quinta-feira, dezembro 07, 2017

A Vinda Do Senhor e a Ressurreição - Breves Comentários

13 Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.
14 Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele.
15 Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.
16 Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.
17 Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
18 Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.
1 Tessalonicenses 4:13-18



Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.
A partir deste versículo o apóstolo muda o tema abordado na carta. É que como dissemos, havia entre os cristãos da época uma crença na parusia do Cristo, e provavelmente, Timóteo noticiava que alguns crentes de Tessalônica estavam preocupados com seus parentes já desencarnados; pois segundo acreditavam, estes seriam prejudicados por não estarem entre os vivos quando da volta do Senhor.
Existia também um outro problema, é que muitos pagãos criam na extinção da consciência após a morte, e estas crenças estavam dificultando o entendimento de alguns iniciantes cristãos da comunidade a respeito da Boa Nova.
Paulo, portanto, esclarece, não quero porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, isto é, dos já desencarnados. Para Paulo o estado da alma após o desenlace é de perfeita consciência, e é o que ele quer que seus neófitos compreendam, pois assim não ficarão tristes, como os demais, que não têm esperança, por em nada crer.
A imortalidade é um tema sempre recorrente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Os próprios fariseus, dos quais Paulo faz questão de mostrar que teve sua origem, tinham a ressurreição como ponto de fé. Os textos sagrados só têm razão de ser devido a realidade da imortalidade, pois se tudo se extinguisse com a morte, não haveria consequência moral, nem ética a ser vivida por ninguém.
Quando é dito que o Espiritismo é a doutrina consoladora a que Jesus se referiu segundo as anotações de João, é porque ele mostra com clareza, com lógica, de uma forma sistematizada, a verdade das crenças até então incompreendidas, da imortalidade da alma e da reencarnação. Pois os judeus, que eram os mais espiritualizados da época, tinham uma noção confusa e indefinida a respeito do assunto, fazendo uma falsa ideia da vida após a morte.
A continuidade da vida era para Paulo um fato concreto que alimentava sua fé, pois segundo a narrativa de Marcos, Jesus tudo declarava em particular aos seus discípulos1, e lógico que Paulo tendo convivido com aqueles que testemunharam estas confidências, estes por sua vez, revelaram tanto a Paulo como a outros seguidores desta época, o conteúdo destas importantes revelações.
Era necessário deste modo, multiplicar a esperança através da divulgação do Evangelho da alegria, e o doutor de Tarso, por fidelidade, tinha a proposta de extinguir a ignorância espiritual dos adeptos do Nazareno, fazendo florescer em cada um a esperança através da certeza da vida imortal; a incredulidade é uma das maiores tristezas que pode visitar o homem comum, justamente por negar a este a compreensão de sua origem e do fim maravilhoso da vida.
Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele.
Puro raciocínio lógico expresso pelo converso de Damasco. Se Jesus morreu e ressuscitou, isto é, morreu e não se extinguiu, o mesmo se dará a todos nós que somos seus irmãos e filhos do mesmo Pai, segundo seus próprios ensinamentos.
Sendo Deus a expressão máxima de Justiça, não pode haver privilégio na criação; deste modo, se há um simples ser que continue a viver após o trespasse físico, o mesmo se dará com todos os outros, simples questão de bom senso.
Quanto ao destino dos seres neste continuum da vida, podemos tomar um outro ensinamento de Jesus para justificar a teoria contrária à extinção da vida e a das penas eternas. Qual dentre vós é o homem, disse Ele em Seu Imortal Sermão, que pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?2
Portanto, diante deste sensacional ensinamento, como justificar a teoria das penas eternas, ou da infelicidade futura das almas, ou da extinção da consciência depois da morte?
Mesmo que de forma inconsciente, o maior entre todos os pedidos que faz o ser humano a Deus, mesmo os materialistas, é o de que não seja extinta a vida, portanto, porque Deus não atenderia este pedido comum, tão insistentemente feito por toda Humanidade? Negar esta possibilidade é negar a própria existência do Criador, ou o seu atributo essencial que é a Misericórdia.
Com esta certeza da vida plena, Paulo ensinava aos seus discípulos, todos os que em Jesus dormem, ou seja, os que mesmo desencarnados têm Jesus por Senhor, Deus os tornará a trazer com ele, seja pelas vias da reencarnação seja pela própria presença do Senhor com eles como desencarnados trabalhadores no plano em que se encontram. O mesmo se dará com aqueles que dormem sem a presença de Jesus em suas vidas. Deus através de Sua Lei os fará também retornar, só que do modo como se encontram, isto é, sem o Cristo a orientá-los; serão estes guiados pela Lei, no plano da inconsciência, que os fará sofrer no fluxo e refluxo da existência até que adquiram o conhecimento da verdade que os libertará conforme ensinamento do Cristo quando esteve fisicamente entre nós.
Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça.3
Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.
Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor; a autoridade de Paulo estava em que ele ensinava de conformidade com o que lhe era revelado por Jesus. Esta revelação podia vir através dos manuscritos de Levi, a que os primeiros cristãos tiveram acesso, pelo testemunho daqueles que com o Mestre estiveram pessoalmente, ou pela via da mediunidade, já que esta era uma prática comum entre os primeiros discípulos do Senhor. As próprias epístolas eram, como já dissemos, inspiradas por Jesus através de Estevão.
Esta mesma autoridade se ampliava na medida em que Paulo não só recebia e transmitia os ensinamentos pela palavra, mas principalmente pelo exemplo de sua conduta sempre coerente com o Evangelho.
Este texto serve assim de reflexão para todos nós os que hoje nos predispomos a divulgar a mensagem pura do Manso Galileu; temos sido fiéis ao Evangelho? Temos interpretado as lições despidos do interesse pessoal? Como tem sido a nossa conduta diante daqueles a quem mais temos que testemunhar nossa adesão às propostas renovadoras do Cristo?
A vinda do Senhor como já dissemos não será material, mas espiritual; e isso dizemos baseado nas palavras do próprio Paulo, que por sua vez se inspirava em Jesus. Após um texto genial e esclarecedor que deve ser lido por todos e que está contido no capítulo 15 da primeira epístola aos Coríntios, conclui o apostolo:
O mesmo se dará com a ressurreição dos mortos [que segundo ele se dará na vinda do Senhor], semeado corpo corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo psíquico, ressuscita espiritual.4
E continua:
Digo-vos irmão: a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus…5
Em João temos o próprio Jesus ensinando:
Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.6
Portanto, e não estamos inventando, pois usamos as próprias palavras contidas no Novo Testamento, a ressurreição definitiva, que é a máxima realização da criatura que retornará ao Criador, se dará espiritualmente, e esta será, para cada um, no seu momento próprio, o Dia do Senhor, ou dentro da terminologia da época, a "parusia do Cristo".
Neste momento não haverá privilégios, não será o fato de estar desencarnado (os que dormem) ou encarnado (os que ficarem vivos) que indicará quem receberá primeiro a Glória do Senhor, até porque, primeiro e depois são expressões relativas, que dizem respeito à cronologia deste mundo, no Reino do Pai, já foram superadas as dimensões tempo e espaço.
Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro…
Como dissemos nos comentários relativos ao versículo anterior, as expressões primeiro, depois, primeiro dia, dia segundo, entre outras contidas nos textos bíblicos, têm sentido relativo e devem ser interpretadas em espírito, dentro da lógica, do bom senso, e da razão.
É preciso saber que Paulo como os demais evangelistas estavam realizando um trabalho de educar almas que não tinham a mínima noção de espiritualidade. Ou eram religiosos ortodoxos mais ligados ao plano exterior, ou pagãos ainda no início de suas projeções espirituais.
Portanto Paulo tinha que adequar a mensagem do Evangelho de tal forma que todos compreendessem. Afinal, seu objetivo era universalizar a mensagem do Cristo tirando-a das paredes do templo e dos dogmas que tanto a descaracterizava.
Como analisamos anteriormente, Paulo tinha por meta que seus leitores compreendessem, que com relação ao novo advento do Senhor, não era o fato de estar ou não encarnado que daria ao homem maior ou menor facilidade diante deste evento, mas sim a postura íntima em relação às verdades trazidas por Jesus e sua fiel adesão a estas.
Quanto à manifestação do Senhor neste dia de redenção, era característica da literatura da época a utilização de símbolos como nuvens, trombetas, vozes etc.; tanto textos mais antigos como os livros Êxodo, Deuteronômio, entre outros, quanto alguns do Novo Testamento, usam e abusam destas simbologias que sempre reforçam a manifestação espiritual das entidades celestes (os Espíritos) nestes momentos de glória.
O mais importante neste verso é a colocação do redator da carta com relação aos que morrerem em Cristo, significando a desativação em nós das necessidades e desejos ligados às questões materiais. Pois morrer em Cristo é justamente a desvinculação do mundo através do viver nele sem ser dele, ou seja, sem paixão e apego. Jesus com muita propriedade disse ter vencido o mundo, e não no mundo como é desejo dominante na maioria da Humanidade, e em outra oportunidade nos alertou que o Seu Reino não era deste mundo, se referindo ao imperativo de nos espiritualizarmos para atingirmos a meta da felicidade.
depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.
Estes versículos que encerram o capítulo quarto desta carta não sugerem muitos outros comentários, pelo menos a nós diante do que já expusemos anteriormente, sem cairmos em repetições que julgamos desnecessárias neste momento.
Importa-nos, portanto, analisar algumas expressões.
…a encontrar o Senhor nos ares; expressando justamente que este encontro se dará fora do plano comum da matéria, ou seja, será um encontro espiritual. Neste ponto repetimos, pois a terminologia usada vem reforçar nossa conclusão pelo caráter espiritual do advento.
…e assim estaremos sempre com o Senhor; nos mostrando que depois da morte gerada pela ilusão do que é transitório retornaremos ao plano original e estaremos com o Senhor para sempre. Deste modo, tudo o que passamos anteriormente como sacrifício para atingirmos este desiderato, mesmo que seja num período de milênios, fica minimizado, pois a felicidade será eterna, isto é, para sempre, numa dimensão em que o tempo jamais passará pois a conquista existirá na intimidade de todos os que tiverem vencido o último inimigo; a morte.7
…consolai-vos uns aos outros com estas palavras; é mais uma vez a preocupação de um Espírito superior com a tranquilidade e a paz de todas as criaturas; preocupação de que as suas palavras possam gerar somente o bem e a alegria.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.8


