segunda-feira, outubro 28, 2024

Estudo de Evolução com Honório Abreu - 2 – Gênesis 1: 1-10 - Segunda Parte



 
     

2 – Gênesis 1: 1-10 2ª Parte
Data da Reunião 24-6-2006
Continuação...

...isso acontece nos territórios de nossa caminhada evolutiva. Ou seja, algo desperta aqui e se manifesta ali. Moisés trabalhava com o que emergia desse núcleo. Então, chegamos aqui e pensamos:

  • Meu Deus! Eu tenho que conhecer a doutrina desde o início…

Não. Conheça na hora certa. Não fique lamentando! Lamentar representa querer ser mais do que você realmente é. Eu posso até, entre aspas, "lamentar":

  • Seria tão bom se eu conhecesse essas pessoas e pudesse passar por muitos valores sem tanto sofrimento…

Mas então, emerge. Com Jesus foi a mesma coisa. E com Kardec também. Precisamos ter muito cuidado com os equívocos, especialmente quando temos consciência deles. Por que evoluímos em grande parte pelos equívocos? Porque somos projetados na evolução pelos resultados das causas em nível de efeitos. Não existe efeito sem causa e vice-versa.

Então, há muita autoridade hoje, sabe por quê? Não é com base no que aprendi didaticamente ou pedagogicamente, incorporei e não vi. Porque eu conhecia, fiz assim mesmo e paguei caro! Não é isso? Paguei caro. E quando "pagamos", entre aspas, entramos em território de postura pessoal. Quando o sofrimento nos atinge, podemos despertar confiança, esperança, um propósito para superar o mal, ou nos encasular em complicações psicológicas que geram problemas futuros. Por isso, precisamos ter cuidado com as emissões.

A criatura jogou o outro da ponte. Muitas vezes, ele cultivou isso por mais tempo, ainda não estava sensível. Então, o que ocorre? Ele guardou nos escaninhos da alma o erro que cometeu. No decorrer de outras coisas que ocorrem naturalmente, ele começou a entrar num terreno de alterações na sua sensibilidade. Porque existe um processo de retorno da lei dos nossos equívocos! Já pensaram nisso? Porque se entra, mata e é morto! Mata e é morto! Isso aconteceu nas raízes da evolução. No grande despertar ainda. Mas não era o despertar em si! Ele está guerreando, soltando flechas, jogando pedras. Daqui a pouco, alguém o atinge, ele morre. Continua na briga do outro lado! Sabiam disso? Continua com a espada. Daqui a pouco, ele está de volta aqui. O berço vira uma verdadeira sinfonia de acontecimentos porque… Quando ele começa a despertar, aí sim! Ele será trabalhado com o retorno como instrumento didático. Não a causa. Por enquanto, estamos aprendendo com o retorno! Estão de acordo? Com os efeitos! Então, esse que jogou o outro da ponte, tinha por norma fazer isso em encarnações anteriores, um dia em que estava com a cabeça cheia de projetos, não é? Cheia de projetos! Aí a Espiritualidade diz: "não vai não". E ele:

  • Deus! Podia fazer algo para eu resolver esses problemas…

Aí começa a somar uma série de detalhes estudados pelas Autoridades Espirituais, em Deus. A evolução é uma entrega nossa, como diz Pierre Teilhard de Chardin. A evolução não é produto da evolução do homem. É determinação divina! Isso é importante guardar. Então, o que ocorre? Caiu na hora certa! Muitas vezes há um acidente, e ele diz:

  • Sabe Deus! Eu estava com a cabeça cheia de coisas, e foi embora, isso é o fim…

Há um sofrimento geral. Para os que ficam e para o que foi também. Então, o que acontece? Ele caiu! Este trauma causado pela experiência fica marcando o campo íntimo dele. Concordam? Então, ele vem, certo? Na encarnação, mas vem cheio de marcas psíquicas! Não vem? Cheio de registros, vem com muita extroversão, vem embutido sobre ele próprio, introjetado, vem com traumas, psicopatias de várias naturezas, por causa desse momento que viveu.

Então faz uma regressão. E a regressão leva ele só até o momento em que caiu da ponte! Não é? Ali para! Porque ali é um ponto de transição enorme, do que havia antes e do que veio depois. Então, você está ciente do problema, não notou que tinha medo de água?

  • Ah, eu não uso barco mais não. Tenho medo do oceano. Viagem de navio eu não faço!..

Está tudo alinhado com o diagnóstico. Quando pergunto: o trauma profundo está na queda da ponte, onde ele pagou o débito, ou no débito que contraiu lá atrás? Então, como ele vai resolver? Fazer psicoterapias seguidas para perder o medo de água? Ou amortecer as emoções desvairadas? De forma…

(P) -… na lei válido para…

(H) – Meu Deus! Se não houver uma sensibilidade íntima, como falei do lutador da tribo que vai e volta, vai e volta. É preciso que haja algo que se soma e que consiga marcá-lo. Às vezes, sabe como foi? Foi depois que ele conheceu uma companheira! Porque há uma linha de relação afetiva que ficou estabelecida. Nessa hora, onde ele estava? Estava noivo para casar! Isso fez despertar, pela linha da sensibilidade, um novo momento para a grande perspectiva futura. Ele caiu naquela situação já com um componente que marcou o que aconteceu:

  • Estou atrás dessa criatura não sei há quanto tempo…

Pode até pensar nisso!

  • Encontrei!..

E o pior é que ela vai casar com outro!..

(P) -…

(H) – Eu não digo que vou te esclarecer. Mas vamos falar sobre isso. Vou tentar te ajudar, Jaqueline. O não dizer, que ele comentou antes, mostra para nós que, na realidade, essa descoberta das condições crísticas… Então, o que queríamos lembrar, Jaqueline, é que o despertar da mentalidade crística. O que significa isso? Simão Pedro, naquela hora, compreendeu que para se projetar num processo de renovação, para entrar num processo de aprendizagem além dos fatos ocorridos dentro da linha de ação e reação, das causas e efeitos, a criatura não apenas incorpora o conhecimento, mas aplica o conhecimento. Porque a aplicação é a manifestação da palavra, não é da conceituação mental do caminho. Não sei se vocês entenderam. Eu falo de caminhos, falo de conceitos! Caminhos que percorro ou não percorro. Quando falo palavras, é verbalização. Aliás, vou comentar sobre isso na reunião hoje. Então, o que ocorre? Quando falo, estou verbalizando. Então, minha fixação para uma vida melhor está no discernimento quanto à aplicação do caminho na vida prática pela palavra. Porque a palavra é fixadora. Então, estamos aqui no grupo hoje desafiados no nosso comportamento crístico. Porque, como espíritos em evolução sistemática, o Criador cuida de nós! Como vimos nesta figura. Joga orientação para eles! Se estamos idealizando, estamos buscando, vem! Agora, não adianta ficarmos intoxicados! Normalmente, os espíritas são intoxicados de valores ao longo dos séculos! Desculpem a expressão forte dessa intoxicação. O que é? Temos material de sobra! A pessoa lê "Nosso Lar" e diz:

  • Engraçado, isso não é novidade para mim!..

