quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Maria a Educadora de Jesus - Texto Final e Bibliografia


Brilhe a vossa luz…, vós sois a luz do mundo…

Já dissemos alhures que, conforme nosso entendimento, a maior missão de Jesus foi a de educar nossos Espíritos e Ele foi sem dúvida o maior educador de todos os tempos.
Ele nos lembrou que somos também filhos de Deus e que o Pai ao nos criar o fez a partir Dele mesmo o que quer dizer que todos somos deuses ou possuímos em nós o Reino do Altíssimo.
Trabalhar estes valores e despertar este potencial divino era o seu objetivo, isto é o que devemos entender por educar o Espírito e para tal Ele tinha autoridade.

É-me dado todo o poder no céu e na terra.1
Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.2

E sintetizando todo este processo nos afirmou:

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens…3
Vós sois a luz do mundo…4

Este mecanismo de despertamento destes valores se dá pela transformação moral o que em outras palavras podemos dizer autoiluminação, e o seu exercício deve ser diante dos homens através do serviço prestado a estes. Se no início ainda não fazemos por amor, devemos pelo menos, disciplinadamente, tornar-nos úteis.
Maria, que era um Espírito santificado através de suas existências milenares que provavelmente aconteceram em outro orbe, sabia de tudo isto e com grande consciência fez-se serva do Senhor. E para cumprir seu excelente papel de educadora daquele que seria o Mestre por excelência, desde criança deve ter auxiliado seu filho no despertamento desta necessidade, a de servir à humanidade sem dela nada esperar.
Servir sem ser servido, amar sem ser amado, devem ter sido o conteúdo das primeiras histórias contadas pela Mãe Santíssima a seu menino.
Muitos podem nos perguntar, como podemos saber que Maria contava histórias a seu filho? O Evangelho nada fala a este respeito.
É mais uma conclusão a que chegamos analisando Jesus. Ele foi o maior contador de histórias que temos notícia, ele era excelente observador de todas as coisas, das situações, da natureza. É lógico que ele tinha registrado em si mesmo todas as virtudes, entretanto, não é menos lógico que sua mãe despertava nele desde criança estes valores através de uma educação apropriada ao que ele iria necessitar no futuro. Não foi à toa que ela é que foi a agraciada com esta nobre missão.
Entre todos o Espíritos que já estiveram fisicamente em nosso orbe Jesus foi o que mais serviu, ensinando-nos a assim fazer com alegria. Ele teve o exemplo em sua própria casa, Maria se declarou serva do Senhor e nos primeiros movimentos do Magnificat disse:

Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador, porque olhou para a humilde posição de sua serva.5

A visão de Jesus sobre Deus é ampla, Maria não O encarcerou na realidade de sua cultura: minha alma engrandece o Senhor. Ou seja, ela vê Nele muito mais do que a sua religião ensinava… Para a Mãe de Jesus, Deus não estava preso às paredes de um templo, nem operava em favor das criaturas de uma religião apenas, Ele era o Senhor Universal. Ela se alegrava em servir a Deus em sacrificar-se em Seu nome: meu espírito exulta em Deus, isto é comungava com Ele em plena harmonia, integrando-se Nele, realizando a Sua vontade, isto era o mais importante e a fonte de sua alimentação espiritual.
Paulo de Tarso deve ter se maravilhado com esta visão da Mãe de nosso Senhor, não foi por outro motivo que desejou escrever um Evangelho a partir de sua ótica, expressando todo seu sentimento. E na impossibilidade de assim fazer, delegou a seu amigo de maior confiança, Lucas, de deixar registrado para todos nós aquele que seria referenciado por muitos como sendo “O Evangelho de Maria”.
A nossa espiritualidade não é autêntica, nós oramos e estudamos, procuramos fazer o Bem, mas tudo com hora marcada, só entre os afins, em nosso círculo de fé. No dia a dia, na vida comum, somos muito diferentes do que pregamos em nossas casas espíritas ou nos templos a que nos afeiçoamos. Maria engrandecia o Senhor, se alegrava da presença Dele em sua vida, ela estava sempre em comunhão com o Divino.
Quem vive assim, como Maria, automaticamente está educando seus filhos ou seus alunos, educar é ser coerente com o que se prega. Só podemos levar alguém para o caminho de Deus se nós estivermos nele.
Maria servia a Deus, mas servia com tal integridade, que podemos compreender que transcendia ao simples ato de servir. Maria vivia Deus.

Bibliografia
A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Ed. Paulinas, 1992.
BibleWorks For Windows, Versão 7.0.012g. BibleWorks, 2006.
CURY, Augusto. Maria, a Maior Educadora da História. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007.
KARDEC, Allan. “Ensaio Sobre a Interpretação da Doutrina dos Anjos Decaídos.” Revista Espírita, 1862: Janeiro.
---------- O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991.
---------- O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980.
PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho Vol. 8. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1967.
PEREIRA, Yvone do Amaral. Memórias de um Suicida. Rio de Janeiro: FEB, 1955.
ROGONATTI, Eliseu. O Evangelho dos Humildes. 14ª ed., São Paulo, Pensamento, 2001
XAVIER, Francisco C./André Luiz. Ação e Reação. 6ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978.
XAVIER, Francisco C./Emmanuel (Espírito). Levantar e Seguir. São Bernardo do Campo: GEEM, 1992.
----------O Consolador, 16ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.
----------Paulo e Estevão, 41ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
XAVIER, Francisco C./Espíritos diversos. Momentos de Ouro. São Bernardo do Campo: GEEM, 1977.
XAVIER, Francisco C./Humberto de Campos (Espírito). Crônicas de Além Túmulo. Rio de Janeiro: FEB, 1937.
---------- Boa Nova, 14ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1982.
XAVIER, Francisco C./Irmão X (Espírito). Lázaro Redivivo. Rio de Janeiro: FEB, 1945.


1 Mateus, 28: 18
2 João, 13: 3
3 Mateus, 5: 16
4 Mateus, 15: 14
5 Lucas, 1: 46 a 48

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