segunda-feira, maio 10, 2010

Mediunidade

Conceito e Histórico

Mediunidade é a faculdade de intermediar o plano físico e o plano espiritual. É uma faculdade orgânica, e não constitui patrimônio especial de grupos nem privilégio de castas.[1]
O Médium é aquele que serve de instrumento entre os dois planos da vida.
De modo geral, podemos afirmar que todos somos médiuns, porque pelo simples fato de sofrermos influência de Espíritos, já estamos exercendo nossa mediunidade. De maneira mais específica, quanto à acentuação da faculdade, podemos salientar que a mediunidade é faculdade de poucos.
Em todos os tempos, a mediunidade revelou ao homem a existência do plano espiritual, por isso é vero afirmar que o fenômeno mediúnico não nasceu com o Espiritismo, e sim que existe desde as mais remotas eras da vida humana no planeta. Temos notícias das comunicações mediúnicas desde o homem primitivo caracterizando o mediunismo, passando por vários povos até atingir o rigor científico do século XIX.
As musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como, os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Os feiticeiros, magos, adivinhos, e posteriormente oráculos, pítons e taumaturgos, eram todos médiuns mesmo que usando outras designações.
O profetismo em Israel tem sua origem em Moisés. No Velho Testamento, encontramos várias passagens em que o grande legislador conversa com Deus. É lógico que a conversa não é com o Criador, mas com um Espírito mensageiro de Deus. Porque Deus não entra em contato direto com os homens, mas para tal faz uso de Espíritos superiores que funcionam como intermediários entre Ele o os Espíritos de nosso nível evolutivo.
Para ilustrar, transcrevemos abaixo uma passagem do livro “Êxodo”, em que tal fato acontece:
“E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo no meio duma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia; pelo que disse: Agora me virarei para lá e verei esta maravilha, e porque a sarça não se queima.
E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui.
Prosseguiu Deus: Não te chegues para cá (...)”[2]
Notamos que no princípio o narrador bíblico diz ser o “anjo do Senhor”, e depois o próprio Deus.
Essas confusões acontecem devido à falta de informação a respeito do tema. Informação que só a Doutrina Espírita, com o seu estudo sistematizado, pôde oferecer.
Moisés é um médium espetacular. Em muitos momentos ele vê, em outros ele ouve, e até fenômenos de efeitos físicos ele realiza com muita naturalidade.
É muito comum ouvir de irmãos nossos de outras religiões, a afirmação de que o Espiritismo encontra-se em erro diante de Deus, porque Moisés proibiu o exercício da mediunidade. Vejamos a citação bíblica a que eles se referem:
“Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.
Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti
Perfeito serás para com o Senhor teu Deus.
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém, quanto a ti, o Senhor teu Deus não te permitiu tal coisa.”[3]
Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer que se Moisés proibiu, é porque a mediunidade existe; ninguém proíbe algo que inexiste. Depois, podemos afirmar que o que Moisés proibiu o Espiritismo também condena, que é o mau uso desta faculdade.[4]
Quanto à mediunidade em si, ele mesmo, Moisés, deu várias provas de que a aprovava. Vejamos a seguinte passagem do livro “Números”:
“Mas no arraial ficaram dois homens; chamava-se um Eldade, e o outro Medade; e repousou sobre eles o espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram para irem à tenda; e profetizavam no arraial.
Correu, pois um moço, e o anunciou a Moisés, dizendo: Eldade e Medade profetizaram no arraial.
Então Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um de seus mancebos escolhidos, respondeu e disse: Meu Senhor Moisés, proíbe-lho
Moisés, porém, disse-lhe: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles!” [5]
Desta forma, fica claro que Moisés não só não proíbe a mediunidade, como até dela faz uso.
Mas a mediunidade chega ao seu ápice com Jesus, porque o Mestre não foi um médium comum, mas o “Excelso Médium de Deus”. Por seu intermédio, toda a Lei Divina se fez visível, e o seu grau de sintonia com o Pai era tal, que Ele mesmo nos afirmou: “Eu e o Pai somos um”.[6]
O Cristianismo, desde a Ressurreição até o Concílio de Nicéia, fez uso constante da Mediunidade. Através deste concílio realizado no ano 325 de nossa era, na cidade de Constantinopla, foi condenado o uso da mediunidade e outros pontos mantidos pelos primeiros cristãos, dando início à desagregação e à decomposição do Cristianismo em suas legítimas bases. A mediunidade marcou profundamente o “Movimento de Jesus” desde o dia de Pentecostes.
Na Idade Média, época de obscurantismo, os médiuns são perseguidos e maltratados como feiticeiros. Temos como exemplo a excepcional Médium Joana D’Arc, que em todos os lugares era inspirada por seres invisíveis, escutava suas vozes, e por eles deixava-se dirigir, tornando-se assim a “Heróica Virgem de Domremy”.
Podemos citar ainda como expoentes significativos da mediunidade, Dante Alighieri, que sob influência espiritual escreveu “A Divina Comédia”, Goethe e sua obra mediúnica “O Fausto”, e mais tarde, os já conhecidos dos espíritas, Emmanuel Swedenborg, Andrew Jackson Davis, Eusápia Paladino, entre outros.
Este breve relato mostra assim que a mediunidade é imanente no próprio homem.
Talvez por isso, o Cristo, em toda a sua sabedoria, afirma ao apóstolo Pedro:
“Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (...)”[7]

Quanto aos tipos, a mediunidade pode ser classificada em:
Mediunidade de efeitos físicos e mediunidade de efeitos inteligentes.

Mediunidade de Efeitos Físicos

É aquela em que a ação dos Espíritos produz efeitos na matéria. Estes fenômenos sensibilizam diretamente os órgãos dos sentidos dos observadores. Por isto, esses fenômenos são também chamados de materiais ou objetivos.
Podemos classificá-los desta maneira:
  • Sonoros: Vão desde os simples “raps”(pancadas secas) até os estrondos, passando pelos fenômenos em que é produzida música, sem haver instrumentos no local. Quando podemos formar com estes efeitos sonoros uma linguagem através de códigos, temos a tiptologia que, por sua vez, pode ser:
    • Interior: Pancadas produzidas no interior do objeto, sem movimento externo.
    • Bascular: Com movimento de objeto para dar as pancadas, por exemplo, mesa que bate com um dos pés.
    • Alfabética:  Quando as pancadas produzidas mostram a letra desejada do alfabeto.
  • Sematologia: Quando as luzes, os sons ou o movimento dos objetos deixam transparecer uma vontade ou intenção ou um determinado sentimento.
  •   Luminosos: Produção de centelhas, clarões e luzes.  Motores: Movimentação de corpos inertes, sem qualquer contato físico ou outro meio material. Nesta categoria de fenômenos, destacam-se:
  • Ø  Levitação: Um ser ou objeto é suspenso no ar, aparentemente contrariando a lei da gravidade.
  • Ø  Transporte: Quando um ser ou objeto é levado de um local para  outro.
  • Ø  Materialização: Formação (parcial ou total) de coisas ou corpos. Normalmente são temporárias.
  • Ø  Transfiguração: É a modificação dos traços fisionômicos do médium ou do seu aspecto geral.
  • Ø  Voz Direta: Produção de sons correspondentes à voz humana, articulada e audível por todos os presentes.
  • Ø  Escrita Direta: Trata-se da produção de escrita sem o concurso de mãos humanas.

Mediunidade de Efeitos Inteligentes

Estes efeitos são também chamados intelectuais ou subjetivos, porque os fenômenos ocorrem na esfera subjetiva do médium. Desta forma, não ferindo os cinco sentidos do médium, não são todos que os percebem.
Podemos dividi-la em:
Ø  Intuitiva: Quando o médium percebe a realidade do plano espiritual ou pensamentos dos Espíritos, mas somente pela intuição.
Ø  Vidência: Permite aos médiuns ver os Espíritos. Uns gozam desta faculdade em estado normal, ou seja, de vigília, outros só a possuem em estado de sonambulismo.
Ø  Audiência: É a faculdade de ouvir a “voz” dos Espíritos.
Ø  Psicometria: Através deste tipo de mediunidade, o médium consegue, pela captação da energia impregnada nos objetos, informações históricas dos seres ligados a este objeto ou dos próprios objetos.
Ø  Psicofonia: O Espírito fala, usando o aparelho físico do médium. Este, por sua vez, transmite as comunicações de forma mais ou menos consciente, de acordo com a categoria de sua mediunidade. Queremos sempre lembrar que não há incorporação do Espírito, mas que esse age sobre a corrente nervosa do médium.
Ø  Psicografia: É a mediunidade que permite ao médium escrever sob a influência do Espírito. Através deste método, os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau de aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade.
Ø  Podemos classificá-la desta forma:
Ø  Mecânica: O médium age em um certo grau de inconsciência, que é como se o Espírito dirigisse a sua mão, independente da sua vontade. No entanto, o médium permanece vigilante em Espírito durante a comunicação, podendo retomar o controle de suas faculdades no momento que lhe aprouver.
Ø  Semi-Mecânica: O médium sente que a sua mão é impulsionada pelo Espírito, mas tem consciência do que escreve, à medida que as palavras são formadas, e o controle é maior de sua parte.
Ø  Intuitiva: Como o próprio nome diz, é uma comunicação intuitiva. O Espírito não atua sobre a mão do médium, mas sobre a sua alma. Esta dirige a sua mão, que por sua vez dirige o lápis.


Tendo o Espiritismo como objetivo, reviver o Evangelho de Jesus, e sendo a mediunidade um de seus instrumentos, só podemos pensar em mediunidade se for com Jesus, ou seja, mediunidade em favor do próximo.
Reconhecerás que não reténs com ela um distrito de entretenimento ou vantagens pessoais e sim um templo-oficina (…)[8].
Através deste ensinamento, nosso instrutor Emmanuel destaca o caráter de trabalho da mediunidade. “Oficina” é local de trabalho, de consertar ou de fazer da maneira correta. E se a oficina produzir só para o seu dono, de que é que ele vai viver? Portanto, a oficina tem de gerar o bem para a comunidade. Da mesma forma, a mediunidade deve ser exercida com o pensamento, visando o bem de nosso semelhante. No templo é onde tratamos as questões espirituais, é onde nos encontramos com o Criador. Por isto Emmanuel trata a mediunidade como “templo-oficina”, ou seja, trabalho realizado com fins espirituais, sabendo sempre que quem dirige não é o elemento encarnado, mas os Espíritos trabalhadores da Seara do Cristo.
“Através do qual os benfeitores desencarnados se aproximam dos homens, continua Emmanuel, tão diretamente quanto lhes é possível, apontando-lhes rumo certo ou lenindo-lhes os sofrimentos, tanto quanto lhe utilizarás os recursos para socorrer desencarnados, que esperam ansiosamente quem lhes estenda uma luz ao coração desorientado.”[9]
Consolar e esclarecer são outros objetivos da mediunidade, como da própria Doutrina Espírita.
Quando o Cristo se manifestou a respeito do Espiritismo, tratou-o como “O Consolador” e disse que ele nos ensinaria todas as coisas:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.(...)
Mas o Consolador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.”[10]
E a mediunidade realmente tem esclarecido muitas coisas. Só a revelação do plano espiritual por si só bastava, mas não para por aí, ela tem nos antecipado muitos conhecimentos que mais tarde a Ciência poderá confirmar, e outros que ainda virão.
Quanto à consolação, que diga aquele que achando ter um ente querido desaparecido por vias da morte, recebe dele, com toda confirmação, uma comunicação dizendo não estar ele morto, mas em outro plano da mesma vida, e muito mais próximo que possa qualquer um de nós supor.
Se o auxílio é sempre grande de lá para cá, não menos é daqui para lá. É muito comum Espíritos desencarnados em desequilíbrio receberem auxílio e orientação através de reuniões realizadas em nossos Centros Espíritas.
Podemos então, concluindo, enumerar alguns objetivos da mediunidade:

Para os encarnados:
Ø  Cooperação no serviço de reconforto e esclarecimento.
Ø  Autoeducação, pela renovação dos sentimentos e pela oportunidade de trabalho, que quando bem executado, em muito eleva o Espírito.
Ø  Construção de afeições muito valiosas no plano espiritual, consolidadas em base de cooperação e amizade superior.
Ø  Conhecimento do plano espiritual, o que muito lhe auxiliará quando do seu desencarne.
Para os Desencarnados:
Ø  Melhor entendimento do processo evolutivo a que todos estamos sujeitos, nos dois planos da vida.
Ø  Aqueles que sofrem pela falta de entendimento da nova vida, têm na mediunidade oportunidade segura de melhor compreender sua situação, e assim programar atitudes renovadoras.
Ø  Transmissão aos encarnados de valiosos ensinamentos ministrados por Espíritos de alta hierarquia espiritual.
Poderíamos ainda, enunciar muitos outros objetivos desta Divina faculdade, mas essas, no nosso entender, já são suficientes para mostrar a excelsitude da mediunidade.
Para finalizar, algumas palavras do bondoso Espírito Emmanuel, para nossa meditação:
“Terás a mediunidade por flama de amor e serviço, abençoando e auxiliando onde estejas, em nome da Excelsa Providência, que te fez semelhante concessão por empréstimo. E nos dias em que esse ministério de luz te pese demasiado nos ombros, volta-te para o Cristo, o Divino Instrumento de Deus na Terra, e perceberás, feliz, que o coração crucificado por devotamento ao bem de todos, conquanto pareça vencido, carrega em triunfo a consciência tranqüila do vencedor.”[11]
O passe é uma transfusão de fluidos de um ser para outro. Desta forma, o passe é uma fluidoterapia.
Antes de entrarmos no estudo do passe propriamente dito, gostaríamos de tecer alguns comentários sobre os fluidos.
Do ponto de vista da ciência oficial, fluido é a denominação da fase não sólida da matéria. O dicionário Aurélio traz a seguinte informação: Diz-se das substâncias líquidas ou gasosas.
À luz do Espiritismo, este conceito se torna mais amplo.
A matéria, à medida em que se torna mais rarefeita, fica invisível aos nossos olhos, tomando aspectos mais sutis, a que denominamos fluidos.
No livro, Do Sistema Nervoso à Mediunidade, o Dr. Ary Lex diz que:
“À medida que se rarefaz, ganha (a matéria) novas propriedades, entre as quais uma irradiação progressivamente maior, tomando uma forma de energia. A física moderna praticamente derrubou a separação rígida entre a matéria e a energia, considerando-as substancialmente, a mesma coisa, em graus de concentração e estrutura diferentes.”[12]
Assim, podemos dizer que fluido é um tipo de matéria ultra-rarefeita e formas de energia.
Fluido Cósmico Universal: Como sabemos, toda a matéria que existe, é oriunda do “Fluido Cósmico Universal” que, segundo André Luiz, é o “plasma divino”.[13]
Sua natureza nos é desconhecida, e apresenta-se em estados que vão da imponderabilidade à condensação.
Fluidos Espirituais: São os fluidos que formam a atmosfera do plano espiritual. Desses fluidos é extraída a “matéria” do mundo invisível.
Fluidos Perispirituais: São os fluidos absorvidos, assimilados e individualizados pelo perispírito. Possuem características próprias, podendo por isto ser distinguidos dos demais. Esses fluidos circulam no perispírito sob o comando da mente. São eles que formam a “Aura”.
Fluido (ou Princípio) Vital: É o agente da vida orgânica, e sua união com a matéria é que animaliza esta. Como todos os outros, também tem como fonte o Fluido Cósmico Universal.
Os Espíritos podem agir sobre os fluidos. É pelo pensamento que eles o fazem. Esta ação pode ser consciente ou inconsciente, visto que basta pensar para exercer influência sobre eles. E é através deste agir que podemos dar qualidade aos fluidos, que por si só são neutros.
 Voltando ao conceito de passe, agora entendendo que o passe seja uma transfusão de fluidos de um ser para o outro.
Este tratamento através dos fluidos, é utilizado desde as eras mais remotas da humanidade.
Para nos referirmos apenas à era cristã, vemos a utilização do passe com base das curas realizadas por Jesus, e depois pelos primeiros cristãos.

Mecanismo do Passe
Quanto ao mecanismo do passe, as ocorrências mais importantes são: o pensamento (fazendo a sintonia com a espiritualidade encarregada do trabalho), a vontade e a condição receptiva tanto do passista, quanto do paciente.
Através do pensamento e da vontade, o passista capta os fluidos e os direciona para o assistido. Mas, se esse não estiver preparado no que diz respeito a uma boa condição receptiva, o passe torna-se sem efeito.
Além do preparo por parte de ambos, tem de haver um clima de confiança entre os dois, formando assim um elo, onde o auxílio possa se fazer na proporção do crédito de cada um.
Quanto à forma de se aplicar o passe, o fator externo pouco importa, o que vale mais, como já dissemos, é a sintonia, a vontade e a condição receptiva dos envolvidos no processo.

Preparo do Médium e do Paciente
É muito comum, quando se fala em passe, pensar no preparo só do médium. Mas e o paciente, é preciso um preparo também por parte deste?
Ora, se o passe é uma transfusão de energias fisiopsíquicas, é preciso que tanto o doador como o receptor estejam preparados, porque se não houver sintonia por parte de um dos envolvidos, este fica prejudicado por não poder fazer parte da cadeia espiritual, ficando desta forma isolado no processo.
O que é realmente importante como preparo?
Se estamos falando de coisas espirituais, o preparo deve ser espiritual. Como o passe é fisiopsíquico, temos de nos preparar tanto no campo físico como no espiritual.
Portanto, devemos cultivar:
Boa vontade, sentimentos de amor, prece, mente equilibrada, fé, etc.. É importante também alimentação adequada, descanso físico e saúde equilibrada.
Como conseqüência, são fatores negativos:
As mágoas, as paixões, alimentos pesados, alcoólicos, desequilíbrio nervoso, inquietude, entre outros.
Outro fator também muito importante é a disciplina no que diz respeito ao horário. Por se tratar de assunto que envolve também, e principalmente, a espiritualidade, a disciplina é fator essencial.

Tipos de Passe
No que diz respeito ao tipo, o passe pode ser classificado da seguinte forma:
Magnético: Quando ministrado somente com os recursos magnéticos do passista, embora seja quase impossível a existência deste tipo de passe, pois o próprio Jesus afirmou: Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.[14]
Espiritual: É o passe ministrado somente pelos Espíritos, usando seus próprios fluidos sem a colaboração de médiuns.
Qualquer um de nós, desde que se faça merecedor, pode receber este passe. Basta orar e colocar-se em receptividade.
Humano Espiritual: É o passe dado através da combinação de fluidos do Espírito e do passista.
Este é o mais usual entre os tipos de passe. É através dele que o médium tem a grande oportunidade do trabalho.
Mediúnico: É quando o Espírito desencarnado se manifesta durante o passe.
Este tipo não é aconselhável, visto o ambiente do passe não ser ideal para manifestação mediúnica, pela falta de controle, por parte do dirigente, do teor das comunicações, entre outros motivos.
O passe ainda pode ser classificado sob o aspecto da presença ou ausência do paciente:
O direto é dado na presença física daquele que recebe.
 À distância, o enfermo está ausente. O médium, neste caso, ora e pede o passe em favor da pessoa que está distante, e a espiritualidade, conforme a vontade do Pai, aplica-o.
É importante, em um estudo sobre o passe, falar um pouco a respeito da água fluidificada, pois essa é um dos maiores recursos nos tratamentos fluidoterápicos.
Para tal, recorremos a uma mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier, em sessão pública na noite de 05/06/50 em Pedro Leopoldo, Minas Gerais:

A ÁGUA FLUIDA
E qualquer que tiver dado só que seja um copo d'agua fria por ser meu discípulo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão
 (Jesus - Mateus, 10:42)
Meu amigo, quando Jesus se referiu à benção do copo de uma água fria, em seu nome, não apenas se reportava à compaixão rotineira que sacia a sede comum. Detinha-se o Mestre no exame de valores espirituais mais profundos.
A água é dos corpos, o mais simples e receptivo da Terra. É como que a base pura, em que a medicação do Céu pode ser impressa, através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais.
A prece intercessória e o pensamento de bondade representam irradiações de nossas melhores energias.
A criatura que ora ou medita exterioriza poderes, emanações e fluidos que, por enquanto, escapam a nossa análise da inteligência vulgar e a linfa potável recebe a influenciação, de modo claro, condensando linhas de força magnética e princípios elétricos  que aliviam e sustentam, ajudam e curam.
A fonte procede do coração da Terra e a rogativa que flui no limo da alma, quando se unem na difusão do bem, operam milagres.
O Espírito que se eleva na direção do céu é antena viva, captando potências da natureza superior, podendo distribuí-las em benefício de todos os que lhes seguem a marcha.
Ninguém existe órfão de semelhante amparo.
Para auxiliar a outrem e a si mesmo, bastam a boa vontade e a confiança positiva.
Reconheçamos, pois, que o Mestre, quando se referiu à água  simples, doada em nome da sua memória, reportava-se ao valor real da providência, em benefício da carne e do Espírito, sempre que estacionem através de zonas enfermiças.
Se desejas, portanto, o concurso dos Amigos Espirituais, na solução de tuas necessidades fisiológicas ou dos problemas de saúde e equilíbrio dos companheiros, coloca o teu recipiente de água cristalina à frente de tuas orações, espera e confia. O orvalho do Plano Divino magnetizará o líquido, com raios de amor, em forma de benção, e estarás, então, consagrando o sublime ensinamento do copo de água pura, abençoado nos Céus.[15]

