quarta-feira, janeiro 04, 2012

Resposta a um Protestante a Respeito da Reencarnação


Querido irmão, Paz em Cristo,
Você me questiona sobre a teoria da reencarnação, dizendo que ela não tem fundamentação bíblica, e que se esta palavra não está na Bíblia, que é o Livro dos livros, é porque ela não é uma realidade.
Antes de propriamente te responder gostaria de esclarecer que a palavra reencarnação é um neologismo, e que eu saiba criado no século XIX de nossa era, portanto, sendo o último livro da Bíblia escrito nos fins do sec. I, não há mesmo a possibilidade de sua presença na Bíblia.
Entretanto é preciso considerar que a ideia da reencarnação é mais antiga do que a Bíblia. No grego existe uma palavra, paliggenesia, que expressa o mesmo conceito, o de nascer de novo; e paliggenesia tem na Bíblia, cf. Mateus, 19: 28, Tito, 3: 5. Porém, os tradutores tradicionais deram a ela o sentido de regeneração, o que é apenas um dos objetivos da reencarnação.
Todavia, para te responder sobre esta questão eu vou usar de um argumento que não é original, vou me inspirar em um pastor protestante, que é lógico, não defende a reencarnação, mas me deu argumentos para te responder.
Eu o questionei sobre a questão da “trindade”. Disse a ele que vocês dizem que não tendo a palavra reencarnação na Bíblia, é porque ela não é uma realidade. Entretanto, a palavra “trindade” também não existe no Texto Sagrado, e mesmo assim, é defendida por todos cristãos ligados ao protestantismo. E daí, é preciso ou não estar na Bíblia para ser verdade?
Ele me respondeu dizendo que na realidade a palavra “trindade” não se encontra na Bíblia, porém o ensinamento dela sim.
É engraçado este argumento, quando interessa se tira da letra o espírito, quando não, não tira e interpreta-se a “Palavra” em sua literalidade.
Portanto, me acho no mesmo direito, e te digo:
“A palavra reencarnação não está na Bíblia, porém o seu ensinamento está, Ok?”
E digo mais, se o ensinamento da reencarnação não existisse na Bíblia, ela teria que ser reescrita, pois estaria incompleta.
Sei você acha um absurdo eu dizer isso, mas é uma realidade. Vejamos por que.
Todas as religiões concordam que Deus é amor, que Ele é Perfeição e Bondade em grau Supremo. Acho que nenhum de nós tem dúvida quanto a isso. Porém te digo, só o Espiritismo prova isso através da Lei da reencarnação.
Caro amigo, você acha justo que uma criança nasça com deficiência física, faltando às vezes um braço ou uma perna, ou cega, ou deficiente mental enquanto tantas outras nasçam perfeitas, saudáveis e felizes?
Ou ainda, que uma nasça filha de um traficante, e que viva no meio do crime, enquanto outra filha de um pastor evangélico. Qual das duas vai ter maior facilidade de ter uma vida moral ajustada ao bem e ser praticante do Evangelho? Eu sei que a filha do criminoso também pode se revelar uma ótima pessoa cristã, porém, será que as oportunidades das duas são iguais?
Digo ainda, se uma criança nasce, e morre dias depois, ela vai para o inferno ou para o céu? Será justo ela ir para o inferno? Creio que não e não precisa nem explicar o porquê. Todavia, será justo ela ir para o céu, e nós para chegarmos lá termos que sofrer tanto como sofremos?
Querido, só a Lei da reencarnação soluciona estes problemas, não há outra solução melhor para esta equação, pelo menos que eu saiba.
Não quero me estender muito nesta resposta, senão você não vai nem lê-la, e aí perde-se o objetivo deste texto, mas preciso dar pelo menos mais dois argumentos.
Não pode um castigo ser maior do que a culpa, nem um efeito ilimitado ser gerado por uma causa limitada. Trocando em miúdos, não pode uma vida limitada em anos, seja ela de 60, 70, 80, ou 90 anos, gerar uma felicidade ou tristeza pela eternidade, isto não tem a mínima lógica, é só pensar um pouco.
Outro ponto em que concordamos, é que Deus é Onisciente, ou seja, que Ele sabe tudo, do que aconteceu, do que acontece, e do que ainda vai acontecer. Daí podemos deduzir, se Deus sabe tudo, quando ele cria um espírito, uma alma, ou um homem, como queira, Ele já sabe no mesmo instante se este filho seu irá se salvar ou não. Portanto, seria um ato de amor de sua parte criar um homem sabendo com certeza que ele iria para o inferno eterno? Você pode argumentar que Deus dá o livre arbítrio, que se o homem não se salvou é culpa dele, e não de Deus. Concordo também com isso, porém o caso aqui é outro; Deus mesmo dando a liberdade e a oportunidade de todos se salvarem Ele sabe com certeza se cada um de nós vai ou não se salvar. Se não for assim, Ele não é Deus que sabe tudo; e aí, seria humano - e veja que Deus não é humano é muito mais que isso - criar um filho já sabendo de sua perda?
Talvez você esteja pensando em me dar aquele famoso xeque-mate contido em Hebreus, 9: 27:
E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,
Fique sabendo você que este texto não é mais nenhum xeque-mate, é apenas um xeque, e muito fácil de ser defendido.
Eu mesmo já escrevi várias vezes comentários sobre este versículo, um deles está no blog Espiritismo e Evangelho. Porém aqui para não nos estendermos muito vou dizer apenas que a Bíblia está correta. O homem morre apenas uma vez, pois quem reencarna é o espírito do homem. Vou explicar melhor.
O Espiritismo explica que o homem é um Ser trino, isto é composto de Espírito, corpo espiritual1, e corpo material.
Quando desencarnamos, ou morremos como dizem vocês, o corpo material é que morre, o espírito vai para o mundo espiritual com seu corpo espiritual. Quando reencarna este espírito toma outro corpo material, formando assim outro homem. Portanto, cada homem morre uma só vez mesmo. Analise o contexto da Carta aos Hebreus, nela o autor não está preocupado com este tema, o dos ciclos palingenésicos, o que ele quer mostrar é a grandeza do Sacerdócio de Cristo, e o que ele faz com este versículo é apenas uma metáfora para explicar sobre a salvação.
Bom, mas eu não posso terminar esta resposta sem mostrar onde é que na Bíblia contem o ensino da reencarnação.
Existe em vários livros, todavia vou te mostrar apenas dois que penso serem suficientes.
Na passagem da conversa de Jesus com Nicodemos ele fala em “nascer de novo”. Vocês têm interpretado isto como sendo o batismo e que após ele nasce uma Nova Criatura. Seria este o “nascer de novo” dito por Jesus. Confesso que isto não está errado, o versículo trata disso também, e essa parte é muito importante, não a do batismo, mas a de tornar-se uma Nova Criatura. Não estou com isso desrespeitando a ideia do batismo, todas as manifestações religiosas têm a sua importância, estou apenas priorizando a essência.
Jesus fala em “nascer da carne” em relação com “nascer da água”, e para isso ele usa a palavra gennao que quer dizer ser nascido, ser procriado, ser gerado. Portanto, é reencarnar e através da reencarnação se purificar, se transformar e nascer do espírito.
Todavia há uma passagem mais clara do que esta, é aquela em que Jesus diz que João Batista é o Elias que havia de vir.
Preste atenção neste texto:
Mateus, 17:10-13 10 E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem, então, os escribas que é mister que Elias venha primeiro? 11 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro e restaurará todas as coisas. 12 Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do Homem. 13 Então, entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista.
Ora, me desculpe, mas o versículo é claro; João Batista era Elias, e se era Elias em outro corpo, pois todos conheciam João, sua mãe, e a história de seu nascimento, é porque era Elias reencarnado. E quem disse isso não fui eu, foi Jesus, e Jesus você sabe, não mente.
Querido irmão, talvez nem assim, você se convença. Não tem problema, continue fazendo o bem e amando seu semelhante; divulgando a Bíblia este livro maravilhoso e tornando-se melhor a cada instante. Este é o objetivo da vida, e esta é a verdade que liberta. E lembre, ela, a reencarnação, não está em desacordo nem com a moral cristã e nem com a Lei de Deus; daí não ser pecado, pense nela como uma coisa possível, talvez na próxima encarnação você aceite melhor esta ideia.

Um abraço fraterno.

1 Cf. I Coríntios, 15: 40

Um comentário:

Anônimo disse...

Infelizmente, muitos estão arraigados em conceitos e deturpações do próprio Evangelho. Respeito a opinião, mas argumentos espíritas não convencem pessoas tão extremistas. Nem os católicos, os protestantes, os batistas, os anglicanos chegam a um consenso a respeito de quem foi o autor da Epístola aos Hebreus. Assim, dizem que os Espíritas são contra a Bíblia, mas como aceitar que um argumento inserido nas escrituras possa se contrapor as palavras de um apóstolo que reproduziu a palestra de Jesus?. Entretanto, mas mesmo que não pairasse a dúvida apontada, há, na própria Bíblia, 08 exemplos de pessoas que pessoas que morreram mais de uma vez; 03 (três) ocorreram no Velho Testamento : O primeiro está no I livro dos Reis, no capítulo 17, versículos 21 e 22 ; o segundo, no II livro dos Reis, no capítulo 4, versículos 32-37 ; e o terceiro, também no II livro dos Reis, no capítulo 13, versículos 20 e 21.

Os outros 05 (cinco) casos são narrados no Novo Testamento. Três deles foram
realizados por Jesus, e os outros 2 foram realizados por Pedro e por Paulo, respectivamente, narrados nos Atos dos Apóstolos, capítulo 9, versículos 36-42, e capítulo 20, versículos 7-12. Os realizados por Cristo são citados em Mateus, capítulo 9, versículos 18-25; Lucas, capítulo 7, versículos 11-17 e João, capítulo 11, versículos 1-43.


Daí, nós fazemos a seguinte pergunta, direta e simples:
Ou a interpretação que eles dizem está errada, ou estas pessoas continuam vivas até hoje, PORTANTO ONDE ELAS ESTÃO?.