sexta-feira, maio 14, 2010

MATEUS, 24: 1 a 6



E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. 2 Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3 E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? 4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane, 5 porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. 6 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. 

Estar no templo, orar, meditar, sintonizar com as questões espirituais é uma necessidade para todos nós. Entretanto, necessário também é sair do templo buscando vivenciar todos ensinamentos ali recolhidos. Jesus nos dá o exemplo, cabe a cada um segui-Lo de acordo o entendimento particular.
A julgar pela narrativa de Lucas, este acontecimento se deu após o excelente ensinamento dado por Jesus, quando da oferta da viúva pobre. Interessante observar a invigilância dos discípulos, que mesmo após o Mestre ter mostrado a eles que o importante não era o aspecto exterior das coisas, ou mesmo os valores amoedados, eles fizeram questão de chamar a atenção de Jesus justamente para a estrutura física do templo.
É o mesmo que ocorre conosco quando diante da oportunidade de uma lição edificante, valorizamos mais o instrumento que a veicula, do que a própria lição a ser apreendida.

…porque a letra mata, e o Espírito vivifica, já dizia o apóstolo.1

Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 

Jesus, porém, lhes disse…  Jesus consegue sabiamente conduzir a lição. Seus amigos chamaram atenção para um aspecto, Ele, porém, lhes disse…, isto é, mudou a direção da conversa fazendo-a mais instrutiva.
Parece simples, porém temos em nosso dia a dia de aprender a fazer isto, pois não somos obrigados a nos envolver em questões desinteressantes ao nosso processo evolutivo, nem podemos agir de modo deseducado quando tal acontece. O Evangelho nos ensina a ser sutil, porém sem abrir mão do que já conquistamos.
…Não vedes tudo isto? – O bom mestre ensina partindo daquilo que o educando consegue entender. Deste modo, Jesus salienta o exterior – tudo isto – porque é o que conseguimos ver; assim faz Ele, com o objetivo de mostrar o que está para lá de nossa pouca visão. Pois, ao ver tudo isto que se nos apresenta de forma imediata, ainda mesmo assim, estamos vendo muito pouco do que existe para mais além.
Em verdade vos digo… - Já dissemos em estudos anteriores, que tudo o que é dito por Jesus é verdade, porém, quando Ele faz este destaque, …em verdade vos digo…, é porque há de nossa parte uma necessidade maior de prestarmos atenção no ensinamento que vem após.
…que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. – Todos os estudiosos do texto evangélico têm visto nestas palavras de Jesus uma alusão à destruição de Jerusalém ocorrida no ano 70 de nossa era. E a profecia realmente se cumpriu à risca.
Porém, não podemos deixar de ver nestas sábias palavras, muito mais do que isso, ou seja, um ensinamento que transcende a questão tempo-espaço, como veremos no prosseguimento deste estudo.


E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? 

E, estando assentado no monte das Oliveiras… - Aqui também, como no Sermão do Monte, Jesus dá-nos valioso ensinamento assentado no monte. Assentado mostrando-nos segurança, tranquilidade; e monte significando elevação espiritual, sintonia com as Leis Supremas da Criação. Ou seja, Jesus nos mostra que para ensinar necessário se faz estarmos assentados em bases sólidas.
…chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo… - Jesus é o Sábio por Excelência, ao conscientizarmo-nos disto, é preciso chegarmo-nos a Ele, isto é, aproximarmos Dele com o intuito de mais aprender. Em particular, é na intimidade Dele. Nós, nos fazendo íntimos com o Cristo podemos realizar maravilhas.
…porém tudo declarava em particular aos seus discípulos.2
Marcos, que é sempre mais detalhista, nos diz que, os que aproximaram-se Dele, eram Pedro e André (irmãos), Tiago e João (irmãos). A particularidade daquele momento (em família), nos faz ver, que é justamente na intimidade que o Cristo tende a manifestar-se com mais naturalidade.
Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.3
Dize-nos quando serão essas coisas… - A previsão da destruição do templo tinha assustado mesmo os mais íntimos. É o mesmo que hoje aconteceria se fosse previsto a queda de uma sólida construção moderna, de um império poderoso como o da Microsoft ou do próprio EUA.
Desde modo, os discípulos querem logo saber: quando serão essas coisas…
Essas coisas, nesse tom de dificuldade de aceitação, vem nos mostrar justamente como é difícil para qualquer um de nós, conformar com a perda ou destruição do que ainda é para nós importante, mesmo que de um valor passageiro ou transitório.
…e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? - Estes acontecimentos eram o prenúncio da parusia, palavra grega, que quer dizer "presença". Designava no mundo greco-romano, a visita oficial e solene de um príncipe a um lugar qualquer. Os cristãos adotaram-na como termo técnico para designar a vinda do Cristo.
Segundo o professor Carlos Torres Pastorino, a expressão fim do mundo, é um equívoco de tradução. Diz Pastorino: "… no original não está escrito télos toú kósmou (fim do mundo), mas synteleia toú aiónos (término do eon ou ciclo)."
A Bíblia de Jerusalém, traduz como "consumação dos tempos", dando também a entender, final de um ciclo, e não do mundo.

