domingo, março 30, 2025

O Pensamento de Honório Abreu - Sobre a Serpente, a Tentação, a Queda...

#Pública


 


Reflexões sobre Gênesis cap. 3

Por Cláudio Fajardo

Em estudo anterior referentes aos capítulos primeiro e segundo do Gênesis, vimos que, segundo interpretação de Honório Abreu, Adão e Eva representam grupos de espíritos que encarnaram na Terra, deportados de Capela. Eles simbolizam a entrada de espíritos em um mundo em transição de primitivo para expiações e provas.

Ele explica que a Terra se tornou um mundo de expiações, uma vez que espíritos como estes, deportados de Capela, começaram a encarnar aqui, trazendo seus comprometimentos e suas influências negativas, apesar de serem úteis para evolução dos autóctones.

No terceiro capítulo de Gênesis é introduzido um terceiro grupo de espíritos representado pela serpente. Esses espíritos são ainda mais comprometidos com o erro, recalcitrantes.

Segundo Honório, a serpente, representando estes espíritos mais comprometidos não desejava encarnar, ela buscava influenciar negativamente Eva, que era mais sensível mediunicamente. Ela agia diretamente do mundo espiritual. Adão estava sob sono profundo, a serpente não consegue influenciá-lo, por isto age a partir de Eva, induzindo-a a desobedecer à ordem divina. A serpente, portanto, atua como um agente de tentação.

Essa interpretação evidencia que, naquele estágio da narrativa bíblica, as encarnações desses espíritos simbolizados pela serpente ainda não tinham ocorrido. Eles estavam mais focados em exercer influência do plano espiritual, sem a necessidade de passar pela experiência da encarnação. A serpente, ao enganar Eva, revela a presença dessas influências negativas que operavam diretamente sobre a psique humana, sem precisar se materializar fisicamente.

Isso é coerente com a Doutrina dos Espíritos que ensina que os desencarnados em suas interações com os seres humanos influenciam mais do que podemos imaginar. (Cf. O Livro dos Espíritos, questão 459)

Desta forma, Honório explora a narrativa da tentação de Eva pela serpente, destacando como a serpente representa as influências negativas e os desejos inferiores que nos cercam. Ele enfatiza que a serpente simboliza a soma dos caracteres vivenciados que temos em nossa intimidade e que influenciam nossas ações.

O processo da tentação tem como objetivo testar a constância dos espíritos, na prática do bem. Esse processo é essencial para o progresso espiritual e a ciência do infinito.

Um tema recorrente nesta análise é a importância da escolha consciente. Honório fala sobre como Eva teve a oportunidade de escolher entre diferentes árvores, simbolizando nossas decisões diárias e como elas impactam nosso crescimento espiritual.

A narrativa da queda de Adão e Eva é explorada, com foco nas consequências de suas ações. Honório discute como a desobediência resultou em uma mudança de estado de consciência, levando à percepção de estarem nus e à necessidade de cobrir sua vulnerabilidade.

Esses temas mostram como Honório Abreu utiliza o simbolismo bíblico para transmitir lições espirituais e explicar a jornada evolutiva dos espíritos na Terra.

De acordo com ele, a nudez de Adão e Eva antes e depois da queda possui um significado simbólico profundo. Antes da queda, a nudez representa um estado de pureza e inocência. Nesse estado, eles não tinham consciência do bem e do mal, vivendo conforme a harmonia e as leis naturais estabelecidas pelo Criador. Eles estavam cobertos pela misericórdia divina e, portanto, não sentiam vergonha de sua nudez.

Após a queda, ao desobedecerem à ordem divina e comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, Adão e Eva tiveram seus olhos "abertos" e passaram a ter consciência de sua nudez. Essa consciência da nudez simboliza a perda da inocência e a entrada no mundo do conhecimento do bem e do mal. A partir desse momento, eles passaram a sentir vergonha de sua condição e buscaram cobrir-se com folhas de figueira, representando a tentativa de esconder suas falhas e fraquezas.

Esta nudez pós-queda indica a vulnerabilidade e a exposição ao pecado, mostrando que eles agora estavam cientes de suas transgressões e da necessidade de expiação e provas para sua evolução espiritual, que significa recomposição consciencial. A cobertura com folhas de figueira é uma metáfora para os mecanismos que criamos para lidar com nossas fraquezas e tentar nos proteger da exposição ao mal que agora conhecemos.

A desobediência à Lei, a qual é o pecado original, gera consequências – causa e efeito – o que temos no texto como simbolizado pelas punições.