Não é mesmo! Está cansado de conhecer isso. Então, estamos vivendo um momento de realização crística. Não é Jesus que está indo para Jerusalém! Nós é que estamos convocados a descer para Jericó? Não. Subir para Jerusalém. É uma subida constante. Através dos valores intrínsecos de nossa seleção de caracteres a caminho…


(P) -… e há uma saturação?

(H) – Às vezes, a saturação é uma mola muito importante. Muitas pessoas hoje estão mudando o comportamento devido à saturação. No entanto, aqueles que estão saturados ainda são acentuadamente escravos de sua maneira de ser, pois a saturação envolve condicionamentos. Há uma grande parcela que frequenta reuniões por anos e anos, mas não muda! Não é porque não gostam da proposta, mas porque não querem abandonar o barco em que vieram há muitos anos! Entenderam? Eles são saudosistas, estão saturados e querem algo novo. Para esses, uma reunião ainda é um bálsamo. Eles voam alto, participam, fazem e tal, mas quando chegam em casa, encontram resistência e ficam indispostos a ceder. Por isso Jesus disse o quê? O que aconteceu em Jerusalém! Não é sofrer? Não é ser morto? O que é ser morto? É desencarnar? Não! É ser morto nos meus conceitos! É morto nos conceitos. Ser morto em Jerusalém significa:

  • Você fala muito! Pare de falar! Ouça mais!..
  • Mas, eu fico sem falar?
  • Você é que sabe!..

Então, quando ele resolve falar menos e ouvir mais, está morrendo naquele sistema de vida de ser falador!..

(P) –… esse não morrer aí é…

(H) – Meu Deus do céu, no último versículo que estudamos do Apocalipse, o penúltimo é isso! Perde o direito à cidade. Não é isso? A cidade santa. Quer dizer, perdemos a oportunidade. Aqui diz: "se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa que estão inscritas neste livro". Então, perde o plano interativo de grupo, porque estamos em cidade, estamos ligados vibracionalmente com determinados grupos. Ninguém sai desta órbita sem entrar em outra. Antigamente, éramos expulsos daqui para entrar em outra. Agora, estamos entrando em outra para sairmos desta. Esse é o propósito da educação. Na educação, você entra para sair. Na expiação, saímos para entrar. Deu para entender? Eu fico arrumando umas formas para vocês, mas não sei se está confundindo.

(P) -… o cristão é aquele que ouviu e aprendeu…

(H) – Pode, perfeitamente. Se houver, vamos dizer, autenticidade por trás de tudo isso. Porque estamos cansados de sair, é como aconteceu com o endemoniado no evangelho: "e quando o espírito de luz tem saído do homem, anda por lugares áridos e encontra com os…, voltarei para casa de onde saí". O que ele encontrou lá? Lá tinha mais 7! Aí a situação piorou! Então, não há saída antes de entrada para uma evolução consciente!

(P) -… a oração, ela nos eleva, alcançada…

(H) – Sem dúvida alguma. Só que ela não nos mantém lá. Porque quando você entra num campo de oração, o que fez no seu psiquismo? Você não elevou tudo? A vibração não mudou? Você estava num piso vibracional aqui, com a oração passou para este piso. Mas, este piso só é garantido para nós se continuarmos naquela vibração. Não temos gás para ficarmos rezando, nesse aspecto! Rezando ave Maria ou Pai nosso. Não é? Ficar nesse estado mental por muito tempo. Aí, começamos a densificar e voltar para o nosso lugar. Então, a oração é uma bênção. E abre perspectivas para nós. E, nas vezes em que nos elevamos, somos envolvidos por vibrações mais suaves, mais objetivas, porque no fundo acabam por nos dotar de valores que serão germinados e santificados na nossa faixa cá embaixo, garantindo uma presença eficiente lá em cima. De maneira que foi muito válida a colocação.

(P) – … para que tenhamos vida … como é que conseguimos isso?

(H) – Viver na capacidade de gestação e escolha dessa vida. Então, realmente, você deve notar algo muito importante, não só você, mas todos nós aqui. Atentem para isso. Isso é da lei. Elegemos um sistema novo que a consciência endossa, por exemplo, trabalhar a doutrina espírita, aprender e tentar viver. Não é isso? É fácil? Reação de todo lado! Os mais sábios não entendem! Os mais queridos! A gente pensa: puxa! Mas, a mudança de planos representa criar uma cidadela nova! Criar uma aldeia nova! Criar uma cidade nova! Entendeu? Tem que sair do local onde estava Simão Pedro, lá quando falou! Porque aqui, em Cesaréia de Felipe, não criamos isso! Temos que projetar o novo processo. Então, é a derrubada, a desativação de reflexos superados ou superáveis, na criação de novos reflexos. Então, o que aprendemos? A evolução não se faz pela reação! A evolução se faz pela ação. Reação é resultante. Pela reação, você afere a conquista. Pela ação, você projeta e edifica a nova postura, a nova posição. Então, quando entramos num lance circunstancial e saímos bem, isso é reação. É o teste que vivenciamos.

(P) -… cada um no seu patamar …

(H) – Eu sugiro o seguinte: colocou um valor novo na intimidade da sua mente, tente aplicá-lo num plano racional. Porque um novo valor não significa que está capacitado a viver aquilo! Na sua concepção é aquela, mas você tem que pisar devagar. Uma das coisas que não há condição de paz nem para ele nem para os outros. A pessoa querer adotar um plano de santidade, de santificação, num ambiente que ainda é de acentuada conspurcação, vive em conflito! Então, temos que ter inteligência, analisar, discernir, porque senão barramos, dificultamos e, às vezes, produzimos pouco. Essa é a visão.

(P) -… no versículo 21 do capítulo 16 de Mateus, até então eu conhecia como um fato histórico. Apenas sobre Jesus. Gostaria de entender melhor como aplicar na minha própria vida esse versículo, ir a Jerusalém, padecer, os anciãos, os sacerdotes, escribas, ser morto e ressuscitar…

(H) – Sacerdotes, anciãos, etc., representam facetas da sua aprendizagem, facetas da sua intimidade. Vamos tentar voltar rapidamente lá, mas o assunto é pertinente. Diz aqui: "padecer muito dos anciãos". O que define ancião para você? Não é a parte sedimentada da sua personalidade? Conceitos milenares! Você vai sofrer a reação desses elementos!..

(P) – O Homem Velho?

(H) – Exato! É o Homem Velho. Outro ponto que você pode trazer nas suas análises. Diz aqui mais: "dos principais dos Sacerdotes". O ancião representa a carga de seus condicionamentos. O Sacerdote representa a faceta interativa sua com os campos infelizes, alimentando interesses dentro daquilo que você pensa. Porque quando você cria um sistema dentro de você, vai encontrar gente para te acompanhar, te seguir ou te ouvir. Emmanuel diz que "o ouvido que ouve, sintoniza a boca que fala". Então, não tem ancião que não tenha uma cargazinha de sacerdócio nele. Que é o plano de querer implantar nos outros, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente. Você vai encontrar essa posição também, que é ele já autorizando. Aquilo que você veiculava, é igualzinho à pessoa que gostava de julgar, por exemplo, que o vício hoje é reclamar. Quer dizer, a linha interativa dele com a sociedade era julgar. Qualquer tipo de julgo, inclusive entre os companheiros dele:

  • Você não vai lá mais? Você não quer fazer! Por quê?

E telefona: hoje tem jogo! Não é assim? Era Sacerdote, a linha que você deixava filtrar no contexto. E você pode mais. Os Escribas são as tônicas. Há tônicas na sua forma de ser. O Escriba é aquele que repete, repete, transcreve as leis, escreve, tem experiência. Então, você pode notar, ó Braz, que nós decodificamos esses valores, como Kardec mencionou em "A Gênese", a doutrina retira o aspecto essencial do campo figurativo. Então, o que esses personagens representam? Expressões da nossa personalidade. Personagens têm pessoas que representam linhas muito diretas aos nossos comportamentos pessoais. Colocar um escriba com uma construção externa não funciona! Ancião com uma construção externa também não! Agora, se você coloca ancião, escriba e sacerdotes no campo de personificação de pessoas, encontrará facetas da sua personalidade ali.

 

Queríamos definir o seguinte: "No princípio criou Deus os céus e a terra". Então, se Deus cria, nesse princípio fora da nossa capacidade perceptiva, nós também, como cocriadores, temos expressões de ambos e criatividade. Nossa criação se dá nos céus em primeiro lugar. O que são os céus? É a parte sutil. No novo processo de aprendizagem pela revelação, o que é aprendizagem pela revelação? É a aprendizagem no novo sistema que nos projeta para a linha educacional. Então, "céus" representa o que já laboramos, como acabei de falar, porque não adianta querer colocar os céus na terra de uma vez. Tem como colocar os "céus" na terra? Primeiro os céus, depois a terra. É um ângulo que devemos guardar. Quando estudamos isso no passado, não se falou nisso. Lembro-me perfeitamente. Hoje, estou falando céus na linha mental, terra no plano operacional. Por isso, com legitimidade, a terra deve ser criada em cima de um céu bem elaborado, bem estrelado. Um céu onde o sol está clareando e a lua é um refrigério nas noites difíceis.

 

(P) –...

 

(H) – No campo objetivo das mutações, na formação dos seres aqui, todo primeiro ser que habita a terra, seja uma árvore ou um animal, tem uma característica híbrida. Ele é criado de fora para dentro, com base no ser anterior. Vamos estudar isso na hora certa. E a semente está nos céus, no plano espiritual. Por exemplo, o lobo foi transmutado com algumas alterações, para muitos assemelhados ao cão. O cão pela característica domiciliar, o lobo mais selvagem. Então, o passo seguinte na evolução do princípio que gera o lobo é o cão. Essas transmutações no campo somático do corpo são feitas na Espiritualidade. Certo? Movimentando áreas da estrutura somática em todas as áreas do globo. Aí vem para cá. Mas, se ele apresentou uma característica de cão, com o tempo ele volta a ser lobo porque a carga está condicionada. Nessa hora, a semente do cão, que "está nos céus", no espaço da terra, como diz a pergunta 44 do Livro dos Espíritos, vem e encontra piso para encarnar nessa forma elaborada de fora para dentro. A semente que estava nos céus, não é isso? Passou a encarnar nessa terra. Deu para ter uma ideia? Aí sim, seria um processo de herança, de recepção, na fauna. Isso ainda será falado na hora certa.

Então, "no princípio criou Deus os céus e a terra". Observamos que, se Deus cria a terra no seu sentido cósmico, nós criamos a nossa terra, que representa a natureza, o piso em que vamos operar. Podemos dar à terra um sentido figurado, como propõe o capítulo 12 do livro "A Gênese", sendo aquilo que vou criando para mim. A terra pode ser o lar em que estou vivendo e que ajudei a criar. Não pode? Eu fico reclamando:

  • Não há quem aguente! Aquele meu irmão lá…

Ele é reflexo das minhas necessidades. Você tem uma co-responsabilidade. Por isso, as criações são nossas. Mas sempre temos parceiros nas criações. E sem querer criar uma ideia complicada da divindade, na realidade, somamos e refletimos nos ângulos positivos da nossa personalidade o pensamento divino. Ou então um deus verdugo, cruel, punitivo, que ainda cultivamos das faixas da retaguarda.

Então, "no princípio criou Deus os céus e a terra". Agora, começa aqui: "A terra era sem forma e vazia". Vamos trabalhar mais detidamente a partir da semana que vem, enveredando para esta linha mais direta. Porque estamos ajustando nossos valores para poder retificar detalhes ou definir por que estamos trabalhando. No estudo normal da doutrina espírita, em que entramos hoje, é muito difícil entrar! E aqui abre elementos que nos jogam para cá. Então, "a terra era sem forma e vazia", porque ela está na cabeça dos cocriadores ainda, ou não está? Dei este exemplo algumas vezes. Tenho um terreno de mil metros quadrados, vazio. Na minha cabeça, tem uma construção de 4 andares ali. Não pode ter? Mentalizando, ali vai ter uma entrada, um jardim, e assim por diante. Aí chego perto do Lairto:

  • Você está enxergando alguma coisa?
  • Não! Está vazio, não tem forma nenhuma ali mesmo não!..
  • Tem!
  • Ah! Então você está enxergando pouco, hein?

Porque está na minha cabeça! Não está ainda consolidado. Então, quando fala em terra, é consolidação! Quando fala céus, é o sentido, pode até existir, mas não está abrangido ainda pela nossa capacidade perceptiva. Então, a lua era "céus"! Não era? Ela não era componente dos céus? Quando o homem pisou lá, era "céus"! Agora é um planeta ou um satélite que já temos uma expressão consolidada relativamente a isso.