Texto extraído do E-Book:  Paulo, Mulher e Homem em Cristo, que você encontra completo em:



1 Ver Marcos, 4: 34
2 Mateus, 7: 9 a 11
3 Marcos, 4:23
4 1 Coríntios, 15: 42 a 44
5 Ibidem, 50
6 João, 14: 23
7 Cf. 1 Coríntios, 15: 26
8 Mateus, 5:9

sexta-feira, novembro 24, 2017

Vitória Final




"…e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome…" (Apocalipse, 15: 2)
A felicidade é uma questão de posicionamento íntimo da criatura. O Criador fez a todos de igual forma, dando a cada um a mesma oportunidade.
Vivemos em um mundo marcado por uma dualidade presente, onde os valores materiais e espirituais se alternam, sendo que os primeiros têm a primazia, e aqueles que aprenderam a manipulá-los com segurança saem na frente como vencedores.
A luta é comum a todos não dando trégua a ninguém, e os mais aptos dentro da economia deste modelo reinante dominam sistematicamente fazendo dos perdedores seus constantes servos.
Estes valores do mundo são representados pela besta conforme citado no texto em epígrafe, sendo o objetivo do espírito em trânsito para o Reino Divino vencer este momento ajustando-se às Leis Superiores assim alcançando a harmonia interior.
Por isso afirmamos no início desta página ser a felicidade uma opção feita pela criatura pois só a ela cabe a tomada de decisão no sentido deste equilíbrio almejado.
O autor do Apocalipse qualifica de vitoriosos da besta estes que, conscientes deste momento conseguem fazer-se superiores a esta realidade transitória entrando assim na harmonia universal. Notemos que estes, mesmo após terem vencidos a primeira etapa, ainda têm de cumprir outras fases, pois fizeram-se vencedores também da imagem, do sinal e do número do nome daquela que a séculos vem subjugando-nos a seu capricho.
A imagem representa para nós a sua vibração e o constante apelo da retaguarda para que voltemos à posição anterior. É comum àquele que toma uma decisão de mudança de um comportamento negativo, ser assediado pelos cultores do passado visando uma volta aos estados anteriores. Vencer estas dificuldades é o primeiro passo a ser tomado com vistas à desvinculação deste processo de ilusão.
O sinal são as consequências já materializadas do comportamento anterior. Quando optamos por uma nova vida, nem por isso aquilo que fizemos de negativo deixa de existir, assim é preciso encarar os efeitos de nossas criações anteriores e desativá-las de seu aspecto negativo, criando novas oportunidades de sinal contrário. Deus, através da Vida, que é Sua manifestação constante, não perdoa nem condena, simplesmente dá novas oportunidades de refazer o que não feito devidamente.
Finalmente é preciso ser também um vencedor do número do seu nome. E aqui podemos asseverar que é a vitória final por fixar naquele que passou por todas as etapas os novos valores do Ser renovado e por isso harmonizado consigo mesmo.
Número expressa uma ideia matemática, de uma equação a ser resolvida. Aquele que consegue equacionar conscientemente a estratégia a ser tomada com vistas a vencer sua próprias dificuldades, num plano de autoconhecimento, e assim vencer as atrações sistemáticas daquele estado qualificado como da besta, é porque já adequou-se ao plano operacional do Criador, e por isso digno da mais pura e legítima felicidade, por estar em perfeita conexão com o Eterno.
Meditemos sobre isto, e façamo-nos merecedores, pois a orientação das várias as escolas religiosas é a mesma:

a ti, Senhor, pertence a graça, pois a cada um retribuis segundo as suas obras. (Salmos 62:12)


Extraído do E Book: “Seja Feliz” Disponível em:


 

terça-feira, outubro 31, 2017

Maria de Nazaré, a Educadora de Jesus


Quem foi Maria?

Falar de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, não é fácil devido a falta de informações que temos dela, e entre as que temos poucas são confiáveis, isentas e imparciais do ponto de vista religioso.

Estão no Novo Testamento, apesar de raros, os melhores esclarecimentos que temos da Mãe de nosso Senhor Jesus.

Nós, os espíritas, ainda temos o privilégio de termos algumas anotações vindas do Plano Espiritual que nos ajudam a esclarecer sobre a grande evolução e a missão deste nobre Espírito.

Não temos informação de como foi sua infância, nem de sua adolescência; a tradição cristã nos informa que Maria era filha de Joaquim e Ana. Seus pais eram judeus e pelo que podemos depreender dos textos do Evangelho formavam uma família simples e praticantes fieis de seus princípios religiosos.

Provavelmente nasceu entre os anos 18 e 20 a.C., e como era habitual àquele tempo, deve ter casado por volta de seus 14 anos, às vezes até antes.

Os historiadores do cristianismo apontam como data provável do nascimento de Jesus o ano 6 a.C., o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier define o ano 5 a. C. como sendo o correto para a vinda do Cristo à carne1. O casamento de Maria deve ter acontecido de seis meses a um ano do nascimento de seu primogênito.

Outra questão que não temos como certa é se Maria teve ou não outros filhos além de Jesus. O Evangelho não é totalmente claro a respeito; Mateus fala que Jesus teve irmãos e irmãs, e até dá o nome de seus irmãos2. Entretanto, em hebraico ou em aramaico, os primos também eram chamados de irmãos.

Muitos estudiosos contestam esta questão de os supostos irmãos de Jesus serem seus primos. Afirmam estes que é uma realidade que o termo hebraico designava tanto irmão quanto primo, porém ressaltam que o Evangelho foi escrito em grego, e no grego temos duas palavras distintas, adelphos, para irmão, e anepsios que é literalmente primo. Portanto, insistem, se os autores do Novo Testamento, que à época sabiam se eram primos ou realmente irmãos, quisessem falar em primos, usariam anepsios e não adelphos3.

Outro argumento a favor de serem irmãos é que na maioria das vezes em que eles são citados no Evangelho estão acompanhados de Maria; por que, perguntam, eles estariam sempre acompanhados da tia? Entretanto, há argumentos fortes também, por parte daqueles que defendem que Maria e José não tiveram outros filhos, como o fato de Jesus ter, no momento da crucificação entregado Maria – sua mãe - a João, o discípulo amado, para que este tomasse conta dela a partir de então. Se formassem uma família numerosa, com vários outros filhos, não seria natural que estes cuidassem de Maria?

Há uma terceira hipótese, menos comentada e menos provável, a de que José ao casar com Maria já teria outros filhos de casamento anterior, e estes é que seriam os irmãos de Jesus.

Como este não é o objetivo principal deste estudo, não vamos mais nos ocupar com este tema. No judaísmo era comum o casal ter muitos filhos, era uma bênção de Deus, o que faz crer a alguns que José e Maria seriam pais de uma prole maior; todavia, não há esta necessidade, a família de Jesus era sem dúvida uma família especial, e poderia, portanto, ser diferente das demais sem nenhum desmerecimento para eles.

O certo, é que Maria era um Espírito de altíssima evolução, um dos mais puros que encarnou neste Orbe governado espiritualmente por Seu Filho Jesus.


Maria era culta ou iletrada?

Esta é outra questão que não é fácil de ser respondida.

Nos dias de hoje dizemos que uma pessoa é culta se ela tem o hábito de ler e estudar, se tem muita informação intelectual. Entretanto, no que diz respeito ao primeiro século de nossa era o julgamento não pode ser feito desta forma.

