quarta-feira, setembro 29, 2010

Gálatas 1 1 a 9

Paulo, apóstolo, não da parte dos homens nem por intermédio de um homem, mas por Jesus Cristo e Deus Pai que o ressuscitou dentre os mortos; e todos os irmãos que estão comigo: às igrejas da Galácia.
A graça e a paz vos sejam dadas por Deus Pai e Nosso Senhor Jesus Cristo, que se entregou a si mesmo pelos nossos pecados a fim de nos libertar deste mundo mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai. A Ele seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém
Admiro-me que tão depressa abandoneis aquele que vos chamou pela graça de Cristo, e passeis a outro Evangelho. Não que haja outro, mas há alguns que vos estão perturbando e querendo corromper o Evangelho de Cristo.
Entretanto, se alguém – ainda que nós mesmos ou um anjo do céu – vos anunciar um Evangelho diferente do que vos tenho anunciado, seja anátema. Como já vo-lo dissemos, volto a dize-lo agora: se alguém vos anunciar um Evangelho diferente do que recebeste, seja anátema.
Paulo, apóstolo, não da parte dos homens nem por intermédio de um homem, mas por Jesus Cristo e Deus Pai que o ressuscitou dentre os mortos; e todos os irmãos que estão comigo: às igrejas da Galácia.

Jesus tinha estado entre os homens determinando o início de uma nova era através de sua proposta reeducativa de cunho eminentemente espiritual.
Usando o alimento fornecido pelos judeus representado pelos cinco livros da Torá, o aperfeiçoou propondo uma Lei Amor, muito mais ampla e completa, pois revelava-nos o Criador em uma nova dimensão: Misericórdia.
Entretanto, os líderes religiosos da época não o compreenderam, e mesmo entre os convertidos ao cristianismo houve uma tendência à permanência do cultivo dos rituais e das formalidades exteriores.
Paulo visitara a Galácia na sua segunda e terceira viagem missionária, segundo depreendemos de Atos, 16: 6; 18: 23.
Anunciou aos gálatas o Evangelho (cf. Gl, 4: 13) e foi não só compreendido, como também muito bem recebido.
Todavia certos cristãos judaizantes incitam os fiéis da Galácia a uma dissidência, dizendo a estes que eles não se salvariam a não ser se observassem os ritos e cerimônias cultivados pelos judeus, em especial a circuncisão; e mais, diziam que Paulo não tinha autoridade como os discípulos que participaram dos colégio dos doze, seu Evangelho não estava de acordo com o dos apóstolos primeiros, e sua doutrina tinha sido recebida de homens.
Talvez por isso estas saudações (Vers. 1 a 5) sejam em tom mais seco e sem louvores a seus leitores, pois Paulo vê a necessidade de rapidamente esclarecer estes quando à verdadeira autoridade dada a ele não por homens, mas pelo próprio Cristo, conforme consta do livro Atos dos Apóstolos, 9: 15.
Jesus o tinha chamado diretamente na estrada de Damasco, e dito a Ananias que ele, Paulo, era um instrumento de escol ou um vaso escolhido para levar os seus ensinamentos para as nações pagãs, aos reis, e aos próprios filhos de Israel.
Assim, já nos primeiros movimentos desta carta, Paulo faz ver a todos quem ele era, vindo de quem, e porquê. Fora chamado por Jesus, diretamente, e Jesus era o Enviado Máximo e representante autêntico do próprio Deus; então, por que descrer de Paulo?
A palavra apóstolo refere-se a um título de origem judaica quer dizer enviado, do grego apostoloi que traduz o hebraico shelihims.
No texto evangélico refere-se aos doze (Mateus, 10: 2), ou em sentido mais amplo a todos missionários do Evangelho. Paulo se enquadra perfeitamente na condição de apóstolo.
Após este ligeiro comentário histórico avancemos nosso entendimento buscando os dia de hoje…
Muitos espíritas têm tentado nos dias atuais subtrair a autoridade do Espírito Emmanuel para questões doutrinárias e de ciência. Dizem estes colegas de fé, que Emmanuel vai muito bem quando se propõe a aconselhamentos na área da moral, mas que em matéria de doutrina e de ciência apresenta importantes contradições.
Felizmente não são muitos os que assim pensam, mas são em número considerável, e muitos, sérios estudiosos da letra espírita.
É preciso analisar com lógica e bom senso. Não se trata de mitificar o Espírito Emmanuel, mas vejamos…
A codificação espírita é fruto de rigorosa programação e de participação importante da espiritualidade superior, aliás, é doutrina dos Espíritos.
Kardec deu os primeiros passos e estabeleceu princípios e metodologia eficiente com que os seus seguidores puderam avançar doutrinariamente, pois a doutrina espírita é evolucionista.
Algumas décadas depois, surge no Brasil a mediunidade de Francisco Cândido Xavier que não só confirma Kardec, como na prática amplia as informações sobre o mundo invisível.
A obra do médium mineiro é de tal importância que hoje podemos falar em espiritismo antes e depois de Chico Xavier.
O Espírito Emmanuel deixou claro já nas primeiras comunicações, que se qualquer mensagem sua contradissesse Kardec ou Jesus, que deveríamos esquece-lo e ficar com Kardec e com Jesus, porém, isso não aconteceu nos princípios fundamentais da doutrina, pois Emmanuel é dentre os Espíritos que se manifestaram na Pátria do Cruzeiro, um dos que melhor conhece a obra do mestre lionês, e o maior exegeta do Evangelho que temos notícia.
Basta para confirmar o que estamos dizendo, fazer o seguinte raciocínio; a obra espírita, como já dissemos, é fruto de programação dos Espíritos superiores orientados pelo Espírito Verdade.
Tendo em vista que Emmanuel é o guia espiritual do médium Xavier,e sabedores que somos da importância da obra vinda através de sua mediunidade, poderia a espiritualidade superior destacar para a missão de dirigir a obra deste iluminado médium, um Espírito que não fosse preparado para tal?
A obra espírita é ciência, filosofia, e traz-nos também um conteúdo de profunda religiosidade; portanto, na escolha de um Espírito que tivessem a missão de coordenar a implantação desta filosofia riquíssima no ambiente planetário, não poderia ser escolhido um Espírito que fosse falho em quaisquer destes aspectos.
Daí concluímos, que se a obra de Chico Xavier, importante como é, teve a orientação de Emmanuel, é porque este tem autoridade dada pelo Espírito Verdade para tal, e como Paulo pôde dizer – aliás Paulo é orientador espiritual de Emmanuel como podemos depreender de obras confiáveis da literatura espírita -, ser servo de Cristo Jesus, chamado para apóstolo, escolhido para o Evangelho de Deus[1]; do mesmo modo tem esta autoridade o Espírito Emmanuel, autoridade dada não por homens, nem por intermédio de um homem, mas por Jesus Cristo, e Deus Pai…

A graça e a paz vos sejam dadas por Deus Pai e Nosso Senhor Jesus Cristo, que se entregou a si mesmo pelos nossos pecados a fim de nos libertar deste mundo mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai. A Ele seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
 
