sexta-feira, maio 14, 2010

MATEUS, 24: 1 a 6



E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. 2 Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3 E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? 4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane, 5 porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. 6 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. 

Estar no templo, orar, meditar, sintonizar com as questões espirituais é uma necessidade para todos nós. Entretanto, necessário também é sair do templo buscando vivenciar todos ensinamentos ali recolhidos. Jesus nos dá o exemplo, cabe a cada um segui-Lo de acordo o entendimento particular.
A julgar pela narrativa de Lucas, este acontecimento se deu após o excelente ensinamento dado por Jesus, quando da oferta da viúva pobre. Interessante observar a invigilância dos discípulos, que mesmo após o Mestre ter mostrado a eles que o importante não era o aspecto exterior das coisas, ou mesmo os valores amoedados, eles fizeram questão de chamar a atenção de Jesus justamente para a estrutura física do templo.
É o mesmo que ocorre conosco quando diante da oportunidade de uma lição edificante, valorizamos mais o instrumento que a veicula, do que a própria lição a ser apreendida.

…porque a letra mata, e o Espírito vivifica, já dizia o apóstolo.1

Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 

Jesus, porém, lhes disse…  Jesus consegue sabiamente conduzir a lição. Seus amigos chamaram atenção para um aspecto, Ele, porém, lhes disse…, isto é, mudou a direção da conversa fazendo-a mais instrutiva.
Parece simples, porém temos em nosso dia a dia de aprender a fazer isto, pois não somos obrigados a nos envolver em questões desinteressantes ao nosso processo evolutivo, nem podemos agir de modo deseducado quando tal acontece. O Evangelho nos ensina a ser sutil, porém sem abrir mão do que já conquistamos.
…Não vedes tudo isto? – O bom mestre ensina partindo daquilo que o educando consegue entender. Deste modo, Jesus salienta o exterior – tudo isto – porque é o que conseguimos ver; assim faz Ele, com o objetivo de mostrar o que está para lá de nossa pouca visão. Pois, ao ver tudo isto que se nos apresenta de forma imediata, ainda mesmo assim, estamos vendo muito pouco do que existe para mais além.
Em verdade vos digo… - Já dissemos em estudos anteriores, que tudo o que é dito por Jesus é verdade, porém, quando Ele faz este destaque, …em verdade vos digo…, é porque há de nossa parte uma necessidade maior de prestarmos atenção no ensinamento que vem após.
…que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. – Todos os estudiosos do texto evangélico têm visto nestas palavras de Jesus uma alusão à destruição de Jerusalém ocorrida no ano 70 de nossa era. E a profecia realmente se cumpriu à risca.
Porém, não podemos deixar de ver nestas sábias palavras, muito mais do que isso, ou seja, um ensinamento que transcende a questão tempo-espaço, como veremos no prosseguimento deste estudo.


E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? 

E, estando assentado no monte das Oliveiras… - Aqui também, como no Sermão do Monte, Jesus dá-nos valioso ensinamento assentado no monte. Assentado mostrando-nos segurança, tranquilidade; e monte significando elevação espiritual, sintonia com as Leis Supremas da Criação. Ou seja, Jesus nos mostra que para ensinar necessário se faz estarmos assentados em bases sólidas.
…chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo… - Jesus é o Sábio por Excelência, ao conscientizarmo-nos disto, é preciso chegarmo-nos a Ele, isto é, aproximarmos Dele com o intuito de mais aprender. Em particular, é na intimidade Dele. Nós, nos fazendo íntimos com o Cristo podemos realizar maravilhas.
…porém tudo declarava em particular aos seus discípulos.2
Marcos, que é sempre mais detalhista, nos diz que, os que aproximaram-se Dele, eram Pedro e André (irmãos), Tiago e João (irmãos). A particularidade daquele momento (em família), nos faz ver, que é justamente na intimidade que o Cristo tende a manifestar-se com mais naturalidade.
Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.3
Dize-nos quando serão essas coisas… - A previsão da destruição do templo tinha assustado mesmo os mais íntimos. É o mesmo que hoje aconteceria se fosse previsto a queda de uma sólida construção moderna, de um império poderoso como o da Microsoft ou do próprio EUA.
Desde modo, os discípulos querem logo saber: quando serão essas coisas…
Essas coisas, nesse tom de dificuldade de aceitação, vem nos mostrar justamente como é difícil para qualquer um de nós, conformar com a perda ou destruição do que ainda é para nós importante, mesmo que de um valor passageiro ou transitório.
…e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? - Estes acontecimentos eram o prenúncio da parusia, palavra grega, que quer dizer "presença". Designava no mundo greco-romano, a visita oficial e solene de um príncipe a um lugar qualquer. Os cristãos adotaram-na como termo técnico para designar a vinda do Cristo.
Segundo o professor Carlos Torres Pastorino, a expressão fim do mundo, é um equívoco de tradução. Diz Pastorino: "… no original não está escrito télos toú kósmou (fim do mundo), mas synteleia toú aiónos (término do eon ou ciclo)."
A Bíblia de Jerusalém, traduz como "consumação dos tempos", dando também a entender, final de um ciclo, e não do mundo.

O evangelista dá-nos a entender, em sua crença, que a volta de Jesus era o que marcaria o final deste ciclo. Nós particularmente entendemos a segunda vinda do Cristo, como a manifestação Dele em nós, ou seja, aquele momento em que assimilamos Sua mensagem e a colocamos em prática. É o que nos dá a entender o próprio Evangelho:
Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.4
Ou seja, a volta de Jesus é uma questão íntima, particular de cada um; para aqueles que realizaram em si a reforma necessária, Ele já veio; para muitos virá breve; para outros demorará um pouco mais.
Assim, este momento glorioso de "Cristificação" íntima, marca o fim de um ciclo, ou, eon, como nos diz o professor Pastorino. É o fim do ciclo das dores em favor do Amor Pleno. Quando chegar este dia, dos templos físicos não restarão pedra sobre pedra, pois o Pai será adorado em espírito; e mesmo o templo divino do nosso corpo já não terá mais razão de ser, pois por conquista não precisaremos mais reencarnar, vivendo uma vida, plenamente espiritual.

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane…  

E Jesus, respondendo, disse-lhes…  - A resposta de Jesus é de grande importância, para a nossa evolução. Ele, que nos acompanha a milênios, sabe de que necessitamos, portanto, prestemos atenção.
…Acautelai-vos … - Acautelar
é estar prevenido, resguardado, com atenção. O final dos tempos ou do ciclo de provas, é um momento de definição, por isso, nele é permitido tudo, ou seja, as coisas estarão às claras, tudo liberado, para que cada um possa mostrar quem realmente é; desta forma, é preciso estar vigilante: acautelai-vos. Muitas serão as ofertas, é preciso saber selecionar.

…que ninguém vos engane… - O Evangelho é claro: ninguém. Aí estão incluídos Espíritos encarnados, desencarnados, e nós mesmos através de nossos sentimentos desequilibrados.
Dizemos desta forma, porque elementos externos vão nos chamar a atenção, convidando-nos à vida fácil, porém eles só podem nos enganar com assentimento próprio. Isto é, quando adotamos comportamentos contrários à Lei de Deus, motivados por elementos exteriores, é porque houve sintonia destes elementos com aquilo que ainda acolhemos em nosso íntimo.
Ser enganado é ser iludido, só o Espírito não é passageiro; assim, ao valorizar mais as questões do mundo do que as efetivamente espirituais, estamos nos enganando ou nos iludindo, mais cedo ou mais tarde cairemos na realidade tendo que retornar ao caminho abandonado.

Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.

