quinta-feira, setembro 01, 2022

Perdão

#Pública





"Pois a tua força é o princípio da justiça e, por seres o Senhor de todos, a todos perdoas." (Sabedoria, 12: 16)

Grandes dificuldades angariamos para a nossa vida, pelo simples fato de não termos o hábito de perdoar.

A mágoa, que é irmã do ciúme, paralisa nossas ações produtivas nos deixando entregues a toda soma de dificuldades.

É que por chamarmos atenção para o nosso ser que foi agredido deixamos manifestar nossa personalidade doentia; e quem, dando vazão às suas próprias enfermidades pode produzir algo de bom e útil com vistas ao progresso que se faz necessário?

E por que, ao invés de seguir o curso natural da vida que é a atitude nobre, deixamo-nos estacionar em área contaminada pelo melindre?

Ainda vige em nós o orgulho que contabiliza como fraqueza a atitude de esquecer as ofensas, e acha que o manso da bem aventurança evangélica, não passa de um ser tolo, mesquinho e derrotado assumido.

Esquecemos, ou ainda não possuímos o amadurecimento para entender, que Aquele que é o Forte por excelência, que tem a força procriadora da vida, faz dela princípio de justiça, e a todos perdoa através da oportunidade de recomeçar sempre.

O sol se renova a todo dia perdoando a inoperância da noite.

A semente, quando agredida morre, deixando, porém, a flor ou o fruto que se converterá em nova oportunidade de criação.

Até mesmo a pedra quando violentada se transforma na estrutura que dá garantia a muitos lares.

Desta forma, também as lágrimas, podem fazer nova enxertia de vida.

Por que só nós, homens racionais e ao mesmo tempo emocionais, não conseguimos oportunizar através do perdão, o desenvolvimento do germe do amor que liberta em todos os quadrantes da existência, e faz crescer o Deus, Senhor de todos, que necessita nascer em nós pela vivência de sua Lei?


Lembra-te dos mandamentos e não tenhas ressentimento do próximo; da aliança do Altíssimo, e não consideres a ofensa. (Eclesiástico, 28: 7)


Extraído Do Livro "Seja Feliz, Este é um Projeto de Deus Para Você"


Disponível em: Amazon EBooks





terça-feira, agosto 16, 2022

Diante da Cólera

#interna


                                                           

Diante da Cólera

"Vai, pois, povo meu, entra nos teus aposentos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te por um pouco de tempo até que a cólera tenha passado." (Isaías, 26: 20)

Um dos grandes segredos para que mantenhamos o equilíbrio e possamos alcançar a paz e a harmonia está no gerenciamento correto de nossas emoções.

Somos os construtores do nosso destino, e assim, de bom ou de mau, o que nos ocorre foi semeado por nós mesmos, tendo na base de todo foco de tensão uma administração indevida de nossos anseios, e, consequentemente, dos pensamentos e ações.

Só podemos controlar o resultado de um sentimento se ele não for exteriorizado, pois a partir de então perdemos o domínio por entrar em ação forças que independem de nossa vontade. Resulta daí a importância que temos de dar à máxima: "vigiai e orai".

Assim, se algo nos aborrece, se alguém nos irrita, ou se temos qualquer emoção em desequilíbrio, lembremos que somos nós quem comanda a reação; e se a carne é por vezes fraca, o espírito é sempre forte e é ele quem dirige as ações podendo muito bem ser controlada a emotividade e assim ajustado o comportamento à ordem natural.

Em momentos onde os transtornos imperam lembremos do poder "mágico" da oração e aquietemos em Deus o nosso coração. Jamais, se buscarmos com consciência, fé e amadurecimento, o auxílio do Eterno, ele faltará com Sua presença, a nos aquietar.

O aconselhamento do Profeta é sábio, e toda sabedoria deve ser praticada já, por tratar-se da Ciência de Deus: entra nos teus aposentos e fecha as tuas portas sobre ti, ou seja, vivencie propostas de auto-conhecimento, e reflita se na origem do aborrecimento não estivemos nós a lançar a primeira pedra. Esconde-te …, isto é, deixemos de lado fatores ligados ao personalismo, pois é essa a chaga dos tempos atuais a desencadear tantas enfermidades, basta um pouco de tempo de sintonia Superior para que possamos alcançar momentos indizíveis de paz e equilíbrio.

Quando tiver passado a cólera, que nada mais é do que uma superestimação de si mesmo, estaremos mais preparados para avaliar e agir; porquanto, com os pés no chão e o coração voltado ao Alto, aí sim poderemos nos manifestar, porque só quando nossas ações forem alicerçadas em sentimentos que encontrem sonoridade em Deus, teremos a convicção de não arrependermos diante das conseqüências que virão, com toda certeza.


Observa, pois, os mandamentos, os estatutos e as normas que eu hoje te ordeno cumprir. Se ouvirdes estas normas e as puserdes em prática, o Senhor teu Deus também, manterá a Aliança (…) ele te amará, te abençoará, e te multiplicará… (Deuteronômio, 7: 11 a 13)

Texto Extraído do Livro: 

Seja Feliz: Este é o Projeto de Deus para Você

 

Disponível na Amazon E Books


terça-feira, agosto 02, 2022

Maria de Nazaré - Quem foi?

#Pública




Quem foi Maria?

Falar de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, não é fácil devido a falta de informações que temos dela, e entre as que temos poucas são confiáveis, isentas e imparciais do ponto de vista religioso.

Estão no Novo Testamento, apesar de raros, os melhores esclarecimentos que temos da Mãe de nosso Senhor Jesus.

Nós, os espíritas, ainda temos o privilégio de termos algumas anotações vindas do Plano Espiritual que nos ajudam a esclarecer sobre a grande evolução e a missão deste nobre Espírito.

Não temos informação de como foi sua infância, nem de sua adolescência; a tradição cristã nos informa que Maria era filha de Joaquim e Ana. Seus pais eram judeus e pelo que podemos depreender dos textos do Evangelho formavam uma família simples e praticantes fieis de seus princípios religiosos.

Provavelmente nasceu entre os anos 18 e 20 a.C., e como era habitual àquele tempo, deve ter casado por volta de seus 14 anos, às vezes até antes.

Os historiadores do cristianismo apontam como data provável do nascimento de Jesus o ano 6 a.C., o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier define o ano 5 a. C. como sendo o correto para a vinda do Cristo à carne1. O casamento de Maria deve ter acontecido de seis meses a um ano do nascimento de seu primogênito.

Outra questão que não temos como certa é se Maria teve ou não outros filhos além de Jesus. O Evangelho não é totalmente claro a respeito; Mateus fala que Jesus teve irmãos e irmãs, e até dá o nome de seus irmãos2. Entretanto, em hebraico ou em aramaico, os primos também eram chamados de irmãos.

Muitos estudiosos contestam esta questão de os supostos irmãos de Jesus serem seus primos. Afirmam estes que é uma realidade que o termo hebraico designava tanto irmão quanto primo, porém ressaltam que o Evangelho foi escrito em grego, e no grego temos duas palavras distintas, adelphos, para irmão, e anepsios que é literalmente primo. Portanto, insistem, se os autores do Novo Testamento, que à época sabiam se eram primos ou realmente irmãos, quisessem falar em primos, usariam anepsios e não adelphos3.

Outro argumento a favor de serem irmãos é que na maioria das vezes em que eles são citados no Evangelho estão acompanhados de Maria; por que, perguntam, eles estariam sempre acompanhados da tia? Entretanto, há argumentos fortes também, por parte daqueles que defendem que Maria e José não tiveram outros filhos, como o fato de Jesus ter, no momento da crucificação entregado Maria – sua mãe - a João, o discípulo amado, para que este tomasse conta dela a partir de então. Se formassem uma família numerosa, com vários outros filhos, não seria natural que estes cuidassem de Maria?

Há uma terceira hipótese, menos comentada e menos provável, a de que José ao casar com Maria já teria outros filhos de casamento anterior, e estes é que seriam os irmãos de Jesus.

Como este não é o objetivo principal deste estudo, não vamos mais nos ocupar com este tema. No judaísmo era comum o casal ter muitos filhos, era uma benção de Deus, o que faz crer a alguns que José e Maria seriam pais de uma prole maior; todavia, não há esta necessidade, a família de Jesus era sem dúvida uma família especial, e poderia, portanto, ser diferente das demais sem nenhum desmerecimento para eles.

O certo, é que Maria era um Espírito de altíssima evolução, um dos mais puros que encarnou neste Orbe governado espiritualmente por Seu Filho Jesus.


