Túmulo. Rio de Janeiro: FEB, 1937.
---------- Boa Nova, 14ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1982.
XAVIER, Francisco C./Irmão X (Espírito). Lázaro Redivivo. Rio de Janeiro: FEB, 1945.


1 Mateus, 28: 18
2 João, 13: 3
3 Mateus, 5: 16
4 Mateus, 15: 14
5 Lucas, 1: 46 a 48

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Evangelho Miudinho - Considerações sobre o Sermão Profético de Jesus


E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.
Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.
E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? Mateus, 24: 1 a 3


E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.
Estar no templo, orar, meditar, sintonizar com as questões espirituais é uma necessidade para todos nós. Entretanto, necessário também é sair do templo buscando vivenciar todos ensinamentos ali recolhidos. Jesus nos dá o exemplo, cabe a cada um segui-Lo de acordo o entendimento particular.
A julgar pela narrativa de Lucas, este acontecimento se deu após o excelente ensinamento dado por Jesus, quando da oferta da viúva pobre. Interessante observar a invigilância dos discípulos, que mesmo após o Mestre ter mostrado a eles que o importante não era o aspecto exterior das coisas, ou mesmo os valores amoedados, eles fizeram questão de chamar a atenção de Jesus justamente para a estrutura física do templo.
É o mesmo que ocorre conosco quando diante da oportunidade de uma lição edificante, valorizamos mais o instrumento que a veicula, do que a própria lição a ser apreendida.
porque a letra mata, e o Espírito vivifica, já dizia o apóstolo.1
Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.
Jesus, porém, lhes disse… - Jesus consegue sabiamente conduzir a lição. Seus amigos chamaram atenção para um aspecto, Ele, porém, lhes disse…, isto é, mudou a direção da conversa fazendo-a mais instrutiva.
Parece simples, porém temos em nosso dia a dia de aprender a fazer isto, pois não somos obrigados a nos envolver em questões desinteressantes ao nosso processo evolutivo, nem podemos agir de modo deseducado quando tal acontece. O Evangelho nos ensina a ser sutil, porém sem abrir mão do que já conquistamos.
Não vedes tudo isto? – O bom mestre ensina partindo daquilo que o educando consegue entender. Deste modo, Jesus salienta o exterior – tudo isto – porque é o que conseguimos ver, assim faz Ele, com o objetivo de mostrar o que está para lá de nossa pouca visão. Pois, ao ver tudo isto que se nos apresenta de forma imediata, ainda mesmo assim, estamos vendo muito pouco do que existe para mais além.
Em verdade vos digo… - Já dissemos em estudos anteriores, que tudo o que é dito por Jesus é verdade, porém, quando Ele faz este destaque, …em verdade vos digo…, é porque há de nossa parte uma necessidade maior de prestarmos atenção no ensinamento que vem após.
que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. – Todos os estudiosos do texto evangélico têm visto nestas palavras de Jesus uma alusão à destruição de Jerusalém ocorrida no ano 70 de nossa era. E a profecia realmente se cumpriu à risca.
Porém, não podemos deixar de ver nestas sábias palavras, muito mais do que isso, ou seja, um ensinamento que transcende a questão tempo-espaço, como veremos no prosseguimento deste estudo.
E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?
E, estando assentado no monte das Oliveiras… - Aqui também, como no Sermão do Monte, Jesus dá-nos valioso ensinamento assentado no monte. Assentado mostrando-nos segurança, tranqüilidade; e monte significando elevação espiritual, sintonia com as Leis Supremas da Criação. Ou seja, Jesus nos mostra que para ensinar necessário se faz estarmos assentados em bases sólidas.
chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo… - Jesus é o Sábio por Excelência, ao conscientizarmo-nos disto, é preciso chegarmo-nos a Ele, isto é, aproximarmos Dele com o intuito de mais aprender. Em particular, é na intimidade Dele. Nós, nos fazendo íntimo com o Cristo podemos realizar maravilhas.
porém tudo declarava em particular aos seus discípulos.2
Marcos, que é sempre mais detalhista, nos diz que, os que aproximaram-se Dele, eram Pedro e André (irmãos), Tiago e João (irmãos). A particularidade daquele momento (em família), nos faz ver, que é justamente na intimidade que o Cristo tende a manifestar-se com mais naturalidade.
Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.3
Dize-nos quando serão essas coisas… - A previsão da destruição do templo tinha assustado mesmo os mais íntimos. É o mesmo que hoje aconteceria se fosse previsto a queda de uma sólida construção moderna, de um império poderoso como o da Microsoft ou do próprio EUA.
Desde modo, os discípulos querem logo saber: quando serão essas coisas…
Essas coisas, nesse tom de dificuldade de aceitação, vem nos mostrar justamente como é difícil para qualquer um de nós, conformar com a perda ou destruição do que ainda é para nós importante, mesmo que de um valor passageiro ou transitório.
e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? - Estes acontecimentos eram o prenúncio da parusia, palavra grega, que quer dizer “presença”. Designava no mundo greco-romano, a visita oficial e solene de um príncipe a um lugar qualquer. Os cristãos adotaram-na como termo técnico para designar a vinda do Cristo.4
Segundo o professor Carlos Torres Pastorino, a expressão fim do mundo, é um equívoco de tradução. Diz Pastorino: “… no original não está escrito télos toú kósmou (fim do mundo), mas synteleia toú aiónos (término do eon ou ciclo).” 5 A Bíblia de Jerusalém, traduz como “consumação dos tempos”, dando também a entender, final de um ciclo, e não do mundo.
O evangelista dá-nos a entender, em sua crença, que a volta de Jesus era o que marcaria o final deste ciclo. Nós particularmente entendemos a segunda vinda do Cristo, como a manifestação Dele em nós, ou seja, aquele momento em que assimilamos Sua mensagem e a colocamos em prática. É o que nos dá a entender o próprio Evangelho:
Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.6
Ou seja, a volta de Jesus é uma questão íntima, particular de cada um; para aqueles que realizaram em si a reforma necessária, Ele já veio; para muitos virá breve; para outros demorará um pouco mais.
Assim, este momento glorioso de “Cristificação” íntima, marca o fim de um ciclo, ou, eon, como nos diz o professor Pastorino. É o fim do ciclo das dores em favor do Amor Pleno. Quando chegar este dia, dos templos físicos não restarão pedra sobre pedra, pois o Pai será adorado em espírito7; e mesmo o templo divino do nosso corpo já não terá mais razão de ser, pois por conquista não precisaremos mais reencarnar, vivendo uma vida, plenamente espiritual.

