segunda-feira, janeiro 30, 2012

Maria de Nazaré a Educadora de Jesus - Administrando Emoções


Augusto Cury, em seu livro “Maria, a Maior Educadora da História” defende a idéia de que um dos motivos de Maria ter sido tão bem sucedida em sua tarefa de educar o menino Jesus, é porque ela sabia, e muito bem, proteger a sua emoção; ela fazia questão de ensinar a seu filho esta arte.
Faz ele interessante raciocínio:
Respeitados educadores ensinam os jovens a ter cuidado com seus objetos, não destruir seus materiais didáticos, não manchar suas roupas e a cuidar de seu corpo evitando acidentes e tendo higiene pessoal. Mas esquecem de ensiná-los a proteger o mais difícil espaço do ser humano, a sua emoção.1
Continua o autor na sequencia:
Quem não aprender a proteger a sua emoção pode até conquistar o mundo, mas será sempre infeliz; pode ser aplaudido, mas será sempre opaco; pode comprar todo tipo de seguro, mas será sempre frágil.
Todos nós que habitamos um planeta de expiações e provas, e principalmente nestes dias de transição, temos motivos para nos tornarmos tristes, depressivos, angustiados, preocupados e até mesmo contrariados. Entretanto, importa-nos reconhecer que Maria teve motivos ainda muito maiores que os nossos.
Conforme narram os evangelistas, teve uma gravidez incompreensível para a mentalidade comum, isto gerou nela, em seu noivo, e em toda sua família, sérias apreensões. Após o menino nascer envolto em mistérios, teve que deixar sua cidade, sua zona de conforto, o calor dos familiares, e partir para um novo país, sem saber por quanto tempo, em que condições lá viveria, com quais recursos, etc. Sua sensibilidade era grande, pois quanto mais o Espírito é evoluído, mais é sensível; assim, deve ter muito sofrido com a perseguição de Herodes aos inocentes por causa de seu filho. Tudo isso devia ser para ela e para os seus, motivo de grandes pressões psíquicas; não esqueçamos ela era uma adolescente, e estava num dos momentos de maior sensibilidade para uma mulher, o período pós parto.
Como será que reagiríamos numa situação destas? Por muito menos nós nos tornamos angustiados, depressivos, inconformados e paralisamos todo processo criativo em nossa vida. Qual a diferença entre nossas posições e a de Maria? Simplesmente de atitude. Maria sabia administrar seus conflitos, gerenciar suas emoções.
Em momento anterior neste nosso estudo fizemos uma breve comparação entre Maria e Eva, aqui podemos ampliá-la. Através do sentimento de Eva entramos em queda por ser ela a representação de um sentimento dissociado da razão. Maria por representar a sublimação de Eva, ensina-nos a usar o emocional e o racional em plena harmonia. Não é um sobrepondo-se ao outro, não é a razão dando a palavra final, mas o perfeito equilíbrio entre estes dois componentes tão importantes para o nosso progresso em todos os níveis.
Neste passo podemos fazer mais uma importante reflexão. Não sabemos se Maria não agisse desta forma, se poderia comprometer a missão de Jesus. Teoricamente sim, pois se ela se tornasse uma inconformada, se ela trabalhasse um sentimento de autopiedade, dificultaria sem dúvida o desenvolvimento de seu filho. Porém, como este acontecimento - a vinda até nós de Jesus - foi o mais importante de nosso planeta, desde a sua origem, o Pai não delegaria para esta missão quem tivesse a chance de falhar. Todavia, o Evangelho não é uma telenovela ou um romance comum, é preciso trazer para o nosso dia a dia as suas lições imortais.
Assim, é importante refletirmos, pois nós não sabemos quem o Pai colocou em nossa vida como filho, qual a missão de cada um deles. A mãe de um futuro presidente de uma nação não sabe o que ele será quando criança, o mesmo podemos dizer em relação a um grande cientista, ou, a um importante educador. Será que não estamos atrapalhando o projeto de Deus ao agirmos de forma tão destemperada como em muitas vezes fazemos? Não estaremos dificultando a vida de nossos filhos sendo inconformados, ensinando-os com a vida prática a não perdoarem quando contrariados, a serem violentos e irracionais?
São pontos a serem trabalhados por todo aquele que já está cônscio de sua necessidade reeducativa e da importância de agir como um colaborador de Deus.
Voltando ao citado escritor e psicoterapeuta, Augusto Cury, na obra já aqui comentada, ele sugere-nos três ferramentas para trabalharmos em nossa vida, e para ensinarmos aos nossos educandos - pois não tenhamos dúvida todos somos, em maior ou menor escala, educadores - a fim de evitarmos transtornos depressivos, suicídios, enfermidades psíquicas e perda de oportunidades. São elas:
  • Doar-se sem esperar muito do outro.
  • Compreender o outro na sua dimensão interior.
  • Saber que ninguém pode dar o que não tem.
Sem dúvida são três princípios de grande importância para todos nós e que se os praticássemos diminuiríamos e muito nossas dores e dissabores.
Temos muitas vezes dito e ouvido que Deus nos criou para amar e sermos amados. É preciso repensar esta informação e analisá-la com carinho.
Ao nosso ver ela é em parte verdade, mas há nela um pouco de contaminação de nossa psicologia inferior.
Sim, fomos criados para amar. Deus é amor. A matéria prima da criação é amor. Assim, se quisermos estar ajustados a Deus, caminhar no fluxo natural da vida de acordo com a Vontade Soberana e sermos agraciados por sua Misericórdia, temos de amar, pois este é o “idioma” de Deus, é através dele que nos comunicamos com o Criador.
Entretanto, a segunda parte da afirmativa “ser amado” deve ser observada de forma diferente. Não fomos criados para sermos amados como uma pré-condição básica. Ser amado é efeito, consequência, retorno. A causa é amar, se amarmos seremos naturalmente amados. Isto se dará sem nenhuma ansiedade, espontaneamente. É da Lei, e ela se cumprirá sempre.
Esta questão mal compreendida é que dificulta trabalhar em nós a primeira ferramenta, pois até admitimos que devemos doar, até nos sentimos satisfeitos por assim proceder, porém não abrimos mão de esperarmos retorno, temos o grande defeito de criarmos expectativas e esse é o problema. Se não criássemos expectativa em relação ao outro noventa por cento de nossas dificuldades de convivência estariam resolvidas.
Vamos trabalhar a terceira ferramenta, saber que ninguém pode dar o que não tem, junto com a primeira, pois em nosso modo de ver ela é um acessório desta. Quem não espera muito do outro, sabe que ele só pode dar o que tem, uma virtude maior contém naturalmente uma menor. Ou ainda, a vivência da terceira ferramenta, leva naturalmente à primeira.
Aqui nos permitimos uma ressalva muito bem colocada pelo Espírito André Luiz através da mediunidade gloriosa de nosso querido Chico Xavier, a alegria é a única coisa que podemos dar ao outro mesmo se não possuirmos.
Portanto, se ainda não conseguimos, como seria desejável, não esperar muito do outro, iniciemos o processo de defender a nossa emoção pelo menos não pedindo a ninguém algo que ele esteja incapaz de dar. Proceder deste modo não é ainda ser bom, mas é pelo menos agir com inteligência, o que já é um grande passo para a conquista da sabedoria.
A outra ferramenta colocada por Cury e também de fundamental importância é compreender o outro na sua dimensão interior.
Compreender o outro por si só é uma virtude de grande alcance e que evita muitas contrariedades.
Perdoar é uma atitude nobre, compreender é ainda mais, pois aquele que verdadeiramente compreende o outro não chega nem a sentir a ofensa, não tendo assim o que perdoar.
Compreender é desativar os pontos de conflito, significa transitar com segurança na área da emoção. E compreender o outro na sua dimensão interior torna-se ainda mais nobre, pois além de enxergar o outro, o que não é habilidade comum entre nós, é se aperceber do que está para além do visível, é também saber do outro em suas dimensões emocionais, espirituais e sentimentais.
Só Espíritos de boa condição moral e espiritual têm esta capacidade, e fazendo deles modelos a serem seguidos temos de ser obstinados em trabalharmos também nosso interior na conquista deste valor.
E Augusto Cury ainda nos faz, na mesma obra e capítulo, importante consideração sobre este tema: por trás de uma pessoa que fere, há uma pessoa ferida. Como a nos dizer: “quando nos sentirmos atacados, ou agredidos por alguém, trabalhemos nossa acuidade espiritual e enxerguemos nela não um agressor comum, alguém de má índole, mas um enfermo necessitado de um médico para a sua alma”. E Jesus, o filho de Maria, já nos alertara, o doente é que precisa de médico. Ele é o Médico dos médicos, e nós, seus efetivos colaboradores na implantação de sua Boa Nova no coração de todos.
Tu me amas, ainda fala o Senhor na intimidade de nossos corações, então, apascenta as minhas ovelhas. O que de outro modo pode significar: “educa as minhas ovelhas.”
1 CURY, Augusto. Maria, a Maior Educadora da História. São Paulo, Ed. Planeta do Brasil, 2007, cap. 6.

2 comentários:

Anônimo disse...

Amigo Cláudio, perdão mas Augusto Cury nao é espírita e nao utiliza os argumentos científicos do Espiritismo em sua dissertação sobre Maria de Nazaré. Vejo que o amigo continua, ao que parece, defendendo que Jesus nao nasceu da lei natural ( reprodução); ele nao veio destruir a lei, logo todo ato seu decorre da lei natural. Agora, Maria ensinar o que a Jesus, espírito puro? Ensinar o que?

Cláudio Fajardo disse...

Prezado amigo,

Augusto Curi não é espírita e nem nós dissemos que é, entretanto, isto não invalida suas contribuições ao estudo do tema.
Quanto a Lei Natural, será que espíritos de nosso nível evolutivo têm todo conhecimento para dizer o que é lei natural e o que não é?

Eu não defendi nenhum tipo de nascimento para Jesus até porque eu realmente não sei como foi, nossa contribuição é só no sentido de ampliar a discussão sobre o tema.
É muita pretensão nossa querer saber como foi a gravidez e o nascimento de Jesus, que como bem frisou você, é um Espírito Puro.
Veja você, segundo o Livro dos Espíritos os Espíritos Puros não sofrem influência da matéria. E aí, eles estão sujeitos a um processo de atuação genética como o nosso? Se estiverem então eles sofrem influência da matéria.
Isso é só para você ver que o tema não é tão simples, é mais complexo do que parece...