A Gravidez Virginal

Outro tema polêmico e complexo é o da gravidez de Maria que alguns creem ter acontecido sem contato sexual entre ela e José, seu marido.

Dissemos ser complexo, porque tudo o que dissermos a respeito não passa de opinião pessoal, já que não temos condições de provar nem a tese da gravidez virginal nem a da gravidez comum.

Mesmo o Espiritismo não elucida o tema, não há informações confiáveis a respeito. Para um assunto de tal complexidade teríamos que retomar o Controle Universal do Ensino dos Espíritos4, o que foi por nós abandonado há muito tempo.

Como dissemos, as melhores informações que temos tanto sobre Jesus, quanto sobre Maria, são as narradas nos Evangelhos. E o que dizem eles a respeito?

Marcos e João não comentam nada a respeito, Mateus e Lucas são claros: Maria e José não tiveram contato sexual antes da concepção de Jesus.

As igrejas cristãs ligadas ao catolicismo e à reforma protestante defendem a literalidade dos Evangelhos. Segundo os adeptos da primeira, Maria era virgem antes e continuou após o nascimento de Jesus. Para os seguidores da reforma, pelo menos os atuais, Maria era virgem ao conceber Jesus, porém após o nascimento deste teve relações normais com seu marido, tendo, inclusive, outros filhos.

Dentro do Espiritismo, que tem por norma uma investigação mais segura baseada em padrões científicos, as opiniões são divididas, uns creem como os cristãos tradicionais, outros não aceitam a gravidez virginal.

Dizem os defensores desta última hipótese que as narrativas dos Evangelhos a respeito do nascimento de Jesus são expressões de um simbolismo profundo, e que nada têm de históricas.

Pode ser, aliás, todo o Evangelho tem um conteúdo simbólico de grande profundidade, entretanto, cremos, que o simbolismo do Novo Testamento – a não ser no caso das parábolas - tem por princípio eventos reais, e não acontecimentos imaginados. Jesus escolhia momentos, lugares, personagens, didaticamente perfeitos para seus ensinamentos, mas antes de buscarmos o conteúdo espiritual de suas lições, é preciso que compreendamo-las em seu sentido literal, histórico e cultural, só a partir daí devemos buscar seu sentido espiritual.

Não estamos com este argumento defendendo a gravidez sem contato sexual, como dissemos, o tema é complexo e deverá ser melhor estudado hoje e no futuro.

Estes que defendem a gravidez natural de Maria e o relacionamento sexual dela com seu marido antes da fecundação de Jesus, partem do princípio de que se assim não fosse estaria sendo ferida uma Lei Universal, e Espíritos Superiores jamais derrogam uma lei qualquer que seja, antes, cumprem-na com fidelidade.Têm razão, porém, será que uma gravidez sem contato sexual fere alguma Lei Natural? Não temos hoje vários exemplos de gravidez gerada em laboratório?

Estamos tentando fazer uma análise espírita do tema, e deste ponto de vista, a ciência do Mundo Espiritual mesmo no tempo de Jesus era muito superior à nossa atual do mundo em que vivemos, e se esta pode algo fazer, aquela podia com muito mais facilidade. Assim, uma fecundação espiritual para Jesus, não é algo que fere nenhum princípio de ciência segundo cremos. Voltamos a repetir, não estamos com isto dizendo que assim se deu, só estamos analisando possibilidades.

De onde surgiu esta idéia de uma gravidez virginal?

Na literatura pagã há muitos casos de nascimentos virginais, alguns heróis dos clássicos gregos e romanos eram semideuses, ou seja, filhos de Deus com uma mulher carnal. Há também na Bíblia Hebraica nascimentos sob a intervenção divina.

No caso de Jesus a idéia surge num texto de Isaías. Segundo a narrativa do livro deste profeta temos:

Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.5


Porém, a palavra hebraica usada por Isaías que traduzida deu virgem é almah que significa literalmente mulher jovem em idade para casar ou recém casada. Quando se traduziu a Bíblia Hebraica para o grego, na versão da Septuaginta, almah foi traduzida por parthenos. "Parthenos" quer dizer tanto uma moça jovem, quanto uma mulher que nunca teve relação sexual com homem, é como no português falado no Brasil a palavra "moça", que tem tanto o sentido de uma mulher jovem, como a que ainda não teve relações sexuais.