O evangelista dá-nos a entender, em sua crença, que a volta de Jesus era o que marcaria o final deste ciclo. Nós particularmente entendemos a segunda vinda do Cristo, como a manifestação Dele em nós, ou seja, aquele momento em que assimilamos Sua mensagem e a colocamos em prática. É o que nos dá a entender o próprio Evangelho:
Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.4
Ou seja, a volta de Jesus é uma questão íntima, particular de cada um; para aqueles que realizaram em si a reforma necessária, Ele já veio; para muitos virá breve; para outros demorará um pouco mais.
Assim, este momento glorioso de "Cristificação" íntima, marca o fim de um ciclo, ou, eon, como nos diz o professor Pastorino. É o fim do ciclo das dores em favor do Amor Pleno. Quando chegar este dia, dos templos físicos não restarão pedra sobre pedra, pois o Pai será adorado em espírito; e mesmo o templo divino do nosso corpo já não terá mais razão de ser, pois por conquista não precisaremos mais reencarnar, vivendo uma vida, plenamente espiritual.

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane…  

E Jesus, respondendo, disse-lhes…  - A resposta de Jesus é de grande importância, para a nossa evolução. Ele, que nos acompanha a milênios, sabe de que necessitamos, portanto, prestemos atenção.
…Acautelai-vos … - Acautelar
é estar prevenido, resguardado, com atenção. O final dos tempos ou do ciclo de provas, é um momento de definição, por isso, nele é permitido tudo, ou seja, as coisas estarão às claras, tudo liberado, para que cada um possa mostrar quem realmente é; desta forma, é preciso estar vigilante: acautelai-vos. Muitas serão as ofertas, é preciso saber selecionar.

…que ninguém vos engane… - O Evangelho é claro: ninguém. Aí estão incluídos Espíritos encarnados, desencarnados, e nós mesmos através de nossos sentimentos desequilibrados.
Dizemos desta forma, porque elementos externos vão nos chamar a atenção, convidando-nos à vida fácil, porém eles só podem nos enganar com assentimento próprio. Isto é, quando adotamos comportamentos contrários à Lei de Deus, motivados por elementos exteriores, é porque houve sintonia destes elementos com aquilo que ainda acolhemos em nosso íntimo.
Ser enganado é ser iludido, só o Espírito não é passageiro; assim, ao valorizar mais as questões do mundo do que as efetivamente espirituais, estamos nos enganando ou nos iludindo, mais cedo ou mais tarde cairemos na realidade tendo que retornar ao caminho abandonado.

Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.

Porque muitos virão em meu nome… - A princípio parece um contra senso estar em nome do Cristo, conduzindo alguém ao engano. E olha que Jesus nos alerta que serão muitos, vindos de todos os lados. Por isso é importante avaliarmos cada situação com a segurança evangélica; há mesmo comunicações ditadas por espíritos supostamente superiores que são na verdade enormes enganos. Não foi por outro motivo que Kardec, o bom senso encarnado, nos alertou para a necessidade do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, pois como nos alerta o discípulo amado, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus. Outras vezes são Espíritos encarnados vestidos de pai, irmão, amigo, que se não tivermos cuidado, nos desviarão do caminho, e alegando motivos "justos". Se quisermos deste modo não ser enganados, é preciso estar determinados a viver o Evangelho onde quer que estejamos, em qualquer situação, mesmo que a princípio seja contrário aos nossos interesses imediatos.
…dizendo: Eu sou o Cristo… - Como dissemos anteriormente, em períodos de transição, é dada a oportunidade a todos de se manifestarem como realmente são. Esta manifestação tem dupla função, deixar cada um dizer a que veio, ou seja, definição de objetivos; e testar aqueles que já estão em condições de serem promovidos. Muitos virão dizendo eu sou o Cristo, isto é, defendendo teorias próprias, envoltas superficialmente de virtudes a serem conquistadas, mas que no fundo trazem ideias dominadoras e personalistas, que visam não o bem comum, mas o interesse daquele que quer se fazer líder. Em outros momentos são nossos próprios sentimentos inferiores, que escondendo atrás de falsa justiça, destorcem a verdade nos fazendo ver e divulgar ideais contrárias à ordem natural das coisas.
O próprio texto evangélico e as lições do Cristo já sofreram tal adulteração. Quantas vezes, nós mesmos não modificamos a interpretação de determinado ensinamento só para justificar um interesse que defendemos?
Muitos virão apoiados nas ideias de Jesus dizendo, eu sou o Cristo; por isso, estudemos, conheçamos a Verdade contida na Moral Evangélica, pois só ela nos libertará.
…e enganarão a muitos. – A invigilância, a má informação e a má intenção, serão os fatores principais deste engano. Por isso Jesus nos alerta:

Olhai, vigiai e orai……e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

 
Assim, cabe a cada um, não apenas precaver, mas conhecer; não somente conhecer, mas transformar-se.


E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. 

E ouvireis de guerras e de rumores de guerras…- Segundo o dicionário Aurélio, Guerra é combate, peleja, luta, conflito. Uma das características que marca o progresso do espírito é justamente o conflito, ou seja, a luta íntima entre o homem velho, e homem novo; entre os hábitos antigos e a necessidade de um comportamento novo em bases de renovação moral.
Assim, no plano íntimo é natural, neste final de ciclo, isto é, neste importante momento de definição para nós, que soframos com uma guerra interior, ou com um conflito providencial; pois, abandonar o que cultivamos como valores importantes, não é nada fácil, principalmente se os novos conceitos ainda não estão devidamente sedimentados em nossa intimidade. É o que Paulo define como bom combate:
Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.
…olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça… - Jesus nos convoca a uma atitude dinâmica diante dos conflitos: olhai… É Ele nos dizendo para participar do processo, não simplesmente deixar que as coisas aconteçam simplesmente por acaso, pois ao olhar enxergamos, e enxergando temos de tomar uma atitude diante dos acontecimentos.
Ao cristão verdadeiro cabe olhar para si, analisar seus próprios conflitos, buscar através do autoconhecimento sua própria melhoria, quanto aos embates externos, naquilo que puder deve auxiliar, no que for irremediável, compreender que faz parte do processo, é a Lei de Deus se cumprindo.
Não vos assusteis diz o Mestre. Assustar é amedrontar, atemorizar; portanto não tema, é a Sublime orientação; confie, tudo tem a sua razão de ser, é mister que isso tudo aconteça. Já dissemos, não há como implantar o novo, sem substituir o velho; e deixar o que estamos habituados é na maioria das vezes difícil, requer renúncia, sacrifícios, luta. Mas viver é justamente isto, vida é desafio, sem desafio não há progresso.
…mas ainda não é o fim. – Importante esta colocação, pois o conflito não é o fim, é muitas vezes o meio de se atingir o objetivo. É necessário passar pela dualidade para se atingir a Unidade, porém quando estamos oscilando é porque ainda necessitamos superar-nos, não é o fim, muito pelo contrário pode ser apenas o início, a conscientização para mudar.
É comum pensar, que por estarmos passando pela dificuldade já estamos resolvendo o problema, não é bem assim, é preciso saber passar, sacrificar algo, mas buscando uma situação melhor, mais acima; sofrer não é o plano que a Vida tem para nenhum de nós. É imperioso avançar, Ser Feliz.

2 Coríntios, 3: 6Marcos, 4: 34Mateus, 6: 6Bíblia de Jerusalém, pág. 1884.Sabedoria do Evangelho, 7° Volume, pág. 93João, 14: 23Conforme João, 4:24: "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade."I João, 4: 1Marcos, 13: 33João, 8: 32Mateus, 5: 82 Timóteo, 4: 7




(Extraído do livro: "O Sermão Profético", Editora Itapuã)

segunda-feira, maio 10, 2010

Mediunidade

Conceito e Histórico

Mediunidade é a faculdade de intermediar o plano físico e o plano espiritual. É uma faculdade orgânica, e não constitui patrimônio especial de grupos nem privilégio de castas.[1]
O Médium é aquele que serve de instrumento entre os dois planos da vida.
De modo geral, podemos afirmar que todos somos médiuns, porque pelo simples fato de sofrermos influência de Espíritos, já estamos exercendo nossa mediunidade. De maneira mais específica, quanto à acentuação da faculdade, podemos salientar que a mediunidade é faculdade de poucos.
Em todos os tempos, a mediunidade revelou ao homem a existência do plano espiritual, por isso é vero afirmar que o fenômeno mediúnico não nasceu com o Espiritismo, e sim que existe desde as mais remotas eras da vida humana no planeta. Temos notícias das comunicações mediúnicas desde o homem primitivo caracterizando o mediunismo, passando por vários povos até atingir o rigor científico do século XIX.
As musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como, os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Os feiticeiros, magos, adivinhos, e posteriormente oráculos, pítons e taumaturgos, eram todos médiuns mesmo que usando outras designações.
O profetismo em Israel tem sua origem em Moisés. No Velho Testamento, encontramos várias passagens em que o grande legislador conversa com Deus. É lógico que a conversa não é com o Criador, mas com um Espírito mensageiro de Deus. Porque Deus não entra em contato direto com os homens, mas para tal faz uso de Espíritos superiores que funcionam como intermediários entre Ele o os Espíritos de nosso nível evolutivo.
Para ilustrar, transcrevemos abaixo uma passagem do livro “Êxodo”, em que tal fato acontece:
“E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo no meio duma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia; pelo que disse: Agora me virarei para lá e verei esta maravilha, e porque a sarça não se queima.
E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui.
Prosseguiu Deus: Não te chegues para cá (...)”[2]
Notamos que no princípio o narrador bíblico diz ser o “anjo do Senhor”, e depois o próprio Deus.
Essas confusões acontecem devido à falta de informação a respeito do tema. Informação que só a Doutrina Espírita, com o seu estudo sistematizado, pôde oferecer.
Moisés é um médium espetacular. Em muitos momentos ele vê, em outros ele ouve, e até fenômenos de efeitos físicos ele realiza com muita naturalidade.
É muito comum ouvir de irmãos nossos de outras religiões, a afirmação de que o Espiritismo encontra-se em erro diante de Deus, porque Moisés proibiu o exercício da mediunidade. Vejamos a citação bíblica a que eles se referem:
“Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.
Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti
Perfeito serás para com o Senhor teu Deus.
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém, quanto a ti, o Senhor teu Deus não te permitiu tal coisa.”[3]
Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer que se Moisés proibiu, é porque a mediunidade existe; ninguém proíbe algo que inexiste. Depois, podemos afirmar que o que Moisés proibiu o Espiritismo também condena, que é o mau uso desta faculdade.[4]
Quanto à mediunidade em si, ele mesmo, Moisés, deu várias provas de que a aprovava. Vejamos a seguinte passagem do livro “Números”:
“Mas no arraial ficaram dois homens; chamava-se um Eldade, e o outro Medade; e repousou sobre eles o espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram para irem à tenda; e profetizavam no arraial.
Correu, pois um moço, e o anunciou a Moisés, dizendo: Eldade e Medade profetizaram no arraial.
Então Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um de seus mancebos escolhidos, respondeu e disse: Meu Senhor Moisés, proíbe-lho
Moisés, porém, disse-lhe: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles!” [5]
Desta forma, fica claro que Moisés não só não proíbe a mediunidade, como até dela faz uso.
Mas a mediunidade chega ao seu ápice com Jesus, porque o Mestre não foi um médium comum, mas o “Excelso Médium de Deus”. Por seu intermédio, toda a Lei Divina se fez visível, e o seu grau de sintonia com o Pai era tal, que Ele mesmo nos afirmou: “Eu e o Pai somos um”.[6]
O Cristianismo, desde a Ressurreição até o Concílio de Nicéia, fez uso constante da Mediunidade. Através deste concílio realizado no ano 325 de nossa era, na cidade de Constantinopla, foi condenado o uso da mediunidade e outros pontos mantidos pelos primeiros cristãos, dando início à desagregação e à decomposição do Cristianismo em suas legítimas bases. A mediunidade marcou profundamente o “Movimento de Jesus” desde o dia de Pentecostes.
Na Idade Média, época de obscurantismo, os médiuns são perseguidos e maltratados como feiticeiros. Temos como exemplo a excepcional Médium Joana D’Arc, que em todos os lugares era inspirada por seres invisíveis, escutava suas vozes, e por eles deixava-se dirigir, tornando-se assim a “Heróica Virgem de Domremy”.
Podemos citar ainda como expoentes significativos da mediunidade, Dante Alighieri, que sob influência espiritual escreveu “A Divina Comédia”, Goethe e sua obra mediúnica “O Fausto”, e mais tarde, os já conhecidos dos espíritas, Emmanuel Swedenborg, Andrew Jackson Davis, Eusápia Paladino, entre outros.
Este breve relato mostra assim que a mediunidade é imanente no próprio homem.
Talvez por isso, o Cristo, em toda a sua sabedoria, afirma ao apóstolo Pedro:
“Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (...)”[7]

Quanto aos tipos, a mediunidade pode ser classificada em:
Mediunidade de efeitos físicos e mediunidade de efeitos inteligentes.

Mediunidade de Efeitos Físicos

É aquela em que a ação dos Espíritos produz efeitos na matéria. Estes fenômenos sensibilizam diretamente os órgãos dos sentidos dos observadores. Por isto, esses fenômenos são também chamados de materiais ou objetivos.
Podemos classificá-los desta maneira:
  • Sonoros: Vão desde os simples “raps”(pancadas secas) até os estrondos, passando pelos fenômenos em que é produzida música, sem haver instrumentos no local. Quando podemos formar com estes efeitos sonoros uma linguagem através de códigos, temos a tiptologia que, por sua vez, pode ser:
    • Interior: Pancadas produzidas no interior do objeto, sem movimento externo.
    • Bascular: Com movimento de objeto para dar as pancadas, por exemplo, mesa que bate com um dos pés.
    • Alfabética:  Quando as pancadas produzidas mostram a letra desejada do alfabeto.
  • Sematologia: Quando as luzes, os sons ou o movimento dos objetos deixam transparecer uma vontade ou intenção ou um determinado sentimento.
  •   Luminosos: Produção de centelhas, clarões e luzes.  Motores: Movimentação de corpos inertes, sem qualquer contato físico ou outro meio material. Nesta categoria de fenômenos, destacam-se:
  • Ø  Levitação: Um ser ou objeto é suspenso no ar, aparentemente contrariando a lei da gravidade.
  • Ø  Transporte: Quando um ser ou objeto é levado de um local para  outro.
  • Ø  Materialização: Formação (parcial ou total) de coisas ou corpos. Normalmente são temporárias.
  • Ø  Transfiguração: É a modificação dos traços fisionômicos do médium ou do seu aspecto geral.
  • Ø  Voz Direta: Produção de sons correspondentes à voz humana, articulada e audível por todos os presentes.
  • Ø  Escrita Direta: Trata-se da produção de escrita sem o concurso de mãos humanas.

Mediunidade de Efeitos Inteligentes

Estes efeitos são também chamados intelectuais ou subjetivos, porque os fenômenos ocorrem na esfera subjetiva do médium. Desta forma, não ferindo os cinco sentidos do médium, não são todos que os percebem.
Podemos dividi-la em:
Ø  Intuitiva: Quando o médium percebe a realidade do plano espiritual ou pensamentos dos Espíritos, mas somente pela intuição.
Ø  Vidência: Permite aos médiuns ver os Espíritos. Uns gozam desta faculdade em estado normal, ou seja, de vigília, outros só a possuem em estado de sonambulismo.
Ø  Audiência: É a faculdade de ouvir a “voz” dos Espíritos.
Ø  Psicometria: Através deste tipo de mediunidade, o médium consegue, pela captação da energia impregnada nos objetos, informações históricas dos seres ligados a este objeto ou dos próprios objetos.
Ø  Psicofonia: O Espírito fala, usando o aparelho físico do médium. Este, por sua vez, transmite as comunicações de forma mais ou menos consciente, de acordo com a categoria de sua mediunidade. Queremos sempre lembrar que não há incorporação do Espírito, mas que esse age sobre a corrente nervosa do médium.
Ø  Psicografia: É a mediunidade que permite ao médium escrever sob a influência do Espírito. Através deste método, os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau de aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade.
Ø  Podemos classificá-la desta forma:
Ø  Mecânica: O médium age em um certo grau de inconsciência, que é como se o Espírito dirigisse a sua mão, independente da sua vontade. No entanto, o médium permanece vigilante em Espírito durante a comunicação, podendo retomar o controle de suas faculdades no momento que lhe aprouver.
Ø  Semi-Mecânica: O médium sente que a sua mão é impulsionada pelo Espírito, mas tem consciência do que escreve, à medida que as palavras são formadas, e o controle é maior de sua parte.
Ø  Intuitiva: Como o próprio nome diz, é uma comunicação intuitiva. O Espírito não atua sobre a mão do médium, mas sobre a sua alma. Esta dirige a sua mão, que por sua vez dirige o lápis.


Tendo o Espiritismo como objetivo, reviver o Evangelho de Jesus, e sendo a mediunidade um de seus instrumentos, só podemos pensar em mediunidade se for com Jesus, ou seja, mediunidade em favor do próximo.
Reconhecerás que não reténs com ela um distrito de entretenimento ou vantagens pessoais e sim um templo-oficina (…)[8].
Através deste ensinamento, nosso instrutor Emmanuel destaca o caráter de trabalho da mediunidade. “Oficina” é local de trabalho, de consertar ou de fazer da maneira correta. E se a oficina produzir só para o seu dono, de que é que ele vai viver? Portanto, a oficina tem de gerar o bem para a comunidade. Da mesma forma, a mediunidade deve ser exercida com o pensamento, visando o bem de nosso semelhante. No templo é onde tratamos as questões espirituais, é onde nos encontramos com o Criador. Por isto Emmanuel trata a mediunidade como “templo-oficina”, ou seja, trabalho realizado com fins espirituais, sabendo sempre que quem dirige não é o elemento encarnado, mas os Espíritos trabalhadores da Seara do Cristo.
“Através do qual os benfeitores desencarnados se aproximam dos homens, continua Emmanuel, tão diretamente quanto lhes é possível, apontando-lhes rumo certo ou lenindo-lhes os sofrimentos, tanto quanto lhe utilizarás os recursos para socorrer desencarnados, que esperam ansiosamente quem lhes estenda uma luz ao coração desorientado.”[9]
Consolar e esclarecer são outros objetivos da mediunidade, como da própria Doutrina Espírita.
Quando o Cristo se manifestou a respeito do Espiritismo, tratou-o como “O Consolador” e disse que ele nos ensinaria todas as coisas:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.(...)
Mas o Consolador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.”[10]
E a mediunidade realmente tem esclarecido muitas coisas. Só a revelação do plano espiritual por si só bastava, mas não para por aí, ela tem nos antecipado muitos conhecimentos que mais tarde a Ciência poderá confirmar, e outros que ainda virão.
Quanto à consolação, que diga aquele que achando ter um ente querido desaparecido por vias da morte, recebe dele, com toda confirmação, uma comunicação dizendo não estar ele morto, mas em outro plano da mesma vida, e muito mais próximo que possa qualquer um de nós supor.
Se o auxílio é sempre grande de lá para cá, não menos é daqui para lá. É muito comum Espíritos desencarnados em desequilíbrio receberem auxílio e orientação através de reuniões realizadas em nossos Centros Espíritas.
Podemos então, concluindo, enumerar alguns objetivos da mediunidade:

Para os encarnados:
Ø  Cooperação no serviço de reconforto e esclarecimento.
Ø  Autoeducação, pela renovação dos sentimentos e pela oportunidade de trabalho, que quando bem executado, em muito eleva o Espírito.
Ø  Construção de afeições muito valiosas no plano espiritual, consolidadas em base de cooperação e amizade superior.
Ø  Conhecimento do plano espiritual, o que muito lhe auxiliará quando do seu desencarne.
Para os Desencarnados:
Ø  Melhor entendimento do processo evolutivo a que todos estamos sujeitos, nos dois planos da vida.
Ø  Aqueles que sofrem pela falta de entendimento da nova vida, têm na mediunidade oportunidade segura de melhor compreender sua situação, e assim programar atitudes renovadoras.
Ø  Transmissão aos encarnados de valiosos ensinamentos ministrados por Espíritos de alta hierarquia espiritual.
Poderíamos ainda, enunciar muitos outros objetivos desta Divina faculdade, mas essas, no nosso entender, já são suficientes para mostrar a excelsitude da mediunidade.
Para finalizar, algumas palavras do bondoso Espírito Emmanuel, para nossa meditação:
“Terás a mediunidade por flama de amor e serviço, abençoando e auxiliando onde estejas, em nome da Excelsa Providência, que te fez semelhante concessão por empréstimo. E nos dias em que esse ministério de luz te pese demasiado nos ombros, volta-te para o Cristo, o Divino Instrumento de Deus na Terra, e perceberás, feliz, que o coração crucificado por devotamento ao bem de todos, conquanto pareça vencido, carrega em triunfo a consciência tranqüila do vencedor.”[11]
O passe é uma transfusão de fluidos de um ser para outro. Desta forma, o passe é uma fluidoterapia.
Antes de entrarmos no estudo do passe propriamente dito, gostaríamos de tecer alguns comentários sobre os fluidos.
Do ponto de vista da ciência oficial, fluido é a denominação da fase não sólida da matéria. O dicionário Aurélio traz a seguinte informação: Diz-se das substâncias líquidas ou gasosas.
À luz do Espiritismo, este conceito se torna mais amplo.
A matéria, à medida em que se torna mais rarefeita, fica invisível aos nossos olhos, tomando aspectos mais sutis, a que denominamos fluidos.
No livro, Do Sistema Nervoso à Mediunidade, o Dr. Ary Lex diz que:
“À medida que se rarefaz, ganha (a matéria) novas propriedades, entre as quais uma irradiação progressivamente maior, tomando uma forma de energia. A física moderna praticamente derrubou a separação rígida entre a matéria e a energia, considerando-as substancialmente, a mesma coisa, em graus de concentração e estrutura diferentes.”[12]
Assim, podemos dizer que fluido é um tipo de matéria ultra-rarefeita e formas de energia.
Fluido Cósmico Universal: Como sabemos, toda a matéria que existe, é oriunda do “Fluido Cósmico Universal” que, segundo André Luiz, é o “plasma divino”.[13]
Sua natureza nos é desconhecida, e apresenta-se em estados que vão da imponderabilidade à condensação.
Fluidos Espirituais: São os fluidos que formam a atmosfera do plano espiritual. Desses fluidos é extraída a “matéria” do mundo invisível.
Fluidos Perispirituais: São os fluidos absorvidos, assimilados e individualizados pelo perispírito. Possuem características próprias, podendo por isto ser distinguidos dos demais. Esses fluidos circulam no perispírito sob o comando da mente. São eles que formam a “Aura”.
Fluido (ou Princípio) Vital: É o agente da vida orgânica, e sua união com a matéria é que animaliza esta. Como todos os outros, também tem como fonte o Fluido Cósmico Universal.
Os Espíritos podem agir sobre os fluidos. É pelo pensamento que eles o fazem. Esta ação pode ser consciente ou inconsciente, visto que basta pensar para exercer influência sobre eles. E é através deste agir que podemos dar qualidade aos fluidos, que por si só são neutros.
 Voltando ao conceito de passe, agora entendendo que o passe seja uma transfusão de fluidos de um ser para o outro.
Este tratamento através dos fluidos, é utilizado desde as eras mais remotas da humanidade.
Para nos referirmos apenas à era cristã, vemos a utilização do passe com base das curas realizadas por Jesus, e depois pelos primeiros cristãos.