Neste século, o marcado pela vinda física de Jesus, grande era o percentual de analfabetismo. Quase não haviam livros para serem lidos, e era caríssima a produção de um, desta forma, não era qualquer pessoa que tinha acesso a livros, sendo assim, poucos sabiam ler, e muito menos ainda os que tinham o hábito de estudar como fazemos hoje.

Porém, não podemos dizer por isso que eram mal informados os habitantes da Palestina daquela época. O processo de aprendizado era diferente, o que tínhamos era uma cultura oral; as cartas de Paulo eram lidas na comunidade cristã através de uma leitura coletiva, muitos apenas ouviam o que este valoroso apóstolo escreveu.

Tal hábito fazia com que a memória destes que se dedicavam ao estudo das escrituras fosse de grande capacidade, pois era preciso saber os textos de cor já que nem sempre era possível lê-los.

Portanto, saber ler não era pré-requisito para se ter cultura. Além disso, em se tratando de uma mulher na palestina no tempo de Jesus, eram bem poucas as chances de que a ela fosse dada a oportunidade de saber ler.

Assim, do ponto de vista de percentuais, grande é a chance de Maria não ter sido alfabetizada, o que não estamos querendo dizer com isso, que não tenha sido. Apenas dizemos de probabilidades.

O que é certo, e podemos dizer com total segurança, é que a Mãe de Nosso Senhor tinha grande cultura, e muito mais ainda, uma cultura espiritual, uma espiritualidade inteligente.

Muitos chegam a dizer que Maria teria sido educada no Templo, que era não só boa leitora, como também, boa redatora. É possível, porém, não certo. Não estamos querendo trabalhar com hipóteses.

No tempo de Maria, o judaísmo não era simplesmente uma religião, era uma cultura. Entre os hebreus não se podia escolher a que religião seguir, simplesmente eram judeus. Não havia shoppings, cinemas, teatros, ou outras diversões quaisquer, o que havia era uma sinagoga, e que todos frequentavam, a sinagoga era a vida das pessoas. Nazaré era uma pequena cidade, a sinagoga deveria ser próximo de tudo, e era ali onde eles aprendiam e praticavam seus princípios de moral elevada.

Como dissemos Maria era um Espírito elevado e sem comprometimentos no campo expiatório, por isso aprendia fácil, com certeza memorizava bem, e vivenciava o que aprendia, não era culta dentro de nosso padrão atual, era sábia.

Por que podemos dizer isso com certeza? O Evangelho nos dá mostra disso a toda hora, e além do mais, Maria foi a educadora do maior Sábio de todos os tempos, e só isso bastaria para dizer que ela foi entre todas a melhor educadora.


Texto extraído do E-Book Paulo, Mulher e Homem em Cristo, que você encontra completo em:


https://www.amazon.com.br/Paulo-Mulher-Homem-Cristo-Evangelho-ebook/dp/B075RW5GFK




1 XAVIER, Francisco C. / Humberto de Campos. Crônicas de Além Túmulo, cap. 15, Rio de Janeiro, FEB, 1937.

2 Cf. Mateus, 12: 46 e Mateus, 13: 55 e 56. Ver também Marcos, 6: 3

3 Existem controvérsias. Segundo PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho Vol. 8. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1967, Pg. 197, a palavra adelphos "irmão", referia-se também a "primos", e ainda cita vários autores profanos como Heródoto, Thucidides, etc. onde isto acontecia.

quarta-feira, outubro 11, 2017

Breves Considerações Sobre o Espírito Jesus


13Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?    14Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas.    15Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou?    16Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.  (Mateus, 16: 13 a 16)


A interrogação de Jesus aos discípulos é muito significativa para nós cristãos de todas as eras. Importa a cada um de nós refletir e responder a Ele o que Ele verdadeiramente é em nossas vidas; se simplesmente um batista, um profeta, um revolucionário, Deus, ou o Caminho a Verdade e a Vida pertinente a cada um de nós, imagem de Deus que somos.

Apesar do grande conteúdo reeducativo destes versículos, sendo esta, nossa reeducação em Cristo, a tarefa mais importante de nossa vida, neste estudo queremos fazer outra abordagem, tecer alguns breves comentários sobre o Espírito Jesus, no que pese isto ser tarefa das mais difíceis por não termos condições de compreender de nenhum modo a dimensão evolutiva deste que é o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Nossos irmãos protestantes e católicos não consideram, nós espíritas, como cristãos, pelo fato de não termos Jesus como Deus. Como se ser cristão estivesse relacionado à crença de ser Jesus, Deus.

Ser cristão, segundo o dicionário é professar a crença em Jesus Cristo, porém podemos aprofundar este conceito que é muito restrito dizendo que ser Cristão é ser, ou buscar incessantemente ser, semelhante a Cristo, fazer o que ele fez, viver o que ele viveu; segundo Ele mesmo, seríamos reconhecidos como cristãos por muito amarmos. (João, 13: 35)

O Livro dos Espíritos na questão 625 diz ser Jesus nosso Guia e Modelo, deste modo, se assim O temos, podemos seguramente dizer que somos Cristãos. Todavia, esse não é o diferencial dos ensinamentos espíritas, pois todo cristão seja de que religião for deve tê-Lo como Guia e Modelo.

Segundo Allan Kardec Jesus é o Protetor da Terra (Livro dos Médiuns, IV, Item 48). Emmanuel aprofunda o conceito qualificando-o de Governador Espiritual da Terra, o que o coloca na condição, não de um simples Espírito Superior, mas de um Espírito Puro.

Neste ponto é preciso fazermos algumas considerações.

Quando Kardec ensina-nos sobre a escala espírita em O Livro dos Espíritos ele classifica os Espíritos Puros dentro de uma Ordem apenas, porém, na sequência de seus estudos e através da obra de Francisco Cândido Xavier , passamos a entender que mesmo dentro da Ordem dos Puros há hierarquia. Jesus seria um Messias Divino (A Gênese, cap XV Item 2), ou como habitualmente dizemos um Cristo.