Paulo inicia a saudação a seus leitores da Galácia com o desejo sincero de graça e paz para todos. E graça e paz segundo Deus e o entendimento de Jesus o Cristo.
Já neste início Paulo coloca o que pensava a cerca da missão do Cristo. Ele viera libertar-nos de nossos erros e desvios –pecados. E para que isso acontecesse, qual foi a posição de Jesus? Entregou-se a si mesmo.
Aqui temos duas colocações importantes que devem ser por nós meditadas. O que significa Jesus nos libertar de nossos pecados? E o que é entregar-se a si mesmo?
De quem eram os pecados? Ou seja, quem eram os pecadores? A resposta está no próprio texto: “nós.” Portanto, a libertação destes por Jesus não significa que Ele por ser a autoridade máxima de nosso orbe, tenha o poder de tirar com as mãos os nossos erros. Não é esse o sentido. Jesus nos liberta, a partir do fato de que Ele revelou para nós os instrumentos que se fizéssemos uso nos libertariam. Fomos nós quem desviamos do caminho, deste modo, só nós podemos a ele retornar.
Para isso é preciso em primeiro lugar reconhecer o erro e saber nossa verdadeira situação (autoconhecimento). Não são poucas as vezes em que insistimos no erro por achar que estamos corretos e somos “os tais” da evolução.
A partir do reconhecimento é preciso fazer uso de outra virtude lembrada por Jesus, a vontade. Só de posse do desejo sincero de mudar podemos transformar-nos como se faz necessário. E mudar que dizer deixar posições cômodas, em que já estamos acostumados, e aceitar o desafio do novo com restrições do que até agora era para nós importante.
Aí é que entra outro passo importante, a atitude. Nada conseguimos realizar se não partirmos efetivamente para o campo das ações. Existem projetos belíssimos em todas as áreas, que infelizmente não saem do papel, todos nós conhecemos vários destes. E o projeto mais importante de nossa vida não pode ficar parado em nenhuma prancheta esquecida: o de nossa transformação moral.
Neste ponto é importante avaliar o “como” fazer representado pela atitude de Jesus: entregou a si mesmo.
Já dissemos, o objetivo maior de Jesus era o da nossa educação moral. Ele nos ensinou que, se o objetivo é importante não devemos medir esforços para sua realização; assim, Ele entregou a si mesmo para que se realizasse o seu projeto educativo.
Devemos compreender que Jesus não necessitava passar pelo que passou, se Ele assim fez, era para dar exemplo. Ele não ia deixar as Esferas Superiores em que habitava, e vir até nós à toa, assim, tudo o que fazia ou falava, nos mínimos detalhes, era para ensinar; em todos os seus passos ou palavras há ensinamentos vários, em tudo há exemplo a ser seguido como condição para nossa libertação.
Portanto, nesta entrega de si mesmo há importante lição.
Ao traçar um objetivo, e por isso devemos avaliar bem qual é o nosso objetivo em tudo o que realizamos, devemos a ele nos entregar de corpo e alma, não foi isso que fez o Cristo?
No decorrer da análise desta carta, vamos comentar sobre a importância da fé no processo reeducativo do Espírito, pois este é um dos temas principais deste texto que ora estudamos.
O que é fé senão fidelidade a uma proposta escolhida? O que é fé senão adesão a esta proposta? E indo mais além, existe fidelidade e adesão sem entrega total de nós mesmos?
Portanto, o ato de entregar-se (a si mesmo) para a realização do objetivo maior, como Jesus fez, deve ser a nossa primeira meditação a respeito do ato de termos ou não fé. Sem fé não há como obter iluminação espiritual; e nós, estamos dispostos a vivenciar a fé a partir da entrega total de nós mesmos?
A proposta da evolução como sendo a realização da vontade de Deus tem sido por nós sempre comentada em outros textos, por isso não vamos aqui nos estendermos para não repetirmos em demasia. Mas é isso que Paulo quer dizer quando nos afirma que esta entrega de si mesmo por parte de Jesus era para realizar a Vontade de Deus, nosso Pai.
Resta-nos ainda uma palavrinha sobre a nossa libertação deste mundo mau.
Em última instância podemos afirmar que Deus não cria mundos físicos como chegamos a supor um dia. Isso é tarefa para os Espíritos superiores conforme depreendemos dos textos da codificação espírita.
Deus cria Espíritos, e determina uma Lei para que estes possam estar em harmonia com Ele, e se, se desarmonizarem possam a Ele retornar em glória.
Deste modo, em se tratando do mundo exterior em que nos encontramos, nos achamos de acordo com a condição que criamos. Estamos no ambiente que melhor se faz para o atendimento de nossas necessidades reeducativas, portanto, se ele nos parece mau, é porque ainda há maldade em nós.
Jesus ensinou-nos que o Reino de Deus está em nós, que ele não vem com aparência exterior, e podemos acrescentar que o inferno é do mesmo modo. Assim, se estamos nesta ou naquela posição vibratória é questão pessoal e de escolha paraticular, e a nossa libertação deste mundo mau, perverso, diz respeito só a nos mesmos.
Não esqueçamos do que já dissemos e do que já vem sendo dito há dois mil anos, Jesus trouxe para nós os instrumentos de nossa libertação, já nos capacitou para tal, portanto, cabe exclusivamente a nós, fazendo uso de nossa vontade, realizá-la.
Quando isto se der, será a glória Dele, por ter-se cumprido todo o projeto de nossa evolução, neste momento teremos vencido a necessidade dos séculos e dos séculos, amém.

Admiro-me que tão depressa abandoneis aquele que vos chamou pela graça de Cristo, e passeis a outro Evangelho. Não que haja outro, mas há alguns que vos estão perturbando e querendo corromper o Evangelho de Cristo.
 
Como já comentamos, certo dia, Paulo recebeu a visita de alguns seguidores seus da Galácia, que comentavam que alguns elementos ligados ao judaísmo de Jerusalém, apesar de já convertidos à nova doutrina, vindos da parte de Tiago, estavam na nova comunidade dos gálatas, desenvolvendo uma oposição a Paulo, dizendo que o Evangelho ensinado por este não era o verdadeiro Evangelho do Cristo; o de Paulo era incompleto e não abordava a necessidade dos cristãos de adotar a lei mosaica.
Paulo surpreso e entristecido lembra aos neófitos da Galácia como foi que eles aceitaram bem os ensinamentos do Cristo que receberam por ele, e que se sentia admirado como que de uma hora para outra pudessem eles mudar de opinião a respeito não só dele, Paulo, mas o que era pior, a respeito dos ensinamentos evangélicos. Tinham eles sido chamados por Deus.
Aqui cabe ressaltar que a palavra Evangelho não se refere ao conjunto de livros que hoje conhecemos por este nome, neste tempo eles ainda não existiam na forma conhecida. Havia apenas os manuscritos aramaicos de Levi (Mateus), e provavelmente só as duas cartas aos Tessalonicenses escritas por Paulo.
Então, como entender aqui a palavra Evangelho?
É importante lembrarmos que tanto o que conhecemos por Novo Testamento, quanto por Antigo Testamento, antes de existirem em sua forma escrita existiram de forma oral; portanto, Evangelho aqui representa os ensinamentos de Jesus que foram disseminados entre os judeus, e a partir daquele momento também aos gentios, por seus seguidores mais próximos, entre eles Paulo, que como vimos tinha recebido sua missão diretamente de Jesus.
Os gálatas tinham aceitado rapidamente a essência da mensagem cristã que lhes fora ensinada por Paulo, então, por que agora estavam voltando atrás?
Não existe outro Evangelho, dizia o apóstolo, compreendia ele que a mensagem do Cristo era única e essencialmente espiritual, tudo o que fosse exigência da forma a manter necessidades de aparência, era exclusivamente de origem humana. Paulo foi sem dúvida alguma, entre os discípulos da primeira hora, um dos que melhor compreendeu a profundidade da mensagem do Meigo Rabi Nazareno.
Ele mostra que estes elementos na realidade estavam querendo desvirtuar a mensagem e corromper o Evangelho, seja por ignorância, ou pelo que for. Era preciso que os discípulos da Galácia praticassem a lição do vigiai estando atentos para o discernimento necessário.
Hoje a coisa se dá do mesmo modo, estejamos, portanto, atentos. Há no meio espírita, mesmo com toda a gama de conhecimento que esta doutrina nos felicita, elementos que querem desvirtuar a mensagem cristã do Espiritismo como Kardec entendia que fosse; e querem até mesmo, alguns, dissociar a Doutrina do Evangelho.
Não esqueçamos a verdadeira posição do Codificador, quando em O Livro dos Médiuns nos afirma claramente que o verdadeiro espírita é o espírita cristão, por ser cristã a essência da mensagem espírita. Emmanuel vai mais além; segundo este iluminado Espírito, espiritismo sem Evangelho é nau sem rumo, é pura expressão fenomênica sem a verticalização necessária que nos conduz ao objetivo maior de iluminação própria.
Podemos ainda transcender mais dizendo que, do mesmo modo que o ensino oral antecede a lição escrita, o Espírito é anterior à matéria e as conquistas daquele devem ser prioritárias em relação às desta.
Quando desejamos avançar sob a ótica de espiritualidade a retaguarda que ainda grita em nós tenta de toda forma perturbar corrompendo nosso estado de alma superior. É o homem velho, que no texto está representado pelos judaizantes, que não conseguindo mais deter o avanço do que é espiritual busca diminuir nossas conquistas e subverter nossos valores essenciais. Há necessidade nestes momentos de vigilância e oração, pois se até em nossa intimidade temos estas dificuldades, o que não poderemos então dizer no que diz respeito às pessoas com quem convivemos?
Não nos enganemos, só há um Evangelho, o do Bem, e é a este que devemos seguir.