Mecanismo do Passe
Quanto ao mecanismo do passe, as ocorrências mais importantes são: o pensamento (fazendo a sintonia com a espiritualidade encarregada do trabalho), a vontade e a condição receptiva tanto do passista, quanto do paciente.
Através do pensamento e da vontade, o passista capta os fluidos e os direciona para o assistido. Mas, se esse não estiver preparado no que diz respeito a uma boa condição receptiva, o passe torna-se sem efeito.
Além do preparo por parte de ambos, tem de haver um clima de confiança entre os dois, formando assim um elo, onde o auxílio possa se fazer na proporção do crédito de cada um.
Quanto à forma de se aplicar o passe, o fator externo pouco importa, o que vale mais, como já dissemos, é a sintonia, a vontade e a condição receptiva dos envolvidos no processo.

Preparo do Médium e do Paciente
É muito comum, quando se fala em passe, pensar no preparo só do médium. Mas e o paciente, é preciso um preparo também por parte deste?
Ora, se o passe é uma transfusão de energias fisiopsíquicas, é preciso que tanto o doador como o receptor estejam preparados, porque se não houver sintonia por parte de um dos envolvidos, este fica prejudicado por não poder fazer parte da cadeia espiritual, ficando desta forma isolado no processo.
O que é realmente importante como preparo?
Se estamos falando de coisas espirituais, o preparo deve ser espiritual. Como o passe é fisiopsíquico, temos de nos preparar tanto no campo físico como no espiritual.
Portanto, devemos cultivar:
Boa vontade, sentimentos de amor, prece, mente equilibrada, fé, etc.. É importante também alimentação adequada, descanso físico e saúde equilibrada.
Como conseqüência, são fatores negativos:
As mágoas, as paixões, alimentos pesados, alcoólicos, desequilíbrio nervoso, inquietude, entre outros.
Outro fator também muito importante é a disciplina no que diz respeito ao horário. Por se tratar de assunto que envolve também, e principalmente, a espiritualidade, a disciplina é fator essencial.