Considerações Finais
O passe é um recurso de emergência para tratamento de todos os tipos de doença. Mas como toda terapia não deve ser usada indiscriminadamente, remédio não deve ser tomado a toda hora, mas só no momento necessário.
Quanto à cura propriamente dita, esta só se dá pela recuperação do Espírito através da evangelização na busca da reforma íntima.
Lembremos assim da afirmativa de Jesus ao paralítico de Betesda:
Olha, já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.[16]



[1]  (FRANCO/Joanna de Ângelis [Espírito] 1991), cap. 18
[2] Exodo, 3: 2 a 5
[3] Deuteronômio, 18: 9 a 14
[4] Cf. KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed. 1991, cap. XXVI
[5] Números, 11 26 a 29
[6] João, 10: 30
[7] Mateus, 16: 17 e 18
[8] XAVIER, Francisco C. / Emmanuel (Espírito), Encontro Marcado, Rio de Janeiro, FEB, 1967, cap. 28
[9] Idem, ibidem.
[10] João, 14: 16 e 26
[11] (XAVIER/Emmanuel [Espírito] 1967), cap. 28
[12] LEX, Ary. Do Sistema Nervoso à Mediunidade. São Paulo: FEESP, 1997
[13]  [XAVIER / Waldo Vieira/ André Luiz (Espírito), 1993] I Parte, cap I
[14] Mateus, 18: 20
[15] TOLEDO, Wenefledo de. Passes e Curas Espirituais. São Paulo: Pensamento, pg 140
[16] João, 5: 14

quarta-feira, abril 21, 2010

Imortalidade da Alma e Vida Futura

Imortalidade da Alma

A imortalidade da alma é uma realidade incontestável. O homem, inclusive o materialista, tem e sempre teve dela, a intuição.
É que tendo sido ele criado por Deus, ou tendo Dele saído, já contém em si mesmo o germe da vida futura. Podemos, então, afirmar com segurança que o Espírito não é eterno, porque teve início, mas é imortal, porque nunca terá fim.
A morte no sentido de acabar, não existe em nenhum lugar do Universo. É que Deus, o Criador de tudo o que existe, não poderia criar nada que um dia acabasse. A morte, portanto, deve ser sempre entendida como uma passagem, como fim de um ciclo e início de outro.
Por que então tem o homem tanto medo da morte?
Podemos analisar o medo da morte sob dois aspectos: um positivo, o outro negativo.
O primeiro é um efeito da sabedoria da Providência. Ele se manifesta como uma conseqüência da lei de conservação. Deus deu a todos os seres vivos a necessidade de viver como forma de evolução, e desta maneira, busca o Ser sempre preservar a vida. Se não houvesse esse instinto, o Espírito deixaria entregar-se à morte sem ter terminado de cumprir a fase que se faz necessária no momento.
Quanto ao segundo, temos a determiná-lo várias causas, as quais podemos destacar a má formação religiosa, o apego aos bens materiais, a culpa de consciência, etc.
Dizemos medo negativo, por ser ele muitas vezes desencadeador de processos obsessivos e outras vezes gerador de temor à própria vida, entre outras formas de manifestação.
É dever da religião informar aos seus adeptos a respeito da vida espiritual. Quando esta informação não se faz, a religião não cumpre um de seus mais importantes objetivos. Como na maioria da vezes fomos formados por uma religião que nunca nos esclareceu de uma forma lógica a respeito da vida futura, e muito pelo contrário procurou sempre nos amedrontar, temos gravado em nosso psiquismo o medo da morte.
Esta falta de lógica e a perseverança em doutrinas complicadas, desprovidas de bom senso e sem fundamentação científica, promoveram um homem céptico, materialista, que valoriza em excesso os bens imediatos, por não crer em nada além de sua acanhada visão. Essa forma de pensar também leva o indivíduo a ter medo do momento da transição, porque não crendo ele em nada, logo pensa, o que será a partir de então? Por isso, afirmamos ser a má formação religiosa uma das grandes culpadas do medo da morte.
Outra causa a destacar é a culpa e os sofrimentos já passados anteriormente pelo Espírito.
Sabemos que antes de encarnarmos, fazemos um programa regenerativo com base em nossas maiores necessidades, todavia, ao reencarnarmos, esquecemos grande parte destes compromissos e reincidimos nos antigos erros. Conscientemente, disso nada sabemos, mas o nosso Espírito guarda todas essas informações em seu íntimo, e esse contrariar nossa consciência é fator determinante do temor da morte, que ainda é agravado pelo fato de isso já ter acontecido muitas vezes em nosso processo reencarnatório e ter gerado muito sofrimento pós-morte, nos deixando uma reminiscência nada agradável.
A Doutrina Espírita transforma por completo esta situação. A vida futura deixa de ser hipótese para ser realidade. E a sua moral por ser a mesma ensinada pelo Cristo, tira do ser a culpa, mostrando a ele a necessidade de transformar-se pela prática das lições evangélicas, tirando, assim, o homem do círculo vicioso do erro.
Foi o próprio Jesus quem disse: “Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.”[1]
Pela importância deste tema, e para que todo espírita possa encarar a grande transição com tranqüilidade e segurança, estudaremos no próximo tópico o processo desencarnatório.
Processo Desencarnatório
O desencarne sempre traz, com raríssimas exceções, alguma perturbação para o Espírito envolvido neste processo.
Os que pautaram sua conduta pelos princípios de renovação espiritual em bases evangélicas sofrem menos esta perturbação. Já os que viveram uma vida materialista baseado no imediatismo mundano, mais forte é o desequilíbrio, visto que as impressões da vida corporal transferem-se para o plano da consciência desencarnada.
O fato a que denominamos morte, só se dá quando do rompimento do cordão fluídico que une a alma ao corpo, mas essa separação não acontece de uma forma brusca.
“O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo.”[2]
Quando estudava o processo desencarnatório de Dimas no livro “Obreiros da Vida Eterna”, André Luiz, em determinado ponto, faz a seguinte consideração:
“Para os nossos amigos encarnados, Dimas morrera, inteiramente. Para nós outros, porém a operação era ainda incompleta. E continua: O assistente deliberou que o cordão fluídico deveria permanecer até ao dia imediato, considerando as necessidades do “morto”, ainda imperfeitamente preparado para o desenlace mais rápido.”[3]
Aprendemos, desta forma, que o desencarne não termina no instante em que o ser é dado como morto pela ciência médica, mas que ele só se completa algumas horas depois com o desligamento do cordão fluídico.
Podemos afirmar que não existem dois processos de desencarne rigorosamente iguais, visto que não existem dois Espíritos em total identidade. A sensação de maior ou menor sofrimento enfrentada pelo Espírito, está na razão direta da soma de pontos de contato existentes entre o corpo e o perispírito, nos afirma Kardec, e esta é a mesma razão da maior ou menor dificuldade que apresenta o rompimento do cordão de prata.
Assim, temos que o sofrimento gerado pela “morte” é tanto maior quanto maior for a aderência corpo-perispírito, que é sempre determinada pela maior ou menor importância dada pelo homem, enquanto encarnado, às questões materiais. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego à matéria.
Isto vem confirmar que o sofrimento das almas moralizadas, é quase nulo, porque nulo é o seu apego às questões materiais. Posto isto, afirmamos que só depende de nós mesmos o nosso sofrer ou não sofrer no instante da grande transição.
Outra questão a considerar, é o tipo de desencarne que sofre o Espírito.
Quando trata-se de morte natural, gerada pela cessação das forças vitais por velhice ou doença, o processo é menos agressivo, e o Espírito penetra a vida espiritual de forma mais tranqüila, se mais espiritualizada foi a sua vida, conforme já dissemos. Mas mesmo no homem mais materializado, apesar das dificuldades geradas pelo apego, a morte mais lenta, mais natural é menos sofrida.
Na morte violenta, as sensações se diferem ao extremo. O Espírito, diante do inesperado, fica como que perturbado, e não entendendo o que se passa, acha que está ainda no mundo dos encarnados, e muitas vezes julga que o seu corpo fluídico é o mesmo corpo material, tendo as mesmas sensações.
É claro que aqui também difere em infinitas modalidades o que sente o Espírito, devido aos seus conhecimentos a respeito da vida espiritual e os progressos feitos em sua existência material. Para quem vivenciou mais na vida os valores do Espírito, a perturbação passa mais rapidamente, aos outros é mais lenta, podendo durar dias, meses, anos ou até séculos.