Entretanto, se alguém – ainda que nós mesmos ou um anjo do céu – vos anunciar um Evangelho diferente do que vos tenho anunciado, seja anátema. Como já vo-lo dissemos, volto a dize-lo agora: se alguém vos anunciar um Evangelho diferente do que recebeste, seja anátema.
 
Para Paulo o mais importante, o que está acima de tudo, é o Evangelho; é a essência da mensagem deixada pelo Cristo. Portanto, afirma ele, se alguém, seja quem for, até mesmo ele ou um anjo do céu, não importa quem, contradisser o Evangelho, seja este excluído como mensageiro do Senhor. Não ele como pessoa, mas a idéia que defende. Em sua primeira carta aos coríntios[2] deixa claro que mesmo estes serão redimidos no Dia do Senhor. Portanto, é a mesma idéia veiculada por Jesus, não devemos condenar aquele que erra, mas o erro.
Paulo estava assim, ensinando aos gálatas, como a todos os cristãos, que não importa quem traz o ensinamento, o que vale é a qualidade deste. Para que possamos avaliar, tenhamos sempre por norma o cerne da mensagem de Jesus, que para nós, particularmente, está no Sermão do Monte. Assim, dizemos, se contraria o Sermão do Monte, tenhamos cuidado, se está de acordo com o que o Cristo proclamou no iluminado texto narrado por Mateus, sigamo-lo com dedicação.
A mesma norma vale hoje para nós os espíritas que sempre estamos a avaliar mensagens que nos são trazidas por espíritos diversos. Se estiverem coerentes com o ensinamento de Jesus e com a Codificação Espírita, não façamos oposição, todavia, se houver contradição com a moral espírita cristã, avaliemos melhor, pois nem todos os Espíritos são mensageiros de Deus conforme já nos alertava o discípulo amado em sua primeira epístola.
Para mostrar a gravidade daquele que usa do próprio Evangelho para contrariar o que Jesus realmente ensinou – e isso é mais comum do que possamos supor – Paulo usa uma forte expressão: seja anátema.
No antigo Testamento esta expressão deriva do hebraico herem que significa que toda presa de guerra deveria ser sacrificada e atribuída a Deus, era um ato religioso, uma regra da guerra santa, que cumpre uma ordem divina (Bíblia de Jerusalém, pág., 344). No Novo Testamento representa uma maldição que se volta sempre contra aquele que age contrariamente à Lei de Deus. Devemos entendê-la como uma reprovação enérgica, aqui no caso, a todo aquele que contraria o Evangelho, e em especialmente o que usa do próprio Evangelho para justificar suas posições de interesse pessoal.

[1] Cf.  Romanos, 1: 1
[2] 1 Coríntios, 5: 5

Extraído do Livro "O Evangelho de Paulo" (A publicar)

sexta-feira, julho 02, 2010

MATEUS, 24: 7 A 14



Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. 8 Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9 Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. 10 Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão. 11 E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. 12 E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará. 13 Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. 14E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.
Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino … - Nação é um agrupamento humano, mais ou menos numeroso, cujos membros, geralmente fixados num território, são ligados por laços históricos, culturais, econômicos ou linguísticos. Reino é uma monarquia governada por um rei, regente, rainha, etc.
Trazendo para o campo íntimo, podemos colocar nação como representando nossos sentimentos mais sedimentados, e reino como os valores passageiros que cultivamos. Os reinos são normalmente mais suscetíveis de mudança, basta cair um rei para que, muitas vezes a monarquia fique comprometida, entretanto a nação continua sendo a mesma.
Neste momento predito pelo Cristo como final de ciclo, analisando o campo íntimo, vamos observar - mesmo entre aqueles sentimentos que já cultivamos a mais tempo e que julgamos estarem em um bom patamar em termos morais -, uma tendência a um conflito, como dissemos anteriormente, pois a evolução é infinita, e a cada nova conquista, nossa consciência realiza uma aferição própria selecionando o que devemos continuar cultivando, e o que devemos mudar. Nestes dias haverá guerras, rumores de guerras, lutas entre nações e reinos no plano exterior, mas tudo isso como consequência destas lutas interiores; aliás, são estas que importam serem analisadas, pois resolvendo as inquietudes íntimas, tudo o mais será devidamente administrado e compreendido. Esta mensagem é a mesma que está contida no dizer do Mestre:

Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.
A espada aqui dizendo-nos não do instrumento cortante que fere o próximo, mas daquele que leva-nos à luta contra nossas próprias imperfeições.
…e haverá fomes, e pestes…Fome significa carência de alimento, miséria, falta do necessário; peste é doença contagiosa, epidemia. Ambas significam para o Espírito momentos de grandes dificuldades, de dores, de testes sem os quais ele não pode passar de uma etapa evolutiva a outra. Por isto são características destes dias de transição.
Tanto a fome, quanto a peste têm sua gênese na imperfeição moral, pois se não houvesse o desequilíbrio gerado por ela, não haveria a necessidade do resgate e dos ajustes provocados pelos momentos de calamidades. É a ira no dia da ira de que nos fala Paulo:
Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus
Ou de outra forma, a Lei de Deus nos dando a oportunidade do encontro com as nossas próprias obras.
Nestes dias de grandes aferições reconheceremos que o grande alimento de que temos necessidade é aquele dito pelo Mestre no capítulo 4 do Evangelho de João:

Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.
É deste alimento que temos grande fome, e por causa disto estamos sujeitos a pestes de todas as espécies.
…e terremotos, em vários lugares. – Se o tremor de terra no plano exterior é algo que nos atormenta pelas consequências advindas dele, no plano íntimo é ainda pior. A falta de segurança gerada pelo afastamento do Ser das Leis Divinas é algo que aterroriza o Espírito onde quer que ele esteja, em vários lugares… Pois o Deus presente quer manifestar-se, e impossibilitado pelas ações contrárias ao bem, gera na consciência uma angústia só superada, quando restabelecida a paz do dever cumprido, ou da volta aos caminhos do Senhor.

…mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu (…) este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

Mas todas essas coisas são o princípio das dores.

Mas todas essas coisas… - Todas essas coisas são as situações enfrentadas pela criatura no plano de sua evolução, haverão de acontecer estas narradas por Jesus, e muitas outras; só aquele que passa pela situação é que sabe a dor e a alegria de ser o que é.
…são o princípio das dores. – Segundo o Professor Pastorino a tradução correta é o princípio das dores do parto, não simplesmente dores. Segundo ele, o termo grego arché ôdinôn exprime uma dor que tem, como resultado, um evento feliz, um avanço, uma criação física ou mental.

Desta forma, a interpretação que estamos fazendo, está coerente com o dizer de Jesus; ou seja, as lutas necessárias que marcam este momento de transição, sejam no plano íntimo ou exterior, são motivos de alegria, pois, como a dor do parto, é prenúncio de um nascimento; do novo homem em bases renovadas por uma moral superior.

Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome.

Então,… - Como consequência. A transformação de uns, gera, por inveja ou incompreensão, a insatisfação de outros.
…vos hão de entregar para serdes atormentados… - O Ser menos evoluído não consegue por sua natureza, e pelo seu grau de entendimento, saber o que move aquele que é mais espiritualizado a agir, buscando valores, que para ele são incompreensíveis; desta forma, não entendendo condena. Julga que, aquele que age diferente de si, e também da maioria, é um alienado, e chega a taxá-lo até mesmo de deficiente mental. E quando este, mais espiritualizado, consegue atrair a atenção de outros, fazendo-os ver a realidade da vida, ele sente-se ameaçado, e como, por ter lutado pelo poder transitório, o conseguiu, usa-o para fazer sofrer aquele que lhe opõe; atormenta-o, jogando contra ele toda a multidão, que por achar-se também em condição inferior, do mesmo modo não o entende, fazendo-o desta forma, passar por momentos de dor e sofrimento.
…e matar-vos-ão… - Buscarão eliminá-lo. Como para eles só o que é físico importa, tentarão de toda forma sacrificá-lo fisicamente. Assim agindo, pensam ficar livre da incômoda posição; não sabem que a Lei é justiça, mais cedo ou mais tarde estarão defronte da mesma necessidade, só que aumentada; e também desconhecem, que extirpando o físico, fortalecem o espiritual; o que vai por vias indevidas, volta ainda mais soberano.
…e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. – Aquele que age visando as questões espirituais – por causa do meu nome -, pratica a Sabedoria, opõe-se aos valores do mundo. Assim, é por ele odiado, isto é, por todas as gentes. É que agir em nome do Cristo, é viver como ele viveu, ou seja, amando acima de todos os limites, não valorizando em nada, o que é transitório. Em um tempo que só a riqueza dava poder, Ele disse:

Bem aventurados os pobres
Bem aventurados vós, que agora tendes fome…
Bem aventurados vós, que agora chorais…
Por isso Ele foi taxativo:
Sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome.
E isto aconteceu antes, aconteceu àquele tempo, e acontece hoje, nestes dias em que chamamos, final dos tempos.

Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão.


Nesse tempo…- É quando estas coisas acontecerem, é um tempo demarcado, exato: nesse.
Se no plano exterior elas aconteceram numa determinada época, e ainda acontecem, no plano íntimo vige em cada um de acordo com seu momento evolucional. Porém, serão sempre marcadas por dificuldades que visam, não simplesmente trazer sofrimento, mas testar cada um despertando a potência espiritual latente. É o aguilhão promovendo o progresso em bases espirituais.
…muitos serão escandalizados… - Muitos é indefinido, não se sabe quantos, mas não serão poucos, muitos significa em grande número. Serão escandalizados, isto é, ofendidos, melindrados, ou ainda, ridicularizados. É que nestes momentos, tudo vem à tona:

Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.
Serão escandalizados porque têm ainda algo a resgatar. Para que possamos passar de uma fase a outra, é preciso quitar o que ficou para trás; só nos é dado mais crédito, se liquidarmos com as antigas dívidas. Este é o ensinamento simbólico da virgem que deu à luz o Cristo; para que o Filho do Homem possa nascer em nós, é preciso nos fazer virgens, isto é, sem pecado.
…e trair-se-ão uns aos outros… - A traição é uma deslealdade praticada onde existe confiança, é uma quebra de contrato, um débito gerado de difícil quitação. Muitas vezes por um momento de invigilância, ou por um interesse obsessivo, geramos dores que serão resgatadas somente no desenvolver dos séculos, às custas de sofrimentos ainda maiores.
Como o instante – este predito por Jesus - é de definição, muitas amizades também serão testadas. Será o momento em que as falsidades aparecerão, e que muitos, para não perderem sua posição privilegiada no "mundo das coisas", lutarão contra seus próprios aliados, visando salvar o que julga ser seu. Assim, trair-se-ão uns aos outros, lutarão entre si; o pai estará dividido contra o filho, e o filho, contra o pai, a mãe, contra a filha, e a filha, contra a mãe, a sogra, contra sua nora, e a nora, contra sua sogra.
…e uns aos outros se aborrecerão. – Não será um aborrecimento unilateral, pois os interesses sendo contrários todos se sentirão incomodados. Do mesmo modo que o que está em atraso importuna o que vai adiante, este também perturba aquele.
Daí a necessidade da seleção, dos olhos de ver, pois todos os nossos sofrimentos foram gerados por nosso próprio proceder, e o aborrecimento que julgamos injusto, se analisarmos bem, tem sua razão de ser. O que é bom para nós hoje, terá de ser também amanhã, caso contrário, é melhor buscarmos outra situação.

E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.
 E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. – Mais uma vez Jesus nos convida à vigilância. Em versículo anterior, ele já nos dissera que muitos viriam em Seu nome dizendo ser o próprio Cristo, e que estes enganariam a muitos. Aqui ele nos alerta contra os falsos profetas, o que parece ser a mesma coisa, não é. No primeiro caso, aqueles que assim agem, demonstram uma certa imaturidade, pois tentam se passar pelo próprio Cristo, sendo desta forma mais fácil reconhecermos o engano, mas mesmo assim Jesus disse que enganariam a muitos. Aqui, a questão é mais sutil, estes se dizem profetas, podem na realidade fazer-se de mensageiros do Senhor, dizendo que pregam a mesma doutrina, tentando deste modo arrebanhar as massas. Só que Jesus diz serem estes, falsos profetas, e que também enganarão a muitos. Deste modo, tenhamos cautela, antes de nos vincularmos a qualquer pessoa, seita, ou nova filosofia; lembremos que importa-nos analisar não só as palavras daqueles que se dizem enviados, mas principalmente seus atos. Se em qualquer atitude contrariarem a Mensagem do Monte, ou os virmos agindo em interesse próprio, contra o bem geral, lembremos do alerta do Mestre:

Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos.
E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.