Segundo Honório, as punições impostas aos três grupos de espíritos mencionados nestes versículos têm significados simbólicos e espirituais profundos. Vamos explorar como ele interpreta essas punições.

Punição da Serpente

3: 14 Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a besta, e mais que todos os animais do campo: sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente: esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

  • Maldição e Degradação: A serpente, representando espíritos mais comprometidos com o erro e recalcitrantes, é condenada a uma posição de degradação. Andar sobre o ventre e comer pó simboliza a queda desses espíritos para uma condição inferior e materializada. Eles perdem a possibilidade de agir livremente no plano espiritual e são forçados a enfrentar as consequências de suas ações.
  • Expiação e Provação: A serpente comer pó representa a necessidade de expiação e prova contínuas desses espíritos, que se afastaram da espiritualidade superior e agora enfrentam um processo de evolução mais doloroso e difícil através das reencarnações.

Punição da Mulher

3: 16 E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor terás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.

  • Dor e Concepção: A punição da mulher está relacionada ao aumento da dor no parto e à submissão ao marido. Isso simboliza a transição de um estado de pureza e inocência para uma condição de expiação e provas. A dor no parto representa os desafios e sofrimentos necessários para o crescimento e a evolução espiritual.
  • Relação com o Marido: A submissão ao marido indica a necessidade de trabalhar a humildade, o equilíbrio e a harmonia nas relações interpessoais. É um chamado para a evolução através da superação de desafios emocionais e sentimentais.

Precisamos considerar ainda que, conforme esta interpretação, Adão representa a razão e Eva simboliza o sentimento. No contexto da punição de Eva, onde ela é submetida a seu marido, podemos interpretar isso como uma simbologia de que o sentimento deve se submeter à razão para evitar que se transforme em paixão.

Adão, simbolizando a razão, é o aspecto racional que deve guiar e orientar nossas ações e decisões. Eva, simbolizando o sentimento, representa as emoções e sensibilidades que, sem a orientação da razão, podem se descontrolar e se transformar em paixões.

Isso implica que, para manter um equilíbrio e uma harmonia interior, o aspecto racional deve ter primazia sobre o aspecto emocional.

A punição de Eva, que inclui a dor na concepção e a submissão ao marido, pode ser vista como a consequência de quando os sentimentos dominam a razão, levando a decisões impulsivas e problemáticas.

A razão deve, portanto, "dominar" o sentimento para evitar os desequilíbrios e as consequências negativas associadas às paixões.

Essa interpretação não nega a importância dos sentimentos, mas enfatiza a necessidade de um equilíbrio em que a razão guie as emoções para que essas não se transformem em forças destrutivas. É um convite ao autodomínio e à harmonia entre razão e emoção para uma vida mais equilibrada e consciente.

A Punição de Adão

3: 17 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela: maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.18 Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado: porquanto és pó, e em pó te tornarás.


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Certa vez perguntei a um Pastor protestante o porquê dele acreditar que a punição do Inferno seria eterna. Ele me respondeu prontamente: - "Porque a Bíblia afirma que é."
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domingo, março 23, 2025

OS DEZ MANDAMENTOS - Segundo José Damasceno Sobral



 
                                                                                                                                          
                                                                                                                                                                                

Texto original de José Damasceno Sobral, comentário entre colchetes em vermelho, de Cláudio Fajardo

Êxodo 20:2-17;
João Ferreira de Almeida – RC; 
Evangelho Segundo o Espiritismo-
capitulo 1 – item 2, pág. 55;
    "2Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. 3Não terás outros deuses diante de mim. 4 Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5 Não te encurvarás a elas nem as servirás, porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem 6e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos. 7Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar seu nome em vão. 8 Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. 9 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, 10 mas, o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. 11Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou. 12 Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus, te dá. 13Não matarás. 14 Não adulterarás. 15 Não furtarás. 16 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 17Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo." (Ex 20:2-17).