(P) –… essa diferenciação de céus e terra,

(H) – Porque os céus representam o campo de fecundação, quando percebemos. Por exemplo, estamos todos no céu dos nossos valores mais sublimados do evangelho, da doutrina, que temos que implementar na vida prática. O que ocorre? Tudo isso é componente onde existem as fecundações de ordem psíquica, que vão redundar em campo operacional e aplicativo a curto, médio e longo prazo! Estamos aprendendo coisas aqui que vamos colocar em prática só daqui a 2, 3 ou 4 reencarnações… não se preocupem. Agora, tem umas que gritam aqui dentro:

  • Tem que mudar é hoje ainda! E vou começar na hora que eu assentar à mesa!..

Ao invés de olhar o prato vazio à mesa:

  • Ih! Isto aqui não está bom não. Este arroz está bom? Não tem sal aqui, e não sei o quê. Vou começar hoje!

Essas são coisas que podemos começar na hora. Não podemos? Desarmar o coração. No almoço. Agora, tem casos que vão demorar ainda. E outros que serão muito mais prolongados. Então, é preciso que tenhamos essa ótica, senão ficamos cheios de conflitos. Vai chegar um momento em que vamos, como costumamos dizer, dar uma resvalada, não é? Então, uns reclamam:

  • Ah, eu não vou mais à reunião…

Nada disso, levanta! E fala assim:

  • Vou levantar e ainda vou cair outra vez!

É o que importa! Porque não é possível que estejamos com uma série de condicionamentos e um determinado elemento chega, e vamos desativar esses condicionamentos, às vezes de muitos séculos numa ação puramente mental. Se insistirmos muito, entramos em desequilíbrio. Eu querer ser aquilo que não tenho condições de ser porque existe uma integração entre céus e terra! Céus e terra. E essa terra é o laço que prende o espírito! Você criou, administra. Não acontece isso? Não sei se vocês entenderam. Então, o céu empurra de cima para baixo. A terra influencia de baixo para cima. A começar pela própria gravitação dela! Você joga um objeto, ele cai na terra. Eu tenho aqui a terra dos meus corações, das minhas criações. Então, tenho que ter fibra, coragem, um lastro de vontade capaz de amortecer os desejos, que são automáticos.

Costumamos dizer que o desejo é uma soma de caracteres que automatizam o nosso vil. Enquanto a vontade é um instrumento assemelhado ao desejo, mas direcionado! Então, a vontade, segundo Emmanuel, é o componente que administra! Que administra. Utilizando esse conhecimento com tranquilidade e segurança, posso ter maiores êxitos.

(P) -… edificação do reino dos céus, nós poderíamos entender…

(H) – A edificação do reino dos céus já é a nossa entrada nele. Tudo que fiz aqui, especialmente nesta figura, são providências para que se veja o reino dos céus. Então, edificar o reino dos céus é formar a terra. Não sei de que… no céu sem a terra. A começar do campo mental. Esta é a proposta nova para a regeneração. Até a expiação e provas, vem no vapt-vupt. A gente vira doutor aqui, formado em N disciplinas, em N frentes, nada operado com legitimidade por nós. Resultado das pancadas levadas. Então, tem pai que é um verdadeiro professor para o filho.

  • Você não faz isso porque isso aí não é bom! Não pode fazer…

Se ele perguntar, você aprendeu onde? Entrando nessa gelada que você está querendo entrar. Quer dizer, não tem aquela autoridade didática. Aprendeu e fez? Não. Ele aprendeu e não fez! Então caiu na esparrela. Com isso, nossa autoridade não deixa de existir, mas é decorrente do esforço. Tanto que achamos que nossos filhos vão incorrer nas mesmas coisas que incorremos. E o que tem na cabeça deles não é nada daquilo que tinha na nossa época! Eles vão passar por aquelas provas tranquilos, não vão ter problemas. Não acontece isso? Temos uma história, por exemplo, que o Oswaldo contava aqui. "Lá atrás, ainda hoje, está tudo assim tão aberto, todas as portas abertas, todos os lances. E a filha estava em casa, na adolescência de 12, 13 anos, e o namorado chegou, entrou no quarto e fecharam a porta. Aí foi o drama lá fora, do pai com a mãe. O que fazemos? Arrebentaram a porta! Invadiram o recinto deles! Aí estavam um de um lado e o outro do outro! Com o fone de ouvido, ouvindo uma música suave". Quer dizer, é a precipitação do que passa na nossa cabeça!

  • Eles devem estar fazendo um futebol lá dentro daquele quarto!

Olhou para o marido:

  • Você já fez isso alguma vez?

Pois é, é preciso haver melhoras para cair numa real interior, não é isso? Quer dizer, é a nossa forma! Porque nossa conceituação é embasada, não pelo que vemos lá fora, mas pelo que vivemos cá dentro! Então, não quer dizer que não somos levados a essa situação num mundo tão complicado porque estamos vivendo uma transição, mas estou trazendo esse exemplo porque na época em que ouvíamos isso:

  • Meu Deus! Como o negócio é frágil…

Vocês podem notar. Um grande percentual de nossas conceituações, de nossas "verdades", decorrem de experiências vividas, às vezes sofridas, às vezes equivocadas, não pelo que temos aprendido. Mas devagar a gente chega lá e o tempo acabou!


Para acessar o  áudio acesse:  https://youtu.be/5xrABW6rybs?si=h7lI6O0jq0TWxP1W
Leia também:  
Artigos e comentários a respeito da Doutrina Espírita e do Evangelho de Jesus - O Blog do Evangelho Miudinho
Compartilhe O Blog Espiritismo e Evangelho o Blog do Evangelho Miudinho nos Grupos de Whatsapp, E-Mail e Redes Sociais

O Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação" (Emmanuel)

domingo, outubro 20, 2024

Estudo de Evolução com Honório Abreu



2 – Gênesis 1: 1-10
Data da Reunião 24-6-2006


Na reunião anterior, exploramos a conexão entre os valores estudados no capítulo 22 do Apocalipse e o início da narrativa mosaica no Pentateuco de Gênesis, estabelecendo uma linha de conexão perfeita. No livro de Gênesis, temos uma redação formulada por Moisés e os iniciados hebreus, que, através da sensibilidade mediúnica, organizaram um tratado chamado Torá. Este tratado se estende por cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Essa coleção de valores, presente nesses cinco livros, representa, em nossa visão, um processo que projeta normas e sentidos práticos e aplicáveis, capazes de nos lançar ao infinito. Não se trata de um campo literal, mas de uma linha que, à medida que avançamos, nos permite penetrar mais profundamente. Esse é o papel das revelações. Quando Jesus vivenciou o conteúdo do Pentateuco, ele experimentou uma parcela desses valores, abrindo o espaço perceptivo para as normas aplicadas. Entenderam? Mas é restrito! Porque todo processo científico, prático e objetivo é mais restrito que o simbólico. O simbólico é sempre importante acompanhar com carinho, pois é um campo operacional. Ao estudar a Bíblia, no Velho Testamento, quem já estudou anteriormente perceberá que ela se abre mais, pois é simbólica.
Estou aqui com "A Gênese" de Kardec. Esta é restrita e relativa, mas é uma chave, uma instrumentalidade, não o que está dentro ou atrás da porta, no cômodo ou recinto que vamos entrar. Ficou claro? Com ela, abrimos os escaninhos necessários para nosso trabalho.
Devemos sempre ter em mente que Jesus ensinou uma parcela vivencial que projeta o ser para novos patamares, mas de forma "relativa". O Velho Testamento é abrangente e universal. No primeiro versículo, "No princípio criou Deus os céus", nota-se que "céus" está no plural. Esse "céus" pode ser vinculado ao universo em sua extensão, falando de infinito e eternidade. Vocês sabem o que é infinito? Tem conceitos, mas eu não sei o que é infinito! Infinito é algo que não tem princípio nem fim. Eu não sei, por enquanto, como surgiu; tanto que Kardec perguntou aos Espíritos : "Como pode algo que teve princípio não ter fim?" Isso é contraproducente! Não é científico!
Agora, imaginemos uma empresa, fora dos parâmetros humanos, com uma infraestrutura organizacional capaz de ter uma visão panorâmica da evolução. Na produção de automóveis, por exemplo, essa empresa poderia prever que, no ano de 2422, produzirá um veículo tipo helicóptero, sem hélice, que desce verticalmente sem ruído. Não é um projeto de "infinito"? Infinito, mas finito para nós, 400 anos à frente! Será que Deus tem barreiras nas projeções? Isso mostra que posso ter sido criado e lançado no infinito dos céus há bilhões de anos na nossa cronologia terráquea. Minha criação remonta a um passado cuja extensão não podemos estimar. Então, o conceito de infinito começa a mudar, pois nosso infinito se perde na linha objetiva dos tempos.
Antigamente, nascia uma criança, certo? Sob esse princípio que Maria Helena quer entender, e nós também. O que ocorre? No princípio, nascia uma criança. Aí alguém mais esperto diz: "Nasceu agora não! Nasceu da fecundação do óvulo com espermatozoide!" Não tínhamos esses nomes na época.
Naquela época, não existiam esses nomes. Mas havia algo entre o gene masculino, embora o livro não use essa palavra, algo imaterial, fluido, um líquido que gerou…
Então, ela já tem 9 meses de vida, em tese. É isso mesmo? Agora, alguém mais esperto diz:
  • Que nada! Esse elemento que está chegando aqui estava lá no plano espiritual, ó!..
E outro começa a rir:
  • Que nada! Ele estava numa encarnação anterior, e eu sinto intuitivamente que ele foi meu bisavô!..
Já estava encarnado. Notaram a ideia de infinito? Então, está sob uma perspectiva que vemos agora. Até que alguém diz:
  • Nada disso! Ele não está neste mundo de muitas vidas. Ele veio de outro sistema planetário.
(P) – Esse princípio, então, nunca para… (H) – É uma indicação filosófica. Porque todo nosso princípio é uma tarde, não é o início! A manhã é relativa, a tarde é o infinito. É absoluto! Ficou claro agora? Meio complicado perguntar para vocês, não é? Mas dá para ter uma visão panorâmica, é por aí.
(P) – Sr. Honório, esse número 5 aí. É uma expressão simbólica? Pentateuco? (H) – Todo processo em um campo abrangente define, em tese, os componentes que ficam nesse campo. Esse 5 tem um significado muito especial. Por exemplo, a primeira coisa que o 5 representa são os campos de percepção do nosso envolvimento no contexto geral. Pelo 5, recebemos do geral, e pelo 5 interferimos no geral. Então, se eu tenho o Tato, os 2 sentidos químicos, o Olfato e o Paladar, e tenho a Visão e a Audição, então tenho 5 sentidos. Tenho a condição de uma linha abrangente. Desde o concreto, do Tato, aos perceptivos químicos, como a gustação e o olfato. Uma ideia! É uma ideia nesse contexto. Então, posso dizer o seguinte: os 4 lados da pirâmide, sobre os quais se fundamenta em segurança aquela construção de natureza cósmica com seu plano de relacionamento, mostram um processo de soerguimento seguro, não é? Mas que culmina com o ápice da pirâmide, em termos longilíneos, onde ela se afina e capta como uma antena do Alto, irradiando por ali. Mostra um processo, também, de natureza do que você está trazendo, Sarah. No livro "A Gênese", Kardec define, porque há quem ache estranho o que está dentro do livro "A Gênese". No capítulo 12, item 12, diz: "Para os espíritos incultos, sem nenhuma ideia das leis gerais, incapazes de apreender o conjunto e de conceber o infinito, essa criação milagrosa e instantânea apresentava algo fantástico que feria a imaginação. O quadro do Universo criado do nada em alguns dias, por um só ato da vontade criadora, era, para tais espíritos, o sinal mais evidente do poder de Deus". Olha que interessante! Para determinados espíritos, isso mostrava o poder de Deus. Não em concepção, não em gestação, não tem nascimento, não tem nada. É tudo como se fosse um milagre. "Que configuração, com efeito, mais sublime e poética desse poder, do que a que estas palavras traçam: Deus disse faça-se a luz e a luz foi feita! Deus, ao criar o Universo pela ação lenta e gradual da lei da Natureza" – se não fosse assim, não haveria trabalho para nós, seria um capricho divino. Imaginemos se houvesse um decreto: "Sr. Honório, fulano, Beth, Lairto, aperfeiçoem-se e tornem-se super-elementos do Universo agora". E pronto! Mudou! Seria, praticamente, uma…
"Deus, ao criar o Universo pela ação lenta e gradual das leis da Natureza, lhes pareceria menor e menos poderoso. Fazia-se-lhes indispensável algo maravilhoso, que saísse dos moldes comuns; do contrário, teriam dito que Deus não era mais hábil do que os homens. Uma teoria científica e racional da criação os deixaria frios e indiferentes. Não rejeitemos, pois, a Gênese bíblica; ao contrário, estudemo-la". Kardec já falava isso. Então, há espíritas que acham que isso é uma abominação!
Estudar Gênesis é essencial. A expressão é clara: "estudemo-la como se estuda a história da infância dos povos. Trata-se de uma época rica em alegorias, cujo sentido oculto deve ser pesquisado, comentado e diversificado com o auxílio da razão e da Ciência. Devemos ressaltar suas belezas poéticas e ensinamentos velados. Pela forma imaginosa, é necessário apontar expressamente os erros, no interesse da religião. Esta será mais respeitada quando esses erros deixarem de ser impostos à fé como verdade, e Deus parecerá maior e mais poderoso quando seu nome não estiver envolvido em fatos de pura invenção".
Os processos figurativos e alegóricos são caminhos diretos para erros e equívocos, como Kardec nos mostra na introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo. Alguma pergunta sobre isso?
(P) -…
(H) – O despertar dos nossos interesses ocorre, Eunice, pela interação com o ambiente e a natureza. A elasticidade da mente, sua abertura e afirmação, surge de um processo que podemos chamar, didaticamente, de curiosidade. Isso também acontece com os animais. O despertar e a curiosidade! Parece estranho falar de curiosidade em animais, mas existem processos em que os acontecimentos ao redor se tornam pontos de referência. Outro dia, vimos na televisão um símio que se olhou no espelho, acreditou no que viu e, em seguida, pegou o espelho e deu saltos enormes dentro do cômodo. Ele viu algo que mexeu com seu psiquismo! Estava procurando fora do espelho algo semelhante a ele. Isso é um processo de projeção mental! Nós também vivemos assim. Quando pegamos algo e nos perguntamos: "O que é isso?" Às vezes, até nos damos mal, mas é assim que acontece o processo evolutivo. Parte do prático para o teórico. É o futuro despertar do indivíduo. As figuras estranhas do Velho Testamento representam colocar o oculto em uma imagem ostensiva e clara. Mas o que importa é o oculto! Tanto que temos no evangelho: "nada há oculto que não haja de saber-se". Agora, a Espiritualidade busca componentes didáticos que possam chamar nossa atenção ou oferecer subsídios para nossas deduções.
(P) -… nós vamos encontrar o Pentateuco mosaico, os 5 grandes livros do Evangelho e o Pentateuco kardecista.
(H) – Sim. São 4 evangelhos e o livro Atos dos Apóstolos. E no livro de Kardec, cinco livros. Nós sempre destacamos isso, como você lembrou. Temos Gênesis, que é figurado, e a Gênese, que é científica. As três grandes revelações começam com Gênesis e terminam com a Gênese.
(P) - … já que inicia com Gênesis e…
(H) – Os elementos que depreendemos, onde estão os valores fundamentais da revelação, já são o primeiro passo. No Torá de Moisés, o livro Gênesis é o mais precioso, pois define todo um sistema. Estão tentando tirar Mateus da linha para colocar Marcos como o primeiro, mas Mateus vivenciou fatos com Jesus e anotava tudo. Tanto que é chamado de anotações de Levi! É o que Arnaldo fez, só que ele não tomou nota! Clóvis Tavares tomava nota. Ele escreveu "Trinta anos com Chico Xavier". Esses são autênticos, pegam na fonte! Os outros, foram pegando por pesquisa aqui e ali. A obra básica de Kardec não é nem Gênese, nem o Livro dos Médiuns. É o Livro dos Espíritos! É a primeira obra dele. Não sei se vocês estão entendendo.
As demais obras começam a abrir comentários que definem os conteúdos da obra básica, que é a primeira. No Velho Testamento, temos os 5 livros e vários outros Proféticos, Históricos e Sapienciais que são explicativos, como comentários. Com Jesus, temos os 4 Evangelhos e Atos, complementados pelas Epístolas de Paulo, as Epístolas Universais e o Apocalipse. Em Kardec, temos os 5 livros principais, seguidos por "O que é o Espiritismo", "O Espiritismo em sua Expressão Mais Simples" e muitos outros de Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne, Chico Xavier, entre outros. A doutrina espírita é dinâmica e está sempre em linha com a contemporaneidade, sem símbolos. O campo de pesquisa da doutrina mostra a ligação com a seiva da revelação e acompanha as linhas naturais do Progresso e da Evolução.
(P) –…
(H) – Se alguém pode responder para você, por caridade, é este grupo todo aqui, inclusive você que participa dele! Sabemos que precisamos ter uma visão de infinito nas nossas explicações, mas com os pés no chão. Quando falei da pirâmide de quatro lados, estava apontando para o alto! Captando de lá e emitindo para lá! Sua capacidade interpretativa se sublima quando você procura apagar-se no seu sentido de centro do universo. Embora você o seja. Eu sou o centro do universo. Teoricamente! Ou não somos? Se há o infinito, eu estou aqui, o centro é esta mesa! Serve para documentar que o centro dele é aqui também. Quando Ptolomeu argumentou que o centro do Universo é a Terra, ele não estava errado! No plano relativo, passou para o Sol, com Copérnico, no heliocentrismo! Mas, talvez numa linha intuitiva, ele estava mais avançado que o próprio Copérnico. Não estou querendo retificar uma lei superada, só mostrando o sentido filosófico. Você está no centro do Universo. Mas é o universo todo como componentes que estendem suas linhas de relação em termos de amor. Quando você coloca amor, descobre coisas que não te isolam do universo, sua mente fica mais ampla, receptiva e segura na interpretação. Kardec, no capítulo 12 de "A Gênese", foi muito claro. Ele disse que é figurada, mas deve ser estudada. Estamos tentando estudá-la agora, mas com os pés no chão! Temos valores inestimáveis na doutrina espírita. Se aqui está "céus" no plural e "terra" no singular, vou usar uma cartilha chamada depreensão. Vou depreender, vou analisar. A doutrina espírita, nos livros de André Luiz, é a doutrina espírita de fora! Ou não é? É de fora! Mas será que alguém pode precipitar no conhecimento? Não quero criar sofismas, mas dentro do processo, está saindo um livro hoje, lançamento na União, "Chico, Diário das Recordações". Se eu colocar este livro inteiro no meu coração, na minha linha perceptiva, aprendo algo? Não! Eu somo esses valores. Pode até pesar na biblioteca mental. Mas, se registro o substrato disso, me enriqueço interiormente. É nesse sentido. Paciência que vamos chegando lá. Perseverança sim, vamos avocar ideias e investir nelas. Mas chega lá na frente:
  • Ah, sabe de uma coisa? Tem que mudar! Porque não é por aí…
Ensaio, acertos e erros são naturais para quem quer progredir. Quando Kardec foi chamado para ver mesas girantes, ele disse:
  • Não vou entrar nisso; isso é coisa de menino; é conto da Carochinha. Mesa não tem cérebro! Então eu não vou mesmo!
Mas o amigo Fortier voltou e disse:
  • Mas tem sim! Pode assistir!..
Não foi isso que ele disse? Puxa! Meu amigo. Não pedi nada a ele! Ele veio até mim, me ofereceu! E ficou. Estamos estudando a doutrina que Kardec desenvolveu, em função do quê? Da reunião. E se ele fosse inflexível? Porque o pensamento de Kardec era cartesiano, Newtoniano! Ele era objetivo!
  • Sabe de uma coisa? Vamos por aqui, compra ali, não tem nada que me enrole…
Aí vem Emmanuel hoje e diz: "Fazer-se criança". Não é isso? "Apequenar-se". Para evitar a cristalização mental. Cristalização mental é a barreira dos intelectualizados! Entendeu? A cristalização é a barreira dos intelectualizados. Do simples, não! Sem pedir sistema. E correm reencarnações! Passam-se séculos!
  • Ontem mesmo! Não mudou nada!..
Os Espíritos pensam assim. E levam pancadas na reencarnação. Leva mesmo. Para a pessoa mudar, sai todo esfolado do outro lado.
(P) –… houve um testemunho pessoal dos antigos cristãos, em favor desse Cristo. Não dá a impressão de que a base é sustentada por vários estigmas?
(H) – Eu não tenho dúvida disso, embora não possamos fechar porque é uma faceta da revelação. E se perguntar isso a Emmanuel, ele vai dizer: "Não. Não sei como eu sinto mesmo não". E Kardec? Ele diria para vocês. Possivelmente diria para mim. Agora, nós como bons discípulos, aqueles que estão felizes nas argumentações e nos conceitos, vamos pensar assim. Não se progride apenas com a Ciência! A Ciência é um instrumento de projeção da evolução. Alguém chega perto de mim e diz:
  • Ó Sr. Honório, não existem 3 elementos gerais no universo? Pelo que li no Livro dos Espíritos está assim: Espírito, Matéria e Fluido Cósmico! Não dá para entender isso? A Gênese é que clareou!..
Eu disse não! Por que você fala com tanta certeza? Porque são três elementos: Deus, Espírito e Matéria. Sobra o Fluido Cósmico que fica pendurado no ar. Então tenho que tirar um deles! Deus eu não tiro! Matéria eu não tiro porque é certa, então tiro o Fluido Cósmico. Estude mais e você notará que há algo ligado ao espírito e à matéria. Isso é muito comum na nossa idade. Nesse espírito de gerir a doutrina espírita, que é sempre útil. Então, é o que ela comentou! Como fazemos? Se eu tirar a filosofia das minhas elucubrações, eu paro porque a filosofia é uma abertura sem escravização, da veiculação da fé. A fé, para mim, é muito segura, é toda soma do que eu não conheço, mas que depreendo! Eu não evoluo só com o que conheço, como acabei de falar. Só o que conheço é um sistema conceitual do Honório, ou não é assim? Mas, em cima dessa linha conceitual, que é a minha soma de caracteres que forma o que "eu sou", no plano integrativo do universo, eu tenho que avocar aquilo que eu não sou. Isso que eu não sou, como faço? É igual ao cientista na astronomia! Eu quero conhecer tal constelação! Vamos trabalhar! Coloca uma sonda no espaço, não é isso? Para conseguir captar os sinais dos sistemas das galáxias mais de perto e coloca outra, e outra, e outra. Perceberam? Então, isso tudo é movido pela fé!
Agora, nessa linha em que temos a abertura, que é a janelinha da Arca de um côvado, lembram? No terceiro andar da Arca, que é a casa mental, por essa abertura da Arca, no terceiro andar que é o superconsciente, podemos entrar em relação com o infinito. Mas tenho certeza de que ninguém pode abranger, na observação da arca mental, o infinito por essa janelinha! Não sei se vocês entenderam. Quando a NASA mandou o homem à Lua, na década de 60, o que foi feito? Calcularam tudo com base na ciência! Tudo foi calculado. Para ver quais forças interferiam na cápsula espacial, não foi isso?
Quantas vezes tiveram que corrigir a rota da nave? Entenderam? Por quê? A correção da rota ou da órbita da nave representa ajustes em função de tudo aquilo que ainda não conseguimos entender. Mas já entendiam a gravitação, o impacto, o impulso necessário, o que fazer, quanto subir e quando lançar o foguete. Isso tudo já sabiam! Mas há tantas coisas que ainda não sabemos! E quando analisam o fator que interferiu na rota, esse fator se expande, criando um novo universo! Por isso somos sempre relativos. Basta o discípulo alcançar a condição do mestre. E o servo não pode superar o senhor! Porque o senhor engloba coisas que nós, como servos, estamos muito distantes de compreender.
(P) -… essa fé que é a soma do que eu não conheço mas que … seria a fé cega …
(H) – Seria. Porque todo processo de fé raciocinada te projeta num piso de segurança que só você conhece. O difícil é implantar sua fé nos outros. Porque você pode dizer:
  • Eu creio na reencarnação!..
Não pode? Porque você fez várias análises, está estudando, não tem dúvidas, tem que haver reencarnação!
  • Eu creio nela!
Podemos falar com Beto e ele pode dizer:
  • Eu tenho é certeza!..
Então essa certeza que ele manifestou é uma fé com muito mais substância. Compreendeu agora? Quando você dá um passo além do que conhece, por segurança, eu nunca fui ali e você já foi. Quanto mais você se expande na verticalização e na horizontalidade, mais o componente que você conhece cresce e se fortalece. Por isso os Espíritos definiram assim: "Espíritas, amai-vos eis o primeiro ensinamento e instrui-vos eis o segundo". Porque chega um ponto, Jaqueline, se você não amar no concreto que já conhece, o instruir-se fica bloqueado! Não sei se vocês entenderam. Você tem que aplicar o que já sabe! Você lembra em parte! Quando está num ritmo normal, conhece e consegue aplicar, é na aplicação que consolida o conhecimento. E à medida que surgem ângulos de afetividade no contexto do amor, você abre janelas para uma percepção mais nítida do que não conhece. "Em parte conhecemos, em parte profetizamos". De Paulo. Não é isso? É uma das grandes mensagens dele, definindo essa premissa. Em parte sabemos e em parte estabelecemos. Então, muita coisa eu falo com base no que sei, outras que concebo, pela ação da profecia que é falar daquilo que existe, mas que não conheço com clareza.
(P) -…
(H) -… eu quis mostrar que esse princípio existe, tanto que está colocado. Como na expressão do Velho Testamento: "no princípio, criou Deus". Onde está esse princípio? Então, o princípio define nossa projeção nesse ponto. Tanto que existe algo que comento aqui, nessa abordagem de princípio, é que só há uma maneira de caminharmos rumo ao futuro com segurança: tendo consciência do passado. A cada projeção para o futuro em nossos estudos, temos que penetrar em nós próprios e percorrer o passado. Porque sem uma consciência do piso, que está encravado em nosso subconsciente, será difícil laborar e fertilizar com clareza o superconsciente, onde estão os valores ainda não vivenciados. Porque o passado, incrustado no subconsciente, é matéria vivida. É nosso livro experimental! É de experiência. O Super são expressões idealísticas ou concebidas! Então, temos que ter isso em conta. A projeção com êxito depende de nossa condição. Tanto que Sócrates, ao definir essa realidade, comentou: "conhece-te a ti mesmo".
(P) -…
(H) – Mas não é equivocada. Nós é que utilizamos determinadas facetas do nosso passado, Glória, para fazer valer determinadas extravagâncias que alimentamos na atualidade.
(P) -… trabalhasse essa ideia do evangelho como princípio educativo para…
(H) – O que aconteceu na revelação mosaica pode ser definido pelo texto: "no princípio criou Deus os céus e a terra". O que ocorre? Conversamos sobre a evolução da massa, que não é uma realidade. A massa não é evangelizável automaticamente. Isso é algo que precisamos entender. Seria mais ou menos assim: temos a Terra com seu núcleo, certo? Essa massa é vista com carinho pelas lides superiores. Então, o que ocorre? Jesus vem e se lança aqui, Moisés vem e essa massa permanece. Agora, o valor revelado fica guardado na periferia, aguardando o interesse dos elementos que formam essa massa. Ou seja, não há um processo de massacre dessa massa para mudar. A revelação dessa massa aconteceu porque, entre os bilhões de seres na Terra, alguns resolveram olhar pela janelinha que apresentam. Enquanto não há interesse, não há atendimento, para não lançar pérolas aos porcos. Entenderam? Tanto que quando Simão Pedro disse, no capítulo 16, versículo 13 de Mateus, "Tu és o Cristo, filho do Deus vivo", o que Jesus falou logo depois?
"Então, mandou aos seus discípulos que ninguém dissesse que ele era o Cristo". Interessante, não? Como quem diz: "apesar de falarmos disso, a ideia de ser o Cristo é o despertar de cada um e não uma pregação sistemática de fora para dentro". Perceberam? Todos conhecem Jesus! Falar de Jesus, falem à vontade! Tem um profeta fazendo milagres, pode falar! Agora, falar de Cristo é o despertar pessoal! Porque você não fala do Cristo de lá, você fala do Cristo que é seu! A sua parcela crística! Então, o que ocorreu depois disso? Ficaram calados. Desde então, Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém. Notaram? E padecer muito dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, e ser morto. E ressuscitar ao terceiro dia. Então, para vocês que já descobriram quem é o Cristo, precisam presenciar isso. Porque a percepção da ideia crística é a percepção do conhecimento filosófico na área aplicativa que é comigo e não com Moisés. Dentro da sua missão, não sei se estão percebendo. Então surge aqui, e a Espiritualidade nota: "ó, pintou lá qualquer coisa". Algo surgiu lá! Então você analisa, porque Pedro é chamado fundador da igreja. Entenderam agora por que tem essa concepção? Não perceberam? Ele foi o primeiro! E realmente foi. Agora, entre ele ser o primeiro que percebe e…
Fim da primeira parte


segunda-feira, outubro 14, 2024

Novo Êxodo



"Desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus" (Romanos, 10: 3)

A missão de Israel era mais grandiosa do que podemos imaginar. Não se limitava a nos trazer a Primeira Revelação, mas também a Segunda – "a salvação vem dos judeus" (Jo, 4:22). Ou seja, a missão de Israel era revelar o Evangelho ao mundo, inclusive aos gentios.
Jesus era judeu, assim como seus primeiros seguidores e os evangelistas.
A promessa feita por Deus a Abraão abrangia todas as nações (Gn, 12:3).
Portanto, Jesus é o propósito da Aliança, a Justiça Divina que cumpre a Promessa.
Citando N.T. Wright, podemos reafirmar:
"A vocação de Israel de ser o povo da Aliança do Criador sempre teve o objetivo de ser o meio de resgatar o mundo inteiro".[1]
Por que isso não se cumpriu?
Por vários motivos, mas talvez o maior deles seja a vaidade.
Israel se envaideceu de ser "o povo escolhido" da "Primeira Revelação". A "Presença Divina" esteve com eles, as Alianças (Abraão, Isaac, Jacó, Moisés…) lhes pertencem, assim como a outorga da Torah (Rm, 9:4). A Israel foi confiado os "Oráculos de Deus" (Rm, 3:2).
Todavia, como Paulo diz, "Israel tropeçou" (Rm, 11:11). Tropeçou pelo orgulho; recusaram-se a abandonar seu status "próprio", isto é, étnico, da participação na aliança (Wright[2]).
Neste ponto, deixamos de falar de Israel para nos dirigirmos mais afetuosamente aos irmãos espíritas.
O Espiritismo é o Novo Israel, estamos sendo conduzidos sob a direção do Espírito de Verdade a um Novo Êxodo.
Através dele, fomos libertos da escravidão (Egito) da morte e do pecado. Da morte – que é a maior angústia dos homens – pois a reencarnação matou a morte. Como consequência, fomos também libertos do pecado, que passou a ser um momento transitório do Espírito, que pode derrotá-lo pela redenção através das múltiplas existências.
Através da mediunidade, foi comprovada a imortalidade da alma, e por ela os "Oráculos de Deus" também nos foram confiados.
Jesus, o Cristo, é a Terra Prometida, o cumprimento da Promessa, de Seu Evangelho "mana leite e mel".
Queridos irmãos de fé, tenhamos cuidado, a vaidade que fez tropeçar Israel pode também nos fazer perder a "Promessa".
Médiuns, escritores, oradores, entre outros, muitas vezes se acham mais importantes que a Revelação. Não poucas vezes pensam ser eles os verdadeiros autores dela.
Portanto, tenhamos cautela, atentemos para o "vigiai e orai". Não deixemos que os sentimentos do mundo sejam nosso "prato de guisado" e por eles renunciemos a nossa primogenitura, ou seja, de nossas bênçãos espirituais.


[1] WRIGHT. N.T., Romanos e a Teologia de Paulo – Artigo: http://www.ntwrightpage.com/port/Wright_Romanos_Teologia_Paulo.pdf acessado em 20/04/2011
 
[2] Idem ibidem