E, por se multiplicar a iniquidade… - Iniquidade é uma ação contrária à equidade, ou à justiça.
Mesmo antes de Jesus, já nos ensinava o belo livro Eclesiástico:

Quando um homem é feliz, mesmo aquele que o odeia é seu amigo; na sua adversidade até o amigo desaparece.
Nos momentos de dificuldade que marcam estes "finais de tempos", a grande maioria das criaturas, por ainda não estarem familiarizadas com a vivência evangélica, tendem a defender somente os próprios interesses, desta forma, quando se veem privados de algo que valorizam, ou em alguma situação embaraçosa, esquecem as noções de justiça, e agem buscando impor-se pela força ou pelo poder de que dispõem. Tal atitude faz crescer a maldade, principalmente porque aqueles que detêm a autoridade, e que deveriam dar o exemplo de procedimento moral, são os primeiros a agirem de forma inequívoca, fazendo assim, como afirma o próprio Mestre, multiplicar a iniquidade.
Assim, temos hoje na humanidade:
A corrupção dominando corações tanto em cima, quanto em baixo;
A má distribuição de renda, fruto do amor não praticado, alimentando a violência e cerceando o processo educativo;
A pobreza e a fome caracterizando o nosso orbe, como ainda bastante atrasado.
…o amor de muitos se esfriará. – Tais acontecimentos criarão, entre aqueles que ainda não estão amadurecidos, ou entre aqueles que iniciam-se no caminho do bem, um mal estar que os levará a, em nome da justiça – que ainda não é a verdadeira – a agirem do mesmo modo; ou seja, a esquecerem o amor evangélico que ensina que em qualquer situação deve-se esquecer o mal e fazer somente o bem.
Por isso, Jesus afirma que o amor de muitos se esfriará, mas é preciso que levemos em conta, que tal só acontece com aqueles que ainda não possuem o amor verdadeiro que tudo releva.
A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho…
A caridade jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá.

Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.


Mas… – A conjunção mas, aqui expressa uma oposição ao que estava sendo dito. Haverá um esfriamento do amor de muitos, mas…; isto é, todavia…
Mostrando-nos, desta forma, que sempre há uma maneira de nos comportarmos positivamente; que se seguirmos o Evangelho, sempre nos daremos bem. Aliás, o que distingue o seguidor do Cristo das outras criaturas, é justamente o amor que ele manifesta mesmo quando atacado, ou, quando a situação não lhe é favorável de modo algum.
…aquele…– Não será qualquer um, mas aquele que agir do modo proposto.
…a cada um segundo as suas obras. É a particularidade do processo evolutivo.
…que perseverar até ao fim será salvo.Perseverar é manter-se firme e constante, persistir. Jesus aqui se refere àqueles que, mesmo sofrendo a iniquidade, mantêm-se no Bem, na vivência evangélica. É imperioso perseverar, porém nas boas atitudes.
Persistir, prosseguir, até quando? Até quando devo ser injustiçado e me manter equilibrado?
Jesus é taxativo: até ao fim; isto é, até vencermos a dificuldade que ainda impera em nossa intimidade. Não podemos esquecer, que se algo ainda nos incomoda, se ainda nos sentimos injustiçados, é porque, de uma forma ou de outra ainda achamo-nos vinculados ao problema. Quando vencemos a situação, ela não mais nos perturba.
Será salvo, isto é, se libertará. Será salvo, porque superou a dificuldade, porque trocou o mal pelo bem, porque mudando de atitude, fez-se merecedor de algo melhor.
Não há magia no desenvolvimento da vida, muito menos imparcialidade ou protecionismo, se alguém consegue algo, é porque fez jus; se, se libertou é porque venceu a etapa proposta.
A partir desta compreensão, Jesus deixa de ser o salvador de fora para dentro, passando a ser o que indica o caminho por já tê-lo percorrido; na realidade, será salvo aquele que perseverar até o fim, ou seja, a própria criatura, cristianizando-se, é que se salva.

Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.
E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.


E este evangelho do Reino… - A palavra Evangelho vem do grego euangélion, que quer dizer boa nova, ou boa notícia. Ao dizer, este evangelho do Reino, Jesus falava da Doutrina que Ele ensinava; portanto, do mesmo modo que não podemos confundir o mapa com o território, ou a partitura com a música, não podemos entender por Evangelho, o livro, e sim o conteúdo do livro, ou ainda, a essência da mensagem. Esta mensagem é a do Amor Universal, não importa vestido de qual religião está, em qual tradução ou língua.
Toda vez que referirmos a uma moral coerente com a mensagem do Sermão do Monte, é deste Evangelho do Reino que estamos falando.
…será pregado em todo o mundo… - Será pregado ou proclamado a todas as pessoas, isto é, Jesus será reconhecido por todos e a Sua missão será finalmente entendida. Hoje, apenas uma parcela da humanidade conhece Jesus, mas haverá um momento em que todos O terão como Guia e Modelo.
No plano íntimo isto se dará quando definitivamente acolhermos em nosso interior, como verdade, a mansa e revolucionária Notícia trazida pelo Meigo Rabi da Galileia. Aí, todo o nosso mundo íntimo estará renovado, e como consequência, o exterior também modificará, e para melhor.
… em testemunho a todas as gentes…
- Aqui, Jesus dá-nos a forma correta de divulgar o Seu Evangelho: em testemunho a todas as gentes, ou seja, testemunhando o que se prega, vivenciando a mensagem libertadora, simplesmente sendo coerente. E para que ele seja "pregado em todo o mundo", a vivência tem de ser com todas as gentes, sem acepção de pessoas, de credos ou de cor. Não é só, sermos cristãos com aqueles que comungam nossos ideais não, é principalmente praticar a caridade com os que nos são desafetos, com os que pensam diferente, com aqueles que de nós mais exigem.

Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
…e então virá o fim. – Todos os acontecimentos estão dentro da Ordem Natural, sendo assim, tudo tem o seu tempo; começo, meio e fim. O fim só vem quando é chegado a hora, ou, depois do começo e do meio.
Anteriormente analisamos a expressão fim do mundo, conforme anotado pelo evangelista no versículo três deste capítulo, como sendo fim de um tempo, ou de um ciclo. Este tempo só chegará ao seu final quando já tiver cumprido o seu papel diante da vida, tudo acontece desta forma. Ora, o objetivo da Vida é nos impulsionar para adiante; despertar de nosso interior, o espiritual que lá existe. Ao dizer que o fim se dará quando o Evangelho for pregado em todo o mundo, Jesus quer justamente dizer, que só quando estivermos amadurecidos o suficiente, e vivenciando plenamente Seus Ensinamentos, é que seremos promovidos a uma nova etapa, então virá o fim, não do mundo, mas do nosso mundo ainda egoísta, mesquinho e pessoal.

Se hoje, com toda a evolução das leis sociais, sair em defesa dos menos favorecidos gera problemas, imagina o que não aconteceu há dois mil anos?

(Extraído do livro "O Sermão Profético", Editora Itapuã)

segunda-feira, maio 10, 2010

Mediunidade

Conceito e Histórico

Mediunidade é a faculdade de intermediar o plano físico e o plano espiritual. É uma faculdade orgânica, e não constitui patrimônio especial de grupos nem privilégio de castas.[1]
O Médium é aquele que serve de instrumento entre os dois planos da vida.
De modo geral, podemos afirmar que todos somos médiuns, porque pelo simples fato de sofrermos influência de Espíritos, já estamos exercendo nossa mediunidade. De maneira mais específica, quanto à acentuação da faculdade, podemos salientar que a mediunidade é faculdade de poucos.
Em todos os tempos, a mediunidade revelou ao homem a existência do plano espiritual, por isso é vero afirmar que o fenômeno mediúnico não nasceu com o Espiritismo, e sim que existe desde as mais remotas eras da vida humana no planeta. Temos notícias das comunicações mediúnicas desde o homem primitivo caracterizando o mediunismo, passando por vários povos até atingir o rigor científico do século XIX.
As musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como, os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Os feiticeiros, magos, adivinhos, e posteriormente oráculos, pítons e taumaturgos, eram todos médiuns mesmo que usando outras designações.
O profetismo em Israel tem sua origem em Moisés. No Velho Testamento, encontramos várias passagens em que o grande legislador conversa com Deus. É lógico que a conversa não é com o Criador, mas com um Espírito mensageiro de Deus. Porque Deus não entra em contato direto com os homens, mas para tal faz uso de Espíritos superiores que funcionam como intermediários entre Ele o os Espíritos de nosso nível evolutivo.
Para ilustrar, transcrevemos abaixo uma passagem do livro “Êxodo”, em que tal fato acontece:
“E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo no meio duma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia; pelo que disse: Agora me virarei para lá e verei esta maravilha, e porque a sarça não se queima.
E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui.
Prosseguiu Deus: Não te chegues para cá (...)”[2]
Notamos que no princípio o narrador bíblico diz ser o “anjo do Senhor”, e depois o próprio Deus.
Essas confusões acontecem devido à falta de informação a respeito do tema. Informação que só a Doutrina Espírita, com o seu estudo sistematizado, pôde oferecer.
Moisés é um médium espetacular. Em muitos momentos ele vê, em outros ele ouve, e até fenômenos de efeitos físicos ele realiza com muita naturalidade.
É muito comum ouvir de irmãos nossos de outras religiões, a afirmação de que o Espiritismo encontra-se em erro diante de Deus, porque Moisés proibiu o exercício da mediunidade. Vejamos a citação bíblica a que eles se referem:
“Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.
Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti
Perfeito serás para com o Senhor teu Deus.
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém, quanto a ti, o Senhor teu Deus não te permitiu tal coisa.”[3]
Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer que se Moisés proibiu, é porque a mediunidade existe; ninguém proíbe algo que inexiste. Depois, podemos afirmar que o que Moisés proibiu o Espiritismo também condena, que é o mau uso desta faculdade.[4]
Quanto à mediunidade em si, ele mesmo, Moisés, deu várias provas de que a aprovava. Vejamos a seguinte passagem do livro “Números”:
“Mas no arraial ficaram dois homens; chamava-se um Eldade, e o outro Medade; e repousou sobre eles o espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram para irem à tenda; e profetizavam no arraial.
Correu, pois um moço, e o anunciou a Moisés, dizendo: Eldade e Medade profetizaram no arraial.
Então Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um de seus mancebos escolhidos, respondeu e disse: Meu Senhor Moisés, proíbe-lho
Moisés, porém, disse-lhe: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles!” [5]
Desta forma, fica claro que Moisés não só não proíbe a mediunidade, como até dela faz uso.
Mas a mediunidade chega ao seu ápice com Jesus, porque o Mestre não foi um médium comum, mas o “Excelso Médium de Deus”. Por seu intermédio, toda a Lei Divina se fez visível, e o seu grau de sintonia com o Pai era tal, que Ele mesmo nos afirmou: “Eu e o Pai somos um”.[6]
O Cristianismo, desde a Ressurreição até o Concílio de Nicéia, fez uso constante da Mediunidade. Através deste concílio realizado no ano 325 de nossa era, na cidade de Constantinopla, foi condenado o uso da mediunidade e outros pontos mantidos pelos primeiros cristãos, dando início à desagregação e à decomposição do Cristianismo em suas legítimas bases. A mediunidade marcou profundamente o “Movimento de Jesus” desde o dia de Pentecostes.
Na Idade Média, época de obscurantismo, os médiuns são perseguidos e maltratados como feiticeiros. Temos como exemplo a excepcional Médium Joana D’Arc, que em todos os lugares era inspirada por seres invisíveis, escutava suas vozes, e por eles deixava-se dirigir, tornando-se assim a “Heróica Virgem de Domremy”.
Podemos citar ainda como expoentes significativos da mediunidade, Dante Alighieri, que sob influência espiritual escreveu “A Divina Comédia”, Goethe e sua obra mediúnica “O Fausto”, e mais tarde, os já conhecidos dos espíritas, Emmanuel Swedenborg, Andrew Jackson Davis, Eusápia Paladino, entre outros.
Este breve relato mostra assim que a mediunidade é imanente no próprio homem.
Talvez por isso, o Cristo, em toda a sua sabedoria, afirma ao apóstolo Pedro:
“Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (...)”[7]

Quanto aos tipos, a mediunidade pode ser classificada em:
Mediunidade de efeitos físicos e mediunidade de efeitos inteligentes.

Mediunidade de Efeitos Físicos

É aquela em que a ação dos Espíritos produz efeitos na matéria. Estes fenômenos sensibilizam diretamente os órgãos dos sentidos dos observadores. Por isto, esses fenômenos são também chamados de materiais ou objetivos.
Podemos classificá-los desta maneira:
  • Sonoros: Vão desde os simples “raps”(pancadas secas) até os estrondos, passando pelos fenômenos em que é produzida música, sem haver instrumentos no local. Quando podemos formar com estes efeitos sonoros uma linguagem através de códigos, temos a tiptologia que, por sua vez, pode ser:
    • Interior: Pancadas produzidas no interior do objeto, sem movimento externo.
    • Bascular: Com movimento de objeto para dar as pancadas, por exemplo, mesa que bate com um dos pés.
    • Alfabética:  Quando as pancadas produzidas mostram a letra desejada do alfabeto.
  • Sematologia: Quando as luzes, os sons ou o movimento dos objetos deixam transparecer uma vontade ou intenção ou um determinado sentimento.
  •   Luminosos: Produção de centelhas, clarões e luzes.  Motores: Movimentação de corpos inertes, sem qualquer contato físico ou outro meio material. Nesta categoria de fenômenos, destacam-se:
  • Ø  Levitação: Um ser ou objeto é suspenso no ar, aparentemente contrariando a lei da gravidade.
  • Ø  Transporte: Quando um ser ou objeto é levado de um local para  outro.
  • Ø  Materialização: Formação (parcial ou total) de coisas ou corpos. Normalmente são temporárias.
  • Ø  Transfiguração: É a modificação dos traços fisionômicos do médium ou do seu aspecto geral.
  • Ø  Voz Direta: Produção de sons correspondentes à voz humana, articulada e audível por todos os presentes.
  • Ø  Escrita Direta: Trata-se da produção de escrita sem o concurso de mãos humanas.