Ainda segundo esta Ordem de Espíritos uma mensagem contida na Revista Espírita de Fevereiro de 1868 diz que Os Messias são, seres superiores chegados ao mais alto grau da hierarquia celeste, depois de terem chegado a uma perfeição que os torna, doravante, infalíveis e acima das fraquezas humanas, mesmo na encarnação.

Afim de podermos compreender estes conceitos no plano objetivo de Deus O Livro dos Espíritos nos informa que Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos (LE, 536 b). Ou seja no que diz respeito aos Universos materiais Deus Cria, mas quem põe a mão na massa para construção de mundos, sóis, galáxias, etc., são os Espíritos.

Aprofundando o ensinamento, André Luiz nos informa na Obra "Evolução em Dois Mundos" que:

(...) o fluido cósmico, também chamado fluido universal, é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano. Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade, em serviço de cocriação em plano maior, de conformidade com os desígnios do Pai Celeste, que faz deles agentes orientadores da Criação Excelsa. Essas Inteligências gloriosas tomam o plasma divino e o convertem em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas, quais moradias que perduram por milênios e milênios, mas que se desgastam e se transformam, de vez que o Espírito Criado pode formar ou cocriar, mas só Deus é o Criador de Toda a Eternidade. (Obra citada, Primeira Parte, cap. I )


Estas Inteligências Divinas, ou Inteligências gloriosas, que são chamados de Co-criadores em plano maior, por este autor espiritual, são os Agentes Dedicados de O Livro dos Espíritos.

Assim, temos os Espíritos responsáveis pela direção de planetas, sóis, galáxias etc..

Jesus é o Espírito responsável pela governança do planeta Terra, sendo assim, conforme terminologia a que estamos habituados, o Cristo Planetário de nosso Orbe. Conforme diz André Luiz Ele e o Pai vivem agregados, em processo de comunhão indescritível, podendo Ele, assim, quando esteve entre nós afirmar: Eu e o Pai somos um. (João, 10: 30)

Baseado nestas proposições podemos fazer o seguinte raciocínio: a ciência assevera que o planeta Terra tem a idade de 4,5 bilhões de anos, deste modo podemos com segurança afirmar que Jesus é um Espírito Puro, um Cristo, no mínimo há 4,5 bilhões de anos.

O mesmo André Luiz, através da Psicografia de Francisco Cândido Xavier, ainda na obra Evolução em Dois Mundos, nos assevera que o Princípio Inteligente leva dos organismos monocelulares à idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento nada menos que um bilhão e meio de anos; ou seja, só o tempo em que Jesus está na condição de Cristo Planetário, dá para percorrer nossa trajetória evolutiva do monocelular ao homem três vezes. Depreendemos, assim, que Jesus acompanha nossa caminhada evolutiva rumo à angelitude desde o princípio, estando conosco todos em todo tempo de nossa vida desde dias incontáveis.


Conclusão:


Concluímos através dos ensinamentos espíritas, que Jesus não é Deus, todavia, não podemos considerá-Lo como um simples Espírito Superior, por mais respeito que tenhamos a estes. Jesus é um Espírito Puro, um Cristo, ou um Messias Divino. Nenhum Espírito que encarnou na Terra é semelhante a Ele em Evolução.

Ele não é Deus, Deus é mais do que Ele. Entretanto, o que Deus é mais do que Ele nós, em nosso estado evolutivo atual não conseguimos alcançar.

Como vimos pelas colocações anteriores, ainda não conseguimos compreender nem mesmo o estado evolutivo de um Cristo, quanto mais sua posição em relação a Deus. Ficamos apenas com a colocação de André Luiz, Eles vivem em uma comunhão indescritível para qualquer um de nós, ou como disse Ele mesmo, quem vê a mim vê aquele que me enviou (João, 12: 45), pois o que damos conta de alcançar de Deus é só o que Jesus conseguiu nos mostrar.

Desta forma, diante da grandeza do Espírito Jesus e de seu estado evolutivo tão acima da humanidade terrena, não é de se estranhar que nossos irmãos vinculados a outras escolas do cristianismo, tenham nosso Cristo por Deus. É que por não levar em conta em suas teologias as leis da reencarnação e de evolução é o máximo que conseguem compreender.

Que fique claro apesar disto que não nos podemos considerar superiores a eles devido ao entendimento mais amplo alcançado através dos ensinamentos espíritas. Ninguém é melhor ao maior do que outro pelo simples fato de saber desta ou daquela forma, de conhecer ou não determinadas questões. Como dizia nosso querido Chico Xavier, quem sabe pode muito, mas quem ama pode mais.

O estado evolutivo de um Espírito não é dado pelo que ele conhece, mas a capacidade de amar pode muito bem ser um fator determinante de sua condição superior na escala espírita.



quinta-feira, setembro 28, 2017

Do Livro - "Paulo, Mulher e Homem em Cristo"



2 - A mulher na sociedade judaica
O Novo Testamento tanto quanto o Velho, apesar de seu caráter universal e atemporal, é literatura judaica. Por que assim dizemos? É que seus autores eram judeus1, os personagens que o compõe na maioria deles também são, e toda a história vivida se dá no âmbito da cultura judaica. Assim, é amplamente impossível abrir mão de conhecermos esta cultura2 se quisermos fazer uma análise correta destes textos, que mesmo quando escritos em grego foram na maioria das vezes vivido em hebraico ou aramaico.
Dentro deste contexto perguntamos então, qual era a posição da mulher na sociedade judaica do primeiro século da era cristã?

