sexta-feira, fevereiro 06, 2026

Destruição do Templo e Fim do Mundo



E, naqueles tempos, não havia paz nem para o que saía, nem para o que entrava, mas muitas perturbações, sobre todos os habitantes daquelas terras. Porque gente contra gente e cidade contra cidade se despedaçavam, porque Deus os conturbara com toda a angústia. Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos, porque a vossa obra tem uma recompensa. ( 2 Crônicas 15:5-7)
O Sermão Profético, registrado nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, começa com uma cena emblemática: Jesus, ao sair do templo, é interpelado por seus discípulos sobre a imponência da construção. O Mestre, porém, responde com palavras que ecoam até hoje: "Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada".
Essa afirmação, que se cumpriu historicamente na destruição de Jerusalém no ano 70 d.C., transcende o evento material e revela uma lição espiritual profunda. O templo, símbolo da religiosidade externa e da estrutura humana, é apresentado como transitório. O verdadeiro templo é o coração humano, e sua solidez depende da vivência do Evangelho. Assim, a destruição do templo físico simboliza o fim das ilusões e a necessidade de reconstrução interior.
O sentido espiritual da profecia
Os discípulos, assustados, perguntam sobre os sinais da vinda do Cristo e do fim do mundo. Aqui, a tradução original nos ajuda a compreender: não se trata do "fim do mundo" no sentido literal, mas da consumação dos tempos, ou seja, o encerramento de um ciclo. A palavra grega parusia significa "presença", e indica não apenas um evento futuro, mas uma experiência íntima: a manifestação do Cristo dentro de cada consciência que acolhe e pratica sua mensagem.
Assim, o "fim do mundo" não é destruição da Terra, mas o término de um ciclo de provas e dores, dando lugar à vivência plena do amor. É o convite à vigilância, à perseverança e à confiança na Lei Divina.
Guerras, fomes e terremotos: metáforas da luta interior
Jesus anuncia sinais como guerras, fomes, pestes e terremotos. Mais do que previsões externas, essas imagens podem ser compreendidas como metáforas das batalhas íntimas. São os conflitos entre o "homem velho" e o "homem novo", entre hábitos arraigados e a necessidade de renovação moral.
A guerra simboliza o combate interior, a luta contra nossas imperfeições. A fome representa a carência do verdadeiro alimento espiritual — "fazer a vontade daquele que me enviou" (Jo 4,34). As pestes refletem os desequilíbrios morais que se manifestam em crises coletivas. Os terremotos, por sua vez, revelam os abalos na consciência quando nos afastamos das leis divinas.
Esses sinais não devem ser vistos como castigos, mas como oportunidades de crescimento. São crises que revelam a necessidade de transformação e nos impulsionam ao progresso.
O alerta contra os falsos Cristos
Jesus adverte: "Acautelai-vos, que ninguém vos engane". Muitos viriam em seu nome, mas conduziriam ao erro. Esse alerta permanece atual. Há sempre ideias, pessoas ou sentimentos que se apresentam como "verdade", mas que, na prática, desviam do caminho do amor e da justiça.
O engano não vem apenas de fora; muitas vezes nasce dentro de nós, quando justificamos nossas imperfeições com falsas razões. Por isso, o Mestre insiste na vigilância: olhar para si mesmo, analisar os próprios conflitos e buscar a verdade que liberta.
O verdadeiro fim: consumação de um ciclo
O "fim do mundo" anunciado por Jesus deve ser entendido como o fim de um ciclo de ignorância e dor, e o início de uma nova etapa de consciência. É o momento em que o Cristo se manifesta intimamente, transformando o coração humano. 
Para alguns, essa "segunda vinda" já aconteceu, na medida em que acolheram e viveram o Evangelho. Para outros, ainda está por vir. Mas o destino é comum: a cristificação íntima, que marca o fim das dores e o início do amor pleno.
Conclusão
A destruição do templo e o fim do mundo, no contexto do Sermão Profético, não são apenas eventos históricos ou escatológicos. São símbolos da transitoriedade das estruturas humanas e da necessidade de reconstrução espiritual.
O verdadeiro templo é a consciência iluminada pelo Evangelho. O verdadeiro fim é o término de um ciclo de provas, dando lugar à plenitude do amor. O convite de Jesus permanece: vigilância, perseverança e confiança na Lei Divina.
Assim, o Sermão Profético não é apenas anúncio de calamidades, mas roteiro de esperança. Ele nos mostra que, mesmo diante das dores e conflitos, o Cristo se faz presente, conduzindo-nos à vida eterna e à paz interior.
A "segunda vinda de Jesus" não será física, mas interior e prática, ou seja, operacional

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Este artigo baseado no primeiro capítulo do livro O Sermão Profético, de Cláudio Fajardo, disponível em: