terça-feira, abril 19, 2011

A Cura da Sogra de Pedro


Mateus, 8:14-17


E Jesus, entrando na casa de Pedro, viu a sogra deste jazendo com febre.15 E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se e serviu-os. 16 E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos, 17 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.


E Jesus, entrando na casa de Pedro, viu a sogra deste jazendo com febre.


E Jesus, entrando na casa de Pedro… - A casa de cada um é caracterizada pela seleção de valores e objetos, conforme o estado evolutivo conquistado por seu dono. Se fora dela, convivemos com a heterogeneidade, em relação a pessoas, afazeres e até lazer; para a intimidade do lar, só trazemos aquilo que realmente está vinculado à nossa individualidade.
No que diz respeito às exterioridades, procuramos, em casa, o cultivo daquilo que mais nos dá prazer; assim, é lá que ouvimos a música do nosso agrado, usamos vestimenta mais a vontade, realizamos tarefas mais adequadas ao nosso modo de ser.
Entretanto, em relação à convivência com os familiares, a coisa nem sempre acontece ao nosso agrado, visto encontrarmos na parentela, o reflexo daquilo que somos e realizamos no decorrer do tempo. Assim, muitas vezes, onde buscamos prazer, somos defrontados com o serviço necessário em bases de justiça; ao aguardar lealdade, somos traídos por aquele de quem mais esperávamos fidelidade; e no que diz respeito à afinidade, encontramos, nos de nosso sangue, a maior divergência de gostos.
Esta situação, quando defrontada por criaturas despreocupadas com o porquê de sermos ou estarmos, deste ou daquele modo, ou ainda, por pessoas que veem a vida somente pelos olhos do prazer e da satisfação dos sentidos, torna-se bastante aflitiva, senão até impossível de ser vivida.
Neste instante, quando vencidos pelo cansaço, damos guarida aos males relacionados com os nomes de depressão, stress, ou insatisfação, é que se faz urgente abrirmos a porta para que Ele - que nos prometeu alívio - adentre a nossa casa íntima, depois de aguardar tanto tempo lá fora.
Pois foi Ele mesmo, que pacientemente, assim se expressou:
Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a sua porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
…viu a sogra deste… - No mundo em que vivemos, a sogra é personagem de muitos conflitos, deste modo, esta expressão nos serve por precioso instrumento didático.
Sendo a razão simbolizada no elemento masculino, e o sentimento no feminino, temos a sogra como mãe da mulher, representando assim, a geradora do sentimento.
Se uma geração se aperfeiçoa na subsequente, a sogra é a representação dos valores do sentimento ainda não equilibrado, ou mais especificamente, seria o sentimento com alguns lances de paixão.
Entrando o homem – "razão" – em um novo ambiente – "nova família" -, encontra na sogra – "sentimento ligado aos valores da retaguarda" – o empecilho às suas realizações, originando aí os conflitos, que se bem administrados trazem imenso benefício à criatura; pois será o sentimento velho, sendo trabalhado pela razão, gerando o sentimento novo, que será por sua vez aperfeiçoado até se completar no Amor Divino, que é a perfeita comunhão dos valores da moral e da ciência.
Jesus viu a sogra de Pedro, como percebe todos os nossos desequilíbrios; mas por ser a expressão da Misericórdia Plena, não condena, e sim auxilia, para que nos burilemos intimamente, através do Seu exemplo.
…jazendo com febre. – Sobre o verbo "jazer" já falamos no estudo anterior, mas repetindo, temos como significado deste, estar deitado no chão ou numa cama.
A febre, que já foi um terror para muitos enfermos, é hoje, pela medicina atual, melhor estudada, e, portanto, se avaliada de forma satisfatória, pode auxiliar no próprio tratamento.
Ela não é uma doença, e sim consequência desta; funciona como um alarme nos avisando que algo não vai bem, merecendo assim, melhores cuidados.
Quando tomamos um antitérmico, realizamos um tratamento supressivo, não debelando a doença, ao contrário agravando-a às vezes. Mais tarde volta a febre, nos informando que o mal persiste.
Desta forma, se quisermos eliminar a febre, é preciso trabalhar a causa, que é a enfermidade propriamente dita.
Ao ver a sogra de Pedro jazendo com febre, o Médico Divino, percebeu que algo de mais profundo necessitava ser feito.


E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se e serviu-os.


E tocou-lhe na mão… - Ao narrar a Parábola do Bom Samaritano, Jesus nos chama atenção para a atitude do personagem da história, que é o exemplo clássico da caridade cristã. Nos informa o Mestre que ele – o Samaritano – se moveu de
íntima compaixão, por isso se comoveu com o sofrimento daquele que havia sido vítima dos salteadores e o ajudou.
O que é se mover de íntima compaixão, senão ser tocado pelo sentimento puro do amor?
Jesus esteve entre nós há dois mil anos, Seu Evangelho tem sido o livro mais discutido do mundo ocidental; mas raros são os que têm sido tocados pela essência do Seu ensinamento, preferindo a maioria contentar-se com as aparências.
O Senhor tocou-lhe na mão… diz a narrativa evangélica, foi através desta parte do corpo que ela sentiu o toque do Cristo.
A mão, é o instrumento maior do trabalho. De que vale um excelente projeto, se não houver mãos dedicadas que o coloquem em prática?
A sogra de Simão estava deitada com febre, o Excelente Terapeuta, detectou o mal: toucou-lhe na mão, convidou-a ao trabalho, retirou-a da ociosidade.
…e a febre a deixou… - Eliminada a causa, cessa o efeito. Jesus curou-a; como cura a todos que se dispõe a trabalhar, a servir em Seu nome.
Como dissemos anteriormente, a febre é consequência; o Senhor atacou o mal pela raiz.
Excelente exemplo a ser seguido por todos nós. Quantos males poderíamos evitar, se ao invés de nos deixarmos levar pelas reclamações, e pela preguiça, nos dispuséssemos a trabalhar desinteressadamente?
O Evangelho é lição a ser seguida a todo instante. Não nos esqueçamos; quando a temperatura se elevar dentro de nós, o toque do Cristo é capaz de fazê-la baixar instantaneamente.
…e levantou-se e serviu-os. Levantou-se, ergueu-se, apresentou-se para o serviço.
Importante observar a colocação do pronome junto do verbo: levantou-se…, isto é, não pediu a ninguém que fizesse por sua pessoa, ela mesmo se dispôs a ir e realizar. …e serviu-os; tão importante quanto o fazer, é a qualidade do que se faz. Não basta o movimento, em levantando, usou a atitude para servir. E servir a quem? Mais uma vez o pronome junto do verbo deve ser analisado: serviu-os…, ou seja, a todos que lá estavam.
Concluindo temos, o trabalho cabe a nós: levantou-se; o benefício é para o outro: serviu-os. Está é a base da Doutrina Cristã, a condição essencial para a Saúde, a Lei que rege todos os destinos.


E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos


E, chegada a tarde … - O tempo não para, é essencialmente dinâmico; após um acontecimento, aguarde outro.
Dentro da sucessão normal das coisas a tarde vem depois do dia. Sendo este dedicado ao trabalho, às realizações do Espírito, e significando também momento de claridade interior; a tarde, seria a oportunidade de avaliação do trabalho, um final de ciclo, ou ainda, o instante de cessar as provações.
Chegado este tempo, amadurecidos pela experiência de mais uma realização, Jesus pode operar maravilhas em nós, desde que continuemos sintonizados com Ele, e tenhamos humildade para reconhecer que de nós mesmos nada podemos, mas que tudo é possível se feito em harmonia com a Vontade do Criador.
…trouxeram-lhe … - O uso do verbo desta forma, trouxeram-lhe, denota uma interferência externa no processo de tratamento destes enfermos. Há momentos que o mal se arraiga de tal modo, que torna-se impossível que o próprio enfermo busque a cura por si só; necessitando assim, a participação daqueles que movidos por misericórdia o auxiliem a erguerem-se novamente.
Quando isto acontece, o doente já passou por momentos de muito sofrimento e até mesmo de grande humilhação, fazendo-se necessário por parte de quem auxilia, compreensão do fato, de tal modo que ajude sem humilhar.
Levar aqueles que vêm até nos, cansados e oprimidos, à presença do Divino Amigo, é indício de maturidade espiritual, pois Ele é o verdadeiro Médico em quem podemos confiar.
…muitos endemoninhados… - A palavra endemoninhado, quer dizer tomado pelo demônio. Este termo, largamente usado nas Escrituras, vem nos mostrar, que a questão da influência dos Espíritos em nossa vida, não é coisa nova, e que também não foi inventada por Kardec; mas mostra-se na historia da Humanidade desde todos os tempos.
Entretanto, se não foi o Ilustre Codificador do Espiritismo quem criou tal situação, foi ele quem pela primeira vez estudou-a de uma forma correta, dando ao acontecimento um tratamento realmente sério e merecido. Assim, temos em toda a Codificação, um estudo seguro sobre o processo obsessivo, suas consequências, profilaxia e tratamento.
Como não é o objetivo desde estudo, o aprofundamento necessário neste tema, remetemos os interessados a obras especializadas como O
Livro dos Médiuns, os livros de André Luiz, Manoel Philomeno de Miranda, entre outras; afirmando simplesmente, que a imperfeição moral acha-se na base de toda esta problemática, cabendo desta forma, a todos nós que diariamente estamos envolvidos nesta questão, a oportuna meditação sobre o fato, pois o Evangelho é claro: trouxeram-lhe "muitos" endemoninhados…
…e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos… - Voltando a tema já falado em nosso estudo, não podemos deixar de citar novamente o problema da influenciação espiritual, pois a expressão usada pelo Evangelista é clara e não deixa dúvidas: expulsou deles os espíritos…, nos mostrando que entre eles – os discípulos e o Cristo – tal fato era corriqueiro, e que todos sabiam da existência desta influenciação e da necessidade de combatê-la; e que os demônios, não são nada mais nem nada menos do que espíritos desencarnados que estão provisoriamente afastados do Bem, buscando por suas próprias mãos exercer a justiça que só ao Criador cabe realizar. Esta influência pode levar aquele que a sofre às mais variadas enfermidades do corpo físico, trazendo portanto, enorme sofrimento a todos vinculados ao processo.
…e curou todos os que estavam enfermos… - Sobre o poder curador da palavra do Cristo já tivemos a oportunidade de falar; mas torna-se útil observar que, em se tratando da cura pela palavra, é imprescindível observar dois requisitos básicos para que esta se dê, são eles: o Amor com que se fala e a autoridade daquele que fala. Se no plano em que nos movemos é fácil de enganar àqueles com quem convivemos, o mesmo não se dá em relação aos Espíritos; portanto, este amor e a autoridade a que nos referimos, são baseados nas conquistas verdadeiras do Espírito, porque na espiritualidade fácil é sermos reconhecidos como realmente somos, e segundo nossas mais ocultas intenções.
Concluindo, podemos afirmar que, é buscando os valores que despertam a potencialidade do Espírito, que conquistaremos o poder de operar como o Cristo, e assim, como ele, também poder curar todos os enfermos.


Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.


Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz… - Esta forma de narrar, citando passagens do Velho Testamento, é típica de Mateus. Este evangelista escreveu estas anotações visando principalmente divulgar a Boa Nova entre o povo hebreu, por isso, cita várias vezes, trechos das profecias antigas já conhecidas deles.
É importante tirar de tudo no Evangelho ensinamentos que venham a nos auxiliar na nossa caminhada rumo ao progresso.
A dureza de nossos corações – fariseus modernos que somos -, e a dificuldade de assimilar o novo, quando este contraria interesses imediatos, nos faz rejeitar interessantes propostas de vida; é preciso assim, que a Providência permeie a ideia nova, com os valores ligados à retaguarda, de modo que, possamos por interesse vivenciar a atitude nobre, até que cresça em nós a conscientização da necessidade de mudança por assimilação da virtude propriamente dita.
Portanto, ao citar o profeta Isaías, o evangelista mostra aos seus irmãos de raça, que Jesus é o Cristo aguardado e previsto segundo as escrituras, e que Sua aceitação não contraria as normas divinas, muito antes pelo contrário.
Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças. – Muito se tem discutido sobre o poder de Jesus em Suas magníficas realizações; teria realmente o Senhor poder para realizar curas e fatos extraordinários, ou seria simplesmente obra da ingênua credulidade dos homens.
Como já deixamos claro no início deste trabalho, Jesus é o Arquiteto deste Orbe, o Enviado Divino que tomou para Si a responsabilidade de condução da Terra. Espírito de altíssima evolução, conhece o mecanismo de Leis que nós, seres ainda bastante atrasados, longe estamos de saber; portanto, não é de graça, mas pela Graça de ter atingido a meta da evolução, e se tornado Espírito Puro, pôde Ele unir o hidrogênio e o oxigênio e fazer a água; trabalhar a camada de ozônio que protege a Terra; curar doentes quando muitos não acreditavam mais em sua recuperação.
Isto tudo já estava previsto nos Planos de Desenvolvimento do Criador, o que o profeta fez foi sintonizar com o Divino, e assim poder adiantar para os homens sobre a vinda do Messias; conscientizando a todos de que Ele era realmente o que tinha em Si o Poder de reconduzir todos ao estado de saúde plena.
Mas apesar de toda esta capacidade, não pode o Cristo derrogar a Lei Suprema. Lei que determina, como Ele mesmo disse, a cada um segundo as suas obras; assim, quando o Evangelho nos fala que pode Jesus tomar sobre si as nossas enfermidades e levar as nossas doenças, quer dizer que, se quisermos curar-nos definitivamente, é preciso vivenciar os Seus ensinos; aprender com Ele a amar como Ele nos amou; pois o Amor quando dinamizado pode transportar montanhas, criar Mundos, realizar Obras magníficas…


(Extraído do Livro Jesus Terapeuta editado pela Editora Itapuã.)

sexta-feira, março 18, 2011

Jesus e a Inteligência Emocional

Dentro da conceituação dos dicionários Inteligência é a faculdade de aprender, apreender ou compreender; percepção, apreensão, intelecto, intelectualidade. Qualidade ou capacidade de compreender e adaptar-se facilmente; capacidade, penetração, agudeza, perspicácia.

Segundo a psicologia é a capacidade de resolver situações problemáticas novas mediante reestruturação dos dados perceptivos.

Muito se tem falado atualmente de inteligência sobre vários aspectos. Durante muito tempo se afirmou que a inteligência era hereditária e que podia ser medida. A unidade desta medida era o Q.I (Quociente de Inteligência) que era medido através de testes. Eram avaliadas as capacidades verbais e não verbais, memória, vocabulário, compreensão, solução de problemas, raciocínio abstrato, processamento de informações, habilidades motoras, etc..

Havia assim, basicamente dois tipos de inteligência a linguística e a lógico-matemática.

Nos dias atuais foi aprofundado o entendimento deste tema, e estudiosos como Daniel Goleman e Howard Gardner nos propõem outros tipos de inteligências, afirmando ainda que estas podem ser aprendidas.

Assim surge com Gardner a teoria das Inteligências Múltiplas, e com Goleman a partir do estudo da teoria de Gardner a "Inteligência Emocional".

O tema se tornou de tal forma importante que até as contratações de funcionários pelos departamentos de recursos humanos das empresas tiveram que se adaptar aos novos padrões, e hoje o que era um fator de grande importância para a contratação de pessoal, o QI, já não é mais, pois esta capacidade está perdendo terreno para outras qualidades como a de gerenciar as emoções de modo satisfatório, para dizer apenas uma.

Nosso objetivo nestas linhas não é realizar um estudo do tema sob o ponto de vista da psicologia, visto que sob esta ótica há profissionais mais abalizados para falar sobre o assunto. Aqui pretendemos levantar apenas alguns tópicos levantados pelos modernos estudiosos das questões do comportamento, e mostrar, que devido a sua superioridade espiritual, Jesus, já há dois mil anos sabia de tudo isso e trabalhava em seu Evangelho conceitos que não só dão sustentação aos estudos atuais, como até propõe soluções que muitos deles ainda não viram.

Vamos, desta forma, destacar algumas habilidades consideradas importantes, que na opinião destes estudiosos atuais facilitaria o acesso à felicidade, ao sucesso e a outros estados tão ambicionados por todos, e fazer uma correlação com as propostas do Evangelho deixadas por Jesus para que pudéssemos segundo Ele, atingir a vida plena e abundante de saúde e paz.

Conhecer as próprias emoções – Autoconhecimento: - É o conhecimento que o homem tem de si próprio, de seus sentimentos, de desejos e ambições. Como se comporta diante de "tal" ou"qual" situação? Esta é uma competência fundamental para que o homem tenha confiança em si e conheça seus pontos fortes e fracos. Possuindo esta competência tem o ser humano de um modo geral muito mais condições para atingir seus objetivos e relacionar melhor com as pessoas.

Proposta do Evangelho:

Tu porém, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto… (Mateus, 6: 6)

Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. (João, 8: 7)

Lidar com os sentimentos. Ter capacidade de gerenciar os sentimentos – É de grande importância saber lidar com os nossos próprios sentimentos. Quando assim o fazemos melhor nos adequamos a pessoas e ambientes conseguindo assim não só um melhor relacionamento como também uma maior capacidade de êxito naquilo que nos propusemos a realizar.

Devido às nossas várias experiências reencarnatórias trazemos em nosso psiquismo uma enormidade de sentimentos a serem trabalhados, sentimentos estes que vêm à tona a todo momento. Não podemos evitá-los já que fazem parte da nossa história psicológica, porém podemos e devemos administrá-los com consciência criando em nós uma nova realidade emocional que será muito útil na conquista de novas posições de saúde.

Somos seres bem equilibrados e ajustados quando tudo vai bem, comportamos adequadamente quando estamos felizes e satisfeitos. Todavia, quando algo nos contraria, quando somos pressionados, como temos nos manifestado?

Jesus ensinou-nos com o seu próprio exemplo a gerenciar as emoções, ele mais do que ninguém foi pressionado em vários instantes e sempre agiu com tranqüilidade e segurança.

Passagens para serem meditadas no Evangelho sobre o assunto:

Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra.

E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas à aparência dos homens.

Dize-nos, pois, que te parece: é lícito pagar o tributo a César ou não?

Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?

Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.

E ele disse-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?

Disseram-lhe eles: De César. Então, ele lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus.

E eles, ouvindo isso, maravilharam-se e, deixando-o, se retiraram. (Mateus, 22: 15 a 22)

Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras.

E, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava.

E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério.

E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.

Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio.

E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?

E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais. (João, 8: 1 a 11)

Motivar-se, ter vontade de realizar, otimismo. – As emoções são de grande importância para todos. São elas que dão um colorido às nossas ações, são elas que nos qualificam, nos individualizam.

Desta forma, em gerenciando-as, é preciso colocá-las a serviço de nosso objetivo. Aquele que é otimista sabe que todas as dificuldades são contornáveis, servem mesmo como exercício visando nosso crescimento pessoal, por isso conseguem realizar com sucesso tudo que foi planejado.