No caso do suicida então, mais penosa ainda é a transição. Os Espíritos chegam a afirmar que o sofrimento excede a qualquer expectativa. Como se já não bastasse a grave transgressão às Leis Divinas, o corpo está totalmente ligado ao perispírito, e a quantidade de fluido vital é ainda grande. Isto muitas vezes faz com que o Espírito assista, totalmente consciente, todo o processo desencarnatório, sentindo a decomposição de seu organismo molécula a molécula, e a maior surpresa que o espera é a grande decepção de ainda estar vivo.
Resumindo, temos então que o sofrimento do Espírito, na ocasião do desencarne, é sempre maior quanto mais lento for o desprendimento do perispírito. E essa lentidão é sempre maior quanto menor for a evolução moral do indivíduo.
Até então, analisamos o processo desencarnatório, vendo só a influência do Espírito do próprio desencarnante, mas a influência de familiares e amigos também é fator determinante no processo de desligamento do Espírito.
André Luiz, em livro psicografado por Chico Xavier, estuda a desencarnação de Fernando, e em determinado momento, nota que o estado aflitivo dos familiares prejudicam o ato desencarnatório. Veja como é narrado o fato:
“A aflição dos familiares encarnados, aqui presentes (dizia Aniceto), poderá dificultar-nos a ação. Observem como todos eles emitem recursos magnéticos em benefício do moribundo.
De fato, uma rede de fios cinzentos e fracamente iluminados parecia ligar os parentes ao enfermo quase morto.
-Tais socorros – tornou Aniceto – são agora inúteis para devolver-lhe o equilíbrio orgânico. Precisamos neutralizar essas forças, emitidas pela inquietação, proporcionando, antes de tudo, a possível serenidade à família.
E, aproximando-se ainda mais do agonizante, tomou a atitude do magnetizador, exclamando:
- Modifiquemos o quadro do coma.
Após alguns minutos em que nosso mentor operava, secundado pelo nosso respeitoso silêncio, ouvimos o médico encarnado anunciar aos parentes do moribundo:
- Melhoram os prognósticos. A pulsação, inexplicavelmente, está quase normal. A respiração tende a acalmar-se.
Três senhoras suspiraram aliviadas. (…)
As senhoras e mais dois cavalheiros, que se prontificavam a retirar agradeceram satisfeitos e comovidos. Permaneceram no aposento somente o médico e um irmão do agonizante. A melhora súbita tranqüilizara a todos. E, aos poucos, os fios cinzentos que se ligavam ao enfermo desapareceram sem deixar vestígios. (…)
Aproveitou Aniceto a serenidade ambiente e começou retirar o corpo espiritual de Fernando, desligando-o dos despojos, reparando eu que iniciara a operação pelos calcanhares, terminando na cabeça, à qual, por fim, parecia estar preso o moribundo por extenso cordão, tal como se dá com os nascituros terrenos. Aniceto cortou-o com esforço. O corpo de Fernando deu um estremeção, chamando o médico humano ao novo quadro. A operação não fora curta e fácil. Demora-se longos minutos, durante os quais vi o nosso instrutor empregar todo o cabedal de sua atenção e talvez de suas energias magnéticas.” [4]
Como já dissemos, não existe processo desencarnatório igual. A nossa intenção com este estudo é dar uma idéia geral do assunto. Aconselhamos aos interessados em aprofundar os conhecimentos sobre este tema o livro O Céu o e Inferno de Allan Kardec, e Obreiros da Vida Eterna do Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier.
Preparação do Espírito Para o Desencarne
Os Espíritos têm afirmado a todo instante que a maior dificuldade encontrada pelo desencarnante no outro plano da vida, e a maior dificuldade encontrada pelos guias encarregados de auxiliar neste processo, é a falta de preparo do recém liberto.
E é fácil de entender o porquê. Imagine se qualquer um de nós fôssemos travar conversação com um elemento que desconhecesse o nosso idioma, e nós desconhecêssemos o dele. Já pensaram que dificuldade? E olha que, quanto ao desencarne, a situação é bem mais complexa.
Voltando às comparações, notamos que é comum a qualquer um de nós, quando da realização de uma viagem a um país estranho, realizarmos determinada programação. Que língua é falada neste país? Como vou fazer para me comunicar com seus habitantes? Qual a temperatura que está por lá? Será que a minha vestimenta está adequada? Qual a moeda que tem valor nesta região? Como realizar o câmbio?
Estas e outras questões são levantadas por nós, antes de empreendermos viagem.
E quanto ao desencarne, viagem que todos nós sabemos que mais cedo ou mais tarde vamos realizar, temos nos preparado adequadamente? Como fazer?
O Espírito Irmão X, no livro Cartas e Crônicas, traz valiosas anotações a respeito deste tema. Por isto, achamos  melhor transcrever sua narrativa.
Segundo ele, devemos modificar em primeiro lugar, nossos antigos maus hábitos.
Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.
Os excitantes largamente ingeridos constituem outra perigosa obsessão. Tenho visto muitas almas de origem aparentemente primorosa, dispostas a trocar o próprio Céu pelo uísque aristocrático ou pela nossa cachaça brasileira.
Tanto quanto lhe seja possível, evite os abusos do fumo. Infunde pena a angústia dos desencarnados amantes da nicotina.
Não se renda à tentação dos narcóticos. Por mais aflitivas lhe pareçam as crises do estágio no corpo, agüente firme os golpes da luta. As vítimas da cocaína, da morfina e dos barbitúricos demoram-se largo tempo na cela escura da sede e da inércia.
E o sexo? Guarde muito cuidado na preservação do seu equilíbrio emotivo. Temos aqui muita gente boa carregando consigo inferno rotulado de “amor”.
Se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós, em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque.
Em família, observe  cautela com os testamentos. As doenças fulminatórias chegam de assalto, e, se a sua papelada não estiver em ordem, você padecerá muitas humilhações, através de tribunais e cartórios.
Sobretudo, não se apegue demasiado aos laços consangüíneos. Ame a sua esposa, seus filhos e seus parentes com moderação, na certeza de que, um dia, você estará ausente deles e de que, por isso mesmo, agirão quase sempre em desacordo com a sua vontade, embora lhe respeitem a memória. Não se esqueça de que, no estado presente da educação terrestre, se alguns afeiçoados lhe registrarem a presença extraterrena, depois dos funerais, na certa intimá-lo-ão a descer aos infernos, receando-lhe a volta inoportuna.
Se você já possui o tesouro de uma fé religiosa, viva de acordo com os preceitos que abraça. É horrível a responsabilidade moral de quem já conhece o caminho, sem equilibrar-se dentro dele.
Faça o bem que puder, sem a preocupação de satisfazer a todos. Convença-se de que se você não experimenta simpatia por determinadas criaturas, há muita gente que suporta você com muito esforço.
Por essa razão, em qualquer circunstância, conserve o seu nobre sorriso.
Trabalhe sempre, trabalhe sem cessar.