Nota: A linguagem é no singular, porque a lição é endereçada a cada um em particular; e no futuro, porque entendê-la vai depender da evolução do indivíduo, o que demanda tempo.
"2 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão." (Ex 20:2).
"EU SOU O SENHOR TEU DEUS," – Moisés atribuiu a Jeová, um dos espíritos guias do povo hebreu, a condição divina, para conseguir ser ouvido por um povo bem atrasado. Ouçamos a mensagem como se fosse endereçada a cada um de nós.
[Podemos entender que este Senhor – IHWH - era o próprio Espírito do Cristo, ou algum de Seus Ministros mais próximos a Ele]
"QUE TE TIREI DA TERRA DO EGITO" – Para que eles conseguissem sair de lá, houve uma interferência notória dos Espíritos. Oportuna a leitura do livro Êxodo até o trecho ora em estudo.
[Os quatrocentos nãos de escravidão representam um número (4) de provação. Era necessário passar por estes momentos para chegar à condição de libertação. Quando chega a hora os Espíritos Superiores atuam em nome de Deus e de Seu Cristo para libertar e iniciar um novo ciclo evolutivo.
Egito, espiritualmente falando simboliza escravidão aos sentimentos inferiores do espírito, prisão na matéria, esta libertação após um período de escravidão simboliza o início de um novo ciclo, em que valorizando as questões morais e espirituais levam o espírito à redenção.]
"DA CASA DA SERVIDÃO" – No Egito, os hebreus se encontravam na condição de escravos.
[Esta casa de servidão é dentro de nossa interpretação, toda prisão relativa ao mundo e às questões materiais. Uma encarnação expiatória pode estar em foco aqui, como muitas outras situações devido à nossa transgressão à Lei de Deus.
Deus através das reencarnações e dos processos provacionais, onde adquirimos conhecimento e evolução espiritual, nos oportuniza a saída desta Casa]
"3 NÃO TERÁS OUTROS DEUSES DIANTE DE MIM" – Desde a primeira hora o povo era iniciado na ideia de um Deus único, o que veio sempre sendo confirmado pelos profetas e, mais tarde, pelo próprio Jesus. Paulo ensina: "Portanto, meus amados, fugi da idolatria." ( I Co 10:14). Tal advertência deve estar sempre presente, porque somos dados a endeusar pessoas, coisas, paisagens, vícios...
[Todo tipo de "idolatria" está referido nesta expressão. Não podemos cultivar deuses como diz nosso querido Sobral: "pessoas, coisas, paisagens, vícios..." Aqui incluímos posição social, estética, poder, dinheiro entre outras. Deus é Uno e Sua Lei soberana.]
"4 Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra" – Como a idéia de Deus é inata na criatura, por desconhecê-lo, ela foi levada a adorá-lo de acordo com o seu entendimento. Daí o culto dos astros, como o Sol, a Lua; de animais; de elementos da natureza, como o fogo. Como sua mente, de recursos limitados, ainda não era dada a deduções metafísicas, espirituais, deu formas as expressões de sua fé, surgindo os ídolos. Na igreja católica apareceram as imagens que, admitidas inicialmente, como referencias para o culto, passaram a ser objeto do próprio culto. Por isso, o esforço para retirá-las, incompreendido por muitos.
[Qualquer dependência emocional por imaturidade do Espírito pode estar em foco aqui. Em nosso movimento espírita é muito comum a idolatria de médiuns e de espíritos, o que não é aconselhável. Às vezes se coloca fotografias de Espíritos em Casas Espíritas. Temos que repensar a motivação destas fotos. Se for em caráter de adoração, não é aconselhável. Vamos pensar.]
"5 Não te encurvarás a elas nem as servirás, porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem." (Êxodo 20:5).
"NÃO TE ENCURVARÁS A ELAS NEM AS SERVIRÁS" – Só perante Deus devemos nos curvar só a ele devemos servir. Submetendo-nos (no que for justo) a uma autoridade constituída, tal ato é como se fosse a Deus. Servindo uns aos outros, cristãmente.   Estamos servindo ao Criador.
"PORQUE EU, O SENHOR TEU DEUS, SOU DEUS ZELOSO" – Entendemos melhor esta assertiva, se aqui entendermos Deus como uma de suas leis: a lei de causa e efeito, de ação e reação ou do carma, expressa por Jesus de modo muito simples: "A cada um segundo as suas obras."
"QUE VISITO A MALDADE DOS PAIS NOS FILHOS" – Nossos filhos são as nossas obras. Toda obra má pede ação corretiva. Se assim não fosse, o mundo em pouco tempo ficaria totalmente comprometido. Por outro lado, precisamos entender que, AGINDO, somos PAIS. Recebendo a ação, a conseqüência, somos filhos. Nosso destino está em nossas mãos.
"ATÉ À TERCEIRA E QUARTA GERAÇÃO DAQUELES QUE ME ABORRECEM" – Continua a ação da lei de causa e efeito. Pela reencarnação, voltamos à Terra, para sofrermos até desejarmos retificar os erros que nós próprios comentemos.
[Aqui é preciso considerar uma tradução mal-intencionada. Houve uma troca na preposição alterando o sentido. A preposição ('al = sobre) trocada por ('ad= até), mudou o significado reencarnacionista do texto.
Assim, o correto seria: que visito a culpa dos pais sobre os filhos, na terceira e quarta geração...
Para maiores informações acesse o link abaixo:
 
"6 e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos." – Se anteriormente aprendemos que Deus é justo, agora ficamos sabendo que Ele é bom. misericordioso. Errando deliberadamente, nos colocamos sob a mira da Sua justiça. amando-O e, logicamente, pondo em prática os Seus mandamentos, nos abrigamos em Sua misericórdia.
[Amar a Deus é obedecer à Sua Lei (guardar os mandamentos), que em última instância é Amor. A misericórdia é para os misericordiosos. Portanto, amemos, e seremos amados, "em milhares"]
"7 Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar seu nome em vão" – O simples ato de pronunciar o nome de Deus exige de nós uma atitude íntima adequada. E de tanto repeti-lo deixamos de lhe dar o valor correspondente. Não raro, o nome de Deus é utilizado até para fins contrários ao próprio bem, como em bênçãos de equipamentos de guerra. Por extensão, lembramos crucifixos que são entronizados em casas de agiotagem... Ora, quem assim procede sabe que o nome de Deus, que o crucifixo representa algo superior, mas barateiam o seu significado, tornando-se passiveis da justiça divina.
[Se já tomamos o Nome de Deus, é porque já reconhecemos a Sua existência e o Seu Amor. Assim, usá-lo "em vão" é "pecar" (transgredir a Lei"). Por isto, a expressão é clara "não será tomado por inocente"]
"8 LEMBRA-TE DO DIA DO SÁBADO PARA O SANTIFICAR" – Antes era o sábado. Como a ressurreição de Jesus se deu no domingo, passamos a considerar esse dia. Todos os dias devem ser vividos santamente, no desempenho de nossas obrigações. O domingo deve ser de modo diferente, nos entregando a tarefas que não conseguimos realizar noutros dias, como leituras e estudos, visitas fraternas, culto da assistência. Se disciplinarmos as nossas horas, jamais nos queixaremos de falta de tempo.
Para os espíritas, todos os dias são iguais, representado oportunidades valiosas de trabalho, aprendizado e confraternização.
[O sábado é o sétimo dia da semana. Ele representa na escala setenária da evolução o complemento e fechamento de um ciclo. Santificá-lo deve ser entendido terminar o ciclo fazendo bem-feito, ajustando-se a Deus. "E viu Deus que era bom" (Gênesis cap. 1)]
"9 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra," – Aprendemos na Doutrina que o limite do trabalho é o das nossas forças. o que foi outrora estabelecido continua valido, pois a medicina moderna reconhece que, após seis dias de atividade, precisamos de um de descanso, para recuperação física. Não se trata de repouso de braços cruzados, de posição horizontal, de ociosidade; fazendo outras coisas e não as habituais. Com isso, movimentamos outras células do organismo e nos sentimos reconfortados e bem-dispostos.
Às vezes, por provação, nos vemos na contingência de trabalhar ininterruptamente. Se, é por isso, tudo bem. Se pela criação de necessidades dispensáveis, tudo mal, porque nos encontramos na condição de suicidas virtuais.
"10 mas, o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas." (Ex 20:10).
"MAS, O SÉTIMO DIA É O SÁBADO DO SENHOR TEU DEUS" – Os demais dias são de César, para as atividades do mundo.
"NÃO FARÁS NENHUMA OBRA, NEM TU, NEM TEU FILHO, NEM TUA FILHA, NEM O TEU SERVO, NEM A TUA SERVA, NEM O TEU ANIMAL, NEM O ESTRANGEIRO, QUE ESTÁ DENTRO DAS TUAS PORTAS" – Instrução abrangente, porque todos têm necessidade do repouso. Providência de grande repercussão social, precursora das leis trabalhistas. Com as tradições, escribas e fariseus (ao tempo de Jesus) levaram o assunto ao exagero, a ponto de ficarem em dúvida se poderiam ou não fazer um embrulho, dar um nó num barbante, alimentar-se de um ovo posto no sábado... Mais se uma vez, revoltaram-se contra ao Divino Médico por curar enfermos nesse dia.
[O descanso faz parte da Lei do Trabalho. Entretanto deve ser um descanso operacional. "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." (João, 5: 17). Ou seja devemos dedicar todos os dias, tudo que fizermos, ao Senhor. Mesmo quando trabalhamos para "César", nosso foco tem que a evolução espiritual.]
"11 Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou." – Pela linguagem, atribuindo tudo ao Senhor, notamos que quem fala é Jeová, espírito guia do povo hebreu. No que se refere à criação, devemos entender os dias como períodos geológicos com duração de milhões de anos. O número sete, corresponde ao sábado, significa completo, total. No nosso reduzido campo de ação, o sétimo dia deve ser o de exame de consciência, de fixação dos valores espirituais conquistados, de agradecimento à Divindade pela vida, o tempo e as oportunidades.
"12 HONRA A TEU PAI E A TUA MÃE, PARA QUE SE PROLONGUEM OS TEUS DIAS NA TERRA QUE O SENHOR TEU DEUS, TE DÁ." – Geralmente os jovens só aprendem algo do que devem aos pais, quando se desdobram em carinho, atenções e sacrifícios com os próprios filhos. E para alguns já é tarde, pois, havendo retornado ao plano espiritual, não lhes podem dar provas de respeito e gratidão, senão por pensamentos e preces.
Não raro, os pais, por desejarem ver os filhos no melhor caminho, se exageram em palavras, atitudes e ação. Mas como sofrem. Nós (filhos) precisamos entender isso. A melhor maneira de honrar nossos pais é levando uma vida conduta irrepreensível. Com isso, se sentem satisfeitos e "realizados" em sua missa paterna.
Partindo do princípio de que as recomendações oriundas dos pais são boas e ditadas pelo amor e pela experiência, ouvindo-as e pondo-as em prática, de muitas coisas desagradáveis se furtarão os filhos. Podemos, por extensão, ver como pai e mãe todas as criaturas mais velhas e bem-intencionadas que procuram nos orientar.
Estamos na Terra graciosamente. Só de pensar no muito que ela nos proporciona, com vistas à nossa evolução, deveríamos ser extremamente gratos à Divindade.
"13 Não matarás". – O mandamento inclui o assassinato, a eutanásia, a pena de morte, o suicídio consciente ou não. A morte moral pela calunia, ostracismo. Matar o tempo. Matar de raiva. Matar a esperança, a disposição para o bem. Às vezes, estamos sendo assassinos sem saber. Todo cuidado é pouco.
"14 Não adulterarás." – Não se trata apenas da infidelidade conjugal. Adulterar é alterar, falsificar, corromper, deturpar, viciar. Temos assim: adulterar um documento; falsificar dinheiro; alterar um produto; corromper uma pessoa; deturpar um ensinamento.
[Tem sido comum nos meios religiosos adulterar os ensinamentos de acordo com o interesse pessoal e das organizações religiosas, para manter dogmas e privilégios. Nos meios políticos e sociais deturpam leis pelos mesmos motivos (interesse pessoal, que segundo os Espíritos Codificadores disseram a Kardec é o que origina o mais radical dos vícios, o egoísmo)]
"15 Não furtarás." – Apropriar-se, seja qual for o motivo, de qualquer coisa do semelhante. Devemos respeitar a propriedade alheia. Muitas vezes se tira algo de uma repartição pública ou de uma firma S.A. Ora, devemos respeitar o que é dos outros ainda que os não conhecemos. Não raro, quem tira procura justificar-se perante a própria consciência: trata-se de uma empresa rica; estou distribuindo, já que o dono não tem coragem de fazer; isso não faz falta; é para um necessitado; é para uma instituição filantrópica que muito bem irá realizar... Que cada qual tome a iniciativa de fazer o bem por conta própria, ainda que em proporção diminuta.
O plagio é o furto de trabalhos intelectuais. Furtar de alguém a oportunidade de aprendizado, de aquisição de experiência, de servir. Isso acontece com freqüência, quando só a nós próprios julgamos capazes de fazer tudo. Nesses casos, apenas a doença ou a desencarnação nos ensina que não há ninguém insubstituível.
"16 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo". – Como aprendemos com Jesus, nossa palavra deve ser sim, sim; não, não; porque o que passa disso é de procedência maligna. Parte do desejo de tapear. Dilatemos o conceito, não pensando somente em testemunhos diante de autoridades policiais. Quase toda hora, somos chamados a falar acerca do semelhante, que o façamos com sinceridade, jamais deturpando a verdade, deixando reticências.  Muita gente tem receio de elogiar a conduta alheia, como se, com isso, se diminuísse. Segundo o Evangelho, porém, é dando que recebemos.
[Lembremos da orientação do apóstolo Tiago em sua Carta no terceiro capítulo:
5 Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.6 A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.7 Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana;8 Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.9 Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.10 De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.]
"17 Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçaras a mulher do teu próximo, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo." (Ex 20:17).
"NÃO COBIÇARÁS A CASA DO TEU PRÓXIMO, NÃO COBIÇARÁS A MULHER DO TEU PRÓXIMO," – Cobiçar é ambicionar, desejar. A casa aqui tem o sentido de família. Nascemos para viver com quem, onde e quando mais convém à nossa evolução espiritual. Comumente, pelos laços consanguíneos, nos ligamos a espíritos com os quais nos desentendemos no pretérito. Por isso, a ideia de que com outros tudo seria diferente, melhor.
A cobiça parte do pensamento, da mentalização. É força que, uma vez desencadeada, atua de modo sensível. Muitas vezes deixamos de realizar algo por falta de condições ou por policiamento externo, mas intimamente, por pensamentos, já o fizemos, promovendo dificuldades ao próximo menos vigilante.
"NEM O SEU SERVO, NEM A SUA SERVA, NEM O SEU BOI, NEM O SEU JUMENTO, NEM COISA ALGUMA DO TEU PRÓXIMO." – Cada um tem o que merece. Para sermos felizes, precisamos aprendera contentar com o que temos. Quase sempre, deixamos de ser venturosos pelo que possuímos pelo que desfrutamos, para sermos infelizes pelo que não temos. A cobiça caminha passo a passo com a desdita (desdita que não tem razão de ser).
Impositivo é querer o melhor, o progresso, mas não em detrimento dos outros. Que tudo seja conquistado com o nosso esforço e perseverança. Não conseguindo algo, que nos resignemos. Deus sabe melhor do que nós o de que realmente carecemos.