Encaremos as dificuldades sob um novo prisma, busquemos analisá-las e compreender seu objetivo, tudo na vida tem a sua função.

Meditemos no ensinamento de Jesus:

Tenho-vos dito essas coisas para que vos não escandalizeis.

Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus.

E isso vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim.

Mas tenho-vos dito isso, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito; e eu não vos disse isso desde o princípio, porque estava convosco.

Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis, porquanto vou para o Pai.

Então, alguns dos seus discípulos disseram uns para os outros: Que é isto que nos diz: Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Porquanto vou para o Pai?

Diziam, pois: Que quer dizer isto: um pouco? Não sabemos o que diz.

Conheceu, pois, Jesus que o queriam interrogar e disse-lhes: Indagais entre vós acerca disto que disse: um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis?

Na verdade, na verdade vos digo que vós chorastes e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes; mas a vossa tristeza se converterá em alegria.

A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já se não lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.

Assim também vós, agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria, ninguém vo-la tirará. (João, 16: 1 a 4; e 16 a 22)

Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo. (João, 16: 33)

Reconhecer emoções nos outros; empatia. – Uma das qualidades daquele que usa bem a sua inteligência emocional é a capacidade de distanciar-se emocionalmente dos acontecimentos e saber se colocar no lugar do outro. Para que isso aconteça é preciso perceber o outro, captar seu sentimento, escutá-lo com atenção. Em outras palavras, é preciso exercitar a compreensão, a calma, e evitar as explosões tão prejudiciais ao relacionamento.

Proposta Evangélica:

Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão.

Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada.

E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.

Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. (Mateus, 18: 15 a 18)

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. (Mateus, 7: 12)

Lidar com relacionamentos. Aptidão social – Este tópico é uma extensão do anterior. Trata-se de nossa capacidade de lidar com as emoções do grupo de uma forma geral. Voltamos aqui a falar da importância de se praticar a virtude da compreensão. É preciso cultivar a arte dos relacionamentos, da boa convivência, e para tal é imprescindível entender a expectativa do outro, suas metas, seus desejos, sentimentos e ambições. Em síntese, compreender o estado evolutivo de cada um, sem agredir; todavia não se deixando contaminar por seu modo de enxergar os acontecimentos.

Faz-se necessário viver no mundo sem ser do mundo. Cada um tem o seu diferencial.

Aqui entra uma nova virtude, a da adequação. Para nos fazermos compreendido é preciso nos fazermos entender. Jesus foi o maior educador de todos os tempos, pois se fez entender por todos, independente da posição evolutiva de quem o ouvia. Todos e em todas as épocas puderam compreendê-lo.

O que aconteceria se Ele nos mostrasse Deus, a vida, e os princípios que regem o Cosmos de acordo com o seu entendimento superior? Nada entenderíamos, e sua presença entre nós seria inútil. A adequação é uma das formas de se praticar o amor universal.

Lições Evangélicas:

E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?

Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; porque àquele que tem se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

Por isso, lhes falo por parábolas, porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem. (Mateus, 13: 10 a 13)

E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco.

E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós. (Lucas, 9: 49 e 50)

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (João, 13: 34 e 35)

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Educação e Evangelho (III)


O Evangelho é o tratado educacional mais amplo e completo que existe. Jesus entre os poucos títulos que aceitou para si, o de Mestre é o que lhe cai melhor devido ser a missão de educador a mais importante que Ele executou.
Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou.[1]
A tradução que o redator evangélico emprega aqui é didascalos, do grego, que em português é mestre, porém na língua original de Jesus era rabbi.
Rabbi é muito mais do que mestre, pois deriva de rab, "grande" "abundante"; rabbi é então aquele em quem abunda a Lei de Deus, aquele que torna ela – a Lei – acessível a seus aprendizes. Rabbi é, deste modo, um mestre espiritual.
João, o Batista, aquele que precedeu a Jesus e o anunciou, assim definiu a missão do Meigo Nazareno:
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.[2]
A palavra pecado no original grego é harmatía, que traduzida literalmente significa "perder a meta", "errar o alvo"; Jesus é assim aquele que tem a missão de mostrar o caminho certo aos homens afim de que cada um não perdendo sua meta original possa cumprir sua finalidade na Terra, que é a de estar integrado nas Leis Universais que dirigem o Cosmos.
Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.[3]
Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.[4]
Por tudo isso dizemos ser o Evangelho o maior tratado de educação já ensinado, pois Jesus sendo um Espírito Perfeito, tudo o que ele fazia era com perfeição, desde trabalhar a madeira em seu ofício de carpinteiro até educar almas, sua missão maior.
A partir de agora analisaremos alguns pontos do Evangelho salientando assim essa missão superior do Grande Enviado.
Discípulos = Educadores: Pescadores de Homens
E aconteceu que, cercando-o a multidão para ouvir a palavra de Deus, à margem ao lago de Genesaré, viu estar dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes.
Subindo num dos barcos, o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão: faze-te ao mar alto, lançai as vossas redes para pescar.
Simão responde e diz:: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sob tua palavra, lançarei a rede.
E, fazendo assim, pegaram uma grande quantidade de peixes, tanto que suas redes rasgam-se.
E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique.
E, vendo isso Simão Pedro cai aos joelhos de Jesus, dizendo: Senhor, afasta-te de mim, por que sou um homem pecador.
Pois que o espanto se apoderara dele e de todos os que com ele estavam, por causa da pesca que haviam feito, e, de igual modo, também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante, serás pescador de homens.
E, levando os barcos para terra, deixaram tudo e o seguiram.[5]
O verdadeiro educador não pode ser elitista, não pode privilegiar a uns em detrimentos de outros. A educação, como a medicina, é também uma missão e não uma fonte de gerar riquezas materiais. Jamais esqueçamos que o alvo da educação é o educando, isto é o Ser humano.
A multidão cercava Jesus para ouvir a palavra de Deus e Ele carinhosamente a revelava a todos indistintamente.
É lógico que Ele sabia, profundo conhecedor da alma humana que era, que nem todos estavam preparados para compreender os ensinamentos superiores, porém, também sabia que a Evolução é uma lei natural, e que se hoje muitos não compreendem, amanhã, mais amadurecidos iriam entender e assim se transformarem em seres melhores.
Assim, sabia da importância de formar um quadro de seguidores à altura de dar continuidade ao Seu trabalho, e também de chegarem com sua mensagem até o íntimo daqueles que ainda não estavam preparados para entender Seus ensinamentos diretamente da Fonte Superior. Do mesmo modo que Deus precisou de Jesus para Se revelar, Ele também necessitava de outros educadores (discípulos) para se fazer compreendido.
Além, como já dissemos, de não discriminar pessoas, Superior Pedagogo que era, ensinava em todos os ambientes onde houvessem elementos dispostos a aprender. Não construiu templos de pedra, nem mostrou ser o ambiente físico essencial para que fossem veiculados Seus ensinamentos; a Palavra de Deus, ou a explicação da Torah, como era comum à época, era levada em barcos, no alto de um monte, nas margens de um lago, do mesmo modo que em templos e sinagogas. Com simplicidade e amor atingia a alma daqueles que O ouviam e assim despertava nestes o que existia de melhor em matéria de sentimentos e ambições.
Viu estar dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes. Havia chegado o fim de mais um ciclo de trabalho material, os pescadores após um momento de busca do alimento do corpo físico, estavam sedentos de um alimento que não se esgotasse e saciasse a fome da alma. Eles conscientemente não compreendiam isto, porém, Ele, o Mestre dos mestres, alcança todas as nossas necessidades e sabia como era propício o momento para um ensinamento de ordem superior. Enquanto aqueles humildes homens limpavam a rede do lodo e das ramagens que nelas permaneciam, a vida preparava-os para lições imorredouras.
O barco representa a possibilidade de realização de cada um. Jesus subiu no de Simão como se faz necessário que suba também no nosso a nos conduzir a portos mais seguros.
A grande lição daquele momento estava sendo amadurecida, a da necessidade dos discípulos, e assim cada um de nós, se tornar um pescador de homens, um educador de almas, ou ainda um motivador nos homens de atitudes moralmente positivas. Jesus tinha ciência disso e assim cuidava da lição nos mínimos detalhes, por isso pediu-lhes: "afaste o barco
um pouco da terra", mostrando-nos que para realizarmos o milagre da vida que é ensinar os homens a faculdade de amar, é preciso que estejamos distantes dos interesses puramente materiais representados na narrativa evangélica pelo afastamento da terra. Pois só desligados dos valores do "terra-terra" pensamos nas questões espirituais.
Fazendo desta forma, e sabendo que tal recurso didático seria reconhecido com o decorrer dos séculos, o grande Rabi, que tem a paciência de deixar que o tempo realize o seu trabalho, senta-se e distanciado dos sentimentos contraditórios manifestados pela multidão, ensina a todos a palavra de Deus.
Significativas lições podemos retirar desta passagem conforme vimos narrando, cabendo a cada educador situar-se dentro do contexto, buscando a utilidade de cada expressão para seu momento evolutivo; salta-nos aos olhos porém a necessidade da preparação do ambiente e dos elementos a serem valorizados, lembrando sempre que falamos de preparação vibratória e espiritual, e não como desculpa para elitizar e discriminar pessoas e locais. Jesus, como já dissemos, ensinava a todos e onde se fizesse presente a necessidade de aprendizado.
Quando acabou de falar, disse a Simão: faze-te ao mar alto, lançai as vossas redes para pescar.Excelente didática a do Meigo Nazareno, após conhecer a lição, necessário se faz que a pratique como forma de fixar o aprendizado. Faze-te, como expressão do dinamismo necessário; ao mar alto, isto é, ao palco das vicissitudes da vida, ou aos embates do dia a dia, tão necessários à evolução de todos nós.
Como já´foi dito, Jesus tinha por objetivo educar o homem promovendo-o a uma moral superior e a conquistas de maior espiritualidade. Por ser Mestre de sabedoria tinha conhecimento de que se fazia necessário que cada um passasse por experiências na faixa da dualidade, experiências estas que se não compreendidas podem significar mais dores e até mesmo um maior distanciamento da meta original. Assim, se sugeria que cada qual carregasse a sua cruz[6], também não deixava de chamar a atenção para o vigiai e orai.[7]
Faze-te ao mar alto, lançai as vossas redes para pescar... é como se dissesse, vá à luta mas jamais esqueça seu objetivo principal: lançai as vossas redes para pescar...
Aí entra novamente a necessidade daquele que promove a educação reavaliar em conjunto com os que são o alvo de seu trabalho, qual é o objetivo de cada um, que tipo de pesca quer realizar. Jesus tinha a certeza da necessidade de cada um conhecer o Pai e assim se libertar, tinha convicção de que a prioridade era servir a Deus através da vida:
Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.[8]
Portanto avaliemos, o que queremos da vida? A que realização estamos vinculados no plano dos desejos e ambições? Como temos trabalhado tudo isso em relação ao nosso semelhante?
São questões necessárias, pois lembremos, como pais, amigos, companheiros de trabalho, ou onde quer que estejamos, somos sempre evangelizadores, outra palavra sinônima de educadores.
Simão podia, como todos nós, ter os seus defeitos, mas Jesus que via além das aparências, encontrou nele qualidades dignas de investimento visando um objetivo maior. O nome dado a ele mais tarde, Pedro, não era usado anteriormente como nome de pessoa. Pedro vem do grego Petros ou de seu correspondente aramaico Kepha que quer dizer "rocha". Todavia, aqui, além de notarmos nele a firmeza característica de uma rocha vemos também que ele era perceptivo e tinha grande discernimento:
Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sob tua palavra, lançarei a rede.
Em primeiro lugar, ele reconheceu a autoridade de Jesus, coisa que nestes dois mil anos temos tido a dificuldade de aceitar. Desta forma, ele rapidamente vê a oportunidade de dar um novo sentido ao seu trabalho, e o que é mais importante, ajusta-se a ele sem perda de tempo: sob tua palavra, lançarei a rede.
Só essa frase de superior sabedoria é suficiente para realizarmos grande meditações, pois o que não poderíamos fazer se sobre a palavra do Cristo empreendêssemos todas as nossas realizações? Será que conseguimos alcançar a profundidade desta afirmativa do discípulo Pedra?
A palavra noite expressando em que momento trabalhava Simão espelha muito bem as nossas atuações. Por priorizarmos as conquistas materiais, e apostarmos nelas nossas principais fichas, pouco produtivas têm sido nossas conquistas em matéria de paz e grandes dores temos gerado; é que temos trabalhado na noite dos tempos, ou seja, envolto em trevas desprezando sempre a Luz que é a "palavra do Senhor" que nos fora revelada em todos os tempos por vários de Seus mensageiros.
Simão tinha trabalhado toda a noite, como nós estava cansado, angustiado e nada tinha produzido. No entanto surgia uma nova oportunidade, oportunidade essa que nos é clara a todo instante:
…sob tua palavra, lançarei a rede.
Assim, voltamos a repetir pois se faz necessário. Qual tem sido a prioridade do modelo educacional que reina atualmente em nosso meio? Produzir homens bons ou produzir homens capazes de muito possuir? Gerar criaturas interiorizadas, ou cultivar os valores da estética e da beleza exterior? Quem são os nossos ídolos? Temos produzido harmonia ou dissensões?
É que temos trabalhado à noite, e se os resultados não têm sido muito satisfatórios, façamos do mesmo modo que aquele que foi denominado pelo Senhor como Kepha:
Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sob tua palavra, lançarei a rede.
O texto evangélico é claro: e, fazendo assim, pegaram uma grande quantidade de peixes, tanto que suas redes rasgam-se.
É que caminhando conforme a orientação daquele que é o verdadeiro Pastor de Almas, isto é, em consonância com a Lei de Deus que é a própria misericórdia, seremos sempre fartos, e muitos mais do que isso, seremos abundantes em realizações e conquistas espirituais.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia…[9]
A pesca fala-nos da conquista do alimento físico do homem, ela representa assim, todo trabalho voltado para realizações materiais. Jesus, conforme narra o evangelista, tem por objetivo fazer que o Seu seguidor torne-se um pescador de homens, ou seja, alguém que promova a conquista do alimento espiritual para si e também para todos, pois aquele que se ajusta aos princípios morais que regem o universo, conscientiza-se de que o Cosmos é uma unidade orgânica em que todos somos unidades menores com o compromisso de trabalhar pela harmonia do todo.
Assim, o verdadeiro cristão é alguém comprometido com a prática educacional a todo instante, pois além de autoeducar-se, gera impulsos edificadores em todos com quem convive.
Fazendo assim, a educação deixa de ficar circunscrita à escola e ganha dimensões inimagináveis pois a virtude vivenciada se multiplica acima de qualquer projeção matemática conhecida por equações humanas. Quando analisamos deste modo, a recomendação do Senhor, Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura[10], deixa de ser simples prática de proselitismo para tornar verdadeiro tratado científico de educação, pois fazendo assim, pegaram uma grande quantidade de peixes, tanto que suas redes rasgam-se. Até mesmo os companheiros que estavam no outro barco se beneficiam como resultado deste efeito multiplicador da prática evangélica, comprovando assim, o que dissemos anteriormente sobre o processo educacional da verdade de Deus vivenciada.
Simão se maravilha. Aqueles que são por natureza firmes em suas convicções, só diante de uma verdade maior se convencem de uma nova realidade; Simão era assim, por isso representa a liderança que o Senhor espera de cada um de nós, firmeza nas convicções, mas sempre com abertura a novas propostas evolutivas, desde que devidamente embasadas.
A atitude de cair de joelhos fala-nos da rendição necessária que devemos ter diante do Maior, que no caso aqui é a Palavra de Deus através de Jesus. Dizemos isso com maior clareza, visto ser bastante comum sermos reacionários diante de uma nova proposta, mesmo que essa seja superior à que esposamos. E isso se dá até mesmo no movimento espírita. Achamos excelente a palavra do Codificador quando nos propõe uma doutrina evolucionista capaz de assimilar novas evidências, mas temos imensa dificuldade de aceitar qualquer coisa que não tenha sido tratada por ele na Codificação.
O espanto se generaliza, mas é este bem conduzido pelo Rabi, que sabe que às vezes o choque é um elemento necessário para despertar valores milenarmente adormecidos no Ser, por serem estes imanentes em nós desde o princípio dos tempos.
Assim, Tiago, João, e André, mesmo que este não seja nominalmente citado, representam nossos companheiros de viagem, aqueles com quem, com a permissão da Vida, trabalhamos nossas potencialidades divinas mais de perto, tornando-nos assim capazes de, dentro de um menor tempo possível, nos fazermos pescadores de homens, isto é, educadores de almas dentro de uma nova proposta de edificação constante dos Seres para a única realidade perene da vida: Deus e Sua Lei como manifestação de tudo o que existe.
Façamos, deste modo, como os primeiros educadores convocados pelo Senhor, levemos nossos barcos
para a terra
, ou seja, para a nossa vida diária, mas deixando para trás tudo que significa atraso em matéria de evolução para o espírito imortal, seguindo a melhor proposta educacional de todos os tempos, a do Evangelho.


Notas:
[1] João, 13:13
[2] João, 1: 29
[3] João, 10: 10
[4] João, 14:6
[5] Lucas, 5 1 a 11
[6] Cf. Mateus 16:24.
[7] Marcos, 14: 38
[8] João 4, 34
[9] Mateus, 5: 6 e 7
[10] Marcos, 16: 15

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Educação e Evangelho (II)


"Resplandeça a vossa luz" - Jesus (Mateus, 5: 16)
Dando continuidade aos nossos comentários sobre o tema Educação, podemos agora nos aprofundarmos um pouco mais no porquê de afirmarmos ser a Doutrina Espírita à luz do Evangelho de Jesus não só um ótimo instrumento educativo, mas talvez o melhor. É a Doutrina Espírita segundo esse ângulo de visão a que realmente pode transformar o Ser por tocar nos temas fundamentais da existência, apoiados por uma moral universal.
Para que aja uma melhor compreensão do assunto faz-se necessário retomarmos alguns conceitos do que seja educar, já trabalhados por nós anteriormente.
Extrair ou desenvolver faculdades físicas, intelectuais e morais do educando (Etimologia). O que dá a entender que o educando já as possui latente em sua intimidade, educar assim seria "tirar de dentro".
Educação é a arte de formar caracteres, de suscitar novos hábitos, … educação é o conjunto de hábitos adquiridos. (Kardec, LE Q. 685)
Toda influência exercida por um espírito sobre outro, no sentido de despertar um processo de evolução. (Dora Incontri)
Como primeira conclusão podemos dizer que os potenciais positivos já existem na própria criatura, e que "formar caracteres" como coloca o Codificador do Espiritismo é despertar estes potenciais, é "suscitar novos hábitos", porém hábitos integrados às Leis Universais, pois se o modo de ser de um indivíduo é determinado por uma conduta contrária às legislações cósmicas, estes traços particulares do seu caráter destoam de suas tendências originais, necessitando assim, de uma transformação visando sua harmonia com o andamento natural dos eventos universais.
Allan Kardec, o sábio organizador das verdades reveladas pelos Espíritos superiores, iniciou o estudo da Doutrina Espírita buscando uma compreensão de Deus e de sua creação, só assim poderia ser iniciada uma proposta educacional: pela compreensão das questões máximas da vida.
Seguindo o mesmo caminho, ao dissertarmos, mesmo que de forma singela sobre importante tema, não podemos seguir outro roteiro; assim, faz-se necessário uma mais ampla compreensão de Deus sobre seus aspectos básicos: transcendência e imanência.
É comum nos dias de hoje no meio espírita o saber de cor determinadas conceituações expressas na Codificação. Deste modo, todos sabem que Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas conforme o Livro dos Espíritos questão número um. Todavia, quantos são os que entendem o que os Espíritos aqui quiserem dizer? Não basta ler as obras espíritas como se fosse uma novela ou um romance qualquer, é preciso aprender a pensar e formar um entendimento superior. Esta deve ser a tônica de toda proposta educativa.
Afirmam os Instrutores superiores que Deus é "Inteligência Suprema", e daí podemos depreender não ser o Criador um ser inteligente, este é o conceito dado para Espíritos conforme a questão 76 de O Livro dos Espíritos: "seres inteligentes da criação". Deus é a Inteligência Suprema, repetimos, isto é, a "Alma" do Universo e não um Espírito superior como supõe muitas vezes o nosso atavismo antropomórfico. Continuam… "Causa Primária de todas as coisas". Isto quer dizer que Deus é o Creador de tudo, nada do que existe teve outra origem, e assim podemos dizer que tudo o que existe saiu de Deus, pois não há como ser diferente, nada existe exterior à Divindade.
É para que possamos entender melhor e completarmos estes conceitos que temos que abordar os temas transcendência e imanência.
Transcendência é o estado que está além dos limites do possível; um estado do que é superior, sublime, excelso.
Deus, antes de crear era o "Uno-Todo", toda Sua obra ainda não existia, deveria sair de Si. Após a obra feita, passa a existir a distinção Creador e creatura.
Este Deus que permanece acima de sua obra, Inacessível, Invulnerável, Absoluto, Uno, é o Deus transcendente, o Creador do Universo, Causa primária de todas as coisas.
Todavia não podemos deixar de levar em consideração o aspecto imanente da Divindade. Imanência seria assim, a permanência de Deus na obra creada; não podendo nada existir exterior a Deus, Ele está em todas as coisas. É o espírito que se prendeu à forma objetivando sua volta consciente ao Pai; é o impulso creador que leva tudo "para frente e para o alto". Desta forma podemos afirmar que Deus permaneceu no Universo, não exteriormente, mas intimamente, exercendo o ato de crear constantemente com a Sua presença.[1]
Este Deus imanente é o que a psicologia chama de "Self" ou "Eu profundo", os místicos denominam "Cristo interior" ou "Centelha Divina". Não foi por outro motivo que Jesus, o Médium de Deus, asseverou: "resplandeça a vossa luz"[2], que Platão afirmou que aprender é recordar, e que os educadores conscientes dizem ser educação, a arte de despertar no educando suas potencialidades intelectuais e morais disparando assim todo o processo evolucional.
Conscientes dos conceitos expostos acima agora podemos ter uma maior compreensão do por que não ser possível pensar em educação sem um entendimento mais profundo das questões máximas da existência, e qual a utilidade da Doutrina Espírita dentro da atividade educacional. Todavia para que essa função seja cumprida com satisfação, como dissemos anteriormente, não podemos abrir mão do Evangelho de Jesus como norteador de todo este sistema num plano mais abrangente.
É o que passaremos a fazer a partir de agora, mostrar como que o Evangelho entra neste seguimento, tornando o Ser melhor, por ser este o principal objetivo da tarefa educacional.


Notas:
[1] "O Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" Jesus (João, 5: 17)
[2] Mateus, 5: 16

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Educação e Evangelho I


Educar: Promover o Espírito

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Jesus (João, 8: 32)

…o homem conhece o Bem por sua natureza mesma, desde antes da sua encarnação, sendo preciso apenas relembrar-lhe a verdade, através da melhor educação possível, que busque a formação da excelência moral (Sócrates)Os dicionários definem educar como o ato de promover a educação, ou, transmitir conhecimentos a; instruir.
Estes mesmos autores dizem ser educação o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social, e ainda, aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas.[1]
Aproveitando ainda os conceitos dos dicionaristas atuais temos que pedagogia, que é a ciência da educação e do ensino, tem por um de seus significados o estudo dos ideais de educação, segundo uma determinada concepção de vida, e dos meios mais eficientes para efetivar estes ideais.
Importante esta colocação "segundo uma determinada concepção de vida", pois a partir daí podemos diferenciar o entendimento do que seja educação segundo a concepção de vida daquele que se propõe a ser educador.
Deste modo, podemos falar em educação sob dois aspectos, e faz-se importante saber de que lado estamos, e qual é a idéia que se faz deste ato nobre aqueles que se propõem a educar nossos filhos, ou mesmo nossos companheiros de ideal.
Assim temos:
  • Educação materialista
  • Educação espiritualista
Sendo que esta última classificação ainda pode ser dividida em:
  • Espiritualista tradicional
  • Espírita
Antes de comentarmos sobre cada uma destas classificações é preciso que se fique claro que o objetivo da educação é o educando, desta forma importa saber o que cada educador ou modelo educacional pensa sobre este, ou seja, sobre o homem de um modo geral.
Educação Materialista
O materialismo é uma doutrina que admite que todos os fenômenos que se apresentam à investigação, mesmo os mentais, sociais ou históricos, têm na matéria sua explicação.
Para estes, os materialistas, a vida é voltada exclusivamente para gozos e bens materiais.
A princípio, para o espiritualista, isto pode parecer um absurdo, mas não podemos deixar de ver que o psiquismo do homem atual é todo voltado para este modo de ser, e até mesmo os que se dizem cultores das questões do espírito na maioria das vezes procedem de forma imediatista, falando de um modo e agindo de outro.
Segundo a visão materialista, a vida inicia com o nascimento e termina com a morte, não existindo nada aquém nem além destes dois momentos. Deste modo a educação materialista preocupa em preparar o ser humano somente para este curto ciclo de vida, construindo assim uma ética imediatista onde os interesses são voltados exclusivamente para o bem estar de si mesmo.
Este modelo educacional preocupa-se então em simplesmente informar através da transmissão de conhecimentos, preocupando no máximo com a integração social do educando.
Como consequência deste ato falho temos o alto índice de violência do mundo atual; o culto excessivo à forma e a beleza e a consequente supervalorização do sexo em seu sentido de sensualidade; a busca a qualquer custo do poder e da boa situação financeira; e vários outros comportamentos geradores de psicoses e transtornos psíquicos em geral, pois por não se preocupar com nada que vá além do momento atual o homem materialista só valoriza o que traz vantagem e satisfação imediata para si próprio.
Não temos a menor dúvida ser esse modelo pernicioso que mais promove a antieducação também responsável pela corrupção que cada dia mais aumenta e pelo alto consumo de drogas e alucinógenos, que tanto destroem a família e a segurança individual do homem comum.
Educação Espiritualista
O espiritualismo é uma doutrina que admite que além da matéria há o espírito (alma), e que este tem a primazia sobre aquela, sendo imortal e sobrevivente ao trespasse físico.
Todo espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita, por isso diferenciamos o espiritualismo tradicional, do espírita.
  1. Espiritualismo tradicional
Essa classificação é meramente didática, e poderia ser de outra forma, pois há uma infinidade de modos de ser espiritualista; em verdade todos os religiosos são espiritualistas.
Aqui abordamos deste modo os religiosos tradicionais, aqueles que aceitam a existência da alma, a sua imortalidade, as penas e gozos futuros, mas que não aceitam a sua preexistência e nem a teoria reencarnatória.
A educação espiritualista desta forma tem uma vantagem sobre a materialista, pois admite uma vida futura, e que esta é consequência da vida atual; assim, o educando teria de compreender a vida sobre um aspecto diferente e não só mais dentro de uma ótica imediatista.
Porém na prática isso nem sempre se dá, e na maioria das vezes não se dá mesmo, pois por não ter explicação para os problemas fundamentais da vida, por não tratar os fenômenos existenciais com a lógica e o bom senso que seria de se esperar, não dá ao seu seguidor a segurança necessária para que ele enfrente a razão e encare a situação não só como uma questão de fé, mas também, e principalmente, de plena adesão à nova proposta educacional.
Como consequência temos, conforme expusemos anteriormente, a condição do religioso tradicional, aquele que com os lábios diz uma coisa e com os atos outra; é espiritualista na teoria, mas na prática, materialista.
  1. Espírita
A Doutrina Espírita é uma filosofia de vida eminentemente educacional. De base científica traz consequências morais, tem por objetivo a melhoria do Ser integral, e essa melhoria segundo o próprio Codificador só pode se dar pela educação; afirma ele:
"…não por esta educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral"[2]
Dizendo ainda em outro ponto: educação é a arte de formar caracteres, de suscitar novos hábitos, … educação é o conjunto de hábitos adquiridos[3]
Uma proposta educativa deste quilate tem que ser ampla, tratar o Ser como um todo, abordando não só sua existência atual, mas dentro de uma prática reencarnacionista. Deve responder e preparar o educando para que ele também responda, compreendendo, as seguintes questões:
  • Por que existimos?
  • Por que nascemos, sofremos, e morremos?
  • De onde vimos e para onde vamos?
  • Como funciona o universo? Quem o dirige? Há uma Lei diretora? Como é ela?
  • Há uma finalidade na dinâmica universal? Qual o resultado de tudo isso? Como alcançá-lo?
Não temos a menor dúvida de que o Espiritismo pode, e bem, responder a todas essas questões. Não foi por acaso que Jesus, do mesmo modo que foi previsto sua vinda por Moisés, o grande legislador hebreu, também adiantou a chegada do Espiritismo para nós, interligando as três revelações divinas dentro do plano operacional do Criador como recurso para a salvação das criaturas e a volta destas em glória para o seu estado de Amor inicial:
Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.[4]
Educação etimologicamente quer dizer ato de extrair ou desenvolver faculdades físicas, intelectuais e morais do educando. Os Druidas consideravam que o papel da educação é levar a criatura a obedecer às leis de Deus, fazer o bem do homem e cultivar em si a força moral.
A educadora espírita Dora Incontri conceitua educação como sendo toda influência exercida por um espírito sobre outro, no sentido de despertar um processo de evolução. Desta forma, para ela, educar é, pois, elevar, estimular a busca da perfeição, despertar a consciência facilitar o progresso integral do Ser.[5]
Baseado nestes conceitos que estão de pleno acordo com a proposta espírita, é preciso que entendamos, que mesmo diante desta imensidão de recursos que possui a Doutrina codificada por Kardec, temos visto mesmo nas Casas Espíritas uma proposta ineficiente no que diz respeito a transformar as criaturas para melhor.
É que mesmo em nossos meios, temos trabalhado, na maioria das vezes, somente com transferência de informação, esquecendo de que a base de implementação de novos caracteres passa pela reeducação individual do Ser humano, ou seja, pela sua efetiva transformação moral.
Assim, mais do que informar é preciso transformar, e se a escola comum informa, só o Evangelho transforma, por isso a práxis educacional espírita não pode abstrair do Evangelho como elemento a lhe dar segurança e autoridade para a implementação de sua excelente filosofia a nortear o caminho de todos nós à perfeição.