Mediunidade de Efeitos Inteligentes

Estes efeitos são também chamados intelectuais ou subjetivos, porque os fenômenos ocorrem na esfera subjetiva do médium. Desta forma, não ferindo os cinco sentidos do médium, não são todos que os percebem.
Podemos dividi-la em:
Ø  Intuitiva: Quando o médium percebe a realidade do plano espiritual ou pensamentos dos Espíritos, mas somente pela intuição.
Ø  Vidência: Permite aos médiuns ver os Espíritos. Uns gozam desta faculdade em estado normal, ou seja, de vigília, outros só a possuem em estado de sonambulismo.
Ø  Audiência: É a faculdade de ouvir a “voz” dos Espíritos.
Ø  Psicometria: Através deste tipo de mediunidade, o médium consegue, pela captação da energia impregnada nos objetos, informações históricas dos seres ligados a este objeto ou dos próprios objetos.
Ø  Psicofonia: O Espírito fala, usando o aparelho físico do médium. Este, por sua vez, transmite as comunicações de forma mais ou menos consciente, de acordo com a categoria de sua mediunidade. Queremos sempre lembrar que não há incorporação do Espírito, mas que esse age sobre a corrente nervosa do médium.
Ø  Psicografia: É a mediunidade que permite ao médium escrever sob a influência do Espírito. Através deste método, os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau de aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade.
Ø  Podemos classificá-la desta forma:
Ø  Mecânica: O médium age em um certo grau de inconsciência, que é como se o Espírito dirigisse a sua mão, independente da sua vontade. No entanto, o médium permanece vigilante em Espírito durante a comunicação, podendo retomar o controle de suas faculdades no momento que lhe aprouver.
Ø  Semi-Mecânica: O médium sente que a sua mão é impulsionada pelo Espírito, mas tem consciência do que escreve, à medida que as palavras são formadas, e o controle é maior de sua parte.
Ø  Intuitiva: Como o próprio nome diz, é uma comunicação intuitiva. O Espírito não atua sobre a mão do médium, mas sobre a sua alma. Esta dirige a sua mão, que por sua vez dirige o lápis.


Tendo o Espiritismo como objetivo, reviver o Evangelho de Jesus, e sendo a mediunidade um de seus instrumentos, só podemos pensar em mediunidade se for com Jesus, ou seja, mediunidade em favor do próximo.
Reconhecerás que não reténs com ela um distrito de entretenimento ou vantagens pessoais e sim um templo-oficina (…)[8].
Através deste ensinamento, nosso instrutor Emmanuel destaca o caráter de trabalho da mediunidade. “Oficina” é local de trabalho, de consertar ou de fazer da maneira correta. E se a oficina produzir só para o seu dono, de que é que ele vai viver? Portanto, a oficina tem de gerar o bem para a comunidade. Da mesma forma, a mediunidade deve ser exercida com o pensamento, visando o bem de nosso semelhante. No templo é onde tratamos as questões espirituais, é onde nos encontramos com o Criador. Por isto Emmanuel trata a mediunidade como “templo-oficina”, ou seja, trabalho realizado com fins espirituais, sabendo sempre que quem dirige não é o elemento encarnado, mas os Espíritos trabalhadores da Seara do Cristo.
“Através do qual os benfeitores desencarnados se aproximam dos homens, continua Emmanuel, tão diretamente quanto lhes é possível, apontando-lhes rumo certo ou lenindo-lhes os sofrimentos, tanto quanto lhe utilizarás os recursos para socorrer desencarnados, que esperam ansiosamente quem lhes estenda uma luz ao coração desorientado.”[9]
Consolar e esclarecer são outros objetivos da mediunidade, como da própria Doutrina Espírita.
Quando o Cristo se manifestou a respeito do Espiritismo, tratou-o como “O Consolador” e disse que ele nos ensinaria todas as coisas:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.(...)
Mas o Consolador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.”[10]
E a mediunidade realmente tem esclarecido muitas coisas. Só a revelação do plano espiritual por si só bastava, mas não para por aí, ela tem nos antecipado muitos conhecimentos que mais tarde a Ciência poderá confirmar, e outros que ainda virão.
Quanto à consolação, que diga aquele que achando ter um ente querido desaparecido por vias da morte, recebe dele, com toda confirmação, uma comunicação dizendo não estar ele morto, mas em outro plano da mesma vida, e muito mais próximo que possa qualquer um de nós supor.
Se o auxílio é sempre grande de lá para cá, não menos é daqui para lá. É muito comum Espíritos desencarnados em desequilíbrio receberem auxílio e orientação através de reuniões realizadas em nossos Centros Espíritas.
Podemos então, concluindo, enumerar alguns objetivos da mediunidade:

Para os encarnados:
Ø  Cooperação no serviço de reconforto e esclarecimento.
Ø  Autoeducação, pela renovação dos sentimentos e pela oportunidade de trabalho, que quando bem executado, em muito eleva o Espírito.
Ø  Construção de afeições muito valiosas no plano espiritual, consolidadas em base de cooperação e amizade superior.
Ø  Conhecimento do plano espiritual, o que muito lhe auxiliará quando do seu desencarne.
Para os Desencarnados:
Ø  Melhor entendimento do processo evolutivo a que todos estamos sujeitos, nos dois planos da vida.
Ø  Aqueles que sofrem pela falta de entendimento da nova vida, têm na mediunidade oportunidade segura de melhor compreender sua situação, e assim programar atitudes renovadoras.
Ø  Transmissão aos encarnados de valiosos ensinamentos ministrados por Espíritos de alta hierarquia espiritual.
Poderíamos ainda, enunciar muitos outros objetivos desta Divina faculdade, mas essas, no nosso entender, já são suficientes para mostrar a excelsitude da mediunidade.
Para finalizar, algumas palavras do bondoso Espírito Emmanuel, para nossa meditação:
“Terás a mediunidade por flama de amor e serviço, abençoando e auxiliando onde estejas, em nome da Excelsa Providência, que te fez semelhante concessão por empréstimo. E nos dias em que esse ministério de luz te pese demasiado nos ombros, volta-te para o Cristo, o Divino Instrumento de Deus na Terra, e perceberás, feliz, que o coração crucificado por devotamento ao bem de todos, conquanto pareça vencido, carrega em triunfo a consciência tranqüila do vencedor.”[11]
O passe é uma transfusão de fluidos de um ser para outro. Desta forma, o passe é uma fluidoterapia.
Antes de entrarmos no estudo do passe propriamente dito, gostaríamos de tecer alguns comentários sobre os fluidos.
Do ponto de vista da ciência oficial, fluido é a denominação da fase não sólida da matéria. O dicionário Aurélio traz a seguinte informação: Diz-se das substâncias líquidas ou gasosas.
À luz do Espiritismo, este conceito se torna mais amplo.
A matéria, à medida em que se torna mais rarefeita, fica invisível aos nossos olhos, tomando aspectos mais sutis, a que denominamos fluidos.
No livro, Do Sistema Nervoso à Mediunidade, o Dr. Ary Lex diz que:
“À medida que se rarefaz, ganha (a matéria) novas propriedades, entre as quais uma irradiação progressivamente maior, tomando uma forma de energia. A física moderna praticamente derrubou a separação rígida entre a matéria e a energia, considerando-as substancialmente, a mesma coisa, em graus de concentração e estrutura diferentes.”[12]
Assim, podemos dizer que fluido é um tipo de matéria ultra-rarefeita e formas de energia.
Fluido Cósmico Universal: Como sabemos, toda a matéria que existe, é oriunda do “Fluido Cósmico Universal” que, segundo André Luiz, é o “plasma divino”.[13]
Sua natureza nos é desconhecida, e apresenta-se em estados que vão da imponderabilidade à condensação.
Fluidos Espirituais: São os fluidos que formam a atmosfera do plano espiritual. Desses fluidos é extraída a “matéria” do mundo invisível.
Fluidos Perispirituais: São os fluidos absorvidos, assimilados e individualizados pelo perispírito. Possuem características próprias, podendo por isto ser distinguidos dos demais. Esses fluidos circulam no perispírito sob o comando da mente. São eles que formam a “Aura”.
Fluido (ou Princípio) Vital: É o agente da vida orgânica, e sua união com a matéria é que animaliza esta. Como todos os outros, também tem como fonte o Fluido Cósmico Universal.
Os Espíritos podem agir sobre os fluidos. É pelo pensamento que eles o fazem. Esta ação pode ser consciente ou inconsciente, visto que basta pensar para exercer influência sobre eles. E é através deste agir que podemos dar qualidade aos fluidos, que por si só são neutros.
 Voltando ao conceito de passe, agora entendendo que o passe seja uma transfusão de fluidos de um ser para o outro.
Este tratamento através dos fluidos, é utilizado desde as eras mais remotas da humanidade.
Para nos referirmos apenas à era cristã, vemos a utilização do passe com base das curas realizadas por Jesus, e depois pelos primeiros cristãos.