Assim, no texto original de Isaías não é passado esta idéia de virgindade, mas que uma jovem geraria o Messias.

Portanto, a dúvida continuará e só com o nosso amadurecimento espiritual, o que se dará em paralelo ao desenvolvimento moral, teremos melhores condições de analisar o fato.

O que importa para nós é que Maria era virgem no sentido de fidelidade a Deus. Os antigos profetas várias vezes se referem a Israel como um "prostituta" por ter sido esta nação infiel à aliança feita com Deus. Virgem é o oposto de prostituta, dentro deste contexto é justamente ser fiel à Divindade.

Neste sentido Maria de Magdala ao ser desligada de seus obsessores e se converter ao Cristo, tornou-se uma grande virgem do Novo Testamento, e nós se quisermos também gerar em nós o "Filho do homem", ou o homem novo, teremos que, do mesmo modo nos tornarmos virgens, sem pecado.


Maria era culta ou iletrada?

Esta é outra questão que não é fácil de ser respondida.

Nos dias de hoje dizemos que uma pessoa é culta se ela tem o hábito de ler e estudar, se tem muita informação intelectual. Entretanto, no que diz respeito ao primeiro século de nossa era o julgamento não pode ser feito desta forma.

Neste século, o marcado pela vida física de Jesus, grande era o percentual de analfabetismo. Quase não haviam livros para serem lidos, e era caríssima a produção de um, desta forma, não era qualquer pessoa que tinha acesso a livros, sendo assim, poucos sabiam ler, e muito menos ainda os que tinham o hábito de estudar como fazemos hoje.

Porém, não podemos dizer por isso que eram mal informados os habitantes da Palestina daquela época. O processo de aprendizado era diferente, o que tínhamos era uma cultura oral; as cartas de Paulo eram lidas na comunidade cristã através de uma leitura coletiva, muitos apenas ouviam o que este valoroso apóstolo escreveu.

Tal hábito fazia com que a memória destes que se dedicavam ao estudo das escrituras fosse de grande capacidade, pois era preciso saber os textos de cor já que nem sempre era possível lê-los.

Portanto, saber ler não era pré-requisito para se ter cultura. Além disso, em se tratando de uma mulher na palestina no tempo de Jesus, eram bem poucas as chances de que a ela fosse dada a oportunidade de saber ler.

Assim, do ponto de vista de percentuais, grande é a chance de Maria não ter sido alfabetizada, o que não estamos querendo dizer com isso, que não tenha sido. Apenas dizemos de probabilidades.

O que é certo, e podemos dizer com total segurança, é que a Mãe de Nosso Senhor tinha grande cultura, e muito mais ainda, uma cultura espiritual, uma espiritualidade inteligente.

Muitos chegam a dizer que Maria teria sido educada no Templo, que era não só boa leitora, como também, boa redatora. É possível, porém, não certo. Não estamos querendo trabalhar com hipóteses.

No tempo de Maria, o judaísmo não era simplesmente uma religião, era uma cultura. Entre os hebreus não se podia escolher a que religião seguir, simplesmente eram judeus. Não havia shoppings, cinemas, teatros, ou outras diversões quaisquer, o que havia era uma sinagoga, e que todos frequentavam, a sinagoga era a vida das pessoas. Nazaré era uma pequena cidade, a sinagoga deveria ser próximo de tudo, e era ali onde eles aprendiam e praticavam seus princípios de moral elevada.

Como dissemos Maria era um Espírito elevado e sem comprometimentos no campo expiatório, por isso aprendia fácil, com certeza memorizava bem, e vivenciava o que aprendia, não era culta dentro de nosso padrão atual, era sábia.

Por que podemos dizer isso com certeza? O Evangelho nos dá mostra disso a toda hora, e além do mais, Maria foi a educadora do maior Sábio de todos os tempos, e só isso bastaria para dizer que ela foi entre todas a melhor educadora.


1 XAVIER, Francisco C. / Humberto de Campos. Crônicas de Além Túmulo, cap. 15, Rio de Janeiro, FEB, 1937.

2 Cf. Mateus, 12: 46 e Mateus, 13: 55 e 56. Ver também Marcos, 6: 3

3 Existem controvérsias. Segundo PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho Vol. 8. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1967, Pg. 197, a palavra adelphos "irmão", referia-se também a "primos", e ainda cita vários autores profanos como Heródoto, Thucidides, etc. onde isto acontecia.

4 Cf. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104a ed., Rio de Janeiro, FEB, 1991. Introdução, item II

5 Isaías, 7: 14


terça-feira, julho 26, 2022

Segredos Do Apocalipse - Anjos e Trombetas

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Os sete Anjos munidos com as sete trombetas se prepararam então para tocar. (Apocalipse, 8: 6)


Neste versículo é importante relembrar que os Anjos são enviados de Deus, são Espíritos de grande evolução, por isso representam o Poder Divino, eles são portadores de uma mensagem vinda diretamente do Criador.

Depreendemos assim, que na ocorrência há uma determinação superior, uma Providência gerenciando os fatos e que estes têm um propósito no encaminhamento dos acontecimentos gerais que virão. Como dizia nosso querido e saudoso companheiro o senhor Leão Zálio, a circunstância é a vontade do Criador em favor da criatura, e nós não estamos à mercê delas de uma forma desordenada, tudo tem a sua razão de ser dentro de um plano mais amplo, e o gestor de tudo neste nosso planeta é o Cristo e em última instância o próprio Deus.

Aprendemos assim, que estas trombetas, que têm uma importância considerável em toda literatura judaica, e em especial neste livro que encerra os registros da Nova Aliança, vão nos trazer grandes revelações e para isso é necessário que haja preparo, nada acontece ao acaso, sem um planejamento superior. Se desejamos ser também portadores de revelação, instrumentos de Deus através de nossas realizações, nos preparemos, não esqueçamos que cada minuto é importante para a economia universal e para as conquistas que temos que realizar; cada ocorrência por mínima que seja é instrutiva e traz em si informações que se bem aproveitadas muito podem nos ajudar, não desprezemos as pequenas coisas, eles estão ajudando a construir em nós o psiquismo do Ser Renovado, da Nova Criatura portadora da Mensagem de Deus onde quer que nos manifestemos.

É preciso que estejamos preparados para tocarsempre em nome de Deus e de Seu Cristo.

E o primeiro tocou... Caiu então sobre a terra granizo e fogo, misturados com sangue: uma terça parte da terra se queimou, um terço das árvores se queimou e toda vegetação verde se queimou. (Apocalipse, 8: 7)


E o primeiro tocou...; trata-se do primeiro de uma série, uma série de "sete", não podemos perder isto de vista, que são sete ciclos reveladores que acontecerão e que no livro serão descritos nos próximos capítulos.


Caiu então sobre a terra granizo e fogo, misturados com sangue; a princípio uma manifestação terrível, vejamos só: granizo que são pedras de gelo, trazem muitas vezes, destruição. Fogo é um elemento incendiário, oposto ao gelo que é formado a partir da água, entretanto não é menos destruidor; e sangue que pode ser símbolo de dor, de desastres e até mesmo de morte, é sempre visto com um grande pavor. Temos uma chuva em que estes três elementos estão misturados.

Percebamos as expressões. Tudo isto caiu sobre a terra, "terra" esta que podemos considerar como sendo o terreno íntimo onde são germinadas as sementes de nossos sentimentos. Portanto, como temos dito, todas estas ocorrências têm um sentido plenamente reeducativo para o Espírito.

Nas anotações de Mateus, no terceiro capítulo, nos é dito sobre o batismo de João:

Eu vos batizo com a água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu (…). Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.1

O que temos aqui neste texto do Apocalipse é um desdobramento das palavras de João, o Batista, uma profecia ocorrendo.

O granizo é a água que representa para nós a justiça. A destruição que ele traz não é para extinção, mas como o Codificador nos orienta quando analisa a Lei de Destruição, para transformação. Construímos algo errado em nossa vida? Isto precisa ser destruído, ou melhor, transformado. O batismo de João era para o arrependimento, o "arrependei-vos" dito por ele é uma trombeta que soa na acústica de nossa alma. Arrependimento para conversão, conversão que é transformação mental, do homem interior; um novo padrão de vida é o desejado.

O Batista disse que "aquele que vem", que é o Cristo, nos batizaria com o fogo… é a mesma palavra que temos aqui. É o batismo do processo evolucional consciente quando adotamos a mensagem do Evangelho em nossa vida.

O fogo tem um sentido eficaz de purificação, no antigo Testamento ele simboliza a intervenção de Deus purificando as consciências.

Temos um texto no Eclesiástico que nos ajuda na compreensão:

pois o ouro se prova no fogo, e os eleitos, no cadinho da humilhação.2

Granizo e fogo misturados com sangue, é como se tudo estivesse junto no mesmo processo. Na simbologia do batismo de João temos o Espírito Santo, que é o Espírito redimido pela purificação realizada na vida em seus encaminhamentos ao testemunho. Portanto este batismo é processo antes mesmo de resultado, é através do processo que chegamos lá. Comparamos assim, este batismo do Espírito Santo com o sangue deste texto revelador.

Como dissemos, se muitos vêm o sangue como pavor, sangue também é vida. O próprio Jesus simbolizou a Nova Aliança com o sangue, o Seu sangue que seria derramado em favor de muitos. Trata-se do plano aplicativo do Evangelho, é o operacional do dia a dia, o exemplo vivo de Jesus circulando em nós através de nossas atitudes renovadas.

Portanto, nesta primeira trombeta o que temos é um batismo do Espírito promovendo nele novos lances em favor de sua evolução.

Não esqueçamos, mesmo aqueles que estão provisoriamente no mal, todos são filhos de Deus, estes acontecimentos escatológicos jamais vêm para perda destes ou de quem quer que seja, mas para cumprir um papel transformador de suas almas objetivando a salvação plena. Pois se um pai humano que tem um amor imperfeito sempre perdoa seu filho amado, e quer estar junto dele para sempre, o que não podemos dizer de Deus, que é Pleno em todas as Perfeições, em relação aos Seus filhos, mesmo os ainda pecadores?


uma terça parte da terra se queimou, um terço das árvores se queimou e toda vegetação verde se queimou. Quando estudamos a gênese mosaica a partir do primeiro livro do Antigo Testamento vamos ver que a primeira produção da terra foi a vegetação verde, "ervas que deem semente"3.

Assim, nos colocando no centro da revelação, e como objetivo maior de nossos estudos buscando o aperfeiçoamento do Ser perfectível que somos, vamos ver que esta terra somos nós mesmos e que esta vegetação verde são nossas criações mentais, que como sementes produzirão árvores, frutos, novas sementes, e assim por diante.

Esta queima de terça parte da terra e das árvores, representam a queima de nossas construções no terreno das ilusões e da transitoriedade. São aqueles componentes de natureza inferior que criamos baseados na mentalidade antiga que é aquela que nos faz o centro do Universo. Estas criações devem ser destruídas por esta chuva de granizo misturada com fogo e sangue para que o novo possa ser estabelecido em nós e a partir daí gerenciarmos melhor nossa evolução.

Notemos que só uma terça parte será destruída, não tudo, por quê? Porque não podemos destruir o nosso ser por inteiro, isso seria voltar a estados anteriores e inferiores de nossa evolução o que não é possível já que o Espírito não retrograda. Não há como mexer no nosso subconsciente, deste faz parte aquilo que já vivenciamos; é o passado, criações já realizadas. Deste modo só podemos interferir no presente que são nossas construções atuais, é no plano das realizações do hoje que temos que realizar a queima, daí nossas provas e expiações, nossos desafios no campo do testemunho.

Mas pode-se perguntar, o texto diz que toda vegetação verde se queimou; é que esta vegetação simbolizando nossas primeiras criações, representam nosso plano mental, nossa forma de agir, nossos interesses e anseios, trata-se de nossa participação dinâmica na criação, e isto tudo tem que ser transformado na base. A Nova Criatura tem que realizar completamente diferente da antiga, seus interesses e anseios devem ser outros, nossas criações na negatividade devem ser mesmo purificadas, queimadas. Só assim, preservando as lições anteriores, mantendo o foco e os objetivos superiores que são determinísticos em Deus, mas mudando nossa vida hoje, criaremos a nova mentalidade que é a base do Ser renovado que devemos ser segundo a Vontade de Deus através do plano aplicativo do Cristo.



1 Mateus, 3: 11

2 Eclesiástico, 2: 5

3 Gênesis, 1: 11 e 12



(Texto Extraído do Livro Segredos do Apocalipse)

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sexta-feira, julho 15, 2022

Evangelho de Paulo - A Lei de Cristo

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Irmãos, caso alguém seja apanhado em falta, vós, os espirituais, corrigi esse tal com espírito de mansidão, cuidando de ti mesmo, para que também tu não sejas tentado. (gÁLATAS, 6: 1)

Temos Paulo no início deste novo capítulo se manifestando de forma mais calma e tranquila. Se anteriormente ele buscou advertir e até repreender, aqui ele aconselha ensinando como deve se comportar aquele que tem Jesus por Senhor e Mestre, e quer edificar o Filho do homem em si mesmo.

Muitas vezes temos dúvidas de como agir, desta forma, o apóstolo da gentilidade nos orienta:

Irmãos, caso alguém seja apanhado em falta; encontra-se nesta onda mental de irmandade todo aquele que se faz filho de Deus. Aqui ele se refere carinhosamente à comunidade cristã; se ontem os da Galácia, hoje todos os que buscam a Deus, conscientes de que se faz necessário que esta busca se dê através de uma transformação íntima em bases de uma moral edificante fundamentada no Evangelho.

Caso alguém; isto é, seja quem for, mesmo que desafeto nosso no campo das ideias.

Seja apanhado em falta; ser apanhado em falta é ser de uma forma ou de outra, notado em um momento infeliz. Qual de nós não tem seus instantes de infelicidade ou de queda diante dos princípios que já esposamos? E se nós que temos tanto conhecimento ainda erramos, o que não deverá se dar com aqueles que ainda não possuem os mesmos recursos?

Quando somos apanhados em falta, que é quando nos distanciamos de Deus e de Sua Sintonia Superior, é quando mais nos achamos tristes, carentes, e por isso mesmo necessitados de compreensão e apoio para nos reerguermos, não foi por outro motivo que o Cristo orientou:

Não necessitam de médico os sãos, mas sim, os doentes.1

Se assim queremos que os outros ajam para conosco, que eles reconheçam nossas necessidades de Espíritos imperfeitos, pois quem não é o doente senão aquele se opõe ao Pai Supremo? Por que também assim não agimos com nossos semelhantes quando estes se encontram nestas situações difíceis?

Temos muitas vezes em nosso movimento espírita o costume de estigmatizar de obsediado todo aquele que divirja de nosso modo de pensar. Pode até mesmo ser que o irmão esteja sobre a influência de Espíritos infelizes e por isso necessitados de amor, porém, a terapêutica do Cristo jamais é a de inferiorizar o outro, muito pelo contrário é a de elevá-lo para Deus. Quando diante de um Espírito que sabia estar em complicação, Ele não acusou, antes perguntou o seu nome, dando a oportunidade para que este se colocasse, sendo assim valorizado, pois muito importante é ter um nome, é ser reconhecido.2 Mostrando-nos desta feita, que não é só atender ao que necessita, mas promovê-lo.

Paulo nos chama à responsabilidade: vós, os espirituais… É preciso conscientizarmos que a nossa condição já não é mais a mesma de antes de conhecermos a Doutrina e o Evangelho. Queremos divulgar o Bem como adultos espirituais, mas insistimos em nos permitir agir como crianças mimadas no campo da alma.

Não, não nos subestimemo-nos, nós já podemos e devemos dar mais. Esta carta era para os gálatas de ontem, hoje ela é para todos nós, e Paulo confirma, somos espirituais, e por isso mais responsáveis por tudo o que fazemos, por tudo que emitimos.

Corrigi esse tal com espírito de mansidão; isto é, corrigi este irmão com espírito de mansidão.

O que é ter espírito de mansidão? Paulo anteriormente já escrevera aos tessalonicenses:

Não o considereis, todavia, como um inimigo, mas procurai corrigi-lo como irmão.3

Jesus também já havia orientado:

Se teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós.4

Ou seja, sem alarde, não humilhando-o; nosso dever como cristão é o de elevar o irmão, e não de infelicitá-lo por um simples desvio de conduta.

O manso não gera conflitos, não polemiza, ao contrário trabalha pela harmonização, pois vê em todos, filhos de Deus iguais a ele mesmo, transitando do erro para o acerto, da treva para a luz, do homem para o Cristo.

Cuidando de ti mesmo; isto é, buscando interiorizar a lição, conhecer a si mesmo. Pois quando fazemos uma avaliação sincera de nós mesmos, buscando ver como nos comportaríamos se fôssemos nós o infeliz que erra, reconhecemos nossas imperfeições e assim nos fortalecemos evitando cometer o mesmo erro, pois não é preciso faltar com a verdade para aprendermos, podemos isto fazer a partir da lição deixada pelo erro do outro. A tentação só se dá pela nossa concupiscência, deste modo, fortalecendo-nos moralmente através de um comportamento fraterno criamos em nós um campo onde a tentação não penetra.

Só há progresso efetivo e evolução se dinamizarmos o que já conhecemos, deste modo, estejamos alertas, nós, os espirituais, já conhecemos muito, e se quisermos adquirir o equilíbrio e a felicidade é preciso agir em coerência com o que já conhecemos.

Este é, em outras palavras, o alerta e o conselho do autor da Carta aos Gálatas, e o princípio daquilo que denominamos Religião Espírita.

Suportai o fardo um do outro; assim cumprireis a Lei de Cristo. (gÁLATAS, 6: 2)

O fardo é a carga que cada um tem que suportar no encaminhamento de sua vida. São as dores e dificuldades inerentes ao processo evolucional e mais aquelas que criamos pelo comportamento indevido ou em desajuste com a Lei Maior.

Cada um tem o seu fardo, ou como já dizia uma velha amiga, "cada um no seu cantinho sofre o seu tantinho".

A vida comum, principalmente dentro do quadro da modernidade materialista, nos leva ao isolacionismo, é cada um para si.

Essa, porém, não é a orientação dos Sábios espirituais. Suportai o fardo uns dos outros convoca o apóstolo, é que por sabedoria ele sabia que a nossa segurança está não só no compartilhar, mas no ajudar o outro em suas necessidades. É da Lei que o mal ou o Bem fique com quem faz, desta forma, quando algo fazemos por alguém é a nós mesmos que fazemos.

Falamos na análise do versículo anterior sobre a base da religião espírita. Dissemos daquele modo, porque normalmente escrevemos para os espíritas, são estes que nos leem. Porém, numa forma mais ampla podemos dizer que a fraternidade é a base da religião cristã, pois esta é a síntese do ensinamento do Cristo.

Aliás, o próprio Paulo numa comunicação espiritual contida na Codificação Kardequiana nos afirma:

verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.5

Paulo informa-nos aqui que vivenciando a fraternidade, suportando o fardo um do outro nós assim cumpriremos a Lei de Cristo.

E neste ponto podemos perguntar, mas o que é a Lei de Cristo?

Se pudéssemos sintetizar todo o Evangelho, que é um mar inesgotável de bênçãos, em uma só palavra, com segurança diríamos que esta palavra é Amor.

Portanto, a Lei de Cristo é a Lei de Amor.

Se quisermos nos qualificar de cristãos temos então de amar acima de todas as coisas, caso contrário seremos cristãos sem o Cristo.

Amar por sua vez é exteriorizar, é atuar em favor do outro.

É, deste modo, muito simples ser cristão, basta esquecer de si mesmo e tudo fazer pelo outro. Esta é a senha para sermos reconhecidos como cristãos, aliás, o próprio Jesus  disse que os Seus discípulos seriam reconhecidos por muito se amarem.

Por isso queridos amigos, esta é a base da religião espírita e da religião cristã: imitar a Jesus, fazer o que Ele fez.

Não é à toa que os Espíritos nos disseram ser Ele o Guia e o Modelo que tinha a Humanidade para a sua ascensão a Deus. E o que devemos fazer com um guia, e com um modelo, senão imitá-lo?

Portanto, quando tivermos em dúvida do que fazermos, ou de como nos comportar, ou ainda, de como nos mantermos na Lei de Cristo, façamos simplesmente uma questão:

" - Como Jesus se comportaria diante desta situação?"

A resposta não será difícil de ser dada, no entanto o mesmo não podemos dizer de comportarmos do mesmo modo.

Como dizia uma inscrição que vimos em uma camiseta de um de nossos amigos evangélicos, "é fácil andar com Jesus no peito, o difícil é ter peito para andar com Jesus."


Texto Retirado do Livro O Evangelho de Paulo


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1 Mateus, 9: 12

2 Cf. Marcos, 5: 9

3 2Tessalonicenses, 3: 15

4 Mateus, 18: 15

5 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV item, 10