terça-feira, março 18, 2025

Sobre o #Salmo22




 
Muitos dizem não acreditar no Evangelho, pois afirmam que Jesus jamais diria estas palavras: 

  • Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? As palavras do meu rugir estão longe de me salvar! (Salmo, 22: 2) (BJ)
É preciso estudar...
Trata-se de uma profecia cumprida em Suas palavras
Em Seu momento mais difícil na cruz, Jesus falou em aramaico, a linguagem comum de Seu tempo, citando o Salmo 22 - "Eloi, Eloi, lama sabachthani".
É importante notar que o Salmo 22 foi originalmente escrito em hebraico, embora o Novo Testamento cita Jesus como recitando a tradução aramaica.
O Salmo 22 foi escrito séculos antes da crucificação romana existir e detalhou aspectos específicos da morte de Jesus que mais tarde se desdobrariam no Calvário:
  • "Todos os que me veem zombar de mim; fazem-me a boca; balançam a cabeça" (versículo 7) – cumpre-se como os espectadores zombavam de Jesus na cruz.
  • "Ele confia no Senhor; livra-o dele; livra-o dele, porque deleita nele" (versículo 8) – ecoou nas provocações dos que estavam no Calvário.
  • "As minhas vestes dividem-se entre eles, e para as minhas vestes lançam sortes" (versículo 18) - cumpriram-se precisamente como os soldados romanos lançam sortes para as roupas de Jesus.
  • O hebraico antigo do versículo 16 diz "como um leão, minhas mãos e meu feet", וְרַגְלָי (e meus pés), embora algumas traduções iniciais traduzam isso de forma diferente, vendo nela uma conexão com a crucificação.
  • Notas de rodapé da Bíblia (BJ2) - 2002 - Bíblia de Jerusalém
  • Salmos 22 : 16 : seco está meu paladar,[z] como um caco, e minha língua colada ao maxilar; tu me colocas na poeira da morte.
  • [z]: "meu paladar": hikkî, conj.; "minha força": kohî, hebr.

Pensemos a respeito. Existem situações em nossas experiências provacionais, que só podemos enfrentá-las a sós.
Nestes momentos, procuramos consolo em alguém e este alguém não se faz presente. Buscamos um livro e a página cai em lição que nada tem a ver com a nossa situação.
Além de mostrar sua condição messiânica, talvez tenha sido esta a lição do Mestre.
Há situações que temos de enfrentar sozinhos.

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