Texto extraído do Livro "O Sermão Profético"
 
1 2 Coríntios, 3: 6
2 Marcos, 4: 34
3 Mateus, 6: 6
4 Bíblia de Jerusalém, pág. 1884.
5 Sabedoria do Evangelho, 7° Volume, pág. 93
6 João, 14: 23
7 Conforme João, 4:24: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

A Fé no Processo Educacional de Jesus - Continuidade...

Ainda sobre o tema fé e da forma como Deus prepara o Espírito para realizar a Sua Vontade, não podemos deixar de analisar a passagem da fuga da família do Messias para o Egito.
Muitas vezes diante de uma grande dificuldade optamos por nos afastar do cumprimento de uma tarefa que até então pensávamos em realizar em favor do Bem. Ainda chegamos a dizer desafiando o Criador: “Se Deus quisesse que eu realizasse tal trabalho não me dificultaria tanto a realização, acho que estes empecilhos são os avisos Dele para me mostrar que essa não é a minha missão”.
Como somos ignorantes e comodistas…
Já pensou se José e Maria pensassem desta forma? “Se Jesus fosse mesmo o Messias, por que tanta dificuldade? Por que deixar nossa zona de conforto e ir para um país desconhecido? Por que sermos tão pobres?”
Desculpas é que não faltariam para o abandono da missão. Em nossa vida temos aprendido que o hábito de dar desculpas é um de nossos maiores vícios e um dos que mais nos atrasam no processo de realizar o Bem em nós.
Fato semelhante ao acontecido com os pais de Jesus se deu com Abraão. Deus prometeu a ele uma grande benção, uma posteridade maravilhosa. Mas para isso ele tinha que deixar a sua terra, a sua parentela, a casa de seu pai. E ir para onde? Deus não o revelou, ele ainda ia mostrar, no futuro. [Vai] para terra que te mostrarei1, ou seja, ele tinha que sair da faixa de sua segurança e ir, porém, para um lugar que nem ele sabia qual era. Era necessário uma confiança total no Senhor, ser Dele dependente. Nós temos que aprender a ser dependentes de Deus com naturalidade e sem conflitos íntimos.
Hoje dizemos que estamos a serviço do Cristo e de seu Evangelho. Às vezes somos convidados, por exemplo, para fazer uma palestra em cidade distante, e até aceitamos. Porém, para que isto se dê exigimos saber, onde será o evento? Para quantas pessoas vamos falar? Lá vai ter como projetar nossos slides? Vão pagar meu transporte? E a alimentação como será? Onde vou dormir? E se tudo não estiver certinho como desejamos, totalmente seguros, não vamos.
Já pensou se um Espírito aparecesse para nós e dissesse: “Sou um mensageiro do Cristo, é preciso que você saia hoje e vá fazer uma visita a uma pessoa que te indicarei, num determinado hospital que vou te falar na hora certa, você irá dar nela um passe e melhorar a sua situação. Porém, sai de casa agora e vá, depois te falo para onde e como.” O mínimo que aconteceria é que nós não iríamos, e ainda tentaríamos saber o nome da Entidade para levar para um reunião de desobsessão, pois batizaríamos o enviado do Senhor como obsessor.
Fato também semelhante aconteceu com Estevão quando ele ainda chamava Jeziel.
Estevão tinha uma grande missão, despertar Saulo para o Evangelho do Cristo. Emmanuel chega a dizer que sem Estevão não teríamos Paulo de Tarso2. Porém, para que isto acontecesse aconteceu algo inusitado.
Ele era uma pessoa simples, mas tinha uma família harmonizada e pautava sua vida na vivência das Escrituras. Não vamos aqui contar sua história, pois não é objetivo deste trabalho, mas Deus, para o chamar para sua missão, tirou-lhe tudo que possuía de mais sagrado: a casa paterna, a vida do pai, a companhia da irmã querida que nem sabia para onde teria ido. Para ele fora destinado o cativeiro nas galeras, o que era quase certo, a morte.
Entretanto, seu bom comportamento o salvou e a generosidade de um ilustre cidadão romano permitiu que, apesar de doente, pudesse novamente ser livre. Este mesmo cidadão deu-lhe até mesmo alguns recursos amoedados com o objetivo de suprir suas primeiras necessidades em novas terras. Todavia, mais uma vez surge um imprevisto, ele é assaltado, malfeitores roubam lhe todos estes recursos, e ele fica só, doente, e sem nada para iniciar a grande missão de salvar não apenas uma alma, mas de despertar e guiar alguém que libertaria o Evangelho do jugo do judaísmo permitindo que gerações futuras conhecessem Jesus em toda sua simplicidade, com profundidade, e liberdade.
Por que casos assim, como o de Maria e José, de Abraão, de Estevão, entre outros, se dão? Não sabemos ao certo, Deus tem, ainda para nós, seus mistérios. Talvez este seja o alimento da fé e o que fará com que ela cresça ainda mais. O certo é que há aí uma mensagem. Quando algo de inesperado nos acontecer, algo que for capaz de nos perturbar, de tirar o próprio piso e nos projetar numa situação de desconserto total, não nos desesperemos. Talvez o Pai Criador esteja se manifestando e dizendo para nós que tem uma grande missão onde podemos servi-Lo. Mas para tal é preciso confiar, agir consoante Sua Vontade, resignando-se, perdoando sempre, amando irrestritamente.
Deus tem para nós uma benção, uma posteridade gloriosa, uma missão ímpar. Tomemos posse do que Ele nos delega e seremos felizes para sempre.
Maria assim fez, desafiou a imprevisibilidade, correu riscos, sua vida foi impermanente, mas nem por isso tornou-se depressiva, angustiada, amargurada…
Outra passagem que é importante considerar na busca de elementos que venham nos auxiliar em nosso processo reeducativo é aquela que nos fala de Jesus aos doze anos no templo entre os doutores da lei.
Era habitual que todo judeu seguidor dos preceitos fosse à Jerusalém quando da realização da festa da Páscoa. Assim foram Maria e José, e Jesus com eles, pois já havia completado doze anos.
Como muitos iam para esta festa eles foram em caravanas, muitos parentes e conhecidos também foram.
Terminada a festa eles retornaram; após caminharem por um dia os pais de Jesus perceberam a falta dele, procuraram-no entre aqueles que viajavam junto e não o encontraram. Retornaram então a Jerusalém continuando a busca, só três dias depois o encontram no Templo em conversa com os doutores.
Nosso objetivo aqui não é estudar minuciosamente esta passagem, mas o posicionamento de Maria diante da tarefa educacional de seu filho.
Percebemos pela narrativa de Lucas que ela não era controladora, nem proibitiva, Jesus tinha liberdade para ir junto de seus amigos e familiares e seus pais não ficavam ali em cima, querendo saber a toda hora o que estava fazendo; entretanto, ela não era também permissiva, ao notar o afastamento do filho por tempo maior do que aquele que era natural, se incomodou e foi atrás dele.
Nós muitas vezes somos possessivos por demais, exageramos no controle, não deixamos nossos filhos, cônjuges ou amigos, à vontade, queremos que tudo seja feito conforme nossa determinação, passo a passo. Ou então, com a desculpa da liberdade desejada, somos negligentes, o que é ainda pior; os filhos passam uma semana sem falar conosco e tudo bem, convivem com amigos que não procuramos saber quem são, viajam com eles, e só ficamos sabendo quando voltam, às vezes dias depois.
Jesus é encontrado no Templo assentado entre os doutores, o que denota por parte dele tranquilidade e a consciência de que não estava fazendo nada de errado e nem contrário às determinações paternas.
Se tal acontecesse conosco é quase certo que o pegássemos pela orelha, gritando, gesticulando, dando o maior show, exteriorizando todo desequilíbrio que nos é peculiar. Maria simplesmente diz: meu filho, porque agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos3.
Quem de nós num momento deste, que para nós não seria simplesmente de aflição, mas de desespero mesmo, trata o filho por meu filho? Este modo carinhoso de chamar nós só usamos quando está tudo bem, na tranquilidade, ou quando queremos chantageá-lo. Quando os filhos nos irritam ou desobedecem, usamos o nome completo, com sobrenome e tudo.
Maria não mostrou irritação, mas cuidado, carinho, atenção; ela se preocupava era com o filho e não com uma suposta desobediência dele.
Ele por sua vez encarou tudo com naturalidade e mostrou que era excelente em didática desde pequeno, pois respondeu perguntando, levando seus pais a pensarem: por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?4
Ao dizer assim Jesus chamou seu pais para o que era real do ponto de vista de sua missão, pelo tom da pergunta podemos depreender que eles conversavam em casa sobre este assunto, sobre a oportunidade dele ser um enviado em nome de Deus. Provavelmente seus pais, apesar do grau de consciência acima da média, no calor das emoções tenham se esquecido disto. Isso é natural, quando o Espírito que não se libertou completamente da matéria encarna, ele perde muito de sua potencialidade, torna-se vulnerável com certa facilidade, é preciso que de vez em quando seja lembrado da realidade maior. Podemos ver ainda neste pequeno diálogo que a proposta educativa de José e Maria passava pelo diálogo, a informação transitava em mão dupla, havia o aprendizado de ambas as partes, autoridade e não autoritarismo. Eles às vezes não compreendiam a superioridade do menino, mas respeitavam-na, pois sentiam no coração a grandeza daquela alma. Educavam educando-se, não tinham a pretensão de estar com a razão, Jesus devia surpreendê-los a toda hora, nestes momentos não atrapalhando já faziam muito.
O texto de Lucas na sequência é simplesmente maravilhoso: desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso5.
Jesus, o Plenipotenciário Divino, o Governador Espiritual do Orbe, era submisso a seus pais mesmo sabendo-se superior a eles, é mais um exemplo de humildade, de respeito aos fatores humanos, quanta lição… Maria por sua vez não conseguia compreender tudo isto, era inexplicável, estava além do racional, assim, conservava a lembrança de todos esses fatos em seu coração6, ela se enriquecia em espírito, cultivava sua intuição, bem aventurados os pobres de espírito…7 e Ele, Jesus, obedecendo, colaborando sempre, crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e diante dos homens8, servindo a seu Pai, no serviço em favor de seus irmãos.

1 Gênesis, 12: 1
2 (XAVIER/Emmanuel [Espírito], 2004), prefácio.
3 Lucas, 2: 48
4 Lucas, 2: 49
5 Lucas, 2: 51
6 Idem, ibidem.
7 Mateus, 5: 3
8 Lucas, 2: 52

terça-feira, fevereiro 07, 2012

A Fé no Processo Educacional de Jesus


Em uma missão espiritual não há como prescindir da fé. Ela é componente essencial para que tudo aconteça como programado pelo Alto.
Já comentamos sobre esta virtude em Maria quando da assimilação do conteúdo da revelação do anjo a ela explicando-lhe a concepção. Mas há outros momentos importantes que não podem deixar de ser destacados e que nos ajudarão a compreender o quanto esta missionária era preparada para realizar a tarefa mais desafiadora de todos os tempos, a de educar ninguém mais, ninguém menos, que o Governador Espiritual do Orbe.
José e Maria cumpriam rigorosamente todos os preceitos judaicos. Circuncidaram o menino no oitavo dia conforme mandava a lei, e ao completarem os dias da purificação da mãe, o que ocorria trinta e três dias após1, levaram Jesus ao templo, em Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor2.
Lá encontraram um homem já idoso, chamado Simeão, que ao ver o menino, inspirado realiza grande profecia. Entre outras coisas diz ele a Maria:
Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.3
Imaginemos a cena. Maria, acompanhada do marido e do filho, estava cansada de uma viagem longa e feita com muitas dificuldades. Ela estava ainda no período do resguardo. Deveria estar fraca e altamente sensível…
Apesar de Simeão exaltar a grandeza espiritual do menino sua profecia não foi nada agradável. Ele, Jesus, estava destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição.
Isto pressupunha uma vida de muitas apreensões, de dores e sofrimentos. A nação judaica era rigorosa quanto à tradição religiosa.
O anjo havia dito que ele seria Rei, que herdaria o trono de Davi, talvez naquele momento ela não tenha percebido que para atingir este fim ele teria uma vida de conflitos, de lutas e de perigos. Agora aquele homem inspirado dizia que ele seria alvo de contradições que elevaria alguns – o que se pressupõe eram os simples -, e que também arruinaria muitos, e aqui podemos depreender que eram os da elite, os do poder.
E ainda diz mais, com referência ao sofrimento dela própria, uma espada traspassará a tua própria alma.
Para quem era profunda conhecedora das Escrituras conforme vimos pelo Magnificat, ela deve ter entendido na hora a que sacrifício estariam submetidos ela e seu filho.4
A profecia se cumpriu no tempo, mas no coração de Maria deve ter acontecido naquele instante mesmo. Como suportaríamos uma situação desta? Se algo parecido acontecesse conosco, isto não atrapalharia a educação de nosso filho?
Vejamos que são duas situações opostas que acontecem com ela; em qualquer delas estaríamos em dificuldades e talvez comprometidos na realização da missão.
Primeiro o anjo lhe antecipa a vitória. Ela seria mãe do Filho de Deus, ele herdaria o trono de Davi e reinaria para sempre. Tal informação poderia ser para ela, se não fosse muito vigilante, pedra de tropeço, pois a vaidade poderia vir à tona e comprometer todo o processo.
Depois Simeão lhe fala de lutas incessantes, até mesmo de um provável assassínio de seu filho mostrando a ela que o final da história talvez fosse trágico.
Este nível de informações, até contraditórias, dependendo do ângulo em que as analisarmos, não tenderiam a prejudicar a formação do menino, já que ela poderia tentar mudar o seu destino?
Se nós soubéssemos que o nosso filho iria passar por um processo de grande dificuldade, de provável morte por incompreensão de muitos, mesmo que soubéssemos que tudo isto era Desígnio do Altíssimo, o que faríamos? Ajudaríamos Deus em seu projeto, ou tentaríamos evitar o “pior” para o nosso filho amado, mudando o seu destino?
Dizemos assim, porque muitas vezes, mesmo não sendo numa questão tão grave quanto esta, priorizamos para os nossos tutelados, uma boa escola, boas companhias, uma profissão adequada, mas não visando seu crescimento espiritual e sim um futuro promissor através de um emprego rentável, onde através de um salário alto pudesse manter conforto e estabilidade material.
Falamos muito de espiritualidade, mas na maioria das vezes a segurança desejada pensamos estarem nas conquistas transitórias, e assim as perseguimos ardentemente.
Jesus veio mudar este paradigma, e para tal tinha de dar o exemplo. Aqueles a Ele vinculados e que vieram para auxiliá-Lo, fizeram do mesmo modo: sacrifício como instrumento de libertação.
Hoje nós tentamos distorcer o entendimento e falamos em prosperidade, porém queremos prosperidade material esquecendo que a fé se manifesta em qualidade e em maior escala é na carência e nas dores.
Moisés era um disciplinador – primeiro passo do processo educativo, a disciplina antecede a espontaneidade5 -; Jesus veio como educador; Kardec como pedagogo; desta forma, temos de compreender que este foi um projeto traçado por Deus para educar a alma, o Espírito imortal. Maria só pôde ser peça chave deste processo, sendo também educadora, e de Jesus, porque compreendeu o Mecanismo Divino, e a ele se ajustou fazendo-se serva do Senhor.
Ela teve a intuição da missão e a ousadia de executá-la. Quando não compreendia a superioridade do filho tinha humildade para guardar a lição em seu coração6 ou simplesmente dizer: fazei tudo o que ele vos disser7. O melhor entre todos os educadores é aquele que não se cansa de aprender, e a isso se dedica dia a dia.

(Continua...)
1 Levítico, 12: 4
2 Lucas, 2: 22
3 Lucas, 2: 34 e 35
4 Cf. Zacarias, 12: 10
5 XAVIER/Emmanuel [Espírito]. O Consolador, 16ª ed., Rio de Janeiro, FEB, 1993, Q. 254
6 Cf. Lucas, 2: 19 e 51.
7 João, 2: 5