quinta-feira, dezembro 27, 2012

Carta de Tiago, 1: 3 a 5

 pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à paciência; mas é preciso que a paciência produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência.

Este versículo traça o projeto de evolução desejado.
Àquele tempo ele falava para judeus convertidos ao Cristo. Ninguém mais do que o povo judeu sabia o valor das provações. Este foi um povo que sofreu; e os que tiveram a compreensão de Jesus como sendo o Messias que libertava pela transformação moral, foram os que aproveitaram as provações na edificação de sua fé. Assim, a expressão pois sabeis…, é bastante coerente no texto.
Nós temos aprendido isto também à custa de muitas dores. O Evangelho traz para nós a possibilidade de participar deste sabeis, minorando os nossos sofrimentos. Cabe a cada um de nós “não recalcitrar contra os aguilhões”.
Como dissemos, este versículo traz para nós o projeto de evolução desejado. É que o Alto quer para nós a vitória espiritual, assim, nos envia Espíritos, que como Tiago, pela instrução encurta-nos o caminho evolutivo adiantando-nos o progresso.
A vossa fé, bem provada, leva à paciência; a fé já foi dito, é força que nasce com a própria alma, certeza instintiva na Sabedoria de Deus…1 Podemos dizer que a fé é a lembrança da presença de Deus em nós. Ela existe em todas as criaturas, porém, é desperta através da evolução, e cada um a tem num determinado grau de acordo com suas conquistas individuais.


Leia o texto completo em : http://espiritismoeevangelho.webnode.com/carta-de-tiago-do-irm%c3%a3o-do-senhor-para-todos-os-crist%c3%a3os/tiago-1-3-a-5/

terça-feira, dezembro 18, 2012

Carta de Tiago - Do irmão do Senhor Para Todos os CristãosCristãos

Capítulo, 1: 1 e 2
Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão; saudações.
O autor desta carta se revela logo no primeiro versículo, é Tiago.
Mas quem seria esse Tiago? Não pode ser o irmão de João, o filho de Zebedeu, pois este desencarnou antes desta carta ser escrita. É então Tiago menor, o filho de Alfeu (Mt, 10: 3), irmão de Judas (Jd, 1: 1)?
Paulo diz que é o irmão do Senhor (Gl, 1: 19), e lhe chama de “coluna da igreja” (Gl, 2: 9); ao que tudo indica sua mãe chamava Maria (Mt, 27: 56) e era parenta da mãe de Jesus, talvez irmã. Provavelmente esteja aí o motivo de Paulo dizer que era o irmão do Senhor, é que àquele tempo os primos de primeiro grau eram tratados como irmãos.
Para Emmanuel (cf. livro Paulo e Estevão), era Tiago filho de Alfeu, e irmão de Levi. Para Humberto de Campos sua mãe chamava Cleofas, seu Pai era mesmo Alfeu e era irmão de Levi e de Tadeu.1
Ainda segundo alguns estudiosos este Tiago seria um terceiro Tiago, irmão de Jesus (cf. Mt, 13: 55) e que só teria se convertido ao cristianismo depois do episódio da ressurreição, teria desde então assumido a liderança do movimento junto com Pedro e João. Josefo, historiador judeu do Século I, afirma ser Tiago, irmão de Jesus e que foi martirizado no ano 62 a. C..
Há ainda outra dificuldade para estabelecer o autor desta carta, é que ela foi escrita em um grego elegante e rico em vocabulário, o que não era comum em um galileu.
Seja lá como for Orígenes cita esta epístola como escritura inspirada.
Para a nossa análise onde o que mais importa é conteúdo reeducativo do texto, cabe o destaque de que Tiago se denominava servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
O Evangelho de Jesus nos mostra a todo instante que o objetivo do Cristo era educar o Espírito em trânsito na Terra a fim de que ele se ajustasse à necessidade de maior espiritualidade.
O meio para que isto se efetivasse como conquista do Ser imortal, é que este estivesse em conexão com as inteligências do Alto e buscasse no seu dia a dia aplicar o aprendido em seu campo de ação com aqueles que lhe fossem próximos.
Amar e servir estes os verbos que mais deveriam ser praticados pelos seguidores do Messias.
Ao se qualificar como servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, Tiago mostra que compreendeu a lição e no decorrer do texto tanto quanto no da vida daquele que Emmanuel diz ser o irmão de Levi, vamos ver que ele tinha autoridade para assim dizer.
Dois mil anos se passaram...


Para Ler o Texto Completo Clique Aqui

segunda-feira, setembro 03, 2012

Mediunidade e Evangelho - A Obra é de Deus (1 Coríntios, 12: 17 e 18)


Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
Toda unidade coletiva é formada das partes. Os universos são compostos de sóis e planetas; países, de estados e municípios; famílias, de homens e mulheres; órgãos, de tecidos e células.
Todas as partes têm sua função específica, e importância no contexto, para que um organismo funcione perfeitamente, todas elas têm de estar devidamente ajustadas ao objetivo maior.
No ser humano este ajuste é representado pela máxima cristã “amai ao próximo como a si mesmo”, significando a perfeita harmonia entre a Lei de Conservação e a de Amor e Caridade.
Assim, da mesma forma que os sentidos voltados ao equilíbrio orgânico têm que se harmonizarem concorrendo para um funcionamento adequado do vaso físico, no homem integral, os fatores físico, espiritual, emocional e ambiental, têm de estar também equilibrados; o mesmo acontecendo na comunidade voltada para um objetivo comum – o movimento espírita por exemplo – onde as partes constituintes desta, no caso, os seres humanos que a compõem, devem estar também conjugados e voltados para o bem comum e o interesse geral da obra.
Pois se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
Para que o Espírito realize sua evolução e consequentemente o “retorno ao Criador”, ele é projetado na matéria dentro de uma hierarquia universal, e conjugando liberdade e obediência caminha para a perfeição, tudo isso sob orientação superior e atendendo a um plano maior da Criação.
Cada um deles como [Deus] quis. Por mais que exteriorizemos nossos recursos potencializados, por maior que seja nosso ajuste aos desígnios universais, jamais poderemos, como nos alertou o Cristo de Deus, acrescentar um côvado à nossa estatura. Tudo está disposto consoante a Vontade do Pai, Ele é o Incriado e o Inatingível, Ele colocou os membros no corpo como quis, e a nós cabe, atendendo aos impositivos da Lei, realizar o melhor que nos cabe dentro de nossa faixa de ação própria.
Tudo isso o façamos com alegria e não gemendo, porque isso não nos seria útil.1
Assim, antes de semear a insatisfação e a discórdia em qualquer movimento voltado para o Bem e ao serviço ao semelhante, analisemos qual é o interesse comum, qual a nossa tarefa dentro do plano mais amplo, sintamos que Deus, através do Cristo, está sempre na direção e que tudo tem a sua razão de ser, pois segundo o excelente conselho do mestre de Paulo:
se esta obra é de homens, se desfará, mas, se é de Deus não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.2
1 Hebreus, 13: 17
2 Atos, 5: 38 e 39

segunda-feira, agosto 27, 2012

Mediunidade e Evangelho - Todos Pertencemos a um Mesmo Corpo (1 Coríntios, 12: 16)


E, se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
A orelha como órgão facilitador da audição tem também importantíssima função, o mesmo acontecendo com o olho que proporciona a todos a possibilidade de enxergar as maravilhas pertinentes ao mundo físico. Os dois do mesmo modo pertencem ao corpo cada um com a sua característica que o torna essencial.
Se houvesse a possibilidade de um destes órgãos serem dotados de inveja e fazendo uso deste sentimento procederem de uma forma negativa, querendo cada qual ter a característica do outro, de nada adiantaria, muito antes pelo contrário, pois a harmonia do todo ficaria comprometida.
Do mesmo modo é o funcionamento da Casa Espírita. O atendimento fraterno é um ótimo trabalho, essencial mesmo no socorro aos necessitados que buscam aliviar suas dores; podemos dizer que este é o pronto socorro de nossas agremiações. Também o serviço de primeiro atendimento àqueles que chegam buscando em nossa Casa iniciar-se dentro uma nova proposta filosófica é de fundamental importância, pois avaliar a necessidade particular de cada um e direcioná-lo para o ambiente adequado é passo certeiro com vistas a um trabalho bem realizado.
O que acontecerá com o recepcionista da casa, para isso preparado, se ele invejar o trabalho do atendimento fraterno e para lá quiser se transferir imediatamente por achar que sua tarefa é menos importante? E o que acontecerá se todos quiserem deixar suas tarefas em favor de outras que não conhecem bem?
Trabalho é toda ocupação útil, conforme nos ensinam os sábios Espíritos codificadores, e Paulo vai mais além, todo trabalho é coordenado pelo Cristo, e tem sua preciosa função. Deste modo, alegremo-nos com a nossa utilidade, e façamos cada vez melhor e mais bem feito o que nos propusermos a fazer, pois esse é o diferencial que deverá caracterizar o trabalhador cristão, e por consequência .o servidor espírita.
Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.1
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.2


1 João, 5: 17
2 I Coríntios, 15: 58

segunda-feira, agosto 20, 2012

Mediunidade e Evangelho - Corpo Vários Membros (1 Coríntios, 12: 14 e 15)


Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
Toda doutrina tem os seus princípios que lhe dão sustentação. Estes são muito importantes, pois se assim não for a doutrina fica sem consistência e de fácil oposição. Todavia, todo conjunto de princípios tem um objetivo primordial, senão, qual o objetivo de sua existência?
Com a Doutrina Espírita não é diferente, todos temos no estudo de seus princípios fundamentais um dever, para que possamos ser coerentes em nosso modo de expressar. Assim, Deus, Espírito, perispírito, mediunidade, reencarnação entre outros são temas constantes de nossas meditações e pesquisas como sendo, no dizer de Paulo, os órgãos formadores do corpo doutrinário que o Codificador denominou Espiritismo.
Se é justo assim proceder, não podemos esquecer do objetivo primordial da doutrina que abraçamos que é a efetiva educação do Ser em sua integralidade; isto é, matéria e espírito, buscando desenvolver em cada um os potenciais latentes de moral superior fundamentada no Evangelho do Cristo. Isso que a nova psicologia espírita tem chamado de “autoiluminação” é de fundamental importância para todos conforme expressam os Espíritos codificadores na questão 132 de O Livro dos Espíritos: “Deus lhes impõe [aos Espíritos] a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição.”
Se tudo isso é essencial a nortear os estudos dos “discípulos de Kardec”, faz-se ainda mais imperioso a busca da vivência de toda essa proposta filosófica, pois somos sem dúvida os que hoje mais temos compromisso com o “ide e pregai o Evangelho...” a todas as criaturas. Tal ocorrência só terá verdadeira autoridade se fundamentada no exemplo edificante.
Portanto, se juntos devemos manter a harmonia dos princípios evangélicos, porque também o corpo não é um só membro, mas muitos, não esqueçamos a orientação do próprio discípulo de todas as gentes:
A cabeça de todo homem é Cristo… e a cabeça de Cristo é Deus. Todo homem que ore ou profetize com a cabeça coberta desonra a sua cabeça.1
Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
O corpo é o veículo de manifestação do Espírito imortal. Cada membro dele tem a sua importância dentro da proposta reeducativa do ser.
O pé é um membro voltado à segurança na movimentação, ele dá direção ao caminhar. A mão por sua vez é importantíssima na realização de um trabalho mais produtivo. Um corpo sem mão pode movimentar-se para lá e para cá sem dificuldades, mas terá algum impedimento na operacionalização de certos serviços. Por sua vez, um corpo sem pé poderá muito produzir nos estado de quietude, todavia, muitas serão as complicações no serviço do deslocamento.
Assim, em um organismo perfeito tudo tem a sua finalidade visando a produtividade harmoniosa, todos pertencem ao mesmo organismo e nenhum tem maior mérito do que o outro.
O que será de um grupo de trabalhadores espíritas onde só houver médiuns voltados para a cura? E se em outro grupo só houver expositores da mensagem doutrinária?
Deste modo, dos elementos ligados à faxina (sem a qual não pode haver o recebimento dos necessitados), até o mais sábio tarefeiro das questões últimas da vida, ninguém pode abrir mão de sua função e todos devemos trabalhar com alegria e reconhecimento, pois juntos formamos um só corpo e a dirigir esse corpo um só Espírito: O Espírito Verdade.
1 I Coríntios, 11: 3 e 4

segunda-feira, agosto 13, 2012

Mediunidade e Evangelho - Fomos Batizados em Um Espírito (1 Coríntios, 12: 13)


Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.

Batismo, do grego báptó: mergulhar, imergir1. No hebraico tabal e tebila, significando a imersão de um corpo ou de um objeto num líquido.2
Na antiguidade o batismo fazia parte dos rituais de iniciação e purificação. Na tradição hebraica, esta imersão era objeto de uma legislação rigorosa, pois dela dependia o estado de pureza ritual e o bom funcionamento da aliança com Deus.
Os portadores de sarna e todos os que eram considerados impuros deveriam se submeter a esta prática. Ainda hoje os hebreus continuam a praticar este rito, a mulher depois das regras e o casal depois do ato sexual.
Vê-se assim, que a imersão para o hebreu é diferente do batismo cristão, enquanto este é recebido uma só vez quando da conversão ao cristianismo, aquela é uma prática constante que faz o homem cada vez que quer purificar-se ou limpar-se de suas faltas.
Na igreja primitiva o batismo já diferia um pouco destes ritos conforme podemos depreender das anotações do livro de Atos nos primeiros movimentos do capítulo 19. Paulo simplesmente impunha as mãos sobre os discípulos que seriam batizados, e estes se sensibilizavam através de uma percepção espiritual que hoje podemos chamar de mediúnica.
Deste modo, aquele que era o “vaso escolhido” do Cristo segundo as anotações do autor de Atos, dizia aos Coríntios, com desdobramento aos cristãos de outras eras, que todos fomos batizados ou iniciados na doutrina do Evangelho, e tenha sido qualquer que seja a nossa origem ou a nossa filosofia anterior, agora somos adeptos do Cristo e assim temos o dever de com Ele servir, formando um só ser coletivo harmonizando todos os corações necessitados:

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.3

Para nós espíritas os rituais não têm utilidade, o símbolo do batismo que é a imersão do corpo em água para se purificar, pode representar a necessidade reencarnatória - nascer da água - e através desta purificar o nosso Espírito pela vivência do bem – nascer do Espírito.

1 Dicionário Eletrônico Houaiss
2 A Bíblia Matyah (O Evangelho Segundo Mateus), Pág. 64
3 João, 13:35

segunda-feira, agosto 06, 2012

Mediunidade e Evangelho - Uma Reunião é um Ser Coletivo (1 Coríntios, 12: 12


Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.
O filósofo italiano Pietro Ubaldi nos afirma em sua obra de maior expressão, A Grande Síntese, que “todos os Seres tendem a reagrupar-se, à proporção que evoluem, em unidades coletivas, em colônias, em sistemas sempre mais abrangentes.”[1]
Se tal acontecimento é uma verdade científica ainda não podemos precisar, há mistérios na Lei Diretora do Cosmos que para nós ainda é um grande desafio. Porém, o Espiritismo nos deixa transparecer que pode ser desta forma, pois o Espírito Paulo, o apóstolo, segundo as anotações de Kardec na questão 1009 de O Livro dos Espíritos nos diz que:  “Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade”
Jesus também nos asseverou que Ele e o Pai eram um[2], querendo com isso dizer não a mesma pessoa, mas que Ele já havia se unificado com Deus através da vivência plena de Sua Lei.
O preclaro filho de Tarso neste versículo aponta-nos por analogia, que, se os membros sendo muitos formam um só corpo, do mesmo modo é Cristo. Ou seja, que todos os cristãos, sendo muitos, mas em comunhão em Deus, formam um só corpo, o corpo de Cristo. Indo mais além em outro momento:
Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.[3]
Ou seja, esta comunhão com o Pai se dá através do perfeito ajuste uns dos outros, ou melhor, da perfeita harmonia reinante entre os próprios seguidores do Nazareno.
Jamais seremos plenamente idênticos, mas poderemos formar, se em harmonia, um organismo sem falhas onde hierarquia deixe de ser disputa entre superiores e inferiores, para se tornar comunhão por um objetivo maior que é o perfeito funcionamento do universo.
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Em matéria de mediunidade podemos também afirmar o mesmo. A orientação de Kardec é clara:
Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a resultante das de seus membros e formam como que um feixe. (…) Toda reunião espírita deve, pois, tender para a maior homogeneidade possível. Está entendido que falamos das em que se deseja chegar a resultados sérios e verdadeiramente úteis. Se o que se quer é apenas obter comunicações sejam estas quais forem, sem nenhuma atenção à qualidade dos que as deem, evidentemente desnecessárias se tornam todas essas precauções; mas, então, ninguém tem que se queixar da qualidade do produto.[4]
É imprescindível que toda prática mediúnica esteja vinculada à proposta reeducativa do Evangelho, pois o intercâmbio entre os dois planos da vida não tem como único objetivo a comprovação da imortalidade, mas também ampliar os potenciais do Espírito em bases de um amor adimensional.
Deste modo, médiuns ostensivos ou de sustentação, dirigentes e outros participantes de reuniões, devem comungar sentimentos nobres e superiores, cultivando sincera humildade, pois formarão, se assim acontecer, um só corpo, e corpo de Cristo.


[1] A Grande Síntese, cap. 29
[2] João. 10: 30
[3] Romanos, 12: 4 e 5
[4] O Livro dos Médiuns, Item 331

segunda-feira, julho 30, 2012

Mediunidade e Evangelho (1Coríntios, 12: 11)


Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
Já comentamos a respeito da afirmativa que diz que um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas. Que fique claro que vários são os Espíritos que podem se comunicar, todos os livros sagrados dão prova disso e nos dias de hoje, até a ciência pode comprovar a comunicação entre os dois planos.
A própria igreja católica já aceita essa comunicação, em 2 de Novembro de 1983 perante mais de vinte mil pessoas na Basílica de São Pedro o Papa João Paulo II afirmou:
"O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo".
Em entrevista concedida à repórter Ilze Scamparini, o Padre Gino Concetti, um dos Teólogos mais competentes do Vaticano também afirma a mesma possibilidade de comunicação:
Ilze Scamparini : "Existe Comunicação entre os Vivos e os Mortos ?"
Gino Concetti : "Eu creio que sim. Eu acredito e me baseio num fundamento teológico que é o seguinte : Todos nós formamos em Cristo, um Corpo místico, no qual Cristo é o Soberano. De Cristo emanam muitas graças, muitos dons, e se estamos todos unidos, formamos uma comunhão. E onde há comunhão, existe também comunicação."
Ilze Scamparini : "O que o Senhor pensa do Espiritismo ?"
Gino Concetti : "O Espiritismo existe. Há sinais na Bíblia, na Sagrada Escritura, no Antigo Testamento. Mas, não é do modo fácil como as pessoas acreditam. Nós não podemos chamar o Espírito de Michelangelo ou de Raphael. Mas como existem provas nas Sagradas Escrituras, não se pode negar que existe essa possibilidade de comunicação".[1]
Não temos, portanto, nenhuma dúvida de que em breve esta possibilidade natural de comunicação será certeza em toda a humanidade.
Entretanto para isso é preciso humildade para reconhecermos que de planos mais altos, de rara espiritualidade, o mesmo Espírito opera todas essas coisas, isto é, o Espírito do Cristo, repartindo particularmente a cada um como quer, ou seja, dando a cada um de acordo com a sua adesão à Lei de Deus que, invisível aos olhos humanos, coordena e dirige todos acontecimentos universais.


[1]  http://www.geocities.com/jeffersonhpbr/textos.html

segunda-feira, julho 16, 2012

Batismo, Um Desafio Cristão






Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. (Isaías, 1: 16)
O tema do batismo tem nos desafiado a compreensão no que diz respeito ao entendimento evangélico sobre o assunto.
As religiões cristãs tradicionais batizam seus seguidores, cada uma a seu modo. O espiritismo que é também de origem cristã não prega a necessidade do batismo. Com quem está a razão?
João Batista que era um Espírito de alta evolução, que tinha a missão de ser o precursor de Jesus, batizava. E mais, disse que Jesus também batizaria. Apesar disso, João, o evangelista, afirma que Jesus mesmo não batizava, e sim os seus discípulos1.
Polêmicas à parte, se Jesus batizava ou não, o certo é que segundo as anotações de Mateus, uma das últimas orientações do Rabi antes de subir definitivamente aos Mundos Superiores, foi exatamente para que seus seguidores fizessem discípulos batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo2.
Isto está nas Escrituras, e conforme diz o próprio Senhor, a Escritura não pode ser anulada3.
Portanto, sendo Jesus o Guia e o Modelo para a humanidade conforme nos orientam os próprios Espíritos codificadores, e sendo Seu Evangelho roteiro imprescindível para nossas vidas, não estaria o espiritismo em erro, e nós espíritas não deveríamos também batizar e sermos batizados?
Fundamentados nestes pensamentos resolvemos estudar mais minuciosamente o assunto já que bem poucas são as referências espíritas sobre o tema e muito raro é nos Centros Espíritas abordarem tal questão.
A origem da palavra batismo é o grego baptizo que quer dizer mergulhar, imergir, que por sua vez deriva de bapto que tem basicamente o mesmo significado. Entretanto em um dicionário bíblico encontramos uma anotação que faz ligeira distinção entre os termos:
O exemplo mais claro que mostra o sentido de “baptizo” é um texto do poeta e médico grego Nicander, que viveu aproximadamente em 200 A.C. É uma receita para fazer picles. É de grande ajuda porque nela o autor usa as duas palavras. Nicander diz que para preparar picles, o vegetal deveria ser primeiro ‘mergulhado’ (“bapto”) em água fervente e então ‘batizado’ (“baptizo”) na solução de vinagre. Ambos os verbos descrevem a imersão dos vegetais em uma solução. Mas o primeiro descreve uma ação temporária. O segundo, o ato de batizar o vegetal, produz uma mudança permanente.4
Segundo alguns estudiosos, a origem de se batizar vem da Caldeia. Cairbar Schutel, espírita e estudioso do Evangelho, nos diz de forma diversa:
Esta prática, que assinala períodos milenários, parece ter nascido na Grécia Antiga, logo após a constituição de uma seita que cultuava a deusa da torpeza, a quem denominavam Cotito e a quem os atenienses rendiam os seus louvores. Esta seita, constituída de sacerdotes que tinham recebido o nome de baptas, porque se banhavam e purificavam com perfumes antes da celebração das cerimônias, deixou saliente nas páginas da História esse ato como símbolo de purificação.
Segundo o professor Paulo Dias, historiador e espírita de origem judaica, os judeus, no Ano Novo, na Páscoa, no Shabat, costumam fazer a MIKVA, o banho de lavagem total ou da casa, ou dos vasilhames, ou do corpo conforme o caso.
No judaísmo mesmo anterior a João Batista este banho de imersão era usado quando algum gentio se convertia, batismo dos prosélitos; ou como ritual de purificação. Por exemplo, as mulheres judias praticantes deveriam se purificar a cada período menstrual. Segundo a Torah antes de entrar no Templo a pessoa necessitava se purificar através de alguns rituais.
Segundo os textos do Novo Testamento o batismo de João, que foi um divisor de águas, era para o arrependimento. Os batizados entravam no rio Jordão e confessavam seus pecados. Podemos pensar que esta imersão na água simboliza a imersão do Espírito na nova doutrina a que ele deve se converter.
Temos assim, no batismo de João um grande diferencial em relação aos mergulhos anteriores; seu batismo não tinha sentido ritual, mas moral, ele não se repetia, o batizado não precisava de ficar se purificando sempre, já que ele se convertia e não se contaminava mais, esta era a ideia. Fazendo uma relação com a citação do poeta e médico grego Nicander, a imersão de João não deveria ter ação temporária, mas permanente.
Mesmo assim, o Batista dizia que seu ato iria ser superado pelo de Jesus, este não batizaria com água, mas com fogo e com o Espírito.
Temos aprendido em nossos estudos que o batismo com água, que é o batismo do arrependimento, que pode muito bem lembrar a própria reencarnação do Espírito, simboliza a justiça. Aliás, este é o símbolo do Precursor, é a justiça humana em seu grau máximo antes da chegada do amor que é o próprio Cristo em nossos corações.
Por isso o batismo de Jesus supera o de João, já que o amor é maior do que a justiça, esta está contida naquele.
Assim, chegamos a uma primeira conclusão. O batismo de João simboliza a reencarnação. O Espírito reencarnante também mergulha na água do líquido amniótico para iniciar sua vida física, e seu corpo nada mais é do que expressão deste líquido divino sendo ele quase todo de componente aquoso.
A reencarnação também é para o arrependimento, purificação e conversão do Espírito; sem ela não há progresso legítimo e nem mesmo podemos falar em justiça divina. Ela é a maior expressão da Justiça do Criador.
Dentro desta ótica podemos dar uma primeira resposta à nossa questão. O espírita deve se batizar? Sim, não só os espíritas, mas todos os cristãos. Não só os cristãos, mas todos os filhos de Deus.
Resta-nos apenas resolver uma pendência para seguirmos adiante. Dissemos que o batismo de João não se repetia. Daí podem nos perguntar: mas como ele representa a reencarnação já que esta se repete várias vezes?
Deixamos a palavra com Kardec e com os Espíritos codificadores:
Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.5
A cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante na senda do progresso. Desde que se ache limpo de todas as impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal.6
Deste modo, o objetivo da encarnação do Espírito, como do batismo, é o de fazer o Espírito atingir a perfeição7. Todavia como este não a alcança numa só experiência física, ele tem oportunidade de outras. O mesmo se dá muitas vezes nas próprias igrejas cristãs, é comum um adepto se batizar e não se converter totalmente tendo a necessidade de confirmar posteriormente o batismo. Por isso o próprio Batista disse que o batismo de Jesus seria mais poderoso do que o dele, pois ao ser batizado com o fogo e o Espírito a criatura não mais necessitaria reencarnar, se daria a queima de todas as impurezas e o aperfeiçoamento pleno pela vivência do amor.
Destarte, como compreendermos o batismo de Jesus? O que é ser batizado com o fogo e com o Espírito Santo? Qual o real sentido destas palavras?
Continuemos analisando alguns textos:
Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?
Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento.
Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.8
Os fariseus e saduceus somos nós mesmos que, pecadores necessitamos reencarnar e assim conhecermos Jesus9 e sermos por Ele batizados.
Entretanto, por nos identificarmos mais com as questões exteriores, queremos logo receber o batismo por meio de rituais como fazem as igrejas tradicionalmente. João os alertou:
quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento.
A ira futura representa o retorno de nossas ações no campo da irreflexão. Queremos o perdão de fora para dentro sem construí-lo no dia a dia. É nesse sentido que aguardamos o Messias poderoso e salvador, o que vai nos livrar da escravidão. É preciso produzirmos frutos dignos de arrependimento, e isto se dá quando, como nos ensina o Codificador do Espiritismo10, nos arrependermos, expiarmos e repararmos o mal feito.
Quando isto não se dá, não produzimos bons frutos e somos assim, lançados ao fogo, fogo este que simboliza os desafios a que somos submetidos com o objetivo de purificação de nossas imperfeições no cadinho da vida.
Deste modo, o batismo do fogo é a queima destes resíduos inúteis e perniciosos que produzimos com nossas imperfeições. Do mesmo modo que o ouro ou os metais se purificam em altas temperaturas, nos estamos sujeitos a todo tipo de dores, contrariedades, e dificuldades com objetivos redentores na temperatura elevada das lutas reencarnatórias. Entretanto, para que este seja o autêntico batismo do Cristo é preciso que tudo isto se dê de forma consciente, e possamos no plano aplicativo das lições do Mestre assim fazer com alegria.
Ainda exemplificando sobre como seria este batismo o próprio Jesus nos disse ter vindo trazer não a paz, mas a espada11, em se referindo à luta íntima que teríamos de empreender durante nosso processo reeducativo.
Só depois deste batismo, o do fogo, é que podemos nos candidatar a sermos batizados com o do Espírito Santo, que é justamente aquele em que redimidos nos tornamos santificados pela implementação em nós das virtudes evangélicas como conquista definitiva do Espírito. Ser batizado com o Espírito Santo é, portanto, ser promovido e passar a fazer parte do grupo dos Espíritos do Senhor que não só são ajudados, mas que efetivamente ajudam o próprio Criador e Seu Cristo no encaminhamento das almas ainda desajustadas.
Dito isto, podemos pensar em concluir este nosso estudo, cuidando apenas de comentarmos sobre a orientação de Jesus para que fizéssemos discípulos em todas as nações batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo12.
Este versículo contido nas anotações de Mateus simboliza todo o plano de nossa colaboração com o Pai no que diz respeito à implantação de Seu Evangelho - porque em última instância o Evangelho é de Deus -, no coração de Seus filhos. Só assim tomamos posse de nossa salvação. Compreendendo isto, o salmista assim se expressou:
Devolve-me o júbilo da tua salvação
E que um espírito generoso me sustente.
Vou ensinar teus caminhos aos transgressores,
Para que os pecadores voltem a ti.13
Deus Pai é a Fonte Irradiadora de Todo Bem, de Todo Amor. O Filho, que simboliza Jesus, o Cristo, é o plano operacional deste Bem, do Amor. O Espírito Santo são todos os Espíritos agregados a Deus em Plena Comunhão Harmônica, pela dinamização do próprio amor. São aqueles que em uníssono com o Pai trabalham em favor de Seus filhos.
Deste modo, batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo sintetiza todo trabalho do apóstolo induzindo as criaturas a realizarem o processo de evolução consciente ajustada aos três níveis da Trindade Universal: recebendo a irradiação superior do Alto, operando na faixa de responsabilidade individual como filho obediente, tornando-se assim um Espírito redimido pela recomposição de sua consciência.
É a marcha da evolução. Saímos do Pai que é Deus nos tornando filhos, e sendo filhos ajustados ao Pai voltamos a Ele como Espíritos Santos plenamente realizados dentro do plano de aperfeiçoamento possível de ser realizado.
Conclusão
Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova.14
O verdadeiro batismo não se trata de um ritual, mas de disposição moral de conversão, por isso é mudança permanente, vida nova.
Devemos ser batizados? Sim, mas é preciso conscientizarmos que ninguém poderá fazer isto por nós. Nós é que temos que realizar este processo individualmente, de dentro para fora.
O apóstolo Paulo nestes belíssimos versos da Carta aos Romanos nos mostra como realizar este batismo em Cristo Jesus. A proposta dele é que assim façamos em três níveis.
Morte, sepultamento e ressurreição.
Se os dois primeiros lances dizem respeito ao homem velho, aos anseios humanos que nos dirigem, o terceiro marca o nascimento da Nova Criatura, nosso destino final em Deus.
O batismo assim, significa morte, e por mais que isto possa nos assustar, pois não é prazeroso pensar em morrer, trata-se de algo imperativo, morrer para as necessidades antigas, para os velhos hábitos, para as companhias que não nos ajudam na promoção espiritual. Este é o primeiro passo, matarmos todas as ilusões da transitoriedade. Todavia, quando esta morte acontece, ainda fica um resquício, muitas vezes ficamos ligados a estes sentimentos passados por um fio fluídico que por mais fino que seja ainda nos atrai para a retaguarda. É preciso dar o segundo passo e sepultar todas estas formas negativas de vida.
O sepultamento representa assim, o rompimento dos laços fluídicos que nos ligam ao passado, é o corte na onda mental do atraso, a desvinculação definitiva com os laços escravizantes da matéria.
Só após este segundo passo definitivamente dado nasce a Nova Criatura, ressurge o Espírito que faliu, recompõe-se a consciência denegrida. Só após a sexta feira da crucificação dos interesses pessoais atingimos a Ressurreição no primeiro dia santo de uma nova vida santa.
Portanto, não nos entristeçamos, o batismo é morte, mas morte para que obtenhamos a Vida, e Vida Abundante, Vida Eterna.
Este é o verdadeiro sentido do batismo a que temos de nos submeter, o rompimento total com a velha criatura, com o príncipe deste mundo, para que possamos Nascer de Novo, tornando-nos senhores de nós mesmos, e príncipes do Reino, Filhos de Deus, Herdeiros do Eterno.

Bibliografia

A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Ed. Paulinas, 1992.
BibleWorks For Windows, Versão 7.0.012g. BibleWorks, 2006.
Dicionário Bíblico Strong . Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Rio de Janeiro: FEB, 1944.
. O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980.



1 Cf. João, 4: 2
2 Mateus, 28: 19
3 João, 10: 35
4 Dicionário Bíblico Strong . Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002
5 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980. Comentário da questão 171
6 Idem, Q 168
7 Id., ib. Q. 132
8 Mateus, 3: 7,8 e 10
9 João, 1: 31
10 KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Rio de Janeiro: FEB, 1944. I Parte, cap. VII
11 Cf. Mateus, 10: 34
12 Cf. Mateus, 28: 19
13 Salmo, 51: 14 e 15
14 Romanos, 6: 3 e 4

domingo, julho 08, 2012

1ª Tessalonicenses, 1: 1 – Seria este o primeiro versículo escrito de O Novo Testamento?






O prefácio do livro Paulo e Estevão está fazendo aniversário. Ele é datado de 08 de Julho de 1941.
Sabemos que este é um dos livros mais importantes da literatura mediúnica de Francisco Candido Xavier sob a orientação de Emmanuel sendo este o autor espiritual desta monumental obra.
Pretendemos no mês de setembro próximo iniciar a publicação em nosso Blog de um estudo da Carta de Paulo aos Tessalonicenses, que segundo alguns estudiosos é o primeiro texto escrito do Novo Testamento como temos hoje.
Para não passar em branco esta data de grande importância para o movimento espírita-evangélico, publicamos neste dia os comentários do primeiro versículo desta carta histórica. Este é, portanto, talvez, o primeiro versículo escrito do Novo Testamento.
Aguardamos, assim, para o mês de setembro próximo, se for da Vontade de Deus, a sequência do estudo destes valiosos primeiros textos do Apóstolo Paulo, que foi, segundo palavras de Huberto Rohden, o maior Bandeirante do Evangelho.
Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus, o Pai, e no Senhor Jesus Cristo: graça e paz tenhais de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. (1ª Tessalonicenses, 1: 1)
Por volta do ano 50 de nossa era, já em franca atividade apostólica, Paulo, o fiel amigo dos gentios, se vê diante da seguinte dificuldade: a expansão das comunidades por ele fundadas crescia e com o crescimento surgiam dificuldades para o bom andamento da divulgação do Evangelho. Sua presença era sempre solicitada entre os novos seguidores do Cristo, e ele já não dava conta de atender à solicitação de todos como gostaria.
Após uma sentida oração percebeu-se envolvido pela presença espiritual do próprio Jesus que buscando tranquilizá-lo inspira-o a mudar a forma de assistência aos queridos seguidores.
Conforme anotações de Emmanuel, o Senhor o orienta com brandura:
Poderás resolver o problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome… (…) doravante Estevão permanecerá mais aconchegado a ti transmitindo-te meus pensamentos, e o trabalho de evangelização poderá ampliar-se em benefício dos sofrimentos e das necessidades do mundo.1
Deste modo, o Apóstolo convidou Timóteo e Silas, aqui chamado de Silvano, para juntos redigirem a primeira de suas importantes epístolas.
Paulo escreve esta sua primeira epístola em Corinto, por volta do ano 50 ou 51 de nossa era. Esta carta tem importância histórica, pois provavelmente é o primeiro documento escrito do Novo Testamento.
Emmanuel2 relata que por volta do ano 34 ou 35 d.C. os seguidores do Cristo tinham um manuscrito de Mateus onde consultavam os ensinamentos de Jesus. Porém os historiadores informam-nos que o Evangelho de Mateus conforme temos hoje, em sua forma narrativa, é de composição mais tardia. O texto a que Emmanuel se refere deve ser um primeiro Evangelho escrito por Mateus em aramaico (ou hebraico); o atual foi escrito em grego. Mais tarde Mateus teria composto um novo texto, inclusive com influência do Evangelho de Marcos que segundo os estudiosos é anterior.
Estas cartas, escritas por Paulo, foram produzidas por um método que alguns autores denominam de círculos de profecia, que consistia em uma meditação por parte do apóstolo e de seus companheiros, em que Paulo, concentrado, recebia por inspiração as palavras e estas vinham naturalmente e eram faladas em voz alta e anotadas. Há desde aqui, e mesmo bem antes, pois alguns estudiosos informam-nos que desde Samuel os textos sagrados eram produzidos desta forma, uma identidade com o que hoje nós espíritas chamamos de produção mediúnica; um medianeiro recebe o texto dos espíritos – que aqui era o de Estevão representando o próprio Jesus -, e o transmite aos assistentes pela palavra oral (psicofonia) ou escrita (psicografia).
Estes eram os dons espirituais que o apóstolo iria aprofundar e tornar claro mais adiante em outras epístolas.
Importa-nos ainda nesta saudação vermos como o fiel divulgador do Evangelho diferencia Deus, o Pai, do Senhor Jesus Cristo. Para Paulo é clara a distinção, Deus e Jesus são figuras distintas, um é o Criador, conforme Atos, 17: 24, o outro, Jesus, era o Cristo, ou Messias, o Filho enviado por Deus para remir a humanidade que se encontrava em erro e sob o jugo do mundo, conforme Gálatas, 4: 3 a 5.
1 Paulo e Estevão, pág. 529
2 Paulo e Estevão, Op. cit.

terça-feira, julho 03, 2012

Evangelho Miudinho: A Segunda Trombeta do Apocalipse






8E o segundo Anjo tocou... Algo como uma grande montanha incandescente foi lançado no mar: uma terça parte do mar se transformou em sangue, 9pereceu um terço das criaturas que viviam no mar e um terço dos navios foi destruído.1
8E o segundo Anjo tocou... Algo como uma grande montanha incandescente foi lançado no mar: uma terça parte do mar se transformou em sangue…
E o segundo Anjo tocou...; novo lance da evolução, nova voluta da espiral que se abre…
Algo como uma grande montanha incandescente foi lançado no mar; os comentaristas deste texto têm visto aqui mais algumas tragédias. Este algo como uma montanha incandescente lançado no mar seriam cometas, meteoritos, até mesmo estrelas que desabariam sobre o planeta gerando mortes coletivas e todo tipo de sofrimentos. Muitos veem as águas poluídas de nossas fontes, rios, e até mesmo o mar sendo contaminado.
Não podemos duvidar que muita coisa disto possa mesmo acontecer nestes dias finais de transição pelos quais o nosso Orbe está passando, todavia, como temos feito, nos importa perceber qual a nossa posição íntima em relação a tudo isto.
Como comentamos anteriormente se para muitos o sangue pode ser visto com pavor e até mesmo significando morte, pode também ser visto como vida depende do ângulo pelo qual analisarmos.
Assim, vemos no símbolo desta grande montanha incandescente toda uma somatória de recursos que o Plano Superior disponibiliza para nós a fim de podermos enfrentar todas estas vicissitudes, instrumentalizados para realizar nosso processo evolucional de forma consciente e amparado pela Misericórdia do Alto que nunca falta.
Podemos aí ver os conhecimentos não só da ciência e do avanço de tecnologia que nos proporcionam conforto, bem estar, e até mesmo vitória sobre certas enfermidades até então fatais, mas principalmente as informações que nos descortinam o Mundo Espiritual e as revelações que nos consolam e nos preparam adequadamente para enfrentarmos a transição, devidamente capacitados a conquistar nossa definitiva libertação.
A montanha é sempre vista nos textos bíblicos como elevação espiritual; foi numa montanha que Moisés recebeu os Dez Mandamentos, em outra que o Cristo nos revelou as Leis Universais através de Seu Iluminado Sermão.
Deste modo esta montanha incandescente, pode significar toda esta soma de recursos lançados a nós, como também a reencarnação de vários Espíritos superiores com o objetivo transformar a face do planeta e nos auxiliar nestes dias difíceis de juízo coletivo e transição mais acentuada. É incandescente, pois além de iluminação é também uma brasa na nossa consciência realisando a queima de resíduos e transformando-nos de dentro para fora.
O mar não é outro senão o “mar da vida”, mar em que devemos lançar nossas redes em busca da pesca maravilhosa das verdades do Evangelho e assim transformar toda realidade. É o mar aonde devemos aplicar as lições de nosso Mestre nos desafios do dia a dia.
uma terça parte do mar se transformou em sangue…; não se trata de sangue no que diz respeito à morte, mas a uma vida nova marcada pelo testemunho novo com fundamentação evangélica. É sacrifício sim, mas de interesses pessoais, de tudo que é mundano e nos rebaixa a condições inferiores. Não deixa de ser morte, pois para nascer o novo o antigo deve transformar-se. É o sangue da Nova Aliança que nos induz ao processo reeducativo, o único capaz de nos libertar definitivamente das ilusões e armadilhas deste mundo.
Na terça parte; mesmo que em forma fracionária temos o “três” que é um número pertinente indicando evolução. É uma parte apenas, uma menor parte, mas como o fermento capaz de levedar a massa toda.
9…pereceu um terço das criaturas que viviam no mar e um terço dos navios foi destruído.
Trata-se da continuidade das ocorrências do versículo anterior. Muitos ao contrário do que comentamos têm visto na “montanha incandescente lançada ao mar” a encarnação de vários Espíritos mais ligados às regiões das trevas e estes acontecimentos trágicos narrados aqui seriam a consequência da desordem que eles implementariam no planeta apoiados pela invigilância do homem comum que insiste em malbaratar tanto os recursos da natureza quanto os espirituais oferecidos pelo Alto.
A interpretação faz sentido. É importante sabermos que nestes momentos de transição planetária pelos quais passamos a Misericórdia de Deus permite que Espíritos arraigados ao mal tenham oportunidade de reencarnar em nosso mundo físico na esperança de que estes tendo uma última oportunidade aqui, antes do degredo a outros planetas inferiores onde continuariam sua evolução, possam fazer uma correção de rota.
Todavia o que acontece é que grande parte deles trazem consigo um estado psíquico bastante negativo e conseguem contaminar outros desavisados que invigilantes aprofundam-se também nestes terrenos escuros da queda.
Tudo isso é comum nestes dias em que vivemos, inclusive as várias filosofias que surgem nestes momentos em nome de uma “nova era” têm aí sua gênese. Quando estas filosofias são mesmo reeducativas acolhendo seguidores de acordo com sua posição na evolução, tudo bem; entretanto surgem outras comodistas, liberais, e sem o menor compromisso com a transformação moral de seus seguidores, e é quanto a estas que devemos ter cautela, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas2.
Se optamos assim, pela interpretação de que esta “montanha incandescente” representaria os valores e os recursos nobres que estão à nossa disposição, inclusive a encarnação de Benfeitores Espirituais, é porque sabemos que Deus jamais desampara os Seus filhos, e se há mesmo grandes dissabores nestes tempos, e grande disseminação da maldade, há também concorrendo paralelo, as oportunidades de ajuste do Espírito e de implementação de uma nova proposta reeducativa em bases cristãs. Optamos por valorizar o Bem que como sabemos, sendo expressão maior do próprio Criador, é o que domina e subsiste.
Deste modo, pereceu um terço das criaturas que viviam no mar; não se trata de morte definitiva de seres e nem mesmo a representação da queda definitiva do Espírito, e sim de uma morte indicadora de ressurreição, que é a morte de nossas conquistas e ilusões no campo da negatividade alcançada pelo afastamento do Espírito em relação a Deus, através das transgressões à Sua Lei.
São estes valores que fizemos crescer em nós num psiquismo comprometedor que devem perecer, são eles que ainda vivem em nosso mar íntimo nas águas de nossa vivência em amplos conflitos conscienciais.
e um terço dos navios foi destruído. O navio é a embarcação. Representa nossos recursos de encaminhamento de nosso progresso. Podemos ver também como a nossa posição no “mar da vida” que é a própria evolução.
Estes recursos antigos formados a partir das experiências de transgressão à Lei devem mesmo e serão ao seu tempo destruídos. Teremos com o aporte de novos valores e de um encaminhamento consciencial mais seguro uma nova posição diante da vida. Somos um antes de Cristo operar em nós e outro, após. Não há quem não sofra modificações ao conhecer de forma sincera o Evangelho e sentir a presença de Jesus em si. Mesmo os que O condenaram sentiram o peso de Sua presença e jamais foram os mesmos.
A destruição destes navios significa assim a transformação do velho homem na Nova Criatura da qual falou o apóstolo dos gentios, que na estrada de Damasco fez destruir a embarcação de Saulo em favor da de Paulo, o homem renovado em Cristo que nascia.

1 Apocalipse, 8: 8 e 9
2 Romanos, 9: 6

terça-feira, junho 26, 2012

Estudo Minucioso do Evangelho - O Endemoninhado Gadareno


E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galiléia.
E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que, desde muito tempo, estava possesso de demônios e não andava vestido nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros.
E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo com alta voz: Que tenho eu contigo Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.
Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos.
E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios.
E rogavam-lhe que os não mandasse para o abismo.
E andava pastando ali no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho.
E, tendo saído os demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago e afogou-se.
E aqueles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e nos campos.
E saíram a ver o que tinha acontecido e vieram ter com Jesus. Acharam, então, o homem de quem haviam saído os demônios, vestido e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus; e temeram.
E os que tinham visto contaram-lhes também como fora salvo aquele endemoninhado.
E toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor lhe rogou que se retirasse deles, porque estavam possuídos de grande temor. E, entrando ele no barco, voltou.
E aquele homem de quem haviam saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo:
Torna para tua casa e conta quão grandes coisas te fez Deus. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito.1


E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galiléia.
E navegaram para a terra dos gadarenos que está defronte da Galiléia - Gadarenos ou gerasenos, era o nome dado aos naturais, ou habitantes da Gadara, que o historiador Josefo diz ser a metrópole da Peréia, cidade grega, opulenta e rica.1
Há muita polêmica sobre onde se deu realmente este acontecimento, alguns comentaristas preferem o termo geraseno referindo-se aos habitantes de Gerasa situada na Decápolis
O termo gergesenos, constante do evangelho de Mateus, segundo algumas versões, foi introduzido por Orígenes, porque acreditava este, que a cidade em que se deu tal passagem seria outra, cujo o nome era Gergesa.
O Espírito Amélia Rodrigues, conforme a psicografia de Divaldo Pereira Franco, nos fala em Gerasa, nos dando importantes características desta região. Segundo sua informação, o solo desta província era ingrato onde nada medra, à exceção de espinheiros e cardos silvestres2; sua economia se destacava pelo comércio de porcos.
Decápolis era um distrito que continha dez cidades, entre elas Gadara e Gerasa. Era povoada por gregos após a conquista de Alexandre.
Jesus e os discípulos se dirigiram a esta região, nos ensinando que o “mar da vida”, muitas vezes nos leva a navegar por terras áridas, onde corações endurecidos não entendem a noção de espiritualidade que trazemos.
Ele, o Mestre dos mestres, tinha por missão divulgar a verdade do Reino a todas as criaturas; portanto, não perdia a oportunidade de estar sempre semeando, mesmo sabendo que muitas sementes caindo nos pedregais, o Sol iria queimá-las. Tempo viria em que as terras improdutivas seriam fertilizadas pela dor, e aí então, aquelas sementes, que são imortais, produziriam frutos dignos de servirem de alimento a todos.
Assim, devemos nós também fazer, afinal foi Ele quem disse:
Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura.3 …Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado…4
E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que, desde muito tempo, estava possesso de demônios e não andava vestido nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros.
E, quando desceu para terra… - A divulgação doutrinária tem sido a nossa preocupação a todo instante. Para que tal objetivo se dê, reuniões e estudos visando o melhor entendimento do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo têm sido incentivados em todo o movimento Espírita; desta forma, temos não só compreendido melhor as Leis Morais que regem o Universo, como também, aumentado a nossa capacidade de vibrar em sintonia com as Forças Criativas da Espiritualidade. As questões da Imortalidade da Alma, da Reencarnação, da Mediunidade, da Lei de Evolução têm sido bastante discutidas entre todos, e isto é muito bom, pois abre perspectivas de caminhada mais segura.
Se estar entre os afins é algo gratificante; se elevar-nos através da discussão de filosofia sadia é sempre proveitoso; não podemos deixar de seguir o exemplo do Mestre, que desceu para a terra… mostrando-nos a necessidade de atuarmos em favor do próximo, junto dele; estarmos entre os desafetos aumentando a nossa capacidade de compreensão; auxiliar não só os que nos alegram com as respostas positivas, mas principalmente os que têm dificuldades a serem superadas. Afinal, foi Ele mesmo quem disse:
Os sãos não necessitam de médico, mas sim os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores.5
saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade… - Sair ao encontro de Jesus é a atitude necessária; afinal, são os Espíritos Superiores quem afirmam ser Ele, o Guia e Modelo da Humanidade6. Entretanto, como tudo na vida, é imperioso avaliar a maneira em que este ir-Lhe ao encontro se dá. Pois podemos buscá-Lo com o coração aberto a fim de segui-lo, ou para rechaçá-lo através de nossas posturas anticristãs.
A cidade é onde moramos. Se nela encontramos os recursos necessários ao nosso bem viver, é também onde nos defrontamos com os desafetos, com situações não resolvidas, com sentimentos que despertam em nós tendências e imperfeições a serem superadas. Portanto, ao entrarmos na cidade, ao tomarmos contato com o centro dos interesses que salteiam o nosso íntimo, tomemos cuidado com o que pode vir de lá; não esqueçamos a lição anotada pelo evangelista que diz:
Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo.7
um homem que, desde muito tempo, estava possesso de demônios… - Entre os enormes bens feitos à Humanidade pela Doutrina Espírita, está o melhor entendimento do vocábulo demônio. Antes do aparecimento desta, o termo demônio era entendido como seres vinculados eternamente ao mal. Por terem se revoltado contra o Criador, tornaram-se rivais Deste, e o que é pior, para todo sempre. Assim, aqueles que eram apanhados por estes diabólicos seres, perdiam a condição de filhos de Deus, e passavam também a fazer parte da sociedade eterna do mal.
Com o esclarecimento trazido pelos Espíritos Codificadores, passamos a ver nestes infelizes seres, apenas Espíritos que, afastados provisoriamente do Bem, tentam perverter a Ordem do Universo; mas que na medida em que forem crescendo em sabedoria e verdade, vão se desvinculando do mal e se libertando no Bem, que por excelência, é o fim de todos.
Há homens que estão vinculados a ideias enganosas, devemos nos acautelar destes; mas há outros que estão muito mais comprometidos com a desordem – desde muito tempo -, estes são mais perigosos ainda. É sobre um destes que a narrativa evangélica nos fala: um homem que, desde muito tempo, estava possesso de demônios.
A expressão desde muito tempo, nos fala do comprometimento daquele homem com seus obsessores; pois este processo que muitas vezes se inicia simples, agrava-se com o decorrer do tempo.
Hoje é um pingo de sombra, amanhã linha firme, para, depois, fazer-se um painel vigoroso…8
É importante notar ainda, que aquele homem estava, segundo os registros do evangelista, possesso de demônios, ou seja, de muitos.
O termo possesso, do latim possessu, quer dizer possuído. Este tipo de obsessão é qualificada como uma das mais graves que podem acontecer a qualquer um de nós; ela é estudada por Kardec no Livro dos Médiuns sob o nome de subjugação. O iluminado Codificador do Espiritismo prefere esta palavra para definir tal anomalia, por achar que ela explica melhor o acontecimento, mas no fundo querem dizer a mesma coisa, conforme demonstra André Luiz no capítulo 9 do livro Nos Domínios da Mediunidade.
Segundo o Dr. Osvaldo Hely Moreira, a subjugação é um quadro mais grave, pois o obsessor tem um conhecimento técnico mais avançado, dominando assim o cérebro do encarnado.9
e não andava vestido. – Uma das características deste grave processo obsessivo é a perda por parte do encarnado do controle de suas ações. Este enfermo, que ora estudamos, já tinha perdido a noção do real, pois não andava vestido.
O vestido ou veste, é a nossa proteção exterior; define a nossa aparência. Com o agravamento da influenciação espiritual, ficamos desprotegidos, porque já não é a nossa vontade que comanda e sim a do desencarnado; nossa aparência muda pois reflete nossa desorganização mental. Não andar vestido da vigilância que se faz necessária, nos leva a situações que podem inclusive nos desarmonizar fisicamente, pois a atuação do Espírito pode enfraquecer-nos fisicamente atrapalhando o nosso sistema imunológico, sendo assim caminho para enfermidades piores.
nem habitava em qualquer casa… - Tal situação é ainda mais grave; não habitar qualquer casa, é perder por completo a referência, é estar totalmente sem identidade.
Jesus ao nos ensinar a orar, recomendou que entrássemos em nosso aposento íntimo e em silêncio nos dirigíssemos ao Pai; não habitar em qualquer casa, é perder esta sintonia com o eu profundo, com o Deus em nós.
mas nos sepulcros. – Há Espíritos que, em desencarnando ficam ainda presos ao mundo físico ignorando o que lhes está acontecendo; há outros, ainda piores, que necessitando de fluidos mais materializados, vampirizam elementos recém desencarnados em busca da vitalidade destes.
André Luiz relata um caso destes no livro Obreiros da Vida Eterna, nos fazendo a seguinte observação:
não pude sofrear o espanto que me tomou o coração. As grades da necrópole estavam cheias de gente da esfera invisível, em gritaria ensurdecedora. Verdadeira concentração de vagabundos sem corpo físico apinhava-se à porta. Endereçavam ditérios e piadas à longa fila de amigos do morto…
ante a minha estranheza, Hipólito considerou:
- Não é para admirar. O Evangelho, descrevendo o encontro de Jesus com endemoninhados, refere-se a Espíritos perturbados que habitam entre os sepulcros.
Nos cemitérios costuma congregar-se compacta fileira de malfeitores, atacando vísceras cadavéricas, para subtrair-lhes resíduos vitais.10
Desta forma, notamos a realidade da existência destes Espíritos, e que mais uma vez a Doutrina Espírita nos auxilia na compreensão do Evangelho; este enfermo atendido por Jesus, não era mais do que um obsidiado, segundo a linguagem Espírita; o os obsessores, ao invés de serem almas eternamente perdidas, eram espíritos desencarnados que ainda não teriam encontrado o caminho do Bem.
Não podemos deixar de citar ainda, os “mortos espirituais”. Sendo vida, o dom dado por Deus à criatura, morte é tudo o que contraria a Vontade do Todo Sábio. Assim, toda vez que alguém contraria a vontade Deus por causa do “pecado”, acha-se morto espiritualmente falando. São estes, verdadeiros sepulcros ambulantes, os que mais devem ter cuidado, pois o Evangelho é claro:
e não andava vestido nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros.
(Leia o texto completo no Site Espiritismo e Evangelho)

1 Dicionário da Bíblia pág. 247
2 Primícias do Reino pág. 122
3 Marcos, 16: 15
4 Mateus, 28: 20
5 Marcos, 2: 17
6 Ver O Livro dos Espíritos questão 625
7 Marcos, 13: 33
8 Pensamento e Vida, pág. 126
9 Porque Adoecemos, pág. 127
10 Obreiros da Vida Eterna, pág. 231


1 Lucas, 8: 26 a 39