Mecanismo do Passe
Quanto ao mecanismo do passe, as ocorrências mais importantes são: o pensamento (fazendo a sintonia com a espiritualidade encarregada do trabalho), a vontade e a condição receptiva tanto do passista, quanto do paciente.
Através do pensamento e da vontade, o passista capta os fluidos e os direciona para o assistido. Mas, se esse não estiver preparado no que diz respeito a uma boa condição receptiva, o passe torna-se sem efeito.
Além do preparo por parte de ambos, tem de haver um clima de confiança entre os dois, formando assim um elo, onde o auxílio possa se fazer na proporção do crédito de cada um.
Quanto à forma de se aplicar o passe, o fator externo pouco importa, o que vale mais, como já dissemos, é a sintonia, a vontade e a condição receptiva dos envolvidos no processo.

Preparo do Médium e do Paciente
É muito comum, quando se fala em passe, pensar no preparo só do médium. Mas e o paciente, é preciso um preparo também por parte deste?
Ora, se o passe é uma transfusão de energias fisiopsíquicas, é preciso que tanto o doador como o receptor estejam preparados, porque se não houver sintonia por parte de um dos envolvidos, este fica prejudicado por não poder fazer parte da cadeia espiritual, ficando desta forma isolado no processo.
O que é realmente importante como preparo?
Se estamos falando de coisas espirituais, o preparo deve ser espiritual. Como o passe é fisiopsíquico, temos de nos preparar tanto no campo físico como no espiritual.
Portanto, devemos cultivar:
Boa vontade, sentimentos de amor, prece, mente equilibrada, fé, etc.. É importante também alimentação adequada, descanso físico e saúde equilibrada.
Como conseqüência, são fatores negativos:
As mágoas, as paixões, alimentos pesados, alcoólicos, desequilíbrio nervoso, inquietude, entre outros.
Outro fator também muito importante é a disciplina no que diz respeito ao horário. Por se tratar de assunto que envolve também, e principalmente, a espiritualidade, a disciplina é fator essencial.

Tipos de Passe
No que diz respeito ao tipo, o passe pode ser classificado da seguinte forma:
Magnético: Quando ministrado somente com os recursos magnéticos do passista, embora seja quase impossível a existência deste tipo de passe, pois o próprio Jesus afirmou: Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.[14]
Espiritual: É o passe ministrado somente pelos Espíritos, usando seus próprios fluidos sem a colaboração de médiuns.
Qualquer um de nós, desde que se faça merecedor, pode receber este passe. Basta orar e colocar-se em receptividade.
Humano Espiritual: É o passe dado através da combinação de fluidos do Espírito e do passista.
Este é o mais usual entre os tipos de passe. É através dele que o médium tem a grande oportunidade do trabalho.
Mediúnico: É quando o Espírito desencarnado se manifesta durante o passe.
Este tipo não é aconselhável, visto o ambiente do passe não ser ideal para manifestação mediúnica, pela falta de controle, por parte do dirigente, do teor das comunicações, entre outros motivos.
O passe ainda pode ser classificado sob o aspecto da presença ou ausência do paciente:
O direto é dado na presença física daquele que recebe.
 À distância, o enfermo está ausente. O médium, neste caso, ora e pede o passe em favor da pessoa que está distante, e a espiritualidade, conforme a vontade do Pai, aplica-o.
É importante, em um estudo sobre o passe, falar um pouco a respeito da água fluidificada, pois essa é um dos maiores recursos nos tratamentos fluidoterápicos.
Para tal, recorremos a uma mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier, em sessão pública na noite de 05/06/50 em Pedro Leopoldo, Minas Gerais:

A ÁGUA FLUIDA
E qualquer que tiver dado só que seja um copo d'agua fria por ser meu discípulo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão
 (Jesus - Mateus, 10:42)
Meu amigo, quando Jesus se referiu à benção do copo de uma água fria, em seu nome, não apenas se reportava à compaixão rotineira que sacia a sede comum. Detinha-se o Mestre no exame de valores espirituais mais profundos.
A água é dos corpos, o mais simples e receptivo da Terra. É como que a base pura, em que a medicação do Céu pode ser impressa, através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais.
A prece intercessória e o pensamento de bondade representam irradiações de nossas melhores energias.
A criatura que ora ou medita exterioriza poderes, emanações e fluidos que, por enquanto, escapam a nossa análise da inteligência vulgar e a linfa potável recebe a influenciação, de modo claro, condensando linhas de força magnética e princípios elétricos  que aliviam e sustentam, ajudam e curam.
A fonte procede do coração da Terra e a rogativa que flui no limo da alma, quando se unem na difusão do bem, operam milagres.
O Espírito que se eleva na direção do céu é antena viva, captando potências da natureza superior, podendo distribuí-las em benefício de todos os que lhes seguem a marcha.
Ninguém existe órfão de semelhante amparo.
Para auxiliar a outrem e a si mesmo, bastam a boa vontade e a confiança positiva.
Reconheçamos, pois, que o Mestre, quando se referiu à água  simples, doada em nome da sua memória, reportava-se ao valor real da providência, em benefício da carne e do Espírito, sempre que estacionem através de zonas enfermiças.
Se desejas, portanto, o concurso dos Amigos Espirituais, na solução de tuas necessidades fisiológicas ou dos problemas de saúde e equilíbrio dos companheiros, coloca o teu recipiente de água cristalina à frente de tuas orações, espera e confia. O orvalho do Plano Divino magnetizará o líquido, com raios de amor, em forma de benção, e estarás, então, consagrando o sublime ensinamento do copo de água pura, abençoado nos Céus.[15]

Considerações Finais
O passe é um recurso de emergência para tratamento de todos os tipos de doença. Mas como toda terapia não deve ser usada indiscriminadamente, remédio não deve ser tomado a toda hora, mas só no momento necessário.
Quanto à cura propriamente dita, esta só se dá pela recuperação do Espírito através da evangelização na busca da reforma íntima.
Lembremos assim da afirmativa de Jesus ao paralítico de Betesda:
Olha, já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.[16]



[1]  (FRANCO/Joanna de Ângelis [Espírito] 1991), cap. 18
[2] Exodo, 3: 2 a 5
[3] Deuteronômio, 18: 9 a 14
[4] Cf. KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed. 1991, cap. XXVI
[5] Números, 11 26 a 29
[6] João, 10: 30
[7] Mateus, 16: 17 e 18
[8] XAVIER, Francisco C. / Emmanuel (Espírito), Encontro Marcado, Rio de Janeiro, FEB, 1967, cap. 28
[9] Idem, ibidem.
[10] João, 14: 16 e 26
[11] (XAVIER/Emmanuel [Espírito] 1967), cap. 28
[12] LEX, Ary. Do Sistema Nervoso à Mediunidade. São Paulo: FEESP, 1997
[13]  [XAVIER / Waldo Vieira/ André Luiz (Espírito), 1993] I Parte, cap I
[14] Mateus, 18: 20
[15] TOLEDO, Wenefledo de. Passes e Curas Espirituais. São Paulo: Pensamento, pg 140
[16] João, 5: 14