O lugar da mulher dentro do Judaísmo deve ser analisado à luz do contexto histórico em que se desenvolveu. Na época bíblica, as mulheres dos Patriarcas eram as Matriarcas, mulheres ouvidas, respeitadas e admiradas. Havia mulheres profetisas e juízas. As mulheres estavam presentes no Monte Sinai no momento em que Deus firmou o Seu Pacto com o povo de Israel. Participavam ativamente das celebrações religiosas e sociais, dos atos políticos. Atuavam no plano econômico. Tinham voz, tanto no campo privado como no público.3
Com o decorrer do tempo e por força das influências estrangeiras, especialmente a grega, foram excluídas de toda atividade pública e passaram a ficar relegadas ao lar. Essa situação das práticas cotidianas daquela época foi expressa nas leis judaicas então estabelecidas e permanece a mesma até hoje.4

Há no Talmud de Babilônia - Tratado "Menachot" 43 B um texto interessante, onde está escrito:

O Rabi Meir disse: O homem deve recitar três bênçãos cada dia, e elas são: Que me fizeste [do povo de] Israel; que não me fizeste mulher; que não me fizeste ignorante. (Grifos nossos)

Isto nos mostra o quanto esta era uma sociedade patriarcal.
Portanto, as mulheres eram tidas como mães procriadoras; eram não só dependentes, mas posse mesmo, primeiro do pai, e depois, quando casava, do marido. Eram consideradas incapazes de dedicar-se a temas importantes que eram exclusividade dos homens.
Assim, lembra-nos (KOCHMANN, 2007):

a presença de uma mulher num lugar público - na rua, no mercado, nos tribunais, nas casas de estudo, nos eventos públicos ou nos cultos religiosos -, era considerada uma ofensa à sua dignidade de mulher.
(…)Na prática, mulheres e escravos tinham as mesmas obrigações. A liberdade para usar o tempo conforme lhe aprouvesse era prerrogativa só dos homens. Em hebraico a palavra "marido" é baal, que significa "dono, patrão, proprietário e donos do mundo.h

Em Israel só os filhos de sexo masculino tinham direito à herança. As filhas que herdavam, quando não havia descendentes masculinos, deviam se casar no clã. Quando uma mulher ficava viúva e não tinha filhos se casava com parentes do primeiro marido.
Outras características da sociedade deste tempo em Israel:
  • Um homem não devia olhar para uma mulher casada e nem cumprimentá-la. Caso tivessem que aparecer em público elas deviam usar um véu. Ninguém podia conversar com uma mulher estrangeira.
Sob o aspecto religioso, a mulher não era igual ao homem. Estava sujeita a todas as proibições da Lei, a todo rigor da legislação civil e penal e à pena de morte. Elas não eram obrigadas a aprender a Lei. Alguns mestres julgavam que era preferível queimar a Torá que ensiná-la às mulheres.
Elas deviam se purificar quando dessem à luz. Se fosse um menino o período de purificação era de quarenta dias. Se fosse uma menina era de oitenta dias.
O pai podia vender uma filha. A esposa não recebia nenhuma herança do marido, dedicava-se às ocupações domésticas, preparando a alimentação do marido. Devia lavar as mãos, o rosto e os pés do marido e tinha grande crédito com ele se lhe desse muitos descendentes do sexo masculino.
Poderíamos fazer muitas outras citações, porém pensamos que só estas já nos dão subsídio para compreender a posição da mulher na sociedade judaica no tempo do apóstolo Paulo.
Dito isto agora podemos ler um texto contido na Epístola aos Efésios e ver se ele está de acordo com os costumes da época:

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo.
De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido.
Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo.
Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes, a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; porque somos membros do seu corpo.
Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne.
Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.
Assim também vós, cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido.5

Sem ainda aprofundarmos na análise podemos com segurança afirmar que Paulo não era machista, aliás, na época não existia machismo, esta era a cultura e ponto final. Paulo era um revolucionário, isto sim, era muito avançado para a época, pois pregava com toda clareza:

Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela…
Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo.
Assim também vós, cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo.

Qual ser humano comum que pensava deste modo naquela época? Qual o judeu que se preocupava em manifestar amor e carinho por sua mulher?
E mesmo no polêmico texto da 1ª Carta a Timóteo:

A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. 6

Já notamos um avanço, pois conforme vimos anteriormente alguns mestres julgavam que era preferível queimar a Torá que ensiná-la às mulheres, e aqui Paulo mostra–nos que elas podiam aprender, isto é, estudar a Lei. Mais adiante trataremos melhor este assunto quando falarmos da admiração que tinha de Abigail, e de seu ideal de mulher.

( O Restante desta Obra você encontra disponível em: Paulo, Mulher e Homem em Cristo e Outros Estudos do Evangelho )


1 Mesmo Lucas, que não era um autêntico filho de Israel, sofria uma grande influência hebraica.
2 Cf. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, 50ª ed., questão 627, Rio de Janeiro: FEB, 1980.
3 KOCHMANN, Sandra (Rabina). O Lugar da Mulher no Judaísmo,.retirado de http://www.pucsp.br/reverhttp://www.pucsp.br/reverhttp://www.pucsp.br/rever , acessado em 15/11/2007
4 Ibidem.
5 Efésios, 5: 22 a 33
6 Timóteo, 2: 11

quinta-feira, setembro 21, 2017

Conversa sobre Reencarnação





A pergunta foi direta:


- Cláudio, por que você acredita na reencarnação?


Do mesmo modo foi a resposta:


- Eu não acredito em reencarnação.


A entrevistadora continuou, porém assustada:


- Mas como não acredita em reencarnação, você não é espírita?


- Sim, sou espírita. Porém não acredito em reencarnação, pois tenho certeza dela. Ninguém acredita naquilo que tem convicção.


- Ufa!!! Disse a entrevistadora. Pensei que ir perder minha entrevista. Mas vamos lá, continuando...

O que lhe faz ter tanta certeza da reencarnação?


  • A certeza que tenho da existência de Deus.

- Mas como assim? Muitas pessoas acreditam na existência de Deus, porém não aceitam a reencarnação.


- Existem dois tipos de pessoas que acreditam em Deus. Uns creem que Ele existe, porém vivem a sua vida como se ele não existisse. Levam a vida, estudam, trabalham, namoram, casam ou não, festejam, etc. Tudo sem considerar a existência de Deus e Seus propósitos.