O serviço é o melhor dissolvente de nossas mágoas.
Ajude-se através do leal cumprimento de seus deveres.
Quanto ao mais, não se canse nem indague em excesso, porque, com mais tempo ou menos tempo, a morte lhe oferecerá o seu cartão de visita, impondo-lhe ao conhecimento tudo aquilo que, por agora, não lhe posso dizer.”[5]
As Penas Futuras Segundo o Espiritismo
A questão das penas futuras, sempre foi motivo de muitas dissensões entre os religiosos e aqueles que não possuem fé alguma. E se analisarmos com tranquilidade, em muitas vezes, temos de dar razão aos não religiosos, devido à falta de lógica da teoria professada pelos ditos cristãos.
Também sobre este assunto, a Codificação Espírita trouxe muito esclarecimento. Transcrevemos abaixo, parte do texto escrito por Kardec em sua importante obra O Céu e o Inferno.
“A doutrina Espírita, no que respeita às penas futuras, não se baseia numa teoria preconcebida; não é um sistema substituindo outro sistema (…). Ninguém jamais imaginou que as almas, depois da morte, se encontrariam em tais ou quais condições; são elas, essas mesmas almas, partidas da Terra, que nos vêm hoje iniciar nos mistérios da vida futura, descrever-nos sua situação feliz ou desgraçada, as impressões, a transformação pela morte do corpo, completando, em uma palavra, os ensinamentos do Cristo sobre este ponto (…).
O Espiritismo não vem, pois, com sua autoridade privada, formular um código de fantasia; a sua lei no que respeita ao futuro da alma, deduzida das observações do fato, pode resumir-se nos seguintes pontos:
1.              A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.
2.              A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda a perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.
3.              Não há  uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis  conseqüências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de gozo (…).
4.              Dependendo o sofrimento da imperfeição, como o gozo da perfeição, a alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem a necessidade de lugar circunscrito. O inferno  está em  toda  parte  em que haja almas  sofredoras,  e o céu igualmente  onde houver almas felizes.
5.              Sendo infinita a justiça de Deus, o bem e o mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento mau que não tenha conseqüências fatais, como não há uma única ação meritória, um só bom movimento da alma que se perca (…).
6.              Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. Aquele que se quita numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez (…).
7.              Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração do castigo: - a única lei geral é que toda falta terá punição e terá recompensa todo ato meritório, segundo seu valor.
8.              A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado. Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita (…).
9.              Dependendo da melhoria do Espírito a duração do castigo, o culpado que jamais melhorasse sofreria sempre, e, para ele, a pena seria eterna (…).
10. O arrependimento conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação, e reparação, constituem as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências (…). A necessidade da reparação é um princípio de rigorosa justiça, que se pode considerar verdadeira lei de reabilitação moral dos Espíritos.
11. Os Espíritos imperfeitos são excluídos dos mundos felizes, cuja harmonia perturbariam (…).
12. Como o Espírito tem sempre o livre-arbítrio, o progresso por vezes se lhe torna lento, e tenaz a sua obstinação no mal. Nesse estado pode persistir anos e séculos (…).
13. Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona. Todos têm seu anjo de guarda (…). A influência do anjo de guarda, contudo, faz-se quase sempre ocultamente e de modo a não haver pressão, pois que o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade, nunca por qualquer sujeição (…).
14. Conquanto infinita a diversidade de punições, algumas há inerentes à inferioridade dos Espíritos (…). A punição mais imediata, sobretudo entre os que se acham ligados à vida material em detrimento do progresso espiritual, faz-se sentir pela lentidão do desprendimento da alma; nas angústias que acompanham a morte e o despertar na outra vida, na conseqüente perturbação que pode dilatar-se por meses e anos (…).
15. Um fenômeno mui freqüente entre os Espíritos de certa inferioridade moral, é o acreditarem-se ainda vivos (…).
16. Para o criminoso, a presença incessante das vítimas e das conseqüências do crime é um suplício cruel.
17. Espíritos há mergulhados em densa treva; outros se encontram em absoluto insulamento no Espaço, atormentados pela ignorância da própria posição, como da sorte que os aguarda (…). Alguns são privados de ver os seres queridos e todos, geralmente, passam com intensidade relativa pelos males, pelas dores e privações que a outrem ocasionaram (…).
18. O hipócrita vê desvendados, penetrados e lidos por todo o mundo os seus mais secretos pensamentos (…). O egoísta, desamparado de todos, sofre as conseqüências da sua atitude terrena; nem amigas mãos se lhe estenderão às suas mãos súplices; e pois que em vida só de si cuidara, ninguém dele se compadecerá na morte.
19. O único meio de evitar ou atenuar as conseqüências futuras de uma falta, está no repará-la desfazendo-a no presente (…).
20. A situação do Espírito, no mundo espiritual, não é outra senão a por si mesmo preparada na vida corpórea (…).
21. Certo, a misericórdia de Deus é infinita, mas não é cega. O culpado que ela atinge não fica exonerado, e enquanto não houver satisfeito à justiça, sofre a conseqüência dos seus erros (…).
22. Às penas que o Espírito experimenta na vida espiritual ajuntam-se as da vida corpórea, que são conseqüentes às imperfeições do homem, às suas paixões, ao mau uso das suas faculdades e à expiação de presentes e passadas faltas. É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências (…).
23. Todos somos livres no trabalho do próprio progresso, e o que muito, e depressa trabalha, mais cedo recebe a recompensa (…). O bem e o mal são voluntários e facultativos: livre, o homem não é fatalmente impelido para um nem para outro.
24. Em que pese a diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios:
1.              O sofrimento é inerente à imperfeição.
2.              Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.
3.              Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.”[6]


[1] João, 8: 11
[2] KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. 28a ed., RJ, FEB, 1992, II parte cap. I
[3] XAVIER, Francisco C. /André Luiz (Espírito). Obreiros da Vida Eterna, Rio de Janeiro, FEB, 1971, cap. XIII
[4] XAVIER, Francisco C. /André Luiz (Espírito), Os Mensageiros, 12ª ed., Rio de Janeiro, FEB, 1980, cap. 50
[5] XAVIER; Francisco C. /Irmão X (Espírito), Cartas e Crônicas, 8ª ed., Rio de Janeiro, FEB, 1991, cap. 4
[6] (KARDEC, O Céu e o Inferno. 28a ed. 1992), I Parte cap. VII