Notas:
1 Dicionário Aurélio
2 O Livros dos Espíritos, nota à questão 917
3 Ver Nota à questão 685 de O Livro dos Espíritos
4 João, 14: 26
5 A Educação Segundo o Espiritismo, cap. IV pág. 42.

sábado, dezembro 04, 2010

Qual o Objetivo de Jesus Ter Vindo Até Nós?

…e andai em amor, assim como Cristo também nos amou e se entregou por nós a Deus, como oferta e sacrifício de odor suave. (Efésios, 5: 2)


 

E andai com amor; como já comentamos em outros pontos trata-se de uma expressão simbólica onde andar quer dizer uma forma de conduta. E conduzir-se em amor é o modelo evangélico que tem em Jesus sua expressão máxima.

É objetivo de todo aquele que deseja ser seguidor do Cristo aprender com Ele e viver seus ensinamentos e deste modo tornar-se melhor. Sendo assim viver em amor, andar em amor, é a síntese de todo este processo educativo é a nossa realização finalística que devemos perseguir como meta.

Assim como Cristo também nos amou; esta é a tônica do Novo Mandamento de Jesus, amar como Ele nos amou e ama.

Trata-se de uma nova proposta. O amor humano expressa um desejo de amar e ser amado, este é o amor dos imaturos espiritualmente falando, o que condiciona a atitude de dar à de receber. Em geral só se ama aquele que nos satisfaz os desejos e aquele que de uma forma ou de outra nos é simpático e agradável.

O amor de Jesus - como Cristo também nos amou - é diferente. Ele inaugura uma nova forma de amar que é o entregar-se a si mesmo por amor, e tal fato pressupõe o sacrifício.

A literatura hebraica que é toda simbólica viu em Abraão a prefiguração desta proposta. Para o Novo Testamento os dois maiores sacrifícios são o de Deus que deu o seu Filho amado em sacrifício para que através Dele tivéssemos acesso à Vida Eterna, há aqui uma analogia com o sacrifício de Abraão entregando seu filho Isaac em holocauso; o segundo maior sacrifício é o de Jesus que através de sua própria imolação realizou o projeto de Deus: e se entregou por nós a Deus

O sacrifício a Deus está presente em toda história da humanidade e ele é claramente expresso na literatura judaica. Podemos entendê-lo como expiação, como ação de graças, ou para se obter um favor do Criador. Há na consciência do Espírito em queda uma necessidade de reparação, e desde o princípio ele entende que esta recomposição se dá por meio de uma expiação para obter-se a graça novamente.

Jesus, como divisor de águas, inicia uma nova fase onde o sacrifício deixa de ser exterior para ser o de si próprio. A Doutrina Espírita explica melhor o porquê quando nos ensina que não há transferência de responsabilidades; ora se quem errou foi o Espírito, ele é quem deve expiar visando sua recuperação, não tem função mais o "bode expiatório", cada um é responsável por suas próprias atitudes inadvertidas.

Portanto, é preciso compreender que nada na vida de Jesus foi à toa, tudo tem a sua razão de ser dentro de Sua Pedagogia Superior. Se para atingir a ressurreição, Ele que já era ressurrecto, teve de se imolar na cruz, devemos ver neste passo nossa necessidade de tudo suportar em favor de nossa libertação. Este é apenas o primeiro passo.

Dizemos assim, pois dissemos "tudo suportar" que representa a disciplina que antecede à espontaneidade, conforme observação de Emmanuel, pois o que o Apóstolo da Gentilidade nos traz neste verso já está um pouco adiante: como oferta e sacrifício de odor suave.

Paulo joga muito bem com as palavras, ele tira a expressão - odor suave [agradável a Deus] - do Antigo Testamento, dando a ela um conceito do Novo, representando o amor de Cristo, o que fez com que Ele se sacrificasse em paz e harmonia com Deus.

Isso se dá quando usando da compreensão como virtude superior entendemos o mecanismo universal de redenção do Espírito e o realizamos em nós com espontaneidade. É a oferta de Abel que se sublima em Jesus, o dar de si mesmo, caminhar a segunda milha…

Podemos ainda como a título de breve conclusão valorizarmos ainda mais a frase que destacamos como a mais importante do versículo: entregou por nós a Deus.

Vemos a aí a síntese da trajetória de Jesus, e se assim analisamos, não é para termos um melhor conhecimento da história e deste personagem admirável, mas para que O pudéssemos ter como exemplo, o que aliás é um diferencial da Doutrina Espírita. Por ela Jesus deixa de ser mito ou ídolo a ser cultuado para tornar-se Guia e Modelo.

O verbo "entregar" - se entregou - deve ser por nós analisado e vermos em tudo oportunidade de nos entregarmos àquilo que estamos realizando. Ou seja, é o ato de nos doarmos por inteiro às nossas atividades, é tudo fazermos de coração, com alma. Só assim faremos o Bem, bem. E este é um dos objetivos, qualidade total.

Com Jesus esta entrega ganha um novo caráter, por quê? Porque ele se entrega por nós, isto é pela humanidade. É um ato de amor, onde o que é levado em conta não é o interesse pessoal. Jesus não se entregou para fazer a alegria de Deus e assim evoluir um pouco mais, não, ele se entregou por nós, o objetivo Dele era através do exemplo nos instrumentalizar para que pudéssemos alcançar nossa própria libertação. Foi um ato supremo de doação, e como temos insistido é preciso encararmos tal situação como exemplo a aplicarmos em nossa vida, senão, qual o objetivo do Evangelho ou de Jesus ter vindo a nós?

E para fechar a conclusão temos que Ele se entregou a Deus. Não foi uma entrega qualquer, nem a qualquer pessoa ou objetivo, mas a Deus, no sentido de andar dentro de Sua Lei.

Existem aí vários exemplos a serem seguidos, mas por enquanto vamos ficar com apenas um. Quando tudo fizermos por algo, e sentirmos que não temos a condição de nada mais realizarmos, ou seja, que nos escapa a possibilidade de mais fazermos, é sinal que devemos entregar o processo a Deus, é aí que Ele vai começar a falar e a operar mais efetivamente. Quando depende de nós, nós somos quem devemos fazer, mas quando não, é Ele quem age, e é nesse momento que na maioria das vezes é de maior angústia e sofrimento, é que Ele mais se faz presente.

Nos entreguemos a Deus e aquietemos o nosso coração.

Feliz Natal...

Nota:

  1. Levítico, 4: 31

domingo, novembro 28, 2010

Visão Espírita do Natal

Conceito:

Dia do nascimento; natalício.

Festa do nascimento de Jesus, celebrada no dia 25 de dezembro desde o séc. IV pela Igreja ocidental e desde o séc. V pela Igreja oriental

As Origens do Natal

Antes de Cristo

A celebração do Natal antecede o cristianismo em cerca de 2000 anos. Tudo começou com um antigo festival mesopotâmico que simbolizava a passagem de um ano para outro, o Zagmuk. Para os mesopotâmios, o Ano Novo representava uma grande crise. Devido à chegada do inverno, eles acreditavam que os monstros do caos enfureciam-se e Marduk, seu principal deus, precisava derrotá-los para preservar a continuidade da vida na Terra. O festival de Ano Novo, que durava 12 dias, era realizado para ajudar Marduk em sua batalha.

A Mesopotâmia inspirou a cultura de muitos povos, como os gregos, que englobaram as raízes do festival, celebrando a luta de Zeus contra o titã Cronos. Mais tarde, através da Grécia, o costume alcançou os romanos, sendo absorvido pelo festival chamado Saturnalia (em homenagem a Saturno). A festa começava no dia 17 de dezembro e ia até o 1º de janeiro, comemorando o solstício do inverno. De acordo com seus cálculos, o dia 25 era a data em que o Sol se encontrava mais fraco, porém pronto para recomeçar a crescer e trazer vida às coisas da Terra.

Durante a data, que acabou conhecida como o Dia do Nascimento do Sol Invicto, as escolas eram fechadas e ninguém trabalhava, eram realizadas festas nas ruas, grandes jantares eram oferecidos aos amigos e árvores verdes - ornamentadas com galhos de loureiros e iluminadas por muitas velas - enfeitavam as salas para espantar os maus espíritos da escuridão. Os mesmos objetos eram usados para presentear uns aos outros.

Depois de Cristo

Nos primeiros anos do cristianismo, a Páscoa ou a ressurreição era o feriado principal. O nascimento de Jesus não era celebrado.

No século IV, oficiais da Igreja decidiram instituir o nascimento de Jesus com um feriado. Mas havia um problema: a Bíblia não menciona a data de seu nascimento.

Apesar de algumas evidências sugerirem que o nascimento de Jesus ocorreu na primavera, o Papa Julius I escolheu 25 de dezembro.

Alguns estudiosos acreditam que a Igreja adotou esta data num esforço de absorver as tradições pagãs do festival da Saturnália.

A maior parte dos historiadores afirma que o primeiro Natal como conhecemos hoje foi celebrado no ano 336 d.C.. A troca de presentes passou a simbolizar as ofertas feitas pelos três reis magos ao menino Jesus, assim como outros rituais também foram adaptados.

Hoje, as Igrejas Ortodoxas grega e russa, celebram o Natal no dia 6 de janeiro, também referido como o Dia dos Três Reis, que seria o dia em que os 3 Reis Magos teriam encontrado Jesus na manjedoura.

Mantendo o Natal no mesmo período dos tradicionais festivais de solstício de inverno, os líderes da Igreja aumentaram as chances de que o Natal se popularizasse.


 

Leia o texto completo em:


 

http://www.slideshare.net/fajardo1960/viso-esprita-do-natal

terça-feira, novembro 16, 2010

Fé e Obras


(Retirado do Livro "Carta de Tiago" a publicar)
Meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que aproveitará isso? Acaso a fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã não tiverem o que vestir e lhes faltar o necessário para a subsistência de cada dia, e alguém dentre vós lhe disser: " Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos", e não lhes der o necessário para a sua manutenção, que proveito haverá nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, está morta em seu isolamento.
De fato, alguém poderá objetar-lhe: " Tu tens fé e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a fé pelas minhas obras. (Tiago, 2: 14 a 18)
Meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que aproveitará isso? Acaso a fé poderá salvá-lo?
A partir deste versículo até o final deste capítulo Tiago irá expor alguns conceitos a respeito de fé e obras.
Alguns estudiosos têm visto neste passo divergências entre os ensinamentos de Tiago e de Paulo, outros, ainda mais disseminadores da discordância entre os apóstolos têm dito que Tiago escreveu estas linhas para refutar as anotações de Paulo sobre a fé, principalmente as que expôs na carta aos romanos.
Não temos a erudição destes estudiosos, porém, além de analisar como temos feito em relação aos outros textos tentaremos mostrar o contrário, ou seja, que existem muito mais concordâncias de Tiago com Paulo do que discordâncias; discordâncias estas que se bem analisadas talvez nem existam.
Meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que aproveitará isso? Aqui surgem as possíveis primeiras divergências.
Tiago afirma claramente que não há proveito em uma fé sem obras, e Paulo teria afirmado que é a fé mais importante.
Em primeiro lugar é preciso tentar descobrir o que cada um deles entendia por fé e por obras. E mais, será que temos a possibilidade de julgar alguém no que diz respeito às obras que realiza em sua intimidade pelo simples fato de ter fé?
Ampliemos estas colocações. Tiago, como temos repetido, estava a falar em primeiro lugar para cristãos vindos do judaísmo, elementos que traziam em seu inconsciente a necessidade da prática religiosa através da observância de atitudes exteriores. A manifestação de fé destes não levava em conta as atitudes em coerência com o que pregavam nas reuniões para estudo das Escrituras. A nova doutrina nascente, a partir dos ensinamentos de Jesus, ensinava totalmente o oposto, ou seja, as atitudes exteriores pouca valia têm, o que importa é o sentimento que vai ao coração e a aplicabilidade dos ensinos cultuados no plano intelectivo. Desta forma ele escreve: Meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que aproveitará isso?
Este alerta do evangelista é extremamente atual. Vivemos um momento de crescimento das propostas religiosas e de grande expansão do próprio cristianismo. As correntes espiritualistas se ampliam através de divulgação em massa neste nosso mundo hoje globalizado.
Mas de que adianta tudo isso se a criatura que é o objetivo de maior cuidado do próprio Cristo, não implementa em si estes valores renovados e não melhora o nível de seus sentimentos? O Evangelho não pode ser ponto de discórdia entre seitas diferentes, mas antes ponto de união entre seus divergentes seguidores.
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Não foi isso o que ensinou Jesus?
É como se dissesse, a verdadeira obra é a da transformação da criatura em Homem de Bem.
Dizem os estudiosos que Paulo prioriza a fé em detrimento das obras. Será isto verdade ou está havendo uma má compreensão do que disse este valioso apóstolo?
Será que houve algum elemento nestes dois primeiros milênios de cristianismo que tenha tido obras tão valiosas quanto o convertido de Damasco? Têm-se chegado à conclusão que se não fosse o apóstolo Paulo, nós hoje não estaríamos aqui num estudo tão amplo de divulgação do Evangelho. Na melhor das hipóteses teríamos que ter tido outro "vaso escolhido" para realizar o que ele fez. Não foi a sua obra, então, maravilhosa, e coroada de frutos dignos de sua grande missão?
É o próprio Paulo quem afirma de modo explícito sobre o juízo de Deus e na mesma epístola aos romanos:
…o qual recompensará cada um segundo as suas obras.
Não tem ressonância com o que diz Tiago?
Mas este não é o ponto, poderão dizer alguns. Paulo também é claro quando expressa também em Romanos, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.
Prestemos atenção, as Escrituras jamais podem se contradizerem em pontos fundamentais. Se em algum passo assim acharmos que isto ocorreu, avaliemos nossa interpretação, pode ser que o engano esteja aí.
É diferente quando Paulo fala em obras como exteriorização que a criatura faz dos ensinos do Cristo e de quando ele fala em obras da lei se referindo a uma manifestação legalista comum no judaísmo daquele tempo.
Obras da lei significam ações fundamentadas em impositivos marcados por observâncias de atitudes exteriores, o que ele condena e ao que tudo indica, Tiago compreendeu no fim de sua vida missionária.
É como se Paulo fizesse uma diferença entre obras da fé significando a atitude implementada pela transformação íntima realizada pela criatura que aderiu à proposta do Cristo, e obras da lei significando uma atitude impositiva da ortodoxia religiosa.
Neste ponto podemos responder à pergunta que nós mesmos fizemos no início destas considerações:
Será que temos a possibilidade de julgar alguém no que diz respeito às obras que realiza em sua intimidade pelo simples fato de ter fé?
Sabemos que a evolução da consciência se realiza aos poucos, gradualmente, no âmbito de muitas encarnações.
Muitas vezes alguém que hoje, por invigilância, julgamos como sem obras dignas da fé que esposa, é um elemento que traz em si complicações de vulto na área da sexualidade, das drogas, ou mesmo da criminalidade. Hoje este elemento estando ajustado a uma fé, mesmo que contraditória, está desativando componentes de grande importância em seu psiquismo e se preparando para num próximo instante, mais oportuno, realizar transformações de base.
Não podemos qualificar esta transformação que opera silenciosamente na intimidade da criatura, como sendo uma boa obra no campo da fé? Não terá ela ótimas implicações no desenvolvimento de sua evolução?
É preciso compreender a necessidade de termos paciência quando o assunto é educação do Espírito para Deus. O bom educador jamais pode ter ansiedade em relação ao seu educando, o aperfeiçoamento é fruto dos séculos.
Concluindo cremos ser certo afirmar que fé e obras são temas a serem trabalhados com muito cuidado e que um não pode ser dissociado do outro. Tiago expôs de um ponto de vista essencial; Paulo, outro não menos importante. Onde a divergência?
Se um irmão ou uma irmã não tiverem o que vestir e lhes faltar o necessário para a subsistência de cada dia…
A atividade cristã deve primar pelo ensinamento de amor deixado pelo Mestre.
Como compreender este amor? Tiago alerta-nos para a necessidade de atender o semelhante naquilo que ele necessita. O próprio Jesus já definira:
Dá a quem te pedir
Isto, no entanto, é muito amplo, daí a necessidade de estabelecermos prioridades. Qual a necessidade mais imediata daquele grupo por quem somos responsáveis?
Os Espíritos nos informando sobre a importância do espiritismo como filosofia a estabelecer um novo paradigma no que diz respeito ao comportamento do seu seguidor, isto tudo dentro da possibilidade dela – a revelação espírita – ser uma volta ao cristianismo da era apostolar, intuíram Kardec a dizer:
Fora da caridade não há salvação…
Como uma ampliação do que já haviam dito na obra básica:
Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? "Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas."
Dito isto, notamos aqui a harmonia existente entre a proposta kardequiana e a mensagem de Jesus tão bem divulgada por seus primeiros seguidores, a despeito daqueles que não qualificam o espiritismo como filosofia cristã.
A religião pura e sem mácula conforme as palavras do próprio autor desta carta no final do primeiro capítulo, não é aquela que ensina seus seguidores a adoção de práticas exteriores, mas a que leva estes a aderirem em espírito e verdade, aos ensinamentos de seu revelador implementando em si a ética que surge com a prática destes.
…e alguém dentre vós lhe disser: " Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos", e não lhes der o necessário para a sua manutenção, que proveito haverá nisso?
…e alguém dentre vós lhe disser; esta expressão define a atenção que devemos ter no que dizemos. A invigilância que às vezes temos com o nosso verbo muitas vezes destrói conquistas que demoramos tempos em realizar como fruto de muito esforço.
Cremos que mais uma vez a repetição não se faz vã. A atitude é que é o fator essencial a definir o nosso comportamento essencial em matéria de religiosidade.
"Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos". Desejar a paz do outro, o seu bem, é atitude nobre. Porém, aqui, o autor da carta nos orienta a refletirmos no "como" temos realizado este desejo. Será que temos pensado mesmo neste bem estar de nosso semelhante? Ou quando demonstramos este sentimento temos preocupado em primeiro lugar com o atendimento aos nossos próprios desejos?
A expressão que fica subtendida quando assim fazemos é: "ide em paz… e me deixe em paz". Como se nos livrarmos daquele incômodo fosse para nós o mais importante.
E note-se que o apóstolo, pelo seu próprio amadurecimento devido ao trabalho incessante na caridade, amplia o bem estar do semelhante quando mostra que devemos preocupar de uma forma completa com ele conforme expressa os verbos aquecei-vos e saciai-vos. Mostrando-nos que sabemos da importância de outros fatores no atendimento ao semelhante como o reconforto que a ele devemos oferecer e o suprir de suas primeiras necessidades.
Todavia será esta uma atitude falsa, ou que pouco efeito terá se não lhes der o necessário para a sua manutenção.
E nesse ponto devemos ampliar a compreensão. O que representa este necessário para a manutenção?
É bem lógico que Tiago falasse das primeiras necessidades do indivíduo em relação à manutenção física. Pois havia àquele tempo uma distinção muito severa entre as classes, o que hoje ainda existe, mas em proporção menor. Assim é de bom senso realizar o questionamento que citamos anteriormente: Qual a necessidade mais imediata daquele grupo por quem somos responsáveis?
Porém na prática cristã a que hoje estamos ajustados não podemos para por aí, lembremos que a orientação do Senhor é para que "caminhemos a segunda milha".
Já expusemos alhures, que a Vida em sua expressão de manifestação divina é muito apropriadamente um processo de educação do Ser criado para integração deste em Deus.
Até a vinda de Jesus, e que em nossa intimidade pode representar a vinda do Cristo em nós, este processo educativo fala mais diretamente ao homem biológico. Há a necessidade prioritária de comer, beber, vestir; de manter-se de um modo geral. O advento da Boa Nova marca uma nova fase, a da construção, ou da reeducação, do homem espiritual já em bases mais amplas dentro de uma nova conceituação, onde os valores do Ser imortal são os prioritários.
Este processo pedagógico tem que levar em conta o que fomos, como estamos, mas principalmente no que deveremos nos tornar a partir de então. Hoje é muito usado o termo "educação continuada", e aqui esta expressão cai bem, pois o processo é contínuo objetivando uma evolução cada vez mais dinâmica.
Fundamentado nesta visão ampla da vida é que o cristão, tão bem representado pelo espírita que compreendeu a necessidade de adequação à proposta evangélica, deve preocupar-se em relação à caridade. Ao que é necessário não só para a manutenção do homem, conforme expressa o texto original de Tiago, mas também para efetiva educação do Ser integral, onde vida física e vida espiritual, passado, presente e futuro, se conjugam num só plano de existência.
Se nos mantermos fixados a uma só abordagem, aos interesses só do homem biológico, que proveito haverá nisso? Todo materialista que se preze, mesmo travestido de bom religioso, não é isso que faz rotineiramente?
Assim também a fé, se não tiver obras, está morta em seu isolamento.
Assim; conjunção conclusiva que liga esta oração à anterior. Portanto, o que aqui está exposto é uma continuidade do que estava sendo colocado.
Faz-se importante recapitular que as considerações iniciais de Tiago que deram origem a esta abordagem sobre a relação fé e obras diziam respeito a como deve ser a prática religiosa autêntica. Aqui ele continua no mesmo diapasão. então tem o sentido de crença religiosa. E neste caso estando ela dissociada das obras, que representam o plano operacional da fé, não atinge o seu objetivo.
Vejamos que em versículo já comentado, a palavra fé, dita pelo mesmo missivista, tem outra conotação:
Não escolheu Deus os pobres em bens deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?
Obras, que como já dissemos representa o plano aplicativo da fé; são dentro deste contexto atitudes coerentes com o que se crê.
Na própria religião judaica as obras tinham grande significação. Dentro do judaísmo tornar-se justo era o mesmo que ser praticante de boas obras; as mais importantes eram dar esmola, a oração, e o jejum.
Vejamos que Jesus já tocara nestes três pontos conforme as anotações de Mateus. (Cf. Mateus, cap. 6)
Assim, não era novidade para eles o que Tiago estava a dizer, porém, é preciso que sejamos sempre lembrados, pois ainda temos a facilidade de esquecer o que não implementamos em nosso íntimo como conquista.
Sem querer retornar ao assunto, pois já nos fizemos claros nos comentários anteriores, só para que fique patente este ponto de vista, é diferente de quando Paulo falava na relação fé e obras, sendo a primeira o sentimento interior da criatura que a leva à transformação moral e obras em se referindo a obras humanas que mais diziam respeito às aparências.
Portanto, a fé tem de ser complementada pelas obras, e as obras têm que ter fundamentação na fé para que possam ser validadas pela consciência em sua trajetória para a Unidade Divina.
…eu te mostrarei a fé pelas minhas obras. É o que dirá o apóstolo no próximo versículo.
E o Cristo disse:
Quem me vê a mim vê o Pai…
…o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
A expressão está morta em seu isolamento, é importante para confirmar a complementaridade de uma em relação à outra, e também a definir o caráter dinâmico e coletivo da Criação Universal.
Tudo está interligado, nada existe que esteja isolado na obra de Deus. Vida, que é um dom divino, é sempre uma somatória de muitos fatores, morte, que é oposição, se dá pela inércia, pela desagregação, pelo isolamento.
Assim, quando qualquer atitude nossa esteja dissociada do interesse comum, ou sendo mais claro, atendendo somente ao interesse pessoal, esta obra está fadada a morrer em seu isolamento.
O sangue tem de circular, a moeda do mesmo modo. Água parada vira lodo, e a nossa fé, ou mesmo as nossas ações?
Se não tiverem em conexão com o Dinamismo Universal, que é amor, estarão mortas em seu isolamento.
Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer.
De fato, alguém poderá objetar-lhe: " Tu tens fé e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a fé pelas minhas obras.
De fato, alguém poderá objetar-lhe; Tiago dizia isto aos interlocutores dos versículos anteriores, o 14 e o 16 deste capítulo. Porém esta é uma atitude natural no mundo dual em que vivemos, sempre alguém tem algo a dizer contrariando as nossas propostas, por melhor sejam elas.
Isto é bom quando o nosso objetivo é reeducativo, pois nos deixa sempre alerta, entretanto, nem sempre podemos dar ouvido às objeções já que muitas vezes elas vêm com o único propósito de desestabilizar nosso encaminhamento ao bem.
Assim, é preciso estar seguros de realizarmos o melhor e tranqüilos em matéria de harmonia consciencial, pois se assim fizermos que nos tirará a tranquilidade?
"Tu tens fé e eu tenho obras…"; o pior da contradita é quando somos pegos em contradição ou realmente no engano que nos afasta ainda mais do objeto de nossa existência que é a harmonização com a Lei do Eterno.
Dissemos pior pelo motivo de que quando isto se dá será necessário o esforço corretivo que é sempre mais doloroso que caminhar dentro da ordem natural. Porém, se houve o erro o chamamento de atenção é sempre benéfico, mesmo que ainda não muito bem aceito pela nossa psicologia comodista.
Quando alguém nos interpõe com uma corrigenda justa, não nos revoltemos, o que aliás tem sido a nossa histórica conduta, pois a rebeldia é um dos sentimentos que mais atrasa a escalada evolutiva do Ser que transita para Glória Divina. É muito comum vermos nas obras que retratam com fidelidade a vida no Domínio Espiritual, algozes em ajustamento em melhores condições do que suas vítimas que não perdoaram e que insistem em permanecer em projeções mentais de conflito. Bem aventurados os pacificadores, disse o Sábio dos sábios, não é pacificar aceitar com humildade o erro e exemplificar a correção do mesmo?
Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a fé pelas minhas obras. Não poderia ser mais claro o evangelista nesta colocação. E quando a argumentação se fundamenta na lógica, no bom senso e na razão, por que insistir em fazer oposição?
Insistimos nestas observações porque este tem sido um de nossos maiores erros, a rebeldia. Na maioria das vezes somos como aquele elemento que sofre horrores tentando empurrar uma porta, fazendo grandes esforços neste sentido e não obtendo sucesso, quando uma sinalização na mesma já lhe apontara o caminho: "puxe".
Parece engraçado, mas essa tem sido a nossa triste trajetória evolucional.
Ansiamos em subir, mas não abrimos mão das gorduras que nos prendem ao solo; temos por meta a espiritualidade, porém nos esforçamos muito mais pelas conquistas transitórias; a porta estreita é nossa recomendação aos amigos, todavia, será que a adentraremos carregando tudo que insistimos em não abrir mão?
Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?
"Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a fé pelas minhas obras"