Estes são mais imaturos do ponto de vista espiritual, é difícil aceitarem a reencarnação.

Entre os outros, ou seja, aqueles que vivem considerando Deus em suas realizações, ainda podemos dividir em duas classes, os que aceitam e os que não aceitam a reencarnação. Entre os primeiros estão alguns religiosos tradicionais. Por não aceitarem a reencarnação eles limitam Deus, e Deus não pode ser limitado.


- Como assim? Explique melhor.


- Todas as religiões concordam que Deus é Perfeito, Soberano em Justiça e Amor. Eu digo mais, Deus é Supremo e Absoluto em todos os Seus atributos. Não pode ser limitado nem superado em nenhuma de Suas qualidades.

Quando um religioso tradicional diz que Deus perdoa a todos os que se arrependem, e confessam seus pecados, porém que isto só pode se dar durante a vida que diga-se de passagem é bem curta, estes que assim pensam estão limitando o perdão divino, pois ele só acontece durante a vida, Deus é Amor e Misericórdia somente por alguns anos. Isto é inconcebível.

Além disso se trabalharmos só com a ideia de uma vida única a justiça de Deus fica comprometida.

Ninguém consegue explicar o porque de uns sofrerem tanto, e outros, nem tanto; uns têm todas as oportunidades outros quase nenhuma.

Imagine você. Ao dizer que os pecados cometidos em uma única vida de alguns anos podem gerar sofrimentos pela eternidade isto é absurdo. Nem a justiça humana é imperfeita assim. Por aqui a pena é proporcional à culpa. Aquele que rouba um tubo de cola num supermercado não pode ser condenado à pena de morte; do mesmo modo aquele que comete crimes hediondos como estupro, sequestro acompanhado de morte ou outros do gênero não pode ser condenado a distribuir cesta básica para comunidade carente. Ou seja, repetindo, a pena tem de ser proporcional à culpa. E quem comete crimes numa vida de setenta , oitenta ou até cem anos que seja, pode ser punido por uma eternidade sem fim?

Eternidade é mais que cem, mais que mil, mais que um milhão, mais que um bilhão de anos...

E aqueles que morrem na infância? Vão para o céu ou para o inferno? E aqueles que vivem poucos dias? Estes merecem um céu só de bênçãos sem nada ter feito por merecer, ou um inferno de dores eternas sem também não terem culpa alguma?

Desculpem-me os que assim pensam um mundo com uma legislação desta não pode ser obra de Deus, mas do maligno. Aliás falando numa linguagem entendida por estes que assim pensam, a doutrina da vida única é a maior vitória do demônio sobre a comunidade dita de Deus...


- Mas estes religiosos que você diz, dizem que a Bíblia é a Palavra de Deus e que ela condena a reencarnação. Como é que fica isto?


- Antes de responder propriamente esta pergunta eu gostaria de fazer duas observações. Em primeiro lugar, do jeito que eu falo às vezes parece que sou contra os religiosos tradicionais, evangélicos, católicos, etc.. Isto não é verdade. Eu admiro tanto uns quanto os outros, vejo que eles fazem excelente trabalho de evangelização, e ainda penso que nós espíritas ainda temos que aprender muito com eles, em várias áreas. A minha discordância é em matéria de teologia, de doutrina. E digo mais, nós não temos que ficar lutando uns contra os outros, temos que compreender que somos todos cristãos. O nosso adversário comum deve ser o materialismo, este é que deve ser combatido, pois é doutrina maléfica que origina vários enganos. Mesmo assim, não são os materialistas que devem ser combatidos, mas o materialismo, é diferente.

Outra observação que quero fazer é que a Bíblia é o meu livro de cabeceira, é um livro fundamental e o tenho não só como livro de leitura, mas de estudo com fins reeducativos.

A Bíblia não condena a reencarnação. Existe um texto da Carta aos Hebreus que diz:


E, assim como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disso o Juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitas pessoas; e aparecerá segunda vez, não mais para eximir o pecado, mas para brindar salvação a todos que o aguardam! (Hebreus, 9: 27 e 28)


Todavia, qualquer estudante da Bíblia sabe, até mesmo os iniciantes na matéria, que não podemos pegar um versículo, retirá-lo do contexto, e fazer doutrina sobre ele.

Quando o demônio tentou Jesus ele o tentou usando um versículo bíblico. Mas como? Podem perguntar; simplesmente porque ele usou um verso do Salmo 91 fora do contexto. Portanto quando alguém usa este texto de Hebreus para condenar a reencarnação, está dando uma de "demônio", pois trata-se de uma interpretação não considerando o contexto do texto original.

O autor da Carta dos Hebreus, seja ele quem for, não escreveu aquele texto para falar sobre reencarnação, nem contra, nem a favor, o que ele quis foi exaltar Jesus, dando-lhe o título de Sumo Sacerdote por Excelência, mostrando ser Ele incomparavelmente superior aos sacerdotes levitas.

Mas mesmo sob este aspecto a Bíblia não se enganou, pois o homem, em sentido geral, morre apenas uma vez, pois homem nenhum reencarna, quem reencarna é o espírito do homem.


- Como assim?


- O homem é um ser trino, e a Bíblia concorda com isto. Ele é formado por espírito, corpo físico e corpo espiritual. Quando o homem desencarna, seu corpo físico é que morre; o espírito com o seu corpo espiritual volta para o mundo espiritual. Quando há o reencarne é o espírito que reencarna formando outro homem, com outro corpo, com outras características. E a cada encarnação, há por parte do próprio espírito junto com as Entidades espirituais responsáveis pelo seu processo encarnatório, uma avaliação, o que a Bíblia chama de juízo. Portanto, o texto está correto ao dizer que está ordenado [ao homem] morrer uma só vez, vindo, depois disso o Juízo.