Porque muitos virão em meu nome… - A princípio parece um contra senso estar em nome do Cristo, conduzindo alguém ao engano. E olha que Jesus nos alerta que serão muitos, vindos de todos os lados. Por isso é importante avaliarmos cada situação com a segurança evangélica; há mesmo comunicações ditadas por espíritos supostamente superiores que são na verdade enormes enganos. Não foi por outro motivo que Kardec, o bom senso encarnado, nos alertou para a necessidade do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, pois como nos alerta o discípulo amado, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus. Outras vezes são Espíritos encarnados vestidos de pai, irmão, amigo, que se não tivermos cuidado, nos desviarão do caminho, e alegando motivos "justos". Se quisermos deste modo não ser enganados, é preciso estar determinados a viver o Evangelho onde quer que estejamos, em qualquer situação, mesmo que a princípio seja contrário aos nossos interesses imediatos.
…dizendo: Eu sou o Cristo… - Como dissemos anteriormente, em períodos de transição, é dada a oportunidade a todos de se manifestarem como realmente são. Esta manifestação tem dupla função, deixar cada um dizer a que veio, ou seja, definição de objetivos; e testar aqueles que já estão em condições de serem promovidos. Muitos virão dizendo eu sou o Cristo, isto é, defendendo teorias próprias, envoltas superficialmente de virtudes a serem conquistadas, mas que no fundo trazem ideias dominadoras e personalistas, que visam não o bem comum, mas o interesse daquele que quer se fazer líder. Em outros momentos são nossos próprios sentimentos inferiores, que escondendo atrás de falsa justiça, destorcem a verdade nos fazendo ver e divulgar ideais contrárias à ordem natural das coisas.
O próprio texto evangélico e as lições do Cristo já sofreram tal adulteração. Quantas vezes, nós mesmos não modificamos a interpretação de determinado ensinamento só para justificar um interesse que defendemos?
Muitos virão apoiados nas ideias de Jesus dizendo, eu sou o Cristo; por isso, estudemos, conheçamos a Verdade contida na Moral Evangélica, pois só ela nos libertará.
…e enganarão a muitos. – A invigilância, a má informação e a má intenção, serão os fatores principais deste engano. Por isso Jesus nos alerta:

Olhai, vigiai e orai……e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

 
Assim, cabe a cada um, não apenas precaver, mas conhecer; não somente conhecer, mas transformar-se.


E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. 

E ouvireis de guerras e de rumores de guerras…- Segundo o dicionário Aurélio, Guerra é combate, peleja, luta, conflito. Uma das características que marca o progresso do espírito é justamente o conflito, ou seja, a luta íntima entre o homem velho, e homem novo; entre os hábitos antigos e a necessidade de um comportamento novo em bases de renovação moral.
Assim, no plano íntimo é natural, neste final de ciclo, isto é, neste importante momento de definição para nós, que soframos com uma guerra interior, ou com um conflito providencial; pois, abandonar o que cultivamos como valores importantes, não é nada fácil, principalmente se os novos conceitos ainda não estão devidamente sedimentados em nossa intimidade. É o que Paulo define como bom combate:
Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.
…olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça… - Jesus nos convoca a uma atitude dinâmica diante dos conflitos: olhai… É Ele nos dizendo para participar do processo, não simplesmente deixar que as coisas aconteçam simplesmente por acaso, pois ao olhar enxergamos, e enxergando temos de tomar uma atitude diante dos acontecimentos.
Ao cristão verdadeiro cabe olhar para si, analisar seus próprios conflitos, buscar através do autoconhecimento sua própria melhoria, quanto aos embates externos, naquilo que puder deve auxiliar, no que for irremediável, compreender que faz parte do processo, é a Lei de Deus se cumprindo.
Não vos assusteis diz o Mestre. Assustar é amedrontar, atemorizar; portanto não tema, é a Sublime orientação; confie, tudo tem a sua razão de ser, é mister que isso tudo aconteça. Já dissemos, não há como implantar o novo, sem substituir o velho; e deixar o que estamos habituados é na maioria das vezes difícil, requer renúncia, sacrifícios, luta. Mas viver é justamente isto, vida é desafio, sem desafio não há progresso.
…mas ainda não é o fim. – Importante esta colocação, pois o conflito não é o fim, é muitas vezes o meio de se atingir o objetivo. É necessário passar pela dualidade para se atingir a Unidade, porém quando estamos oscilando é porque ainda necessitamos superar-nos, não é o fim, muito pelo contrário pode ser apenas o início, a conscientização para mudar.
É comum pensar, que por estarmos passando pela dificuldade já estamos resolvendo o problema, não é bem assim, é preciso saber passar, sacrificar algo, mas buscando uma situação melhor, mais acima; sofrer não é o plano que a Vida tem para nenhum de nós. É imperioso avançar, Ser Feliz.

2 Coríntios, 3: 6Marcos, 4: 34Mateus, 6: 6Bíblia de Jerusalém, pág. 1884.Sabedoria do Evangelho, 7° Volume, pág. 93João, 14: 23Conforme João, 4:24: "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade."I João, 4: 1Marcos, 13: 33João, 8: 32Mateus, 5: 82 Timóteo, 4: 7




(Extraído do livro: "O Sermão Profético", Editora Itapuã)

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