Tipos de Passe
No que diz respeito ao tipo, o passe pode ser classificado da seguinte forma:
Magnético: Quando ministrado somente com os recursos magnéticos do passista, embora seja quase impossível a existência deste tipo de passe, pois o próprio Jesus afirmou: Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.[14]
Espiritual: É o passe ministrado somente pelos Espíritos, usando seus próprios fluidos sem a colaboração de médiuns.
Qualquer um de nós, desde que se faça merecedor, pode receber este passe. Basta orar e colocar-se em receptividade.
Humano Espiritual: É o passe dado através da combinação de fluidos do Espírito e do passista.
Este é o mais usual entre os tipos de passe. É através dele que o médium tem a grande oportunidade do trabalho.
Mediúnico: É quando o Espírito desencarnado se manifesta durante o passe.
Este tipo não é aconselhável, visto o ambiente do passe não ser ideal para manifestação mediúnica, pela falta de controle, por parte do dirigente, do teor das comunicações, entre outros motivos.
O passe ainda pode ser classificado sob o aspecto da presença ou ausência do paciente:
O direto é dado na presença física daquele que recebe.
 À distância, o enfermo está ausente. O médium, neste caso, ora e pede o passe em favor da pessoa que está distante, e a espiritualidade, conforme a vontade do Pai, aplica-o.
É importante, em um estudo sobre o passe, falar um pouco a respeito da água fluidificada, pois essa é um dos maiores recursos nos tratamentos fluidoterápicos.
Para tal, recorremos a uma mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier, em sessão pública na noite de 05/06/50 em Pedro Leopoldo, Minas Gerais:

A ÁGUA FLUIDA
E qualquer que tiver dado só que seja um copo d'agua fria por ser meu discípulo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão
 (Jesus - Mateus, 10:42)
Meu amigo, quando Jesus se referiu à benção do copo de uma água fria, em seu nome, não apenas se reportava à compaixão rotineira que sacia a sede comum. Detinha-se o Mestre no exame de valores espirituais mais profundos.
A água é dos corpos, o mais simples e receptivo da Terra. É como que a base pura, em que a medicação do Céu pode ser impressa, através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais.
A prece intercessória e o pensamento de bondade representam irradiações de nossas melhores energias.
A criatura que ora ou medita exterioriza poderes, emanações e fluidos que, por enquanto, escapam a nossa análise da inteligência vulgar e a linfa potável recebe a influenciação, de modo claro, condensando linhas de força magnética e princípios elétricos  que aliviam e sustentam, ajudam e curam.
A fonte procede do coração da Terra e a rogativa que flui no limo da alma, quando se unem na difusão do bem, operam milagres.
O Espírito que se eleva na direção do céu é antena viva, captando potências da natureza superior, podendo distribuí-las em benefício de todos os que lhes seguem a marcha.
Ninguém existe órfão de semelhante amparo.
Para auxiliar a outrem e a si mesmo, bastam a boa vontade e a confiança positiva.
Reconheçamos, pois, que o Mestre, quando se referiu à água  simples, doada em nome da sua memória, reportava-se ao valor real da providência, em benefício da carne e do Espírito, sempre que estacionem através de zonas enfermiças.
Se desejas, portanto, o concurso dos Amigos Espirituais, na solução de tuas necessidades fisiológicas ou dos problemas de saúde e equilíbrio dos companheiros, coloca o teu recipiente de água cristalina à frente de tuas orações, espera e confia. O orvalho do Plano Divino magnetizará o líquido, com raios de amor, em forma de benção, e estarás, então, consagrando o sublime ensinamento do copo de água pura, abençoado nos Céus.[15]

Considerações Finais
O passe é um recurso de emergência para tratamento de todos os tipos de doença. Mas como toda terapia não deve ser usada indiscriminadamente, remédio não deve ser tomado a toda hora, mas só no momento necessário.
Quanto à cura propriamente dita, esta só se dá pela recuperação do Espírito através da evangelização na busca da reforma íntima.
Lembremos assim da afirmativa de Jesus ao paralítico de Betesda:
Olha, já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.[16]



[1]  (FRANCO/Joanna de Ângelis [Espírito] 1991), cap. 18
[2] Exodo, 3: 2 a 5
[3] Deuteronômio, 18: 9 a 14
[4] Cf. KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed. 1991, cap. XXVI
[5] Números, 11 26 a 29
[6] João, 10: 30
[7] Mateus, 16: 17 e 18
[8] XAVIER, Francisco C. / Emmanuel (Espírito), Encontro Marcado, Rio de Janeiro, FEB, 1967, cap. 28
[9] Idem, ibidem.
[10] João, 14: 16 e 26
[11] (XAVIER/Emmanuel [Espírito] 1967), cap. 28
[12] LEX, Ary. Do Sistema Nervoso à Mediunidade. São Paulo: FEESP, 1997
[13]  [XAVIER / Waldo Vieira/ André Luiz (Espírito), 1993] I Parte, cap I
[14] Mateus, 18: 20
[15] TOLEDO, Wenefledo de. Passes e Curas Espirituais. São Paulo: Pensamento, pg 140
[16] João, 5: 14