segunda-feira, dezembro 19, 2011

O Trabalho da Mãe de Jesus no Plano Espiritual (continuação)


Maria dirige no Plano Espiritual várias organizações de socorro aos necessitados. No livro Memórias de um Suicida1 de autoria do Espírito Camilo Castelo Branco através da médium Yvonne do Amaral Pereira, é-nos relatado o socorro realizado aos Espíritos que praticaram o autoextermínio pela Legião dos Servos de Maria.
Trata-se de uma Legião de Espíritos dirigidos pelo Nobre Espírito Maria que tem por finalidade socorrer aqueles que abreviaram voluntariamente a sua vida e por isso padecem atrozes dores no Mundo Espiritual. Há entre os servidores da Mãe do Senhor disciplina e amor no auxílio a estes que sem dúvida são grandes necessitados de socorro espiritual.
Dá-nos a conhecer ainda, este autor espiritual português, outras organizações chefiadas por este angelical Espírito como o Hospital Maria de Nazaré e a Mansão da Esperança.
Outras citações poderíamos fazer para falar do trabalho da Rosa de Nazaré no Mundo do Espírito, entretanto, para encerrar estas singelas linhas sobre seu trabalho no sentido de apascentar as ovelhas de Seu Filho amado gostaríamos apenas de citar a referência de André Luiz àqueles que em prece pedem o socorro da Senhora dos Anjos para o alívio de seu coração.
Narra-nos este querido mentor estudando os processos de intercessão no Mundo da Verdade que certa matrona chorava com paciência e de joelhos diante de seu oratório particular quando seu orientador sugeriu-o acompanhar as vibrações mentais da irmã em súplica:
(…) postar-nos-emos na retaguarda, de modo a não a incomodar com a nossa presença. E, envolvendo-a nas vibrações de nossa simpatia, assimilar-lhe-emos a faixa mental, percebendo, com clareza, as imagens que ela cria em seu processo pessoal de oração.
Obedecemos maquinalmente e, de minha vez, à medida que concentrava a atenção naquela cabeça grisalha e pendente, mais se alterava o estreito espaço do nicho aos meus olhos...
Pouco a pouco, qual se emergisse da parede lirial, linda tela se me desdobra à visão, tomada de espanto. Era a reprodução viva da formosa escultura de Teixeira Lopes2 , representando a Mãe Santíssima chorando o Divino Filho morto... E as frases inarticuladas da veneranda irmã em prece ressoavam-me nos ouvidos:
- "Mãe Santíssima, Divina Senhora da Piedade, compadece-te de meus filhos que vagueiam nas trevas!... Por amor de teu filho sacrificado na cruz, ajuda-me o espírito sofredor para que eu possa ajudá-los...
Bem sei que por sinistro apego às posses materiais, não vacilaram em abraçar o crime.
Em verdade, Senhora, são eles homicidas infortunados que a justiça terrestre não conheceu... Por isso mesmo, padecem com mais intensidade o drama das próprias consciências, enleadas à culpa...”
Nesse ponto da petição, Silas tocou-nos, de leve, os ombros, convidando-nos ao ensinamento devido e explicou:
- É uma pobre mãe desencarnada que roga pelos filhos transviados nas sombras.
Invoca a proteção de nossa Mãe Santíssima, sob a representação de Senhora da Piedade, segundo a fé que o seu coração pode, por enquanto, albergar, no âmbito das recordações trazidas do mundo...
- Isso quer dizer que a imagem de nossa visão...
Esta observação ficou, porém, no ar, porque Silas completou, presto:
- É uma criação dela mesma, reflexo dos próprios pensamentos com que tece a rogativa, pensamentos esses que se ajustam à matéria sensível do nicho, plasmando a imagem colorida e vibrante que lhe corresponde aos desejos.
E respondendo automaticamente às indagações que o problema nos sugeria, continuou:
- Isso, contudo, não significa que a prece esteja sendo respondida por ela mesma. Petições semelhantes a esta elevam-se a planos superiores e aí são acolhidas pelos emissários da Virgem de Nazaré, a fim de serem examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria.3
A Hora do Ângelus
Há entre os encarnados, principalmente os que adotam a fé católica, um importante momento do dia - às dezoito horas, quando a suavidade do início da noite sugere momentos de reflexão - em que têm o hábito de reverenciar a Mãe das mães.
A literatura espírita através da mediunidade de Yvonne do Amaral Pereira4 nos sugere que esta reverência é fruto de um reflexo do Plano Maior já que na Espiritualidade muitos Espíritos também reverenciam a Santa de Nazaré neste mesmo horário.
Conta-nos Camilo Castelo Branco que:
Do templo, situado na Mansão da Harmonia, região onde se demoravam com freqüência os diretores e educadores da Colônia, partia o convite às homenagens que, naquele momento, seria de bom aviso prestarmos à Protetora da Legião a que pertencíamos todos – Maria de Nazaré.
Pelos recantos mais sombrios da Colônia ressoavam então doces acordes, melodias suavíssimas, entoadas pelos vigilantes. Era o momento em que a direção geral rendia graças ao Eterno pelos favores concedidos a quantos viviam sob o abrigo generoso daquele reduto de corrigendas, bendizendo a solicitude incansável do Bom Pastor em torno das ovelhinhas rebeldes, tuteladas da Legião de sua Mãe amorável e piedosa.
A narrativa continua na obra citada. Para nós importa comentar apenas que devido ao grande número de Espíritos encarnados e desencarnados envolvidos na prece neste mesmo momento, todos com a mente voltada para uma espiritualidade edificante, cria-se no planeta uma excelente vibração onde os Espíritos trabalhadores da Seara do Cristo encontram subsídios para realizar trabalhos inimagináveis para a mente do homem comum.
Assim, se possível, entremos nesta vibração coletiva do Bem buscando pela prece trabalhar em favor de nossos irmãos mais necessitados; sabedores que, no comando desta poderosa corrente está a Rosa Mística de Nazaré intercedendo perante Seu Filho, o Governador Espiritual do Orbe, por todos agregados a esta luminosa correnteza construtora da Ordem Universal.

1 PEREIRA, Yvonne do Amaral. Memórias de um Suicida, Rio de Janeiro, FEB, 1955
2 António Teixeira Lopes, notável escultor português. (Nota do Autor espiritual.)
3 XAVIER, Francisco C./André Luiz. Ação e Reação, 6a ed., Rio de Janeiro, FEB, 1978, cap. 11
4 Cf (PEREIRA 1955), 3ª Parte cap. 2

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