Há que se fazer outra observação. Mesmo considerando o Bíblia como "Palavra de Deus", é preciso reconhecer que Deus é maior do que ela, pois a própria Carta aos Hebreus diz que aquele que constrói uma casa tem mais honra que a própria casa (Hebreus, 3: 3) e nada há maior ou mesmo igual a Deus.

Portanto a Bíblia não pode reduzir nenhum de Seus atributos, se ela assim fizesse ela estaria em erro. Mais uma vez peço perdão aos que não aceitam a reencarnação, mas não há como provar que Deus é Amor, que Deus é Justiça, que Deus é Perfeito, se não for através do reconhecimento que a reencarnação é um dos princípios da Lei de Deus.


- É, pelo que vejo a questão é mais complexa do que parece a princípio. Cláudio, você gostaria deixar alguma mensagem como consideração final?


- Há ainda muita coisa que poderíamos dizer; mas só para se ter uma ideia, eu sempre quis colocar a seguinte questão para alguém que não aceita a reencarnação me responder:


Imaginemos que uma mãe amorosa morre e vai para o céu. Seu filho, a quem ela muito ama, também morre, porém, não é salvo, e vai para o inferno.

Será que esta mãe sabendo que vai ficar eternamente separada de seu filho e que este vai viver eternamente em sofrimento, vai conseguir ser feliz no céu? Será que o céu não vai ser para ela um tormento eterno?


Certo dia, assistindo a um programa evangélico em um canal de TV alguém fez uma pergunta similar a esta a um pastor. Sabe o que ele respondeu? Que no céu ela nunca se lembraria de seu filho, que lá os salvos se esquecem daqueles que conheceram, amaram e foram para o inferno, pois se assim não fosse no céu haveria sofrimento. (até ele reconheceu isto)


Eu fiquei boquiaberto. Até então eu pensava que o céu era lugar de espíritos perfeitos, o que este pastor disse é que o céu é lugar de gente com amnésia, e o que é pior, outros pastores já confirmaram para mim esta questão.

Portanto eu deixo a seguinte pergunta, o que é mais digno da Perfeição de Deus, uma Lei, a da unicidade da existência, que promove a injustiça, a separação familiar, a amnésia nas pessoas, ou a da pluralidade das existências que promove a justiça, o amor incomensurável, a união eterna dos espíritos afins e a perfeição de toda a criação?

Como disse Jesus, aquele que tem ouvidos para ouvir, que ouça! (Mateus, 11: 15)

sexta-feira, setembro 15, 2017

Sabedoria



Melhor do que o ouro é adquirir sabedoria, e adquirir discernimento é melhor do que a prata.” (Provérbios, 16: 16)
É de todos os tempos a luta do homem pela melhoria de sua vida e pela conquista da felicidade.
No princípio, o instinto de sobrevivência o fazia demarcar territórios onde já desde aquela época sonhava em construir seu ninho doméstico e conquistar em família a tão almejada paz.
Todavia, a morte ou a enfermidade daqueles que lhe eram afins, a falta de recursos para superar as intempéries da natureza, além de outras dificuldades que encontrava pra dominar o desconhecido que sempre o apavorava, eram grandes desafios que necessitavam ser por ele vencidos a fim de poder alcançar o objetivo que o impingia sempre a frente.
O tempo se passava e pouco a pouco ele mesmo desobstruía seu caminho em favor de mais conforto e progresso com novas conquistas no campo da ciência.
Hoje, com a evolução da tecnologia, da informação, e da ciência que vão em ritmos acelerados, pode-se dizer que quase não há limites para o homem deste milênio que se inicia.
Porém, cada dia que passa, apesar do domínio de várias enfermidades, da inexistência da distancia entre os elementos que se gostam, e do total conforto que reina em favor da comodidade do homem, cresce no mesmo ritmo o aparecimento das angústias, da depressão e da ânsia de harmonia na intimidade das criaturas. Por que isso se dá? Tal sentimento não é um paradoxo se analisarmos as enormes possibilidades da humanidade?
Teria o homem errado o alvo? Parece que sim, e a causa está em que busca ele fora o que só poderia encontrar dentro de si.
A ânsia do ouro, da prata, do poder, entre outras, foram as motivações primeiras que o levaram a vencer grandes obstáculos, porém, a ser derrotado por si mesmo. Grandes conquistas foram feitas, e isso é muito bom, e até natural, todavia, e o cuidado pela edificação de si mesmo, por onde andou? Domina-se o espaço, a natureza, e em muitos casos até as enfermidades; porém, não se deixa de ser escravo das posses, dos desejos e da aparência.
Diz o livro sagrado, melhor do que o ouro é adquirir sabedoria, que sabedoria é essa, senão o conhecimento de si mesmo? Ou ainda, a vivência prática pelo menos daquilo que já se conhece?
Disse o Cristo a dois mil anos, ame! Porém, o castelo do egoísmo cresce a cada dia.
O homem grita: “odeio a guerra, amo a paz”, porém alimenta a primeira e destrói a segunda na intimidade do próprio irmão.
Há luta pelo ouro; e a sabedoria, o que é isso? Não se sabe, nem procura-se saber.
Complementa o texto de Salomão, …adquirir discernimento é melhor do que a prata; no entanto, quanta luta, quanta destruição, quantos aleijados, simplesmente porque não se aplicou a compreensão.
Paremos um pouco, meditemos, como poderia mudar a vida de cada um de nós se esta palavrinha – discernimento -, fosse aplicada em nosso dia a dia.
Estaria extinta a mágoa, e com esta a vingança. Entender-se-ia o anseio do próximo, findaria a guerra. Cultivar-se-ia a fraternidade, alimentar-se-ia o amor.
Discernimento, gênese da felicidade. Conquista que nem o ouro, nem a prata aproximaram de nos…
Portanto, escutemos o verbo que soa nos convidando:

Quem guarda o mandamento guarda a vida, quem despreza os seus caminhos morrerá.” (Provérbios, 19: 16)

Extraído do Livro: “Seja Feliz” Disponível em: